Capitulo 19: Agora e Sempre
Ah! Eu estou aqui, relembrando do seu toque, dos seus beijos e como seu corpo uniu-se ao meu em um só, com tanta perfeição.
E agora eu anseio voltar, sair desta prisão, e voltar para seus braços.
Os lábios se tocaram em gestos tímidos e hesitantes, antes de Harry circular a cintura de Gina com mais força e de encontro a si, estreitando ainda mais os corpos, que se encaixavam com tanta perfeição.
Não estava dando a mínima que mais de cinqüenta pessoas estivessem vendo aquela cena, ou até mesmo que o Sonserino – como ele se chamava mesmo? - estivesse fuzilando-os com os olhos e soltando fumaça pelas orelhas de puro ódio. Aquela cobra que entrasse em erupção e explodisse, pois, ele tinha mais coisas para prestar a sua plena e completa atenção, e essa coisa seria Gina com o corpo lindo colado ao seu, e os lábios tão pertos, perigosamente de sua boca, numa forma que o convidava para experimentá-los.
O que eu estou fazendo? Perguntou-se de modo pasmo, antes de sentir um impulso de onda do corpo de Gina contra o seu.
Ah, pros diabos tudo isso!
Sua mente voava longe, sua razão batendo as asas e indo em direção a onde o vento assoprava, além do horizonte, enquanto sentia a barriga reta e delgada da amiga colocar-se contra a sua; rígida e firme. Os seios robustos friccionavam seu peito, fazendo que sua imaginação começasse a criar cenas e imagens que o fizeram começar a suar frio.
As palmas de suas mãos se espalmaram contra as costas dela, enquanto os braços de Gina se cruzavam atrás da nuca; os dedos delicados perdendo-se entre seus cabelos rebeldes.
Ah, como ele amava o carinho dos dedos dela em suas madeixas.
Ela inclinou a cabeça genuinamente para o lado, os olhos cerrados e os lábios entreabertos, assim como os dele, pronto para se perderem num beijo ardente e febril que tiraria o fôlego de ambos.
Harry não pode deixar de sentir um arrepio em sua espinha, quando a boca da ruiva roçou contra a sua, como se estivesse marcando o seu território, ou simplesmente, recordando-o, como se algum dia já o tivesse experimentado.
Uma sensação estranha junto a um borbulhar atacou fundo o seu estomago. Era como se estivesse tudo certo. Como deveria ser.
Ele e Gina. Abraçados. Sentindo a presença um do outro e quase se beijando em frente á escola inteira. Mas para eles, tudo ao arredor havia desaparecido como num passe de mágica.
O gosto leve daqueles lábios... Aonde o havia experimentado antes?
Maldição. Tinha alguma coisa em Gina que lhe era familiar. Muito familiar.
Estremeceu em deleite quando a ponta da língua de Gina passou sob seus lábios num gesto malicioso e ousado, fazendo-o subir uma de suas mãos até a nuca dela e sentir a maciez dos cabelos cor-de-fogo arriarem em seus dedos.
- Gi...- sibilou o nome dela num tom rouco, não assimilando direito tudo aquilo, e principalmente não conseguindo compreender aquele enrolar de sensações dentro de si.
Gina sorria, instintivamente, não acreditando no que estava acontecendo entre ela e Harry.
Parece que finalmente os Deuses iriam lhe conceder a satisfação, o prazer e a realização de um sonho; beijar seu melhor amigo. Seu grande amor. Harry James Potter.
Mas quando a língua dele começou a deslizar para dentro de sua boca, algo se aglomerou em sua garganta, a fazendo se afastar de Harry num gesto brusco e veloz, como se tivesse acabado de receber um choque elétrico.
- Gina? – Harry chamou-a atônito pela repentina distancia dela, mas logo sua expressão mudou para uma preocupada quando viu a amiga ficar pálida como mármore.
Oh não. Não agora. Gina pensou gemendo por dentro.
Ela não disse nada, somente balançou a cabeça de um lado para o outro e estendeu a mão impedindo-o de se aproximar.
- De... Desculpe. – foi a única coisa que ela pode dizer, antes de sair correndo para fora do Salão, agarrando a própria garganta com as duas mãos.
- Harry, o que houve com ela? – Rony perguntou, correndo para o lado do moreno que ainda olhava atordoado para a porta do Salão Principal.
- Eu não se Rony, mas vou descobrir. – e antes que o ruivo pudesse dizer alguma coisa, Harry saiu correndo, seguindo pelo mesmo trajeto que Gina fizera segundos antes.
Rony fez menção de seguir o amigo, mas a mão de Hermione em seu braço o impediu.
- Deixei-os. – ele virou-se para fitar atônito a namorada.
- Mione, a Gina estava passando mal. Você viu a cara dela.
- Sim, eu vi. Mas, nesse momento ela vai precisar ficar sozinha ou da ajuda de Harry, por isso não os atrapalhe.
- Mas... ela é a minha irmã. – Hermione sorriu para o namorado e abraçou-o.
- E o Harry é o melhor amigo e o amor dela. – Rony nada disse, somente correspondeu ao abraço da morena antes de voltarem a se sentarem. Compreendendo aonde ela queria chegar.
Oh céus, como doía. Era como facas perfurando seu peito, arrombando-o sem nenhuma piedade. Seu coração parecia estar sendo esmagado e seus pulmões pareciam que a qualquer minuto iriam dilacerar.
Mas o que estava havendo com ela? Droga! Estava se sentindo tão bem nos últimos dias, que aqueles ataques misteriosos e estranhos, para si, haviam passado. Suspeitara a principio que não passaria de uma simples gripe, virose, ou algo do gênero, mas... E se fosse uma doença? Algo mais grave do que ela própria imaginara.
Sentiu a mesma sensação estranha de alguma coisa subindo-se por sua garganta em direção a sua boca, causando-lhe a falta de ar.
Alguém a seguia... Sabia disso, ouvia os passos pesados pisando com rapidez contra o chão de pedra, mas estava desesperada demais para chegar ao banheiro feminino do que se certificar quem é que estava atrás de si.
Foi então que o desconhecido a chamou, a voz sibilando seu nome chegando em seus ouvidos como uma melodia agoniante, preocupada, só que ao mesmo tempo era doce, mas ela estava aterrorizada de mais para pensar de quem seria aquela voz.
Quase escorregando pelo piso molhado do banheiro feminino, onde ficava a Murta-que-Geme, ao virar diante da porta, Gina correu para um dos boxes, esmurrando a porta com força, e ajoelhou-se no chão molhado, erguendo a saia de seu vestido, antes de pôr as mãos espalmadas sobre a cerâmica fria e pálida do vaso.
- Deus...- bracejou, rolando os olhos, enjoada. – O que é isso?
A sensação continuava. Fechou e respirou fundo, fazendo com que seu peito se contorcesse ainda mais.
Era algo torturante. Machucava-a e fez com que seus olhos marejarem perante a dor infernal.
O liquido continuava em sua garganta e num instinto arrebatador para tirar aquilo de dentro de si, tossiu com força.
Arregalou os olhos, assustada ao ver a mancha de sangue que saíra de sua boca, manchar o vaso com sua cor vermelha.
A tosse, então, começou, forte e rouca, um tossido atrás do outro, algo compulsivo, cada vez mais carregado e agonizante.
As lagrimas já escorriam soltas por seus olhos, tamanha a força que fazia para reprimir o sangue de sua garganta.
Seu peito parecia que iria explodir.
O sangue saia de sua boca, jorrando-se contra o vaso. Levou a mão na boca e logo fitou-a. Bem ali em sua palma, uma grande mancha de sangue permanecia.
- Oh não, não. – disse a si mesma num lamente. – O que isso significa?
- Gina? – a voz de Harry atrás de si soou, a fazendo sentir-se mais quente e de certa forma protegida.
Sem fitá-lo, Gina permitiu-se cair num choro forte, os soluços sacudindo o seu corpo frio e trêmulo.
- Harry... o que esta havendo comigo? – foi então que ela ergueu a mão e mostrou o sangue, e afastando a cabeça para o lado ele pode ver a privada completamente ensangüentada.
- GINA! – ele exclamou, jogando-se ao lado da amiga que recomeçou a tossir, agora embalada nos braços de Harry que a amparavam. Os olhos verdes fitando-a de modo desesperado.
Ela tossiu, o jato de sangue manchando sua camisa branca.
- Harry...- ela agarrou-se ainda mais a ele, o corpo sendo sacudido pelos soluços. – O que está havendo comigo?
Ele encostou a bochecha na têmpora dela, balançando-a como uma criança.
- Shhh... vai ficar tudo bem, Gi. Você vai ver. Eu estou aqui. Nada de mal vai te acontecer, prometo. – com a mão, mediu a temperatura dela. – Merlin, você está ardendo em febre.
Erguendo-se, ele segurou a ruiva nos braços e começou a correr em direção a Ala Hospitalar.
- Ora, ora. Mas que cena linda é essa. – Murta-Que-Geme disse, fazendo Harry parar no meio do caminho e olhar para o fantasma de modo seco.
- O que você quer Murta? – a garota sorriu de modo tímido, sua risada irritante ecoando pelos assoalhos sujos.
- Ah, Harry... Você nunca mais veio me visitar, e eu me sinto tão sozinha aqui. – Murta começou a gemer baixinho, as lágrimas escorrendo por seu rosto pálido e transparente. Ela balançou a cabeça de modo frenético de cima para baixo.
- Eu estava ocupado demais.
- Ocupado de mais para me ver? – Harry bufou e segurando Gina com mais força, falou cínico:
- Tem certas coisas mais importantes que eu tenho que fazer Murta, e uma delas definitivamente não é vir visitar um fantasma. – Murta gritou em plenos pulmões em ódio e assim bradou em fúria:
- E a coisa mais importante pra você com certeza seria essa ruiva pobretona. – Harry sorriu pelo canto dos lábios, aquela maldita fantasma não iria o tirar do sério.
- Pense Murta, pelo menos a Gina está viva. – e assim ele deu um beijo na bochecha da amiga, provocativo, fazendo com que a fantasma desse meia-volta e mergulhasse dentro da pia, jorrando água para todos os lados.
Rolando os olhos, Harry voltou a correr, deslizando pelo piso molhado do banheiro.
- Agüente firme, Gi. – a ruiva o abraçara como uma garotinha indefesa, e agora continha os olhos fechados, a cabeça apoiada em seu ombro. – Por favor.
Suas pernas corriam num ritmo que ele jamais pensou ser capaz de atingir. Era como estivesse voando. O vento da noite balançava seus cabelos perante seu rosto.
Fitou a melhor amiga em seus braços e percebeu que ela havia desmaiado.
- GINA ACORDA! – gritou desesperado, sacudindo-a enquanto virava no corredor. Gina gemeu levemente, o sangue agora, escorrendo pela lateral de sua boca. – Abra os olhos Gi. – ele pediu baixinho, encostando sua boca na testa da amiga.
Ao chegar na Ala Hospitalar não pensou nos bons modos, simplesmente chutou a porta de carvalho fazendo esta se arregaçar de forma violenta, chocando-se contra as paredes.
Madame Pronfrey que se encontrava adormecida em sua cadeira, acordou atordoada.
- Senhor Potter, mas o que isso signi...- ela começou a reclamar de forma nervosa, mas ao ver Gina nos braços do moreno, contorcida em dor, suja de sangue e pálida, ela arregalou os olhos. – Deus, o que houve com ela? – perguntou indo até o leito que Harry havia depositado a amiga.
- Eu não sei. – Harry disse agoniado, passando a mão pelo cabelo. – Eu a encontrei assim no banheiro. Ela está tossindo sangue sem parar.
Pronfrey olhou para Gina de modo preocupante, antes de balançar a mão.
- Por favor, Potter, saia! – ela ordenou, fazendo com que Harry a encarasse de modo como se estivesse louca.
- Nem ferrando! – exclamou, segurando a mão de Gina; fria. – Não irei sair do lado dela um segundo sequer. – A enfermeira o encarou.
- Potter saia agora, se não, não irei poder cuidar da Senhorita Weasley.
- Não irei sair! – enfatizou ainda mais as palavras, desafiante.
Gina apertou sua mão com força antes de começar a gritar de dor, longos filetes de sangue escorrendo por sua boca.
- AHHHHH! – ela berrou, começando a tossir novamente de modo compulsivo e forte.
Madame Pronfrey segurou a cabeça da ruiva, enquanto esta começava a se debater com força no leito.
Harry segurava os dois braços da amiga que continuava a gritar de modo desesperado.
Não conseguiu conter as lágrimas que inundaram seus olhos quando a viu daquela forma tão vulnerável.
Como daria qualquer coisa para estar no lugar dela, naquele momento.
Gina suava por causa da altíssima febre, os cabelos ruivos se espalhavam pelo travesseiro como um véu de fogo. As unhas dela estavam cravadas na carne de sua mão, fazendo um leve ferimento. Mas, ele não se importou com a dor, continuava a segurá-la.
- Não, não! – Gina gritava. – Faça parar, por favor, faça parar! – ela urgia de modo violento. A respiração arfante.
- Faça alguma coisa! – Harry gritou para a enfermeira desesperado que, o olhando por breves segundos, virou-se para a mesinha ao lado da cama e retirou de dentro desta uma seringa.
- A segure com força, Potter. – Pediu, tirando a tampa transparente que encobria a longa agulha e deu uns leves soquinhos na parte de plástico misturando o liquido transparente antes de esticar o braço de Gina e enjeitar-lhe a agulha na veia.
Não demorou muito para que a ruiva arqueasse o corpo para cima e arregalasse os olhos, fixando-os nos olhos em Harry.
Ele estremeceu ao ver as íris azuladas que tanto amava, frias e sem vida. Era como se ela não estivesse ali.
- Har...ry. – Gina chamou-o num lamento baixo, antes de fechar os olhos e voltar a cair contra o colchão da cama como um baque.
- Gina?... GINA! – Harry chamou-a, segurando os ombros da amiga. A agonia apossou-se de seu peito, e seu coração pareceu que iria parar de bater a qualquer momento. – Gina, por favor, não faça isso comigo. Abra os olhos. – nada. Ela nem sequer moveu um único músculo, fazendo com que o desespero dele aumentasse. Sem notar e nem ao menos se importar, uma lágrima escorreu pelo canto de seus olhos. - ABRA A PORRA DOS OLHOS, RUIVA! – Ele gritou começando a chacoalhá-la.
Pronfrey colocou a mão no ombro do rapaz, mas antes que pudesse dizer alguma coisa, Harry virou-se para ela numa forma rápida e brusca, com as íris verdes soltando faíscas de ódio:
- O que você fez com ela, sua bruxa? O que tinha naquela maldita seringa? Faça-a acordar agora mesmo! – vociferou entre os dentes.
A enfermeira suspirou antes de sorrir de modo fraco, mas confiante.
- Eu dei um calmante a ela Harry, fique tranqüilo, Gina está somente dormindo.
Ele suavizou o semblante para um mais sereno e tranqüilo. Olhou para a ruiva e engoliu em seco ao ver que ela continuava pálida.
- Mas... Ela parece tão frágil...- tocou-lhe no rosto com a costa da mão de modo doce, observando o semblante sereno – está tão fria...- dizia em tom baixo, mais para si mesmo do que para a enfermeira – Ela... Ela parece... morta – a ultima palavra não passou de um simples murmúrio, como se ele estivesse temendo que a verdade, crua e dolorosa, fosse aquela.
- Fique tranqüilo. – Pronfrey garantiu. – Ela precisa descansar. – e com um toque de varinha, fez com que as manchas de sangue sumissem, deixando tudo limpo.
Pegou uma vasilha com água onde dentro continha um pano.
- Deixa que eu faço isso. – Harry disse, pegando o pano úmido da mão da enfermeira e o colocando sobre a testa da amiga. – eu vou ficar aqui com ela. Até que acorde.
- Isso pode durar a noite inteira. – Harry deslizou o pano para os lábios roxos de Gina.
- Não me importo. Não irei sair do lado dela.
Pronfrey suspirou e limpou o suor da testa.
- Tudo bem, Potter, como desejar. – e sem dizer mais nada, ela deu a volta nos calcanhares e saiu da Ala Hospitalar, fechando as portas de carvalho tentando fazer o mínimo de barulho.
Harry suspirou e continuou a deslizar o pano úmido pelo rosto da amiga. Era incrível que mesmo pálida e ardendo em febre, Gina continuava com sua expressão doce de sempre, os lábios escuros contorcidos num sorriso quase imperceptível.
Não sabia explicar o que estava havendo com ele. Era algo em seu peito que esplandecia, esquentando todo o seu corpo quando via Gina olhando para ele de modo terno e carinhoso. Quando via o sorriso dela que chegava aos olhos sempre tão cheios de vida.
Ela não era bonita... Mas naquela noite, estivera extraordinária. E ainda estava...
Aproximou seu rosto do dela e analisou-o; os cabelos estavam revoltos e cheios de cachinhos, a pele lisa e pálida, e os lábios entreabertos num sorriso que o enfeitiçou.
Podia estar enlouquecendo, mas naquele momento, Harry se viu em frente à garota mais bela que já vira em toda sua vida.
Colocou o pano dentro da vasilha e apoiando-se sobre as mãos, espalmadas no colchão, ficou contemplando o sono da amiga, que era banhada pela luz da lua que entrava pela janela logo acima do leito onde ela se encontrava repousada.
Quando a vira sangrando e caída no banheiro, jamais sentira tanto desespero na vida.
Gina era como a fonte de seu viver, a luz da sua sabedoria e o calor de seu coração, e não sabia dizer o que aconteceria a ele se ela o deixasse.
Talvez morresse também, ou simplesmente seria internado numa clinica de loucos.
O que seria dele sem aquela pimentinha?
Sorrindo afastou uma mecha ruiva que caiam sobre a face dela, que para seu agrado, já começava a voltar a sua cor rosada normal.
A respiração dela era fraca e baixinha, e não pesada e rápida como antes.
- Gi...- ele murmurou, inclinando a cabeça em direção a dela. E como se não pudesse segurar a própria voz, as palavras ecoaram de sua garganta sem ele perceber, como se houvesse ganhado vida própria: – Se você soubesse como eu te amo. – Amor! A palavra ecoou em sua mente o fazendo respirar com mais força. Amor!
As mãos deslizaram, como se estivessem sendo chamadas, pelo corpo da amiga, percorrendo os braços frios e logo pela cintura delgada.
As pernas estavam opostas graças à fenda lateral do vestido que havia se rasgado em algum momento.
Controle-se! Disse a si mesmo num modo silencioso. Ela é a sua amiga e esta adormecida, não se atreva a aproveitar-se dela.
Mas simplesmente não conseguia manter suas mãos longe de Gina. Sua mente dava uma ordem, mas seu corpo agia completamente diferente.
Será que nos romances os seus escritores conhecem o amor ou seriam só inventores?
Não podia negar que já lera vários romances. Muitas vezes havia encontrado Gina, lendo embaixo duma arvore no jardim, e sentara-se ao seu lado, acompanhando-a na leitura.
Riram juntos, e fizeram comentários direcionados a trama. Nas cenas de drama, Harry podia ver os olhos da amiga marejarem, mas ela segurava as lagrimas e numa forma terna, ele a abraçava.
Mesmo jamais sentindo aquele sentimento dentro de si, embalando o seu coração como uma chama viva. Gina era o que ele procurava nos romances, pela sua vida... Como ele havia esperado por aquilo. Duas almas apaixonadas.
Tão forte docemente como a natureza, ela não sai de sua cabeça. Um golpe do amor dentro de seu coração. Que batia descompassado. E de repente, ele via que já havia cruzado a linha que os une ao pacto sagrado, onde agora, ele podia ouvir o coração de Gina. Em compasso com o seu.
Maldição, o que estava havendo com ele?
Sem perceber, sua mão já repousavam sobre a perna da ruiva, tocando-lhe a pele acetinada e macia.
O desejo apoderou-se de si. E a vontade de se perder naquele corpo o fez começar a tremer. Unir-se a ela num só corpo. Derreter-se como um mel sobre as curvas do pecado, e sentir o sabor da boca dela e de seu seio, que era como um botão de rosa.
O corpo dela com o dele, entrelaçados, fazendo uma linha de energia pura, um fogo frenético que iria crescendo, de dentro para fora, de fora para dentro.
Gina pertencia a ele... Assim, como ele pertencia a ela.
Já podia sentir o vazio em seu coração, nas noites de abandono e solidão, sem ela ao seu lado. Ela que provocava os sonhos mais belos e eróticos de seu coração. Ela o iluminava.
Gina veio de repente para si, como se houvesse sido um presente trazido por um anjo. Ela veio já sabendo o que encontrar nele, como o animar ou quando se manter calada somente o ouvindo, o abraço dela lhe envolvendo de corpo e alma. Ela que de repente soube o que ele era na verdade. Apenas um garoto de dezesseis anos e não o Herói do Mundo Mágico.
A presença dela era como uma mágica suave numa noite linda.
- Eu estou ficando fora de controle. – murmurou, respirando fundo e inalando o perfume de Gina.
Fechando os olhos, encostou sua testa na da amiga.
Por alguma razão, Gina lhe era tão familiar... Mas, não estava com vontade de pensar nisso agora. Desejava apenas se manter ali, ao lado dela, contemplando o seu sono sereno e gostoso.
- Gi, me desculpe, mas não posso mais... me controlar. – e sem pensar duas vezes, ou tentar conter o seu impulso, ele colou sua boca na dela. Saboreando-a como se fosse um doce suculento.
Os lábios frios dela entraram em contraste com os seus quentes. Foi uma carga elétrica que se apoderou de si. Um arrepio que serpenteou o seu corpo.
Abraçou-a de encontro a si; um dos braços lhe enlaçando a cintura enquanto o outro lhe suspendia a cabeça.
Um gemido sufocou-se em sua garganta, quando com a língua, Harry invadiu a boca da amiga. E naquele momento foi como uma luz clareando a sua mente.
Aquele gosto...
Continuou a beijá-la, não acreditado no que estava fazendo.
Mas no segundo seguinte teve um sobressalto quando a língua de Gina começou a mexer-se contra a sua e a mão dela apoiou-se atrás de sua nuca antes de deslizar ate a lateral de seu rosto, acariciando.
Céus, ela havia acordado e agora correspondia ao beijo.
As línguas se buscavam de forma terna e suave, e Harry não pode deixar de sorrir.
Chupou a língua da amiga antes de mordê-la, fazendo com que Gina gemesse baixinho.
O corpo dela agora queimava, mas não era de febre...
O dele também estava quente como se ambos estivessem com uma febre altíssima.
O amor havia o pegado de jeito naquele momento. Bateu e afundou em seu peito. Uma paixão que Harry desejou somente para si.
Era com algo que ele havia sempre sonhado. Mesmo negando-se a isso, Gina era o que ele desejava. Era o destino que lhe deu mais do que ele mesmo havia dado.
Fora além dos limites dentro e fora da lei.
E agora estava ali, sem reservas, sem se sentir culpado de estar beijando Gina. Era como um filme, onde somente os dois podiam assistir.
O amor podia surpreender, te pegar de jeito. E para a surpresa e espanto de Harry, ele havia sido pego.
Ah, como aquilo era bom...
Gina também mordiscou sua boca, o fazendo gemer, dando-lhe o troco, vingando-se.
Sentiu as mãos dela agarrarem sua camisa e o puxar para cima de si. Uma ordem que ele obedeceu sem pensar em hesitar.
O colchão cedeu um pouco com o peso dos dois em cima da cama, beijando-se com fervor.
As mãos dele agora viajavam pelo corpo dela, sem temer por uma recusa. As pernas delgadas abriram-se para si, o fazendo ficar entre elas.
Jamais havia se sentido tão excitado como naquele momento.
- Harry...- Gina murmurou baixinho ao pé de seu ouvido, jogando a cabeça para trás, enterrando-a no travesseiro, dando a ele mais acesso ao seu pescoço, onde agora beijava.
- Gi...- Harry chamou-a no mesmo tom, as mãos repousadas na cintura da ruiva, tocando no zíper lateral do vestido.
Ergueu a cabeça e viu que Gina ainda mantinha os olhos fechados. Sorrido, beijou-lhe a testa antes de deslizar a boca para a dela, e roçando os lábios, proferiu num tom amável:
- Abra os olhos, meu anjo. Olhe para mim. – ela respirou fundo antes de obedecer ao pedido.
Harry engoliu em seco e afogou-se entre aquele mar azul celeste que o fitou numa forma brilhante, cheia de paixão e desejo.
E naquele momento Harry comprovou o que suspeitara... Ela também o desejava. Era ela!
Seu coração falhou um batimento enquanto ainda mantinha seus olhos fixos naquelas íris incrivelmente azuis.
- O... que... foi? – Gina perguntou num fio de voz, a respiração entrecortada como a dele.
Não sabia como havia ido parar ali na Ala Hospitalar, somente lembrava-se de Harry erguendo-a no colo enquanto repelia sangue dos pulmões.
Tudo ao seu arredor havia ficado escuro, e ela sentiu como se estivesse morrendo. O frio cortava a sua pele e a febre queimava sua testa.
Não sabia como, onde ou quando tudo aquilo acontecera... Mas quando voltou a si, sentiu alguém a beijando, a língua quente e morna movendo-se contra a sua.
Não fora preciso abrir os olhos para saber que era Harry. Era o mesmo gosto, a mesma boca... Era tudo igual que ela havia experimentado na noite do Baile a Fantasia.
Os olhos dele brilhavam, e ela percebeu que jamais vira as íris verdes de Harry tão claras como naquele momento. Um brilho estranho as consumia.
Estremeceu ao finalmente perceber o que aquele olhar significava; puro desejo.
Ah sim, ela também o desejava. Com todas as suas forças, com cada fibra de seu ser.
Sem esperar por uma resposta, agarrou a nuca de Harry e voltou a beijar-lhe. Sua boca oprimindo contra a dele.
Harry correspondeu ao beijo, sentindo-se extasiado com tudo aquilo.
Abraçando a amiga, deitou-se ao seu lado.
- Mais...- Gina começou a protestar, mas colocando o dedo indicador sobre os lábios dela, Harry a calou.
- Shhh... Você tem que descansar. – Descansar? DESCANSAR? Diachos, ela não queria descansar, aquilo definitivamente era a ultima coisa que passava por sua cabeça.
- Eu estou bem Harry. – Gina assegurou, virando o rosto para olhá-lo. Harry sorriu e lhe acariciou o rosto.
- Eu sei. Mas tudo esta sendo novo pra mim Gi, e eu jamais me imaginei fazendo amor com você. Principalmente na Ala Hospitalar. – Uou, o garoto era direto. Gina pensou. Ele beijou-lhe levemente – o que estou sentindo por você, jamais senti por mais ninguém.
MEUS DEUS, ele esta dizendo que esta se apaixonando por mim? Gina disse a si mesma, não acreditando no que ouvia.
Ela respirou fundo e virou-se para ele, abraçando-o também.
- Tudo bem, eu também não imaginei minha primeira vez na Ala Hospitalar. – ele riu baixinho e falou num tom malicioso:
- Então quer dizer que você já se imaginou fazendo amor comigo? – Gina abriu a boca pasma, e antes de xingar o melhor amigo, Harry a beijou.
Oh, ela estava no céu.
- Harry, eu tenho que te dizer uma coisa...- os seus olhos se fixaram na corrente que ele tinha no pescoço. A sua corrente.
Harry sorriu.
- Fale. – Gina clareou a garganta.
- A corrente...- segurou a jóia entre as mãos – está aqui. Bem...
Harry balançou a cabeça de um lado para o outro e lhe segurou a mão entre a sua, repousando-a em seu peito.
- Não diga nada Gi, é melhor você descansar mesmo. Amanhã conversamos. – e sem dar tempo a ela de responder, ele fechou os olhos.
Gina engoliu um palavrão, antes de acomodar-se melhor ao corpo de Harry. Este a abraçou como se fosse uma bonequinha, e em poucos minutos, ambos já estavam perdidos na escuridão de um profundo sono.
Os seus pés estavam lhe matando.
Provavelmente aquela maldita sandália de três números menor que o seu, iria lhe custar umas belas bolhas.
Eram quinze para as onze, e decidira sair mais cedo do baile que já estava quase acabando.
Não agüentando dar mais um passo sequer, apoiou-se na parede, sentindo as tiras da sandália fazerem seus pés latejarem em dor, e o salto alto de agulho era como se estivesse andando sobre pregos.
- Maldição. – urrou, começando a se curvar para desafivelar as tiras negras que envolviam sua pele no pé, quando uma mão em seu ombro a fez ter um sobressalto.
- Calma, sou eu. – Fred falou de modo suave.
Naty engoliu em seco ao ver que o ruivo estava tão perto de si, de modo que seu ombro roçava no peito dele, a mão firme e forte em seu ombro a fez sentir uma estranha corrente quente serpentear o corpo e seu coração disparou em um ritmo veloz.
- O que quer Weasley? – perguntou ríspida, desviando os seus olhos do dele.
Fred aproximou-se ainda mais, o perfume dele impregnando em suas narinas.
Controle-se mulher, não ceda à tentação. Naty disse a si mesma.
- Quero falar com você.
- Não tenho tempo para os seus insultos. Talvez outro dia quanto eu estiver de bom humor. – Fred sorriu. Ah, aquele sorriso... Suas pernas bambearam a fazendo se ver obrigada a apoiar-se ainda mais na parede para não cair.
- Não acredito, a famosa Natalie McBride está de mau humor? – ele provocou, o tom de voz brincalhão a irritando.
- Sim.
- E eu poderia saber por quê? – Naty riu em desdém.
- Por que será, não é mesmo Weasley? Meus pés estão me matando e eu ainda tenho que agüentar olhar para você.
Fred não se deixou abalar pelo insulto, simplesmente alargou ainda mais o seu sorriso, fazendo Naty quase engasgar com a própria saliva.
Será que não existia nenhuma lei no Mundo Mágico proibindo que garotos como Fred fossem tão lindos? Bufou. Lógico que não, que idéia mais ridícula.
Virando o rosto reparou que Fred estava ainda mais perto de si, a camisa aberta até a metade, revelando o tórax firme e malhado. Os olhos castanhos brilhavam a luz da Lua e por alguns instantes Naty pensou em ter visto as íris dele prateadas. Com os cabelos úmidos, Fred revelava que estivera no banheiro molhando o rosto para que o efeito do álcool diminuísse.
Pode se lembrar perfeitamente da cena de poucas horas atrás. Ela estava dançando com um lindo Lufa-Lufa, tentando convencer a si mesma que estava bem e se divertindo enquanto Fred, sentando em um canto isolado do Salão bebia um copo atrás do outro.
Seus olhos chegaram a se encontrar em um breve instante de piscares, antes de ela errar um passo da dança e acidentalmente pisar no pé do companheiro.
- Você está linda essa noite. – Fred disse de repente, a fazendo tossir de modo que mostrava que havia engasgado.
- Guarde seus elogios baratos para você, Weasley. Não preciso deles. – Naty respondeu cortante, de modo frio.
Fred suspirou e sem dar tempo a ela de se mexer, agachou-se a sua frente, e pegou um de seus pés.
- O que esta fazendo? – ela perguntou pasma, tentando retirar o pé da mão dele, mas Fred o segurou com um pouco mais de força.
- Você não disse que eles estão doendo? Então, vou libertá-los dessas amarras. – e assim começou a retirar a sandália, desafivelando-a.
- Para o começo da conversa, não se chama amarras e sim tiras. – Fred deu os ombros, e Naty se viu obrigada a sufocar um gemido na garganta quando ele retirou a sandália e a pôs no chão e logo começava a fazer uma deliciosa massagem.
Maldição. Ruivo filho da mãe. Ela sentiu vontade de berrar, mas somente fechou os olhos e encostou-se na parede, cedendo a delicia caricia que ele fazia.
Gemeu quando ele pressionou os dedos contra o seu tornozelo.
Por que ele estava fazendo aquilo? Não fora ele próprio a terminar com tudo, destruir o seu melhor sonho... E agora se encontrava ali, tocando-a, a fazendo sentir á mesma corrente aquecedora em seu corpo, como se ela fosse a qualquer minuto derreter.
- Fred... por que esta fazendo isso? – perguntou ao sentir ele pegar o outro pé e fazer o mesmo percurso o que fizera com o anterior.
Ele não respondeu. As mãos começaram a se tornarem mais ousadas e antes que Naty pudesse retrucar, os longos dedos já deslizavam por sua perna, apertando sua coxa.
Abriu os olhos e encontrou os de Fred que ainda se mantinha agachado. Ele a acariciava por debaixo da longa saia do vestido, olhando para os contornos sensuais de suas pernas, numa forma concentrada.
As mãos passeavam por sua perna, a fazendo algumas vezes estremecer.
- Fred...- ela chamou-o por um fio, antes de perceber que agora, ele estava de joelhos, e os dedos brincando com o elástico de sua calcinha.
- Naty...- ele a chamou, levantando-se e a prensando contra a parede. O rosto afundando na curva de seu pescoço, inalando o seu perfume. – Eu... Eu...
Ela o tocou nos braços fortes, os músculos contraindo-se com o seu toque.
Resista! Resista a ele sua idiota! Sua mente gritava. Queria realmente o afastar de si, lhe dar um belo tapa na cara e dizer para que nunca mais se aproximasse de si. Mas seu corpo não a obedecia. Fred tinha um poder tão forte sobre si que a assustava. Ele a controlava somente com um toque, um sorriso ou até mesmo com os mais simples dos olhares.
Oh Deus, como o amava.
Engoliu em seco quando a respiração dele tocou em sua boca.
- Eu amo vo...- Não, ela não poderia ouvir aquelas palavras. Se não toda a sua autoconfiança sua força de vontade iriam por água a baixo. Não passara um longo tempo na frente do espelho preparando-se para encarar Fred frente a frente para no final não obter nenhum resultado com aquilo.
Ele a magoara, não confiara nela, e iria pagar por isso.
- Pare – interrompeu o ruivo abruptamente – Não se atreva a dizer uma coisa dessas.
Fred a encarou atônito. Naty o fuzilou com as íris azuis.
- Entenda uma coisa Weasley, acabou. Você mesmo me disse isso, sibilando todas as palavras. – ele suspirou.
- E foi à pior coisa que disse em toda a minha vida. – erguendo a mão, acariciou o rosto dela, deliciando com a suavidade da pele acetinada. – Eu te amo.
Para a sua surpresa, Naty tirou sua mão do rosto dela num gesto brusco.
- Quem ama não machuca. Quem ama não trai...- a ultima palavra saiu como um xingamento, fazendo-o sentir-se inferior. Encolhendo os ombros Fred abaixou a cabeça.
- Eu errei.
- Nós dois erramos Fred. Se você não tivesse beijado aquela loira vagabunda talvez eu o perdoasse, mas não... Você fez questão de a beijar na minha frente. Você sabia que eu iria trás de você, e usou essa minha fraqueza para me atingir. E isso Fred eu jamais vou te perdoar. Você foi baixo, jogou sujo comigo e acima de tudo, me magoou como ninguém jamais fez. – espalmando suas mãos no peito dele, o empurrou. – Talvez um dia você cresça e perceba que ágil como um verdadeiro animal.
Pegou suas sandálias no chão e quando estava preste a começar a andar em direção ao dormitório, Fred a segurou pelo braço, impedindo-a.
- Você tem razão. Eu agi como um animal, joguei sujo. Mas eu não estava pensando nas minhas atitudes, e agora estou arcando com as conseqüências. Mas você tem que entender Naty que eu te amo tanto, esperei por você, quantas vezes eu tentei negar a mim mesmo esse amor somente para não me ferir quando eu te via com o filho da mãe do Lawrence? Mas não, era algo maior que eu, mais forte do que eu poderia ignorar. O que eu sinto por você Naty não tem freios, não posso impedir. Era algo que se misturava com fogo e desejo e eu não podia mais parar. Eu te via sorrindo, nos braços daquele Corvinal e eu ficava imaginando como você ficaria ainda mais perfeita nos meus braços. Você era o sonho que eu sempre quis. Você é a mulher dos meus sonhos. – ele havia se aproximando dela, os lábios agora quase se tocando.
Naty sentia seus ouvidos estremecerem com aquelas palavras que soavam como musica. Seu corpo arrepiou-se quase que instintivamente quando os braços de Fred rodearam a sua cintura, a abraçando.
- Você era mais do que podia querer, desejar, ter. E quando eu percebi que você também começou a me notar não pude acreditar em como havia tirado a sorte grande. Eu me apaixonei por você desde o primeiro momento em que a vi na A´Toca, entrando no celeiro linda com aquele seu vestido. Você me pareceu um anjo, sendo banhada pela luz do sol naquele fim de tarde. – lhe beijou os cabelos – Somente Deus sabe como eu me senti feliz com o rompimento do seu namoro com aquele verme, e quando você veio para os meus braços, olhando para mim e dizendo que me amava. E ainda ama, Naty. – ela apertou-se ainda mais a ele, deliciando-se com as palavras. – Eu estou tão apaixonado por você, que eu me assusto. É um amor incondicional. – deu um passo para trás, fazendo com que seus olhos se encontrassem – Entenda Naty que quando eu li aquela carta, Lawrence contando como vocês se amavam, o ciúme me cegou. Quantas vezes você me disse que eu era melhor que ele. Mas quando eu percebi que ele a conhecia melhor que eu, quando ele já teve o prazer de te ter... Foi como se eu estivesse sendo queimado no inferno para virar um espetinho de carne. – Naty não pode deixar de rir com aquela piada.
- Isso foi besta de se dizer, Fred. – ele sorriu.
- Besta, mas é a pura verdade. Eu te amo Naty, tanto que palavras jamais serão necessárias para descrever esse sentimento tão puro. Você é tudo para mim, a minha vida. Eu desejo dormi ao seu lado, contemplar o seu sono, e acordar com você em seus braços. Quero ser o motivo do brilho dos seus olhos, do seu sorriso e dos seus gemidos. Quero ser o único a poder ter você, a te tocar. Ser o dono de seu coração. E por isso estou aqui, percebendo o quão burro fui ao deixar que a mulher da minha vida fosse embora. Eu te quero Naty. Eu quero você ao meu lado até o ultimo dia da minha vida.
Naty arregalou os olhos, pasma, com o que ele lhe dizia.
- Fred...- chamou-o de forma baixinha – Falando assim parece que está me pedindo em casamento. – tentou brincar, mas o rosto dele, sério a vez comprovar que ele não estava brincando. – Meu Deus. Fred! Você está me pedindo em casamento? – ele assentiu.
- Sim estou, Naty. Eu quero ter você para sempre.
Seu coração estava disparado como nunca, a fazendo sentir como se ele fosse a qualquer momento pular para fora de seu corpo.
- Eu... eu não sei o que dizer. – Fred sorriu.
- É apenas dizer que sim e me fazer o homem mais feliz do mundo. – Naty abaixou a cabeça, ainda atordoada.
Seus olhos se perderam em algum ponto do chão, e os olhos se tornaram frios e tristes.
A cena dele beijando outra ecoou em sua mente, a fazendo balançar a cabeça de um lado para o outro.
- Eu... eu não posso. – disse, erguendo o rosto e o encarando de modo magoado.
- O quê?
- Eu não posso dizer nada agora Fred, esta sendo tudo repentino, rápido de mais. E eu ainda estou decepcionada com você. Desculpe-me. Você está certo ao dizer que eu te amo. E as suas palavras eu faço as minhas; você é tudo o que eu pedi, o meu sonho mais doce, o meu homem perfeito. Mas eu não posso aceitar ter um elo tão forte com você como o casamento se nem ao menos eu ainda consegui reconstruir a minha confiança com você. Perdoe-me, mas nesse momento eu não posso dizer sim, mas também não digo que não.
Fred suspirou e ela pode ver a decepção nos olhos dele, mas aquilo foi tão rápido que ela se espantou ao ver Fred sorrindo para si.
- Tudo bem, eu te esperei por muito tempo, o que são mais dez, quinze anos. – brincou.
- Não exagera, seu bobo. – respondeu rindo. Fred a abraçou.
- Eu espero Naty, estarei sempre te esperando, mas não demore tanto que eu esteja já velho o suficiente para ter filhos.
- Pode deixar. – Naty garantiu, o abraçando também.
- Quando você tiver a sua resposta, venha até mim e me diga, okay? – ela assentiu, ficando na pontinha dos pés e lhe dando um selinho.
- Fechado. – e afastando-se dele, começou a caminhar pelo corredor, sentindo o olhar aquecedor de Fred em suas costas.
- Naty...- ele a chamou antes de virar no corredor, voltando-se para ele, o encarou. Fred sorria como um menino que acabara de ganhar o seu melhor presente.
- Diga.
- Eu te amo. – Naty sorriu e mandando um beijinho no ar para o ruivo, respondeu antes de sumir no final do corredor:
- Eu também te amo, Fred.
Olhou para o relógio entediada e viu que os ponteiros verdes indicavam que era, onze horas.
Com um suspiro cansado, levantou-se da cama e caminhou até o banheiro, com a idéia de lavar o rosto antes de ir para a sua detenção.
Draco.
O nome dele ecoou em sua mente fazendo os pelos de seu corpo se arrepiarem quase que automaticamente.
As mãos dele ainda queimavam sobre sua pele, como o gosto da boca firme sobre seus lábios. Seu coração batia rápido e forte como o som de um tambor.
- O que você vai fazer? - perguntou-se, olhando para o seu reflexo no espelho acima da pia, onde se apoiava.
Eu amo você.
A frase sussurrou em sua mente, e May sentiu o peso em seu peito começar a sufocá-la. Olhou para cima de modo que pudesse segurar as lagrimas.
Como fora estúpida. Draco jamais tivera culpa de nada. Fora ela própria a vilã da historia. Mas, orgulhosa como era, tinha que por a culpa em alguém, e Draco havia sido o escolhido.
O amava. Isso já admitia a si mesma. Queria se entregar a ele. Mas, como chegar a ele, se o próprio havia posto uma barreira entre eles.
Se antes fora difícil se aproximar de Draco, desta vez seria mil vezes pior.
Ligando a torneira e fazendo uma concha com as mãos, jogou água fria no rosto e respirou fundo.
- Vamos lá garota. – disse a se mesma, enxugando-se.
Caminhou até o quarto e colocando seu sobretudo saiu do dormitório, determinada a correr atrás de seu prejuízo.
Culpara Draco de algo que ele jamais teve culpa. Ela sim era a verdadeira culpada e agora pagava por seu erro, e as conseqüências deste não estavam lhe fazendo nada bem.
Começou a descer as escadas e alimentou as esperanças de quando chegasse ao Salão Comunal, encontraria Draco sentado no sofá a esperando, como sempre fazia.
Mas a esperança esvaziou-se tão rápido quanto viera ao contestar que ele não estava lá. Já deveria ter ido para a detenção.
- Talvez tenha sido melhor assim. – Lhe daria mais tempo para preparar-se para o confronto que teria com ele. Além do mais, se seus cálculos não estivessem errados, passaria provavelmente quatro horas confinada em algum lugar daquele imenso castelo com Draco. Somente os dois. Sozinhos.
Com um gemido abafado, aconchegou-se mais ao calor do próprio corpo e saiu do Salão Comunal caminhando com os menores passos que seria possível de dar até a sala de Snape.
O caminho seria em menos de cinco minutos, mas a cada distancia percorria era como se estivesse cada vez mais longe.
Seu nervosismo crescia e suas mãos começaram a suar quando, ao virar no corredor, avistou a porta do escritório do professor de poções.
Provavelmente Draco estaria lá dentro, sentando numa das confortáveis poltronas, conversando com o padrinho e tomando café numa belíssima xícara.
Colocou a mão sobre a maçaneta, pronta para abrir a porta, mas no momento em que reunira a coragem que precisava para fazer tal alto, a maçaneta girou sozinha e a porta se abriu, revelando a imagem neutra de Snape.
- Está atrasada May. – ele disse no tom usual de desdém, o grande nariz contorcido numa expressão nojenta.
- Desculpe professor.
Snape suspirou de uma forma tão pesada que fez May imaginar que aquilo parecia uma bufada de um macaco.
Entrando na sala contrastou que estava certa em relação a Draco. Ele estava exatamente sentado, tomando café.
Ele nem sequer preocupou-se em fitá-la, pois os olhos cinzas pareciam estar fitando algo mais interessante no lado de fora do castelo, pela janela.
Não pode deixar de notar como aquele maldito Sonserino estava lindo naquela calça jeans solta nas pernas e uma blusa de linho preta onde moldava com perfeição o belíssimo corpo atlético; ombros largos, braços musculosos, tórax e barriga malhados.
Os cabelos platinados estavam úmidos, e caiam em desalinho, como madeixas de ouro, sobre os olhos, deixando-o ainda mais irresistível.
O que eu fui fazer? O que fui desperdiçar? May perguntou-se, ao lembrar-se que o afastara de si, que recusara aquele Deus Grego.
Eu te amo. A frase ecoou, o tom de voz que ele usava lhe causando um arrepio na nuca.
Seu corpo estremeceu quase que instintivamente ao se lembrar do plano que tinha em mente para aquela noite.
- Bem, como você chegou May, acho que não á mais motivos para alongarmos o tempo para a sua detenção e a de Draco.
Parecendo entender que havia sido posto na conversa, Malfoy se virou, mas sem fitar a índia.
Ele repousou a xícara que levara aos lábios no pirex e a colocou no braço da cadeira antes de se levantar numa forma firme. Como uma cobra que era chamada por seu flautista.
Ele pôs as mãos no bolso, relaxando os ombros.
- E qual será a detenção? – a voz não passara de um fio de voz, mas May pode notar o tom de frieza, e com certeza o que ele fizera não fora uma pergunta, mas sim uma ordem a qual desejara ser respondido.
Snape pegou uma folha que tinha sobre sua mesa e passou os incríveis olhos negros sobre esta, antes de dizer:
- Coisas ridículas como sempre. – comentou enjoado. – Vocês vão limpar o deposito da Sonserina, fica no pico da torre.
May mordeu o lábio inferior e colocou a franja atrás da orelha, antes de delegar:
- Poderemos usar nossas varinhas? – perguntou irônica, fazendo com que o professor de poções soltasse uma risada maldosa.
- Se você lavar as minhas roupas por um mês. – May ergueu uma sobrancelha.
- Se eu puder colocar uma taturana nas suas cuecas.
Snape espalmou as mãos na mesa e se inclinou, numa pose de desafio.
- Você não seria capaz. – Draco riu, fazendo sua presença ser notada.
- Não duvide dela padrinho. – ele caminhou em direção a May, os olhos fixos nela pela primeira vez desde a ultima vez que se viram em seu dormitório, e a rapidez em que seu coração ficou descompassado a fez ficar sem fôlego. Draco se aproximou de si, olhou-a de cima para baixo antes de passar por ela e ir até a porta para continuar a dizer: - É tão fria e sem escrúpulos que faz jus ao seu sobrenome como nenhum dos outros Sutramys.
May sentiu a resposta árdua e fria em sua garganta, gritando para sair. Mas não pode.
Draco estava certo ao falar aquilo dela. Ele tinha o direito.
Viu Snape cerrar os olhos em sua direção esperando por sua resposta.
Podia sentir as íris cinzas de Draco em suas costas, esperando como o professor de poções.
Engolindo a resposta rude que tinha, virou-se para Draco e o olhou da melhor forma magoada que pode. Um facho de orgulho perfurou seu peito, ao notar que o loiro ficou espantado com sua atitude.
Caminhou até ele.
- Talvez você tenha razão Malfoy. – Draco ergueu uma sobrancelha, parecendo atônito com o que ouvia. Ela havia concordado com ele! – Talvez você esteja certo ao me classificar dessa forma. – parando ao lado do loiro, sorriu pelo canto dos lábios, triste. – Mas eu tenho que descordar de você ao falar que faço jus ao meu nome.
- E por quê? – ele perguntou, inclinando a cabeça levemente para o lado, as madeixas louras caindo e balançando ao movimento simples do vento, que o deixou incrivelmente sexy.
- Porque os Sutramys não são covardes, e lutam pelo que querem. Eu fui covarde, orgulhosa e não lutei pelo que mais desejo e amo. Permitir que os meus defeitos afastassem-me do que eu sempre sonhei.
Draco endureceu o maxilar e hesitou antes de perguntar:
- E quem seria essa pessoa que você ama? – May abriu ainda mais o sorriso e não disse nada, somente ficou o observando com os olhos escuros repletos de amor e carinho.
Algo que fez Draco suavizar a sua expressão para uma de surpresa, os olhos cinzas brilharam, tornando-se levemente azuis, antes dele contorcer os finos lábios num sorriso quase imperceptível.
Eles ficaram se fitando por um tempo mínimo, mas que fora o suficiente para Draco notar o que May quisera dizer.
Ela... me... ama. Sua mente praguejou surpresa, fazendo o peito dele subir num ritmo pesado e descer lentamente.
Snape praguejou atrás da mesa e passou por eles como um raio, quebrando o momento.
- Já que vocês estão prontos, por favor, me acompanhem.
Eles ainda continuaram a fitarem por mais alguns segundos, antes de Draco piscar os olhos e acenar para a porta.
- Por favor, damas primeiro. – disse educado, indicando para May ir a sua frente.
- Nossa, um Malfoy sendo educado, estou impressionada. – falou com um sorriso maroto, onde Draco correspondeu ternamente.
- Você não viu nada.
A porta se fechou atrás deles e sem uma palavra, caminharam lado a lado pelo longo corredor escuro, o sobretudo de Snape algumas vezes roçando em suas pernas.
May podia sentir algumas vezes que Draco a observava pelo canto dos olhos, e ela fazia o mesmo quando ele não a fitava.
A vontade que tinha de soltar uma gargalhada de alegria parecia que iria explodir em seu peito a qualquer momento.
Ao virarem no corredor pode sentir o calor da mão de Draco envolverem a sua, entrelaçando os dedos com os seus.
Olhou-o e ele fez o mesmo.
E ela pode ver ali, o desejo aflorara novamente. E ao saber que estava sendo deseja daquela maneira tão carnal a fez ficar excitada.
- Dá pra você ser mais discreto. – murmurou entre os dentes para o loiro. Draco riu.
- O que estou fazendo de errado?
- Me olhando dessa forma. – ele ergueu uma sobrancelha e umedeceu os lábios antes de inclinar a cabeça e sussurrar em seu ouvido:
- E que forma eu estou de admirando? – May começou a suar em frio e respondeu num tom provocante:
- Como estivesse me comendo viva. – Draco riu novamente.
- Ainda não minha querida. – ela virou o rosto com rapidez fitando-o com as orbes arregaladas. Abriu a boca para mandá-lo a um lugar nada agradável quando Snape parou em frente a uma porta e declarou:
- Aqui está. São onze e meia. – num movimento de varinha, o professor destrancou a porta que ao abrir-se voluntariamente fez um rangido irritante. – Voltarei a buscá-los as três da manhã, espero que até lá vocês tenham completado suas respectivas tarefas e... Não se matado.
- Completar as minhas tarefas eu posso garantir que irei fazer professor, mas matar esse aqui...- apontou para Malfoy que abafou uma risada, o rosto pálido tornando-se corado. – não prometo nada.
Snape sorriu malicioso.
- E como você pretende matá-lo, Talamay? – May sorriu e deu os ombros e antes de entrar na sala, sendo oculta pela escuridão que dentro desta predominava, fez que uma frase ficasse no ar do corredor:
- De ataque cardíaco. – Draco abaixou a cabeça, os olhos úmidos na tentativa de segurar a risada.
- Tome cuidado. – Snape o preveniu quando ele fez menção de passar pela porta.
Draco lançou uma piscadela ao padrinho e entrou na sala, a porta sendo fechada atrás de si em segundos.
Olhou ao arredor, observando somente o breu.
- Onde você está, May? – chamou-a, esperando que seus olhos se acostumassem com a escuridão.
Um baixo barulho atrás de si chamou a sua atenção, e num gesto rápido enlaçou a índia pela cintura e a prensou contra a parede.
- O que pretendia fazer? – perguntou, enterrando o rosto no pescoço da morena que sorrindo, o enlaçou pelo pescoço.
- Iria começar o ritual para matá-lo. – Draco riu baixinho.
- Então, o que está esperando? – May abriu a boca para dizer alguma coisa, mas Draco ágil mais rápido, e antes que ela pudesse sequer respirar, ele capturou-lhe os lábios num beijo ardente, as mãos pressionando as costas dela contra seu corpo.
Draco tocou-lhe na lateral da perna, afagando-a lentamente até a altura da coxa.
- Se você soubesse o quanto te desejo...
May engoliu em seco. As palavras a deixaram assustada, mas a calor da excitação em seu corpo era ainda maior.
- Quis tocar em você. Lá mesmo no escritório do Snape. Tocar nas suas cosas, esses seios provocantes...e aqui. – ele deslizou a mão para tocar-lhe as nádegas. Usou a outra mão para se apoiar de encontro á parede, mantendo o corpo milímetros do dela, agora.
May soltou um suspiro tremulo, sentindo-se zonza, temendo que ele continuasse fazendo e dizendo coisas ousadas, temendo que parasse.
- Quero você. Oh, como eu a quero. – As ultimas palavras foram sussurradas sensualmente e, então, ele tornou-lhe os lábios com um beijo possessivo.
Em principio, May manteve-se rígida, confusa com a situação toda e com as coisas que Draco lhe dissera. Para ele, ela era uma garota experiente num tope de linha em relação a sexo, e estava a tratando como a tal... Ah, se ele soubesse da verdade.
Então conte a ele. Sua mente falou.
Mas seu desejo tinha vontade própria, e colocando-se na ponta dos pés, o abraçou com mais força de encontro a si, puxando-o como se necessitasse dele como nunca, aceitando toda a paixão que explodia entre ambos, e deixando que seu medo voasse longe.
Dane-se que Draco não soubesse que ela ainda era uma virgem. Talvez se descobrisse isso parasse no meio daquele caminho em direção as alturas. E se ele o fizesse. Céus, ela iria enlouquecer.
Correspondeu ao beijo com o ardor que a consumia, entreabrindo os lábios, permitindo que aquela língua cálida explorasse sua boca eroticamente, que se entrelaçasse com a sua.
Draco a beijou por longos momentos até que se interrompeu de repente e fitou-a, seu olhar sério.
- May, se você for me interromper, por favor, faça agora. Se não, não irei conseguir mais me controlar. Pois, eu realmente quero fazer amor com você.
Ela sentia o coração disparado no peito. Fitou aquele rosto másculo e bonito, os olhos sérios. Talvez se ele tivesse falado de outro modo, pudesse ter dito para párar, mas era tudo o que queria... fazer amor com ele.
Meneou a cabeça.
Draco sorriu, um ar de triunfo nos olhos cinzentos.
Ele se distanciou por um tempo, a escuridão da sala fazendo com que May não pudesse vê-lo, mas num segundo o esplendor da lua pareceu aglomerar-se ao seu arredor.
Draco havia aberto as cortinas, permitindo que a luz da lua entrasse pela gigante janela de vidro, que ocupava quase uma parede inteira.
Draco voltou-se para si e lhe segurando pela mão, conduziu-a para a grande mesa que tinha no centro do cômodo.
Oh, queria aquilo, pensou May, enquanto caminhava em direção aonde Draco a conduzia. Só não queria estar tão nervosa e gostaria de ter, ao menos, uma pista de como agir.
Maldição. Por que não fui pedir umas dicas para a Naty?
Uma vez perto da grande mesa, Draco tornou a estreitá-la em seus braços e beijou-a com volúpia.
May correspondeu instintivamente, tendo a sensação de ser apanhada por um turbilhão de paixão.
Ele, então, deu um passo para trás, fazendo-a cambalear de leve, desorientada. Segurou-a pelos ombros e, embora a sala estivesse escura – graças a uma nuvem que acabara de tampar a lua -, a seriedade em seu semblante não passava despercebida.
- Tem certeza que quer que eu faça amor com você?
Ela meneou a cabeça sem hesitação.
Caramba Malfoy, você quer que eu desenhe um sim na parede? Ou prefere que eu arranque as minhas roupas e dance em cima da mesa para você entender que eu quero ser sua! May sentiu vontade de gritar.
- Oh, Graças a Merlin, porque eu tenho que te você.
May sentiu uma corrente eletrizante percorrendo-a, as palavras roucas de desejo fazendo-a estremecer em expectativa. Como seria? Estar nos braços dele, fazendo amor? Achou que poderia desmaiar diante da simples idéia.
Então, Draco despiu a blusa por cima da cabeça depressa, e ela observou nas sombras com puro fascínio. Os ombros largos, o peito de músculos bem definidos destacavam-se sob o luar que voltava a se filtrava pela janela.
Com a respiração em suspenso, ela o observou abrindo o botão do jeans, o zíper e, numa questão de segundos, a peça de roupa, ajuntava-se á camisa no chão.
May sentiu-se tonta, observando-o apenas de cueca preta, as pernas fortes e vigorosas, a rija masculinidade evidenciando-se de encontro ao tecido frágil. Engoliu em seco.
Ele puxou-a para si e tornou a beijá-la. Aquele foi um beijo doce, gentil e persuasivo, e logo May sentiu sua ansiedade se dissipando, dando lugar ao puro desejo. Queria simplesmente se entregar a Draco, com todo o abandono.
Foi somente quando estava inclinando para trás que percebeu que ele estava a deitando sobre a mesa e a deitara sobre uma colcha que em algum momento ele havia posto sobre esta, amaciando o encosto de encontro a suas costas.
Ele ajoelhou-se ao seu lado e pegando a própria varinha fez com que o feitiço Lux se concretizasse, iluminando a sala com sua esplendida luz branca, antes de voltar sua atenção para May e insinuar a mão sobre a blusa de algodão dela, afagando-lhe a pele, subindo cada vez mais.
- Vou tirar a sua blusa, está bem?
May hesitou. Não queria que ele a visse despida. Sabia que era uma das garotas que tinha o corpo mais belo da escola, mas mesmo assim, a vergonha de mostrar-se a um homem ainda a deixava meio embaraçada.
- Podemos... manter a luz apagada?
Draco dez uma pausa e, então assentiu.
- Se é o que você quer...
Ela enfrentou outro momento de incerteza e, então, ergueu os braços lentamente para que ele pudesse lhe tirar a blusa.
Draco soltou um gemido abafado e, então, despiu-lhe a blusa, juntando-a á pilha de roupas no chão.
Ficou em silencio, observando-a na penumbra.
May sentiu-se pouco á vontade. O luar e as luzes dos vaga-lumes subitamente pareceram como holofotes. Começou a passar os braços envolta de si mesma, certa de que Draco estava vendo as poucas imperfeições de seu corpo, mas ele segurou-lhe os pulsos.
- Puxa, você é tão linda.
Ele soltou-lhe um dos pulos e correu a mão pelo abdômen liso dela, subindo até alcançar um dos seios. Massageando-lhe o mamilo túmido com o polegar demoradamente, até fazê-la soltar um suspiro trêmulo.
- Gosta disso? – perguntou ele, rouco.
- S-Sim.
Então ela se viu nos braços de Draco, o fecho do sutiã sendo aberto até que seus seios se comprimiram de encontro ao peito despido dele.
Com um gemido arrastado, ele beijou-lhe o pescoço, o colo acetinado, antes de voltar para os lábios rubros. Quando sua boca tocou na dela, Draco se viu perdido. Adorava a maciez daqueles lábios e a maneira como se uniam aos seus com um misto de timidez e desejo.
- Eu te amo. – disse, depois de encerrar o beijo e fitá-la. May sorriu e passou a mão por seu rosto vendo nos olhos dele uma sinceridade que a comoveu junto com um anseio ainda não satisfeitos.
- Eu também... te amo. – foi como estar caindo num abismo rápido, enquanto as palavras ecoavam em sua mente.
Ah, ela o amava. Ela o correspondia com a mesma intensidade. Incondicionalmente.
May deixou a cabeça prender para trás e entregou-se ao calor que se espalhava por seu intimo. Era um calor que ia se intensificando, fazendo-a ansiar por mais.
Como se sentisse a sua necessidade, Draco continuou-lhe afagando um dos seios. Os mamilos dela ficaram rígidos, aquele tom faminto tão eficaz quando um toque. Então, ele cobriu-lhe os seios com as mãos quentes, massageando-lhe os mamilos com os polegares, fazendo May concluir que não havia nada que se comparasse áquele toque tão mágico.
Retirando a palma da mão de um dos seios, Draco deslizou os dedos até o ventre dela, insinuando-a sob o zíper da calça e da calcinha ao mesmo tempo. Tocou-a com intimidade.
May engoliu em seco e estremeceu. Agora a sensação era diferente de quando a tocara através da calça. Decididamente diferente.
- Está tudo bem? – murmurou-lhe Draco ao ouvido, arrepiando-a ainda mais.
Ela meneou com a cabeça.
- Ótimo. – ele moveu os dedos com habilidade, encontrando-lhe o centro da feminilidade, começando a massageá-la com ousadia.
Calor que a percorria explodiu numa combustão instantânea.
- Isso é... é... maravilhoso. – sussurrou, deliciada.
- E vai melhorar cada vez mais. – prometeu ele numa voz rouca, prosseguindo com suas caricias eróticas. – Você é como mel mordo e escorregadio. – sussurrou sedutor.
May sentiu a cabeça rodopiando de encontro ao peito dele, gemidos abafados escapando de seus lábios.
Draco intensificou as caricias, e ela sentiu um prazer como nunca imaginara se espalhando por seu corpo todo, deliciosos espasmos começando a percorrê-la.
- Isso mesmo, meu amor. – encorajou-a ele.
A voz parecia distante, quase inaudível em meio ao enlevo que a envolvia, enquanto ondas eletrizantes pareciam explodir por seu corpo inteiro e ela soltava um gemido que continha toda a intensidade da experiência.
Nada. Mas nada que havia imaginado, sonhando, chegava aos pés daquela pura e deliciosa realidade.
Enfim, arqueou o corpo pesadamente de encontro a Draco, se sentido área, lânguida.
Mas ele não lhe deu um momento sequer para recobrar. Voltou-se para May e a fez fitá-lo. Tinha um sorriso satisfeito no rosto, e ela concordou que ele tinha todo o direito de se sentir daquela maneira. As sensações que acabara de lhe proporcionar tinham sido absolutamente incríveis.
Draco olhou para aquela índia adorável diante de si. As faces coradas, ela estava um tanto ofegante, as pálpebras pesadas, os olhos sonhadores evidenciando pura satisfação.
Oh, como ele ansiava por tê-la em seus braços e encontrar o mesmo deleite. Ela era tão receptiva. Não podia se lembrar de uma garota tendo reagido de maneira tão forte, tão imediata.
Retirou a sua roupa de baixo e endireitou as costas. May arregalou os olhos, todos os vestígios de languidez se dissipando enquanto o observava completamente despido.
Parecia não conseguir desviar os olhos de sua rija masculinidade. Aquela curiosidade era, sem duvida, excitante. Ela era mais encantadora combinação de sedução e inocência.
Draco cerrou os dentes, esforçando-se para manter o controle, a impaciência. Mal podia esperar para tê-la.
- Acho que você não vai precisar dessa calça, não é mesmo?
May corou. Após muitas incertezas, se livrou da calça junto com a calcinha.
Ficou para ali, a encabularão visível em seu rosto.
Draco perdera a fala. May tinha pernas bem torneadas, os joelhos delicados e as coxas firmes. Os quadris arredondados e femininos. A cintura era fina de modo que sua mão podia contorná-la, o abdômen rijo, os seios grandes e bonitos.
- Eu estava enganado. – disse num tom suave.
May lançou-lhe um olhar cheio de duvidas e preocupação.
- Eu não lhe fiz justiça. Você não é apenas bonita. É perfeita... absolutamente perfeita.
Ficou satisfeito em ver a preocupação se dissipando e inclinou-se sobre ela.
- Quero tocar você por inteiro.
Ela tentou se cobrir em principio, mas apesar se sua obvia inibição, estreitou-se de bom agrado no calor dos braços dele quando Draco a puxou para si.
Beijou-a com volúpia, sentindo um pouco de incerteza nos lábios dela, mas logo o abraçava pelo pescoço, correspondendo com o mesmo ardor que o consumia.
Ele ansiou por beijar-lhe o corpo todo e deslizou os lábios pelo pescoço e o colo dela até chegar aos seios. Sugou-lhe um dos mamilos rosados por vários momentos, ouvindo-a suspirar de prazer. Quando passou a dedicar a mesma atenção ao outro seio, correu a mão pela pele acetinada de May em direção á parte interna das coxas. Acariciou-lhe com erotismo, explorando-lhe mais uma vez o centro da feminilidade, deliciando-se com as reações de pura excitação dela.
Quando não pôde mais se conter, deitou-se sobre ela e segurou-lhe os quadris, posicionando-a. Foi então que lhe notou a súbita rigidez do corpo.
- Relaxe. – sussurrou-lhe.
Quando a fitou, porém, notou-lhe inquietação e o que pareceu temor nos olhos negros.
- O que foi, Má? Estou machucando você?
- N-Não. – Como poderia, ela não era mais virgem. Draco pensou, sentindo uma ponta de remorso no peito.
- Quer que eu pare?
- N-Não! Não!
May desviou o olhar por um momento e, então, tornou a fitá-lo com uma expressão tão desolada que chegou a assustá-lo também.
- O que está havendo, May? Fale comigo.
Ela suspirou, ainda o fitando. Chegara o momento. Em poucos minutos Draco iria fazê-la ser dele... Sem saber.
Bem. Talvez quando seus corpos estivessem se unindo, ele percebesse...
Sorriu e beijou-lhe a pontinha do queixo.
- Estou bem. – garantiu.
Draco sorriu antes de tornar a beijá-la. Apesar dos esforços para manter o controle, ao meso tempo não queria que aquilo nunca mais terminasse. Tornou a mudar de posição, desejando prolongar ao máximo aqueles momentos. Começou a acariciá-la novamente, dedicando-se especial atenção aos pontos onde já sabia que ela gostava de ser tocada.
Não demorou para que May estivesse novamente estremecendo de desejo. Ele mesmo mal podia se conter e disse-lhe quanto a queria, que precisava unir-se a ela agora.
- Oh, sim. – May abraçou-o pelo pescoço e cingiu-o instintivamente pela cintura com as pernas, e ele se posicionou, e num impulso rápido a penetrou.
Ela o fitou, os olhos negros cheios de confiança.
May escondeu o semblante no ombro de Draco, quando a dor entre suas pernas pareceu queimar sobre seu ser. Ela algo que queimava, ia subindo em direção ao seu peito e chegava a sufocá-la.
Draco pareceu sentir a sua dor, mesmo não a vendo estampada em seu rosto e assim se deteve.
- Você está bem? – mesmo sabendo que seria difícil May sentir alguma dor, já que já dormira com outros garotos, não conseguiu deter sua preocupação. A sua pergunta saíra rouca, gotículas de transpiração em sua testa.
May demorou para responder, e só o fez quando a dor dissipou-se levemente.
- Sim. – confirmou com um sorriso trêmulo.
Draco soltou um gemido e assim começou a se mover, tentando ir com calma. Mas ela o abraçava com força, os lábios nos seus, os braços e pernas entrelaçando-o, o seu calor enlouquecendo-o.
- Oh, como eu amo você. – demonstrou sua necessidade movendo-se com mais ímpeto.
Ela gemeu, e ele recuou de imediato tê-la machucado, mas ela puxou-o para si.
- Não... pare. Por... favor, Dra.. co. – começou a se mover, imitando-lhe a cadencia.
A dor não prevalecia mais, e agora dera lugar a um fogo que ia lhe consumindo, percorrendo seu corpo, serpenteando-o como uma cobra. Era algo quente, natural e incrível dentro de si, que ia de dentro para fora, de fora para dentro.
Nunca se sentira tão plena em toda sua vida. Era como estivesse flutuando, a vertigem fazendo cócegas em sua barriga.
Draco acompanhou-a nos movimentos, seu desejo incontrolável, consumindo-o por inteiro.
Apenas por pura força de vontade conteve-se o bastante para ter certeza de que May alcançara o êxtase. Depois, deixou que o próprio clímax o arrebatasse e seu controle se esvaísse por completo.
Draco não fez idéia de quanto dormira, mas, quando despertou, a sala estava mergulhado na penumbra. A chuva tamborilava no telhado e na janela, e May dormia profundamente, aninhada ao seu lado, a pequena mão descansando sobre o abdômen dele.
Sempre a achara linda, mas naquele momento ele jamais a vira tão bela; o rosto sereno, os lábios vermelhos entreabertos e os olhos puxados estavam cerrados, os longos cá-lios negros fazendo uma fina linha sobre as pálpebras.
Movendo-se devagar, Draco arrumou o cobertor sobre os ombro dela.
De repente, May soltou um leve muxoxo antes de abrir os olhos levemente.
- Que horas são? – ela perguntou sonolenta. Draco sorriu e lhe mordiscou o ombros, antes de responder.
- Quinze para as três. – May sorriu e aconchegou-se a ele como uma gatinha manhosa.
- Temos que nos trocar, Snape daqui a pouco estará batendo na porta e... Céus Draco, não limpamos nada! – Draco riu e abraçou-a, completamente extasiado com o que estava acontecendo. Feliz como nunca.
- Fique tranqüila, meu anjo. – beijou-a levemente – O Seboso não vai se importar com isso.
Pondo-se sobre um cotovelo, May fitou-o.
- Se eu tiver que pagar uma nova detenção...
- Eu vou te amar de novo. – May suspirou.
- Draco é serio... Eu não quero perder pon...- ele voltou a beijá-la, calando-a docemente.
- Dá para você parar de ser desmancha prazeres? – ela riu.
- Está bem. – abraçando-o, descansou a cabeça no peito dele.
Algo estranho aglomerou-se em si, fazendo seus olhos marejarem ao dar-se de conta que Draco não havia notado que ela era virgem.
Ele pareceu sentir a sua rigidez e deslizou a mão por seu braço.
- Ei, o que foi? – ela estava com o mesmo semblante que tivera quando estivera prestes a possuí-la.
May balançou a cabeça de um lado para o outro, em negação.
- Nada. – levantou-se e saiu de cima da mesa.
Céus. Deixara de ser uma garota em cima de uma mesa. Que tipo de romantismo era aquele?
Começou a se vestir. Draco levantou-se da mesa e a abraçou por trás.
- Me fale May, o que você tem? – ela se afastou dele, caminhando para a janela enquanto arrumava a calça.
- Eu já disse que não tenho nada.
Draco fez questão de dizer alguma coisa quando passos no corredor chamarão a sua atenção.
- Droga! É o Seboso. – passando a mão pelos cabelos num gesto nervoso, começou a se vestir, assim como May que já estava terminando de por a blusa.
Quando Draco terminou de ajudar May a colocar o sobretudo – a contra gosto dela – a porta da sala se abriu revelando a imagem sonolenta e enjoada de Snape.
- Vamos logo, eu estou cansado e quero dormir. – ele ordenou.
Draco enlaçou May pela cintura e assim os dois saíram da sala.
- Talamay você poderia ir na frente, preciso falar com o Draco. – May assentiu e quando estava indo embora, Draco a deteve e a fazendo ficar na pontinha dos pés, beijou-a rápido.
- Nos vemos mais tarde. – ela suspirou e dando a volta nos calcanhares começou a caminhar, desejando sair de lá o mais rápido que podia.
Draco voltou sua atenção para o padrinho, o sorriso que ia de orelha a orelha esclarecia muitas coisas.
- Deixe-me adivinhar...- Snape disse desdenhoso. – Vocês não limparam o deposito não é mesmo? – Draco deu os ombros, os olhos cinzas ganhando uma tonalidade travessa. – Draco...- chamou-o, passando a mão pelos cabelos sebosos.
- Sim?
- Suma da minha frente antes que eu acabe com você. – não fora preciso dizer duas vezes para o Sonserino entender onde o padrinho queria chegar.
Começou a fazer o mesmo percurso que a índia, ansiando por vê-la novamente, sem notar que Snape tirara a varinha de dentro das pesadas vestes e num passe de mágica, limpara o deposito.
Continua...
