Capitulo 17: Entre Confissões, Amor e Ódio.

Do que adianta minhas lágrimas, se você não pode sentir o sabor delas?



Sua mente se encontrava paralisada e seus olhos – escurecidos pela dor – estavam vidrados naquela cena que jamais sairia de sua mente.

Seus lábios se entreabriam e um leve som – como o de um gemido – saiu, imitindo num lamento o nome dele:

- Fred...

Sua garganta arranhava, e seu peito parecia que a qualquer momento iria sair de dentro de si, de tão pesada que se encontrava a sua respiração.

Seu coração batia descompassado, num ritmo que lhe feria a alma.

- Não...- voltou a murmurar, o som de sua voz ainda mais baixo, mas de algum jeito Fred fora capaz de ouvi-lo - ou simplesmente havia sentido os olhos dela o observando beijando aquela loira sensual e sexy que usava o uniforme da Corvinal, uns seis números menores do que o que ela realmente usava, como se fosse a qualquer minuto a engolir. O ruivo passava as mãos pelo corpo da garota que gemia sôfrega entre seus braços. Braços que um dia lhe fizeram gemer extasiada também, braços que englobaram seu corpo, aquecendo-a, protegendo-a.

Ele parou de beijá-la, os lábios inchados e rubros, e erguendo a cabeça paralisou ao ver Naty ali, no meio do corredor, estática.

Seu sangue parou de correr em suas veias e sentiu nojo quando a garota da Corvinal – qual era mesmo o nome dela? – começou a lamber seu pescoço.

Com certeza os piores pensamentos estariam passando pela mente de Naty, naquele momento, Fred refletiu em silencio.

Mas não tinha alternativa... Conhecia bem o suficiente àquela garota de lindos olhos azuis para saber que em menos de cinco minutos ela iria vir atrás de si, tentando uma reconciliação.

Por isso, a única coisa em qual pode pensar para terminar com aqueles sonhos de fadas que tanto ele como Naty haviam mergulhado, fora mostrar a ela que tudo entre eles havia terminado - A historia de amor havia ganhado um ponto final! -, agarrando aquela loira e beijando-a bem ali.

Naquele momento Fred sentiu que os papeis haviam sido trocados, e agora ele passara a ser o vilão. O infiel!

- Fred...- Naty voltou a chamá-lo, com uma magoa presente no tom fraco, mas doce, na voz.

É agora, Sua mente lhe avisou, fazendo-o respirar fundo e se concentrar para o teatro.

Cerrando os olhos, abraçou com mais força a loira em seus braços, a fazendo roçar as coxas amostras – já que a saia do uniforme que ela usava chegava quase a lhe mostrar a calcinha – roçarem em sua masculinidade.

Gemeu falsamente, num alto tom para Naty ouvir.

- Você é demais. – a Corvinal murmurou entre um gemido e outro, quando Fred se pos a deslizar a mão para debaixo da saia dela.

Abrindo os olhos viu que Naty ainda estava ali, inerte, sem reação alguma, somente o observando, como se tivesse esperando a qualquer momento acordar daquele pesadelo.

Ela tinha que sair dali! Se não ele não conseguiria mais suportar. Iria ceder e correria em direção à morena, lhe pendido desculpas.

Fred arranhou a garganta e assim falou:

- O que foi, McBride? Veio buscar um pouco de divertimento? – sorriu, segurando a nuca da loira com força a fazendo jogar a cabeça para trás – Se for isso, eu estou ocupado agora. – e assim, beijou a garota com fervor.

Naty sentiu um nó se formar em sua garganta enquanto seu estomago dava voltas, completamente enjoado.

Não. Fred não poderia estar fazendo aquilo com ela. Não ele!

Respirou fundo e segurou a vontade de beliscar seu próprio braço para ver se acordava daquele pesadelo.

Fechou os olhos, respirou fundo o ar tenso que estava naquele corredor para voltar a ergueu suas pálpebras e fitá-las com nojo e decepção a cena de Fred beijando aquela garota.

Eu vim até aqui para te contar tudo Fred, te falar todo o meu passado. Abrir-me para você e fazê-lo entender os meus motivos, mas o que eu vejo que o verdadeiro filho da mãe que você é. O maldito garoto que me mostrou o amor. O verme que agora acabou com todos os meus sonhos. Ela sentiu uma vontade enorme de gritar, mas contendo-se, ergueu o queixo de forma honrosa e assim disse, olhando para o casal com repugnância:

- Eu desprezo você Frederic Weasley. - e sem dizer mais nada deu a volta nos calcanhares e foi embora, deixando para trás seu presente, seu futuro e seu amor.

Fred soltou-se da garota, empurrando-a para trás numa forma quase brusca, fazendo-a cambalear.

- Ei, o que foi lindinho? – ela perguntou, sua voz melódica e irritante o fazendo rolar os olhos.

- Saia da minha frente. – Fred vociferou entre os dentes, antes de balançar a cabeça de um lado para o outro, colocar as mãos no bolso e sair andando, completamente revolto com o que estava acontecendo. E antes mesmo que pudesse virar o corredor, já podia sentir as lagrimas molhando o colarinho de sua camisa.


- Gina, vou precisar de você na rádio agora! – Margareth disse, segurando o braço da ruiva, a detendo de continuar descendo as escadas.

Gina franziu o cenho.

- Por que? Aconteceu alguma coisa? Eu tenho aula de Tratos agora com o Hagrid. – a loira deu um sorrisinho amarelo.

- Bem, eu também tenho já que a aula será com o quinto e sexto ano da Grifinória, mas eu já falei com o Hagrid e ele permitiu que nos atrasássemos um pouco.

Gina suspirou e balançou a cabeça. Era só o que lhe faltava... Ter aula conjunta com Harry.

- Tudo bem, vamos. – a amiga sorriu e assim começaram a subir as escadas em direção a estatua falsa que havia sido posta no corredor do quinto andar, onde era a porta secreta para a radio.

Ótimo, além de chegar atrasada na aula do Hagrid, ainda terei que agüentar olhar pra cara do Harry, Gina pensou, inerte a tudo ao seu arredor.

Não falava com Harry desde que havia saído da Ala Hospitalar. Na verdade, ele havia a procurado, mas sempre fazia algo para despistá-lo. Nem comia mais no Salão Principal, e era Naty que vinha lhe trazer as refeições diárias no dormitório.

Suspirou fundo tentando esquecer a dor em seu peito.

Eu queria apenas terminar com ela o que começamos no baile, Harry havia dito a ela. E a maldita frase não saia de sua cabeça, ecoando e ecoando em todos os momentos.

Às vezes sentia-se nauseada ao pensar como seu melhor amigo poderia ser tão canalha. Enganando-a daquela maneira baixa.

Idiota que era, acreditando que Harry havia finalmente se apaixonado por alguém. Ainda por cima, por ela!

Idiota que fora acreditar naquelas palavras. Mas então... Por que ele também mentira para ela? Dizendo-o que havia se apaixonado?

Eles eram melhores amigos, certo? E mentiras estavam fora de cogitação em uma amizade.

Bufou e arrumou a alça na bolsa em seu ombro.

- Esqueça isso. – disse a si mesma ao virar no corredor, sem perceber que ao fazer aquilo, um certo moreno de olhos verdes passara por si e a fitara de modo diferente.

Gina estava preste a continuar caminhando quando uma mão em seu braço a fez parar e virar-se para dar de cara com a pessoa que estava pensando segundos atrás.

- Harry? – perguntou franzindo o cenho ao ver o moreno sorrir para ela de modo triste e os olhos verdes não estarem tão brilhantes e repletos de alegria. – O que houve? Maldição, por que sua voz tinha que ter saído com um tom tão preocupado?

Harry suspirou e passou a mão pelos cabelos úmidos, mostrando que ele havia tomado banho.

- Precisamos conversar, Gi.

- Gina vamos logo. – Margareth chamou-a impaciente.

Gina virou-se para a loira e alertou que já ia, pedindo-lhe para ir à frente que já a alcançava, antes de voltar-se para Harry.

- O que houve? – repetiu a pergunta anterior.

- Gi, por que você esta agindo tão estranho comigo? O que eu fiz? – ele disparou sem hesitar, fazendo-a sentir-se acuada como um coelho sendo perseguido por seu predador.

- Ahn? – tentou ganhar tempo, proferindo qualquer coisa sem sentindo. – Não sei do que está falando, Harry. Eu continuo sendo a mesma com você. – apertou o livro que tinha em mãos contra o peito com mais força, como se aquilo pudesse fazer uma barreira entre ela e o amigo.

Harry fez um gesto negativo com a cabeça.

- Não está não, e você sabe muito bem disso. Não dê uma de desentendida. Agora não Gi. – ele agora tinha as mãos em seu ombro, e o calor daquela palma fez com que Gina sentisse um calor terno e gostoso percorrer seu corpo.

- Harry...- começou. Como poderia mentir para ele, olhando bem naquele mar revolto de esmeraldas? Céus, como não queria amá-lo.

- Gina, você não entende...- Harry a interrompeu bruscamente. – Eu não consigo mais dormi, comer, nem mesmo presta atenção na aula de Defesas, por que eu fico me corroendo, pensando aonde eu pude ter errado com você. E você sabe Gi...– ele levou uma das mãos ao rosto da ruiva que engoliu em seco. Não me toque, Gina sentiu vontade de gritar, ao ver o rosto do moreno aproximar-se do seu. – Você sabe que eu prefiro morrer a te magoar. – Então é melhor você já ir preparando o seu velório, Outra frase ela se viu obrigada a prender em sua garganta.

- Eu...- Okay, ele querida à verdade? Pois muito bem, ai ia ela. – Não! Eu sempre coloco a culpa sobre minhas costas, mas agora eu vou dizer pela primeira vez, Harry que a culpa é realmente sua. Totalmente sua por ser tão canalha! Eu sempre estive a sua frente pra te defender com unhas e dentes, nunca permitir que ninguém ousasse falar alguma coisa que pudesse te prejudicar, e eu fazia isso sem pedir nada em troca. Nada! Mas eu pelo menos esperava um "obrigado Gina", mas nem isso você era capaz de fazer, não é mesmo? O grande Harry Potter jamais agradece a ninguém, jamais se importa com os outros, somente com o próprio umbigo.

Harry afastou-se de si como um raio, olhando-a de modo que parecia não acreditar no que estava ouvindo.

- Mas do que você está falando? – ele perguntou incrédulo.

Gina riu. Uma risada sem humor que ecoou pelo corredor como uma corrente fria de inverno.

- Eu estou falando no que você me disse quando eu estava na Ala Hospitalar, seu idiota. – ele franziu o cenho.

- Mas o que eu disse?

- Oh, vai dizer que não se lembra. – ele negou com um gesto de cabeça. – Pois muito bem, vou refrescar esse seu cérebro, se você tiver um claro. Você me disse que o que queria fazer com a Dama de Vermelho, aquela lá que você conheceu no Baile, era somente a levar para cama. E eu nunca pensei, Harry, que você pudesse ser tão cachorro a ponto de querer somente isso em relação às garotas. Você só pensa em sexo. Daqui a pouco vou pensar que você é um ninfomaníaco.

- Mas... Por que você está se importando com isso agora? – Harry disparou, franzindo o cenho. – Você jamais se importou com quem eu dormia ou deixava de dormi. Você jamais fez qualquer objeção sobre as garotas que eu levava para a cama. Por que todo esse melodramático, agora? A garota do Baile é somente mais uma.

A fúria que a invadiu foi tão grande, explodindo em seu peito e espalhando-se por todo o seu corpo que Gina se viu gritando em plenos pulmões sem pensar:

- A garota do Baile que você diz que é só mais uma, seu imbecil, so...- Gina calou-se a tempo, levando a mão à boca.

Harry fitou-a, os olhos arregalados.

- Você sabe quem é a garota do Baile Gina?

Gina sentiu seu sangue gelar, quando Harry ainda continuava a encarando, esperando por uma resposta.

Agora sim ela estava ferrada.

Seu coração parecia ter parado de bater e seu peito não aceitava mais o oxigênio que tentava respirar.

Tudo a sua volta parou; o vento não assoprava mais, o sol parou de brilhar e as vozes dos alunos não soava mais.

Tudo o que ela tinha agora era Harry a sua frente e um embaraço de sensações e sentimentos dentro de si, travando uma guerra que parecia não haver mais fim.

Tinha duas opções. Uma, era dizer a verdade, revelar tudo e deixar como águas claras e provavelmente fazer com que Harry risse da sua cara antes de matá-la. Duas, seria a opção mais simples, básica e direta; mentir.

Suspirando, Gina decidiu pela segunda.

- Eu tenho... Minhas suspeitas. – Isso! Ótimo! Ela não revelava quem era, mas também não confirmava que sabia.

- E de quem você suspeita? – Harry perguntou, ecoando cada vez mais a ruiva.

- Eu prefiro não falar Harry, mas assim que eu tiver certeza eu ti conto. Agora com licença que eu estou atrasada.

Empinando o queixo e segurando com mais força o seu livro, Gina deu a volta nos calcanhares e estava preste a dar o seu terceiro passo adiante, quando a mão de Harry deteve-se em seu braço.

- Espere... Gi...- a voz dele era baixa e hesitante, mostrando que ele se encontrava nervoso.

Gina se virou e o fitou de modo que já estava começando a ficar entediada com tudo aquilo.

- Fala logo, Harry, que eu to atrasada para a aula do Hagrid, e tenho que fazer uma outra coisa ainda, antes de ir pro jardim.

Harry umedeceu os lábios antes de olhar para a amiga e dizer com os olhos verdes suplicantes:

- Me desculpa? – Gina franziu o cenho.

- Pelo quê?

- Por sempre deixar você em segundo plano. Por não perceber as coisas que você faz para mim. – abraçou-a – eu te amo, Gi. Desculpa-me por tudo.

Pena que não me ama como eu sempre desejei. Ela teve vontade de dizer, mas contendo-se, correspondeu o abraço antes de beijar a bochecha dele de forma carinhosa e bagunçar o cabelo negro, deixando-o ainda mais rebelde.

- Tudo bem, Harry, eu te desculpo. – ele deu um lindo sorriso, que parecia ir de orelha a orelha, onde revelava uma covinha charmosa ao lado de sua boca. – Agora tenho que ir. – falou rápido, sabendo que não conseguiria agüentar ficar mais um minuto com ele, antes de cair em seus braços e beijá-lo como fizeram no Baile.

Harry largou-a, os dedos de sua mão deslizando pela pele de seu braço, arrepiando-a.

Ele pareceu perceber isso, já que sorriu ainda mais antes de soltar uma risadinha marota.

- Até a aula Gi. – ele deu as costas e caminhou pelo corredor; as mãos no bolso da calça, e caminhando relaxado, mas com passos firmes.

Gina respirou fundo e balançou a cabeça, antes de subir as escadas.

Tudo aquilo estava a deixando louca. Ela tinha três personalidades, a dela que Harry conhecida, a da rádio onde já saira no jornal elegendo-a como a voz misteriosa da noite, e a Dama de Vermelho. O que mais ainda iria ter que inventar?

Não estava enganando somente a Harry e a maioria dos alunos em Hogwarts, mas principalmente, ela mesma. Criando vidas que simplesmente não existiam.

Colocou-se em frente a estatua e assoprando na boca do anjo e logo apertando seu umbigo, este se arrastou para o lado, dando-lhe passagem para o estúdio.

- Que demora. – Margareth exclamou, sentada na sala de som.

Gina deu os ombros como um pedido de desculpas.

- Vamos logo acabar com isso, Marg. O que de tão importante que eu tenho que dizer?

A amiga lhe estendeu um papel onde estavam suas falas.

Gina deu uma leve passada de olhos enquanto caminhava para a sua cabine onde o microfone a esperava.

Sentou-se em sua cadeira e bebeu um gole do copo de água que havia sido colocado na mesinha ao seu lado.

Margareth bateu no vidro insinuando que começaria a contagem para entrar no ar.

Gina assentiu.

5...4...3...2...1.

A luz vermelha se acendeu e Gina curvou-se.

- Olá alunos de toda Hogwarts. – a voz saiu charmosa e elegante. – Como passaram a noite? Dormiram bem? Tiveram bons sonhos? Ou se viram obrigados a tomarem um banho com uma deliciosa ducha fria? – Gina deu um risinho sexy – Espero que tenham se divertido bastante, os alunos que acordaram suados e...- num sussurro anunciou – molhados. Mas eu estou aqui para anunciar o que muito de vocês estiveram ansiando – erguendo a folha Gina começou a ler as noticias – Hoje à noite, na hora do jantar que ira se iniciar às vinte horas, teremos um belo banquete para festejar os Dias das Bruxas. Isso mesmo meus queridos, e logo após, o nosso querido Diretor, Dumbledore, nos concedeu algumas horas para festejar o Halloween, mas prestem a atenção, poderão apenas comparecer os alunos do quarto ano para cima. – jogou a folha no lixo ao lado – Quero vê-los bem vestidos e aterrorizantes para esse pequeno baile que iremos ter, onde durará até as vinte e três horas. Aproveitem! – e fazendo um sonoro e delicioso som de um beijo, a luz vermelha apagou.

Gina pulou da cadeira e saiu da sala.

- Perfeito Gi. – Margareth anunciou também se levantando.

- Obrigada, agora tenho que ir. Nos vemos a noite. – e lançando um leve aceno para a amiga, Gina saiu do estúdio e correu para os jardins.

Correndo pelo corredor e descendo as escadas como um pássaro, ás vezes nem sentindo os seus pés, tamanha sua velocidade.

Gina suspirou aliviada quando sentiu o ar fresco bater em seu rosto quando saiu do castelo e chegou ao jardim.

Olhou ao arredor e não demorou muito para ver um grupo de alunos da Grifinória perto da floresta proibida.

Caminhou até lá e logo um braço rodeou sua cintura.

- Harry.- censurou o amigo que riu ao seu lado.

- O que foi? Eu já abracei você assim tantas vezes. – Gina rolou as orbes.

- Isso é verdade, mas...

- Nada de mais, Gina. – ele interrompeu-a – Você vai ficar para a festa de Halloween?

A ruiva deu os ombros.

- Não sei, se eu encontrar uma roupa, e você?

- Claro que vou. Essa festa não será uma festa se eu, o garoto mais lindo de Hogwarts, não comparecer.

Gina riu.

- Estou vendo que a sua modéstia está indo muito bem.

Harry inclinou-se e assim beijou-lhe a bochecha numa forma carinhosa, enquanto se aproximavam do grupo de alunos.

Hagrid dava instruções simples, dizendo que aquela aula serviria somente para os estudantes aprenderem a cavalgar e como domar um unicórnio.

Alguns soltaram leves muxoxos, alegando que não gostavam de unicórnios, e outros soltaram leves exclamações de ansiosidade.

- Bem, os alunos que não gostam de unicórnios, poderão montar no Bicuço. – Hagrid deu a opção de forma simples e controlada, fazendo os alunos gelarem com a idéia de montarem na ave.

Eles negaram com um aceno de cabeça quase frenético, e Gina não pode deixar de rir com aquele desespero explícito.

- O que eles têm contra o Bicuço? Ele é tão dócil. – Harry falou ao seu lado, a fazendo sentir um leve arrepio na espinha, ao ver que a boca do moreno se encontrava próxima ao seu ouvido.

- Talvez seja por que ele seja somente dócil com você.

- Isso não é verdade, o Bicuço pode se dar bem com qualquer um, tem que somente saber tratá-lo corretamente. – Gina lançou-lhe um sorriso maroto.

- É incrível como animal sempre entende outro animal, não? – Harry olhou-a com os olhos arregalados.

- O que você esta insinuando com isso? – a ruiva soltou uma sonora gargalhada antes de se ajuntar a Hagrid que lhe acenara com a mão para se aproximar.

- Nada, Harry. Nada. – caminhou entre os alunos e em poucas passadas já estava ao lado do gigante que lhe deu um largo sorriso. – Olá Hagrid.

- Olá, Gi. – ele cumprimentou-a. – Será que você poderia me ajudar com os unicórnios? Eles estão meios ferozes hoje, e você é a única que tem um conhecimento ativo em relação à cavalgada. Eu pediria ajuda a Naty também, mas eu não estou vendo-a aqui e a May está tendo aula de vôo.

- Mas é claro, Hagrid. Nem precisa pedir. – olhou ao redor – Agora que você comentou, eu também não estou vendo a Naty, onde será que aquela lerda se meteu?

Hagrid deus os ombros.

- Vocês mulheres, são cada vez mais complicadas. Se vocês próprias não se entendem, nós, homens, muito menos. – Gina fez uma careta pro professor que sorriu, antes de dizer em alto tom:

- Eu e a Senhorita Weasley iremos monitorá-los hoje durante a aula, mas, por enquanto façam somente duplas. – espalmou uma de suas grandes mãos nas costas da ruiva – Vamos pegar os unicórnios, eles estão na orla da floresta.

Gina assentiu e começou a caminhar com o gigante até uma certa aproximidade da orla. Com um aceno de mão Hagrid pediu para que ela lhe esperasse, enquanto ele entrava entre as longas árvores e sua estrutura grande e forte era engolida pela escuridão sombria da floresta.

Gina passou os braços ao arredor do corpo, a espera do professor.

- TALAMAY, É PARA VOCÊ ARRUMAR A SUA VASSOURA E NÃO BATER O CABO EM MIM, CARAMBA! – Gina ouviu o grito enfurecido de Draco vindo do campo, fazendo-a virar a cabeça na direção do berro.

O que viu foi à cena mais cômica de toda sua vida.

May voava ao arredor do campo, com o pedaço que se varria da vassoura na mão, usando-a para acertar a cabeça de Draco num tiro certeiro. O loiro olhou-a com os olhos cinzas fuzilantes, enquanto tentava se esquivar dos golpes da morena.

- O que foi Malfoy? Será que esse seu cabelo de pavão torrado corroeu seu cérebro? Voe mais rápido então, por que com essa lerdice vou acabar te atropelando. – a índia retrucou no mesmo tom, alto e cheio de ódio.

Draco riu sem humor algum, segurando o pulso da morena com facilidade, impedindo-a de golpeá-lo.

- Se você pelo menos me desse uma brecha para conseguir impulso e voar mais rápido eu iria agradecer, por que eu estou mais preocupado em proteger a minha cabeça dos seus tapas, e isso dificulta a minha concentração na aula.

May deu um sorriso amarelo.

- Como se você alguma vez se concentrou em alguma coisa. E se você quiser um impulso, querido, deveria ter me dito isso antes – e com um olhar maligno, a índia tirou a varinha do cós da saia e apontando-a para a vassoura do loiro, vociferou com firmeza: - Incendiatus

Um jato vermelho saiu da ponta da varinha da índia como um facho de luz, acertando a ponta da vassoura de Draco em cheio.

A vassoura girou fortemente no ar como um furacão, antes de se por em posição ereta, posicionada em direção as arquibancadas, e seu cabo iluminado pelas chamas fortes do fogo que começava a crispar a madeira.

- SUA LOUCA! – Draco gritou, vendo que o fogo ia se aproximando de seu traseiro à medida que crispava contra o cabo. – VOCÊ ESTÁ PENSANDO NO QUÊ, TALAMAY? QUER ME MATAR?

May riu com vontade, antes de passar por ele com sua vassoura, como uma brisa invisível da noite.

- Oh querido, é só um foguinho inofensivo.

- TÁ QUEIMANDO A MINHA BUNDA! TA PEGANDO FOGO! FOGO! – Draco urrou, segurando com firmeza a vassoura e assim inclinando-a para baixo.

Sem pensar duas vezes, o loiro jogou-se com tudo contra as águas do lago que balançavam aos movimentos da Lula Gigante.

Dane-se que o bicho poderia pegá-lo. Dane-se que poderia morrer.

Naquele momento, ele queria era salvar o seu lindo traseirinho daquele fogo ardente que se aproximava cada vez mais, queimando, ardendo.

Inclinou ainda mais a vassoura e deitou pela extensão desta, pegando mais velocidade para chegar mais rápido ao lago.

Fechou os olhos e antes mesmo que pudesse pegar fôlego, sua vassoura chocou-se contra as águas, afundando entre aquele arrebatamento escuro e tenebroso do lago.

Uma fumaça junto com um chiado apareceu ecoar pelo ar, mostrando que o incêndio havia sido apagado.

- Meu Deus! – Gina exclamou, ao ver a vassoura em que Draco estava aparecer arruinada perto da orla do lago, pedaços de madeira flutuando sobre a superfície. – Draco! – gritou correndo em direção ao local onde o loiro havia caído como um baque pesado. – Draco, por favor, onde você está?

Gina chamou-o, preocupada, percorrendo seus olhos pelo lago, a procura de qualquer rastro loiro em seu submundo.

Ergueu o rosto e pode ver May chorando de tanto rir, seu corpo sendo jogado para trás pelas gargalhadas histéricas.

- Que imbecil. – ela disse, levando as mãos à barriga dolorida.

- Isso não tem graça, May! – Gina berrou de volta a amiga que a olhou com uma sobrancelha erguida.

- Preocupada com a garça fulminante, Gi?

- May, ele pode ter se enroscado em alguma alga no fundo do lago por causa da forte queda.

- Ele sobrevive. – Gina colocou as mãos no quadril.

- Ah é? Então me responda, por que ele não voltou para a superfície até agora? – May deus os ombros.

- Deve está ainda limpando a bunda das faíscas do fogo. – a ruiva balançou a cabeça, incrédula.

- Ele sabe nadar? – May levou uma das mãos à boca, os olhos negros se arregalaram, e uma leve sombra de preocupação passou pelas íris.

- Oh Merlin, eu não sei!

Antes mesmo que Gina pudesse tirar os sapatos e as meias e ir a procura do amigo, um garoto loiro e alto emergiu das águas como um peixe à procura de oxigênio, os braços levantados para cima e a boca aberta à procura de ar.

Ele soltou uma leve exclamação de sufocamento, antes de começar a boiar em direção a orla.

Gina, sem hesitar, caminhou até o amigo e segurando-o pelo braço, ajudou-o a chegar em terra firme.

Draco apoiou-se nas mãos, enquanto se mantinha ajoelhado na grama completamente encharcado e as madeixas loiras grudando em seu semblante pálido e frio, os lábios roxos e as vestes grudando em seu corpo.

Começou a tossir, repelindo a água de seus pulmões.

Gina ajoelhou ao seu lado e tirou seu sobretudo para cobri-lo.

- Você tem que se aquecer se não vai pegar um resfriado. – disse, passando a mão pelas costas de Draco que olhou para ela de canto, um sorriso doce curvando-se sobre os lábios finos.

- Preocupada comigo, Vi? – ele provocou, antes de voltar a tossir.

- Seu idiota, claro que fiquei preocupada. Por que demorou tanto para voltar à superfície?

Draco deitou na grama, completamente exausto, como se tivesse acabado de talhar uma luta que finalmente havia vencido, a barriga para cima e respirando com dificuldade.

- Estava tentando me afogar pra que você viesse me salvar e tivesse que fazer respiração boca-a-boca em mim. – Gina lhe deu um tapa no peito. – Ai, ai!

- Isso é pra você parar de dar uma de retardado. – Draco bufou.

- Idiota, retardado, imbecil, cabelo-de-pavão-torrado, garça-fulminante... Que mais elogios eu vou receber hoje? – Gina rolou as orbes e ergueu o rosto ao perceber que Hagrid se aproximava junto com os alunos da Grifinória, enquanto na outra direção a professora de vôo também vinha com os alunos da Sonserina.

- Senhor Malfoy, o Senhor está bem? – Hagrid perguntou, olhando para o loiro de forma preocupada.

Draco suspirou.

- Eu estaria melhor se essa louca – apontou para May que acabara de se ajuntar ao grupo entorno dele – Não tivesse posto fogo na minha vassoura.

May torceu o nariz.

- Quem mandou você bloquear o meu caminho? Eu estava fazendo os exercícios direitinho quando você apareceu todo saltitante como um hipogrifo assado na minha frente. Bem feito, tomou o que mereceu.

Draco sentou-se no gramado e tirou o sobretudo, devolvendo-o a Gina antes de rosnar entre os dentes:

- Você...colocou...fogo...na...minha...vassoura. – repetiu perigosamente.

- Deveria ter posto na tua cabeça ou na tua bunda de uma vez. – May retrucou.

Os alunos se explodiram em risos, e Gina tampou o rosto com as mãos.

E lá se iniciava mais uma briga entre Draco e May.

- Eu deveria agora mesmo é te dá um belo tapa na cara, pra você parar de ser tão estúpida. Eu poderia ter me machucado gravemente com essa sua irresponsabilidade. – Draco exclamou, levando a mão ao peito dolorido.

- Olha quem está falando. Como se você algum dia, tivesse se preocupado com responsabilidades, não é mesmo Malfoy? – May cuspiu as palavras em tom venenoso, fazendo com que os alunos envolta dela recuassem um passo – Você, que é um depravado, tarado, insolente e acima de tudo, FROUXO!

Aquilo foi como um tapa físico a Draco que ouviu os risos abafados dos moleques e as exclamações surpresas das meninas que levaram seus olhos diretamente ao ninho entre suas pernas.

Podia aceitar tudo, palavras ofensivas a sua pessoa, chutes, tapas, ou até mesmo acidentes provocados propositalmente. Mas jamais. Jamais! Iria permitir que alguém duvidasse de sua masculinidade e virilidade.

Mesmo que ainda estivesse sentado, ergueu o queixo, os olhos cinzas tornando-se levemente prateados, demonstrando a tamanha fúria que sentia.

May trincou os dentes. Uma maneira para não demonstrar que acabara de engolir em seco ou estremecer sobre o olhar que Draco lhe lançara. Pior! As íris dele estavam ficando prateadas.

Esse era um código onde somente a famá-lia Sutramy e Malfoy tinham: os olhos de seus integrantes tornavam-se prateados, demonstrando que o nível de sua raiva, ódio, ou ira estava realmente muito além do normal.

Por alguns milésimos de segundos, May desejou não ter despertado aquele ódio em Draco que a fitava de modo como se ela fosse um bichinho pequeno e repugnante.

Aquilo fez seu peito se apertar dentro de si, sufocando-a.

- Acho que você não está qualificada para dizer, Su...– Draco disse, num tom baixo e perigoso entre os dentes – que eu sou ou não frouxo, já que nunca foi para cama comigo, mesmo sendo a vagabunda que todos nós aqui sabemos que você é.

Gina sentiu uma mão em seu ombro e destampando o rosto das mãos, ergueu os olhos e pode ver que logo atrás de si estava Harry.

O amigo ajudou-a a erguer-se e abraçando-a pelos ombros, pegou o casaco dela e a afastou de Malfoy, que parecia estar preste a matar alguém.

- Agora que o circo vai pegar fogo. – Rony exclamou, esfregando as mãos e sorrindo de pura excitação.

Hermione lhe deu um cutucão nas costelas.

- O que foi? – o ruivo perguntou a namorada que o censurou com um olhar.

- Rony cala a boca. – Gina exclamou irritada, apoiando a cabeça no peito de Harry enquanto este a abraçava com carinho, aconchegando-a entre seus braços.

O irmão bufou antes de voltar à atenção para a discussão entre as duas cobras.

- Bem, Malfoy, se eu ainda não fui para a cama com você, um bom motivo devo ter, não é mesmo? – May retrucou, os olhos tornando-se levemente prateados também.

Gina encarava a melhor amiga e o amigo de modo clinico, observando seus atos e acima de tudo seus diálogos.

Até agora não tivera uma chance de conversar com May, e lhe perguntar o motivo de sua briga com Draco, cortando qualquer laço afetivo com o loiro.

Mas, disse a si mesma, daquele dia não iria passar.

Olhou por cima dos ombros de Harry e sorriu para si mesma ao ver que Naty se aproximava, os passos pequenos como os de uma criança e a cabeça baixa, parecendo magoada e incrivelmente acabada.

O que será que houve com ela? Gina pensou com o cenho franzido.

A risada fria de May a trouxe de volta ao presente e a sua atenção a ela.

Draco sorriu de modo mortal, venenoso.

- Motivo você realmente deve ter, Talamay, e deve ser um realmente muito bom. Praticamente uma bomba. Mas eu lhe sugiro que não fale do que não tem conhecimento.

May ergueu uma sobrancelha.

- E esse tal conhecimento, que você estaria sugerindo, fosse o quê? A sua Princesa Sofia? – exclamou apontando para a anatomia mais intima de Draco. – Seu Pirulito?

Uma explosão de gargalhadas aconteceu, alunos se contorcendo de tanto rir.

Até mesmo Gina não pode deixar de soltar um leve riso ao ouvir os codinomes que May nomeara o reprodutor de Draco.

Hagrid e a professora de vôo se encararam incrédulos pela discussão.

- Temos que fazer alguma coisa, Hagrid. – a professora disse.

Hagrid coçou a longa barba preta que escondia sua boca antes de começar a caminhar em direção ao castelo com suas passadas longas e pesadas, onde fazia o chão tremer levemente.

- Irei chamar a McGonagall. – e assim acelerou os passos.

Gina suspirou ao ver o gigante correr em direção ao castelo.

Se May e Draco não parassem com aquilo logo, iriam tomar umas belas detenções. E daquela vez, Minerva não iria favorecer a eles o direito de escolha do que iriam fazer, já que na ultima vez, May dera a idéia de pintar a cerca da Floresta Proibida.

- Temos que fazer alguma coisa. – uma voz macia disse atrás de si, fazendo que tanto ela como o trio maravilha virasse a cabeça para fitar Naty, que se aproximava. – Daqui a pouco eles vão se matar. – argumentou, pondo-se ao lado de Gina que, ainda abraçada a Harry, tocou na mão da amiga.

- Você está bem? – Naty balançou a cabeça de um lado para o outro, os olhos azuis escuros como dois poços de águas sombrias.

- Depois conversamos. – foi a única coisa que disse, antes de erguer a cabeça e lançar a ruiva um sorriso amarelo.

Gina assentiu com um gesto de cabeça, entendendo que aquela não era uma hora apropriada para conversarem sobre os problemas da morena.

- Você somente fala, Talamay, mas nunca experimentou. – Draco urrou em revolta, olhando a índia passar a mão pelos cabelos de forma simples e despreocupada.

- E nem vou experimentar. – um sorriso sarcástico curvou-se sobre os lábios dela, antes de direcionar a Harry um olhar significativo. – Sou bem mais o do Potter. – todos os alunos arregalaram os olhos.

Até mesmo Naty que os mantinha cerrados, arregalou-os e direcionou a Gina um olhar duvidoso.

A ruiva deu os ombros e olhou para Harry, que virara o centro das atenções. Todos os olhos vidrados sobre ele.

Sorrindo de volta a May, entendendo que ela queria somente diminuir ainda mais Malfoy, ele deu os ombros.

- E foi incrível. – falou com um brilho vitorioso nos olhos verdes, antes de ver Draco olhá-lo como se fosse matá-lo.

- Você...- o loiro olhou para a índia. – Vocês...- virou a cabeça para Harry novamente. – Meu deus, em que nível você chegou, Talamay? Espere até seu padrinho saber com quem você deitou?

- Para você ver, Draquinho. Que até mesmo o Potter se classifica a um nível muito superior ao seu. – e com os dois dedos indicadores da mão ela insinuou o tamanho grandioso da anatomia de Harry, e logo a do Sonserino, onde poderia ser classificado menos de que sete centímetros. – Eu sugiro você fazer uma operação.

Gina afastou-se de Harry quase que na velocidade de um relâmpago, e antes que o moreno pudesse piscar, sentiu a mão da ruiva espalmando-se contra seu peito, onde um estalo alto ecoou.

- Ai! – ele gemeu, sentindo o lugar golpeado começar arder como se tivesse sido marcado a brasa por um ferro ardente.

- Seu miserável! Cachorro! Cafajeste! – Gina gritou – Como você se atreveu a fazer uma coisa dessas? Seu imbecil. Com a minha melhor amiga, praticamente irmã. – outro tapa, agora no antebraço. – Nossa, como eu tenho nojo de você, Potter.

- Gina, calma...- Harry tentou explicar, mas antes de qualquer movimento, Gina lhe deu um tapa na cara, fazendo-a virar numa velocidade incrível para o lado esquerdo.

- Jamais, mas jamais, se atreva a olhar para a minha cara, seu animal pervertido. – e dando a volta nos calcanhares caminhou em direção ao castelo, mas parecendo lembrar-se de algo, virou o rosto para a índia que engoliu em seco – E você, Talamay, teremos uma conversa muito séria. – olhou para Naty que suspirando começou a caminhar com a ruiva até o castelo.

Harry olhou para tudo aquilo atônito, o peito ardendo assim como o antebraço, e o rosto avermelhado, onde a forma de cinco dedos começava a se formar.

Rony olhou-o de forma penosa enquanto Hermione rolava os olhos de modo desgostoso.

Draco Malfoy ria em plenos pulmões, contorcendo-se na grama como uma minhoca que se encontrava em uma frigideira sendo frita.

- Do quê está rindo, Malfoy? – Harry urrou entre os dentes irritado, avançando contra o loiro. Mas foi impedido por Rony que o segurou, pondo-se em sua frente e segurando seus ombros.

- Vá com calma, Harry. – o ruivo aconselhou,

- Calma? CALMA? – Harry berrou – Esse filho da puta vem tirando uma com a minha cara, e você quer que eu tenha calma, Rony? Se você não está lembrado eu acabo de receber um tapa na cara da Gina que por coincidência é a tua irmã. Ela acaba de dizer que quer distancia de mim e você...

- Sim, Harry eu quero que você controle os seus nervos. – Rony falou no mesmo tom alto que o moreno.

Harry riu sem humor.

- Pros diabos os meus nervos.

- Oh, coitado do Potter. – Draco voltou a zombar, rindo – Me diga Potter, como é a dor de receber um tapa? Ainda mais da melhor amiga.

May, sem hesitar, caminhou até o loiro e erguendo a mão, deu-lhe uma bofetada da mesma forma que Harry recebera de Gina. Sua palma da mão fazendo um estalo contra a face do sonserino.

Draco encarou a índia pasmo e surpreso.

- Agora você já sabe como é a sensação de um tapa, Malfoy. – ela disse, séria, os lábios cerrados numa linha fina.

Malfoy parecendo que havia recuperado suas forças ergueu-se, ficando a um palmo de distancia de May que se viu obrigada a levantar o rosto para encarar o loiro, olho a olho.

Meu Deus, como ele é alto! Pensou, com uma sobrancelha erguida.

- O que foi, você quer outro? – perguntou em deboche.

- Você deve agradecer aos Deuses por não ser homem, se não eu já teria quebrado todos os seus dentes. – ele disse frio.

- Palavras, palavras. Você somente diz Malfoy, mas agir que é bom, nada! – Harry disse provocativo. – Vem bate em mim então, por que na ultima vez eu te deixei em coma na Ala Hospitalar por um dia inteiro.

Draco voltou-se para Harry, e sorriu pelo canto dos lábios.

- Ah sim, eu me lembro, Potter. Também me lembro da sua cara amiga ruiva cuidando de mim numa forma bastante... Especial.

Harry curvou as sobrancelhas numa forma incrédula.

- Seu canalha! O que você vez com ela? – gritou, agora sendo segurado por Rony, Dino e Jordan.

Malfoy riu friamente. Uma risada onde causou arrepios nos alunos.

- Eu fiz o que você nunca fez, Potter. Eu fiz algo que você jamais, talvez, venha fazer por ser um idiota cego. – os olhos do sonserino tornaram-se impetuosos e quase sanguinários. – Eu simplesmente a vi! Eu a enxerguei Potter. Não fui uma toupeira como você vem sendo nesses últimos anos em relação a ela. Diferente de você...- riu. – Eu já a provei. E Deus, como ela é macia e doce. – Ele sabia que estava dizendo era uma grande mentira, somente um blefe, mas ver o rosto de Potter ir mudando de cor e os olhos verdes escurecendo, a boca espumando de raiva estava sendo realmente gratificante para seu ego.

Harry tentava se soltar das mãos de Jordan e de Dino. Rony havia parado de impedi-lo e virando nos calcanhares encarou o loiro de modo frio, os punhos cerrados ao longo do corpo.

- Rony...- Hermione chamou o namorado de forma gentil, pondo sua mão sobre o ombro.

Rony pareceu não ouvi-la.

- Você fez o quê, Malfoy? – ele disse perigosamente, entre os dentes.

Draco virou-se para o ruivo com os braços cruzados sobre o peito.

- Eu me arrependo de não ter gravado os gemidos dela, Weasley. Tenho certeza que você, o resta da sua famá-lia de vermes, a sua namorada de merda e o Potter iriam adorar ouvir.

- Seu...- Rony urrou, mas antes que pudesse dar um passo, pode ver um jato azul atingir Malfoy em cheio, lançando-o contra uma árvore.

Tanto Rony como os outros viraram suas cabeças na direção da onde o feitiço tinha vindo, e puderam observar May com a varinha em punho, direcionada em Malfoy firmemente, os olhos prateados, faiscando em fúria.

Draco curvou-se na grama e tossiu rouco, antes de levar a mão à boca e perceber que esta sangrava.

- Então você quer um duelo, Talamay? – ele perguntou, erguendo a cabeça e mostrando a ela o lábio cortado e manchado de sangue.

- Se você estiver preparado para perder e levar a surra de uma garota. – May avisou, ainda empunhando a varinha na direção do sonserino, que se ergueu e sacou a sua própria varinha.

- Vamos fazer as coisas ficarem divertidas...- Draco sugeriu, fazendo-a curvar a cabeça levemente para o lado. – Vamos usar somente, Magia Negra!

Os alunos soltaram uma exclamação de surpresa. Murmúrios começaram, cochichos e risadas abafadas vindas dos sonserinos ecoaram pelo jardim.

Os estudantes formaram um circulo envolta de May e Draco, ansiosos pelo duelo, alguns já começando a fazerem suas apostas de quem sairia vencedor.

Hermione, como monitora chefe, decidiu que era melhor entrevir. Estufou o peito de fôlego e se colocou entre os dois sonserinos.

- Vocês parem já com isso! Se não serei obrigada a relatar isso à Professora Minerva e tirar uma boa quantidade de pontos de sua casa.

- Deixe eles se matarem, Mione. Duas cobras a menos no mundo não irá fazer falta. – Rony disse, recebendo um olhar mortal da morena.

- Saia da frente, Granger. – May sibilou entre os dentes, os olhos cravados ainda em Draco que se mantinha quieto.

- Não irei sair de lugar algum Su, você que deve se colocar em seu próprio lugar, eu sou a Monitora Chefe aqui, então...

- Estou pouco me ferrando se você é ou não é uma misera monitora, Granger, eu somente quero que você saia da minha frente. – Hermione ergueu o queixo.

- Não irei sair! – May deu os ombros.

- Eu pedi com gentileza. – e movendo a sua varinha em direção a Grifinória, proferiu: - Estupefaça! – o jato do feitiço cortou o ar, chicoteando-o como uma serpente, e em questão de segundos, Hermione já era lançada com força para trás, rolando pelo gramado, como um peso morto.

- Belo feitiço. – Draco elogiou, vendo Rony e Harry correr em direção a amiga desacordada no chão.

- Obrigada. Agora... Onde estávamos? – May voltou a sua varinha na direção de Draco, que também se colocou em posição de duelo. – Oh sim... Magia Negra!

Draco sorriu.

- Espero que não tenha esquecido das aulas que seu padrinho lhe deu.

- Nenhuma.

- Perfeito, então não serei obrigado a pegar leve com você. – e antes que a índia pudesse responder, Malfoy urrou com firmeza: - Incoliteros Somelty!

May sorriu e antes que o feitiço pudesse atingi-la, proferiu:

- Felicinit Esculón!

Os jatos de luzes amarelas se chocaram, e uma leve bola colorida se formou no ar, antes de explodir e chuviscos de brava caírem sobre o gramado e uma fumaça cinza ser levada pelo vento.

- Pensou rápido. – Draco disse, sorrindo.

- Eu não pensei rápido, querido, você que é lerdo demais. Yliaty Prótunun! – gritou sem hesitar, onde o feitiço roxo colidiu contra o peito de Draco que voltou a ser lançado para trás, dando um giro no ar, antes de cair no chão como um baque.

O loiro riu e ergueu os olhos e apontando a varinha para May, disse:

- Silincetiosa – a índia pega desprevenida, franziu o cenho ao não ver jato algum sair da ponta da varinha do Sonserino.

Riu.

- O quê é isso Malfoy? A varinha não te obedece mais? – Draco sorriu venenoso.

- Não doçura, você que não percebeu. – May ergueu uma sobrancelha e antes que pudesse soltar qualquer exclamação, sentiu alguma coisa espinhosa enrolar-se em seu pé.

Olhou para baixo e viu um tipo de trepadeira começar a enrolar-se envolta de seu corpo, como uma cobra, os espinhos cortando sua pele, deslizando por ela e fazendo um rastro de sangue.

- Aaahhhhhhhh! - berrou, os dedos de sua mão que estavam envoltos da varinha se abriram, e esta caiu ao lado de seus pés, enquanto sentia a dor da planta, esmagando-a, arranhando-a e subindo por seu corpo, até chegar à altura de seu pescoço. – Malfoy! – gritou por ele.

Draco se levantou e limpou as folhas secas de suas vestes, enquanto apreciava a cena.

- O que foi, Mayzinha Não sabe como se livrar do feitiço? – zombou.

Foi quando viu algo que ele realmente não esperava.

Ela estava chorando de dor.

Lágrimas caindo pelo canto dos olhos levemente puxados de May, que gemia de dor, ao sentir os espinhos cravando em sua pele sem piedade.

Uma dor em seu peito se aglomerou e Draco arrependeu-se por ter proferido um feitiço tão letal como aquele.

Desejou estar no lugar da índia. Mas ele tinha plena consciência... Ele estava sofrendo ainda mais. Vendo-a daquela forma tão indefesa, chorando e gemendo de dor.

- May...- chamou-a num murmúrio, ao ouvir mais um gemido dela.

- Draco...- ela o chamou, abrindo os olhos e fitando-o – Por favor... me... solta. Por... favor...- Céus, ela estava implorando.

Como pudera fazer uma coisa daquela, com ela?

Sem pensar, ele balançou a varinha no ar numa forma rápida, e num passe de mágica a planta começou a desaparecer, deixando a vista as vestes rasgadas da índia, junto com o sangue que escorria por sua pele, manchando sua blusa branca.

Ela caiu no chão, fraca.

- May! – Draco gritou por ela, correndo em sua direção. Mas para a sua surpresa, May ergueu a cabeça, um sorriso vitorioso curvando em sua boca.

- Colatiros! – ela proferiu, e um jato vermelho o atingiu.

Ele caiu no chão, contorcendo-se de dor, sentindo seus ossos serem esticados, como se estivessem sendo puxados por uma corda.

Maldição! Como se deixara enganar por ela? Fraco! Você é um fraco, Malfoy! E é esse seu amor por ela, que o faz ser tão estúpido. Sua mente gritava, enquanto seu corpo se contorcia.

- Você acha mesmo que um simples feitiço de trepadeira pode me derrotar, Malfoy? – May perguntou, irônica, levantando-se, sem se importar com seus ferimentos e suas vestes rasgadas – Eu fui treinada para agüentar torturas, querido. – aproximou-se do loiro – Diferente de você, não é mesmo?

Sentiu seu coração falhou um batimento, quando seus olhos encontraram os dele, cheio de dor e solidão.

Por que você me machuca dessa forma, Draco? Eu te amo tanto, Ela pensou, sentindo um nó na garganta.

- Mas o que está acontecendo aqui? – a voz severa de Minerva McGonagall sobressaltou-se, fazendo com que May vira-se à cabeça para fitar a professora de transfiguração se aproximar e ao seu lado Hagrid. – Tamalay Su e Senhor Malfoy o que vocês pensam que estão fazendo?

A velha bruxa tirou a própria varinha de dentro de suas vestes e agitou-a contra Draco que parou de sentir seus ossos se esticarem instantaneamente.

- Todos os alunos para o Salão Principal, agora mesmo, o almoço será servido daqui a pouco. – Minerva ordenou, severa – E vocês dois – apontou para May e Draco que ainda estava estirado no chão – os quero em minha sala imediatamente. – dando a volta nos calcanhares à professora começou a se locomover pelo jardim, a longa saia preta de sua veste ondulando em sintonia com o vento.


Fechou a porta num estrondo forte e furioso atrás de si e caminhou até o sofá vermelho daquela sala particular. Olhou para a lareira e cerrando os olhos levemente, fez com que a tora já posicionada soltasse uma leve faísca, antes de começar a ser queimada e consumida pela chama do fogo.

- Aquele... Aquele maldito, cafajeste, filho duma...

- Você é uma imbecil! – Naty interrompeu-a, sentando-se na poltrona ao lado da lareira.

Gina olhou-a incrédula.

- Espera ai...- a ruiva urrou, cruzando as pernas e acomodando-se melhor – Se eu me lembre bem, você ouviu perfeitamente quando o estrupício do Potter confirmou que havia ido para a cama com a May.

- Gina, pelo amor de Deus, até parece que você não sabe que a May é virgem! – Gina engoliu em seco, e deu os ombros.

- E quem nos garante que ela esteja mesmo dizendo a verdade?

- Talvez o elo da nossa amizade? A nossa confiança que temos uma na outra? Merlin, agindo assim parece que você realmente concorda com os alunos da escola. –Gina ergueu uma sobrancelha.

- No que eu concordo com eles?

- Que a May é realmente uma vadia. Sendo que ela está muito longe disso. Se tiver em Hogwarts uma garota tão fechada e castra como a May, eu ainda vou conhecer.

Gina soltou um baixo muxoxo, assimilando numa rapidez incrível em sua mente as palavras de Naty.

- Tudo bem. – disse por fim, quebrando o silencio que pairou no ar. – Eu posso ter pegado um pouco pesado.

- Um pouco?

- Okay, eu peguei pesado, mas...- um sorriso perverso surgiu no canto dos lábios da ruiva.

Naty também sorriu.

- Você adorou dar um tapa na cara do Harry, não é mesmo? – Gina sufocou uma risada.

- Adorar é pouco. Eu amei!

Naty balançou a cabeça, relembrando do momento em que viu o rosto de Harry virar na direção em que a mão de Gina impulsionara com o tapa estralado.

Com certeza a marca dos dedos não iria desaparecer tão cedo. E provavelmente, Harry ainda chegaria a sentir uma irritante dor no local golpeado pelo restante da semana.

Suspirou e olhou para a sua mão direita, sentindo-se vazia ao ver que seu dedo anelar não se encontrava mais vestido com o anel de compromisso que Fred lhe dera.

Gina pareceu perceber a sua quietude e aproximou-se, antes de perguntar numa voz calorosa:

- Ná... O que houve?

Naty deu os ombros numa forma melancólica, junto com o pequeno sorriso amarelo em seus lábios.

- Nada de mais. – disse baixinho.

- Me conte. - Erguendo os olhos, Naty olhou para a ruiva com os olhos azuis brilhantes pelas lágrimas que começavam a se apossar deles, e fazendo com que ficassem vermelhos.

Gina engoliu em seco ao ver o semblante da amiga tão abatido, pálido e incrivelmente mergulhado de dor.

Estava preste a abrir a boca e dizer alguma coisa, quando Naty ergueu a mão direita e balançou levemente o dedo anelar para frente e para trás, mostrando que este estava nu.

Gina arregalou os olhos e franziu o cenho parecendo incrédula.

- Mas... O que houve com o anel que o Fred te deu? – Naty respirou fundo, parecendo fazer uma força enorme para segurar o choro.

- Nós... Terminamos. – a ultima frase não passou de um leve sussurro, onde Gina teve que fazer um grande esforço para entender.

- Vocês o quê? – Gina exclamou – Como? Por quê? Onde? Quando?

Naty riu sem humor algum, recontando-se na poltrona e cruzando as pernas.

- Como? De uma forma bem direta, sibilando com todas as letras da palavra: A-c-a-b-o-u! Por quê? – Naty suspirou e contou a ruiva sobre a carta de Paul e no que nela retratava, e logo depois revelou que Fred pegara a carta que havia caído no chão depois de um longo amasso entre eles. Uma lágrima escorreu pelo rosto dela, enquanto Gina cerrava os punhos com força.

Como o miserável de Paul tinha a cara de pau de dizer todas aquelas barbaridades a Naty, sendo que fora ela a prejudicada com tudo aquilo? O cara era um doente mental. E ainda mais, seu irmão era um estúpido ao não perceber o quando o termino do namoro dele com a amiga iria afetá-la ainda mais.

Tudo bem que a relação de Naty e Paul não estava numa das maiores sabedorias de Gina, mas ela sabia o suficiente: Paul fazia alguma coisa com a amiga que a deixava mal, doente, triste... Completamente infeliz.

E ver Natalie McBride infeliz era algo que somente alguém que a conhecia o suficiente poderia dizer. Na maioria dos momentos a morena sempre estava sorrindo. Um sorriso que escondia por de trás de seus olhos, o sofrimento de algo oculto.

Fez uma nota mental para ter uma séria conversa com Fred também, depois de resolver um assunto com May.

Naty fungou, fazendo Gina balançar a cabeça, voltando aquele momento.

- Quando? Hoje! Onde? Agora a pouco no corredor.

- Mas... Deve ter acontecido mais alguma coisa Naty. Eu te conheço. Se o motivo do fim do namoro foi somente pela carta e pela parte de Fred você teria ido atrás dele. Você jamais iria permitir isso... Somente se a sua escolha também fosse terminar.

Naty sorriu. Era impossível esconder algo de Gina. Ela era muito perspicaz.

- Eu realmente fui atrás dele depois de alguns minutos. – olhou para a amiga. – Eu estava disposta a contar para ele sobre a minha vida, Gi. Toda ela. A minha historia que até hoje eu me neguei a contar a você e a May. Mas...- a imagem de Fred beijando aquela garota loira da Corvinal, as mãos acariciando-a, os lábios devorando-a como tantas vezes fizera com ela também, fluiu em sua mente a fazendo sentir um nó na garganta.

- Mas...

- Eu o vi beijando outra. – passou a mão pelos cabelos, antes de apoiar o rosto sobre estas - Melhor... Praticamente, comendo uma garota da Corvinal.

Gina teve um sobressalto tão grande no sofá, que quase caiu no chão.

- Ele o quê? – ela berrou em plenos pulmões. Não acreditando no que seus ouvidos haviam acabado de ouviu. – Não Naty, você só pode estar enganada. Aquele não poderia ser o Fred. Eu conheço muito bem ele, e eu sei que ele jamais faria algo tão... baixo. Ele te ama de mais para te magoar dessa maneira. – balançou a cabeça de um lado para o outro – Você pode ter se enganado.

Naty riu de modo frio, jogando a cabeça para trás e fixando seus olhos no teto da sala.

- Me enganei tanto que provavelmente minha mente também entendeu mal o recado, quando o seu querido irmão virou-se para mim e disse: O que foi, McBride? Veio buscar um pouco de divertimento? Se for isso, eu estou ocupado agora.

Gina parecia mais incrédula a cada segundo, sua boca aberta como se o seu queixo fosse parar no chão e os olhos arregalados.

- Eu... Deus. Como Fred pode ter sido tão ridículo. Como aquele imbecil chegou a esse ponto?

- Ele me feriu Gi, e não deve ter conhecimento o quando esta ferida bem aqui – levou a mão ao coração, os olhos ainda fitando o teto, e as lagrimas escorrendo agora pelas laterais de seus olhos, fazendo um rastro úmido – está começando a me matar. Eu não vou ser falsa e dizer que eu não sei que nesse momento ele também deve estar sofrendo...

- Mas você pelo menos não beijou outro na frente dele. – Naty assentiu, fazendo a ruiva rosnar entre os dentes – Aquele palerma! – começou a andar de um lado para o outro, pressionando as têmporas, a cabeça começava a latejar. – E eu pensando que além de mim, ele era o único da famá-lia que tinha um cérebro na cabeça. Depois de tudo o que eu ouvi dizer a Jorge naquele dia em que ele gritara com a May... Dar uma verdadeira lição do amor. É muito difícil acreditar que ele fora capaz de fazer algo tão monstruoso.

- Para você ver como as pessoas surpreendem. – Naty disse, desviando seu olhar do teto e pondo-o sobre a porta da sala, que se abriu num rompante revelando a imagem suada e arfante de May.

A índia olhou para ela e sorriu e quando seus olhos negros puseram-se sobre Gina e viu a ruiva vermelha de raiva, pressionando as têmporas e quase soltando fumaça pelas orelhas, engoliu em seco.

To perdida, Pensou, fechando a porta e colocando as mãos para frente de seu corpo, os braços esticados, de uma forma como se estivesse querendo deter alguma fera.

- Gina, por favor, precisamos conversar. Não é nada do que você está pensando, amiguinha. O que aconteceu no jardim, bem... Não é exatamente o que deu para se entender. – deu um passo a frente. – Eu sei que você deve estar fula da vida comigo, e eu te dou todo esse direito, e eu não posso negar que amei o tapa que você deu no Potter – os olhos negros brilharam de uma forma orgulhosa – e cara, que tapa! – balançou a cabeça saindo do transe, e começou a atropelar as palavras novamente: – mas você entendeu tudo errado, querida. Eu nunca dormi com o Potter. Deus me livre dessa desgraça. Tudo bem que ele é lindo, gentil e tem um corpo maravilhoso. E põem maravilhoso nisso. Mas, Gi... É o Potter. E você sabe como eu sou em relação a aquela lagartixa.

Naty riu após a declaração desesperada da índia e Gina também não pode deixar de rir.

- May está tudo bem, eu que me deixei levar pelo momento e não pensei muito bem. É claro que você jamais iria para a cama com o Potter. – May suspirou aliviada e tirou o casaco, antes de pular por cima do sofá e sentar-se.

- Graças a Deus, você não sabe como eu estava morrendo de medo de você querer me estrangular.

- Eu estrangular você? Imagina, por que eu faria uma coisa dessas? A você ainda que é uma menina tão pura e intocada. Você ainda é virgem.

May fez uma careta.

- Cale a boca que você também é. – Gina riu.

- E espero ficar assim por um bom tempo ainda. – May assentiu.

- Espero mesmo. Por que não estou afim de te por um cinto de castidade. – a ruiva gargalhou.

- Está parecendo os meus irmãos. – May deu os ombros e pareceu despreocupada.

- Bem, pense pelo lado positivo; por mim você vai poder perder a virgindade somente depois de casar. Para seus irmãos você vai casar depois dos quarenta e perder a virgindade depois dos sessenta.

- Tadinha de mim. – Gina sentou-se ao lado da índia, encolhendo os ombros e fazendo uma falsa cara de desolada – Vou morrer num caixão branco.

Naty riu pela primeira vez naquele dia.

- Eu quero um normal, para mim.

- Eu vou querer um preto. – May disse convicta. – Um daqueles que brilha no escuro. – Gina olhou-a com uma cara estranha.

- Como você pretende fazer um caixão preto brilhar no escuro?

- Não sei. Eu dou um jeito. Sempre me disseram que a luz afasta os vermes. E eu não vou querer que a minha linda pele, macia como um pêssego, seja comida por aqueles bichinhos nojentos e rastejantes que ficam embaixo da terra.

- Então eu acho que seria melhor você ser cremada. – Naty sugeriu, entrando na brincadeira.

May negou num gesto de cabeça.

- Não, não. Quero que meu caixão seja levado para o cemitério em um carro cheio de enfeites e fachas com frases como: "A uma mulher esplendida, sensacional, cheia de vigor e classe!", "Talamay, a mais desejada!", "May Sutramy, a mulher que destruiu milhares de corações masculinos!". Pessoas ao arredor carregando buquês de flores, vestidas de modo clássico e formal, enquanto outros jogam pétalas vermelhas e brancas no chão à medida que o carro fosse passando. E não podemos esquecer da orquestra, com violinos, piano, flautas...

Gina riu.

- Você quer uma festa no seu enterro, só se for. – May resmungou.

- Não quero uma festa, eu quero glamour minha filha, glamour!

Gina e Naty riram ao verem os olhos negros de May brilharem de modo sonhador.

A índia também sorriu e quando seus olhos se puseram em Naty novamente o riso morreu e uma expressão de preocupação colocou-se em seu rosto.

- Ná, você estava chorando? – Gina suspirou, e também parou de rir.

- Sim. - Naty respondeu.

- Por quê? – May quis saber.

E em poucos segundos Naty e Gina já estavam relatando o que conversavam minutos antes dela chegar.

Contaram sobre a carta de Paul, onde vez a índia soltar um leve palavrão baixinho que as duas puderam distinguir que fosse algo parecido mais ou menos como: aquele filho da mãe.

Naty contou por fim a historia do fim do namoro dela com Fred, onde fez com que May ficasse do mesmo modo que Gina.

- Ele tem problema? – ela exclamou – Não, por que um infeliz que termina com você por causa de uma carta que fora escrita por um lunático, só pode ter sérios problemas na cabeça.

- Ele tem um problema...- Gina disse revoltada – Falta de um cérebro.

- Falta de confiança em mim. – Naty corrigiu-a.

May fitou a amiga de modo critico, os olhos mais fechados do que o normal.

- Você vai me desculpas Naty, mas, acho que você é a pessoa menos encarregada de dizer a alguém que não tem confiança.

- O que você quer dizer com isso? – May suspirou profundamente.

- Amiga, você tem que me entender que... Nem eu e tampouco a Gina não sabemos nada a seu respeito. – Naty pareceu indigna com aquela acusação e num pulo colocou-se de pé, com o cenho franzido numa forma zangada.

- Mas que absurdo é esse que está dizendo, Talamay? É claro que vocês me conhecem. Melhor do que ninguém. Vocês sabem como me animar. Sabem quando estou triste ou feliz. Sabem quando eu preciso de vocês. Sabem quando eu não estou me sentindo bem com alguma coisa...

- Será que sabemos mesmo, Naty? – May desafiou-a. – Pois bem, eu posso realmente saber de todas essas cosias que você disse, mas o essencial eu não faço a mínima idéia.

- E o que seria esse essencial?

- As suas raízes. A sua historia. Da onde você veio, onde nasceu, quem são seus pais e como eles faleceram. Como era o seu relacionamento com Paul e como começou esse seu ódio por ele. Eu não sei sobre a sua vida Naty. Absolutamente nada. Deus eu nem sei o seu nome do meio.

Aquilo foi como um tapa, fazendo com que a morena cambaleasse para trás e voltasse a se sentar, caindo sobre a poltrona como um peso morto.

- Naty...- Gina chamou-a – May está certa. Nem sabemos o seu nome do meio. Sabemos que McBride vem do seu pai... Mas e o nome da sua mãe?

Naty ainda se mantinha calada, o rosto pálido como a neve e as mãos tremulas, como se ela estivesse no meio de uma incrível tempestade de vento, que lhe causava todo aquele frio.

Ela parecia sôfrega, como uma folha ao ar, levada pela brisa.

Shhh... Cale a boca, e pare de se debater. Se não você vai sentir mais dor, pequenina.

A voz de um homem ecoou em sua mente a fazendo contorcer seu rosto em uma careta de repugnância.

Quanto é que essa garota vale? Estamos num leilão e eu iria adorar uma escravinha para me satisfazer. Olha só como ela é bonitinha. Treme que nem uma ratinha suja e porca, não é mesmo?

Outra voz.

Naty tampou os ouvidos, como se aquilo fosse ajudá-la a não poder ouvir mais as vozes. Começou a balançar seu corpo para frente e para trás, o rosto quase sendo escondido entre seus joelhos.

Mas as vocês continuavam... Seu passado começa a invadi-la novamente.

Vamos logo sua imprestável. – o som de um chicote serpenteou no ar, antes de o cabo grosso de couro chocar-se contra suas costas. Ela gritou e a bandeja em sua mão caiu. O trapo que usava como uma blusa começou a manchar-se de sangue. – Levante-se sua putinha. – e recebeu mais uma chibatada.

- Não, por favor, não... Deixem-me em paz. – Naty sibilou, num transe profundo.

Gina e May se aproximaram dela e ajoelharam-se a sua frente.

- Naty acorde. – Gina chamou-a, balançando-a pelos ombros.

- Coma! COMA! – o homem gritou, segurando-a pelos cabelos e afundando seu rosto entre a comida estragada que estava no lixo da rua há quase três dias – Coma tudo, sua cadela! Isso é o seu castigo por ter queimado o arroz.

E num gesto brusco, Naty reergueu-se, puxando o ar com força pela boca, como se tivesse acabado de sair do fundo de águas tenebrosas, e agora se encontrava na superfície, enchendo seus pulmões de oxigênio.

- Eu não posso. – ela disse baixinho, os olhos fixos em algum ponto da parede da sala. – Não posso.

O que houve amor? – A voz de Paul veio a sua mente – Está com medo do que? Você já fez isso tantas vezes com os outros homens que te comeram. Acho que eu te comer não vai ser tão nojento para você não é mesmo? Além do mais, essa é a nossa primeira vez. – ele sorriu quase que demoníaco, enquanto aproximava-se da cama a onde a amarrara, a boca tampada por um pano. Começou a se debater. – Epa, epa. Não se debata, se não as cordas nos seus pulos e tornozelos vão machucar a sua pele e olha que eu ainda nem a provei.

Ela implorou com os olhos para ele não fazer aquilo, pediu e humilhou-se, mas como resposta recebera um tapa na cara.

Sua vagabunda. Você se deu para tantos outros e eu que sou seu namorado não vou ter o direito de te foder. Pare de se debater! – e deu-lhe mais um tapa na face, que se encontrava encharcada de lágrimas.

As imagens, vozes... Tudo ecoou em sua mente como um furação. Todo o seu passado veio átona, e sentia-se tonta, enjoada e uma ânsia de vomito tomava conta de seu estomago embrulhado.

Um gosto amargo tomou-lhe conta da boca.

- Eu... eu...- sibilou. Foi então que para sua surpresa sentiu algo se arrebatar contra seu rosto, como um tapa.

- May! – Gina exclamou ao ver a índia dar um tapa na cara de Naty.

May deu os ombros.

- Somente assim que ela vai acordar.

Naty piscou os olhos varias vezes antes de levar uma mãe a face golpeada.

Olhou para a índia atônita.

- May! – ela exclamou, novamente de volta ao seu presente.

- Desculpe querida, mas não achei outro jeito de te trazer para a Terra.

Gina ergueu-se e suspirou.

- Graças a Deus! – voltou a se sentar no sofá, e foi seguida por May.

Naty ainda tinha a mão no rosto quando a ruiva perguntou:

- O que aconteceu com você, Naty? – a morena suspirou e estava preste a dizer: nada de mais. Quando May bufou ao seu lado e respondeu com irônica:

- Não espere que ela te diga Gina, Naty talvez jamais conte nada a nos duas.

Naty respirou fundo e olhou paras as duas amigas que se encontravam com os olhos escuros, demonstrando o quanto estavam chateadas.

Sentiu um aperto no peito.

Havia escondido tempo de mais as verdades das duas pessoas a quem considerava como uma irmã.

Respirou fundo varias vezes.

Não iria contar tudo de uma vez, mas pelo menos a parte de seu namoro com Paul elas teriam o direito. Elas eram suas amigas e não um grupo de cafajestes, pedófilos e ninfomaníacos com quem se abatera no passado, antes de reencontrar seu avó.

- Eu estava pensando no meu relacionamento com Paul. – May balançou a mão numa forma nervosa, pedindo para ela se calar.

- Naty você não precisa...

- Não! Eu quero! Eu preciso contar. Vocês têm esse direito.

As amigas prenderam as respirações quando Naty começou a narrar.

- Eu era uma nova garota de quatorze anos que acabara de chegar em Hogwarts, vinda de Paris. Tudo isso aqui era novo para mim. Tanto as pessoas como a cultura e a língua. – as imagens fluíam em sua mente. – Foi então que Dumbledore anunciou os iniciantes e por fim eu fui a selecionada para ir ao Chapéu Seletor. Eu tremia graças ao meu nervosismo. Foi então que andando por aquele corredor que me levaria ao banco para ver em que casa eu iria ficar que eu vi Paul pela primeira vez.

"Eu me lembro de tudo com todos os detalhes, até mesmo do jeito de como estava o cabelo dele. Ele estava ao lado de um garoto que usava óculos e tinha um nariz enorme, e do outro uma linda jovem de cabelos avermelhados que os prendia em duas tranças... E ele – um abafado riso irônico escapou de seus lábios. – Bem... Paul estava lindo com aquele uniforme azul da Corvinal. Os cabelos despenteados e caindo-lhe sobre os olhos castanhos, o sorriso dele era o mais lindo que eu já tinha visto em toda a minha vida. E depois que tudo o que acontecera comigo, eu jamais pensei que algum homem pudesse mexer comigo como ele mexera naquele dia".

Gina começou a sentir-se nauseada, somente de imaginar o que deveria ter ocorrido a Naty antes de vir para Hogwarts, para ela repugnar tanto assim a raça masculina. Temer eles como um gato temeria um cão.

E a amiga continuou...

- Ele não havia me visto, nem mesmo quando eu estava bem lá na frente, com o Chapéu na minha cabeça. E quando fui selecionada para a Grifinória e caminhei até o meu lugar, ele também não havia me visto. Era como se eu fosse algo inútil para ele, algo que não valia a pena. Aposto que aquele canalha nem tenha percebido que eu nem comi nada naquele banquete, por que fiquei o jantar inteiro somente o olhando, observando os seus gestos delicados com as garotas, o seu sorriso espontâneo a risada alegre e a maneira sensual que ele mexia nos cabelos. O corpo másculo e forte movendo-se de forma relaxada quando esticava o braço para pegar o sal ou a jarra do suco de abóbora.

"O tempo passou, dias, semanas e meses e o infeliz não saia da minha cabeça. Foi então que num belo dia, eu saindo da biblioteca me trombei com ele, os meus livros caíram no chão. Ei garota, cuidado! Ele disse para mim numa forma divertida e carinhosa, antes de abaixar-se para pegar os meus livros e assim entregá-los a mim. E foi ai que ele me viu... Os olhos dele, aquele castanho, brilharam para mim e por um certo momento eu senti que ele estava meio que sem jeito".

"Eu fiquei completamente embaraçada e corei até o ultimo fio do meu cabelo. Então eu comecei a gaguejar na tentativa de agradecer, mas a única coisa que eu consegui fazer foi deixar tudo ainda mais embaraçoso. Então fiz a única cosia que me veio na mente, e a mais idiota; eu corri".

- Onde será que eu já vi isso? – May perguntou zombeteira, lançando um olhar de esquia para Gina que lhe deu um tapa no braço.

- Não me aborreça. – Olhou para Naty que sorria. – Continue.

- Ai, a partir daquele dia eu comecei a sentir que era observada. Por todos os lugares. Onde eu estava, ora no Salão Principal, no jardim, no corredor, eu sentia um par de olhos sobre mim, e foi numa hora de surpresa que eu virei em direção ao sentia que vinha aquela sensação e dei de cara com Paul, encostado no corredor, com as mãos no bolso, três amigos na frente dele falando sem parar e ele olhando para mim, inerte a conversa. O corredor estava cheio, mas naquele momento... Pareceu existir somente eu e ele. Mais ninguém. – suspirou".

"Eu sentia que ele não sabia como chegar em mim, para conversarmos e nos conhecermos, e por minha vez, eu não sabia como dar a intenção a ele de que queria conhecê-lo também, que eu... Céus, eu já estava apaixonada por ele. Completamente".

"Então, foi num dia, na aula do Hagrid que eu senti algo coisa bater contra a minha cabeça, e eu estava num mal dia, completamente emburrada. Olhei para o chão e pude ver uma bolinha. Pegando-a eu me virei e toda enfurecida berrei: Mas quem foi o idiota, mão-torta, que jogou isso em mim? E então ele aparecei de trás duma arvore, sorridente e caminhando até mim. Que estresse, garota. Foi só um acidente. Eu pouco me importei se era ele, e não me importei com as batidas fortes do meu coração e as minhas trêmulas pernas. Só sei que ergui o rosto e respondi arrogante. Um acidente estúpido que só pode ter sido cometido por um toupeira, e por acaso esse seria você? – Naty deu os ombros – A partir daquele dia, toda vez que nos encontrávamos; brigávamos".

Fora à vez de Gina lançar um olhar a May. A ruiva abriu a boca para dizer algo, mas a índia a interrompeu:

- Se você disser alguma coisa, irei te dar um soco tão forte que você perdera todos os seus dentes. – Gina gargalhou assim como Naty. – Continue.

Naty recuperou o fôlego, levando a mão ao peito antes de continuar:

- Uns dois meses passaram, antes de eu finalmente me encontrar andando pelo corredor à noite. Tinha ficado na biblioteca, estudando até tarde para um exame de Poções que seria no dia seguinte, logo na minha primeira aula. E então, virando num corredor eu me trombo com o Paul e bem... Nos brigamos, trocamos uns empurrões, uns xingamentos, brigamos mais um pouco e por fim... Nos beijamos".

As três fizeram uma cara de enjôo. Gina girou os olhos completamente nauseada.

- Garota corajosa. – murmurou, fazendo May assentir.

- 100

Naty sorriu e balançando a cabeça de modo divertido, continuou:

- Foi realmente um beijo maravilhoso. Ele mandou eu calar a boca e eu o desafiei a vir calá-la, e bem... Foi isso que ele fez. Numa forma bastante experiente, tenho que dizer. Ele me abraçava de um modo que me fazia sentir protegida, algo no meu coração fazia-o bater forte, me sentir quente. Tudo ao meu arredor não existia mais. Somente eu, Paul e o beijo que ele me dava com tanto carinho e por incrível que pareça, amor.

"Então, ficamos nesse de beijos convencionais por quase três semanas, antes de ele me pedir oficialmente em namoro. Eu lógico que aceitei na hora, e quando vi aquela aliança de compromisso, meus olhos se encheram de lagrimas. O anel é tão feio assim, que você ta chorando de piedade?. Ele me perguntou num tom divertido, e como resposta eu abracei. Mas jamais cheguei dizer algum dia que o amava. É algo que eu não conseguia. Mas eu sentia dentro de mim a chama do amor, mas simplesmente não a punha em palavras, parecia que algo na minha garganta a impedia."

"Foi então que no final do ano passado, para o começo deste, Paul começou a mudar. Começou a ser agressivo, possessivo. Eu pensei que essa mudança de atitude tenha vindo a ocorrer com algum problema particular, mas na verdade, era por que Fred começou a se apaixonar por mim, e Paul percebia perfeitamente as investidas dele em mim e isso o deixava irado. Mas eu sempre deixei bem claro que eu não gostava do Fred, não sentia nada por ele. Somente um carinho de irmão, igual tenho a vocês duas, mas Paul não acreditava e vivia me pedindo uma prova disso."

"Eu estranhei completamente, pois ele sentia sim ciúmes quando alguns garotos me olhavam ou me lançavam alguns sorrisos, e ele chegava a demonstrar, só que era de uma forma agradável, divertida, e eu adorava vê-lo com bico, mostrando o que estava lhe incomodando. Mas quando as coisas começaram a ser relacionadas a Fred, ele mudou numa forma monstruosa." – respirou fundo e levantou-se, começando a sentir sua perna latejar e pedir por alguma movimentação.

Caminhou até a janela da sala e ficou admirando os raios de sol saindo de trás das nuvens brancas.

Sorriu de modo triste.

- Então, num certo dia decidi, Paul gritou comigo. Como você quer que eu saiba que você me ama se você não demonstra? Se você não me deixa sequer te tocar numa forma mais intima? Se você não me conta porra nenhuma da sua vida passada. Num relacionamento tem que haver confiança e isso você definitivamente não demonstra ter relação a mim. Ele me disse. Eu perdi a cabeça naquela nossa primeira briga e sem pensar eu comecei a, praticamente, cuspir toda a verdade na cara dele. Disse tudo. Desde do jeito de como nasci, até como vim para Hogwarts e me encantei por ele".

- Deixe-me adivinhar. – May falou, de modo cínico – Ele te abraçou e disse que iria ficar tudo bem. Pediu desculpas e vocês acabaram se reconciliando. – havia um tom de ironia na voz da índia, como se ela estivesse querendo amenizar a situação.

Naty riu de modo fraco e amargurado.

- Quem me dera. – argumentou, olhando ainda pela janela. – Eu esperava qualquer reação vinda de Paul, eu achava que o conhecia, mas na verdade eu jamais soube quem ele na verdade era. Eu fui uma tola ao acreditar que ele iria fazer isso mesmo que você acaba de dizer May. – os olhos marejaram, e ela cerrou os dentes, assim como suas mãos que estavam cruzadas sobre o peito – O filho da mãe fez a ultima coisa que eu esperava. Melhor, nem cheguei a pensar que ele seria capaz de fazer algo tão imperdoável. – suspirou e abaixou a cabeça, fechando os olhos – Ele me deu um tapa na cara, onde fez um leve corte no meu lábio, e depois agarrou meus cabelos com força. Eu gritei para ele me largar. Eu na verdade não estava sentido dor, mas estava morrendo de medo do ódio, do desprezo e da repugnância que eu vi nos olhos dele, naquela hora. Foi algo tão repentino que ele não me deu tempo nem de piscar.

"Ele berrou, gritou e continuou a me bater como se eu fosse uma cadela. Eu jamais o vi tão descontrolado. Era como se alguém tivesse possuído o corpo dele naquele momento. O Paul tranqüilo, apaixonado e carinhoso que eu conheci, por quem me apaixonei, havia se transformado numa fera. Um monstro impetuoso. O brilho de vida e alegria que eu sempre amei nos olhos castanhos dele sumirá e dera lugar a algo quase sanguinário".

"Por fim, ele me agarrou pelos ombros e me atacou na parede. Você vai ser minha, e é bom você cooperar comigo, Natalie, é bom você ficar bem quietinha enquanto eu domino você, se não amanhã mesmo Hogwarts inteira irá saber a putinha de verdade que você é. Ele urrou entre os dentes, segurando o meu rosto com uma mão, enquanto com a outra ele rasgava a minha roupa. Eu chorei e implorei para ele parar".

"Paul, o que está havendo com você? Está me assustando, por favor, para! Por favor, meu amor, me solte. Eu implorei, mas tudo o que consegui foi uma risada fria, negra, como resposta, onde me fez sentir um arrepio na espinha. Você acha que eu vou mesmo perder essa oportunidade? Você é minha a partir de hoje, queridinha, está presa á mim pelo tempo que eu quiser. E quando eu desejar que você venha para mim, você terá que vir, como uma cachorrinha bem obediente ao seu dono, se não... Você já sabe! – uma lágrima escorreu, enquanto sua voz começava a enfraquecer pelos soluços - E assim ele me violento, tirou de mim a pouca esperança que ainda me restava. A minha esperança que neste mundo ainda poderiam vir a existir homens que fossem capazes, realmente, de amar".

- O canalha te suborno! – Gina exclamou pasma.

- Se eu o ver na minha frente...- May urrou cerrando os punhos.

O choro sacudia os ombros de Naty, e antes mesmo que ela pudesse fazer qualquer coisa, Gina correu até ela e a abraçou, enquanto May também fazia o mesmo.

Naty chorou no ombro das amigas. Os soluços sacudindo-a violentamente.

- Oh Deus. – Gina lamentou – Naty, você escondeu tudo isso de nós.

- Eu não podia falar...- ela respondeu – Se não, o maldito iria contar a todos sobre mim. De como eu fui ridicularizada na minha infância. Eu confiei nele, meninas, e o filho da mãe, me traiu. Apunhalou-me pelas costas.

- Naty, você tinha que ter pelo menos contado para mim e para a Gina.

- E o que você iria fazer, May? – a índia sorriu venenosa.

- Depois de castrá-lo e enfiar um arame farpado no rabo dele... Provavelmente matá-lo. – Naty olhou-a com os olhos inchados.

- Às vezes você chega a me assustar. – Gina riu.

- A May é tenebrosa. – May ergueu uma sobrancelha.

- Ah, não me encham.

- Mas o pior...- Naty continuou: - Foi que eu agüentei tudo isso. Agüentei as surras que ele me dava. As violências. Os xingamentos. Tudo. Agüentei tudo até o dia em que eu soube que ele havia batido em você May... Eu poderia ter aceitado os maus tratos, mas jamais iria permitir que o miserável machucasse alguma de vocês duas. Aquilo me deixou tão descontrolada que eu realmente não me importei de que ele contasse a todos sobre o meu passado...- May estremeceu.

- Eu realmente senti medo de você naquele dia. Menina do céu, seus olhos negros eram de aterrorizar até o meu padrinho. – Gina assentiu em plena concordância.

- Eu também fiquei bastante assustada. Jamais vi você tão fula da vida. – Naty deu os ombros.

- Isso é que dá mexer com a minha famá-lia. – disse sorrindo, abraçando as amigas de forma calorosas. – eu amo vocês. – Gina e May sorriram, e em uníssono disseram:

- Também te amamos Naty.

- Estamos aqui agora, pro que der e vier. – May falou.

- E não se esqueça; pode contar sempre com a gente. – Gina completou. Naty assentiu.

- Obrigada por tudo.

Ficaram abraçadas por um longo tempo. Talvez até mesmo por horas. Mas elas não sentiram o tempo passar. O ponteiro de relógio ir se mexendo e modificando os segundos e minutos.

Elas somente repararam que estavam daquela forma a um tempão, quando o sinal do final do almoço tocou, iniciando o começo das aulas da tarde.

Soltando-se das amigas, Gina disse:

- Nos vemos no jantar? – May balançou a cabeça num gesto triste.

- Eu não vou.

- Como assim? – Naty perguntou histérica, quase entrando num piti, ao ver a índia assentir com a cabeça.

- Minerva me proibiu de comparecer ao Baile. – Gina arregalou os olhos.

- Mas...- bateu a mão na testa – É verdade, a sua detenção por ter brigado com o Draco.

- Eu terei que pagar detenção com o maldito um dia antes de voltarmos para casa, na véspera de Natal. – Naty ainda se encontrava incrédula.

- E o que vocês terão que fazer?

- Limpar uma sala de tralhas, ai. Que me parece que ninguém entra nela há quase uma década. – May respondeu desgostosa, girando os olhos de modo tedioso – Aquela velha me proibiu de comparecer a um Baile. Eu! Eu que sou a alegria das festas.

Gina deu os ombros e colocou uma mão sobre o braço da amiga.

- Relaxa May, prometo que eu e a Naty tiramos bastantes fotos do Baile e levamos pra você alguns doces. – brincou, fazendo a índia a fuzilar com os olhos.

- Você é tão atenciosa. Quer que eu chore agora? – retrucou sarcástica.

- Se quiser eu te faço companhia May. – Naty sugeriu – Eu não estou muito a fim de ir a essa festa.

- Nem pensar. – May exclamou – Você vai sim a esse Baile, e vai esfregar na cara do Fred que ele é um imbecil, por ter terminado o namoro com você.

- Esse é o motivo... Eu não estou nem um pouco disposta a vê-lo. – Gina deu-lhe um peteleco na cabeça. – Ai, Gina!

- Natalie, pensa comigo: O Fred vai estar nesta festa, provavelmente tão mal quanto você está agora. Ele vai estar lá provavelmente sentado numa cadeira, num canto, somente esperando o momento de te achar com os olhos e ficar te admirando a noite inteira. E a ultima coisa que ele espera é te ver dançando e se divertindo, então... Por que ao faz a coisa que ele deseja realmente? – Naty franziu o cenho, não entendo aonde a ruiva queria chegar. May sorriu, captando a idéia.

- Isso. É perfeito. – virou-se parta a morena – Se você se mostrar tão mal quanto ele, Fred vai perceber o tanto que essa distancia entre vocês dois está de fazendo mal. E talvez ele se abale com isso, e se aproxime de você... Bem, pelo menos para conversarem.

Naty sorriu, parecendo gostar da sugestão.

Ela pretendia complementar a historia de acabada de contar as amigas em relação a Paul, e revelar a elas que depois dele, depois de finalmente perceber que todo aquele amor que um dia chegara a sentir por ele, não chegava nem perto para o que sentia em relação a Fred.

Fred era praticamente o homem que a fazia perder o chão. A cabeça. E esquecer o próprio nome. Ele tinha um dom de domar seus sentimentos, e fazer nascer dentro dela as reações mais eloqüentes.

Respirou fundo e sentiu o ar fresco acalmar seus pulmões.

E pela primeira vez, ela se viu com vontade de se entregar a um garoto por sua vontade. De sentir o corpo dele pressionando o seu. As mãos tocando-a nos recantos mais íntimos. A boca dele a saboreando, enquanto seus corpos dançavam unidos, movimentando-se em um ritmo perfeito e harmonioso.

Estremeceu somente de pensar de como seria deixar se amar por Fred.

- Vocês têm razão. – disse por fim – Vou fazer isso mesmo.

- É isso ai garota. Essa é a Naty que conhecemos. – May falou, sorrindo de orelha a orelha.

- Bem... Então acho melhor nos irmos para a aula. – Gina sugeriu, olhando para o relógio e vendo que já estava atrasada quase dez minutos para a sua aula de Adivinhação.

- Nos vemos depois do baile então. – May sugeriu caminhando até o sofá e pegando seu casaco.

Foi quando viu Gina abrindo a porta da sala e quase saindo que se lembrou que queria perguntar algo a ela.

- Gina. – chamou-a, fazendo a ruiva dar um passo para trás e fitá-la de modo que incentivou-a a fazer a pergunta entalada em sua garganta: - Você é virgem?

Gina ergueu uma sobrancelha.

- O quê? – perguntou de modo pasmo.

- Somente me responda. – a ruiva assentiu de modo hesitante, olhando para a índia como se estivesse delirando. – Então você e o Draco... jamais tiveram... você sabe... relações intimas?

Gina arregalou os olhos de modo como se idéia fosse a coisa mais absurda que já ouvira.

- Mas é obvio que não. Quem te disse uma loucura dessas? – May sorriu.

- O próprio Pavão Oxigenado. – num relato rápido, enquanto caminhava até a porta, contou a Gina e a Naty o que acontecera no jardim, depois que elas saíram. E o modo como Potter ficara enlouquecido depois de ouvir tamanha barbaridade.

- Eu não creio que ele falou uma coisa dessas. – Naty disse, olhando para Gina que parecia ter entrado num estado de transe.

- É. Eu também, não. – May garantiu – Mais o Potter e o Rony quase pularam em cima do Malfoy, mas Dino e Jordan os seguraram.

- Pois não deveriam. – Gina argumentou pela primeira vez. – Deveriam ter deixado Harry e Rony matar aquele infeliz. – May abraçou-a pelos ombros.

- Agora sim, estamos começando a nos entender em relação a aquela cobra.

- Eu ainda não acredito que ele teve a maior cara lavada de dizer um absurdo desses. Mas ele vai me ouvir. Ah se vai. E pode deixar May que o que o trabalhar de matar o imbecil que você iniciou eu vou terminar. – estralou os dedos.

- Não se esqueça de tirar fotos e me levar uns docinhos depois. – a índia disse, dando-lhe uma piscadela que a fez rir.

- Pode deixar. – Naty ao lado delas soltou um leve muxoxo, chamando a atenção das duas amigas, e antes que elas pudessem perguntar o motivo daquela reclamação, a morena disse:

- Vocês duas já beijaram o Malfoy, menos eu. Será que eu não poderia beijar ele primeiro, antes de ele ser morto.

- NATALIE MCBRIDE! – as duas berraram escandalizadas, fazendo-a sacudir o corpo num riso alegre.

- Brincadeirinha.

O resto do dia passou como se as horas houvessem se transformado em minutos.

Talvez fosse pela adrenalina pelo Baile e a animação das garotas de discutirem de como iriam vestidas, ou talvez fosse por que May não se encontrava presente na Terra, ligada ao que acontecia em sua volta.

Ouviu alguns comentários a respeito do Baile, mas se encontrava tão inerte que passava reto a cada grupinho que via no corredor.

Sua cabeça latejava e seu corpo inteiro ardia pelos malditos ferimentos feito pela trepadeira proferida por Draco na hora que duelaram.

Mas pelo que Madame Ponfrey disse, na manhã seguinte acordaria nova em folha, sem um arranhão.

Olhou ao arredor da sala onde acontecia a ultima aula do dia; Poções, a procura de Draco. Não sabia o por quê de está tão preocupada por ele, e querer vê-lo, mas não podia negar que a saudade em seu peito começava a incomodá-la.

Tentara negar a si mesma que não sentia a falta dos abraços de Draco, dos beijos dele, das palavras doces que ele dizia ao pé de seu ouvido. Mas, a verdade, era que realmente sentia falta da companhia daquele pervertido duma figa.

Precisava dele. Essa era a crua, fria e terrível verdade.

Suspirando passou a mão pelos cabelos e abaixou a cabeça, colocando-a entre as paginas amarelas do livro aberto sobre a mesa.

- Ei, May, tudo bem? – Mary, a garota que sentava ao seu lado, ocupando o lugar que sempre fora de Draco, perguntou, pondo a mão em seu ombro.

May assentiu e fez uma careta de forma desgostosa.

Oh sim, tudo estava perfeito! Ela pensou com ironia, antes de para seu alivio, ouvir o som do sinal.

Pegou sua mochila, fechou seu livro e encaminhou-se até a porta, saindo da sala com uma incivil pressa.

Estava ansiosa para tomar um bom banho, deitar em sua cama e chorar até que o sono chegue.

Queria ficar sozinha. E agradecia a Dumbledore por ter tido a idéia de fazer aquela festa de Halloween. Isso a deixaria sozinha em seu dormitório, sem as garotas nojentas e irritantes de seu ano.

Caminhou pelo corredor escuro das Masmorras e não pode deixar de sentir um leve alivio quando se deparou com a porta do Salão Comunal da Sonserina.

Falando a senha, a porta se abriu e sem olhar para os lados, subiu as escadas em direção aos dormitórios femininos e entrou no seu próprio, referente ao seu ano.

Nem percebeu quando a porta atrás de si fechou sozinha, junto com o trinco que acabara de ser girado, trancando-a.

May jogou sua mochila ao pé de sua cama e seus livros sobre o colchão e antes que pudesse esticar os braços para alongar-se, uma voz séria disse atrás de si:

- Agora vamos ter uma conversinha, May!

A índia virou-se numa forma rápida e arregalou os olhos ao ver quem estava ali.

Continua...