Capitulo 16: Amores Rompidos

Eu queria que esse sonho nunca tivesse acabado mas infelizmente, acabou.


Sentiu suas mãos ainda tremerem, assim como o restante de seu corpo.

Maldita carta, malditas palavras...

O ódio ainda percorria furiosamente pela sua corrente sanguínea.

-Por que ele não me esquece de uma vez por todas? Caramba! – exclamou irritada, as palavras que ele havia escrito ecoavam em sua mente, a atormentando.

Já havia passado tantas coisas terríveis na mão daquele crápula, por que, agora, depois de um bom tempo, o demônio tinha que reencarnar do inferno e voltar a atazanar a sua vida.

Tudo bem que não estava nas suas melhores condições de relacionamento com Fred, mas diferente de Paul, o namorado atual nunca ergueria a mão para ela e muito menos a obrigaria a deitar-se com ele.

Suspirando fundo, Naty passou a mão pelos cabelos, tirando os nós com a pontinha dos dedos.

Com a sua atenção para as madeixas escuras não viu que, ao virar no corredor, vinha alguém em sua direção também distraído; mãos no bolso e olhos fixos no chão. Fazendo assim que um encontro fosse impossível de não ocorrer. Os corpos tombaram e Naty sentiu um calor entrar entre os poros de seu corpo, quando braços fortes seguraram a sua cintura com uma delicadeza tão incrível, que ela não pôde deixar de sorrir levemente.

Só existia uma pessoa no mundo que a tocava daquela forma. Como se ela fosse um botão de rosa tão delicado que a qualquer toque bruto poderia desfalecer.

Como o gesto de segurá-la foi um pouco firme, a mochila que estava em seu ombro, caiu no chão esparramando seus cadernos, pergaminhos e penas ao arredor.

-Me desculpe. – a voz de Fred foi murmurada com cautela ao pé de seu ouvido, causando um tremor por todo o corpo de Naty.

-Não... Não foi nada. – ela pigarreou, quando os lábios do ruivo tocaram suavemente em seu pescoço.

Por que ele tinha que ser tão... Perfeito? A conhecer tão bem; saber os seus pontos fracos, o tom certo de voz para fazê-la derreter como um mel aquecido, e as partes de seu corpo que, quando tocadas por aquelas mãos quentes e firmes, a fazia estremecer.

Quando Fred a abraçava, a tocava, ou o que quer que fosse, Naty era capaz de ver as portas do mais belo paraíso se abrir diante de seus olhos. Era um sonho que a cada dia se realizava ainda mais.

Ela era feliz

As mãos do ruivo, que estavam aparadas em sua cintura, deslizaram com uma suavidade incrível, as pontinhas dos dedos tocando-a intimadamente até a sua barriga e assim começaram a uma busca avassaladora por alguma fresta dos botões em sua blusa.

Naty fechou os olhos e abriu a boca lentamente para permitir que um gemido rouco escapasse de sua garganta, quando Fred a prensou contra a parede do corredor e começou a desabotoar, lentamente, os botões de sua blusa, revelando um pedaço de sua pele a cada abertura.

Os olhos castanhos dele brilharam numa forma tão intensa, quando viu um pequeno pedaço do tecido branco de seu sutiã, que Natalie teve que prender a própria respiração quando ele lhe acariciou bem naquele local. Tocando-a, acariciando-a, clamando por ela. Não somente pelo seu coração, ou sua alma, mas sim pelo seu corpo.

-Na... ty...- a voz dele era entrecortada, e Naty suspirou quando os lábios dele se aproximaram ainda mais de seu ouvido, fazendo-a sentir um arrepio – Eu quero... Você.

Sorrindo, ela o abraçou com carinho, aconchegando-se àquele corpo quente e vibrante por sentir o seu.

-Eu te amo. – ela murmurou ao pé do ouvido dele, que a abraçou ainda mais com mais força, por debaixo da blusa, tocando em sua pele com aqueles braços.

-Eu também. – Fred afastou um pouco o rosto para poder encontrar o semblante da morena; que tinha um sorriso bobo nos lábios, as bochechas coradas e os olhos cerrados. – Olhe para mim, meu amor. Quero ver a cor dos seus olhos.

E assim ela o fez...

Os cálios negros e longos começaram a se erguerem, junto com as pálpebras, revelando aos poucos íris tão azuis como as águas marinhas.

Fred suspirou fundo e permitiu-se se perder naqueles turbilhões de sentimentos, enquanto Naty, ousadamente, ondulava o corpo contra o seu, fazendo-o gemer baixinho.

-Não me provoque. – ele avisou, sorrindo malicioso.

Naty o abraçou ainda mais e ficou na pontinha dos pés, de modo que seus narizes ficassem na mesma altura.

-Não estou te provocando – ela avisou com a voz baixa – Só estou dizendo que eu também te quero...

Fred franziu o cenho.

-Por que eu to achando que ainda tem um, mas, por ai.

Naty sorriu amarelo, e voltou a ficar com os pés o chão, de modo que agora seu nariz batesse na altura do queixo do ruivo.

Abaixando a cabeça, encarou o chão, envergonhada.

Fred sorriu e segurando o rosto da namorada pela pontinha do queixo a fez ergueu rosto para encará-lo.

-Jamais abaixe a cabeça para mim. – ele pediu – Não precisa ter vergonha, amor, pode falar.

Naty respirou fundo e rezou para que Fred não a achasse uma idiota.

-É que...- como ela iria falar para ele que não se sentia pronta em aprofundar a relação? Já havia dormido tantas vezes com Paul, sido dele, que a idéia de pertencer a Fred lhe deixava perfeita, pois estaria dormindo com uma pessoa que amava, mas... O seu coração pedia por aquilo, por aquele contato completo, assim como o seu corpo ansiava, mas, algo em sua mente a fazia hesitar, sentir um certo... Medo. – Eu...- umedeceu os lábios, antes de dizer de uma vez: - Fred, eu não me sinto pronta para deitar com você. Desculpe. – e assim escondeu o rosto no peito do ruivo, tentando esconder o seu rosto rubro.

Merlin, ela estava vermelha

Fred ficou sem reação por alguns segundos, antes de abraçar o corpo miúdo da namorada com mais força e assim rir.

Naty franziu o cenho.

Ele estava... Rindo? Não! Gargalhando, seria a palavra certa.

Fred flexionou os joelhos e fez com que seus olhos se encontrassem, e Naty podia dizer que, jamais vira tanto carinho, amor e acima de tudo, respeito nos olhos de Fred como naquele instante.

-Naty – ele falou seu nome como se este fosse o mais belo de todas as palavras de amor – Eu jamais iria cobrar algo dessa forma para você. – ele encostou a testa na dela, enquanto começava a abotoa-lhe a blusa – Eu te amo, e você me ama, não preciso de nada para que você me deixe sem fôlego – sorriu – O seu andar, os seus olhos, a sua boca, é tudo o que eu necessito para viver.

-Mas...

-Shhh. – Fred a calou, roçando o lábio no dela – Deixe-me terminar. Eu não vou te pressionar, e sim te esperar. Quando você estiver pronta venha falar comigo. Mas até lá eu só quero a sua companhia e o teu amor. – beijou-lhe a boca – Você é especial demais para mim, meu anjo, e ter o seu corpo, me perder nele, é algo que eu mais desejo, mas eu saberei esperar o momento certo.

Pulando nos braços do ruivo, ela permitiu que uma lágrima escorresse por seus olhos.

Ah, como queria esquecer seus medos, seus tremores e poder se entregar a Fred, ali, naquele momento.

Suspirou e beijou o namorado com carinho, acariciando seu rosto.

-Você é tudo, sabia? – disse, fazendo Fred sorrir.

-Sabia. – deu os ombros – Eu sou demais.

Naty fez uma carranca e se soltou do ruivo numa forma brusca, o empurrando de modo que parasse de prensar o seu corpo contra a parede.

-Idiota. – falou entre os dentes, brincalhona, agachando-se e começando a recolher suas coisas espalhadas pelo chão.

Fred colocou-se a sua frente e a ajudou a recolher suas coisas e quando as mãos se tocaram, sem querer, Fred a agarrou e puxou a morena para si, de modo que pudesse dizer em seu ouvido:

-Eu sei que você gosta. – ele sussurrou, sentindo o perfume de seus cabelos, antes de morder a sua orelha – E também sei que você não suporta isso – e antes que Naty pudesse ter chance de protestar, Fred a deitou no chão, deslizando suas mãos pelo quadril dela e irem subindo lentamente, até que os dedos começassem a roçar no seio dela, que gemeu, correspondendo o beijo com o mesmo ardor.

Mas de repente tudo aquilo não pareceu tão prazeroso e apaixonante.

Naty piscou os olhos quando começou a ver, dentro de sua cabeça, imagens em flash.

Fred beijava em pescoço, de modo que não podia ver a sua cara de nojo, enquanto as imagens continuavam a ecoar.

-Me larga! – ela havia gritado.

-Cala a boca sua putinha! – o homem exclamou exasperado, segurando-a pelos cabelos e a atacando contra a parede.

Naty agarrou os ombros de Fred com força e ali cravou suas unhas, jogando a cabeça para trás de modo que fazia uma prece para que o seu passado parasse de fluir em sua mente.

Fred sentiu a sua carne ser perfurada pelas unhas da morena e assim ergueu a cabeça a tempo de ver Naty começar a gemer baixinho.

-Naty? – ele chamou-a preocupado, abraçando-a com carinho e vendo o rosto dela ir se contorcendo em dor e repugnância. – Naty, fala comigo. – ela não abria os olhos, somente os mantinha fortemente cerrados.

-NÃO! – ela gritou de repente, começando a se debater – Não! Por favor. PÁRA!

-Vai dizer que você não gosta disso. – a voz conhecida de seu ex-namorado, Paul, cortou a escuridão do quarto que se encontravam.

-Por favor, pára... Eu... Não! – ela havia clamado, mas antes que pudesse dizer mais alguma coisa, o garoto lhe esbofeteou o rosto

-Fica quieta. Quietinha. – e antes que pudesse fazer alguma coisa ele lhe abriu as pernas e invadiu-a.

-Não! – ela continuou a gritar no colo de Fred, que se matinha desesperado.

-Naty, pelo amor de Deus! – ele exclamou assustado. Ela começou a se debater, levando as mãos ao rosto.

-Não me bata, por favor. Não me bata. De novo não!

-Te bater? – Fred repetiu com o cenho franzido, começando a sentir uma raiva inexplicável começar a lhe invadir.

Ah, se pegasse o filho duma figa que se atrevera a bater em Naty, com certeza ele não viveria para contar nenhuma historia.

Corria entre as ruas, suja, sangrando e sentindo-se o ser mais miserável do mundo.

Por que tudo aquilo tinha que acontecer com ela? Ela que jamais fizera mal a alguém.

Perdera sua casa, seus pais, e a sua dignidade de garota, e apenas com sete anos, havia se tornado uma mulher.

A repugnância em seu peito era avassaladora, assim como as sensações de terror que ainda percorria entre seu corpo, junto com as caricias tão indesejáveis.

Lágrimas escorriam por sua face toda machucada, enquanto debatia-se entre as pessoas que caminhavam na rua naquela hora da noite.

Enquanto o vento frio chocava-se contra algum hematoma em seu corpo, gemia.

Estava tão aturdia em seus pensamentos que ao virar a esquina não viu o velho senhor que vinha naquela mesma direção, fazendo com que os corpos se chocassem.

-Me desculpe...- pediu num sussurro – Eu... eu..

-Finalmente eu te encontrei. – o senhor disse, fazendo a voz rouca e arrastada a fazer erguer os olhos azuis e encontrar com os olhos da mesma cor que o seu.

-Quem é o senhor? – perguntou, vendo os olhos celestes do velho a sua frente se iluminarem ainda mais

Ela começou tremer em seus braços, e lágrimas escapavam de seus olhos, que ainda se encontravam cerrados, mas não com tanta força como antes.

De repente Naty ficou imóvel; os braços caíram ao lado de seu corpo, e ela cambaleou a cabeça para o lado, os cabelos negros sedosos caindo sobre o semblante pálido de boneca.

-Naty? – Fred a chamou, sentindo o corpo dela começar a ficar frio. Abraçou-a com mais força – Naty, abre os olhos. – pediu baixinho, encostando seus lábios na bochecha dela, sentindo-a começar a esquentar.

Suspirou aliviado, quando a viu mexer a cabeça e erguê-la.

Os olhos abriram-se lentamente e em poucos segundos as íris azuis dela estavam fixas nas suas castanhas.

Naty sorriu e ergueu a mão, podendo tirar uma madeixa ruiva da frente dos olhos do namorado.

-Meu Deus! – Fred exclamou exasperado, curvando-se sobre a morena e lhe roçando os lábios com os seus. – O que houve com você?

Naty engoliu em seco, antes de sair do colo do ruivo e voltar a guardar seus livros, penas e pergaminhos dentro de sua mochila.

-Nada! – respondeu com simplicidade, como se nada tivesse acontecido, dando os ombros.

Como poderia dizer a Fred que se lembrou de seu passado enquanto ele a tocava?

Era como dizer para ele nunca mais a tocar, e aquilo era a última coisa que ela queria.

O toque das mãos, o calor do corpo másculo, os lábios, os sorrisos e o brilho dos olhos. Tudo em Fred a encantava, e a cada dia que se passava, mergulhava mais fundo naquele amor incondicional.

-Como nada? – Fred falou escandalizado. – Naty...- segurou-a pelo pulso, a impedindo de pegar uma pena a poucos centímetros de seus pés.

Naty o encarou, hesitante, temendo o que ele diria em seguida.

-Como assim, nada? – Fred disse baixinho, pasmo, antes de segurar o pulso da namorada com mais firmeza, quando sentiu que ela tentava se afastar – Quem te bateu? – Naty abaixou a cabeça e num puxão brusco se soltou do ruivo e conseguiu guardar a pena. Seu coração estava arfante, em compasso sincronizado com o seu peito.

Por que Fred simplesmente não esquecia o que havia acontecido minutos atrás, calava a boca e a beijava de uma vez?

Suspirou e se levantou, ainda sem encarar o namorado, que continha os olhos de íris amêndoas fixas em si.

Fitou sua mão direita e sentiu o medo em seu peito se amenizar quando seus olhos se puseram sobre o anel de compromisso em seu dedo anelar.

-Já foi há muito tempo, Fred. – respondeu baixinho, podendo ver os punhos do ruivo se cerrarem e sentiu que os olhos dele haviam ficado frios.

-Eu não perguntei se foi ou não há muito tempo, quero saber quem foi! – Fred afirmou com a voz enganosamente calma.

Naty suspirou e sorriu para o namorado antes de ficar as pontas dos pés e assim lhe dar um beijo estrelado no canto dos lábios.

-Espere mais um pouco meu amor, que você logo saberá de tudo. De toda a verdade. – e deixando aquelas frases misteriosas no ar, Naty foi embora.

Merda, Fred pensou, vociferando a palavra dentro de sua mente, enquanto passava a mão pelos cabelos, revoltos.

Ah, se pegasse o filho duma mãe que se atrevera a pôr a mão em sua Naty.

Uma cena imaginária percorreu sua mente, onde mostrava Naty sendo espancada por um brutamontes.

A raiva dentro de si explodiu com tanta força, que Fred não conseguiu segura ro seu impulso de socar a parede.

-Ela quer que eu espere. – disse a si mesmo, em pura ironia.

Esperar? Por mais quanto tempo? Dias, meses... Anos?

Balançou a cabeça de modo desdenhoso e cansado, antes de respirar fundo e soltar o ar com calma pela boca.

Amava aquela morena acima de tudo, mas somente de pensar que ela...

-Chega! – se repreendeu, dando a volta nos calcanhares. Mas parou no meio do caminho, quando sentiu que pisara em algo, que imitiu um som de amasso.

Olhou para baixo e franziu o cenho ao ver que era uma carta.

Abaixando-se pegou o delicado papel e pôde ler os dizeres que fez o seu sangue ferver ainda mais, de modo que a veia em sua testa começou a pulsar.

De: Paul Lawce

Para: Natalie

Com todo o meu Amor!


Correu pelo corredor como se sua vida estivesse dependendo daquela rapidez.

A mala em suas costas era jogada de um lado para o outro na medida que virava no corredor, deslizando pelo chão como uma patinadora, e descia escadas aos pulos.

-O Seboso vai me matar. – dizia a si mesma, com uma careta – Mas por que foram me dizer só agora que o horário das aulas havia mudado? – bufou.

Ouviu passos logo a sua frente, mas não se importou de saber de quem era, somente abaixou a cabeça e passou reto.

Uma mão fria e firme segurou o seu braço, a fazendo tombar para trás com um banque.

Sentiu um corpo firme lhe segurar, impedindo-a de se machucar no chão.

-Olá, Virginia! – a voz fria de Draco penetrou nos ouvidos da ruiva a fazendo estremecer levemente.

Recompondo-se, ergueu os olhos e fez com que suas íris azuladas se encontrassem com as cinzas do Sonserino, que naquele dia pareciam mais escuras que o normal.

-Olá, Draco. – pondo-se na ponta dos pés, colocou sua mão no ombro dele e assim lhe cumprimentou com um beijo estralado na bochecha, fazendo com que o loiro ficasse desconcertado a ponto de somente alguns segundos depois corresponder o carinho tão afetuoso da amiga. – Quanto tempo.

-Isso é verdade, faz um bom tempo que não conversamos. – Gina sorriu marota.

-O que foi, Draquinho, sentiu saudades é? – provocou, fazendo Draco girar as orbes e lhe dar um sorriso amarelo.

-Saudades de você, Weasley? – riu sem humor – É mais lógico e conveniente eu ter saudades da unha da minha mão que eu cortei semana passada. – Gina fez uma careta de nojo, fazendo o Sonserino rir pra valer. – Estou brincando, Vi!

Gina balançou a cabeça e lhe deu um tapa no ombro.

Quando Draco Malfoy iria finalmente crescer?

Talvez já estivesse em amadurecendo, Falou consigo mesma, ao ver a tamanha dor e solidão que estava estampada nos olhos dele. Desde que ele e May haviam terminado qualquer laço afetivo, dificilmente ela os via sorrindo ou até mesmo conversando com alguém.

Draco e May viraram praticamente maquinas; acordavam, comiam, iam pra aula, almoçavam, iam pra aula, conversavam o mínimo possível, jantavam e depois, voltavam para os seus aposentos. E tudo isso sempre combatível no mesmo segundo.

-Mas então, me conte num tempo de – olhou para o relógio – dez segundos as suas novidades, se não o Snape vai arrancar a minha cabeça e dar para os urubus devorarem. – Draco deu os ombros.

-Não tenho muito que dizer, só para perguntar. – Gina respirou fundo já imaginando ao que ele estava se referindo.

-Então pergunte.

-Bem... Você sabe como... Está a... May? – bingo! Havia acertado em cheio.

Olha Draco pra começar, nos últimos dias ela emagreceu seis quilos por não se alimentar, anda pelos corredores como uma alma penada, sempre triste e quase nunca fala. Além do mais, as notas dela decaíram de uma forma tão forte que até mesmo a Mione ta feliz com isso, já que as duas sempre disputaram o primeiro lugar como melhor aluna de Hogwarts, e você sabe, a May sempre foi essa garota, deixando a Mi em segundo lugar. Agora no ponto afetivo, de como ela se sente com o rompimento de vocês dois... Hummm... Ela não me disse nada, mas só de olhar pra ela, percebe-se que ela esta um verdadeiro cabaço,Gina teve que morder a própria língua para segurar aquela chuva de informações em seu peito, e suspirando, disse a primeira coisa que veio a sua mente:

-Ela não esta muito bem não, Draco. – os olhos do loiro se iluminaram de esperança por alguns segundos – Mas também não esta tão mal.

Ele suspirou fundo e inesperadamente Gina pôde ver o verdadeiro peso morto que ele estava carregando dentro do peito que provavelmente estava o sufocando.

Com carinho, Gina o abraçou, de modo que o consolasse.

-Relaxe, tenho certeza que as coisas entre vocês vai se resolver em breve. – Draco passou os braços pela cintura dela e escondeu o semblante em sue ombro.

-Eu não sei, ruiva. – disse com a voz carregada de dor – Eu errei muito forte com ela. E o pior é um erro que eu faço a mínima idéia qual é.

Gina franziu o cenho e se afastou um pouco, de modo que pudesse fitá-lo.

-Como assim?- perguntou. Daquela parte não sabia. Tinha plena consciência que de ele e May haviam brigado, e por um motivo bastante forte, mas agora descobrir que nem mesmo Draco sabia onde errara era novidade. Definitivamente, teria que ter uma conversa muito séria com May!

-Não sei ao certo, Gi, mas acho que seria melhor você ver isso com ela. – Draco disse cabisbaixo.

Gina passou a mão pelos cabelos platinados e se afastou.

-Pode deixar que eu vou fazer isso sim, Draco. – ele sorriu.

-Bem, pelo menos mostra que você vai servir pra alguma coisa Weasley. – falou brincalhão.

Gina fez uma careta antes de proferir entre os dentes:

-MALFOY! Vai se fu...- parou bruscamente de falar quando sentiu uma pontada sem eu peito, de repente, a fazendo gritar. – Aaaaah! – a mochila deslizou pelo seu braço e caiu no chão, enquanto suas pernas perdiam a força.

Draco agiu rápido, e num reflexo segurou Gina nos braços, sacudindo-a levemente, observando-lhe o doce semblante se contorcer em dor.

-Virgínia, fala comigo, o que está havendo? – perguntou preocupado, enquanto ela continuava a se contorcer.

-Ah! – arqueou o corpo para cima e mais um grito lhe escapou da garganta, ecoando pelo corredor frio e vazio.

Seu corpo tremia e sua pele começou a ficar fria, mas estranhamente, sua testa fervia numa febre altíssima.

Seu peito se apertava e como das outras vezes, Gina sentiu aquela sensação horrível lhe invadir a garganta. Um liquido frio e viscoso, deslizando dentro de si como uma cobra rastejante.

Não conseguia respirar e tudo ao seu arredor se encontrava embasado. Os chamados de Draco se encontravam distante e tudo o que ela podia ver era uma luz diante de seus olhos, como se sua hora houvesse chegado, e naquele momento, sentindo seu peito doer como se tivesse sendo pisoteado, seu corpo estremeceu de frio e sua pele parecia que estava sendo perfurada, ela deseja muito que tudo aquilo acabasse e se fosse a vontade de Deus, a levasse para outro mundo.

Mais uma pontada forte em seu peito a fez gritar novamente, e desta fez seu corpo começou a ter convulsões, onde Draco se viu obrigado a ter que ajoelhar no chão, e fazendo o corpo de Gina se aconchegar ao seu, numa forma protetora.

-Gina, por favor...- ele pediu baixinho, vendo o rosto dela pálido, os lábios roxos e as pálpebras dos olhos cerradas com força – Fala comigo.

Gina continuou a tremer involuntariamente, os gritos a serem expelidos e o corpo cada vez mais pálido e gelado.

Gotas de suor começavam a deslizar pelo rosto quente dela, e se perderem em alguma parte daquele corpo tão delicado.

Draco estava tão absorvido do que estava acontecendo com a amiga, que não percebeu a aproximação de uma pessoa.

-Dra...co...- Gina o chamou com a voz entrecortada. – me...a...ju...da. Dói...- disse num fio, antes de voltar a arquear o corpo com força e arregalar os olhos, onde as íris escuras mostravam uma dor tão grande que fez Draco começar a se apavorar.

Inclinou-se sobre ela e lhe falou com os lábios encostando nos dela, numa forma gentil.

-Eu vou te ajudar sim, Gi.

Mesmo com dificuldade, Gina sorriu. Um sorriso amável e que mostrava o tanto que ela confiava nele.

Draco a abraçou e sentiu-se feliz ao ver que com dificuldade, Gina havia o enlaçado pelo pescoço.

Estava começando a se ergueu quando a voz de Harry chegou em seus ouvidos.

-O que você esta fazendo com ela, Malfoy? – Draco ergueu os olhos a tempo de ver Harry se aproximar como um leão enfurecido. Os olhos verdes brilhavam como duas jades em chamas, e os lábios estavam oprimidos numa linha fina e séria.

Gina ouviu a voz do melhor amigo de longe, onde fora o suficiente para amenizar toda a sua dor.

Sorriu levemente, enquanto seu rosto ainda continuava escondido, já que estava com ele afundado no peito de Draco, que a apertou ainda com mais força entre os braços fortes e musculosos.

-Estou preste a jogar a sua adorável amiguinha pela janela, Potter. – Draco disse ironicamente, erguendo-se, carregando Gina, que não se movia mais.

-Solte-a agora mesmo. – Harry exclamou, indo em direção ao loiro com rapidez e parando a sua frente. Olhou para Gina e viu que ela estava pálida. Na mesma hora sua expressão carrancuda e brava modificou para uma preocupada. – Meu Deus, Gina! - chamou-a, pondo a mão na testa da ruiva, onde suava.

Arregalou os olhos ao ver que ela estava ardendo em febre.

-Ela tem que ir para a Ala Hospitalar agora mesmo, mas com você na minha frente isso fica impossível. – Draco falou, insinuando que Harry estava bloqueando a sua passagem.

Harry o fuzilou com os olhos e num gesto rápido, arrancou a ruiva dos braços do sonserino.

-Vá para o seu ninho de abutres, Malfoy, e deixe que eu a levo. – e sem dar chance para o loiro responder, Harry deu a volta nos calcanhares, e com passos rápidos e largos, encaminhou-se até a Ala Hospitalar.

Gina gemeu baixinho, e esfregou o rosto na blusa branca do moreno, umedecendo-a.

Ela o abraçou com força, num gesto tão meigo e manhoso que fez Harry sorrir levemente. Ela não havia abraçado Malfoy daquele jeito tão intimo, como estava fazendo com ele agora.

Encostou sua bochecha na testa dela, medindo a temperatura, que havia aumentado.

-Por Merlin, Gi, o que está havendo com você? – ele perguntou baixinho, lhe dando um beijo na testa.

Gina respirou com dificuldade, o peito subindo e descendo com ritmo lento e pesadíssimo, antes de, num suspiro, o chamar docemente.

-Harry...

Harry sentiu seu coração se apertar numa dor e preocupação tão grande, que ele mesmo temeu começar a passar mal ali.

Mas o ódio ainda percorria seu corpo. Somente de rever a cena de Gina nos braços de Draco, um sentimento tão forte e intenso que ele não sabia descrever, fazia as veias de seu corpo pulsarem, como se a qualquer momento fossem explodir.

-Harry...- Gina voltou o chamar, agora entreabrindo os olhos. As mãos dela deslizaram de trás de sua nuca e se colocaram sobre seu peito. – eu... não... sei... o... que... es...tá... aconte...cendo... co...migo.

Ele a fitou, os olhos contorcido em dor e angustia ao pensar o que poderia estar acontecendo com a sua melhor amiga.

-Iremos descobrir, Gi. – garantiu com a voz confiante, já se aproximando da Ala. – Mas, por favor, continue falando comigo, não feche os olhos. – e num murmúrio disse, ao pé do ouvido dela - Continue aqui comigo.

Gina suspirou com dificuldade e se aconchegou melhor a ele, os olhos fixos em seus lábios que estavam contorcidos num sorriso confiante.

-Tudo vai ficar bem. – ele garantiu, já entrando na Ala – Madame Pronfrey! – gritou pela curandeira, que em questão de segundos, apareceu.

-O que está acontecendo aqui, Senhor Potter? – ela perguntou, olhando para Gina que ainda estremecia. – Meu Deus, coloque-a aqui nesta cama imediatamente.

Harry obedeceu às ordens e quando o fez, pôs-se ao lado de Gina, lhe segurando a mão.

A velha Senhora começou a olhá-la, pondo a mão em sua testa e logo medindo a pulsação de seu pulso.

-Esta muito baixo. – ela exclamou.

E pela primeira vez, Harry viu medo nos olhos da curandeira que mostrava não saber, direito, o que fazer.

Harry engoliu em seco, e apreensivo perguntou:

-Ela vai ficar bem, não é? – Tem que ficar!

Madame Pronfrey o encarou, os olhos mergulhados numa preocupação eloqüente.

-Por favor, Potter, saia daqui, preciso cuidar da Senhorita Weasley que, com você aqui, isso ficará impossível.

Mas nem por tortura Harry pensou, cerrando os olhos e se pondo mais próximo de Gina, as mãos dela entre as suas.

-Não mesmo. – exclamou, erguendo o queixo – Não irei deixar a minha melhor amiga aqui, sozinha, com uma velha que nem ao menos sabe o que fazer.

A curandeira pareceu ficar escandalizada por ouvir aquilo.

-Saia! – gritou, apontando a porta com o dedo indicador.

Harry estufou o peito.

-Não irei sair! Agora, mexa-se e faça alguma coisa!

-Potter, se você não sair, terei que chamar algum professor ou até mesmo Dumbledore. – Harry sorriu sarcástico pelos cantos dos lábios, e um brilho sádico percorreu seus olhos.

Ergueu ainda mais o queixo e em desafio, disse com pela calma:

-Pode chamar, mas nada vai me tirar de perto da minha amiga! – Gina gemeu novamente, o fazendo se curvar sobre ela e lhe tirar os fios ruivos do rosto. – Gi... Meu anjo, fala comigo, o que está havendo?

Ela abriu os olhos lentamente, e quando suas íris se encontraram, ela sorriu, e erguendo a cabeça, Gina lhe deu um leve selinho, não se importando com a presença de Madame Pronfrey, que ao ver aquilo arregalou os olhos.

-Harry...- voltou a beijá-lo levemente. O corpo de Harry temeu a aquele contato, e estranhamente sentiu algo serpentear o seu corpo. Aquele gosto...- Que bom que você está aqui.

Harry ergue os olhos e fitou a curandeira com vitória.

-Ouviu isso? Ela está feliz por eu estar aqui!

Pronfrey bufou e avisou com desdém.

-Você tem cinco minutos, depois disso Potter, quero o ver fora daqui, se não terei que o estuporar! – e assim, saiu.

Voltando-se para a ruiva, o moreno, disse, com a voz carregada de doçura e preocupação.

-Gi... Como está se sentindo? – ela riu sem humor.

-Ótima! Nunca me senti tão bem. – Harry sorriu.

-Isso é um bom sinal, já que você não perdeu esse seu senso de humor, péssimo.

-O seu também não é um dos melhores.

-É, nisso você tem razão – Harry falou dando os ombros e deitando-se ao lado da amiga, de modo que seu braço pudesse pousar sobre a barriga dela e sua cabeça entre aquela cascata de madeixas cor-de-fogo, onde o perfume doce o fez se arrepiar.

-O que está acontecendo comigo, Harry? – Gina perguntou depois de um tempo em que os dois ficarem em silêncio, somente apreciando a presença um do outro.

Harry lhe beijou os cabelos, e a trouxe ainda mais para perto de si, as pernas entrelaçando uma nas outras.

Ele não pôde deixar de engolir em seco, ao notar que a saia do uniforme que ela usava, havia deslizado ainda mais para baixo, deixando a amostra uma boa parte daquelas pernas bem torneadas e lisas.

Tarado, Cafajeste, Galinha! Pervertido! Sua melhor amiga aí, doente, e você pensando em levá-la para a cama. Sua mente gritou, fazendo-o voltar ao presente.

-Eu não sei, Gi, Madame Pronfrey pediu para eu sair pra poder te examinar, mas eu não obedeci. – Gina balançou a cabeça.

-Eu estou mal, Potter, mas não surda a ponto de não ter ouvido os berros de vocês dois. Se um dia eu tiver que contar com você para me deixar sozinha por um momento, pra que os médicos me examinem, estou ferrada. Irei morrer na certa!

Harry estremeceu com aquela idéia.

-Jamais diga uma cosia dessas. – falou numa exclamação alta, pondo-se sobre os cotovelos e olhando Gina com os olhos brilhando numa fúria que ela nunca tinha visto antes. – Jamais repita uma coisa dessas. – a abraçou – O que será de mim sem você?

Gina sorriu e correspondeu ao gesto amável.

-Eu não sei o que será de você, Harry, mas espero que sem mim, você não faça nenhuma besteira, mesmo que isso seja meio impossível.

-Meio?

-Ta legal, mesmo comigo aqui, você já faz coisas idiotas.

Harry lhe deu um beliscão na barriga.

-Hei, mocinha! Eu não faço coisas idiotas. Além do mais, sem você aqui no meu lado, me responda: que razão para viver eu teria?

-Eu não sei, talvez a sua razão seja graças à garota que um dia você venha a amar.

Harry riu.

-Desculpe Gi, mas eu não pretendo amar nenhuma garota. Meu coração é somente meu, e eu não pretendo entregá-lo a nenhuma garota. Sendo que o amor não é algo que eu acredite, algo que eu realmente acho que pode acontecer comigo, também, ele é para idiotas.

Gina arregalou os olhos.

"-Mas... Mas... E a Dama de vermelho? – ele deu os ombros.

-Eu não estou apaixonado por ela, todo aquele drama foi pra ver se eu consigo chamar a atenção dela. Na verdade, minha querida amiga, eu só quero terminar com ela o que começamos no baile. – e dando uma piscadela para a ruiva, a fez entender que ele queria somente dormir com aquela garota misteriosa.

Aquilo foi como uma facada no peito de Gina, que voltou a ter a mesma dor no peito como se tivesse sendo pisoteada, mas tentando esconder aquele sofrimento, virou o rosto e com a voz embriagada falou bruscamente:

-Por favor, Harry, saia!

Harry franziu o cenho, não entendendo a repentina mudança de humor da amiga.

-Gi, o que...

-Saia! – ela gritou em plenos pulmões, sentindo algo lhe invadir a boca.

Ele estava preste a protestar, mas naquele momento Madame Pronfrey acabara de voltar.

-Não a ouviu Potter? Saia!

Harry deu mais uma olhava em Gina, que continuava com o rosto virado para o outro lado, o impedindo de lhe ver o semblante. Olhou para a curandeira e com a cabeça baixa, saiu, mas antes disse:

-Eu volto mais tarde.

Gina cerrou os olhos com força ao sentir aquela angustia toda tomar conta de si.

Ele quer somente levar a Dama de Vermelho para a cama. E eu pensando que pudesse ter finalmente, conseguido conquistá-lo, Pensou, aquela mesma frase ecoando em sua mente, a fazendo latejar.

Era como se tivesse caindo num abismo sem fim, onde aos poucos uma tristeza, solidão e magoa tão grande ia aos poucos a consumindo, como as chamas do verdadeiro inferno.

-Eu não acredito! - Disse a si mesma, num baixinho ruído.

-Gina, querida, eu já volto, irei buscar os remédios e os instrumentos para ver o que você tem. – Madame Pronfrey falou, vendo que naquele momento a garota estava precisando ficar sozinha, mergulhada na própria privacidade.

Não posso acreditar nisso, Gina pensou consigo mesma. Idiota. Como você é idiota garota!

Como Harry poderia ter sido capaz de fazer uma coisa daquelas. Algo tão... Baixo?

E isso só a fazia pensar e aumentar ainda mais a sua lista de: motivos para não se deixar iludir por um homem

O filho duma mãe – para não dizer coisas piores, onde naquele momento, estavam entalados em sua garganta, gritando para serem liberadas -, provavelmente não estava beijando nenhuma garota há muito tempo – pelo menos, foi isso o que Harry lhe garantiu, e com certeza estava fazendo aquilo com um enorme sacrifício – para que aquela tal, Dama de Vermelho, visse que Harry Potter, o garoto mais galinha, cachorro, cafajeste e lindo, de toda Hogwarts, havia mudado as caras e finalmente se encontrava; comportado, galanteador, e por milagre: fiel!

-Maldito! – Gina urrou com uma raiva contida em seu tom de voz cortante e gélido. Bateu o punho cerrado, com força, contra o colchão da cama, fazendo esta tremer, antes de levar a mão aos olhos úmidos pelas lágrimas, que teimavam em escorrer.

-Não se atreva a chorar! – disse a si mesma, os dentes errados, num aviso perigoso.

Havia acreditado cegamente que poderia ter feito Harry se apaixonar. Mas ele mostrou-se ser mais ágil e inteligente, pois conseguiu enganar a ela; com aqueles olhos brilhantes, aquela voz rouca, e aquele ar sonhador, mas na verdade, não passava de simples fachada.

Deus! Ele havia mentido para ela. Sua melhor amiga

Engoliu a vontade de gritar em plenos pulmões, para que todos os animais da Floresta Proibida pudessem a ouvir. Compartilhar a sua dor, a sua angustia e principalmente a sua raiva de ter se deixado levar novamente por aquele maldito amor. Aquele coração traiçoeiro que tinha dentro de si, batendo descompassado.

Desvendou seus olhos, e olhou fixamente para o teto branco da Ala Hospitalar, como se fosse capaz de fazer este desmoronar num estrondo. Seu peito subia e descia num ritmo acelerado, arfante, pesado como a respiração de um leão faminto.

Suas mãos estavam cerradas com tanta força que começava a se ferir com as unhas. Mas Gina não sentia dor de ter suas unhas penetrando em sua carne. O que sentia era uma dor ainda maior, uma dor que passava por sua carne, martelava o seu coração e logo corroia a sua alma. Sua sanidade!

-Vamos ver, Potter, se você conseguira levar a Dama de Vermelho para a sua maldita cama. – um sorriso sarcástico curvou-se no canto de seus lábios – Vamos ver se você realmente é feito de aço, e não se apaixona.

Umedeceu a boca com a pontinha da língua, antes de estremecer.

Maldição!

O gosto da boca de Harry ainda estava ali, queimando, ardendo, e relembrando-a de todas as sensações de prazer, plenitude, de todos os gemidos e toques, que ela e o morcego-sangue-suga, haviam compartilhado, juntos, na noite do Baile.

Aquela noite

À noite onde pela primeira vez Gina se sentiu desejável, sensual... Mulher! E tudo aquilo, ela descobriu com Harry. As mãos deles tocando em eu corpo, a boca dele em sua pele, e mordiscando com vontade a sua língua.

Um gemido baixinho escapou de sua garganta a fazendo balançar a cabeça e voltar ao momento presente.

Que Harry queimasse no mármore do inferno!

Olhou para os lados e contestou, aliviada, que Madame Pronfrey ainda não voltara e assim, num gesto rápido, afastou as cobertas e jogou as pernas para fora da cama.

-Não vou ficar aqui, vegetando. Estou me sentindo muito bem, e aquela velha não vai espetar o meu traseiro com aquela agulha de cinco centímetros. – prendeu seus cabelos num coque no alto da cabeça, arrumou a sua blusa e a saia longa do uniforme, que lhe caia na altura dos joelhos. Logo se abaixou e arrumou as meias furadas e os sapatos já gastos.

Já ia voltar a se erguer quando ouviu a porta da Ala se abrir.

Oh droga, Falou consigo mesma, e num momento de loucura, Gina se jogou no chão, e se escondeu em baixo da cama ao lado da que estava deitada.

Fez uma prece rápida para que não a achassem.

-Gina? – a voz de Rony se fez ouvida, no momento que a ruiva pôde ver o irmão passando por si, olhando para todos os lados num gesto preocupado.

-Ela não esta aqui, Mi.- ele disse, virando-se para a morena que estava atrás dele.

-Mas que estranho, Harry disse que ela estava aqui.

-Parece que ele se enganou.

-Impossível, quando se trata da Gina, o Harry jamais se engana. Você sabe como ele ama a sua irmã. – Ah, sim me ama tanto que me machuca, que me humilha e me faz de tonta. Por que ele não me ataca na parede, e me chama de lagartixa, Gina teve vontade de gritar, mas preferiu ficar quieta.

-Bem vamos embora Rony, se a Gina esteve aqui a Madame Pronfrey já deve ter dado alta nela.

-É, talvez você tenha razão.

-Eu sempre tenho razão Ronald! – Hermione provocou, segurando o namorado pelo braço e saindo da Ala.

Quando a porta foi fechada, Gina engatinhou e se pondo de joelho, esticou os olhos por cima da cama, vendo que o seu caminho estava livre.

Suspirou e finalmente se levantou.

Tirou a poeira de suas vestes e começou a caminhar até a porta da Ala.

-Mas que lindo, Harry se preocupa comigo. – disse irônica, pronta para a tacar a cabeça para trás e soltar uma sonora risada fria, mas o som da porta se abrindo novamente a impediu.

Gina arregalou os olhos e vendo que não poderia mais voltar para a sua cama, olhou para os lados e sem pensar, jogou-se no chão, deslizando pelo piso branco da Ala, como um peixe dentro de água.

-Maldição, eu não tenho freio. – exclamou, vendo que iria bater contra a parede. E foi isso o que aconteceu.

Sua cabeça se chocou contra a parede fria e dura, a fazendo soltar um grunhido de dor.

-Ai! - Levou a mão ao cocuruto e suspirou ao ver que um galo já começara a se formar. - Droga!

-Gina? – a voz de May se fez ouvida a suas costas, fazendo a ruiva olhar por cima dos ombros e fitar as duas amigas, que a fitavam como se ela fosse uma louca.

-O que você esta fazendo ai no chão? – Naty perguntou, erguendo uma sobrancelha.

A ruiva deu um sorrisinho amarelo e meio desengonçada se levantou.

As morenas ainda a observavam, os olhos arregalados pela surpresa.

-Eu... Eu... Eu pensei ter visto uma barata e fui conferir. – May cruzou os braços.

-Você viu uma barata e teve a brilhante idéia de ir conferir? – Gina assentiu – E se fosse realmente uma barata, o que você iria fazer?

-Pegar ela na mão e começar a brincar com ela? –Naty sugeriu, rolando os olhos azuis.

Gina corou e deu os ombros.

-Olha meninas não temos tempo, vamos sair logo daqui antes que a Pronfrey volte e me faça tomar aqueles remédios enormes e...

As amigas assentiram com a cabeça e disseram em uníssono:

-A agulha! – Gina balançou a cabeça e pegando as duas pelo braço, as arrastou para fora da Ala Hospitalar.

-Calma Gininha, não tem que arrancar o meu braço. – May protestou.

-Shhh! - a ruiva exclamou, mexendo as mãozinhas e os pés para que as amigas não falassem nada. – Aqui não, vamos para a nossa sala.

May e Naty se encararam pelo canto dos olhos e dando os ombros seguiram Gina.

Correram pelos corredores, e subiram as escadas em dois e dois degraus.

Chegara na sala e sentaram-se nos sofás, perto da lareira que se encontrava apagada.

Mas as janelas estavam abertas, permitindo a entrada à brisa fresta e dos raios calorosos do Sol.

-Então Gina nos conte, o que houve? – Naty perguntou.

Gina suspirou e olhou para as próprias mãos, repousadas em seu colo, como uma criança com medo de revelar algo que não deveria.

May bufou.

-Virginia, agora! – a ruiva teve um sobressalto e respirando fundo, disse tudo o que havia acontecido, desde o momento que havia encontrado Draco – onde fez com que May fazer uma grande careta e bufasse novamente – até o momento que Harry lhe revelou tudo.

No final, tanto Naty como May, já estava se encaminhando para a porta.

-Eu vou matar aquele frango. – Naty urrou, enquanto May sorria venenosa e estralava os dedos das mãos.

-Finalmente os Deuses atenderam as minhas preces e agora poderei estrangular aquele boyzinho-metido-a-cicatrizes.

Gina deu um salto da poltrona que estava sentada e se pôs, na agilidade de um felino, na frente das amigas, impedindo a passagem delas.

-Não meninas, por favor. – pediu, suplicante.

-Gina, eu não acredito que você ainda vai defender aquela mula. – Naty disse, atônita.

-Olha, querida, eu sei que você gosta dele, mas... Não acha que já ta na hora de mudar esse seu péssimo gosto? Por exemplo, o Brian da Sonserina, aquele garoto maravilho, é apaixonadíssimo por você. – May falou com arrogância.

Gina negou com um gesto de cabeça.

-Eu adoro o Brian, May, mas não dá para ficar com ele, seria como se eu tivesse beijando qualquer um dos meus irmãos. – as amigas torceram os narizes – E... Eu quero dar no Harry uma lição que ele jamais esqueça, uma lição que o faça ficar louco por mim, e se arrependa por cada palavra que me disse hoje na Ala Hospitalar. Eu quero da uma lição nele do mesmo nível, entende? Quero jogar verde para colher maduro.

Naty cerrou os olhos e coçou o queixo, pensativa.

-Você quer que ele descubra que pode se apaixonar? – perguntou, fazendo a ruiva assentir – E, principalmente, por você? – assentiu novamente.

May bufou.

-Isso é loucura! Gina pensa, o Harry não tem coração, ele nasceu galinha, e vai morrer cafajeste! Esse tipo de homem não leva jeito, e se leva é por meios de umas boas porras, e isso, meu anjo, eu posso dar a ele com muito, mas muitoprazer.

-Ninguém vai bater em ninguém aqui May, e ponto final! – Gina exclamou, já começando a se alterar.

Caramba, será que a índia jamais iria perder aquela fixação em bater no Harry?

-E você não acha que já não esta na hora de você parar de odiar o Harry? – Naty perguntou, dando a volta nos calcanhares e voltando a se sentar. As outras a imitaram.

May girou os olhos e num gesto nervoso passou a mão pelos cabelos.

-Quantas vezes vou ter que repetir: eu não odeio o Potter, só não suporto olhar pra cara dele. E eu já te falei Gi – ela apontou o dedo pra ruiva – naquele seu poema que você mandou pra ele no seu primeiro ano, no lugar de: Teus olhos são verdes como sapinhos cozidos. Tinha que ser:Tua cara é como o de um sapinho cozido

Gina e Naty se contorceram de rir, e May em pouco segundos as acompanhou naquela explosão de gargalhadas, onde as fizeram chegar a ponto de chorar.

-Okay, May, no próximo poema eu escrevo isso para o Potter, e ainda complemento: Teus cabelos negros como uma carie em meu dente. Queria que tu fosses a abóbora do meu suco garoto rabanete. Herói que tem mais vidas do que um vestruz.

As amigas bateram palmas.

-Lindo, Gi! – Naty exclamou.

-Magnífico! Se quiser, eu até faço questão de entregar a ele. – Gina deu uma piscadela para a índia.

-Não será preciso, May. – Gina sorriu e começou a enrolar uma mecha de seu cabelo no dedo – Mas, me ajudem a pensar o que iremos fazer pro Harry tomar na cara, se arrepender de ser tão filho da mãe?

May e Naty sorriram venenosas, e olharam para ela de modo quase selvagem. Os olhos das amigas percorreram seu rosto, e logo o seu corpo até os pés, para logo voltarem a subir e encontrarem os seus olhos.

No momento em que os sorrisos das duas aumentaram ainda mais, Gina percebeu onde elas queriam chegar.

-NEM POR MILHÕES DE GALEÕES! – gritou, levantando-se do sofá num salto. – Não, mesmo. Não, não e NÃO!

-Ora, por que não Gi? Você arrasou no Baile, e fez todo mundo babar. – Naty disse com simplicidade.

-Além do mais, na lista do Jornal, você ficou em primeiro lugar, sendo que ninguém viu o seu rosto. – May argumentou.

Naty virou-se para a índia com um sorriso vitorioso.

-Eu fiquei em segundo, acima de você. – May olhou pra ela com as íris escuras faiscando de ódio.

-Cala a boca! – May urrou entre os dentes, voltando sua atenção para Gina, que engoliu em seco. – Vamos tentar Gi, por favor!

-Não, May, não! – ela voltou a dizer com firmeza na voz – Não irei mudar o meu visual, e muito menos os meus modos de andar, de falar. Já mudar pro Baile foi um sacrifício.

-Mas bem que você gostou de abafar daquela forma. – Naty provocou, e May sorriu, erguendo uma sobrancelha em desafio.

Gina engoliu em seco.

Tudo bem que ter todos os olhares voltados para si, os garotos fazendo comentários desde educados, surpresos á eróticos, foi bastante gratificante.

Até mesmo Harry havia ficado abobado, com a sua reviravolta.

Mas, mudar... Permanentemente?

Brian gostava de si como ela era, então... Harry também poderia vir a se apaixonar por si, sendo do jeitinho que é.

Pára de pensar naquela cabra. Você fará Harry se apaixonar por si, e provar do próprio veneno mas não se atreva a se derreter por ele. Esqueça-o, Sua mente gritou, fazendo-a soltar um leve gemido e voltar a se sentar no sofá, caindo sobre a confortável almofada como um baque.

-Então Gi? – Naty disse, sentando-se ao seu lado e a abraçando pelos ombros, carinhosamente.

Gina suspirou.

-Vamos dar mais um tempo, está bem? Vamos esperar para ver o que acontece, e aí... Eu decido! – May sorriu de orelha a orelha.

-Tá legal, mas se você mudar de idéia, ainda está de pé a minha ajuda de quebrar a cara dele!


Entrou em qualquer sala escura que viu a sua frente, e sem demora, sentou-se no parapeito da janela envidraçada, onde com a luminosidade do dia, poderia ler a carta em suas mãos, que estavam tremulas.

Começou a suar frio, e respirando fundo, pegou a delicada folha dentro do envelope perfumado e a abriu, para logo começar a lê-la:

Querida Naty,

Você deve estar se perguntando como tive a cara de pau de estar te escrevendo essa carta. E eu não poderia esperar outro pensamento além desse. Também, não estranharia se você nem chegasse a lê-la. Mas eu te conheço, e sei que sua curiosidade de saber o que eu tenho a te dizer, irá falar mais alto.

Pois bem... Vamos lá.

Naty, meu amor, eu sei que isso pode soar um tanto grotesco, ou estranho, mas eu realmente sinto muito pelo que te fiz, e estou aqui te pedindo desculpa. Mas, desculpas, não pela surra que eu te dava, pois algumas você realmente mereceu. Desculpas, não pode ter tantas vezes te levado pra cama sem você querer, mas eu sei que no fundo você queria, pois era apenas um cu doce de sua parte. Mas eu estou aqui, te pedindo desculpas por ter te ameaçado todo esse tempo em que ficamos juntos.

Sim querida, ameaçado a contar a todo mundo o seu passado, o seu segredo. Eu sei, você confiou em mim e eu desperdicei essa sua confiança, e por isso peço que me perdoe.

Não deveria ter feito o que fiz, ou o que falei.

Mas também tenho umas boas pra te dizer, Natalie...

O que você viu naquele ruivo pobretão? Meu Deus, o cara provavelmente nem deve saber comer com talheres. E provavelmente também não deve saber nada sobre você. Você deve estar se perguntando com eu sei de tudo isso; simples. Eu te conheço, querida. Sei o que passa na sua cabeça, sei o que você gosta, do que você não gosta; conheço o teu corpo como ninguém, sei como te dar prazer, e acima de tudo, sei tudo sobre a sua vida, o seu passado. Sei a sua história! E o seu lindo segredinho, que aquele Weasley pobretão nem deve imaginar o que seja.

Diga-me, querida, ele é tão bom de cama como eu? Ele sabe te beijar tão bem, quanto eu te beijava? Aposto que não. E sabe por quê? Porque aquele caipira não te conhece!

E eu quero ser o primeiro a ver a cara daquele idiota ao saber de tudo. Ao saber o que eu fazia com você... Ou melhor: o que você chegou a fazer. Quando ele souber, Naty, será que irá continuar te amando? Pois, para falar a verdade, quando você me contou, eu quase senti vontade de vomitar em cima de você.

Mas tudo bem, isso são magoas passadas, e eu sei que você me perdoa Naty. Mais que isso, eu sei que você ainda me ama. Deve estar somente com aquele Weasley por interesse – mesmo que eu fique pensando e não me vem na cabeça o que aquele morto de fome pode te oferecer. Diga-me, amor, ele te dá diamantes? Te dá colares de ouro? Vestidos caros? Acho que não...

Bem querida. Daqui um mês é o Natal, e eu queria saber se você vai passar ele comigo? Como foi no ano passado. E que Natal maravilhoso nós tivemos! Ainda posso me lembrar com clareza de você nos meus braços, de baixo dos lençóis da minha cama, e gemendo que nem uma gazela puritana – sendo que de puritana você não tem nada.

Acho melhor eu ir indo, meu anjo.A gente vai voltar a se falar, pois eu pretendo manter contato.

Te amo!

Do seu e sempre...

Paul.

Era como se houvessem arrancado o coração de seu corpo, e o jogado de encontro a uma taxa incendiada.

Tudo dentro de si queimava, e seus olhos já se encontravam vermelhos e inchado pela força que fazia para não chorar.

Naty havia mentido para si. Havia o enganado com a maior cara lavada.

Enquanto ele, um idiota que era – um caipira, um chupa capim, como Paul se referia na carta, humilhando-o – esperava, era cauteloso com Naty. Paul simplesmente havia jogado em sua cara que; praticamente no começo do namoro entre os dois, Naty havia dito tudo. Abrira-se para ele, o pior, abrira-se em todos os sentidos.

Maldita!

Naquela manhã mesmo havia dito que a amava, haviam se beijado de uma forma que o fizera quase enlouquecer. E quando tocaram no assunto do passado dela, Naty agiu indiferente, querendo mudar de assunto.

Mas com Paul, não!

A filha da mãe teve a coragem de se deitar com um verme como aquele. E ele ali, esperando, esperando e esperando... Por quê? Porque era tão burro a ponto de se apaixonar por ela! Amá-la incondicionalmente!

E até mesmo naquele momento, mergulhado numa tristeza tão grande... Não conseguia odiá-la, pois seu coração batia somente por ela.

-Mas não vai ficar assim. – Fred disse a si mesmo entre os dentes, apertando a carta entre as mãos e saindo da sala, sem perceber que uma lágrima escorria por sua face.


-Você acha que isso vai dar certo? – Draco perguntou hesitante, fitando aquela miniatura da família Sutramy com os olhos cinza duvidosos.

Mia girou as orbes castanhas, e torceu a delicada boquinha num sorriso maroto.

-Mas claro que sim. Que mulher resiste a flores, Draco?

-Nenhuma, mas... Acho estranho alguma garota gostar de flores que são carnívoras! – ele disse, observando o belo vasinho de flores carnívoras que segurava. Elas eram num tom claro de rosa e branco, o caule bastante verde.

Draco não pôde deixar de arregalar os olhos ao ver o tamanho daqueles dentes afiados.

-Como coisinhas tão pequenas, podem ser tão perigosas? – Mia riu.

-Elas não são perigosas, e sim muito graciosas. – Draco fitou Mia pelo canto dos olhos e assim, segurando o vaso com uma mão, mostrou a outra, onde estava enfaixada até o pulso.

-Tão graciosas que quase arrancaram a minha mão. – ele retrucou mal humorado, fazendo a pequena Corvinal rir com vontade.

-Mas aí a culpa não foi delas e sim sua, por ser tão burro a ponto de querer arrancá-las da terra sem luvas e ainda mais, pela frente, onde se encontrava a presa.

-E eu lá ia saber que elas iam me atacar?

-Bem... Eu aprendi sobre as plantas carnívoras esse ano, e você está no sexto, e...

-Mia, calada!

-Ta legal, calei. Mas também se não fosse por mim, você ainda estaria lá no teu dormitório de Monitor Chefe, olhando pro teto e quebrando a cabeça pra ver onde errou e perceber finalmente por que a May ficou tão revoltada com você.

Draco bufou e assoprando com vontade, fez com que uma mexa platinada de sua franja parasse de cair em frente aos seus olhos.

-Olha Mia estou confiando em você, é bom isso dar certo. – a menina sorriu de orelha a orelha e abraçando o loiro disse convicta:

-Vai dar Draco, você vai ver!


Aula de Poções! Como alguém poderia dar nome a uma aula daquelas que mais parecia ser uma lavagem cerebral do que uma aula?

Naty bufou mais uma vez enquanto jogava dentro de seu caldeirão preto um caracol, que ao ser mergulhado naquela poção de liquido violeta começou a se contorcer, mostrando que sentia a dor da água fervente que borbulhava ao arredor de seu corpo gosmento.

Naty arregalou os olhos.

-Caramba...- murmurou com os dentes cerrados para não ser ouvida por ninguém, pegando uma pinça ao seu lado tentou pegar o pequeno animal gosmento com todo o cuidado, onde este já começava a ser dissolvido pelo liquido da poção: a concha estava começando a derreter, enquanto o corpinho rastejante e melequento começava a ficar esverdeado, e partes a se soltarem. – o infeliz está vivo!

Naty o que você ta fazendo? – Gina perguntou ao seu lado, arregalando os olhos antes de fazer uma careta ao ver o pequeno caracol quase derretido. – Eca! Que nojo.

A morena mordeu a língua e cerrou os olhos, se concentrando para poder pegar o caracol.

Sorriu vitoriosa quando a ponta da pinça grudou sobre a concha, fixando-se a ela, e num gesto delicado e rápido, Naty retirou o caracol de dentro do caldeirão.

-Operação Resgate completa.- disse a Gina, rindo divertida. A ruiva a acompanhou a amiga na diversão e também começou a rir.

As duas estavam tão absorvidas naquela situação bizarra, que nem perceberam a aproximação de Snape.

-Eu gostaria de saber o motivo das risadas irritantes? – ele perguntou seco, o nariz arrebitado como o de um macaco lutando por sua banana.

Gina sorriu para o professor e fazendo uma carinha angelical, disso num tom suave:

-Nada professor, eu só estava explicando a minha amiga aqui que ela tem que esperar cinco minutos antes de por o caracol dentro do caldeirão, e de preferência – lançou um olhar para Naty – morto.

Snape pareceu suavizar o rosto frio e olhando para Gina, lhe deu um leve sorriso, quase imperceptível.

-Ainda me pergunto, Senhorita Virginia, como a Senhorita não se encontra na casa da Sonserina, sendo muito melhor do que esses Grifinórios repugnantes. – ele disse, aproximando seu rosto do da ruiva, que não se mexeu.

Era obvio o carinho especial que ele alimentava por Gina, agora o motivo daquele afeto, nem mesmo ela saberia explicar.

Muitos pensavam que aquela atenção especial que o Seboso tinha com ela seria por causa do dia em que um grupo de Grifinórios estavam o xingando no meio do corredor, e Gina o defendeu com muita graça, e Snape havia presenciado tudo, calado atrás de alguma porta.

Mas Gina não achava aquilo... Ela desconfiava que tinha algo mais naquilo tudo. Um quê que desvendava uma parte do passado tão misterioso e sombrio do professor de poções.

Naty pigarreou ao seu lado e se mexeu inquieta na cadeira, fazendo a atenção de Snape virar-se para ela.

Os olhos negros e calorosos do professor, que antes olhava para Gina, se tornaram frios e nebulosos para Naty, que suspirou.

Por algum caso havia feito algo para ser tão odiada por Snape? Tudo bem que toda a escola sabia que o professor detestava a casa dos leões e seus integrantes, mas o seu ódio por Naty ia muito mais, além disso.

-Vejo que a Senhorita esta encontrando bastante dificuldade. – Snape urrou, os lábios finos e frios cerrados num sorriso maldoso.

Naty bocejou despreocupada, fazendo todos os alunos arregalarem os olhos tamanha a ousadia dela de fazer aquele gesto de sono da frente do professor.

Snape a fuzilou com os olhos.

-Com sono?

-Muito! – Naty respondeu, coçando os olhos.

Snape parecia que a qualquer minuto iria explodir. Os olhos arregalados fixos em sua presa, e a boca entreaberta, como uma cobra peçonhenta, preste a engolir sua caça.

-Então eu sugiro que a Senhorita vá dormi mais cedo, e não fique nos quartos de seus queridos amigos. – ele sibilou maldosamente, fazendo Naty parar de coçar o olho inchado pelo sono e o fitar de modo ameaçador.

-O que o senhor está insinuando? – a pergunta veio num tão mortal que Gina ao seu lado estremeceu.

Jamais ouvida Naty falar naquele tom. Bem...Depois do dia em que Paul levou o maior esmurro no Salão Principal, a morena jamais havia se dirigido a alguém naquele tom.

Agora o bicho vai pegar, Pensou, passando a mão na testa de modo preocupado.

-O que a Senhorita ouviu, ou também, além de imprestável, é surda? – Snape disse, olhando para Naty com superioridade.

A morena bateu a mão na mesa num gesto tão inesperado, que todos dentro daquela sala pularam de susto.

Naty pegou sua mochila e a pôs encima do ombro, antes de dizer em alto tom:

-Eu me recuso a assistir mais uma aula de Poções se quer. Se o Senhor não tem ética como professor, e se recusa a entender que os Grifinórios são bem melhores em tudo do que os Sonserinos, a única atitude que posso tomar em relação ao senhor professor, é lhe dar um belo sorriso e dizer que vocês, cobras, estão no mundo para rastejarem mesmo. E me recuso a ficar mais um minuto ouvindo essas suas palavras chulas em relação a mim. – e dizendo aquilo, pegou o seu caldeirão e o jogou no chão, fazendo o liquido quente começar a escorrer pelo assoalho de pedra.

Gina fiou pasma com a reação da morena e a observou atônita, esta sumir pela porta, batendo-a com força.

Snape tinha os dedos da mão cerrados com força, enquanto os olhos de íris negras cintilavam em ódio.

Ele tinha o olhar fixo no liquido violeta que ainda escorria pelo chão e começava a molhar a sola de seus sapatos negros.

-Professor? – Gina o chamou, cautelosa.

Snape respirou fundo e deu a volta nos calcanhares, fazendo com que a longa capa preta que usava nas costas esvoaçasse.

-O que estão olhando? – ele gritou quando se pos atrás de sua mesa – Voltem ao que estavam fazendo! – todos os alunos prenderam a respiração e amedrontados voltaram as suas atenções para os seus caldeirões.

Menos Gina, que ficou o olhando pegar uma pena e começar a escrever algo no pergaminho, com os dedos longos e pálidos da mão trêmulos.

Ela, num gesto cauteloso, jogou sua pena perto da mesa dele.

Por que fui ser tão curiosa, Disse a si mesma, começando a se levantar, fingindo que iria pegar a sua pena caída no chão.

Snape sequer ergueu os olhos para a olhar.

Caminhando com passos rasteiros, Gina chegou perto do professor e olhando ele escrever freneticamente abaixou-se para pegar a sua pena, e quando se levantou seus olhos se fixaram na primeira palavra do pergaminho, escrito com uma letra caída e rabiscada; Dumbledore.

Oh Deus, Snape iria escrever uma carta para o Diretor, lhe descrevendo a ousadia de Naty e que ela havia desistido da matéria de poções.

Engolindo em seco, Gina voltou para a sua mesa e se sentou.

Tinha que falar com Naty, o mais rápido possível!


-Maldito! - urrou entre os dentes. – Que o Diabo o carregue pro inferno!

O ódio martelava em seu peito, mas não durou por muito tempo, já que quando virou no corredor seus olhos se fixaram em Fred, que vinha em sua direção.

Naty sentiu a paz aglomerar-se de seu peito quando o viu, mais lindo do que nunca.

-Fred! – exclamou alegre, correndo em direção ao namorado e pulando em seus braços, pendurando-se em seu pescoço.

Fred fechou os olhos e teve que fazer uma força sobrenatural para não corresponder àquele gesto tão carinhoso. Prendeu a respiração para não sentir o aroma doce do perfume da morena impregnar-se em seu nariz.

Fez uma nota mental para que depois entrasse num banho de roupa, para tirar o perfume dela de suas vestes.

Num momento de lucidez, as palavras escritas na carta de Paul para ela voaram em sua mente, fazendo o seu ódio e dor apertarem seu coração como se alguém estivesse o tirado de dentro de si, segurando-o com força, não permitindo bombeamento do sangue.

Segurando os braços de Naty com força, a fez se afastar de si, e Fred sentiu um leve frio na barriga quando suas íris encontraram as azuis tão vivas da namorada.

Traidora, Sua mente gritou.

-Fred... O que foi? – Naty perguntou com a voz doce, dando um passo para frente e acariciando o seu rosto.

-Não se atreva a me tocar! – Fred disse, conseguindo finalmente assimilar alguma coisa dentro de sua mente para poder dizer.

A sua voz parecia presa em sua garganta, e já começava a sentir falta de ar.

-O que está havendo, amor?

-Não me chame assim. É nojento! – foi como se tivesse acabado de levar um tapa.

Naty engoliu em seco e se afastou de Fred, o fitando com os olhos azuis marejados. O que havia acontecido com ele?

Sentiu um arrepio em sua espinha, quando viu nas íris dele, um ódio tão grande e uma dor tão penosa.

-O que esta havendo? – perguntou com a voz tremula – Por que está me tratando assim?

Fred riu sem humor; uma risada fria, sarcástica e maldosa.

-E como você espera que eu te trate ao saber que você mantém contato com o seu ex? – ele perguntou, ameaçadoramente, os olhos cerrados – Você acha que eu sou algum idiota, McBride? – Por favor, diga que não sabe de nada. Diga-me que tudo isso é um engano, Fred dizia a si mesmo, implorando, em pensamento.

Mas quando viu a namorada abaixar a cabeça, percebeu que não estava dentro de um pesadelo, mas sim numa cruel realidade.

-Eu... Eu...- ela sibilou, passando a mão pelos cabelos e mordendo o lábio inferior, num gesto nervoso.

Uma palavra obscena estava na ponta de sua língua, pronta para sair e xingar aquela maldita garota... Mas não conseguia dizê-la. Não conseguia sequer levantar a voz para Naty que se mantinha encolhida, como uma criança amedrontada.

A vontade de abraçá-la era enorme, aconchegá-la em seu peito e dizer que a perdoava, mas contendo-se, disse cheio de rancor:

-Você é uma traíra, uma falsa!

Naty ergueu a cabeça num gesto rápido, o fitando assustada, com os olhos arregalados e levemente inchados pelas lágrimas que ameaçavam escorrer por seu rosto pálido.

-Fred, eu...

"-Como eu fui idiota de acreditar em você. De acreditar que um dia você chegaria a me amar.

-Mas eu te amo. – ela gritou, desesperada.

-Você ama somente a si mesma, McBride. – o sobrenome dela fora dito com tanto veneno, que pareceu um palavrão.

Era como se tivesse caiando num poço escuro, e as suas águas negras estivem a sufocando.

Não, aquilo não poderia estar acontecendo. Depois de tudo o que já passara... Se perdesse a única razão para o seu viver, se perdesse Fred... Ela não saberia dizer se continuar viva teria lógica.

Lágrimas sufocavam seu peito, fazendo-a tossir para ver se assim conseguia levar ar a seus pulmões.

-Me escute, por favor...- pediu baixinho, tentando tocar no braço dele, mas num gesto brusco, como se temesse se sujar com ela, Fred se afastou.

-Não chegue perto de mim. – num movimento inesperado, ele jogou em seu rosto a carta de Paul – Isso é seu, espero que você faça bom proveito e continue se divertindo com ele, me xingando e me humilhando. Responda-me, Natalie, como ele é de cama? Melhor que eu? – Fred riu – Ah, sim, é verdade, a gente nunca dormiu junto, e sabe por quê? Porque eu fui tolo o suficiente para respeitar o seu espaço. Esperar você estar pronta!

Naty fechou os olhos – tentando acreditar que tudo aquilo não estava acontecendo -, os lábios vermelhos tremendo num gesto que mostrava a dor e o sofrimento que estava sentindo ao ouvir aquelas palavras.

-Não sei como pude ser tão cego a ponto de chegar a te amar.

-Você está enganado, Fred... Não é o que você está pensando. – ele a olhou de modo que mostrava que não estava acreditando nela.

-Não é o que eu estou pesando? – girou os olhos e balançou a cabeça – E você quer que eu pense o quê? Que você não ama aquele filho da mãe? Que você me ama agora? Que jamais pensou voltar para o seu ex? Que comigo você conheceu o amor? Pelo amor de Deus – segurou-a pelos ombros e a chacoalhou – Eu não quero mais mentiras, Natalie, eu não quero ser feito de tolo novamente, então é bom começar a me contar a verdade.

Uma lágrima escorreu pelo rosto dela, e Fred se sentiu o pior de todos os homens naquele momento.

Merda! A fizera chorar!

Percebeu que Naty tremia e foi quando viu a marca vermelha no braço dela, causada por suas mãos, que lhe apertavam o braço.

A soltou no mesmo instante e num sussurro baixinho disse:

-Desculpe, não quis te machucar. – Naty sorriu fracamente e balançou a cabeça.

-A dor não está em meu braço, mas aqui.- e colocou a mão no coração.

Fred engoliu em seco, enquanto fitava aquela delicada mão, com a aliança de compromisso deles, repousava sobre o peito dela.

Não fraqueje agora, Reafirmou a si mesmo.

Mas não agüentou. O amor pela morena falou mais alto e quando percebeu, já estava com as mãos nos ombros dela, num gesto caloroso, e a fitando bem nos olhos.

-Por favor, me dê uma razão para acreditar em você. – implorou com a voz baixa. – Eu quero somente um único motivo para te perdoar.

Naty respirou fundo e fitou as próprias mãos; os dedos trêmulos brincando com o anel em seu dedo anelar.

-Olhe para mim. - Fred pediu.

Ela ergueu a cabeça e o olhou com melancolia, enquanto os lábios contorciam-se em um sorriso fraco e triste.

-Me desculpe! Eu ia te contar.

Fred abaixou a cabeça e se afastou da morena, os olhos grudados no chão.

Por quê?... A mesma pergunta ecoava em sua mente repetidas vezes, fazendo-a latejar.

Fred sabia o que tinha que ser feito, e respirando fundo, aglomerando toda a coragem que precisava, olhou para Naty e murmurou:

-Acabou!

Ela arregalou os olhos e deu um passo para trás, como se tivesse acabado de levar um choque.

-O quê? – perguntou num fio de voz, mais lágrimas começando a escorrerem por seu rosto. – Você não pode fazer isso. Não depois de tudo o que passamos para ficarmos juntos.

Fred fez um gesto negativo com a cabeça.

-Acabou, Natalie, e eu não vou voltar atrás.

Naty engoliu as palavras que tinha e dando os ombros, falou:

-Como você quiser. – Simples assim, Fred pensou, vendo-a tirar o anel que ele havia lhe dado, e esticando para ele. – É seu. – Fred pegou a pequena jóia e a olhou, e pôde ver que dentro estava marcado o nome dele e ao lado um delicado coração que antes brilhava, e agora se encontrava fosco quase apagado, sem aquele brilho intenso que tinha antes.

Forçando-se para não chorar, deu a volta nos calcanhares, e antes de sumir pelo corredor murmurou:

-Adeus!

-Adeus! – Naty respondeu, apoiando-se na parede do corredor para não cair.

Era a pior cena que já tinha visto, depois da morte de seus pais; Fred, lhe dando as costas e afastando-se de si. Indo embora para sempre de sua vida.

Era como se uma brisa fria do inverno o tivesse levando-o de si, de seu calor e do seu amor.

Um soluço rouco escapou de sua garganta, seguido por outros.

Lágrimas escorriam livremente, e sentiu seu corpo começar a ceder a seu peso.

Sentia-se fraca, triste e acima de tudo, sozinha.

Como fora idiota a ponto de não ter contado a Fred. Não somente sobre a carta, mas tudo. Toda a sua história, todo o seu passado. E acima de tudo, como fora tola por não ter se dado ao prazer de ter se entregado a ele. Não somente o seu corpo, mas também sua alma.

-Fred...- chamou-o num gemido baixo.

Abraçou próprio corpo como as mãos e chorou. Chorou como nunca chorara.

Nem mesmo no enterro de seus pais havia permitido que tantas lágrimas escorressem por seu semblante como naquele momento.

Vai deixá-lo ir tão fácil assim? Ira desistir tão fácil desse amor, Uma voz doce e amável murmurou dentro de sua mente, fazendo Naty respirar fundo.

-Isso. Não vou desistir. – limpou o rosto molhado com as mãos e correu pelo mesmo caminho que Fred fizera há poucos minutos atrás.

Olhou para os lados a procura dele, continuou a correr e quando estava preste a chamá-lo pelo nome, virou no corredor e o que viu a fez perder o ar.

Não, não podia ser.

Simplesmente aquilo não poderia estar acontecendo com ela, e o que seus olhos estavam lhe mostrando não poderia ser real.

Ele estava bem ali, beijando outra...

Continua...