Capitulo 14: Voz da Noite

Às vezes eu me pergunto como teria sido a minha vida se eu não tivesse me apaixonado por você...



Um cheiro doce de rosas e de grama molhada lhe invadiu as narinas, quando respirou com mais força do que devia, fazendo o seu peito doer.

Fez uma careta e gemeu baixinho, enquanto apertava com força o delicado tecido entre seus dedos.

O que havia acontecido? Onde estava?

Num flash, todas as imagens do que havia acontecido com si afloraram em sua mente: Treino de Quadribol. Ela e Naty se zoando, e de repente... Uma dor terrível em seu peito. Uma queda livre e finalmente os braços de Harry, que a seguraram antes que o impacto de seu corpo com o chão acontecesse.

Gente ela esta acordando. - uma voz feminina e familiar disse ao seu lado, e logo passos começaram a soar, mostrando a aproximação de um grande grupo.

Abrindo os olhos lentamente, Gina fitou, com a visão um pouco embasada, os rostos preocupados de suas melhores amigas, de seus irmãos, Hermione e incrivelmente; Draco Malfoy estava ali.

-O... Que... Aconteceu- perguntou baixinho, tentando segurar os gemidos de dor quando respirava.

Rony e os gêmeos se aproximaram devagar.

-Você caiu da vassoura. - Rony começou a explicar, segurando entre as suas mãos a da irmã.

Fred fez o mesmo com a outra.

-Se não fosse pelo Harry...- Jorge disse, fazendo uma encenação com as mãos, mostrando desde o momento que ela caia até o instante que aconteceria se ela tivesse caído no chão. Aquilo não foi algo muito bom de se ver!

Sorrindo levemente, Gina procurou com os olhos o melhor amigo e estranhou ao ver que ele não se encontrava ali, junto aos outros.

Dando mais uma olhada ao arredor, Gina pôde descobrir que além de estar na Ala Hospitalar, deitada numa das camas, pela janela pôde ver incríveis raios de sol começarem a passar entre as folhas e dos grandes galhos das arvores. Uma garoa fina fazia um som reconfortante quando caia sobre as janelas e o telhado do castelo.

-Onde está o Harry? Que horas são - perguntou tentando se sentar, mas o seu peito deu uma pontada mais forte, fazendo gemer e cair como um baque novamente na cama.

May e Naty se aproximaram e a acudiram, uma segurado a cabeça da ruiva e a outra arrumando o travesseiro.

-Gi, por favor, você tem que repousar. - a ruiva olhou para Naty, de modo que ela entendesse que; poderia lhe pedir qualquer coisa, menos aquilo.

-Gi, a Naty está certa. - May interveio, passando os dedos sobre os chumaços ruivos da amiga, que se espalhavam sobre o travesseiro. - Você está num estado que não sabemos ao direito o que significa, mas não é nada que podemos chamar de cem por cento saudável.

Gina sorriu levemente ao escutar a ironia da índia.

Mas aquilo não era o suficiente para ela se sentir melhor. Queria Harry ao seu lado, ele era o seu melhor amigo, e o que encontrava quando finalmente abrira os olhos? Nada! Absolutamente nenhum vestígio dele ali.

-Que horas são- voltou a perguntar, e desta vez fora Draco que respondera, erguendo a manga do sobretudo e olhando para o relógio em seu pulso.

-São dez e meia. - o sorriso que ele lhe deu fez Gina sentir-se melhor. Draco era realmente um grande amigo.

-Até agora eu não sei o que você está fazendo aqui, Malfoy - Rony falou entre os dentes, fuzilando o loiro com os olhos.

Gina pôde escutar o suspiro cansado de May ao seu lado.

Rony, acho que não estamos na hora mais adequada para começar uma briga. - a índia falou, segurando o braço do ruivo, impedindo-o de ir para cima de Draco, que ria simplesmente, de modo provocativo.

Rony bufou.

-É, você tem razão. - olhou para May e lhe sorriu de modo simpático antes de voltar a sua atenção para Gina, que ainda continuava com o rosto pálido - Você ficou inconsciente a noite inteira, Gina.

Gina arregalou os olhos surpresa. Céus! O seu tombo fora tão forte assim?

Sabia que estava acontecendo algo estranho com o seu organismo, e como era cabeça dura não fora na Ala Hospitalar ver o que estava acontecendo, mas... Pensando que era somente uma gripe, não se deu a preocupação. E agora, o seu estado podia ter se tornado bastante delicado, e ela já podia ver Harry bem a sua frente lhe dizendo a tão famosa frase; e eu não te disse para ir ver o que era isso, pimentinha?

E mesmo que aquela frase pudesse causar o belo começo de uma discussão, Gina começava a senti saudades de seu apelido tão tedioso e de Harry que fez muito bem em se lembrar, não estava ali!

-E o Harry ficou ao seu lado por todo esse tempo – Hermione interveio, pela primeira vez, sorrindo para a ruiva fracamente e a fazendo balançar a cabeça e olhá-la de modo esperançoso - Pronfrey quase o estuporou por ele não tirar a cadeira do seu lado, mas nós chegamos agora a pouco e conseguimos convencer ele a descansar um pouco, enquanto ficávamos aqui. Por sorte você acordou logo depois.

Gina abriu a boca num sorriso que lhe atingiu a altura das orelhas e chegaram em seus olhos.

Ele havia estado ali com ela à noite inteira, observando-a, acudindo-a e tomando conta dela.

Sabia que Harry não iria deixá-la na mão, até mesmo notara que o seu corpo estava mais quente que ao normal. Provavelmente estaria com febre, mas o calor penetrante das íris dele sobre si ajudaram a se esquentar.

Até de mais, Pensou consigo mesma.

Nesse momento a porta da Ala Hospitalar se abriu chamando a atenção de todos. Dumbledore junto com Snape se aproximavam, o professor de poções com o seu mesmo rosto duro e severo, mas os olhos negros não lhe negavam que estava preocupado com a aluna - não era segredo para ninguém que ele considerava Gina uma verdadeira Sonserina e deste modo a tratava muito bem. Dumbledore, mais a frente vinha caminhando calmamente, com as mãos para trás das costas e com um sorriso doce nos lábios escondidos pelos vários fios brancos da barba.

Gina notou que ele olhou para Naty e os olhos de ambos brilharam de modo bastante estranho. Carinho, amor talvez. Não compreendia.

O diretor se aproximou do leito que repousava e pondo uma das mãos enrugadas sobre a batente da cama, fitou-a numa forma que fez Gina sentir-se ainda melhor, e aos poucos a dor em seu peito começou a desaparecer.

Respirou fundo e agradeceu mentalmente pela pontada ter sumido.

-Saiam todos, o diretor quer conversar com a Senhorita Virginia em particular. - Snape informara em seu tom prepotente e seco de sempre, não se importando com os olhares fulminante dos irmãos de Gina, que haviam estranhado ao ouvi-lo chamá-la pelo nome.

-Nós voltamos mais tarde. - Naty disse, se despedindo de Gina com um aceno, assim como o restante e caminharam em direção a saída da Ala.

Gina sentiu uma enorme vontade de gritar para que quando eles voltassem, trouxessem Harry junto, mas desistiu da idéia no meio do caminho, já com a boca entreaberta.

-Fique calma, Gina, o Harry vira visitá-la daqui alguns minutos. - Dumbledore lhe informara de forma gentil, fazendo a ruiva olhá-lo com os olhos arregalados.

Como ele descobrira o que ela queria exatamente?

Adorava Dumbledore, o admirava como homem e como um sábio, mas tinha vezes que o diretor a assustava.

Dumbledore saiu dos pés da cama e caminhou até ficar bem ao seu lado e, num gesto amigável, ele ajudou-a a sentar-se na cama, colocando o travesseiro em suas costas, dando-lhe um conforto maior.

-Como se sente- ele perguntou carinhoso, sorrindo de forma suave.

-Estou bem. - Gina respondeu, correspondendo o sorriso - Quando poderei sair daqui, professor?

-Espero que logo, porque esta Ala aqui é um tanto quanto tediosa. - Dumbledore disse num tom brincalhão, fazendo Gina rir levemente - Eu mesmo detestava vir para cá no meu tempo de estudante, quando me machucava.

-Oh! Então esta Ala tem muitos anos. - vendo o que falara, Gina se virou para o diretor - Desculpe-me, Dumbledore, não foi...

Ele riu, interrompendo-a:

-Está tudo bem, Gina. Até hoje não inventaram nenhum feitiço para que o tempo parasse, por isso eu já estou acostumado com a idade que tenho. - arrumando os óculos de meia-lua, ele continuou – Mas, ao passar dos anos, os seres humanos vão adquirindo mais sabedoria sobre a vida e também sobre o... Amor. - Gina sentiu que o diretor queria chegar em algum lugar, mas antes que pudesse perguntar o significado de suas palavras, Snape se aproximou com um vidrinho de cor num tom de barro, fazendo-a torcer o nariz. Ele queria, por acaso, a envenenar?

-Tome- ele falou e aquilo não era algo que Gina poderia chamar de pedido amigável.

Colocando a poção bem enfrente a seus olhos, numa ordem, Gina não viu outra escapatória a não ser aceitá-la.

Engolindo em seco, pegou a poção e destampou-a; o cheiro era algo parecido como o de uma alcachofra podre, fazendo Gina torcer ainda mais o nariz.

Prendendo a respiração, levou o vidrinho aos lábios e numa virada só engoliu-o. O gosto era o mais amargo que já provara em toda sua vida e descia sobre seu corpo como uma cascata de pura brasa.

Estremecendo, fechou os olhos e aos poucos o calor foi diminuindo, até que pôde sentir suas bochechas voltarem ao tom rosado natural, assim como o tom branco de sua pele.

-Como se sente? - Snape perguntou pegando o vidrinho da poção. Gina olhou-o e fez uma nota mental para que o próximo que lhe perguntasse aquilo teria que lhe pagar três galeões para ter sua resposta.

-Melhor! Obrigada, professor. - e incrivelmente, Snape sorriu antes de, com um aceno de cabeça, se retirar.

Gina voltou sua atenção para Dumbledore, que a observava quieto, os olhos azuis celestes brilhando.

Remexeu-se inquieta sobre o colchão, tentando arranjar uma posição ainda mais confortável.

-Eu gostaria de lhe pedir um favor, Gina. - Dumbledore disse por fim, sentando-se ao seu lado e pondo a mão sobre a dela. - Venho recebendo algumas reclamações dos editores do jornal da escola, dizendo que por causa do baile os pedidos das matérias cresceram, não os dando o tempo necessário para se dedicarem aos estudos. E por isso eu pensei numa solução e a encontrei.

Gina ergueu uma sobrancelha.

Com um sorriso doce e entusiasmado, o diretor continuou:

-Eu pensei em abrir uma rádio aqui em Hogwarts e como ouvi dizer que você canta muito bem - Gina corou levemente - pensei em convidá-la para ser a locutora.

Arregalando os olhos em pura surpresa, Gina encarou Dumbledore, que ainda continuava a segurar a sua mão numa forma paternal.

Ela, locutora de uma rádio?

A idéia penetrou-lhe na mente como um raio e ficou rodopiando como um verdadeiro vendaval, deixando-a tonta e fazendo-a piscar os olhos várias vezes.

Meu Deus! Como Dumbledore ainda perguntava uma coisa daquelas? Bem para ela, onde adorava conversar com o publico, cantar e ia ser demais recebendo cartas amorosas onde as leria para que toda a Hogwarts escutasse.

Com um enorme sorriso, aonde parecia que iria a qualquer minuto deslocar o seu maxilar, respondeu animada:

-Mas eu iria adorar- o diretor, balançando a cabeça e sorrido satisfeito pela resposta da ruiva, levantou-se.

-Fico feliz que tenha aceitado a proposta, Gina. – e, com um balançar de cabeça, começou a se retirar - Agora me deixe ir resolver os últimos retoques sobre isso e acredito que amanhã mesmo você possa começar.

-Professor. - Gina o chamou, tudo bem que havia aceitado ser a locutora de Hogwarts, mas precisava manter a sua imagem por anônimo. Não queria nem ver a confusão que isso iria dar se seus irmãos e até mesmo Harry descobrissem que ela estaria trocando os estudos pela rádio - Eu gostaria de manter o meu nome por anonimato. - Dumbledore franziu o cenho levemente. - E... Será que o programa da rádio poderia ser à... Noite- teria que pensar em tudo, para não levantar uma única suspeita.

O diretor pensou por algum tempo, antes de responder com bastante clama:

-Perfeitamente, Gina! Entendo o que quer dizer sobre manter-se dessa maneira... Reservada! E eu estava realmente pensando em fazer a radio à noite, na hora que todos os alunos estarão indo dormi, tenho certeza que isso além de não atrapalhar seus estudos, trará a todos os alunos, um em especial - Gina ergueu uma sobrancelha. Dumbledore era estranho. Muito estranho- bons sonhos. - e virando-se novamente em direção a saída disse por fim- Harry chegou!

Gina balançou a cabeça, saindo do transe ao ficar pensando no que Dumbledore deveria saber, sobre si e seu melhor amigo, e engoliu em seco quando viu a porta da Ala Hospitalar se abrir lentamente produzindo um som rouco e irritante, quando a grande porta arrastava-se pelo chão.

A imagem alta, forte e atlética de Harry deu-se por visível aos olhos da ruiva, que corou ao vê-lo. Sabia que Harry iria lhe dizer umas boas por ter sido tão irresponsável com sua saúde, mas o que ela podia fazer? O que mais queria era ficar perto dele.

Abaixou levemente os olhos quando ele e Dumbledore trocaram breves palavras, para que assim Harry finalmente a encarasse, como se a estivesse vendo pela primeira vez ali, deitada naquela cama, completamente indefesa.

Pegando uma cadeira, Harry a pôs ao lado da cama da ruiva antes de se sentar completamente relaxado sobre o acento desta; com as pernas levemente abertas, as mãos nos bolsos da calça e a cabeça jogada para trás enquanto as costas encontravam-se encostadas no apoio.

Gina suspirou.

-Ta legal, eu sei que agi como uma doida, irresponsável e eu deixo você falar a frase.

Harry franziu o cenho e um sorriso debochado formou-se no canto de seus lábios.

-Dizer o quê- ele perguntou num tom de voz sonso, deixando Gina ainda mais irritada.

Apertou com mais força o lençol entre os dedos e olhando ainda para as suas mãos, murmurou entre os dentes:

-A famosa frase: eu não te disse? - e para a sua total surpresa, Harry riu.

Gina ergueu os olhos e pôde vê-lo continuar a rir, enquanto se levantava e aproximava-se de si, sorrateiramente.

-Eu não vou dizer isso - Harry disse, colocando uma mecha ruiva dos cabelos da amiga atrás da orelha dela. - Mesmo que a minha vontade seja enorme, eu tenho certeza que a última coisa que você precisa é de um treinador chato te chamando a atenção.

Gina sorriu agradecida pela atenção do amigo. Harry podia ser muito chato na maioria das vezes, sempre zombando dela ou chamando-a por inúmeros apelidos infantis. Mas tinha certos momentos que ele se tornava tão atencioso, fofo... Amigo!

Colocou sua mão sobre a dele e o puxou, para que se sentasse na cama, bem a sua frente.

-Então quer dizer que eu ainda estou no time- perguntou, dando leves pulinhos na cama de felicidade.

-Claro que irá continuar no time. No dia em que o Snape dizer que me ama- Harry falou num tom forte e confiante, fazendo Gina arregalar os olhos, pasma. - diante de hoje o seu máximo será ficar no banco; limpando as vassouras e encerando as goles, bastões e o pomo de ouro. - Gina abriu a boca para reclamar, mas num gesto de mão, Harry a calou e assim continuou- E se reclamar, a farei ser a mascote do time.

Lançando um olhar fulminante ao amigo, Gina bufou, antes de cruzar os braços e desviar os seus olhos de Harry, que a observava bastante divertido com a sua reação.

-Você não presta- exclamou enraivecida.

Senhor! Como odiava aquele moleque. Lindo, imbecil, fofo, cafajeste, charmoso.

Harry não podia fazer aquilo com ela, o Quadribol era a sua vida, praticamente. E o que mais a deixava irritada era que, ele estava brincando, o brilho nos olhos verdes o denunciava. Mas, ela sabia que ele queria vê-la vulnerável, pedindo e implorando para que a deixasse continuar a jogar. Harry Potter, queria vê-la engolir o próprio orgulho.

Respirando fundo, Gina bateu na mão de Harry, que estava em se joelho antes de olhá-lo com um sorriso amarelo nos lábios.

Ele vai me pagar muito caro por estar me obrigando a fazer uma coisa dessas, Pensou observando Harry sorrindo debilmente para si.

-Harryzinho, chuchu do meu viver. - começou, fazendo cada palavra sair frisada entre seus dentes, num tom venenoso e perigoso, fazendo Harry sentir um arrepio em sua coluna - Por favor, me deixe continuar no time- e piscando varias vezes, Gina fez uma perfeita cara de "garota abandonada precisando de amor e carinho".

Harry cerrou os olhos levemente e coçou o queixo, num gesto de perfeito pensador. Como se estivesse analisando o pedido.

Por fim ele deu os ombros.

-Tudo bem, mas somente com uma condição - Gina ergueu uma sobrancelha, agora viria à bomba. Harry aproximou-se de si e segurou seu rosto entre as mãos quentes e sorrindo para ela de um modo incrivelmente sedutor, disse- Que você nunca mais me faça sentir novamente aquela sensação de medo. Eu já perdi o Sirius, Gina, se eu perder você eu morro. - encostou seu nariz no dela - Quando eu ouvi o seu grito, vi você caindo daquela vassoura e aquele sangue... Foi como se eu visse toda a minha vida indo embora entre meus dedos. Eu te adoro demais, Gi. Não posso te perder.

Aquilo soou música para os ouvidos de Gina, que sorrindo emocionada, abraçou com força Harry de encontro a si. Com tanta força como se fosse capaz de fundir o corpo dele no seu.

-Você não vai me perder. - disse confiante, sentindo os longos dedos do amigo enrolarem-se nas suas madeixas ruivas.

Espero que não, pois irei ser obrigado a passar o cargo de "pimentinha" para outra garota. - Gina bufou e girou os olhos. Estava demorando para ele começar a provocá-la.

Afastando-se dele de modo rápido, deu-lhe um tapa no ombro.

-Eu te detesto. - exclamou irritada. Sabia que mesmo que odiasse aquele maldito apelido, somente de imaginar Harry chamando outra garota daquela forma a deixava ainda mais aborrecida. Mas não iria revelar aquilo para ele. Lógico!

Harry riu e afastou uma mecha da franja negra dos olhos.

-Eu vou indo. - deu-lhe um beijo na bochecha - A vejo no almoço- perguntou animado.

Gina assentiu com a cabeça, e quando viu o sorriso dele abri-se ainda mais, não pôde de deixar de suspirar profundamente.

Quando a porta da Ala Hospitalar se fechou, Gina escorregou pelo colchão e deitou-se, exausta.

Além de se preocupar com os treinos, e com a sua saúde, teria que pensar num plano para que ninguém desconfiasse quem seria a locutora da rádio de Hogwarts.

Fechou os olhos e começou a bolar o plano, antes de cair num profundo sono.


Sentou-se na mesa da Grifinória no Salão Principal, e, antes que pudesse levar o pedaço de pão a boca, ouviu o grito histérico de Colin a suas costas:

-A NOVA EDIÇÃO DO JORNAL ACABOU DE SAIR! - ele correu para o seu lado e colocou o jornal na mesa, fazendo com que um enorme bolinho de alunos se formasse, ele começou a ler em alto tom, fazendo os tímpanos de Gina latejarem:

Jornal de Hogwarts

É com muito orgulho que anunciamos os ocorridos do baile à fantasia que ocorreu há alguns dias atrás, no Salão Principal de Hogwarts, onde alunos do quarto ano para cima compareceram.

Foi algo inédito e surpreendente para todos quando uma jovem vestida de vermelho, cabelos ruivos e uma máscara dourada apareceu no alto da grande escadaria.

Gina praticamente cuspiu o conteúdo de seu suco de abóbora quando ouviu aquelas palavras lidas do jornal, saindo da boca de seu amigo.

Tudo bem que aquilo poderia dar algum falatório, fofocas, mas... Sair na primeira pagina do jornal, era algo que ela não esperava.

Ela não chamou a atenção somente dos professores e de todos os garotos, mas sim de Harry Potter, que pareceu completamente enfeitiçado pela imagem da jovem, já que este não a largou a noite inteira - pelo menos metade desta, já que os dois desapareceram logo apos a sétima música.

Nós, da equipe do Jornal, fizemos de tudo para descobrirmos quem fora a tão suposta Dama que apareceu, e, sendo de uma beleza gloriosa, teria sido impossível ela ter passado despercebido todos esses anos por nossos olhos.

Infelizmente, ninguém sabe, ou ouviu algo além das paredes de pedra dos corredores, ou das portas de alguma sala, algo a respeito dela que pudesse nos levar a sua verdadeira identidade.

Por isso, mesmo não sabendo o seu verdadeiro nome, a colocamos na lista de garotas mais belas da escola.

Outro ocorrido bastante polemico, foi a aparição de mais duas belíssimas Damas; uma vestida completamente de azul, e outra de preto, onde continha uma tatuagem nas costas, que também não se sabe as identidades.

Estamos comentando isso, já que nas últimas paginas desta edição, aparecerá os nomes de todos os alunos e ao lado as suas respectivas fantasias, e somente dessas três jovens não constam. Aí pensamos; elas queriam mesmo passar por misteriosas, ou dar uma jogada fatal nos corações dos garotos e no ego das garotas. Opinião pessoal minha: eu acredito que sejam as duas opções.

Agora, antes de irmos a tão esperada lista de beldades de Hogwarts, queríamos deixar bem informados os alunos que não foram ao baile, ou por motivos pessoais, doença, ou porque não tinham a idade suficiente.

Depois do grande barraco que houve no Baile, quando Cho Chang - aluna do sétimo da Corvinal - teve um piti de ciúmes ao ver seu ex-namorado - o gatíssimo Harry Potter - dançando com a Dama de Vermelho, ele logo fez questão de a colocar em seu devido lugar, a chinesinha não foi mais vista. Suspeitamos que ela finalmente abriu os olhos e tentou cometer algum ato de suicídio, e com certeza todos nós rezamos para que ela tenha, pelo menos, conseguido essa proeza.(...)

A voz de Colin aos poucos foi tornando-se cada vez mais distante.

E logo Gina se viu completamente em transe em seus próprios pensamentos.

Maldição! Ela não queria ter chamado a atenção de todos os alunos de Hogwarts, somente a de Harry. Mas o infeliz fora tão burro a ponto de não descobrir quem era de verdade a Dama de Seus Sonhos, como ele a chamava algumas vezes, fazendo-a rir.

Terminou todo o conteúdo de seu suco e ergueu os olhos; o bolinho de alunos fofoqueiros envolta de Colin ainda continuava, e Gina não conseguiu esconder a própria surpresa quando viu os gêmeos pegarem o jornal das mãos do garoto e arregalarem os olhos quando fitavam a sua foto, descendo as escadas do Salão no dia do Baile, que estava estampada na primeira pagina em cores vivas e bastante chamativas.

Eu não mereço, Murmurou em pensamento.

-Santo Cristo, filho de Maria de Nazaré- Fred exclamou, enquanto Jorge assobiava a suas costas.

-Que gata- disse completamente encantado.

Gina encolheu os ombros e escorregou sobre o banco, tentando esconder o vermelho de seu rosto.

Aquilo estava começando a se tornar patético; nem mesmo os seus próprios irmãos conseguiam a reconhecer pôr de trás daquela imagem de beldade.

Bufando, olhou para o pão em suas mãos e fez uma careta; perdera completamente a fome. Levantou-se e pôde ver no relógio que tinha na parede logo à frente, que faltava apenas quinze minutos para começar o almoço, e o Salão já começava a encher. E entre os vários grupinhos, Harry não se encontrava. Depois da visita que ele havia feito a si na Ala Hospitalar, sumira do mapa como um verdadeiro pó, sem deixar uma única pisca ou rastro.

Esticando o pescoço, viu Naty e May com as cabeças entre os braços, dormindo na mesa da Sonserina.

Sorrindo, balançou a cabeça. As duas quase não dormiram na noite passava, já que haviam estado na biblioteca pesquisando livros para descobrirem algo sobre o seu estado de saúde.

Suspirando fundo, começou a sair do Salão, em direção aos jardins onde a sua primeira aula da tarde seria com Hagrid, que iria ensinar aos alunos de seu ano a montarem num filhote e dragão.

Já posso imaginar a cara de Madame Promfrey quando os alunos cheios de queimaduras começarem a chegar. - disse de forma divertida, virando no corredor, mas antes que pudesse dar mais um passo, mãos quentes lhe tamparam a visão, cegando-a.

Sorrindo, tateou com os próprios dedos as mãos do individuo.

-Adivinha quem é.

Gina riu divertida. Mesmo surda ela seria capaz de reconhecer aquela voz.

-Deixe-me pensar em quem seria louco o bastante para cegar uma garota tão inofensiva como eu?

Harry riu a suas costas e a libertou da escuridão, passando os braços pela cintura de Gina, beijou-lhe levemente a nuca.

-Onde a Senhorita Pimentinha, pensa que vai?

-Primeiro: Pimentinha é a anta do pai de seus filhos... E segundo – Gina virou-se entre os braços de Harry, antes de abraçá-lo de forma carinhosa – Estou indo para a aula do Hagrid.

Harry franziu o cenho e olhou-a estranho.

-Mas o almoço vai ser servido agora. – Gina suspirou e deu os ombros, apoiando sua testa no ombro do amigo que começou a lhe acariciar os cabelos.

-Não estou com fome. – Harry riu ironicamente.

Não quero saber, com fome ou sem a senhorita vai comer. – começou arrastar a ruiva para o Salão, segurando-a pela cintura e pondo-a sobre seu ombro.

Gina começou a espernear como uma criança, batendo os punhos cerrados das mãos nas costas de Harry, que assobiava e andava tranqüilamente.

-Gina, você poderia bater com um pouquinho mais de força e ir um pouco mais para cima? To com uma coceira que está me matando.

Gina ficou séria e soltou uma sonora gargalhada sem humor, antes de bufar e enterrar a cabeça nas costas do amigo.

Respirou fundo várias vezes, para manter a calma e não falar o palavrão intenso em sua garganta que parecia clamar para ser libertado.

-Potter, me solta! – disse entre os dentes.

Harry chacoalhou os ombros, fazendo com que o corpo de Gina pulasse para cima e para baixo, como se ela estivesse brincando num pula-pula.

Ela gritou com raiva.

-Vamos ruiva, sorria. O dia está tão lindo!

-Ah querido, tenha certeza que, quando você me soltar, o dia vai ficar negro pra você.

Harry deu-lhe um tapa nas nádegas, fazendo a amiga arregalar os olhos.

-Mas, como ele ousava?

-Calada, mascote! – Gina deu-lhe um soco nas costas.

-Mascote é a tua...- mas antes que pudesse finalmente dizer o tão glorioso palavrão, Harry virou no corredor extremo que os levaria ate o Salão Principal.

Colocou Gina no chão e, fazendo um sinal para que ela não falasse nada, passou seu braço por cima do ombro dela e levou-a até a Sala Precisa.

Gina gelou quando a porta da sala se abriu, revelando uma escuridão incrível, que somente depois de um tempo que seus olhos haviam se acostumado com o escuro, ela pôde notar uma bela cama branca, uma janela com cortinas e uma lareira, onde logo a frente tinha dois sofás e uma mesinha de centro cheia de bolachas, bolinhos e uma torta de maça; sua preferida.

Olhou para Harry, que com um estalar de dedos fez com que o fogo da lareira se acendesse, numa leve explosão e cores.

-O que esta tramando, Potter? – Gina perguntou desconfiada, observando-o abrir os botões do sobretudo e colocar a pesada veste sobre um dos sofás e logo colocar-se atrás de si, retirando-lhe também o casaco.

-Nada demais! – ele respondeu sorrindo, fazendo-a se sentar como se fosse uma criança rabugenta. Ah, como adorava contemplar aquele rostinho avermelhado pela frustração e raiva – Não posso ter um almoço particular com a minha melhor amiga?

Gina cruzou os braços e as pernas, onde se encontravam pouco a mostra pela longa saia do uniforme.

Estranhou ao perceber que Gina havia voltado a se vestir como antes; tampada dos pés a cabeça, os cabelos em desalinho e o rosto sem um único toque de maquiagem.

-Não! – ela respondeu simplesmente, como o tom de voz bruto.

Harry balançou a cabeça e sentou-se à frente dela, e sem se importar com a resposta seca da amiga, começou a servi-la.

-Vamos lá Harry, para que tudo isso? – Gina perguntou impaciente. Harry sabia perfeitamente o quanto ela era curiosa, e ao ver que seu plano começava a dar certo, sorriu vitorioso.


- Rony... Pára...!

-Não! – ele respondeu, voltando a segurar com força o corpo da namorada contra o seu e apossando-se da boca, já inchada, dela.

Hermione sentiu a língua do ruivo roçar, chocar-se e tocar a sua numa forma selvagem. Num ritmo rápido e febril.

Depois da noite em que eles haviam passado juntos pela primeira vez, Rony havia se tornado impossível. Quase um leão indomável e, ela não podia negar, que estava adorando aqueles novos toques, beijos e palavras sensuais e eróticas que ele sussurrava em seu ouvido, a excitando.

Mas, por Merlin, eles eram monitores, e ela, por sua vez, era a chefe. Tinha que manter o controle, por mais difícil que fosse.

Deslizando suas mãos pelas costas de Rony, Hermione puxou o tecido da camisa dele levemente para trás, afastando-o de si.

-O... Que... Foi? Por... Que, para...Mos? – ele perguntou vermelho, com a respiração pesada e lenta.

Hermione olhou para ele, enquanto começava a fechar os botões de sua blusa que o namorado havia aberto com os dedos ágeis.

-Você ainda pergunta? – a respiração dela também era ofegante, mas não chegava a ser entrecortada – Estamos em horário de aula...

Rony riu docemente, interrompendo-a, enquanto cruzava os braços e se apoiava na parede do corredor vazio. Os olhos dele brilhavam numa forma que Hermione nunca havia visto e um calor parecia transbordar daquelas íris, penetrando em sua pele.

-Em horário de almoço, Mi – Rony corrigiu e olhou para a morena malicioso – e eu estou com fome.

Hermione se aproximou de Rony, e na pontinha dos pés, lhe deu um selinho.

-Então, amor – disse irônica – Vá almoçar, por que eu não tenho tempo a perder. – e sem dizer mais nada, começou a andar em direção a sala de Transfiguração.

Rony arregalou os olhos e gritou:

-Eu vou te cobrar a continuação do que começamos agora a pouco. E com juros!

A morena continuou a andar, e rindo respondeu antes de sumir, virando no corredor:

-Eu tenho um quarto só meu!

Rony gargalhou e passou a mão pelos cabelos úmidos de suor. Ah, sim, aquela seria mais uma longa e maravilhosa noite.


Mãos delicadas e frias percorreram a sua coluna num movimento, que a fez lembrar-se de uma cobra, rastejando pelo chão a procura de sua caça.

Gemeu quando dedos finos chegaram na altura de sua nuca, e penetrando entre seus cabelos negros, chegaram em sua pele, arrepiando seus pêlos quase como automaticamente.

Abriu os olhos e ergueu a cabeça levemente, ficando cega por alguns segundos graças a forte luminosidade do Salão.

Com os olhos ainda cerrados, olhou para o seu lado esquerdo e sorriu debilmente ao ver que Naty já havia começado a roncar. Olhando para o outro lado, se deparou com um par de incríveis íris azuis, tão próximas ao seu rosto, que a fez prender a respiração.

-Isso é hora para se dormir, Su! – Draco falou, sentando-se ao lado da índia e continuando a lhe acariciar a nuca.

May começou a se ergueu lentamente, esticando os braços e bocejando como uma gata manhosa.

Ela coçou a cabeça, antes de apontar para o seu copo vazio.

- Põem suco pra mim. – mandou, fazendo Draco rir e obedecer ao mandato.

- Que horas você foi dormir ontem à noite? – perguntou, colocando a jarra de suco de volta a mesa e cruzando os braços, observando a índia balançar a cabeça, como se ainda estivesse tentando acordar. Aproximando-se perigosamente, afastou os grossos fios negros da orelha dela e, encostando seus lábios bem ali, grito- TALAMAY, ACORDA!

May teve um sobressalto tão forte sobre o banco, que pareceu que seria capaz de atingir o teto.

O copo que ela segurava na mão foi jogado longe, acertando com perfeição a cabeça de Pansy, que ria histericamente, fazendo-a perder os sentidos e afundar o rosto na sopa de batatas que estava comendo.

Olhando para Draco ao seu lado, May disse entre os dentes, enquanto ao mesmo tempo passava a mão pelos olhos.

- Eu já estou acordada seu jumento! – Draco riu e jogou as madeixas platinadas para trás.

- Era só para ter certeza! – a índia fez uma careta. - Que horas você foi dormir ontem?

May o olhou pelo canto dos olhos.

- Eu não dormi. – Draco suspirou e abraçando-a, fez com que a cabeça dela ficasse apoiada em seu ombro.

- Bem, se você quiser eu posso te levar pro meu quarto agora, e...- May bateu no peito dele, fazendo um barulho fino ecoar.

- E eu posso muito bem te levar para um certo castelo, onde o meu querido padrinho est sabe, e eu tenho certeza também, que ele adoraria ter um brinque...

Draco, com os olhos arregalados, tampou a boca da morena, que ergueu uma sobrancelha como se perguntando se ele estava louco?

- Fica quieta! Você ta louca de falar uma coisa dessas aqui? – vendo que ela não respondia, balançou-a levemente – May, responde.

A índia girou os olhos e apontou com o dedo a mão dele, que ainda estava sobre sua boca, impedindo-a de falar.

Draco sorriu de fraco e libertou-a do silêncio.

- A burrice ta evoluindo não é mesmo, Malfoy? – May perguntou provocativa.

Draco riu seco.

- É a convivência... – retrucou emburrado.

- Com a Pansy. – May disse interrompendo-o, apontando novamente para a buldogue que ainda continuava a se afogar na própria sopa, na qual bolinhas de oxigênio já começavam a aparecer na superfície amarelada.

Draco balançou a cabeça.

- Um caso perdido! – May riu e abraçou-o, dengosa.

Ah, ele ficava tão lindo com aquele rostinho coberto pela cabeleira loira e com os olhos contendo um brilho de pena, como um verdadeiro cachorro pidão que não conseguia resistir à tentação de tocá-lo.

- Ah, Draco, pense pelo lado positivo – ele a olhou – Pelo menos ela não tem mais a chave do seu quarto. – afastando a gola de seu casaco, mostrou um colar, onde estava a chave do quarto dele pendurada.

Um sorriso divertido e malicioso formou-se nos lábios do loiro, aonde chegou aos olhos.

-Pena que você não tem coragem e usá-la, não é mesmo? – a provocou, segurando-lhe a pontinha do queixo e aproximando seu rosto do da índia.

May suspirou fundo, ao inalar o perfume cítrico que emanava dele.

Por que aquele maldito loiro tinha que ser tão cheiroso e... Lindo?

-Você que pensa! – disse confiante, mesmo que soubesse que aquilo tudo era uma grande mentira.

Como ainda era virgem, temia fazer qualquer coisa antes do tempo; antes de se sentir realmente preparada para se entregar a um homem.

Mas, Draco não sabia daquilo, e talvez nunca fosse descobrir, só se eles...

Mordeu a própria língua. Não! Nunca! Jamais!

Draco Malfoy não poderia saber daquele seu segredo. E quando ela ainda não lhe invadia o quarto, ele que segurasse os próprios hormônios.

Obvio que tinha plena consciência que ele era bastante experiente naquele quesito, mas, caramba, ela não era!

Suspirando, deu um leve selinho no loiro. Mas, Draco não pareceu satisfeito com aquele simples roçar de lábios e, segurando a nuca de May, fez com que a boca dela chocasse-se contra a sua com fervor.

A língua dele penetrou na boca dela como uma cobra, deslizando, sentindo-a de todos os cantos possíveis que poderia.

Puxou-a ainda mais de encontro aquele corpo forte, escorregando-a pelo banco.

E dai que estivessem todos olhando? May queria sentir novamente aquelas sensações incríveis que somente Draco era capaz de lhe dar.

Gemeu, quando a mão dele encontrou uma fresta no seu casaco e logo começaram a brincar com os botões se sua blusa.

Ele está indo rápido de mais, Pensou, passando seus braços entorno do pescoço dele, enquanto começava a passear suas mãos pelas mechas platinadas, sentindo sua testura tão sedosa.

Os dentes de Draco mordiscaram sua boca, fazendo-a sorrir. E quando fez o mesmo com ele, fora a fez de Draco gemer.

Ele estava nas nuvens, flutuando de encontro a um precipício que quando caísse, sabia; não teria fim.

Quando o beijo terminou, e ambos começaram a se separar, um leve frio arrebatou-os.

Draco acariciou o rosto de May, que fechou os olhos levemente, gravando em sua mente aquele toque tão doce.

Quando ergueu as pálpebras, escutou como um tipo de explosão, chamando a sua atenção para a mesa da Grifinória.

Lá estava Jorge, olhando para ela e para Draco como se a qualquer minuto fosse matá-los. As mãos do ruivo sangravam graças aos cacos de vidro que ele havia explodido em sua palma.

-Jo... Jor...- May começou a balbuciar, antes de amigo olhá-la numa forma nauseada e se retirar do Salão.

May fez questão de segui-lo, mas Draco a impediu, segurando seu braço.

-Deixa! – ele falou – Dê um tempo a ele.

-Mas, Draco, ele...- Draco balançou a cabeça.

-Ele precisa pensar, May. É bom o deixar um pouco sozinho agora. O Weasley vai te procurar quando quiser papo com você.

May franziu o cenho.

-Como você pode ter tanta certeza disso?

-Eu sou homem. – ela riu.

-Sério? Meu Deus, eu não sabia! – Draco fez uma careta e sentou-se corretamente, pronto para começar a se servir.

May passou a mão pelos cabelos dele e disse.

-Brincadeira! – vendo que Draco sorria pelo canto dos lábios, deu-se por vitoriosa.

Ele enfiou a mão no bolso da calça e tirou desta um exemplar do jornal de Hogwarts e entregou a índia.

May olhou para a folha amarela e arregalou os olhos ao ver a lista dos garotos mais bonitos da escola naquela edição:

1º lugar: Draco Malfoy!

2º lugar: Harry Potter!

-Não acredito. Você passou do Potter! – Draco sorriu modesto.

- Eu sempre passo dele. – May olhou-o de modo desconfiado.

-Okay, Malfoy, abra o jogo, quanto foi esta vez o custo para os editores do jornal para te colocarem em primeiro lugar?

Draco encolheu os ombros e virou o rosto para não encará-la.

-Eu não paguei nada – mentiu. – eles que abriram os olhos e viram que eu sou mais bonito.

May segurou o rosto dele e fez com que as íris azuis encontrassem com as suas.

-Quanto, Draco? – ele suspirou.

-Dez galeões!

May tentou, mas não conseguiu engolir uma altíssima gargalhada.

-PERDEDOR!

O loiro a fuzilou com os olhos, antes de voltar a sua atenção para o almoço.

-Pelo menos eu estou em primeiro lugar! – a índia parou de rir no mesmo instante quando ouviu aquilo e antes que pudesse dizer qualquer coisa, Draco virou a pagina do jornal onde revelava a lista de garotas mais bonitas.

1º lugar: Natalie McBride!

2º lugar: Talamay Su!

May abriu a boca horrorizada, enquanto Malfoy ria ao seu lado com gosto.

-Quem ri por último, ri melhor. – ele falou, enquanto May virava-se para Naty, que ainda dormia ao seu lado. Observando a amiga babando na mesa, gritou:

-NATALIE! – e antes que Naty pudesse sequer abrir os olhos, May já havia pulado pra cima dela.


-Ele tinha alguma coisa em mente. Ah se tinha!

-Vai, Harry, desembucha logo! – disse, fazendo com que o amigo risse.

Eles já estavam naquela sala a um bom tempo, e já tinham terminado de almoçar, mesmo que Harry houvesse praticamente socado a comida para dentro de Gina.

-Curiosa pimentinha? – ele perguntou debochado, rindo pelo canto dos lábios.

Gina sorriu amarela.

-Não! A palavra certa seria; entediada!

Harry parou de rir no mesmo instante e encarou Gina, sério, fazendo-a ficar apreensiva.

Com um pesado suspiro, Harry tirou o colar que tinha em seu pescoço e colocou sobre a mão da ruiva, fazendo-a sentir novamente a delicada jóia que sua mãe lhe dera de presente, entre seus dedos.

-Eu quero a sua ajuda! E acho que sei como descobrir quem é a garota do baile, Gi! – Gina engoliu em seco e, como se levasse um choque, devolveu seu colar a Harry.

-Co... Como? – ele sorriu, fazendo os olhos verdes ficarem ainda mais lindos.

-Estão falando por aí que vai abrir uma rádio em Hogwarts, e eu pensei que; talvez ela seja uma das locutoras, ou até mesmo alguma garota do jornal.

Gina abriu a boca, mas logo a fechou, desistindo de falar alguma coisa.

Senhor! Que melhor amigo fora arrumar. Harry deveria ser tão cego, que não ficaria surpresa se a Dama de Vermelho passasse diante dele, fantasiada.

Respirou fundo e fechou os olhos por em leve momento, massageando a têmpora.

-Harry...- começou, respirando fundo mais uma vez. Precisa manter a calma – De todas as suas idéias, essa foi a mais tola. – tinha que fazê-lo desistir daquela loucura.

Harry deu os ombros, como se o que ela acabara de dizer não lhe fazia a mínima diferença.

-É com idéias estúpidas que podemos chegar ao sucesso, Gininha. – respondeu, voltando a colocar o colar em seu pescoço e o pondo dentro de sua camisa, para que ninguém o visse.

Gina passou a mão pelos cabelos.

Garoto teimoso, Pensou, cruzando as pernas e encarando bem o moreno a sua frente, que tinha a visão perdida em algum ponto da mesa de centro.

Harry, além de ser um verdadeiro cabeça dura, era estranho. Não sabia explicar direito o porquê, mas era.

A maneira como falava, se mexia e a mudança de atitudes inesperadas a surpreendia a cada minuto. Num instante ele poderia estar sorrindo e no segundo seguinte explodindo em pura raiva.

Harry Potter e as suas mil e umas maneiras de ser. Daria um ótimo titulo de livro!

-Você vai me ajudar? – ele disse de repente, encarando-a desolado.

Gina deu um leve sorriso. Como seria capaz de dizer não a ele?

-Claro, Harry! – e antes que pudesse dizer mais alguma coisa, Harry já havia a envolvido com os seus braços fortes, abraçando-a carinhosamente.


As horas se arrastaram naquele dia, e quando o sinal tocou, indicando que aquela era a última aula do dia, os alunos não puderam esconder o suspiro de alivio.

As portas dos corredores se abriram e em poucos segundos este já estava lotado.

Apertando a alça de sua bolsa em seu ombro com mais força, foi se espreitando por entre os jovens, pedindo licença algumas vezes, e soltando vários xingos quando algum brutamontes esbarrava nela bruscamente.

Sorriu ao ver que finalmente havia chegado ao seu destino; o escritório de Dumbledore, que havia pedido para que Sibilia a houvesse chamado.

Passando as mãos sobre as vestes, para tirar o amassado, ergueu o punho para bater na porta, mas antes que pudesse completar o movimento, esta se abriu magicamente, dando-lhe a passagem.

O escritório do diretor continuava o mesmo que se lembrava em seu primeiro ano; os vários livros, armas, quadros e Falkwes, que quando a viu soltou um leve pio e abriu as asas vermelhas, como um gesto que mostrava a felicidade em vê-la.

-Olá menina! – disse, acariciando o cocuruto da ave, que soltou mais um pio.

-Bem na hora! – uma voz suave disse as suas costas, fazendo-a se virar.

Sorriu ao ver a imagem acomodada de Dumbledore, que se encontrava vestindo um belíssimo sobretudo azul turquesa, combinando com a cor de seus incríveis olhos de água marinha.

-Sente-se, minha querida. – ele falou, apontando para Gina uma cadeira, onde ela não recusou.

Colocando a mochila em eu colo, encarou o sábio velho que a fitava de modo aquecedor, mas de certo modo, suspeito. Era como se eles estivesse examinando cada movimento seu, tirando suas conclusões silenciosas a seu respeito.

Clareando a garganta, perguntou:

-Por que pediu para que me chamassem, professor? – Gina perguntou, fitando-o, curiosa.

Dumbledore sorriu e sentou-se a sua frente.

-Eu somente queria lhe informar que a rádio irá começar hoje, todos os dias, às onze horas.

Gina sorriu de orelha a orelha.

-Que ótimo! Na minha última aula, eu me dei ao trabalho de já preparar o programa e a lista de músicas.

-Imagino que já tenha um nome para rádio, Gina! – a ruiva sorriu satisfeita; fora à primeira coisa a qual pensara.

-Sim... – comunicou – Voz da Noite.

Dumbledore passou os longos dedos finos e pálidos pela barba branca, enquanto cerrava os olhos levemente.

-Bela escolha, gostei! – sorriu e levantou-se – Pois bem, vá se arrumar para o jantar, e se alimente bem, precisa estar forte para encarar a noite que virá.

Gina, não se importando com a ousadia, se pôs nas pontas dos pés e, carinhosamente, beijou a bochecha de Dumbledore.

-Obrigada por essa oportunidade, Dumbledore. Não vou te decepcionar. – e assim se foi, deixando para trás um pensativo sábio.


Estava na hora...

Olhou para o relógio e viu que este mostrava que faltava apenas dez minutos para as onze horas.

Respirou fundo e inalou com cuidado o oxigênio que enchia seus pulmões.

-Vamos lá garota você pode. – disse a si mesma a mesma frase que Naty e May haviam lhe dito quando dissera a elas sobre aquela novidade.

Quando chegara no Salão, havia encontrado as duas rolando pelo chão; Naty rindo e May em cima dela, gritando.

Foi uma cena cômica de ser ver, ao escutar as palavras de inveja da índia:

-Mas, como você foi colocada em primeiro lugar na lista. Isso é impossível, eu sou bem mais gostosa! – Naty gargalhou ainda mais e respondeu, com os olhos cheios de lágrimas.

-Se fosse mesmo a mais gostosa teria sido colocada em primeiro lugar. Roa-se de inveja! Você pode ter mais peito que eu, mas olha só – arregalou os olhos – eu tenho lindos olhos azuis.

May gargalhou friamente.

-Queridinha nada que lentes de contato não resolvam.

E assim foi.

Mas, agora ela estava ali, numa sala secreta embaixo da escadaria que levava ao quinto andar, dentro de uma cabine, onde um painel de controle estava e perto de sua boca encontrava-se um microfone.

Estralou os dedos e fez uma leve prece, pedindo para que aquela primeira vez no ar não fosse um fracasso.

Sentiu uma mão em seu ombro e sorriu ao ver que era Michele, uma garota que iria lhe ajudar no decorrer do programa que teria a duração de duas horas.

-Pronta? – a garota perguntou.

Gina balançou o corpo como querendo afastar a tenção e respondeu com um aceno positivo de cabeça.

-Então, vamos pôr essa radio aqui no ar. – e começando a apertar um monte de botão, contou- cinco, quatro, três, dois, um e... No ar!

Agora é tudo ou nada, Gina pensou vendo a luz vermelha em cima de sua cabeça se acender e mostrar que estava no ar.


Rádios foram colocados ao lado de cada cama nos dormitórios das cinco casas de Hogwarts.

Harry pulou na cama e fitou o teto, enquanto esticava o braço e apertava o botão ligar do rádio.

No começo ouviu um leve chiado, mas depois uma doce melodia começou a soar, um som de tambores e pianos sincronizavam em harmonia com a sensual voz que lhe penetrou nos ouvidos, enviando por todo seu corpo uma carga de puro calor.

Era ela!

-Não acredito! – dando um pulo na cama, se sentou e pegou o rádio, trazendo-o para perto de si, com o cenho franzido ficou olhando compenetrado para o pequeno aparelho a sua frente, sentindo os batimentos de seu coração cada vez mais rápido.

-Olá alunos de toda Hogwarts – a locutora começara a dizer, sua voz uma melodia sexy e baixa, quase num murmúrio arrastado – Estamos começando, pela primeira vez, a sua Voz da Noite, que trará para a sua madrugada músicas que o farão perder o fôlego. Para as garotas sonhadoras e românticas, esta rádio trará a vocês desejos com os garotos que seus corações clamam – Harry fechou os olhos e foi possível imaginar a sua linda Dama, sorrindo do outro lado. Senhor, ela estava tão perto...- e para os garotões da escola, as músicas e eu levaremos a vocês uma quente, excitante noite de pura volúpia. – ela riu docemente, fazendo os pêlos de Harry se arrepiarem. Tinha que achá-la! – E para estrear iremos começar essa noite ouvindo uma belíssima musica de; Brenda Russel cantando Piano in The Dark. – e dando mais uma leve risadinha, Harry pôde escutar o clique do botão, e logo em seguida uma doce melodia começou a soar ao arredor de si, envolvendo-o.

Engolindo em seco, deitou na cama, com o rádio ao lado de seu rosto; seu peito descia e subia descompassado, enquanto o ninho entre suas pernas começava a pulsar.

-Você vai ser minha, Dama de Vermelho! Custe o que custar eu vou te achar!

Continua...