Capitulo 5: Confianças Rompidas

Por mais forte, duro e independente que possas ser, sempre haverá um momento em que você irá precisar de ajuda, e eu não poderei estar mais ao seu lado.


Com um suspiro pesado, passou a mão pelos cabelos que caiam em desalinho sobre seus ombros tensos, antes de pousas levemente seus lábios sobre o microfone, a espera do aviso vermelho, dizendo-lhe que estava no ar.

Apoiando a cabeça na palma de sua mão, fitou um calendário a sua frente, onde os números viajavam pela folha, como se estivessem dançando ao som da musica que tocava naquele momento dentro da radio, alguns apagados, dizendo a passagem dos dias, semanas e meses.

As semanas passaram tão rápido que foi uma surpresa para Gina ver que faltava apenas alguns dias para o Dia das Bruxas e logo, quando menos esperava, já estaria na hora de partir para as tão esperadas ferias de Natal.

Naty e May estavam cada vez mais sonhadoras com seus respectivos namorados. Fred um verdadeiro paspalhão, enquanto Jorge se mantinha inquieto e distante.

-Mas é cada uma! – murmurou para si mesma, abafando uma delicada risada, quando se lembrou do episódio de dois dias atrás, quando todos se encontravam sentados numa roda no jardim, em plena luz do esplendido do luar, rindo e se divertindo; até mesmo Draco havia entrado no clima festeiro, mesmo que na maioria das vezes houvesse implicado com Rony e Harry, que o fuzilavam com os olhos.

Harry!

O nome ecoou na mente de Gina, como o som rítmico de um ritual dos amantes.

O moreno continuava o mesmo; sorridente, lindo e incrivelmente demente, dizendo a ela todas as vezes que podia que não iria desistir de encontrar a sua Dama de Vermelho.

Ela vai ser minha, Gi. Não sei como, mas eu sinto que eu pertenço a ela e ela me pertence já de várias vidas atrás. Eu a quero!

-Oh! – gemeu, tampando o rosto com a mão, completamente exausta. Se aquele tapado soubesse da verdade!

Gina, acorda garota! Falta só mais um pouco para encerrarmos por hoje, força. Entraremos no ar daqui alguns segundos. – Margareth, uma amiga sua, que a ajudava a administrar a radio todas as noites a avisou com um tom alegre forçado na voz, fazendo Gina ergueu o rosto e lhe sorrir em reposta.

A morena colocou um fone no ouvido, enquanto monitorava tudo do outro lado do espelho, mexendo em alguns aparelhos de som.

Gina também colocou o seu fone e olhou para o aparelho de musica ao seu lado que mostrava que em menos de dez segundos a musica iria terminar.

Arrumando os papeis em sua frente, tirou os que já havia anunciado e respirou fundo ao ver que faltava somente ler as cartinhas amorosas que os alunos faziam para serem lidas publicamente para alguma pessoa especial.

-Cinco... Quatro...- a contagem regressiva começou, fazendo a ruiva se ajeitar sobre a cadeira e tossir algumas vezes, para por sua voz lenta e excitante a ouvidos – Três... Dois... -Um! – Margareth mostrou com os dedos e logo apertou um botão qualquer, acendendo a luz vermelha no alto da cabeça de Gina, onde pôde ver perfeitamente o letreiro brilhante avisando: No Ar!

Aproximou-se do microfone e respirando fundo começou a dizer, lentamente e num tom e voz claro e suave:

-E vocês acabaram de ouvir a maravilhosa canção de Shania Twain, cantando com sua voz maravilhosa Still The One. Espero que tenham gostado queridos ouvintes, pois aqui na sua Voz da Noite o que queremos é trazer para vocês uma perfeita noite de puro desejo, excitação e incríveis...- sorriu marota – prazeres. – soltou uma leve risadinha maliciosa, onde teve certeza que fez alguns garotos se arrepiarem, por sua ousadia. E entre eles; Harry. – Agora, para encerrarmos por hoje, vamos às cartas de declarações. – e assim começou, lendo uma carta atrás da outra, até que as duas ultimas lhe chamaram a atenção; uma estava simplesmente dobrada em quatro, como estivesse sido colocada em suas coisas encima da hora, enquanto a outra era bem perfumada com um aroma cítrico e gostoso, o pergaminho era negro e Gina percebeu que as letras douradas e tremidas denunciavam ser de um garoto.

Pigarreou baixinho, enquanto começava a abrir a carta perfumada.

-Pelo que vejo, desta vez a carta é de um garoto, muito cheiroso por sinal; o perfume impregnado na folha é fantástico. A garota que conseguir fisgar esse aqui é realmente de muita sorte, pois não terá que se preocupar com mau cheiro. – riu divertida, e viu Margareth arregalar os olhos a sua frente e bater a mão na própria testa, gargalhando.

Minha queria, Mia.

Eram os primeiros dizeres, fazendo o sangue de Gina congelar entre suas veias. Oh Deus! May não iria gostar de ouvir aquilo. Muito menos Draco.

Clareando a garganta, continuou a ler, sabendo que depois daquilo Mia iria correr um grande perigo, e já começava a sentir pena do garoto que estava dando em cima de uma verdadeira Sutramy.

Que Deus tenha piedade dessa pobre alma penada, Pensou irônica.

Nunca irei me esquecer de todas as vezes que você esteve ao meu lado, sorrindo daquela forma doce e encantadora, onde fazia que todos os meus problemas e magoas se afastassem.

Você é a garota mais surpreendente que já conheci, além de ser incrivelmente linda e meiga.

Não sei o que será de nós dois depois de você ouvir esta carta...

Não vai restar nada, Gina pensou, dando os ombros e fazendo uma careta de pena.

...mas quero que você saiba que com esse seu jeito, você me conquistou.

Fez-me enxergar o mundo de novas formas e me fez entender que uma pessoa, seja ela quem for, é capaz de amar.

E você, minha Mia, me fez viver de novo, fazendo brotar dentro do meu coração esse fogo do amor.

Eu te amo!

Do seu, para todo sempre,

Dirk Tanger.

Gina fechou os olhos e apurou seus ouvidos. Sorriu debilmente ao ser capaz de ouvir dois berros que vieram do lado das masmorras do castelo.

Abriu os olhos e balançou a cabeça.

Agora sim eu terei uma bela noite!


A porta do dormitório feminino foi aberta num rompante enquanto a de monitor chefe era escancarada da mesma maneira.

Passos pesados ecoaram pelas paredes de pedra, enquanto o chão tremia levemente.

May se apoiou no corrimão da escada que levava ao seu dormitório, enquanto Draco aparecia do outro lado do Salão, também apoiado no corrimão da escada oposta.

Os dois se encararam com as respirações arfadas e as bochechas vermelhas, enquanto os olhos de ambos faiscavam.

-Draco! – May murmurou rasteiramente, enquanto observava os longos dedos do loiro se cerrarem.

-May! – Draco disse perigosamente, começando descer os degraus num ritmo sincronizado com a morena.

Os dois caminharam em direção um ao outro e quando seus narizes quase se tocavam, gritaram juntos:

-Você sabia de alguma coisa sobre esse namorado secreto da Mia? – May bufou, enquanto Draco cruzava os braços enfrente ao peito nu.

-E você vai perguntar pra mim? A pentelha é a sua irmã!

-Não chame a minha irmã de pentelha, seu... Girino! – May retrucou, cerrando os olhos levemente.

Draco riu desdenhoso e girando os olhos azuis, começou a caminhar até a porta do Salão Comunal.

-Aonde você vai, Malfoy? – dando nos calcanhares, Draco se virou para encarar a "namorada".

-Regar as flores do jardim! – ele respondeu ironicamente. – Vou falar com a Mia, quero saber direitinho sobre esse tal de Tang.

May riu e caminhou até ele, fazendo com que o tecido de seda negra de sua camisola curtíssima balançasse junto a seus movimentos delicados e manhosos como o de uma verdadeira felina, fazendo com que o Sonserino esquecesse por alguns segundos o motivo de toda sua raiva.

-É Tanger. – May o corrigiu docemente. Draco balançou as mãos, de modo nervoso em resposta, como se estivesse querendo dizer: o que quer que seja o nome desse ser, vou matá-lo mesmo! – Eu vou com você, quero ter uma conversa muito séria com a minha irmã.

Para sua surpresa, Draco jogou a cabeça para trás e gargalhou, antes de insinuar com os olhos o modo que ela estava vestida:

-Você não vai sair pelo castelo assim! – May ergueu uma sobrancelha desafiadora.

-Você também não está em um de seus melhores trajes, Malfoy! – observou o caimento perfeito do short de dormi verde escuro pelas longas pernas musculosas, assim como os ombros largos, o peitoral firme e a barriga rígida e delineada que se encontravam nuas.

Não era um dos melhores trajes, mas com certeza, era o mais tentador, May pensou, respirando fundo e tentando ignorar o arrepio que chicoteou por seu corpo.

-Além do mais – continuou, sua voz carregada num tom de zombaria – Tenho certeza que se Filcht te pegar não irá sentir nenhum... Tesão por você, já se ele me ver – balançou as pernas bronzeadas de forma angelical.

Draco endureceu o maxilar firme e colocou seu braço entorno da cintura da índia.

-Até hoje, minha querida Sutramy, o sexo daquela múmia nunca foi confirmado por ninguém. Então, se ele não sentir nenhuma atração por você, teremos que socorrer para a minha maravilhosa aparência física.

May sorriu.

-Sinceramente Draco, nunca pensei que você iria me trair com um... Homem! Principalmente com o zelador. O seu gosto esta ficando cada vez pior. Vejo que os anos que passou ao lado de Pansy não lhe fez muito bem – enlaçando-o pelo pescoço, deu-lhe um leve selinho – Ainda bem que eu, a luz do seu viver, estou aqui agora para lhe tirar do fundo desse poço cheio de cobras peçonhentas.

-Não se esqueça que você também é uma cobra, May! – Draco a avisou, apertando aquele corpo, quente e miúdo contra o seu ainda mais.

May cerrou os olhos e sorriu venenosa pelo canto dos lábios.

-Está me chamando de peçonhenta, seu urubu defumado?

Pela segunda vez, Draco gargalhou, girando a índia no ar levemente.

-Não, querida. Só estou dizendo que você é uma cobra e que eu adoro provar do seu veneno. – e antes que May pudesse dizer alguma coisa, Draco a beijou.

Ela enlaçou o pescoço do loiro e correspondeu o beijo com a mesma avidez com que ele a beijava. Um arrepio a percorreu diante da reação imediata que sentiu naquele corpo, contra o seu, englobando-a num calor tão forte que pareceu que eles estivessem com uma febre altíssima.

Agarrada a Draco, May entreabriu os lábios, sedenta por mais e tomada por novas e maravilhosas sensações que se irradiavam por seu ser diante da súbita pressão da boca de Draco. E um gemido de prazer lhe escapou com o primeiro toque da língua que deslizou por seu lábio inferior, despertando uma ânsia avassaladora dentro dela.

-May...- Draco resmungou, descolando sua boca da dela, enquanto suas mãos percorriam aquele corpo que vibrava pelo seu – Meu amor, me ajude. Impeça-me, eu não vou conseguir me segurar por muito tempo.

Suas bocas se tocaram outra vez, as línguas se enlaçaram, mente e razão em curto-circuito. Num instante o beijo perdeu a suavidade e se tornou selvagem. Livre de impedimentos, a língua de Malfoy explorou os doces recessos da boca de May, as mãos a se moverem em incansável abandono pelos ombros e pelas costas.

Em segundos, a tempestade que rugia dentro de May era bem mais intensa que a chuva que fustigava as vidraças do Salão Comunal. Consumida por um calor abrasador, diferente de qualquer coisa que tivesse experimentado antes, ela corria as mãos pelo peito de Draco, impulsionada pela necessidade urgente de tocá-lo por toda a parte.

Com a boca colada á dela, Draco sucumbiu á tentação e aprofundou o beijo.

-May! – ele a chamou novamente, parecendo suplicar pela ajuda da sensatez dela naquele momento – Eu... não... vou... mais... conseguir...- mesmo quando implorava, sua boca a buscava, e a mão se fechava nos seios dela, num toque possessivo.

A caricia foi como uma tocha em carvão, e um incêndio se espalhou por todo o corpo de May. A realidade afogou-se na maré cheia da primeira paixão, e May se entregou cegamente ás emoções, agora fora de controle.

Trêmula de ansiedade e ávida por tocá-lo, May lutou com contra o seu nervosismo. Tudo aquilo era novo; desde as sensações, até aquelas caricias que nenhum dos dois conseguia controlar. Queriam mais. Muito mais!

Ao toque dos dedos de May em seu peito nu, as ultimas reservas de força de vontade de Draco se esgotaram.

Um gemido rouco rasgou-lhe a garganta, e Draco ergueu May os braços e carregou-a para o sofá. Deitou-a e estendeu o longo corpo o lado dela.

-Você pode me impedir, amor, se quiser. – O murmúrio rouco provocou-lhe um arrepio tentador na espinha. Ao sentir a resposta, Draco balbuciou, em sua própria defesa – Tentarei não assustá-la ou machucá-la. Sei que você já se deitou com outros garotos, May, mas tenha certeza que comigo será muito diferente.

May piscou os olhos várias vezes, antes de focalizar suas íris negras, banhadas em dor, nas azuis safiras, cheias de desejo e paixão de Draco, que lhe sorria de modo terno.

Seu coração pareceu falhar um batimento, sufocando-a no peito que se apertava.

Então ele ainda fazia jus daquela imagem porca sobre ela.

Sentiu seus olhos marejarem, e tentando impedir que Draco visse a sua dor, sentou-se no sofá e o afastou, espalmando a sua mão no peito dele.

Tentou levantar, mas a mão de Draco em seu braço a impediu.

-O que houve? – ele perguntou, a voz rouca e os lábios roçando em seu ombro.

-Me solte Draco. – May pediu num tom choroso. Senhor! Não poderia ficar ali. De forma alguma. Queria correr, se esconder em alguma parte e nunca mais ter que olhar para a cara daquele loiro maldito que conseguira conquistar seu coração.

Sorriu com amargura ao ver que; enquanto Malfoy a achava uma qualquer, que ia para cama com qualquer um que lhe dissesse simples e imundas palavras românicas. Ela o amava com todas suas forças. Incondicionalmente!

-Não, até você me contar o que está havendo.

Ah, então o Perfeito e Lindo Draco Malfoy queria saber o que ela tinha? Mas, que coisa cativante!

-Não tenho nada, me solte agora. – tentou novamente se levantar, mas a mão de Draco apertou ainda mais o seu braço, fazendo May tombar no sofá e encostar suas costas no peito do loiro.

-May, você tem medo? – fora quase impossível não sentir o calafrio que percorreu o se corpo, quando a boca de Draco envolveu-lhe a orelha.

Pelo amor de Merlin, eu quero sair daqui, May teve vontade de gritar, mas a única coisa que pode fazer foi gemer.

-Não venha querer dar uma de puritana May, pois nós dois sabemos muito bem que de pura você não tem nada! – aquilo foi como se May tivesse levado uma bofetada na cara.

Num gesto brusco, empurrou Draco com força para longe de si e começou a andar em direção ao seu dormitório.

A conversa com Mia poderia muito bem esperar até o dia seguinte.

-Volte aqui agora mesmo, Talamay! – Draco ordenou, ao pé da escada que levava ao dormitório feminino.

May soltou uma sonora risada seca e se virou para encara o loiro, que tinha os olhos cerrados em fúria e frustração.

-O que você quer agora?

-Você! – ele respondeu com simplicidade.

May afastou uma mecha dos cabelos da frente de seus olhos.

-Então, eu o aconselho a ir tomar um banho de água fria, Draquito! – dando nos calcanhares continuou a subir a escada.

-Mas por que toda vez que estamos num clima você vem e acaba com ele? Quer me deixar louco? Brincar comigo, Su? – Draco vociferou com raiva.

May balançou cabeça e comprimiu os lábios numa careta de dor.

Ah, se ele fosse mais atento, saberia que por seus atos e gestos quando a beijava, ela ainda era virgem.

-No dia que você parar de ser tão burro e necessitado Malfoy, e parar para prestar atenção, um segundo que for em mim, você vai saber o porquê de eu sempre romper o clima. – e assim se foi, deixando para trás um pensativo Draco Malfoy.


Oh sim, ela conhecia aquela letra. Conhecia bem de mais!

Sua mão tremia enquanto seus dedos seguravam o pequeno pedaço de pergaminho amassado e levemente amarelado mais que o normal.

-Gina, ainda estamos no ar, fala alguma coisa. – a voz de Margareth chegou a seus ouvidos graças aos fones, fazendo a ruiva balançar a cabeça e sair do transe.

Olhou para a morena, que fazia movimentos com a mão, pedindo para ela perseguir.

Gina respirou fundo e levou a boca ao microfone.

-Agora, queridos ouvintes, vamos para a última carta. – engolindo em seco, Gina passou seus olhos pelas linhas escritas por letras garranchadas, rapidamente, antes de tomar coragem e começar a lê-la para os alunos que ouviam a radio:

Não sei qual é o seu nome, ou quem você é... Mas, quero que saiba, que não vou desistir até encontrá-la.

Naquele Baile você foi muito mais do que a minha acompanhante de última hora; você foi a minha luz, o meu anjo, e acima de tudo a maior paixão que já senti por alguém.

A sua ausência está me deixando louco e todos os dias eu olho para o rosto de todas as garotas da escola, a procura pelo seu.

Eu te quero!

Não sei como você esta se sentindo, depois daquela formidável noite em que a tive em meus braços, saboreei sua boca e o doce sabor de sua pele.

Mas, eu quero que você entenda, minha Dama de Vermelho, que onde quer que você esteja, não vou desistir até te encontrar pessoalmente, sem máscara alguma, e assim poder olhar dentro dos teus olhos e dizer com toda a sinceridade algo que nunca disse a ninguém:

Eu amo você!

Gina sentiu a sua saliva ficar presa em sua garganta, engasgando-a por alguns segundos, onde foram preciosos para ela conseguir tomar fôlego e continuar a ler com clareza:

Você me conquistou, e haja o que houver, você, um dia, vai ser minha! Esta escrito, é assim que deve ser.

Quero que você entre em contato comigo, me dizendo que você corresponde a meus sentimentos e as minhas emoções, por que se não; quero que me diga e assim me permita continuar a minha vida. Mas, enquanto isso, irei continuar sonhando com você, e a sua voz que me embala todas a noites.

Com carinho,

Harry Potter.

Sua cabeça estava a mil e seu coração disparado de uma forma tão impressionante que parecia que a qualquer minuto saltaria para fora de seu corpo.

Agora chegamos ao fim meus queridos, e não deixem de ouvir, amanhã, nesse mesmo horário a sua Voz da Noite, que trará a você noites de puro delírio. Agora, sugiro que vocês vão tomar um banho para se refrescar, já que agora tudo esta tão quente. Um beijo! – e fazendo um som de beijo, Gina tirou o fone e viu Margareth apertar um botão qualquer, desligando o aviso de que estava no ar.

-Foi um ótimo trabalho hoje Gina, até amanhã! – a morena falou, pegando sua bolsa e saindo do gabinete.

Gina sorriu para a colega e se levantou também. Sentia suas pernas bambas e seus dedos ainda tremiam, sôfregos.

O que Harry tinha na cabeça por ter feito uma coisa daquelas? Ele nem mesmo disse que ia escrever uma carta para a radio, dizendo a todo que quisessem ouvir que; Harry Potter estava laçado pelo coração por uma garota misteriosa.

População feminina de Hogwarts que segurassem as lágrimas.

-Mas ele vai me ouvir. – pigarreou entre os dentes, enquanto arrumava as suas coisas e colocava dentro de sua mochila a carta de Harry – Aquela anta cretina que me aguarde. – e batendo os pés firmemente no chão, na tentativa de conseguir um pouco mais de firmeza no corpo, Gina foi para a sua tão esperada dormida.


-Abra essa porcaria de porta!

O grito veio alto e claro.

May ergueu uma sobrancelha enquanto caminhava pelo corredor calmante.

Eram oito horas da manhã e o sono ainda batia na sua porta, convidando-a para voltar ao seu dormitório e para baixo de suas quentinhas e macias cobertas, mas a responsabilidade a chamava.

Soltou um longo bocejo quando um novo berro se deu a ouvir:

-Não quero saber se eu posso ou não entrar. Abra! Você não sabe com quem está lidando.

-Com um idiota! – May disse a si mesma enquanto virava no corredor e se deparava com a cena mais bizarra de toda a sua vida; Draco estava quase se descabelado, o rosto antes tão pálido se encontrava vermelho de pura raiva, enquanto a Mulher do Quadro da Corvinal pintava as longas unhas e cantarolava, ignorando completamente as caretas que o Sonserino fazia.

Dando um leve sorriso, May caminhou lentamente até Draco que já se encontrava com um punho cerrado, pronto para golpear a pintura, e na outra a varinha tremia entre seus dedos longos e finos.

Mas é um jegue, Disse a si mesma, cruzando os braços e continuando a apreciar a cena.

-Qual foi à parte de "abra essa maldita porta" que você não entendeu? – o loiro voltou a exclamar com mais fúria.

A mulher do quadro girou os incríveis olhos azuis e os penetrou na pose aristocrática de Draco, que ergueu uma sobrancelha.

-Sinto muito, Senhor Malfoy, mas não tenho autorização de deixar nenhum aluno que não seja da Corvinal entrar. Então, o aconselho a voltar para a sua própria casa e esperar a hora do almoço para falar com a pessoa desejada.

Draco soltou um longo palavrão, fazendo com que May não conseguisse segurar mais a risada.

O loiro se virou e a fitou com os incríveis olhos azuis mergulhados em puro ódio.

-Posso saber qual é a graça, Su? – ele perguntou a fuzilando.

May sorriu desdenhosa e andou ate ele calmamente.

-A graça, querido, é você! - respondeu, fazendo com que a guardiã da Corvinal risse alto e claro. – Parece que todo esse tempo que você esteve comigo, Draco, não lhe ajudou em nada. E eu pensando que convivendo comigo você iria ficar mais inteligente – balançou a cabeça, esvoaçando as madeixas castanhas de um lado para o outro, fazendo alguns fios ficarem presos em seus lábios. – Doce ilusão!

Draco passou a mão pelos cabelos platinados parecendo fazer de tudo para manter a calma.

-Então, vamos ver se você consegue convencer a essa velha – apontou para o quadro que arregalou os olhos – a nos deixar entrar.

May deu os ombros e caminhou até a mulher, ainda sustentando o sorriso.

Mas, quando seus olhares se cruzaram, May ergueu uma sobrancelha em puro desafio e o sorriso, antes maroto, transformou-se em irônico.

Ela não disse absolutamente nada somente ergueu o braço e fez com que a manga de seu sobretudo deslizasse pelo se braço, revelando assim a pulseira que ganhara de Cedrico.

Draco trincou os dentes, tentando de alguma forma esconder o ciúme que percorreu seu corpo, no momento que os dedos de May tocaram na pulseira a puxando também para baixo e assim revelando uma tatuagem em seu pulso, onde mostrava o tão famoso cifrão dos Sutramys. A tatuagem era de um elegante S, onde era contornado por varias cobras e uma espada o cortava ao meio.

A mulher do quadro arregalou os olhos antes de abrir a porta e sair correndo para dentro de uma casinha que havia atrás da pintura, escandida pelas arvores.

May voltou a cobrir o pulso e assim entrou no Salão Comunal, com Draco a seus calcanhares.

-Como você consegue? – ele perguntou pasmo, observando a porta se fechar atrás de si.

A índia deu os ombros e fitou-o.

-Eu sou incrível!

-Engraçadinha. – Draco retrucou irônico.

-Mas é a mais pura verdade. – May continuou, caminhando até o sofá azul do Salão e sentando-se neste que ficava para frente da lareira, onde chamas crispavam. – Além do mais a minha famá-lia mostra ter mais poder do que a sua, querido, por isso as pessoas me temem mais.

Draco riu com desdém e pondo as mãos dentro do bolso de sua calça, falou sarcasticamente:

-A família Malfoy é bastante poderosa...

-Tão poderosa que Lucius e Narcisa criaram uma criatura que chamam de filho que teme o próprio amo que irá servir no futuro. – interrompeu-o - Meu Deus o que o meu padrinho tem de tão assustador? – exclamou - Ele é tão... Dócil.

-Oh claro! O grande Lord Voldemort é uma verdadeira gracinha. – May o fuzilou com os olhos, as íris negras faiscando em sinal de perigo.

-Não se atreva a brincar com o nome de uma pessoa que amo, Malfoy! – avisou-o.

Draco abriu a boca para retrucar, mas nesse momento som de passos pequenos e delicados ecoou pelas paredes de pedras, tampadas por panos e bandeiras da Corvinal.

Logo, perninhas começaram a aparecer no alto da escada, e assim a visão foi se tornando cada vez mais clara.

Mia soltou um longo bocejo e coçou os olhos puxados, para logo os arregalar ao ver a pose superior de Draco e a fisionomia repreensiva de May.

-Talamia, venha aqui agora mesmo! – May ordenou com a voz firme e seca.

Mia caminhou hesitante até a irmã, olhando de vez enquanto para Draco que a observava como se fosse um verdadeiro animalzinho enjaulado.

Ferrou, Pensou engolindo em seco.

-May, eu posso te explicar...- começou, colocando as mãos para trás e olhando para o chão.

-Fique quieta! – May se curvou em direção à irmã e segurando o rostinho dela pelo queixo, ergueu-o – Jamais abaixe o rosto para ninguém, mesmo que essa pessoa seja ou não superior a você.

Mia manteve o queixo erguido, fazendo May sorriso satisfeita e orgulhosa ao ver que a irmã não desviava o olhar do seu.

-Muito bem, agora...- começou, estralando os dedos – Me fale sobre o...– olhou para Draco com o cenho franzido – Qual é mesmo o nome daquela criatura?

O loiro suspirou desinteressado, antes de girar os olhos azuis de modo tedioso

-Tanga... Tang.

Mia fez uma careta e mostrou a língua para o loiro.

Tanger.

Draco ergueu uma sobrancelha.

-O que seja, o importante é que esse moleque não vai viver por muito mais tempo. Mas antes disso – Draco se ajoelhou diante de Mia e segurando-a pelos ombros começou a perguntar, freneticamente: - Quero o nome completo dele, onde mora, tipo de sangue, casa, em quantas línguas é fluente, QI, quem são os pais, servem ao Lord, sabe magia negra, conta bancaria, em que ano esta aqui em Hogwarts? - respirou fundo – e o mais importante: o que ele acha do idiota do Potter?

May abriu a boca atônica.

Esse legume-torrado é mais idiota do que imaginei, Pensou balançando a cabeça e segurando a mãozinha da irmã entre a sua.

-Mia, esqueça o que essa lesma esta falando e me escute – começou, docemente, mas os olhos negros não escondiam uma pequena magoa, onde fez que Mia encolhesse os ombros. – Eu não estou aqui para te repreender pelo o que você esta fazendo ou pelo que esse tal de Tanger fez, mas sim pela sua falta de confiança em mim. Mia, eu sou sua irmã e não uma amiga qualquer que você tem pela escola. Foi duro saber que você esta namorando um garoto por um maldito radio.

Mia sustentou seus olhos nos de May, mas os ombros eram encolhidos cada vez mais e a vontade de sumir dali o mais rápido crescia.

-Eu...- balbuciou.

-Calma, não me interrompa. – a índia mais velha pediu – Eu quero que a partir de hoje você confie mais em mim. Você pensou que eu iria fazer o que, pequena? Sair gritando pelo colégio, atrás desse moleque e colocá-lo numa parede e lhe fazer uma chuva de perguntas? – olhou de modo significativo para Draco, que bufou – no máximo ele só iria ser...

-Castrado! – Draco falou bruscamente.

-Calado! – May ordenou, tratando o loiro como um cachorro obediente – Mia, eu quero somente te orientar, te mostrar o que é certo e errado. E tenha certeza que vou querer conhecer o Tanger e bater um papo com ele, sabe... Só para saber quais são as intenções que ele tem em relação a você. – Mia gemeu.

-May, por favor, não faça isso. – pediu, choramingando.

Draco passou a mão pelos cabelos e se pos atrás da menina.

-Com esse garoto não quer ter papo algum, May, tem que ser na base da porrada mesmo.

Mia se virou bruscamente e subindo no sofá encarou Draco com coragem, mesmo que tivesse que ergueu bastante o queixo para poder olhar bem dentro daquele mar azul.

-Não se atreva a por um único dedo no Dirk, Draco. Estou te avisando.

-O que uma pentelha como você iria fazer? Chutar a minha canela? – Mia sorriu venenosa e trocando um olhar com May, falou de modo irônico:

-Não, mas tenho certeza que o padrinho da May iria adorar ter um novo bichinho de estimação. A Nadine já esta ficando gasta demais.

Draco engoliu em seco e se afastou de Mia como se houvesse acabado de levar um choque elétrico.

-Isso não vale. É complô contra mim. – por que aquelas duas sempre queriam o ver encurralado? Parecia que sentiam um prazer incrível ao vê-lo daquela forma tão sem jeito e completamente desarmado. E sempre pisavam bem no seu maior ponto fraco: Voldemort.

Aquele bruxo o perseguia desde que era uma criança. Será que, pelo menos um dia, não poderia ficar sem ouvir aquele maldito nome?

May sorriu e caminhou até ele.

-Não é complô, Draco, é somente para você perceber que não é o mais qualificado para dar lições na minha irmã.

Draco riu de modo perverso, jogando a cabeça para trás e logo encarando a índia de modo desdenhoso.

Aquilo a incomodou profundamente.

-Se eu não sou qualificado, você muito menos. – ele argumentou, virando-se para Mia que havia se sentado no sofá, balançando as perninhas para frente e para trás.

May segurou o braço de Draco com força, impedindo-o de caminhar em direção a sua irmã.

-Explique-se Malfoy! – ordenou, a voz firme e a unhas cravando cada vez mais sobre o tecido grosso do casaco que ele usava.

Draco cerrou os olhos e as íris azuis faiscaram de pura malicia, enquanto um sorriso desdenhoso cortava os lábios finos dele.

Aproximando-se da índia, Draco olhou-a bem de modo como se estivesse lendo a sua alma. Procurando por algo que simplesmente não existia dentro de si.

-Eu errei gravemente no passado, May e não vou repeti-lo com a Mia. – May ergueu o queixo desafiante, e erguendo uma sobrancelha pediu para que ele continuasse. – Não é segredo para ninguém que você se deita com o primeiro que vê na frente, Talamay. E hoje em dia você é desse tipo porque no passado eu não a orientei, eu não lhe disse do que os garotos gostam, suas intenções e suas armas. Eu não te ajudei a amadurecer em favor aos homens, e olhe no que você se transformou – olhou para ela de modo como se fosse um bichinho.

May abaixou a cabeça levemente, enquanto cerrava os punhos com força. Seu corpo começou a tremer e seus olhos a marejarem de puro ódio, que se arrebatava sobre seu peito. Seu coração arfava e sua respiração se encontrava lenta e pesada.

-Não fale do que não sabe, Malfoy. – rangeu entre os dentes, fitando o Sonserino.

Draco balançou a cabeça, fazendo os fios platinados de seus cabelos lhe moldarem o rosto frio, sarcástico e maldoso.

-A verdade dói não é mesmo? Dói saber que se não for por mim a sua irmã, no futuro, pode se derreter por palavras falsas, um olhar ridículo e um simples sorriso. A realidade é dura, May, viva com ela. Você fez o seu caminho errado, fez sua escolha e mostrou que não se merece ao respeito, mas com a Mia vai ser diferente... Ela vai ser alguém de verdade.

Então era aquilo. Todas as palavras, os sorrisos e os olhares que ele havia lhe dado foram falsos? E pensar que estava pensando em se entregar para ele. Ser mulher dele. Daquele maldito que somente queria se divertir com ela.

Cobra!

Não conseguia respirar, e muito menos controlar o seu corpo que tremia frenético.

E, antes que pudesse perceber o que estava fazendo, avançou contra Draco e esbofeteou-lhe o rosto pálido com uma força impressionante.

O loiro foi obrigado a virar o rosto por causa do forte impacto, e em poucos segundos uma dor ardida começou a se espalhar por seu semblante onde fora marcado por cinco dedos.

-Nunca mais olhe, toque ou pense dirigir a palavra a mim Malfoy, por que eu juro pela minha famá-lia que...- os narizes quase se roçavam – se você aparecer no meu caminho eu mato você!

Dando nos calcanhares, a índia correu ate a porta do Salão Comunal.

Draco ficou inerte por mais alguns minutos, somente fitando a passagem por onde May havia saído. Os olhos arregalados e o rosto ardendo. Como ela tivera a coragem de bater nele?

Ouviu um movimento atrás de si e virou-se para ver Mia saindo de cima do sofá e começando a caminhar para o dormitório.

-Mas o que foi que eu disse de errado? – perguntou atômico. – Não menti em nenhum momento, e eu pensei que ela já houvesse se acostumado com a má fama dela.

Mia o olhou por um breve momento, os olhos castanhos com um brilho que o Sonserino não pôde identificar, mas por um leve momento suspeitou que fosse de... Tristeza.

Mia balançou a cabeça de modo repreensivo.

-Você é um idiota, Draco. Um grande idiota!


Caminhava depressa...

O seu peito arfava tão depressa que algumas vezes chegava a doer.

Uma dor martelava o seu coração, enquanto lágrimas começavam a fazer arder seus olhos.

-Maldito! – exclamou entre os dentes. – Ele queria apenas brincar comigo. Nada mais. Idiota! Idiota! – xingou-se, rendendo-se ao choro.

Um soluço baixinho escapou de seus lábios e tampando a boca com a mão começou a correr.

"Não é segredo para ninguém que você se deita com o primeiro que vê na frente." A frase ecoou em sua mente, fazendo com que as lágrimas deslizassem cada vez mais pelo seu semblante contorcido em dor.

E pensar que eu me apaixonei por ele, Disse a si mesma, virando o corredor e descendo as escadas, pulando de dois em dois degraus.

Graças aos seus pulos, May não percebeu que uma pequena chave havia saltado de dentro do bolso de seu casaco, caindo no chão e fazendo um estridente som metálico.

Mas não se importou.

Continuou a correr em direção a um lugar que pudesse ficar sozinha e se isolar com a própria dor.

Abaixou a cabeça e fez com que a franja de seu cabelo lhe tampasse os olhos.

-Por que Draco, por que você não vê logo como eu realmente sou e não como as pessoas fizeram eu ser? – perguntou para o vento que soprava forte.

Sem perceber que alguém cruzava o corredor logo a sua frente, May acelerou os passos fazendo com que assim seu corpo trombasse com o da pessoa.

-Ai! – gemeu. O desconhecido tombou o corpo um pouco para o lado, mas conseguiu se manter firme, e assim a segurou pela cintura, não a deixando cair. – Desculpa... eu não estava vendo por onde andava e...- ergueu a cabeça e pode ver os olhos chocolates de Jorge. May sorriu levemente, mostrando a sua satisfação de o vê-lo ali, bem na hora em que mais precisava dele. Do seu melhor amigo! – Ah Jorge! – disse, pulando no pescoço do ruivo e o abraçando com força.

Estranhou ao ver que ele não correspondia ao abraço; se mantia frio, inerte e o olhar cheio de ódio grudados em si.

Soltando-o perguntou:

-O que foi?

Jorge cerrou os olhos e num gesto brusco tirou os braços da índia entorno de seu pescoço e afastou o corpo dela do seu.

-Jorge...- May murmurou o vendo olhá-la de um modo que a fez sentir um arrepio na espinha. – Você esta estranho, aconteceu alguma coisa?

O ruivo riu; uma risada sem humor, completamente sarcástica.

-Sim, aconteceu – ele falou seco – Aconteceu de eu ter finalmente aberto os olhos e ter visto no que você realmente é... Su!

May deu um passo para trás como se tivesse acabado de receber um choque, enquanto abria a boca e arregalava os olhos pasma.

-Eu... não estou entendendo? – Maldição Talamay, pára de vacilar, pára de agir como uma garota idiota. Mesmo com esse sofrimento, haja como uma Sutramy, Uma voz disse em sua cabeça a fazendo engolir em seco.

Jamais havia se sentido daquela forma tão vulnerável. E não tinha força para ser a May de antes; fria, sarcástica... Sonserina!

Naquele momento, só queria ficar sozinha, ou ter o apoio de seu melhor amigo, que estranhamente, a estava tratando com tanta indiferença que só fez seu peito se apertar ainda mais.

-Oh, você não esta conseguindo captar as minhas palavras, cobrinha? – Jorge falou, dando um leve sorriso pelo canto dos lábios e aproximando seu rosto do de May, que não se mexeu. – Eu estou dizendo que você não presta, que você é uma maldita, uma falsa e honra realmente esse seu sangue venenoso e sem escrúpulos Sonserino.

Não, aquilo não podia estar acontecendo. Não com ela!

Primeiro fora o choque de saber que sua irmã havia escondido dela que estava namorando, depois foi Draco, a única pessoa que conseguira passar pela barreira de gelo em seu coração e se apossar de todos os seus pensamentos, a humilhar, dizendo que ela era uma vagabunda, e agora... Jorge, dizendo-lhe aquelas cosias tão... Sem nexo.

Senhor, o que ela havia feito de errado?

-Jorge você esta alterado...– tentou dizer, mas o ruivo agiu mais rápido. Jorge a segurou pelo braço, apertando sua pele com força fazendo começar a doer e logo em seguida a jogou de encontro à parede, fazendo-a bater as costas dela contra a pedra fria e pontiaguda.

May gemeu baixinho.

-Eu alterado? – Jorge vociferou – Não, querida May, eu não estou alterado... Na verdade eu estou frustrado, morrendo de ódio de você ao saber que você é uma maldita cadela – bateu as costas dela contra a parede – uma qualquerzinha que um dia eu tive a infelicidade de conhecer – de novo – e o pior de tudo, tive o azar de me apaixonar por ela.

May sentiu seus músculos se enrijecerem quando Jorge a largou com força e começou a andar de um lado para o outro, nervoso e passando a mão entre os cabelos ruivos.

Ela havia escutado certo? Jorge estava apaixonado por... Ela?

Jorge você deve estar se enganando...- começou a dizer, mas novamente o ruivo a interrompeu, dizendo frases soltas e sem sentindo.

-Mas você sempre me viu como o seu melhor amigo, não é mesmo? Só tinha olhos para aquele Malfoy de merda! E quando acontecia alguma coisa que te deixava irritada, quem ouvia as suas reclamações? Eu! Quem te ajudava em todos os momentos? Eu! E quem realmente esteve ao seu lado todas as vezes que você precisou? Eu! – ele virou e a fitou – E agora me responda, o que eu recebo em troca? – gritou a plenos pulmões: - Um maldito balde na cabeça ao saber que você esta namorando aquele verme do Malfoy!

-Jorge...

Weasley para você, Su! – Jorge exclamou aos berros, o rosto tornando-se vermelho como um pimentão. – Não quero saber de explicações, não quero ouvir essas suas palavras sem nenhum valor... Só quero que você me esqueça e vá para o inferno! E se o Malfoy te fizer alguma coisa que te deixe mal, não esqueça de me contar para eu rir do tanto que você é uma otária a ponto de ter escolhido ficar com ele e não comigo.

Oh, mas que coisinha mais comovente. Ele me ama, May pensou sentindo seu estômago dar voltas.

Pronto, ela havia voltado. Dentro de si poderia estar havendo uma sangrenta guerra de sentimentos, mas por fora ela era a May que todos conheciam; uma verdadeira Sonserina.

Então era aquilo? Jorge a amava desde... Um bom tempo, e estava ali jogando contra ela as suas frustrações, a sua dor de ter levado um belo pé no traseiro. Muito bem, ele jogou a primeira pedra nela sem piedade alguma, sem se preocupar em seu estado naquele momento, pois muito bem, agora era a vez dele de ser apredejado.

E pensava que ele fosse um amigo de todas as horas, realmente. Um amigo que seria feliz se ela fosse. Um amigo que sorriria quando ela sorrisse. E um amigo de verdade que chorasse junto com ela; compartilhando suas dores, alegrias, ansiedades e preocupações.

Mas não, Jorge acabava de lhe mostrar que era tão podre quanto Draco.

Ergueu o queixo e não se preocupou em esconder o caminho úmido que as lágrimas que derramara antes estivessem a mostra.

Sorriu pelo canto dos lábios. Um sorriso tão perverso quando o brilho dos olhos negros faiscantes, onde foram capazes de fazer Jorge estremecer.

-Interessante... Weasley – frisou o sobrenome dele com uma frieza incrível. – Muito interessante.

Jorge ergueu uma sobrancelha.

-O que é interessante, Su? – May deu mais um sorriso, enquanto estralava os dedos da mão, cuidadosamente, estralo dos nos escoando pelo corredor vazio e frio.

-Interessante saber o quando você é ridículo, desprezível e acima de tudo um verdadeiro hipócrita. – o ruivo abriu a boca para argumentar, mas antes que pudesse pronunciar qualquer coisa, a índia lhe deu uma rasteira, fazendo-o cair de encontro ao chão com força, e sentando-se em cima dele, o imobilizou. Os rostos estavam tão próximos que um podia ouvir a respiração alterada do outro. May fez com que seus olhos negros fossem cobertos por uma leve camada de uma cor prateada intensa onde deixou bem claro toda a sua raiva acumulada dentro de si naquele momento. Tremia levemente.

Jorge iria tentar a tirar de cima de si quando percebeu que graças aqueles olhos prateados feiticeiros, May havia imobilizado todo o seu corpo sem o uso da varinha.

-Saia de cima de mim, Su! – ele ordenou com a voz rouca e arrastada.

May riu com desdém e se aproximou ainda mais do corpo de Jorge, os lábios quase se roçando.

-Me responda, Weasleyziho...- disse, encostando a sua boca na orelha do ruivo e assim sussurrando perigosamente, fazendo-o respirar ainda mais alterado, graças a sua ousadia. – Como é a sensação de estar por baixo? De estar caído no chão sem poder se mexer, sem poder sequer falar alguma cosia onde dependendo de suas palavras poderá sofrer conseqüências terríveis? E ainda mais, estar preso por uma mulher. A mesma que minutos antes você tentava humilhar, tentava ferir.

Jorge engoliu em seco, mas não perdeu a pose de valentão.

-Saia de cima de mim, agora! – ordenou.

-Por que deveria? – May perguntou num tom de voz angelicalmente falso – Oh, por que você esta com medo?

Jorge sentiu o seu sangue correr mais rápido por suas veias quando viu May ergueu a mão e assim começar a acariciar o seu cabelo, sentindo suas madeixas cor de fogo entre os dedos longos, finos e delicados dela.

-Não precisa ter medo de mim, Jorginho querido. Eu sou inofensiva. Jamais machucaria alguém – o olhou – Ainda mais o meu melhor amigo. – May ergueu uma sobrancelha e arregalou os olhos, como se tivesse acabado de se lembrar de algo importante. – Opa, esqueci que não somos mais amigos. Tcs... Que droga, hein! – num gesto inesperado segurou os cabelos de Jorge com força, puxando os fios para cima, fazendo-o gemer alto de dor – Agora, já que não temos mais nenhum elo, acho que posso te machucar não é? Um braço a menos, não iria fazer muita diferença, o chato é que você não vai poder mais escrever, jogar Quadribol e... Oh sim, não vai poder tocar numa mulher com as duas mãos. – riu maldosamente.

Jorge cerrou os olhos e novamente tentou se mexer. Uma tentativa frustrada já que nem mesmo os dedos de sua mão conseguia mover.

Maldição, Pensou irritado, vendo May sorrindo. Por que ela tem que ser tão linda?

-Escute bem Talamay, não será hoje e nem amanhã, mas um dia... Uma dia você vai se arrepender de estar fazendo isso comigo. Por ter mentido, ter sido uma falsa e acima de tudo, por ter sido uma vagabu...

May não permitiu que ele terminasse, já que antes de terminar a palavra calou-o com um estralado tapa no rosto.

Já é o segundo só hoje. Estou me superando, Uma voz irônica disse no fundo da mente da índia.

-Cale a boca e me escute! – agora sim ela estava realmente irritada. Muito irritada. – Já cansei de ser pisoteada por hoje, e não vou permitir que um ruivo fracassado pobretão diga coisas sem nexo a meu respeito. Eu acreditei em você, Weasley, acreditei que seria o meu amigo em todos os momentos, mas parece que confundi as coisas, e eu que no fim de toda essa baboseira que acabei descobrindo que você é um imprestável. Um garoto mimado e com o ego ferido. – soltou os cabelos dele e se levantou num gesto ágil – Eu pensei que poderia confiar em você, Weasley. Mas parece que me enganei e finalmente abri os olhos para ver o quanto que você é um cretino miserável. – deu a volta nos calcanhares e foi embora, deixando para trás um frustrado Jorge, sem perceber que atrás de uma estatua no corredor se encontrava um loiro que observava tudo com os punhos fortemente cerrados e os olhos intensamente prateados.

-Ei, volte aqui. – Jorge gritou quando May já virava no corredor – Alguém me ajuda a sair daqui, eu to preso!

Que maravilha! Perdi o meu "ficante" e o meu melhor amigo num único dia, o que mais falta me acontecer, eu brigar com a Naty e com a Gina, May perguntou a si mesma, voltando a correr pelos corredores de Hogwarts de cabeça baixa.

Pelas suas contas, o sinal do almoço não demoraria muito a tocar, mas do jeito que estava, comer era a última coisa que passava por sua cabeça.

Sua cabeça doía tanto que parecia que iria explodir. Seu peito estava dolorido e sua respiração alterada.

Por que, maldição, fora sair da cama? Pelo menos estaria longe de todos aqueles problemas; longe de correr do risco de brigar com Draco e logo depois encontrar Jorge no meio do corredor.

Ah, as coisas estavam realmente muito ruins para o seu lado. Parecia que haviam jogado alguma azaração nela, feito macumba, para vê-la ferrada dos pés a cabeça.

Muito bem, que o filho-duma-vegetal-seca cantasse o hino da vitória, pois ele havia conseguido deixá-la na estaca zero.

Balançou a cabeça e sentiu novas lágrimas arderem os seus olhos.

Como odiava aquela sensação de estar sendo vulnerável; era como ser um passarinho preso em uma gaiola e sendo observado por um exercito de gatos famintos.

Soluçou baixinho e, quando estava preste a descer a escadaria que a levaria em direção ao Saguão de Entrada do castelo, sentiu seu corpo batendo contra outro, e braços rodearem a sua cintura, impedindo-a de cair.

De novo não, por favor, May clamou, abrindo os olhos e olhando para cima e assim poder ver uma cabeleira vermelha e incríveis olhos castanhos a fitando.

Franziu o cenho e fitou com mais profundidade aqueles olhos. Céus, nunca havia reparado que os olhos de Jorge tivessem pontinhos verdes, os deixando mais claros.

Jorge!, sua mente berrou.

Espalmando as suas mãos com força contra o peito firme e viril do ruivo o empurrou bruscamente para trás, fazendo-o cambalear.

Não se atreva achegar perto de mim, Jorge Weasley! Ou eu juro que o encherei de pancadas. – gritou com força, sentindo sua garganta sendo rasgada por sua voz – Como foi que você saiu daquele feitiço? Ah não importa, saia da minha frente seu idiota. – quando passou pelo ruivo, este a segurou pelo braço e puxando-a em direção aquele corpo forte, ele a abraçou.

-May, o que houve? – Opa, aquela não era a voz de Jorge nem ali nem em nenhum outro lugar.

May voltou a encarar o garoto e percebeu que ele continha uma leve covinha no canto da boca.

Jorge não tinha covinhas... Então aquele só poderia ser...

-Oh, Fred! – May não agüentou mais, e jogou-se de encontro ao peito do amigo que assustado arregalou os olhos. May se pendurou em seu pescoço e fez algo que não fazia a muito tempo; chorou. Chorou como uma criança, soluçando, compulsivamente.

Fred a englobou em seu calor e em seus braços, passando as mãos por suas costas num gesto de consolo.

-Meu deus, May, o que houve? – ele perguntou, vendo-a gemer baixinho – Não podemos ficar aqui no meio do corredor. – ainda abraçado à índia ele começou a leva-a em direção a uma sala – venha, vamos conversar aqui dentro.

May não disse nada, somente assentiu e entrou.


-Nem se atreva a jogar esse punhando de folhas secas na minha cabeça, Harry James Potter! – Gina avisou com o tom de voz severo, ao ver pela sombra que se formava no gramado o que o moreno planejava fazer.

Harry riu e jogando as folhas que segurava no chão, sentou-se ao lado da ruiva, onde esta por sua vez não tirava os olhos do caderno onde escrevia freneticamente.

-O que você escreve tanto nesse caderno, Senhorita Inocente?

-Não é da sua conta. – a ruiva respondeu rispidamente, sentindo pulsar dentro de si uma leve magoa dele ter escondido dela que pretendia mandar uma carta para a radio.

Harry percebeu o seu mau humor, e não se deixando abalar provocou-a:

-Mas eu sou o seu melhor amigo e como tal tenho que saber tudo sobre você.

Gina cerrou os olhos levemente e parou de escrever. Ergueu o rosto e o encarou de modo neutro, os olhos escuros e os lábios cerrados numa linha reta sem humor.

-Se você realmente me conhece saberia que eu não sou tão inocente como aparento ser. – E também saberia reconhecer que eu sou a Dama de Vermelho, sua grande besta depravada, Sua mente gritou de modo revoltado.

Harry franziu o cenho e se aproximou ainda mais da amiga, fazendo com que o seu queixo roçasse levemente no ombro dela.

-Gi, o que está havendo? – ele perguntou com o tom de voz doce e preocupado, fazendo-a sentir os pêlos do corpo arrepiarem-se.

Gina jogou a pena que segurava longe e fechou o seu caderno num gesto brusco.

-Nada!

Ela ia se levantar para ir embora, mas Harry a deteve, segurando o seu braço num toque carinhoso e firme.

-Eu te conheço Gi – Conhece nada, Gina pensou – E eu sei quando algo não esta bem em relação a você! – Ah que fofo, ele sabe dizer quando eu estou bem ou mal. Quer que eu chore agora, Potter?

-Eu não tenho nada! – afirmou num tom firme e seco, antes de tentar se levantar, mas novamente Harry a deteve, agora a jogando de encontro ao gramado e prendendo-lhe os braços por cima da cabeça, enquanto o seu corpo ficava sobre o dela.

Gina arregalou os olhos e tentou se livrar daquelas mãos e tirar de cima de si aquele corpo musculoso e viril. Sentia seu coração batendo acelerado, e se fechasse os olhos saberia que seria capaz de ouvir o som da respiração de Harry, que acariciava sua boca entreaberta.

-Se você não me falar o que esta havendo eu não vou sair daqui tão cedo.

E quem disse que eu quero que você saia, imbecil, Gina teve vontade de dizer, mas mordendo a sua língua segurou as palavras em sua garganta, fazendo-a engasgar levemente.

Olhou para o amigo de modo neutro, observando os olhos verdes dele brilharem e refletirem vários pontinhos dourados, graças aos raios de sol, deixando-os ainda mais vivos e claros.

Gina suspirou profundamente e moveu seus olhos para os lábios dele, que estavam contorcidos num sorriso sexy. Os cabelos negros lhe caiam sobre o rosto, dando-lhe um ar despojado, mas incrivelmente sensual.

Oh Deus, o que fizera para merecer um amigo daquele? Tinha que ser ilegal um garoto daquele vagando pela Terra... Solteiro!

-Harry, eu não tenho nada. – disse desviando os seus olhos dos dele, virando a cabeça para o lado.

Harry, num gesto ousado, mordeu o seu queixo de leve e a fez virar o rosto para encará-lo, e só assim parou de mordê-la.

-Por favor, Gina, fala comigo. – pediu baixinho – o que esta havendo? Estou ficando preocupado. – e ela podia ver nitidamente aquele brilho de preocupação nos olhos verdes dele.

Gemeu para si mesma, sabendo que iria estar fazendo um papel de tola dizendo a Harry a verdade, mas de duas, uma; ou falava e ele saia logo de cima de si, libertando-a daquela tortura, ou, o teria por um longo tempo sobre si e sabe-se lá o que poderia acontecer naquele período.

-Ta bem, ta bem. – rendeu-se por fim – Mas, saia de cima de mim primeiro.

Rindo, Harry a obedeceu, sentando-se ao seu lado e contornando a cintura de Gina com um braço, enquanto apoiava-se no tronco da arvore que ficava de frente para o lago.

-Vamos lá, sou todo ouvidos.

Gina suspirou e passou a mão pelos cabelos, fazendo uma cascata pequena de fogo lhe cair sobre os ombros delicadamente.

-Harry, eu estou magoada com você. – ela falou, encarando-o.

Harry arregalou os olhos, surpreso.

Havia reparado que algo estava fazendo Gina ficar mal, mas nunca havia passado por sua cabeça que o culpado daquela magoa fosse ele.

Por alguma razão, algo dentro de si latejou, o fazendo se sentir cabisbaixo.

-E...e...eu? – gaguejou, vendo a ruiva assentir com um gesto de cabeça - PORQUÊ EU?

Gina sorriu levemente pelo canto dos lábios; um sorriso melancólico.

-Harry... Por que não me disse que iria mandar uma carta para a radio de Hogwarts? Eu poderia pelo menos ter me preparado psicologicamente!

O moreno suspirou, como se estivesse acabado de tirar de seus ombros o maior peso do mundo.

-Ah, então é só isso? – Gina ficou boquiaberta.

-Como assim, só isso? Harry Potter, para a sua concepção isso realmente me magoou.

Harry riu e lhe acariciou as madeixas ruivas que o vento daquele dia balançava em frente ao seu rosto.

-Gi, foi só um bilhete. – Que quase me fez ter um ataque cardíaco, Ela quase gritou.

-Mas por que não me disse? – ele deu os ombros.

-Não sei, acho que quis fazer uma surpresa. – E conseguiu!

Então, faça uma surpresa para a sua queria Dama, e não para mim, poderia pelo menos ter me dado uma dica como "essa noite você terá uma surpresa", ou, "Fica esperta pimenta, por que quando a locutora da radio começar a falar sobre as mensagens dos alunos você vai ter uma grande surpresa". Qualquer coisa Harry. Você sabe como eu gosto de decifrar códigos, mas detesto descobrir que meu amigo anda escondendo alguma coisa de mim.

Harry ergueu uma sobrancelha.

-E o que mais você acha que eu estou escondendo? – Gina movimentou as mãos no ar num gesto nervoso.

-Não sei, Harry, vindo de você eu posso esperar qualquer coisa, até a foto de uma garota amanhã saindo na primeira página do jornal falando que esta esperando um filho seu.

Harry fez o sinal da cruz.

-Vira essa boca pra lá, Gina!

A ruiva nada disse, somente girou os olhos e se apoiou no tronco da arvore; os braços cruzados em frente ao peito, o rosto carrancudo e soltando o ar com força algumas vezes pela boca.

Harry sorriu anestesiado com a cena; como adorava ver aquela pimentinha irritada.

-Se eu falar "me desculpa", você me desculpa? – perguntou baixinho, apoiando seu queixo no ombro dela e aspirando o perfume doce de Gina, que estremeceu.

Harry franziu o cenho... Aquele perfume...

Gina deu os ombros e fez uma careta.

-Tanto faz! – a resposta veio curto e grossa, fazendo Harry suspirar fundo e segurar a ruiva pelo rosto, fazendo-a encará-lo.

-Gi, não foi minha intenção magoar você. Juro!

-Tudo bem, Harry, vamos deixar como esta, okay? – Gina sorriu fazendo Harry sentir algo diferente dentro de si. Seu coração acelerou o compasso quando aquele sorriso tão lindo brotou dos lábios da melhor amiga como uma flor que se abria na primavera.

Os raios de sol iluminaram as íris azuladas de Gina, deixando o tom ainda mais claro, chegando a ser um completo tom de águas marinhas claríssimas.

Os cabelos avermelhados esvoaçaram contra o vento e tocaram em sua mão, deslizando sobre sua pele como um véu em chamas.

Harry se arrepiou.

Aquele sorriso: aquela boca. Aqueles olhos: aquele tom de azul. Aqueles cabelos: vermelhos como o fogo.

Tudo em Gina o fazia se lembrar de alguém... Mas quem seria? Ela era tão parecida com uma pessoa que...

Não! Balançou a cabeça. Gina era somente a sua doce e amiga Gina, ninguém mais.

-Bem, fico feliz que tenha me desculpado. – ele falou aliviado, voltando ao momento presente. Gina balançou a cabeça de modo como se não estivesse ligando para o que ele achava.

Harry viu ainda uma pontada de magoa nos olhos dela.

-Você não vai ficar assim comigo, não é? - perguntou hesitante.

Gina virou o rosto e abriu a boca para falar algo, mas quando fixou seus olhos em alguma parte de seu pescoço, ela se calou.

-ESCONDE ISSO, JÁ! – ela gritou desesperada, pulando sobre o amigo e colocando para dentro da camisa dele o seu colar de ouro branco, que se encontrava fora da roupa, completamente a vista.

Ah se Rony tivesse o visto, ela estaria ferrada, e todo o seu plano iria por água a baixo. Harry não poderia saber que a Dama de Vermelho era ela. Nunca! Jamais!

E somente Rony poderia dizer a Harry a verdade, era somente o amigo lhe mostrar a corrente e o seu irmão já iria logo abrindo a boca e revelando tudo.

-Harry, jamais deixe essa corrente a mostra, entendeu? – ordenou, apontando o dedo para o peito dele.

Harry ergueu uma sobrancelha.

-Mas, qual é o problema de deixar que a vejam, Gina? – Perfeito, graças aquele argumento, Gina teve a certeza que Rony não tinha visto o seu colar.

-Por que... por que...- tinha que pensar numa resposta. E o mais rápido possível. – Por que não oras. Tem meninas que gostam que suas coisas sejam conservadas entende? Eu não gostaria que o meu namorado saísse por ai mostrando alguma jóia que eu dei a ele, principalmente se ela for bastante pessoal.

Harry ergueu ainda mais a sobrancelhas.

-Sério? - ele perguntou, a voz tendo um toque de estranheza.

-Sim! Então trate de jamais mostrar a ninguém esse colar. – Gina falou, mesmo que ela própria tivesse percebido em seu próprio tom uma leve ordem.

Harry deu os ombros e riu levemente.

-Tudo bem, essa corrente sempre vai estar por dentro da minha camisa. – ele a assegurou, fazendo suspirar bastante aliviada.

-Bem melhor assim. – Gina disse, voltando a sua atenção para o horizonte do lago.

Harry ficou a encarando por um leve momento, antes de olhar para o seu lado e ver uma linda rosa vermelha, balançando em ritmo a brisa.

Sorrindo, estendeu a mão para pegar a flor, mas quando sua pele tocou no caule verde, sentiu uma dor chata de um espinho o furando o seu dedo, fazendo soltar uma exclamação de dor.

-O que foi? – Gina perguntou preocupada, aproximando-se dele e lhe segurando o dedo.

-Ai! Nada, eu só ia pegar essa rosa, mas a filha da mãe me espetou. – Gina riu divertida e sem hesitar levou o dedo do amigo a boca.

Harry não pôde deixar de sentir uma onda forte se arrebatar em seu peito e se espalhar por todo o seu corpo como uma chuva de arrepios, fazendo os pêlos de seu corpo ficarem em pé, quando a boca da ruiva tocou com leveza em sua pele, e logo, a língua dela; quente e úmida, passar sobre seu dedo com sensualidade.

Gina o fitou com os olhos brilhantes e maliciosos, mostrando que havia sentido o seu estremecer graças ao contato, e sentindo-se segura, ela cobriu-lhe todo o dedo com a boca provocando-o de uma forma que fez Harry começar a suar de uma forma incrível.

-Gina, estou avisando...– Harry começou a dizer, a voz baixa e rouca. – Não me provoque.

-E se eu quiser? – ela respondeu desafiadora, mordendo a ponta do dedo do amigo.

Estava preste a cobrir o dedo de Harry novamente com sua boca, quando sentiu algo estranho a fazendo parar o gesto ousado.

Harry gruiu baixinho, como se não tivesse aprovado a idéia de ela ter parado.

-O que foi? – perguntou ainda zonzo.

Gina pegou suas coisas e ergueu-se na velocidade de um raio.

-Harry depois a gente se fala. – e antes que pudesse fazer mais alguma coisa, Harry viu Gina correndo pelo jardim e sumir de seu campo de visão.

Jogando-se para trás, deitou-se na grama e fitou o céu.

-O que esta havendo comigo? – suspirou fundo tentando acalmar os batimentos fortes de seu coração.


As lágrimas da índia já haviam ensopado toda a região de seu ombro esquerdo.

Os seus braços circulavam a cintura dela, enquanto a balançava de um lado para o outro, numa tentativa de amenizar aqueles soluços tão fortes.

-Calma, May, calma... Shhhh! – Fred pediu, começando a entrelaçar seus dedos nas mechas negras da amiga, que se agarrou ainda mais em seu pescoço.

-Ah, Fred! – May gemeu baixinho, enterrando ainda mais a cabeça em seu pescoço – Por que tudo tem que acontecer comigo, por quê?

A dor era tão grande que a sufocava de uma forma como se mãos estivessem entorno de seu pescoço, interrompendo a passagem do oxigênio para os seus pulmões.

Caia de encontro a um mar de águas escuras que a afogava a cada minuto, empurrando-a ainda mais para o fundo, não lhe dando chance de bater as pernas e ir para a superfície.

-Eu molhei toda a sua camisa. – May muxoxou, olhando para o grande ensopamento que o ruivo se encontrava. Parecia que ele havia acabado de tomar um banho de roupa. – Des...- fungou – desculpa.

Fred riu carinhosamente e abraçou com mais força a amiga.

-Tudo bem, May, não tem problema. – ele ergueu o rosto da índia e encarando-a, brincou: – Pense positivo; não irei precisar tomar banho hoje, fazendo Hogwarts economizar água.

May riu levemente; um sorriso triste, como se tivesse agradecendo pela tentativa de ele animá-la.

Olhando para o ruivo, mergulhando-se naquelas íris cor de mel esverdeadas, May suspirou. Agora sim ela podia entender como Naty havia se apaixonado por Fred tão rápido; ele era simplesmente: tudo!

Desde os cabelos ruivos sedosos, que lhe caiam sobre o maxilar quadrado, roçando nos lábios firmes e na sexy covinha, até o brilho de sinceridade e humildade nos olhos. Mesmo que o corpo incrivelmente másculo tivesse a seu contorno uma aura viril, podia-se ver uma pitada de um garotinho travesso.

Fred, além de ser um grande amigo e carinhoso, ele era um homem de verdade.

Suspirou novamente. Pela primeira vez, Naty havia conseguido dar inveja. E May se sentiu como as outras garotas da escola, que viam os garotos mais lindos completamente longe de seu alcance.

Abriu a boca para falar algo, mas foi interrompida por um forte som da porta sendo escancarada.

-Mas que pouca vergonha é essa aqui? – Naty gritou, entrando na sala e fechando a porta com força, fazendo o som estridente ecoar pelas paredes frias.

Fred ergueu uma sobrancelha, enquanto May sorriu provocativa e se acomodou melhor entre os braços do ruivo.

Ela poderia estar uma verdadeira carcaça, mas o seu senso de humor ainda não a abandonara.

-Talamay Su, é bom que você tenha uma boa explicação. – mesmo que a pose de raiva estivesse bastante convincente, os olhos azuis não denunciavam que ela estava apenas brincando.

May ergueu o queixo.

-Bem, cedo ou tarde você iria descobrir Naty que...- olhou para Fred numa forma bastante sensual e deslizou suas íris pelo corpo de ruivo, o devorando – Eu e o Fredinho aqui nos amamos.

Naty passou a mão pelos cabelos negros, fazendo com que uma cascata escura deslizasse sobre seu seio, indo de encontro ao seu ventre, roçando levemente em seu umbigo – que estava iluminado pela pedra branca do piercing - a mostra graças aos últimos botões de sua blusa abertos.

Ela bufou e os olhos azuis ficaram ainda mais brilhantes.

-Então, eu estou vendo que não terei alternativa se não matar você, sua qualquerzinha de araque. Amiga traiçoeira, falsa.

Por alguma razão, May não recebeu aquelas palavras como uma simples brincadeira, mas sim como algo dolorido, fazendo-a lembrar das palavras de Draco e de Jorge.

O seu sorriso morreu e abaixando a cabeça abraçou Fred, permitindo que uma nova lágrima escorresse pelo seu rosto.

Naty franziu o cenho.

-Ah, o que é isso agora? Suas lágrimas de crocodilo não vão me enganar não, sua índia traiçoeira.

Fred abraçou May com carinho e olhando para a namorada de modo sério e repressor, disse seco:

-Não é hora para brincadeiras, Natalie!

Naty ficou séria numa rapidez incrível. Os olhos azuis ficaram escuros, enquanto os lábios que estavam contorcidos num sorriso que ia de orelha a orelha formaram somente uma linha fina e neutra.

Caminhando ate o namorado, ela encarou Fred bem no fundo dos olhos, mostrando a ele que o comentário que ele fizera, dito naquele tom seco não a agradaram nenhum pouco.

-May. – Naty chamou a índia firmemente, mesmo que seus olhos ainda estivessem fixo em Fred, que sentiu um arrepio percorrer sua espinha.

May ergueu o rosto e soltou-se dos braços de Fred, que engoliu em seco, quando Naty passou por ele esbarrando os braços com força, o fazendo recuar um passo.

Mais tarde eu vou ouvir umas boas, Pensou, vendo a namorada abraçar a índia calorosamente.

-O que houve, meu anjo? – Naty perguntou, acariciando as costas de May, que respirou fundo, tentando controlar o tremor do corpo.

-Uma coisa horrível Naty. – engoliu as lágrimas, enquanto a morena dava um passo para trás e a observava.

-Pelo amor de Deus, May, você não mandou o Dumbledore para aquele lugar, de novo, e ele te expulsou da escola, não é?

Fred revirou os olhos e se pôs ao lado de Naty e com um sorriso irônico falou:

-Sim, claro querida, ela mandou o Maior Bruxo de todos os tempos, o diretor do colégio tomar no...

-Eu não falei com você Frederic! – Naty interrompeu o namorado bruscamente, chamando-o pelo nome completo. – Eu estou falando com a minha amiga, então fique quieto, já que não servirá para nada.

Fred sentiu como se tivesse levado um empurrão, quando viu Naty lhe direcionar um olhar frio e de pouco caso.

Afastou-se e permitiu que as sombras da sala cobrissem o seu corpo, escondendo-o da visão das duas garotas.

-May...- ele ouviu a voz da namorada e fechou os olhos para que aquela doce melodia entrasse em seus ouvidos e percorresse seu corpo, arrepiando-o por inteiro – O que houve?

May abriu a boca para falar, quando a porta da sala foi novamente aberta, agora revelando a postura arfante de Gina.

A ruiva entrou na sala e caminhou até as amigas, olhando para Naty e logo para May.

-May, o que aconteceu?

A índia cerrou os dentes.

-Já é a terceira vez que eu tento contar o que houve e eu sou interrompida.

Um ato de luz amarelo atingiu a porta e o som de um click foi ouvido, mostrando que ela havia acabado de ser trancada.

As três amigas olharam para a escuridão da sala, onde Fred sorriu e balançou a varinha entre os dedos.

-Pronto, ninguém mais vai nos interromper.

-Fred? – Gina disse olhando para o irmão com a testa franzida – O que faz aqui?

-Eu também não sei. – Naty respondeu pelo ruivo que a fuzilou com os olhos, mostrando que aquela atitude dela começava o irritar profundamente – Mas não importa. May pode começar a explicar o que realmente aconteceu.

May respirou fundo e num gesto nervoso começou a balançar as mãos no ar, enquanto andava pela sala, de um lado para o outro, contando tudo o que acontecera com ela para Gina e Naty, atropelando as palavras, tamanha a sua velocidade.

No final de tudo, Naty se encontrava pasma, enquanto Gina e Fred estavam um ao lado do outro, os rostos sombrios e os punhos cerrados.

May engoliu em seco. Conhecia muito bem os Weasleys e quando algum deles estava completamente calado e sério, algo bom definitivamente não iria acontecer.

-Meu Deus, como eles foram capazes? – Naty disse ainda incrédula.

Gina deu um leve sorrisinho e empunhou a sua varinha assim como Fred.

-Meninas, fiquem aqui. – ela ordenou, antes de balançar a varinha no ar e abrir a porta.

-Voltaremos logo. – Fred avisou, acompanhando a irmã nos passos rápidos pelo corredor cumprido.

-Fred, eu vou acabar com o Jorge.

-Eu também, Gi!

Caminharam o resto do trajeto em silêncio, os olhos fixos a qualquer acontecimento a sua frente, os dois irmãos mergulhados em seus próprios pensamentos.

Quando chegaram a um corredor que se dividia em dois caminhos, Fred e Gina se entreolharam.

--Para a direita! – Gina exclamou.

Para a esquerda! – disse Fred ao mesmo tempo em que a ruiva, fazendo os dois suspirarem.

-Ótimo, não sabemos onde se meteu a sua copia ambulante. – Gina provocou o irmão, que riu sem humor.

-Ah, eu sei sim. – Fred afirmou, tirando de dentro de suas vestes o Mapa dos Marotos.

Gina arregalou os olhos, e antes que ela pudesse perguntar alguma coisa, Fred disse com um sorriso maroto:

-Eu peguei com o Harry ontem, para poder saber onde estava o Filch para eu poder colocar bombas de bosta na sala dele. – Gina riu com vontade.

-Você não toma jeito mesmo. Não quero nem ver se mamãe receber alguma reclamação sua e do Jorge. Já basta a briga de vocês dois, ano passado com a Umbridge, causando a saída de vocês de Hogwarts.

Fred fez uma careta, enquanto o Mapa dos Marotos ia se abrindo e revelando os caminhos do castelo.

-É, e depois de mamãe chiar nos nossos ouvidos tempos depois, ela nos obrigou a voltar para a escola.

-E aqui estão vocês, refazendo o sétimo ano – Gina voltou a rir, desta vez numa maneira mais maldosa – Seus repetentes.

-Cala a boca. – Fred gruiu, dando uma leve passada de olhos no mapa para logo o fechar. – Vem. – e sem esperar mais um segundo, começou a correr.

Gina acompanhou o seu compasso sem nenhum esforço, mesmo que as pernas do irmão fossem mais longas que a sua.

Gina fez uma nota mental para agradecer o Rony mais tarde, pelas brincadeiras de corrida que faziam quando crianças, aumentando assim o seu fôlego e a sua velocidade.

Não é a toa que sou uma ótima artilheira.

Subiram as escadas que levavam em direção ao sexto andar e virando no corredor pararam em frente a uma porta de uma sala abandonada, sem ao menos repararem que desde o começo do trajeto até ali, haviam sido seguidos por um certo loiro que naquele momento se mantinha escondido sobre as sombras dos cantos do corredor, somente esperando a hora certa para dar o seu bote.

Gina segurou a maçaneta da porta com firmeza e fazendo um gesto com a cabeça para Fred, abriu-a com força, fazendo esta bater com força contra a parede, fazendo um som oco e estridente zumbir pelos ouvidos deles.

Jorge, que se encontrava de frente para a janela, observando atentamente o jardim, virou-se bruscamente.

-O que vocês querem? – ele perguntou arisco, começando a caminhar em direção aos irmãos. – Saiam daqui, quero ficar sozinho. – Jorge estava preste a segurar o braço de Gina com força e arrancá-la dali a ponta pés. Mas Fred foi mais rápido, e segurou os pulsos do irmão com firmeza, e o empurrando o fez cair sentado contra uma cadeira.

-Não se atreva a agredir a nossa própria irmã, já não basta o que você fez com a May? – Fred exclamou num tom cortante de voz.

Gina fechou a porta e se virou para encarar os gêmeos, que se fitavam e modo quase selvagem.

-Vamos com calma aí. – pediu, colocando-se entre os ruivos – estamos aqui para esclarecer algumas coisas e não iniciar um campo de batalha.

Jorge se levantou da cadeira bruscamente, fazendo com que esta caísse para trás no chão, onde o som da madeira contra a pedra ecoou.

Fred ergueu ainda mais o queixo, de um modo convidativo para que o irmão viesse para cima dele. Mas Gina impediu o duelo de socos, pondo as mãos espalmadas no peito de cada um.

-PAREM! – gritou.

-Saia da frente Gina, por que ele ta pedindo. – Fred disse com a voz baixa, quase num sussurro, incrivelmente perigoso.

-Pode vir. – Jorge provocou.

-O que a May não fez com você, eu vou fazer com muito prazer! Covarde! Não posso acreditar o que você fez com ela.

Jorge deu alguns passos para trás, como se houvesse acabado de levar um soco no rosto.

-Eu só falei a mais pura verdade. – respondeu na defensiva, passando a mão pelas madeixas cor de fogo.

Ainda era capaz de sentir os músculos de seu corpo doloridos, graças ao tempo que ficou no chão paralisado, somente esperando para que o efeito de feitiço acabasse. Mas para o seu azar, ele não acabou tão cedo, fazendo com que o chão de pedra lhe perfurasse levemente algumas partes de suas costas.

Agora foi a vez de Gina se revoltar.

-Falar a verdade?

Voltando-se para Jorge com os olhos azulados mergulhados num brilho tão profundo, onde faíscas de ódio saltavam, ela falou rasteiramente:

-Falar a verdade? E desde quando você é verdadeiro consigo mesmo, Jorge? – perguntou, apontando a varinha para o rosto do gêmeo. – Aprenda uma coisa sobre o amor, maninho; Amar é sentir na felicidade do outro a própria felicidade.

Jorge engoliu em seco, sentindo a saliva descer por sua garganta como água quente, arranhando-a.

-O que você sente por ela não é amor, e sim um simples ego ferido! – Fred falou.

-E desde quando você sabe algo sobre amor, Frederic? – Jorge gritou com raiva, voltando-se de costas para os irmãos e andando até a janela.

Fred respirou fundo, tentando manter a calma e não ceder a vontade de bater a cabeça do irmão contra a parede.

-Eu tenho certeza que sei muito mais de amor do que você, Jorge. – Fred respondeu, a voz num tom mais suave, enquanto imagens dele e de Naty penetravam em sua mente, fazendo-o sentir pleno e sereno. Completo! – Eu amo de verdade alguém que me corresponde. Eu esperaria a Naty até o último dia da minha vida. Morreria por ela sem pensar duas vezes. E se ela fosse feliz ao lado de outra pessoa, mesmo que a dor de não tê-la ao meu lado fosse me fazer sofrer, eu num lado iria ser feliz também, somente de poder sentir o prazer de ver os olhos dela brilhando, os lábios contorcidos num sorriso, ou de poder ouvir a risada dela. – observou os olhos abatidos de Jorge pelo reflexo do vidro – Isso é o amor Jorge, o amor verdadeiro entre um homem e uma mulher. Mas o que você fez com a May? Senhor! Nunca pensei que você poderia ser tão baixo.

Jorge encolheu os ombros, sentindo o seu coração apertando contra o seu peito.

Gina aproximou-se de si e lhe tocou o ombro.

-Jorge, você fez uma imagem completamente errada da May. – disse suavemente – Você não ama ela meu irmão. Tem certeza que você não esta confundindo carinho fraternal com o amor? – e deixando essa pergunta no ar, Gina saiu da sala, balançando a cabeça de um lado para o outro.

Fred sorriu e também falou, antes de ir embora:

-Tem certas coisas na vida Jorge que temos que pensar muito bem, para não erramos e nos arrependermos no futuro. E o que você fez, tenho certeza que prejudicou a sua amizade com a May. Você perdeu uma grande amiga, fez com que todo o carinho, admiração e respeito dela por você fosse destruído. Só espero que consiga viver com esse peso.

Jorge ouviu o som dos passos dos irmãos irem se distanciando, fazendo com que se sentisse cada vez mais sozinho.

Tentou respirar fundo, mas o ar não chegava em seus pulmões.

Fechou os olhos e gemeu, enquanto encostava a testa na janela.

-O que eu fui fazer? – perguntou a si mesmo, sentindo-se o ser mais desgraçado do mundo.

Foi quando ouviu o som da porta, atrás de si. Sem se virar para ver quem era, falou:

-Vocês já falaram tudo o que tinham que dizer, agora saiam e me deixem sozinho. – pediu, crente que quem estava ali era Fred e Gina, mas a voz seca e rouca mostrou que estava enganado.

Os seus irmãos já disseram tudo o que queriam, mas eu não!

Jorge se virou rapidamente, fazendo com que seus olhos se encontrassem com as íris prateadas de Malfoy, que tinha o semblante contorcido numa forma incrivelmente perigosa.

-O que faz aqui Malfoy? Desapareça e me poupe de sua presença imunda.

Draco não disse nada, somente sorriu pelo canto dos lábios, fazendo Jorge ergueu uma sobrancelha. O que aquela maldita cobra iria fazer? Dar-lhe tapas na bunda?

E quando menos esperou, a sua pergunta teve uma resposta.

Tudo aconteceu muito rápido, e quando deu por si, já estava sentindo a dor do impacto do fortíssimo soco em seu rosto, jogando-o de encontro à parede e logo ir caindo em direção ao chão, deslizando suas pernas para frente de seu corpo, tombando como um banque.

-Esse foi pela May. – Draco vociferou, antes de acertar Jorge com outro soco do outro lado do rosto. – E esse... - deu os ombros – bem, esse foi por mim.

Jorge tossiu algumas vezes, antes de sentir um filete de sangue começar a escorrer pelo canto de sua boca.

-Escute bem o que eu vou te dizer, Weasley. – Draco falou, caminhando até a porta – Chegue perto da May novamente e eu acabo com você. - e sem dizer mais nada fechou a porta com força, deixando Jorge caído no chão, ferido, e sentindo-se mais só do que nunca.


Entrou em seu dormitório e caminhou até a sua cama com passos pesados.

-Quem ele pensa que é para falar daquela forma comigo. – Naty gritou nervosa – Que namorado eu fui arranjar.

Mesmo que não quisesse ceder, sabia que o jeito como Fred a tratara quando entrara naquela sala, a ferira. E sim, era estúpido, mas sentira ciúmes de ver ele abraçado a May com tanto carinho e duma forma protetora.

Suspirou fundo e deitou em sua cama, enquanto fitava o teto acima de si.

-Ah, Fred se você soubesse de como eu preciso de proteção. – falou, olhando para o lado e abrindo a gaveta de sua cômoda, de onde tirou deste um pequeno álbum de fotos.

Sentando-se na cama, Naty assoprou a fechadura que trancava o álbum, abrindo o fecho num passe de mágica.

-A primeira página – que estava um pouco amarelada graças ao passar dos anos - foi revelada; um homem e uma mulher abraçados sorriam, enquanto acenavam para ela.

Sentiu os olhos marejarem, e a página virou quando a primeira lágrima escorreu e pingou sobre o álbum. Agora era a foto de uma criança; uma garotinha com cinco anos correndo num campo atrás de uma borboleta amarela, toda suada e as maçãs das bochechas mais rubras do que nunca.

-Velhos tempos. – Naty disse a si mesma, virando a folha e sorrindo alegre ao ver ela mesma sentada no colo de um velho, que sorria amavelmente, os olhos azuis celestes brilhando incrivelmente enquanto tinha em seu colo a mesma menina da foto anterior. – Vovô! – Naty murmurou respirando fundo.

Fechou o livro e o guardou bem no fundo da gaveta, para logo o tampar com um pano preto, fazendo com que ambos se tornassem invisíveis.

Estava preste a se levantar quando o som de bicadas na janela chamou sua atenção.

Virando-se, observou uma coruja amarronzada tentando entrar no dormitório.

Correu até a pequena ave, e abrindo a janela permitiu a entrada dela no quarto. A coruja voou ao arredor do dormitório, antes de jogar em suas mãos uma carta e assim ir embora.

Naty ergueu uma sobrancelha, antes de ver a carta em suas mãos.

Gelou ao ler os dizeres;

De: Paul Lawcer

Para: Natalie

Com todo o meu amor!

Continua...