Capitulo 18: Os maus também choram
Eu queria que você estivesse aqui no meu lado. Para me abraçar, e me aconchegar em seu peito e dizer que me ama.
Mas como aquilo era possível?
- Gina? – May chamou a amiga que deu um passo à frente e saiu das sombras, pondo-se sobre a fraca luminosidade do pôr-do-sol, que banhava o dormitório.
A ruiva suspirou e olhou no relógio em seu pulo.
- Eu tenho exatamente dez minutos para falar tudo o que eu quero e ouvir algumas explicações. – Gina explicou, cruzando os braços.
- O que eu fiz desta vez?
- Eu também não sei, por isso estou aqui. Para descobrir. – May franziu o cenho.
- Eu não estou te entendendo Gi, o que foi?
- Eu vou ser bem direta. – Gina argumentou, passando a mão pelos cabelos ruivos. Finalmente havia conseguido uma brecha para fugir do Salão Comunal da Grifinória e se infiltrar no da Sonserina.
A conversa que teria com May naquele instante, tinha sido muito adiada, e fazer isso agora seria impossível.
Seria uma pessoa a menos para enfiar um pouco de juízo na cabeça.
Somente de pensar que teria, ainda, um bom papinho com Draco e Fred, já começava a sentir-se exausta.
May sentou-se na beira da cama, cruzando as pernas.
- Então vamos lá, pode dizer. – Gina sentou-se no colchão da cama ao lado do da índia, e pondo-se em sua frente, disse sem hesitar:
- Por que você terminou com o Draco? – May arregalou os olhos de forma atônita, antes de voltar a relaxar suas feições e erguer uma sobrancelha.
Afinal das contas, que gozo de significado, aquela maldita pergunta viria a ter?
- Bem... Não foi exatamente um termino, já que eu e ele jamais tivermos algo realmente firme. Sério, sabe? – deu os ombros – simplesmente não dava mais.
- Não minta para mim, Talamay. – Gina exclamou séria. – Eu não vim aqui, arriscando o meu pescoço nesse ninho de cobras, para sair sem nenhuma explicação razoável de sua parte.
- Por quê tudo isso agora, Virginia? Se quiser alguma explicação, esta deve ser pedida ao infeliz do Malfoy, e não a mim. – Gina suspirou.
- Tem que ser de você, porque você sempre é a mais confusa. – May olhou-a de modo irônico.
- Eu não sou confusa. – Gina riu sarcástica.
- Oh não. Eu que sou. May, o que houve? Por que o Draco esta andando pelo colégio como uma barata tonta, pensando aonde errou com você, para ignorá-lo desse modo tão infantil. – Agora ela havia ido longe de mais. May pensou, levantando-se e começando a sibilar coisas sem sentido, andando pelo quarto de um lado para o outro.
Gina a olhava de como quase cômico, piscando os olhos varias vezes, na tentativa de tentar registrar algo útil que ela declarava.
Por fim, parou em frente à amiga e falou:
- Ele quer transar comigo. – fora à vez de Gina arregalar os olhos, atônita.
- Ele... O quê? – May riu sem humor.
- Ora Gina não se faça de sonsa. Você entendeu muito bem. – olhando bem para o fundo dos olhos da ruiva, sibilou: - Draco Malfoy quer transar, fazer sexo, brincar de médico...
- Eu entendi. Não precisa me tratar como se eu fosse uma mongol. – May bufou e sentou-se ao lado da ruiva, na cama.
- Gi...- começou ela cabisbaixa. – Ele me considera uma vaca. – Gina bateu a mão em sua perna e insinuou para a amiga deitar-se em seu colo, e sem praguejar, May o fez, fechando os olhos e aceitando de bom agrado a corinho de Gina em seus cabelos.
- Bem May, você tem que levar em consideração que ele não é o único de Hogwarts que pensa isso.
- Eu sei mais...
- Mais como você gosta dele, queria que ele não pensasse, não tivesse essa imagem de você. – a índia assentiu.
- Mas o inútil tem.
- E só por isso que você terminou com ele? – May se virou e ficou de barriga para cima, olhando para Gina nos olhos de modo que lhe perguntava o que deveria ter feito, e parecendo entender a mensagem, Gina continuou: - Você deveria ter conversado com ele. Esclarecido as coisas.
May girou as orbes e balançou as mãos no ar numa forma nervosa.
- Mas se ele é tão experiente como fala... Deveria perceber por minhas ações que eu...- deixou a frase no ar, dando-se ao que ela queria entender muito bem para a ruiva que continuava a lhe acariciar os cabelos.
- Você mesma o chama de imbecil, idiota, inútil, besta, jegue e outros codinomes, e ainda quer que ele perceba que você é uma virgem?
May desviou os olhos do rosto da amiga e os fitou do teto do quarto, pensativa.
Não negava a si mesma que já estava pronta para ter uma relação intima com um garoto, e por preferência sua, amaria que sua primeira vez fosse com Draco, mas... Recusava-se se entregar a alguém que lhe via como uma qualquer do mundo feminino.
Maldição... Ela não era uma vagabunda.
Queria realmente que as pessoas a vissem como uma pessoa madura, inteligente... Mas experiente sobre relações na cama... Era como falar em língua de alienígenas com ela.
- May...- Gina chamou-a num tom doce e carinhoso. – Você não pode culpá-lo. Draco realmente deve ter um número espantoso de garotas que já levara para a cama.
- E por isso eu não quero ser mais um prêmio para ele.
- Você não é um prêmio para o Draco. Ele gosta de você, May. De verdade. – a índia riu forçadamente.
- Gosta como gosta do Velho e Caduco Dumbledore. – Gina não ligou para o comentário sarcástico da amiga e assim continuou, como se não houvesse sido interrompida:
- Você não pode culpá-lo de achar que você não é mais virgem. Pois, você mesma permitiu que essa fama de ser uma garota fácil, e experiente no sigilo que se eleva a cama. E daí que ele não percebeu quando te beijava que você não agia como uma pessoa que sabia como se portar numa cama? Ele é um homem May, e os homens não se importam em ver se a garota por quem gostam é ou não virgem. Ainda mais quando ela tem uma fama estrondosa pela escola inteira.
May suspirou e fechou os olhos, guardando levemente na mente as palavras de Gina.
- Não culpe Draco, por algo que você mesma está errada. Ele esta te tratando como se você já soubesse como agir com um garoto entre quatro paredes e uma cama. Mas se ele soubesse que você ainda é virgem...- sorriu e beijou a testa da índia – tenho certeza que o modo que ele iria ter tratar seria completamente diferente.
May abriu os olhos.
- Você acha? – perguntou insegura. Gina sorriu.
- Com certeza. E ainda mais, ele iria te esperar. Não iria ficar te sufocando em relação ao assunto de ir para a cama com ele. Draco iria pegar mais leve com você, iria permitir que você mesma fizesse o seu ritmo, e iria segui-lo. Ele pode ser um pouco tapado e outras coisas, mas eu o conheço, May, e uma das coisas que Draco definitivamente não é...
- É ser um cachorro sem escrúpulos. – Gina assentiu.
- Pense bem no que eu disse, May. E dê uma chance a ele. – segurou os ombros da índia e afez sentar-se na cama, antes de caminhar até a janela, onde o vento da calada da noite começava a balançar as cortinas verdes.
Lembrando-se de algo a perguntar para a ruiva, May virou-se.
- Gina. – a ruiva parou no meio do caminho, de subir no parapeito da janela. – Como fosse entrou aqui no Salão Comunal?
A amiga sorriu de modo travesso e colocou a mão para fora da janela.
- Accio Vassoura. – e em poucos segundos a vassoura dela estava em sua mão, à porta do armário do dormitório escancarada, mostrando aonde ela havia escondido o objeto voador.
- Garota esperta. – May exclamou abobalhada pela esperteza da ruiva, onde gargalhava e subindo na vassoura começou a flutuar na frente de sua janela.
- Até mais, May. – a índia ergueu a mão num gesto de despedida.
Quando Gina sumiu de sua vista, correu para a janela e gritou sorridente:
- Não esqueça das fotos e dos meus doces. – e como resposta, ouviu mais uma gargalhada alegre de Gina.
May ficou admirando o Sol ir se consumindo pelas águas do lado, os seus raios alaranjados tornando-se cada vez mais fracos e menos calorosos.
Sentiu a brisa esvoaçar seus cabelos e respirou fundo o aroma das flores silvestres.
Gina estava certa... Daria mais uma chance a Draco. Pensou sentindo uma imensa alegria arrebatar-se dentro de si.
Sentiu-se como se estivesse flutuando.
Batidas na porta a trouxeram ao presente e virando-se percebeu que as meninas esnobes que dormiam consigo, gritavam do lado de fora.
- Talamay, abra a porta, temos que nos arrumar para o baile.
Sorrindo a índia caminhou até a porta e abriu-a.
Ouviu os resmungos das companheiras, junto com os olhares fuzilantes sobre si. Mas não se importou, pois nada naquele momento seria capaz de arrancar seu ótimo humor.
Vestiu o robe e abriu seu guarda-roupa, passando seus olhos pelas roupas de festas que tinha, e pensando qual seria a mais apropriada a usar naquela noite na festa do Dia das Bruxas.
As outras garotas do dormitório já estavam quase prontas, e ela se encontrava ali, parada, sem nem mesmo ter tirado a toalha de sua cabeça, onde seus cabelos molhados se encontravam enrolados.
Os gritinhos histéricos das garotas começavam a irritá-la, e por breves segundos perguntou-se aonde Gina teria se metido, para ajudá-la a encontrar algo apropriado.
- Vamos meninas, já estamos atrasadas. – Vocês estão quase uma hora adiantadas. Naty teve vontade de dizer, ao ouvir Judith Grafton exclamar afobada. A garota caminhou até a porta e saiu por esta, rebolando mais do que devia os quadris largos e rechonchudos, o som de seus saltos agulha ecoando pelo chão de madeira, onde muitos outros a acompanharam.
Naty suspirou aliviada, quando se viu mergulhada sobre o silencio do aposento, junto com o frio da noite que entrou pela janela.
Não pode deixar de reparar que as meninas estavam lindas; com seus vestidos pretos, rasgados e cheios de babados transparentes de maneira bem arrepiante, suas maquiagem góticas e os cabelos presos de formatos estranhos e quase abstratos.
Sentou-se na cama e ficou fitando suas roupas, tentando de alguma maneira formar um conjunto que se igualasse a beleza delas.
Bufou jogou-se para trás, deitando na cama com os braços abertos.
- Desisto. – disse a si mesma.
- Mas nem pense nisso. – a voz de Gina se fez ouvida, de uma forma que a reprimia.
Naty virou a cabeça a tempo de ver a amiga entrando no quarto pela janela, montada na vassoura.
Pousando no chão Gina encarou-a com os cabelos bagunçados, as maças do rosto vermelhas, quase escarlates, e os olhos brilhando de animação.
- Vamos logo Naty são exatamente seis e meia, isso nos dá um ótimo tempo para nos preparar para esse Baile.
- Você já pensou na sua roupa? – a ruiva sorriu de orelha a orelha.
- Já sim, e você? – Naty negou com um gesto de cabeça, fazendo Gina balançar as mãos de forma desdenhosa. – Não faz mal, depois que eu tomar um banho, nós vemos o que você pode vestir. – e sem dizer mais nada, correu para o banheiro e trancou-se lá.
Naty ficou olhando para a porta do banheiro fechada por um longo tempo, antes de suspirar profundamente e assim olhar para a janela.
O vazio ainda ocupava seu coração. Uma ferida recente que demoraria para cicatrizar.
E só de pensar que a única cura para toda aquela sua angustia era algo que jamais poderia voltar a ter... Lágrimas afloravam em seus olhos, embaçando sua visão.
A sua vontade de sorrir morreu, assim como o brilho de animação em seus olhos que sempre fora a sua marca registrada do trio.
Naty era a mais alegre, a mais palhaça, a mais extrovertida... A mais misteriosa.
As ironias encaixavam-se em seus adjetivos.
Abafou um riso sarcástico e limpou uma lágrima que escorreu por sua face, enquanto deitava na cama, ainda olhando para as cortinas esvoaçarem pela brisa.
- Fred...
Somente ela poderia dizer como doía aquele vazio em si. Aquele ponto de interrogação que não continha resposta.
Lembrou-se com carinho quando Fred e ela se conheceram. Quando o ruivo disse pela primeira vez que a amava. Quando eles quase se beijaram na ultima visita a Hogsmeade presenteando-a com uma linda pulseira.
A pulseira!
Levantando-se num salto, correu até a cômoda que ficava ao lado de sua cama, abriu a primeira gaveta e viu, bem ali, uma caixinha preta. Pegando-a com cuidado, os dedos trêmulos, abriu-a e sentiu seu peito estufar de ar quando a pulseira reluziu a luz da lua, o seu esplendor que começava iluminar aquela noite.
Pegou a delicada jóia e sem hesitar a colocou em seu pulso.
Não tinha o anel de compromisso, mas ainda lhe restava a pulseira. Não entendia muito bem, mas aquela jóia lhe deu alguma luz de esperança dentro de si, Algo que lhe dizia que as coisas iriam se concertar.
E para não enlouquecer, Naty se agarrou a aquele intimo com força.
Sorriu e estranhamento uma alegria explodiu dentro de si a fazendo gargalhar no mesmo segundo que Gina saia do banheiro, enrolada numa toalha.
- Deu à louca? – a ruiva perguntou, fitando-a de modo cômico.
Naty sorriu e colocou as mãos nos quadris.
- Sabe de uma coisa, Gina... Hoje eu vou me divertir. Vou mostrar ao imbecil do teu irmão que eu não vou me deixar abalar pelo fim do nosso namoro. Já superei coisas piores. – caminhou até o armário – Vou me vestir de modo que fará aquele ruivo ver o que perdeu.
- E se ele vier...- Naty mordeu o lábio inferior, ainda sorrindo.
- Eu não sei o que irei fazer, mas... Ficar sentada, mostrando a ele que estou ferida... Ah isso eu não vou mesmo. Deus, eu tenho amor próprio, acima de tudo.
Gina bateu palmas e se colocou ao lado da amiga, observando os vestidos de festas que estavam penduradas nos cabides.
- Muito bem, como você vai vestida? – Gina perguntou ansiosa, enquanto tirava o vestido que iria usar.
- Dama de Preto? – Naty perguntou provocativa, um sorriso maroto no canto dos lábios rosados.
Gina correspondeu ao gesto e jogou o vestido sobre a calma.
- Não. – respondeu firmemente – Gina Weasley.
As duas riram e em poucos minutos já estavam em frente ao espelho, arrumando-se para o Baile.
De duas, uma. Ou ele era um imbecil por ainda estar sentado naquele sofá no Salão Comunal, sozinho, alimentando a esperança de vê-la descer as escadas. Ou... O amor havia o transformado num verdadeiro patético.
Bufando, chegou à conclusão que a segunda opção era a mais coerente.
Olhou para a planta carnívora que estava ao seu lado. A delicada cabeça verde, ordenada por pétalas vermelhas, estava abaixada, enquanto as folhas verdes prendidas no cabo forte e grosso estavam também repousadas ao longo do corpo, mostrando que a planta adormecera.
- Parece que nem mesmo uma maldita planta carnívora agüenta a minha presença. – disse a si mesmo de forma desgostosa.
Mas, o que diabos você está fazendo, Sua mente gritou de repente, fazendo-o ter um sobressalto. Seja homem e suba por aquelas escadas e bata na porta do dormitório dela.
Revirou os olhos. Com certeza ele faria aquilo... Um dia. Talvez. Quando quisesse cometer algum tipo de suicídio.
- Nem ferrando.
Vai logo. O que você tem a perder?
- Além da minha cabeça? Provavelmente o meu Pirulito! – respondeu irônico, lembrando-se como a maldita índia referiu-se a sua masculinidade.
Tapado. A garota esta lá te esperando. Erga a cabeça e haja como um verdadeiro Malfoy e não um rato!
- Por isso mesmo. Como um legitimo Malfoy, estou cuidado do que me resta de orgulho próprio.
Dane-se. Sua mente berrou. Enfie esse seu maldito orgulho no rabo. Pega essa planta e vá falar com a May. E daí que ela te matar, ou fazer a planta comer o teu... Deixe pra lá. Mas é melhor morrer em batalha, do que morrer em covardia.
- Eu não sou um covarde.
Então pare de agir como um!
Isso mesmo. Era isso que ele iria fazer. Agir como um homem. Como um verdadeiro Malfoy.
Respirando fundo, pegou o vaso de barro que a planta repousava e levantou-se do sofá.
May poderia decapitá-lo, mas morreria sabendo que tentou ter algum tipo de conversa civilizada com ela. Deixar as coisas em águas limpas.
Caminhou até a escada, mas parou no meio do caminho.
Maravilha, como iria para o dormitório feminino, sem que as escadas tornassem-se uma rampa, impedindo-o de subir?
- Pense Draco, pense.
Olhou ao arredor quando viu uma janela ao seu lado.
Abrindo as cortinas desta, abriu a pequena janelinha e assim colocou a cabeça para fora.
Sorriu ao ver que tinha uma trepadeira que subia além dos muros do castelo.
O vento da noite balançou seus cabelos e ele pode sentir o aroma doce das flores.
Olhou para o vaso da planta carnívora em seus braços e suspirou.
E antes que pudesse se arrepender, rasgou um bom tamanho de tecido das cortinas e fez um tipo de bolsa nas costas, onde colocaria o vaso da planta.
Colocou-se sobre o parapeito da janela e olhou para baixo.
Estremeceu. A altura era inacreditável, onde dava a vista de um riacho cheio de pedras.
Se caísse, será morte na certa.
- O que eu não faço por essa índia. – disse a si mesmo, agarrando a trepadeira e começando a escalar o muro de Hogwarts.
A planta passava por varias janelas, e a primeira janela do lado esquerdo, ele deduziu, seria a do sexto ano.
- Maldição. – resmungou, ao ouvir um som de tecido sendo rasgado, e logo descobriu que os espinhos da trepadeira haviam feito um pelo buraco em sua calça. – E eu nem fiz um testamento.
Feridas formavam-se em suas mãos, na medida que se agarrava com força a parede de raízes e folhas que grudavam-se ao mudo da escola.
Sentiu um enorme alivio quando se colocou ao lado da janela do dormitório onde estaria May.
Engolindo em sexo, deduziu que teria que saltar para agarrar o parapeito e assim, usando a força nos braços, erguer seu corpo para jogar-se para dentro do quarto.
Mas a maldita janela estava fechada.
Dane-se. Ele sofreria esse risco.
Respirando fundo e prendendo o oxigênio nos pulmões, saltou sem pensar e hesitar.
Gritou. Um grito de medo e agonia.
Suas mãos agarraram-se com desespero sobre o parapeito, e seu corpo balançou da esquerda para a direita como um balanço.
May abriu os olhos ao ouvir um barulho ao lado de fora de sua janela.
Franzindo o cenho, sentou-se, fazendo as cobertas caírem sobre seus quadris.
- Mas, o que está...- começou a perguntar-se, antes de uma voz vinda de fora a interromper:
- May, abre essa porra de janela. Eu to escorregando.
- Draco? – ela gritou em meio a duvidas saltando da cama e correndo até a janela e assim a abrindo.
E o que viu foi algo mérito de uma foto e colocar em um álbum, para recordar pelo resto da vida.
Draco segurava-se com força no parapeito, o corpo balançando de um lado para o outro, e as mãos começavam a ficar esbranquiçadas pela força que fazia para sustentar o corpo a não cair de encontro ao riacho.
- Draco... O que você está fazendo? – perguntou, ainda atônita.
O loiro deu um riso forçado e nervoso.
- Eu to apreciando a vista e brincando de balanço. – respondeu sarcástico. – Merda, May, o que você acha que eu estou fazendo?
Sustentando um riso maldoso, ela apoiou-se sobre o parapeito, e continuou a observá-lo.
Draco encarou-a.
- Daria para dar uma mãozinha aqui? A situação ta meio complicada. – ela negou com um gesto de cabeça.
- Eu irei ajudar se você fizer uma coisinha...- ele cerrou os olhos, antes de arregalá-los.
- Mas nem ferrando! – exclamou, entendendo o que ela querida. Aquele sorriso, aquele olhar... Não o enganavam. A filha da mãe queria que ele implorasse por sua ajuda.
May deu os ombros e começou a fechar a janela.
- Então não posso fazer nada Malfoy. Passar bem.
- Espera, espera. – ele gritou, respirando com dificuldade e começando a sentir seus dedos escorregarem pela pedra áspera. – Está bem...
May voltou a se inclinar sobre o parapeito e ficou fitando-o de modo vitorioso, os olhos negros brilhando em pura diversão.
- Estou esperando, Draquito – ele rangeu os dentes.
- Dá pra esperar! – respirando fundo, Draco encarou-a e por fim pediu: - May, por favor, me ajuda aqui.
Ela riu e levou uma das mãos a orelha direita.
- O quê? Desculpe Draco querido, mas você falou baixo demais e eu não consegui ouvir.
Ah, mas quando colocasse suas mãos envolta daquele pescoço... Seria a vez dela lhe implorar.
- ME AJUDA AQUI, MERDA! – ele berrou em plenos pulmões.
May gargalhou e empunhando a varinha proferiu um básico feitiço, onde fez com que o loiro flutuasse sobre o ar até entrar no dormitório.
- Prontinho, agora pode me agradecer. – ela disse, feliz, sentando-se na cama com as pernas cruzadas, e olhando-o de uma forma ingênua.
Draco encarou-a de modo como se fosse matá-la, e avançando contra a índia, urrou entre os dentes, completamente irado:
- Você quase me matou. Mais um pouco e eu teria escorregado.
Ela deu os ombros.
- Não fui eu que decidi apreciar a noite me pendurando nas janelas do quarto de outras pessoas, querido. – Draco riu seco e retirou a planta carnívora de suas costas e a colocou sobre uma cômoda, antes de retirar o pano rasgado da cortina e jogá-lo fora, pela janela.
- Estou vendo que você realmente apreciou a minha visita noturna do teu dormitório.
- Com certeza. Jamais um garoto entrou neste dormitório pela janela. – Draco cruzou os braços.
- E por onde eles entravam?
- Pela porta, obvio. – May respondeu, como se aquilo fosse a coisa mais normal do mundo.
Draco passou a mão pelos cabelos revoltos, fazendo de tudo para manter a paciência. Pelo menos, segurar a pouca que ainda lhe restava.
- E como, Mayzinha, essas malditos imbecis entravam pela porta, se as escadas transformam-se em ladeiras pela aproximação de um garoto.
- Ora, é só pedir a uma garota a autorização de subir que as escadas não mudam.
- Você está querendo me dizer que...
- Se você tivesse pedido a autorização a Parkinson, ou a qualquer outra garota deste dormitório, as escadas teriam permitindo a sua passagem. – ele ouvia tudo aquilo, simplesmente não crendo. Oh não, ele não poderia ser tão azarado assim.
E pensar que quase havia morrido.
- E deixe-me adivinhar: você provavelmente não iria me dar essa permissão, certo? – May sorriu e colocou a mão sobre o peito, de uma forma que se mostrava espantada.
- Merlin, Draco, você está ficando inteligente. – ele rolou os olhos, parecendo entediado com tudo aquilo.
- Não preciso usar o cérebro para ver algo tão notável. – May suspirou e levantou-se com elegância. Pôs-se à frente de Draco e perguntou, encarando-o bem no fundo daquele mar azul-acinzentado de seus olhos, onde a fez sentir um arrepio pela espinha: – O que você veio fazer aqui, Malfoy?
A festa não estava tão chata quanto imaginara. Mas poderia estar melhor. Harry pensou, apoiando a cabeça numa das mãos, enquanto observava os alunos rindo e se divertindo, ao meio a todo aquele visual macabro do Dia das Bruxas.
Os alunos do quarto ano para baixo estavam vestidos com os uniformes, encantados pela decoração do Salão.
E Harry não se sentiu diferente deles quando vira as abóboras voadoras, brilhando como velas, as paredes tampadas com véus pretos, as mesas longas de madeira foram substituídas por pequenas mesas quadradas de quatro lugares, onde eram tampadas por uma longa toalha roxa escura, roçando sobre o piso emadeirado, onde ao centro estava uma caveira que continha uma rosa negra dentro da boca.
Ele não pode deixar de rir ao ver algo tão cômico como aquilo.
O meio do Salão era iluminado por varias luzes, fazendo com que o círculo feito de mármore negro se destacasse, mostrando que ali seria a pista de dança.
Suspirou e deu um gole em sua bebida enquanto a musica continuava a soar assim como as vozes dos alunos.
Rony e Hermione estavam ao lado da mesa que as bebidas eram servidas, conversando de modo animado, como se fossem mais amigos do que íntimos namorados.
Harry ano pode deixar de notar como Hermione estava inacreditavelmente encantadora naquela noite; usava um vestido marrom escuro, reto, onde moldava os seus seios fartos, e deixava-a mais magra apertando a curva sensual de sua cintura. O decote canoa dava-lhe um ar mais sensual, com os ombros de fora. Os cabelos crespos foram cacheados e estavam presos num alto rabo de cabalo, os caracóis caiando-lhe sobre os ombros nus.
Rony parecia completamente e hipnotizado pela namorada, que lhe sorria de forma amorosa, os olhos castanhos realçados com um lápis preto e uma sobra prateada que combinava com seu colar e seus brincos, os lábios carnudos estavam com uma leve camada de brilho, e os dentes brancos.
Agora vinha a pergunta... O que ele, lindo e maravilhoso como era, estava fazendo sozinho numa noite como aquelas? Céus, ele deveria esta com alguma garota ao seu lado, lhe dando algo que ele jamais teve; amor.
Por alguma razão, seu peito contorceu-se a seu coração, e uma saudades de Gina afetou-o como um raio.
Aonde se metera a melhor amiga?
Riu de modo negro... Provavelmente se esfregando com Malfoy em algum canto.
Miserável. Malfoy pagaria muito caro por ter tocado um dedo em Gina. Por tê-la...
Socou a mesa, fazendo com que alguns alunos o fitassem com as sobrancelhas curvadas num gesto interrogativo.
O que era aquilo? Nunca sentira algo tão puro e carnal como sentia ao imaginar Gina tocando, permitindo ser amada por outro cara que não fosse... Deus... Que não fosse ele.
- Estou ficando louco. – disse a si mesmo, passando a mão pelos cabelos.
Nesse momento as portas do Salão Principal começaram a se abrir, fazendo-o erguer o rosto, e quando fez, o pouco ar que lhe restava, sumiu, ao ver a imagem de duas jovens que acabavam de chegar.
A da esquerda era uma morena, que usava um vestido azul petróleo que lhe caia pelo corpo como uma luva, e realçava ainda mais seus olhos incrivelmente azuis.
As alças do vestido cruzavam sob os seios fartos e eram amarrados atrás da nuca, deixando-lhe as costas nuas. A saia era esvoaçante, e balançava em sintonia com os passos delicados que dava, o salto alto da sandália batendo contra o piso. O cabelo estava solto, com fios de prata em algumas madeixas dos longos cabelos lisos e cacheados nas pontas, dando-a um ar como se fosse um anjo.
Mas não era ela que lhe chamou a atenção e muito menos a que o fez sentir seu coração disparar no peito, numa forma como nenhuma garota já fizera.
Era a outra... A ruiva.
Harry soltou o ar com calma pela boca, um calor lhe invadia, fazendo seu sangue ferver.
Ela tinha os cabelos de fogo presos por uma presilha que pareciam duas gotas de sangue, segurando duas mechas laterais, e duas madeixas longas da franja caiando-lhe sobre o rosto alvo e delicado, roçando-lhe levemente na altura do queixo.
Os olhos âmbar-azulado estavam realçados por uma camada forte de lápis preto, enquanto suas pálpebras estavam pintadas por uma sobra cinzenta e negra.
Os lábios brilhavam pelo batom vermelho carne, destacando-se entre sua pele branca e lisa.
O vestido preto lhe moldava o corpo como uma segunda pele, agarrando-se a ele. Sem mangas, ele continha uma gola olímpica tampando-lhe todo o pescoço. A saia longa abria-se levemente ondulando sobre os quadris arredondados e a cintura fina e delgada, onde a mão de um homem seria capaz de circulá-la. Quando a jovem deu um passo, Harry pode notar a enorme fenda lateral que lhe deixava toda a perna direita à mostra. Uma perna delgada e bem feita.
Suas mãos começaram a coçar, mostrando a vontade que sentia em poder tocá-la.
Senhor. Nunca em toda historia de Hogwarts que estivera estudando lá, vira uma garota tão linda. Uma garota que fez seu estomago embrulhar.
Aquela ruiva era simplesmente... Per...
- Ruiva? – ele murmurou, antes de arregalar os olhos e levantar-se da cadeira num gesto brusco, fazendo está quase cair no chão. – Aquela garota é a... Gina?
Parecendo ouvir seu nome, a ruiva virou-se para ele. Seus olhos encontrando os seus verdes brilhantes e atônitos.
E para provocá-lo ainda mais, ela lhe sorriu levemente pelo canto dos lábios numa forma perigosa.
- Na... não pode ser.
- Vamos Malfoy, eu estou esperando uma explicação.
- Dá para esperar um pouco? Estou pensando em como dizer o que quero, ta legal? – Draco resmungou, passando a mão pela nuca numa forma nervosa.
Puxou o ar com força e o soltou calmamente pela boca, enquanto fitava May, impaciente e com os braços cruzados, batendo a sola do pé no chão.
- Claro que espero – disse ela irônica – mas eu não tenho a noite inteira. – Draco fez uma careta.
- Eu também não tenho.
- Ótimo. Então fala logo, porque ficar olhando para a tua cara não está sendo nada agradável para mim.
Droga. Ela estava complicando as coisas ainda mais para o seu lado. Sabia o que deveria dizer, mas... As malditas palavras não queriam sair de sua garganta. Pareciam presas por uma fraqueza sua.
Isso é o que dá se apaixonar, seu inútil. Draco disse a si mesmo, antes de tomar fôlego e assim dizer:
- Eu realmente não sei por que você está brava comigo. Não sei por que me deu aquele tapa na cara hoje quando eu provocava o Potter, e muito menos sei por que você rompeu comigo. – May endureceu o maxilar, mostrando que as palavras lhe atingiram de uma forma que ela não estava preparada.
- Eu não tinha como romper com você algo que nunca tivemos Malfoy. – foi a única coisa que May conseguiu formular para dizer, enquanto o loiro começava a se aproximar de si, perigosamente. Os olhos cinzentos brilhando de uma forma que ela jamais vira e aquele desconhecimento a fez estremecer levemente.
- Sinto lhe informar May, mas desta você está errada. – ele murmurou, numa forma rouca e sensual, onde foi uma deliciosa caricia para os ouvidos da índia. – O que tivemos foi muito mais do que uma simples ficada... Um caso. – agora ela podia sentir a respiração dele, lenta e pesada, como a sua, tocando em seu pescoço, enquanto com uma mão, Draco colocava uma madeixa escura de seus cabelos atrás de sua orelha, arrepiando-a.
- Então o que foi que tivemos Draco? – ele sorriu e os olhos se iluminaram ainda mais.
May sentiu a boca ficar seca, e um desejo de se arrebatar entre os braços de Draco estava começando a enlouquecê-la.
Era um desejo crescente que percorria o corpo de ambos. Fazendo-os não pararem de se fitar.
Draco, para a surpresa de May, inclinou a cabeça em direção a seus lábios, e roçando contra eles, ele gesticulou:
- O que nós temos, meu bem, se chama amor. – e antes que ela pudesse piscar, ele a trouxe para si num gesto firme e delicado e capturou-lhe os lábios num beijo cheio de paixão e saudades.
O mundo pareceu parar, enquanto ela sentia sua boca ser invadida pela língua de Draco.
O gosto dele, o toque dele e o calor dele afloraram em sua pele, parecendo que os dois haviam se tornado um único ser.
Os braços que rodeavam sua cintura apertavam-lhe de encontro aquele corpo forte e másculo, e ela não pode deixar de gemer quando, com os dentes, o loiro mordeu a pontinha de sua língua.
O gemido pareceu despertar Draco e aflorar em si um turbilhão de sentimentos jamais sentidos.
Sorriu satisfeito quando May passou os braços envolta de seu pescoço e correspondeu o beijo na mesma intensidade. No mesmo grau do amor.
A língua dela, úmida e macia, massageava a sua, o fazendo delirar.
O desejo pulsava dentro de si, em batidas fortes e rítmicas assim como seu coração descompassado e sua respiração arfante.
As unhas da índia arranhavam seu coro cabelo, apertando algumas vezes suas madeixas loiras.
Céus. Como sentira falta dela.
Abraçou-a com mais força, seus dedos também se entrelaçando com as mechas negras do cabelo lisos e sedosos dela.
May puxou seu pescoço ainda mais para baixo, e ficou na pontinha dos pés, beijando-o sedenta ainda. Querendo mais. Desejando mais. Precisando de mais.
Draco pareceu sentir o que ela queria e não pode deixar de gemer em satisfação, quando ela mordeu-lhe o lábio inferior.
Ah, ele também a queria. Também a desejava e precisava sentir-se dentro dela. Os corpos unidos e ondulando num mesmo ritmo.
Era como se May fosse o fio de sua vida, e naquele momento, Draco o agarrava com força, não querendo se separar dele jamais.
Não percebeu quando May o empurrava, fazendo-o andar para trás. E ele voltou a si somente quando sentiu a madeira do pé da cama bater contra sua perna.
May não poderia reclamar se o que estava acontecendo ali tivesse realmente um ponto final depois, mais tarde, quando eles estivessem exaustos e satisfeitos pelo ato de amor que teriam feito. Porque, naquele momento, fora ela quem tomara a iniciativa, e não ele.
Deixe-a vir até você. Vá com calma, no ritmo dela. Mia o alertará, antes de ir para o Salão Principal jantar, onde estaria também, acontecendo à festa de Halloween.
Foi um choque para ele quando as mãos de May espalmaram-se em seu peito e o empurrara para cama, o fazendo cair como um baque sobre o colchão macio, entre as cobertas impregnadas com o perfume doce dela.
Olhou-a e percebeu, satisfeito, que May estava corada, os olhos negros brilhando de excitação, e os cabelos bagunçados.
Ela ajoelhou sobre si, cada perna em um lado de seu corpo.
- May...- chamou-a enfeitiçado pela imagem que via; ela, em cima de si, sendo banhada pela luz da lua.
- Shhh...- ela sussurrou, curvando-se sobre si e colocando cada braço ao lado de sua cabeça. – Não fale nada. – e assim, voltou o beijar.
Tudo bem que jamais sentira algo como aquilo. May pensou, enquanto as mãos de Draco começavam a procurar uma brecha em sua blusa.
Mas perder sua virgindade em seu dormitório, sem pelo menos uma vela, dando um ar romântico ao aposento, não era exatamente o que ela imaginara em toda sua vida.
Gemeu quando os dedos da mão quente de Draco tocou em sua cintura por debaixo da blusa.
Jamais fora tão longe com algum garoto em toda sua vida.
Ele a abraçou, parecendo sentir sua insegurança e sua incerteza. E girando na cama, colocou-se por cima dela.
- O que foi? – perguntou rouco, beijando-lhe o pescoço.
May engoliu em seco e fechou os olhos.
Estúpida. Como podia ser tão fraca. Ela tinha um sonho a realizar, que era se entregar a Draco, mas... Seu orgulho Sutramy, dizendo que daquela maneira não era algo realmente muito belo que ficaria em sua mente para o resto de sua vida.
- Eu... eu...- ótimo, agora ela gaguejava. Simplesmente perfeito.
- May – Draco parou de beijar-lhe o pescoço e assim a fitou – o que está havendo?
Será que se ele soubesse a verdade, pegaria mais leve?
Se ele soubesse que você ainda é virgem, tenho certeza que Draco iria te esperar. Iria com mais calma. Mesmo que não mostre isso, ele te ama, May. A frase de Gina ecoou em sua mente a fazendo respirar fundo.
Amava mesmo? A pergunta a fazia ficar ainda mais nervosa.
Num gesto ela afastou-se de Draco, levantou da cama e caminhou até a janela.
- Desculpe Draco, mas... Não posso. – disse por fim. Amava-o, mais do que ela mesma duvidara ser capaz, mas ser mais uma na lista de cama para Draco Malfoy, ela não seria.
Draco sentou-se, as sobrancelhas franzidas.
- Mas eu... Não entendo.
- E não é para entender mesmo!
- DIABOS, TALAMAY! – Draco berrou, batendo com um punho fechado sobre a cama.
May abraçou os próprios braços e sobressaltou-se sobre a fúria do loiro.
Ele ergueu-se e arrumou a gravata torta enquanto vociferava:
- Eu não consigo te entender. Uma hora você vai me xinga, me bate, alegando que eu sou um cachorro, cafajeste e outras coisas a mais. Grita comigo. E agora eu estou aqui doido para te ter, e você faz isso comigo? Acabando com todas as minhas esperanças.
Ela virou a cabeça para fitá-lo.
- Então é isso, você veio aqui no meu quarto somente para fazer sexo comigo? – ela urrou no mesmo tom dele.
- Não! Eu vim aqui para pedir desculpas por alguma burrada minha que eu simplesmente não sei. Mas além de você reconhecer o meu esforço, de engolir o meu orgulho e vir aqui e dizer com todas as palavras, eu amo você. – aquilo a pegoiu de surpresa e a fez cambalear para trás, em choque – Você brinca comigo. Você se faz de garota frágil e ferida, mas não percebe que o verdadeiro magoado aqui sou eu, quem está sofrendo com toda essa merda sou eu. E eu estou aqui, te trazendo um presente – apontou para a planta carnívora – e implorar por um sentimento que talvez você jamais chega a sentir. Você é fria Talamay, você é uma garota que não tem coração, e só pensa em si própria.
- Você quer que eu faça o que? – May gritou, começando a sentir os olhos arderem pelas lágrimas.
- EU QUERO QUE VOCÊ CONVERSE COMIGO. – Draco berrou em plenos pulmões – eu quero que você me fale o que está acontecendo, me revele qual é o problema para que eu possa ao menos tentar de ajudar. Mas, não, você se esconde atrás dessa sua mascara de frieza, xingando-me, me condenando como eu fosse o culpado de tudo. Mas o verdadeiro culpado aqui é você, Talamay. Você que se escolhe quando eu ti toco. Quando eu tento algo a mais com você. E quando eu não faço nada, somente correspondo, e deixo você mesma vir até mim indo no seu tempo, você faz isso. Afasta-me de você, me afasta do seu calor, e acima de tudo você destrói qualquer esperança que eu tenha para acreditar que você pelo menos, chegue a gostar de mim. Eu não peço que você me ame, Sutramy, mas peço que pelo menos você não destrua a única coisa pura que eu senti pela primeira vez em relação a uma garota.
May respirou fundo, tentando conter as lágrimas. Abaixou a cabeça e fitou as próprias mãos, sentindo-se a pior mulher de todas.
E o pior... Draco estava certo. Não tinha como ela argumentar sobre aquilo.
Todo aquele tempo, ela havia pensado que ele era o cara-mau, o miserável, mas a verdade era que; ela era a maldita garota, a destruidora de corações. E estava acabando com a única coisa boa que havia entre ela e Draco; o amor.
Suspirou e com os lábios trêmulos preparou-se para dizer que também o amava, mas antes que pudesse fazer isso, Draco passou por si como um raio e segurando o vaso da planta carnívora ele a atacou contra a janela, fazendo com que a planta voasse e caísse em direção ao jardim.
- Malfoy, o que você fez? – ela perguntou atônita, olhando para a planta carnívora estirada no chão.
Draco aproximou-se de si, e sussurrou em seu ouvido:
- Para mim já chega de jogos Talamay. Eu não irei mais correr atrás de você como um cachorrinho. Continuarei com a minha vida, e se você quiser algo realmente comigo, terá que vir atrás de mim. – e dizendo isso ele saiu, antes que a índia se virasse e visse as lágrimas inundarem seus olhos.
Bateu a porta com força e encostou-se contra esta, e rendendo-se por fim, permitiu que uma lágrima escorresse por seu rosto, sem ao menos imaginar que do outro lado da porta, May também chorava, com a mão na boca tentando conter os soluços.
Eles eram da Sonserina, eram pessoas de sangue frios, de famílias importantes e poderosas, mas acima de tudo eram humanos... E até mesmo as pessoas mais frívolas e cruéis rendiam-se as lágrimas, pelo simples motivo que; os maus também choram.
- Já chega. – Draco disse a si mesmo, limpando as lágrimas que não paravam de escorrer, com a manga da camisa. – pare de ser patético.
E sem dizer mais nada, caminhou até o seu próprio dormitório, querendo mais do que nunca se isolar do mundo e entregar-se a suas próprias magoas, enquanto May já se encontrava jogada em sua cama, rendendo-se aos soluços.
O Salão ainda se mantinha em pleno silencio, a musica soava baixinho e as cabeças viravam à medida que as jovens caminhavam, uma ao lado da outra, sorrindo de maneira simpática, mas havia ali um toque de malicia.
Harry abriu mais um botão de sua camisa, sentindo o ar faltar-lhe nos pulmões, enquanto Gina caminhava em sua direção, o vestido que ela usava era o mais justo que já vira em toda sua vida. Madeixas ruivas lhe roçavam nos seios fartos e cheios, fazendo-o ficar com uma pontada de ciúmes, ao imaginar-se como gostaria de ser aqueles fios de fogo.
Naty segurou o braço de Gina levemente e dizendo alguma coisa ao ouvido da ruiva, que assentiu, ela afastou-se.
Gina voltou-se para ele, e sorrindo abraçou-o de forma gentil.
Harry engoliu em seco quando o perfume doce da amiga penetrou-lhe no nariz. Uma sensação de paz o invadiu e por alguma razão tudo a sua volta pareceu sumir.
Correspondendo ao abraço da ruiva, afundou seu rosto entre os cachos sedosos de seus cabelos, sentindo a maciez roçar-lhe no semblante.
O corpo dela encaixou-se tão perfeitamente contra o seu, que ele desejou nunca mais se separar dela. Jamais permitir que ela fosse arrancada de seus braços que naquele momento a apertavam contra seu peito.
- Olá Harry. – Gina murmurou ao pé de sua orelha, enviando-lhe uma carga de arrepios por todo o corpo.
Céus... Aquela voz... Aquele perfume... A maneira de andar... Gina tinha algo que lhe era muito familiar.
- Olá Gina. – respondeu calmamente, orgulhoso de si mesmo por ter encontrado sua voz rápido. – Por que demorou tanto?
- Com saudades? – ela provocou-o, afastando seu rosto do ombro do amigo e fitando-o nos olhos, sem afastar seus corpos. Os olhos verdes de Harry brilhavam numa forma hipnotizante, como se fossem capazes de ler sua alma, e Gina se viu obrigada a segurar-se mais ainda a ele para não cair dos saltos altíssimos de sua sandália preta.
- E quem não sentiria saudades de uma garota tão linda, gentil e meiga como você? – Gina riu.
- Esta tentando me seduziu, Potter? – ele deu os ombros.
- Talvez. Você é seduzível?
- Por que não tenta para descobrir.
- Eu não gosto de pisar em terrenos onde mais tarde serei chutado, Weasley. – Gina roçou seu nariz contra o de Harry antes de afastar-se dele.
- O que é da vida sem um bom desafio? – ela circulou a mesa e sentou-se numa cadeira, cruzando as pernas sensualmente, de modo que a fenda do vestido se abrisse e caísse a altura de suas coxas.
Harry teve que fazer um esforço sobrenatural para não ficar apreciando as belas pernas da amiga. Pernas que ele jamais imaginara que ela algum dia, chegaria capaz de ter.
Pior! Gina estava com as curvas do corpo todo a mostra, graças ao vestido apertado, que pela primeira vez ele teve a visão de todo o conjunto de sua anatomia, e para seu desespero... ele havia gostado do que vira. E muito.
Sentando-se também, na cadeira ao lado da ruiva, curvou-se sobre ela e disse de modo provocante:
- Então se eu te desse um beijo agora você me daria um tapa na cara? – Gina olhou-o de modo espantado, antes de sorrir.
- Não querido, um tapa seria muito pouco. Eu provavelmente o faria engolir as próprias bolas. – Harry gargalhou e segurou a mão da amiga entre as suas em cima da mesa.
- Gina... Você é incrível. O que muitas dariam para ter, você despreza sem nenhuma hesitação.
- Eu não sou como as outras Harry. – Gina garantiu-lhe, os olhos azulados brilhando como duas estrelas cadentes, onde ele se viu quase se perdendo entre aquele mar de águas turbulentas.
- Eu sei Gi. – acariciou-lhe o rosto segurando-lhe o semblante pela pontinha do queixo – você é muito melhor do que elas. – a ruiva umedeceu os lábios, a ponta da língua deslizando por sua boca carnuda e sensual. Um gesto que Harry seguiu com os olhos, seu coração disparando.
Maldição, o que estava acontecendo com ele?
- Eu sei, Harry. – ela lhe garantiu com ênfase. – Pena que você jamais percebeu isso, não é?
- Como? – ele perguntou com o cenho franzido, fazendo-a abanar a mão em seu colo numa forma de desdém.
- Esqueça, bobagem de minha cabeça. – olhou em volta. – o Salão esta lindo.
E sem desviar os olhos da ruiva, Harry garantiu com a voz rouca:
- Sim, ele esta fantástico. – um arrepio percorreu o corpo dela, junto com um calor que a fez começar a se abanar. Olhando para o melhor amigo, percebeu que ele não usava o seu colar. – Onde está o me... Quero dizer, o colar da Dama de Vermelho? Não me diga que o perdeu.
Harry riu e balançou a cabeça de um lado para o outro, negando.
- Não, ele esta aqui.- e erguendo o braço, mostrou o colar brilhante preso em seu pulso, escondido pela longa manda do sobretudo.
Gina não pode deixar de notar como Harry estava incrível com aquela calça preta social, a camisa branca aberta nos quatro primeiros botões e o sobretudo, sua bainha esvoaçando pela brisa, assim como seu cabelos negros molhados que lhe caia como ondas rebeldes enfrente aos olhos verdes claros.
- Mesmo não amando ela, você ainda guarda o colar com carinho, não é mesmo? – Gina perguntou depois de um longo silencio que caiu entre eles, onde continuavam se fitando.
- Eu tenho uma filosofia, Gi.
- Qual?
- As mulheres são como jóias, elas reluzem o brilho do carinho e do cuidado que você tem ao tratá-las. E uma jóia é a mesma coisa, ela só irá brilhar se você tomar conta. E essa corrente por mim, irá brilhar por um bom tempo, pois até eu encontrar aquela garota de novo, era ainda continuara sendo uma jóia brilhante para mim.
- Dizendo isso, qualquer um pensa que você esta apaixonado. – Gina garantiu, colocando uma mecha ruiva atrás de sua orelha, enquanto ria.
- É difícil dizer se estou apaixonado ou não por ela, já que eu nunca me senti dessa forma. Não vou negar que tenho uma grande admiração pela Dama, mas...- Harry sorriu e aproximou-se de Gina que prendeu a respiração, ao sentir o hálito quente do amigo tocar-lhe delicadamente sobre a boca – eu tenho outra garota na minha mira agora.
- E eu poderia saber quem é a sortuda? – Harry negou com um gesto de cabeça.
- Você saberá no tempo certo.
- Escondendo coisas da sua melhor amiga? Potter, mas que coisa feia. – ele riu.
- Eu estou fazendo isso, pois quando eu lhe contar quem é ela, quero ter certeza sobre os meus sentimentos.
- E se essa certeza nunca chegar? – Harry deu os ombros e afastou-se, voltando a sentar-se corretamente sobre a cadeira.
- Você irá morrer com essa curiosidade. – Gina deu-lhe um tapa no braço.
- Amigo da onça. Traidor. – ele gargalhou.
- Eu também amo você. – Gina memorizou as palavras na memória, desejando que elas fossem verdadeiras. Deliciou-se com o tom carinhoso que Harry lhe pronunciou que a amava. Mas uma magoa lhe oprimiu a felicidade, quando percebeu que ele lhe dissera aquilo por um afeto amigável e não intimo, como ela vinha desejando há anos.
- Eu também. – ela respondeu baixinho, levantando-se. – Onde está Fred? Preciso falar com ele.
Ao ouvir aquilo algo se acendeu na mente de Harry que segurando a ruiva pelo braço a fez voltar a sentar-se.
Diferente de poucos segundos atrás, agora Harry a fitava com as íris verdes escuras, como duas oliveiras ao meio de uma tenebrosa tempestade, os lábios oprimidos numa linha séria e as sobrancelhas negras e grossas franzidas.
- O que foi? – Gina perguntou estranhando a repentina mudança de humor.
- Eu tive uma discussão com Malfoy, como você provavelmente já deve ter sabido. – Gina assentiu, já imaginando o que Harry iria lhe dizer. Suspirou. – E então você já deve saber que Hogwarts inteira já sabe do seu segredinho.
- Segredinho?
- Sim, Virginia. O maldito segredo que você já dormiu com ele. E depois eu que sou o traidor que não conta nada.
Gina sentiu uma leve pontada de orgulho ao ver como Harry se encontrava aborrecido por imaginar que ela e Draco... Uma vontade de gargalhar arrebatou-se em seu peito ao contestar que Harry estava com ciúmes.
Curvando-se sobre ele, tocou-lhe no rosto, as unhas acariciando a pele de sua bochecha.
- Harry, você esta com ciúmes? – Harry olhou-a como se estivesse louca.
- Mas...- aquela hesitação deu a certeza que ela precisava. – Mas é obvio que não. Que loucura é essa Gina? – ele clareou a garganta. – Eu somente não acredito que você se permitiu ir para a cama com o Malfoy, enquanto...- calou-se a tempo, antes de completar: enquanto eu estou aqui, pronto para fazer o que você quiser. Estava ficando pirado, e a idéia de contratar um médio neurologista ou um psiquiatra começava a ser tentadora.
- Meu anjo, se você não está com ciúmes então por que está tão nervoso?
- Eu não estou nervoso.
- Tudo bem, você não está. – Gina levantou-se e beijou a testa de Harry antes de murmurar – Fique tranqüilo, Malfoy estava blefando, Harry. – antes de sair de perto do amigo, Harry voltou a segurar-lhe pela mão. Os dedos, instintivamente, se entrelaçaram, e Gina desejou ter aquelas mãos quentes e fortes passeando por todo seu corpo, incendiando-o como um rastro de brasa.
- Então você ainda é... Você sabe...
- Virgem? – Harry assentiu, impressionado pela naturalidade que Gina dissera aquilo.
- Sim eu ainda sou pura...- e rindo de forma provocativa, completou: - eu estou esperando por você, Harry. – o tom sério o pegou desprevenido.
Ele riu, tentando disfarçar o nó que deu em sua garganta antes de conseguir articular:
- Bem, então podemos resolver isso agora, porque lá fora, no jardim, eu vi umas moitas perfeitas para...- Gina deu-lhe um tapa na cabeça, calando-o a tempo antes de dizer alguma besteira.
- Harry, cale a boca. – e finalmente se afastou, deixando para trás um atordoado Harry Potter que continha um sorriso bobo e aliviado nos lábios.
Eu estou esperando por você. A frase ecoou em sua mente, o fazendo estremecer, e fechando os olhos começou a sonhar em como seria o ato de amor entre ele e Gina, sem ao menos imaginar o que tudo aquilo que ele começava a sentir em relação a melhor amiga tinha um nome que ele jamais pensou ser capaz de proferir.
Caminhou entre os alunos, às vezes parando para cumprimentar alguns amigos, mas logo seguia o seu caminho até que finalmente chegou aonde queria; ao lado de Fred, que estava sentado ao lado da mesa de bebidas, virando o seu copo de cerveja amanteigada a quais já perdera a conta, pois não se via mais a toalha da mesa, somente copinhos práticos vazios.
- Fred, você esta bem? – Gina murmurou preocupada ao ver os olhos frios e vazios do ruivo. Pegando uma cadeira e sentando-se à frente do irmão, colocou uma mão sobre o joelho dele. – Fred? – chamou-o novamente.
O irmão balançou a cabeça e fitou-a.
- Ah, é você Gina. O que quer? – ele resmungou entediado, colocando o copo vazio na mesa e pegando outro cheio ao seu lado.
- Eu não quero nada, maninho, só vim aqui dizer o quanto você é um imbecil.
- É nessa hora que eu devo chorar de emoção? – Fred disse sarcástico, soltando um soluço.
- Frederic Weasley, não seja irônico comigo! – ele riu amargo.
- Você é a segunda pessoa que me chama pelo nome hoje. A primeira foi...- os olhos castanhos ficaram ainda mais sombrios. – A Natalie.
Gina bufou e sem conseguir segurar o seu impulso, deu um peteleco na cabeça do irmão.
- Aí Gina.
- Aí Gina o diabo! Fred pare de ser burro... Esta parecendo um masoquista, sofrendo dessa forma.
Fred riu de mau agrado, antes de soltar um soluço bêbado.
- Eu não sou masoquista, o que sou é bem diferente.
- E o que você é então?
- Corno!
Gina girou os olhos de modo tedioso e levantando-se exclamou ao irmão amarga e severa:
- Se você quer mesmo destruir a única fonte para a sua felicidade, Fred, eu realmente não posso fazer nada por você, somente lamentar por sua incompetência. Mas, no momento que você julga a Naty uma traidora, e que ela não esteja sofrendo tanto quando você, eu me vejo na responsabilidade de defendê-la, e agora Fred eu lhe digo; a Naty está sofrendo, mas quem é que está saindo o mais perdedor dessa sua falta de confiança nela, é somente e exclusivamente você.
Fred encarou a irmã por alguns segundos, piscando os olhos varias vezes, mostrando a dificuldade de assimilar todas as palavras que ela lhe dissera, e por fim respondeu cabisbaixo.
- Mas... Ela que destruiu a confiança que eu depositei nela. Foi ela a culpada de tudo.
- Não, maninho, quem foi o responsável por toda essa desgraça foi você, por ir julgando a Naty por algo que ela jamais fez. Foi somente uma carta vinda de Paul para estragar o amor de vocês dois. Amor pelo qual você lutou para ser correspondido, esperou pacientemente. E olhe só agora, que perdedor fracassado você é – apontou para ele – Será que você vai permitir que o fantasma do ex da Naty atrapalhe a sua felicidade. Você a conhece melhor que ninguém, e se realmente a ama, também deveria saber que é correspondido com o mesmo ardor, e que ela jamais iria trair você.
- Como eu poderia saber disso? Ela jamais se abre comigo.
- É somente olhar nos olhos dela, Fred, que você encontrara a resposta para a sua pergunta. – e sem dizer mais nada, deu a volta nos calcanhares e caminhou até Harry que estava conversando com Chang.
Uma pontada de ciúmes ocorreu-lhe ao ver a maldita chinesinha acariciando o braço do amigo, que parecia bem relaxado com aquela aproximação e investidas pouco discretas da Corvinal.
Será que essa jezebel não se enxerga? Pensou revoltada.
Já estava preste a agarrar o chumaço negro que ela tinha sobre a cabeça e dizer umas poucas e boas para Chang, quando Brian apareceu na sua frente, os incríveis olhos azuis brilhando de apreciação.
- Eu sempre te achei bonita, mas agora, toda arrumada e com esse vestido, você está de tirar o fôlego. – Gina riu e abraçou ao amigo da Sonserina, ele lhe depositou um beijo no canto de seus lábios a fazendo ficar um pouco sem graça.
- Brian...- alertou-o numa forma severa, mas que havia um tom de brincadeira em sua voz.
- Como está Gina? – ele ignorou a repreensão, e lhe perguntou com um sorriso maroto sobre os lábios sensuais.
- Muito bem, e você?
- Você sabe, indo. – Brian deu os ombros, antes de fitá-la de modo intenso. – Mas estaria melhor se você estivesse ao meu lado.
- Brian você sabe que eu...
- Sim Gi, eu sei que seu coração pertence a outro. – e de um modo irritado ele olhou por cima dos ombros, fitando Harry com as íris faiscando de inveja. – Ele tem muita sorte de ter uma garota tão maravilhosa como você apaixonada por ele.
Gina sorriu meio triste, antes de assoprar uma madeixa de sua franja que lhe caia em frente aos olhos.
- Não sei se ele tem tanta sorte assim. – Brian franziu o cenho e abraçou-a pela cintura, trazendo-a para o aconchego de seus braços e o calor de seu corpo.
- Por que diz isso? – perguntou acariciando-lhe os cabelos e sussurrando em seu ouvido, Gina fechou os olhos e se permitiu se embalar sobre o perfume cítrico do amigo, enquanto sem perceber, ele a levava para a pista de dança.
- Por que ele não sente o mesmo. – Brian soltou um risinho baixinho causando-lhe calafrios.
- Potter não sente nada.
- Por que diz isso?
- Porque se ele tivesse um gozo de consciência no cérebro já teria percebido que você é louca por ele. – Gina bufou.
- Eu não sou louca por ele.
- Não, só o ama.
Gina abriu os olhos e olhou-o de modo sério.
- Brian, por favor...- ele a interrompeu.
- Por favor, digo eu Virginia. Potter jamais olhou para você além da irmã de seu melhor amigo, e depois que vocês viraram melhores amigos, e começaram a conviver como unha e carne, ele agora a vê como uma simples amiga e não como uma garota normal. – Gina riu amarga.
- Suas palavras realmente ajudaram muito para animar a minha auto-estima. – Brian a abraçou com mais força, fazendo-a acompanhar seus passos de um lado para o outro, enquanto seus corpos eram iluminados pelas fracas luzes do Salão. Acompanhavam o ritmo da suave musica, e Gina não pode deixar de sorrir ao ver como se sentia tão bem quando estava com Brian.
Mas de repente, um arrepio fez os pelos de sua nuca se arrepiarem e abrindo os olhos levemente, pode perceber que Harry observava a cena de modo irritado, parecendo não estar mais interessado na historia que Chang lhe contava.
Seus olhos se encontraram, e ela engoliu em seco ao ver as íris verdes escuras, e os dedos dele, cerrados com força envolta da taça onde continha um liquido vermelho.
- Eu amo você. – Brian murmurou com a voz rouca ao pé de seu ouvido, a fazendo arregalar os olhos. – E eu faria qualquer coisa para ser correspondido.
- Brian... eu... Eu sint...
- Não. – ele calou-a, pousando o dedo indicador sobre seus lábios, antes de começar a acariciá-los. Ela sentiu o olhar de Harry tornar-se ainda mais furioso. Por que ele estava agindo daquela forma? Perguntou a si mesma, ao desviar seus olhos do melhor amigo e os pôr sobre o Sonserino que parecia estar muito próximo de si, perigosamente. – Não sinta por não me amar desta mesma forma que eu te amo. Não sinta por provocar sonhos em meu coração. Não sinta por minhas noites sem você ao meu lado feitas de abandono e solidão...- ele inclinou a cabeça – Se eu fosse o Potter, não perderia um único segundo de tempo...
- Perderia tempo do que? – Gina perguntou, temendo o que ele iria fazer, e como resposta, Brian sorriu, agora acariciando seu rosto com as costas dos dedos, numa caricia carinhosa e terrivelmente excitante.
- Tempo disso. – e sem que ela pudesse pensar em alguma coisa, ele lhe beijou, capturando seus lábios num beijo ardente que lhe tirou o fôlego. – Não resista, Gi, se entregue ao que você quer. Potter jamais se importou com o que você sentia ao vê-lo beijando outra garota... Faça-o provar um gostinho do próprio veneno. – Brian disse ao sentir a hesitancia da ruiva que o fitando por um breve momento, raciocinou.
Harry ainda fitava, atônito, o que acabara de ver o que acontecera na pista de dança, entre Gina e o playboyzinho da Sonserina.
Uma raiva aglomerou-se de todo seu corpo e aos poucos a voz de Cho foi tornando-se cada vez mais distante. A chinesa pareceu perceber que estava sendo ignorada, e bufando, saiu de perto dele, deixando-o sozinho com os próprios pensamentos atordoados.
Gina estava simplesmente magnífica, e jamais a vira tão feminina. Nunca presenciou a ver beijando outro garoto, mesmo sabendo que ela já namorara Dino e Michael, nunca sentiu aquele embrulho em seu estomago.
A dor em seu coração, a cada batimento, o incomodava, fazendo-o alguma vezes passar mão sobre o peito, para ver se aclamava um pouco aquela pontada de magoa.
Era uma sensação estranha. Sentia como se estivesse perdendo algo. Um vazio formando-se dentro de si.
E não estava gostando nada daquilo...
Sentiu seu sangue gelar quando viu Gina ficar olhando para o Sonserino por um tempo, parecendo pensar em algo que ele lhe dissera ao pé do ouvido, e sem piscar, ela se colocou na ponta dos pés, abraçou-o pelo pescoço, inclinou a cabeça e assim beijou-o.
Aquilo doeu. Doeu mais do que ele mesmo havia pensado.
Viu com nitidez a boca da sua Gina, sendo agarrada por outra... Outra boca que não era a sua.
Uma rápida inveja passou por si como um facho de luz, antes de voltar a tomar conta de seu ser o vazio. A dor da perda.
Os dedos de Gina acariciaram os cabelos negros do garoto. Os longos dedos delicados passando pelas madeixas escuras, da mesma forma que havia passado pelas suas também, o consolando de alguma coisa enquanto sua cabeça repousava sobre o colo dela.
Engoliu em seco ao ver que os alunos apontavam e pareciam sorrir para o novo casal que estava se formando na escola, e logo seus olhares se dirigiam a ele. Um gesto que ele não compreendeu.
Ainda observando o beijo devastador de Gina e a Cobra, Harry fechou os olhos, lembrando-se das vezes em que viu, todas as manhas, o sorrisos de Gina, seus grandes olhos âmbar brilhando para ele. Somente para ele.
Lembrou-se da voz dela; doce e suave, cantando em seu ouvido, e dos dedos dela deslizando sobre as teclas do piano, formando a melodia.
Sorriu ao se recordar de uma cena que havia ocorrido na A´Toca, na ultima férias.
Ali estava ela, na cozinha, preparando uma omelete no meio da noite. Estavam sozinhos, pelo motivo que a famá-lia Weasley e mais Hermione haviam saído para uma festa, onde tanto ele como Gina preferiram não comparecer.
- Quem não ajuda na cozinha, não ajuda na hora de comer. – Gina falou divertida, enquanto Harry se encontrava ao seu lado, observando-a cortar os legumes para por na frigideira.
Ele bateu a mão contra o peito.
- Então me dê uma tarefa. E que seja bem difícil.
E sem olhá-lo, Gina lhe entregou uma faca e um pimentão verde por cima dos ombros.
- Eu estava pensando em algo mais "másculo". – e então, ela lhe entregou uma cebola.
O calor de todos aqueles momentos lhe aqueceram, mas ao abrir os olhos e contestar que a amiga ainda beijava o Sonserino, seu corpo estremeceu de frio. Sua pele gelada como um cubo de gelo.
- Parece Brian finalmente pegou Gina de jeito. – Naty disse ao seu lado, de repente, o fazendo ter um sobressalto.
- Sim, parece que é isso mesmo. – ele exclamou ríspido, os olhos frios assim como a boca contorcida numa linha séria.
- Eu ouvi um tom de magoa na sua voz, ou foi impressão minha?
- Impressão. – Harry disse no mesmo segundo, sem hesitar.
Naty riu.
- Eles fazem um lindo casal, não é mesmo? – Lindo seria se ela estivesse comigo! Ele sentiu vontade de dizer, mas calou-se a tempo. Parecendo ler sua mente, Naty completou: - Mas acho que a Gina combina mais com você.
Harry fitou-a com uma sobrancelha erguida.
- Por que diz isso? – ela deu os ombros, desdenhosa.
- Talvez seja somente por eu ter convivido tempo suficiente com a Gina para saber como foi difícil para ela esquecer o garoto por quem era apaixonada. – Harry endureceu o maxilar, antes de perguntar num tom frio e baixo:
- E você acha mesmo que ela o esqueceu? – Infeliz, miserável, idiota! Harry pensou, cerrando os punhos com mais força, antes de começar a calcular quem seria o garoto que fazia Gina sofrer. Ah, se pegasse o cretino, ele não viveria para contar historia.
- Como eu sempre digo; é impossível apagar um grande amor, ele somente adormece para que continuemos a viver, mas é somente de um toque da pessoa amada que ele precisa para voltar com força total. – Harry suavizou o semblante.
- Você, então, acha que ela ainda não o esqueceu?
- Jamais vai conseguir esquecê-lo, Harry. O amor que a Gina sente por ele é tão forte que chega a dar inveja. Ele tem muita sorte, pena que não percebe a jóia que tem em mãos.
- E quem é o garoto por quem Gina é apaixonada?
- Ela o ama. – Naty respondeu em ênfase. – Muito.
- Certo. – revirou os olhos - Quem é o garoto que Gina ama tanto? – por alguma razão, aquela frase saiu de uma forma estranhamente amarga, tanto que ele próprio se surpreendeu.
Natalie não respondeu, somente o fitou séria por breves momentos, antes de caminhar lentamente até a mesa de bebidas, o deixando sem entender absolutamente nada.
Voltou sua atenção para a pista de dança e aliviado, viu que Gina e o tal de Brian haviam parado de se agarrar.
Por alguma razão, desejou estar no lugar do Sonserino; ele tinha os braços entorno da cintura de Gina a bochecha encostada na testa dela, que o abraçava com força pelo pescoço, acompanhando-o nos passos de dança. O sorriso dele era tão radiante que chegou a quase cegá-lo.
Balançou a cabeça... Espera ai. Gina estava... Dançando?
Mas desde quando ela dançava. Não. Quando foi que ela aprendeu a dançar?
Boquiaberto, surpreendeu-se ao ver que a ruiva fazia passos complicadíssimos, e acompanhava o garoto com plena perfeição de uma dançarina, enquanto, algumas fezes, jogava a cabeça para trás e ria de forma deliciada.
- Era só o que me faltava. – murmurou pasmo.
Olhou-a melhor. Ela também estava usando salto! E em nenhum momento pareceu escorregar sobre eles ou encontrar alguma dificuldade de andar.
Surpreso por todas aquelas descobertas cruzou os braços em frente ao peito, observando a ruiva dar uma graciosa pirueta, antes de ser trazida num impulso firme, novamente para os braços do Sonserino medíocre, que lhe roubou mais um beijo.
Harry endureceu o rosto, e cerrou os olhos.
- Mas nem ferrando que eu vou ficar aqui, parado, apreciando isso. – falou, caminhando até o casal no meio do Salão, que estavam começando a se acharem a ultima bolacha do pacote.
Clareando a garganta, tocou no ombro de Brian, fazendo este virar o rosto e o encarar.
- O que foi Potter? – ele perguntou ríspido, fazendo Harry sorrir pelo canto dos lábios de modo cínico, irritando-o ainda mais.
- Eu sinto muito em interromper o momento romântico, mas...- fitou Gina que o olhava de uma forma neutra. – Eu gostaria de dançar pelo menos, uma dança com a minha melhor amiga.
Gina ignorou a batida forte em seu coração, e a gota de suor que brotou entre seus cabelos e começou a deslizar por sua têmpora.
Oh, não! Exclamou em mente, ao ver Brian assentir meio a contra gosto e afastar-se.
E quando sentiu os braços de Harry deslizarem por sua cintura estremeceu.
Ele inclinou-se e disse baixinho ao seu ouvido:
- Vamos ver se você está dançando tão bem como aparentava estar nos braços do seu namoradinho.
- Ele não é o meu namorado. – Gina avisou, sem mais nada em mente para dizer.
Harry riu malicioso.
- Então se ele não é seu namorado, é novidade para mim que você esteja beijando todos os seus amigos. – Gina olhou-o, atônita – E se eu bem me lembro, como sou seu melhor amigo, merece algo mais especial que um beijo. – o olhar dele era perigoso, assim como seu sorriso.
- O que está insinuando, Harry? – ela sabia muito bem o que ele estava querendo dizer, mas tentando recorrer a todas suas forças e coragem, continuou com seus olhos fixos as íris verdes.
- O que você acha? - Ela não pode deixar de arrepiar-se ao ver que os lábios de Harry começavam a se aproximar dos seus e os olhos dele a se fecharem.
Seu coração começou a disparar, e seu peito a arfar num modo lento e pesado.
As portas do paraíso pareceu começarem a se abrirem quando seus olhos começaram a pesar, obrigando-a a fechá-los, e no momento em que respirou fundo, prendendo o ar em seu peito e tentando conter a tremedeira de suas pernas, sentiu os lábios de Harry tocarem os seus.
Continua...
