Capitulo 20: Quando você dizer que me ama

Qual será a diferença de sonhar com você ao meu lado, me desejando e dizendo-me que me ama, e logo em seguida abrir os olhos e descobrir que tudo foi real?


Os fracos raios de sol que penetraram pelas persianas da janela pairaram sobre os seus olhos, fazendo-o soltar um leve resmungo e girando o corpo, esticou o braço para o lugar da cama ao seu lado, onde contestou, com insatisfação que estava vazio.

Entreabrindo os olhos percebeu que estava sozinho na Ala Hospitalar. Erguendo a cabeça passeou as íris verdes sonolentas ao arredor a procura de algum facho ruivo.

Nada.

Soltando um muxoxo, deitou no lado da cama onde ela dormira, o perfume doce estava impregnado sobre o travesseiro e o calor dela ainda estava sobre os lençóis.

Sorrindo afundou a cabeça no travesseiro inspirando com força o delicioso aroma, fazendo-o arrepiar-se somente de imaginar onde eles teriam chegado se não tivesse interrompido-os.

- Oh Merlin. – gemeu, ao lembrar-se, num clarão de sensatez, o prazer que sentiu - percorrendo seu corpo como um raio, seu sangue fervendo como estivesse sobre chamas do inferno -, quando ele a teve em seus braços. Os lábios colados aos seus, e aqueles seios fartos friccionando seu peito, enquanto ele pressionava aquele corpo pequeno e esbelto contra o colchão da cama.

Ela havia gemido sôfrega, agarrando seus cabelos e pedindo por mais. Clamando para ele tê-la. Fazê-la sua. E somente Deus saberia dizer como necessitou de todas suas forças para recusar aquele convite tão tentador e erótico. Era como estivesse caindo num abismo sem fim, quando aquelas íris azuladas encontram as suas, a paixão afogueada neles e ele disse não.

- Potter, você está ficando louco, ou essa crise de recusa o está abalando de mais que está o transformando num verdadeiro gay. – abriu os olhos e olhou para a parede a sua frente, atônito. – Primeira opção, com certeza.

Um barulho vindo do final da Ala Hospitalar chamou-lhe a atenção e virando o rosto para ver o que era, ele viu a visão mais perfeita que poderia ter tido daquela manhã.

Gina vinha em sua direção, os cabelos úmidos, caindo sobre os ombros como uma cascata de cachos vermelhos, tampando-lhe um dos seios. E por segundos Harry desejou que no lugar daqueles fios de fogo, estivesse sua mão.

Engoliu em seco quando ela ergueu os olhos, pintados com uma leve camada de lápis preto, e as íris azuis encontraram os seus verdes.

Ela sorriu, os lábios carnudos e avermelhados como uma pétala de rosa, abrindo-se somente para ele.

O vestido branco de delicadas florzinhas na barra – que chegava um pouco acima do joelho – onde ondulava levemente sobre as pernas, contornava o corpo dela como uma luva, as delicadas alças finas ondulando os ombros de pele acetinada, dando-a um ar angelical. Mas o generoso decote a deixava completamente... saborosa.

Oh céus, como eu tive a coragem de recusar esse Anjo, Pensou hipnotizado. Potter, a segunda opção está elevando mais a confirmação de suas suspeitas.

Gina aproximou-se dele e colocou a toalha que tinha em mão sobre a cama.

- Bom dia! – sentando-se, Harry olhou-a de modo maroto.

- Onde a senhorita estava? – Gina riu e acariciou o rosto do moreno.

- Por quê, pergunta?

- Porque quando acordei, senti a falta do seu calor ao meu lado. – Gina sentiu-se extasiada e não pode deixar de sentir um calafrio percorrer seu corpo quando Harry segurou sua mão e beijou-lhe o pulso com lábios experientes. Ele sorriu malicioso, mostrando a ela que havia percebido como os pelos de seu braço arrepiaram-se instantaneamente com o toque.

- Eu... Estava no banho.

Harry ergueu uma sobrancelha e aquele simples gesto fez Gina perceber os pensamentos maliciosos que passeavam pela mente dele. O brilho intenso nos olhos verdes que deslizaram pelo seu corpo a fez engolir em seco, tamanha a intensidade do desejo que as afogueava.

- E por que não me acordou para eu ir junto? – ele perguntou perigosamente, a voz rouca, enquanto a puxava para si sem nenhuma dificuldade. Estava completamente hipnotizada.

- Você estava dormindo de modo tão tranqüilo que senti dó de acordá-lo.

Ele a enlaçou pela cintura e a fez deitar na cama, seu corpo pressionando o dela levemente contra o colchão.

- Oh, mas que garota boazinha...- ele brincou, afundando o rosto no pescoço da ruiva, respirando fundo o seu perfume – como você cheira bem...- Gina riu enquanto o abraçava pelos ombros.

- Eu acabei de sair do banho. – Harry gargalhou a valer, olhando-a de modo divertido.

Gina também ria, completamente incrédula e feliz ao perceber que tudo o que estava passando era real. Seus sonhos de menina deixaram as paginas dos contos de fadas em sua mente e agora eram pintadas em sua vida.

Harry estava realmente ali, sobre si, tocando-a, seduzindo-a e acima de tudo, a desejando como nenhum outro garoto chegara a desejar.

Aquilo a fez sentir-se a garota mais bela de toda a escola. Além do mais, o grande Harry Potter, o garanhão de toda Hogwarts também era conhecido por seus gostos seletista.

Jamais o vira beijando alguma garota feia. Ele era gentil, atencioso e carinhoso a ponto de ter amigas e colegas do sexo feminino onde não clamavam por desejo e nem seriam classificadas de bonitinhas pelos animais da Floresta Proibida que provavelmente ao vê-las sairiam correndo por medo.

Mas agora ela estava ali. Nos braços do garoto mais lindo da escola, sendo desejada por ele. E aquilo era muito mais do que chegara a imaginar.

Seu coração batia rápido, e o dele também. E isso a fez sentir uma grande satisfação.

Harry tinha as mãos em sua cintura, enquanto o rosto acariciava o seu numa forma terna.

Em todos o tempo em que convivera com ele, não podia negar; jamais o vira tão feliz. E ao saber que era a causadora daquela esplendida alegria a fazia sentir ainda mais especial.

Harry tinha aquele dom sobre ela. E só de imaginar os rostos de espanto dos alunos quando entrassem no Salão Principal de mãos dadas não iria lhe dar mais satisfação.

Afinal... Ela conseguira enlaçar o famoso Menino-Que-Sobreviveu de jeito.

- Harry Potter chamando Gina Weasley para a Terra. – Harry provocou, sussurrando em seu ouvido.

Percebendo que estava fazendo um papel de idiota, ficando ali somente olhando para ele e viajando em veraneios, Gina deu-lhe um leve selinho.

- Desculpe, estava só pesando. – Harry sorriu e caiu para o lado dela na cama. Apoiando a cabeça numa mão a fitou de modo sereno.

- E eu poderia saber o que é tão importante que a fizera ficar em estado de transe por mais de dois minutos? Enquanto eu, um verdadeiro Deus-Grego, está bem aqui no seu lado numa cama, pronto para realizar todas as suas fantasias.

Gina não pode deixar de rir e dando um tapa no ombro de Harry, falou maliciosa:

- Estava imaginando como será o rosto dos alunos quando descobrirem que eu... você... bem nós...- apontou para si e para ele – Harry, afinal das contas, como podemos nomear o que estamos tendo?

Harry mordeu o lábio inferior e desviou os olhos dos da ruiva por um breve momento antes de dar um longo sorriso.

- Amizade colorida está fora de cogitação, e ficada é muito vulgar e eu jamais a usaria com você... então... Que tal... Um pré-namoro?

- Pré-namoro? – Gina repetiu, sem entender.

- Sim. Não estamos oficialmente namorando, mas estamos tento um relacionamento que chega a ser mais sério do que uma amizade colorida ou uma ficada. Então, pré-namoro.

Gina pareceu gostar da idéia já que o abraçou e apoiou a cabeça em seu ombro, aconchegando-se ao calor de seu corpo.

- Adorei. – ela respondeu baixinho, fechando os olhos e suspirando. As mãos dela tocaram timidamente a cintura malhada, já que ele jazia somente de um short preto que lhe tampava pouco as pernas grossas e musculosas.

O desejo tingiu-o como uma onda forte, e antes mesmo que pudesse deter seus impulsos, já estava beijando a ruiva, as mãos percorrendo as curvas daquele delicado corpo.

A memória de Gina precisou de menos de quinze segundos para localizar a sensação, e todas as suas defesas começaram a desabar. Como se suas mãos estivessem adquirindo vida própria, deslizaram pelo corpo dele e acariciaram o peito firme, a curva dos ombros e o pescoço.

Harry separou os lábios por um instante, com os olhos fundindo-se nos dela, a voz rouca de desejo.

- Então, você aceita ser minha pré-namorada?

Gina deu-se de conta que já era tarde demais para voltar a trás, porque nunca seria capaz de desistir de Harry. Todas suas tentativas de esvaziar seu coração daquele amor foram inúteis, pois seria impossível ela negar a si mesma o restante das lembranças que ele poderia lhe oferecer naquela cama. Haveria bastante tempo para a solidão e o arrependimento – se eles viessem -. Conhecia bem o melhor amigo para saber que Harry poderia estar somente agindo por mero impulso... Ou não.

Fosse o que fosse, não levaria nada a ela ficar pensando naquilo agora. Tudo o que ela mais sonhara estava acontecendo, e poderia somente aproveitar de todas as maneiras possíveis, e não iria se permitir desperdiçar aquele momento com o seu grande amor pensando em coisas que nem poderiam ver a ocorrer.

Para os diabos sua sensatez.

Harry aguardava a resposta, e ela assentiu, a voz reduzida a um leve murmúrio de rendição.

- Sim. Eu aceito.

Erguendo o rosto, colocou os lábios nos dele.

Beijou-o com todo o amor e desespero de seu coração, e a resposta foi devastadora. Os lábios dele tornaram-se insistentes e famintos, os braços enlaçaram-na com mais força, prendendo-a contra seu corpo rígido, e as mãos deslizaram possessivamente pelas costas e roçaram nos seios da ruiva.

Harry deitou-se por cima dela novamente, e Gina sentiu um arrepio de excitação nervosa, mas em vez de intensificar a apaixonada troca de caricias, ele tornou-as mais lentas. Beijou-a até que ela se enredasse em fios de desejo, beijos longos, langorosos, seguidos por outros mais duros e exigentes, enquanto suas mãos exploravam e acariciavam-lhe o corpo, acompanhando a intensidade de cada beijo.

Gina sentiu os dedos dele numa das alças finas de seu vestido um instante antes que ele separasse os lábios dos seus.

- Você é tão linda...– ele murmurou com sinceridade quase se perdendo naquele mar azul dos olhos de Gina, que brilharam em lágrimas, antes de abaixar a alça, escorregando o tecido fino pelo ombro alvo e delicado, onde delineou com vários beijinhos.

Ele dissera que a achava linda. E dissera a verdade.

Harry sentiu uma paz enorme em seu peito, enquanto seu coração disparou no exato momento em que os lábios de Gina colaram em sua orelha, e sussurram:

- Eu te amo.


Era como se houvessem o jogado de encontro a uma avalanche, fazendo todo o seu corpo sacudir-se como um turbilhão, que explodiu nos mais diversos sentimentos.

Seus olhos ainda se encontravam com os de Gina quando sua voz, parecendo ter sido tomada por alguma coisa, sibilou baixinho:

- Eu também amo você. – e cobriu por completo o corpo dela com o seu.

Suas mãos que a acariciavam, faziam um rastro de fogo por onde passavam. Gina jogou a cabeça para trás quando a boca faminta de Harry se apossou de seu pescoço.

A alça do vestido continuava a deslizar pelo seu braço, fazendo com que o decote também deslizasse pelo seu colo.

Uma leve brisa pareceu penetrar pela janela, tocando-lhe na pele quase descoberta do seio, onde se enrijeceu.

Mas de repente Harry parou, num gesto brusco.

Ergueu os olhos e Gina encontrou as íris verdes esbugalhadas.

- O que houve? – perguntou, acariciando-lhe o semblante com as costas dos dedos.

- Eu... eu...

- Você...- incentivou-o a continuar.

- Eu... disse que te amo. – Gina sentiu um leve temor tomar conta de si, ao pensar que ele havia dito isso somente da boca para fora, e que naquele momento percebera a idiotice que falara.

- Bem... Eu vou entender se você falou aquilo por mero impul...- Harry calou-a com um beijo leve nos lábios.

- Não Gi. Eu disso aquilo de verdade. – fitou-a, os olhos claros se suavizando. – Eu realmente estou apaixonado por você. – o sorriso com que ela lhe presenteou o fez ficar sem fôlego. Erguendo a mão, colocou uma madeixa ruiva atrás da orelha dela. – E eu jamais me senti assim. É como se estivesse voando sem precisar de uma vassoura. – roçou seu nariz ao dela, antes de colar as testas. – O que você fez comigo, ruiva?

Abraçando-o com todo carinho, Gina beijou-lhe no ombro.

- Não tente encontrar uma resposta para isso, Harry. O amor é inexplicável.

- Amor...- ele repetiu, com um ar sonhador. – Como poderei saber o que é o amor, Gi, se jamais o senti? – ela mordiscou-lhe o lábio inferior entre os dentes antes de dizer de modo inebriante:

- Quando eu te toco o que você sente? – Harry fechou os olhos, apurando todos os seus sentidos e abrindo seus poros quando as mãos de Gina percorreram suas costas e contornaram sua cintura, antes de lhe tocar na barriga e subir em direção ao seu peito, arranhando-o de leve com as unhas.

- Calor. Muito calor. – a resposta não saiu mais que um fio de voz, e para provocá-lo, Gina ondulou seu corpo contra o dele, fazendo-o ficar entre suas pernas.

- E agora...?- ele sorriu ainda com as pálpebras cerradas.

- Não me provoque, ruiva. Você sabe que isso pode te levar para um caminho sem volta. – ela pode ver as mãos dele se fechando com força ao lado de sua cabeça, mostrando a força que ele fazia para segurar o desejo de amá-la como um homem apaixonado fazia com uma mulher.

- O que você sente quando eu te beijo? – ela perguntou num sussurro ao pé de seu ouvido, fazendo com que Harry estremecesse.

- Acho que você vai ter que me lembrar das sensações, Gi. – respondeu provocante, antes de virar o rosto e encontrar os lábios dela entreabertos.

Um arrepio percorreu seu corpo como aspirar. E uma plenitude invadiu seu peito.

Sentiu como se a qualquer minuto fosse explodi, tamanha a carga de calor que o percorreu. Era como se chamas estivessem o queimando vivo, enquanto a língua de Gina buscava a sua, tocava-a e roçava com delicadeza.

A mão dela atrás de sua nuca o trazia ainda mais para perto de seu corpo, e a sensatez começava a evacuar.

Oh céus. Aquilo era pior que uma Maldição Imperdoável. Ter Gina com o corpo sob o seu, ambos deitados numa cama, e sem poder amá-la... Sem poder tocá-la da mesma forma que as imagens eróticas em sua mente lhe mostravam, estava fazendo-o enlouquecer.

Gemeu baixinho quando os lábios se descolaram por breves segundos, antes de voltarem a se encontrarem ainda mais famintos e febris.

Um calor inexplicável fazia com que o suor brotasse de sua testa e escorresse por sua pele.

Então aquilo era o amor? Era estar apaixonado?

Aquela necessidade de se fundir ao outro e jamais de sair do seu lado?

E depois de quase seis anos de convivência com aquela ruiva, finalmente olhara para ela, abrira os olhos, somente agora?

Como fora estúpido.

- O que você sentiu, Harry? – ela perguntou na mesma situação que ele; Suada, as bochechas vermelhas como duas maças maduras, os olhos brilhantes, os lábios inchados como duas rosas e a respiração arfante.

- Eu sinto que estou preste a enlouquecer. – respondeu, enterrando seu rosto no pescoço dela. A respiração lenta e pesada.

Mas num gesto que o pegou de surpresa, Gina espalmou suas mãos no peito dele e o empurrou para o lado, fazendo-o sair de cima de si.

Saiu da cama e arrumou a alça do vestido.

- O que você está fazendo? – Harry perguntou atônito.

- O que você esta sentindo agora, Harry? Longe de mim. – começou a caminhar de costas, sem desviar seus olhos dos dele.

Harry sorriu, compreendendo aonde ela queria chegar.

- Sinto que à medida que você vai se afastando, minha vida vai se escurecendo. – respondeu solene, levantando-se também e caminhando até ela. – Sinto falta do seu calor. Do teu corpo... Da tua boca. – as íris verdes se cerraram levemente, num gesto perigoso, onde deixou Gina em alerta. Alguma ele iria aprontar.

- Harry... o que você pretende fazer? – o sorriso dele não poderia ter sido mais maroto.

- Você não imagina? – apontou com a cabeça a porta atrás dela, onde uma placa de metal tinha os seguintes dizeres em preto: banheiro.

Gina estremeceu ao imaginar o que ele iria fazer.

- Eu já tomei banho. – antes que pudesse fazer qualquer coisa, Harry correu em sua direção, e num reflexo que diante dos olhos da ruiva pareceu ser mais rápido do que um facho de luz, Harry a abraçou.

- Sim. Mas você não tomou comigo. – ela riu, o rosto tomando uma tonalidade avermelhada enterrado no peito dele.

- Seu pervertido. – brincou, fazendo o moreno rir.

- Apaixonado. – corrigiu, beijando-lhe os cabelos. – Completamente apaixonado.

- Seu louco...

- Louco sim... Por você!

Gina ergueu os olhos e com o queixo erguido de forma desafiadora, disse:

- Imbecil! – ele colocou o rosto dela entre as mãos, até que a prensou contra a porta que levava ao banheiro.

- Sim, concordo plenamente. Sou um imbecil...- respirou fundo – Um imbecil por não ter visto que a pessoa mais importante para mim, é você. Por não ter te visto antes. Por ter percebido antes, mas somente agora, o quanto eu te amo.

Gina sentiu os olhos marejarem. Era real. Harry estava bem ali, dizendo com toda a sinceridade e seriedade, fitando-a fundo nos olhos, que... A amava.

- Ah Harry. – falou, abraçando-o com força e brincando com a sua corrente presa no pescoço dele. – Se você soubesse o quanto esperei para ouvir isso.

Harry sorriu e espreitou-a ainda mais entre seus braços, como se estivesse com medo que algo a tirasse dali.

Não souberam dizer por quanto tempo ficaram abraçados; segundos, minutos ou talvez horas.

Mas o barulho da porta de carvalho da Ala Hospitalar sendo aberta os trouxe novamente para o período presente.

Olhando por cima dos próprios ombros, ainda com Gina em seus braços, Harry pode ver Hermione, Rony, Naty, Fred e Jorge olhando para eles como fossem loucos.

- Hãn... Acho que interrompemos algo importante. – Jorge comentou, cutucando as costelas de Fred que suspirou.

- Minha irmã, tão novinha... Não é mais castra. – Naty fuzilou o ruivo com os olhos, como se tivesse tentando fazer com que a cabeça dele explodisse.

- Calem a boca vocês dois. – disse, antes de girar os olhos e correr em direção a Gina e dar-lhe um grande e apertado abraço. – Como você está? Tentamos vir ontem á noite, mas Madame Pronfrey disse que as visitas estavam proibidas, mas que poderíamos vir somente hoje. Fiquei muito preocupada.

Rony riu de modo desdenhoso.

- Acho que as visitas não estavam tão proibidas assim. – enviou um olhar significativo para Harry que como resposta, deu um leve sorriso amarelo, antes de passar os dedos entre as mechas escuras e rebeldes.

- Que horas são? – perguntou, tentando mudar o rumo da conversa para algo mais seguro, onde ele não sofreria risco de ser decapitado.

- São quinze para as dez. – Hermione respondeu, abraçando Gina também. – Como está se sentido?

Enviando um olhar de esquia para Harry, a ruiva respondeu com um largo sorriso:

- Não poderia estar melhor. – Hermione lançou um olhar para Harry, sobre os ombros de Gina. – E você Harry, como está? Rony me disse que a sua cama estava vazia e impecável quando acordou, isso me faz pensar que você não dormiu na Grifinória.

Fred soltou uma leve risada maliciosa.

- Ora, Mione não se faça de inocente. Você sabe muito bem aonde ele passou a noite...- apontou para ele com a mão. – Olha como o cara ta vestido.

Rony cerrou os olhos e cruzou os braços.

- Posso acreditar que você passou a noite com a minha irmã, tomando conta dela, só que numa cama diferente? – Harry clareou a garganta, enquanto Gina tossia, engasgada com a própria saliva.

- Claro, Rony. Mais que pergunta. – Gina respondeu, passando a mão pelo pescoço, como se alguém houvesse tentando estrangulá-la.

Mais Harry não pareceu satisfeito com a resposta da ruiva e por isso, dando um passo à frente e colocando-se ao lado dela, antes de lhe enlaçar pela cintura, disse com naturalidade:

- Na verdade Rony, tenho algo a dizer a todos vocês. – Gina encarou-o com os olhos arregalados. Ele não ia falar... Ia? Pensou. – Eu e a Gina estamos oficialmente tendo um relacionamento. – Oh céus, ele falou. Gina disse a si mesmo, olhando para todos que tinham as bocas abertas em pleno espanto.

Era como se todos tivessem acabado de ver um trasgo, que caminhava em direção a eles, ameaçadoramente. Tinham os olhos arregalados e as bocas abertas, como se o queixo pudesse a qualquer momento tocar no chão.

Depois de um longo tempo de puro espanto, Hermione foi a primeira a falar.

- Bem... isso é... Ótimo...! - virou-se para Rony. – Não é? – vendo que o namorado nada iria dizer, deu-lhe uma forte cotovelada nas costelas, fazendo-o prender a respiração de modo que segurava o gemido de dor na garganta.

- Cla... Cla... ro...- o ruivo respondeu gaguejante, ainda atônito, encarando a irmã para Harry, de Harry para a irmã, parecendo ainda não ter compreendido o que estava havendo ali.

Os gêmeos deram longos sorrisos antes de voltarem-se para a Gina:

- Caramba, Gi, finalmente! – Jorge declarou, orgulhoso. – Mas não vai judiar muito do Harry, lembre-se que ele é o Menino-que-Sobreviveu.

Fred percebendo aonde o irmão queria chegar, entrou na brincadeira.

- Exatamente, não o faça virar o Menino-que-Morreu.

Gina deu risada, acompanhada de Naty.

- Não irei prometer nada. – Gina respondeu, fazendo a risada de Naty tornar-se ainda mais sonora.

Nesse momento a porta de carvalho da Ala Hospitalar se abriu, revelando a severa estrutura de Madame Ponfrey que carregava uma bandeja nas mãos enrugadas.

- Vejo que já acordou, Senhorita Weasley. – ela cumprimentou a ruiva, saudando-a com um sorriso amável.

Gina assentiu com um gesto de cabeça, sentindo Harry segurar sua mão e entrelaçar os dedos.

- Estou me sentindo ótima. – a velha curandeira a olhou de modo clinico, antes de lançar um olhar zangado para Harry.

- Fico feliz que esteja bem. Parece que a presença do Senhor Potter fez com que a Senhorita se recuperar mais rápido. – fixou os olhos escuros por alguns segundos nas mão do casal, antes de voltar sua atenção para a bandeja que depositara numa das camas.

Jorge colocou as mãos no bolso, antes de com um sorriso travesso nos lábios, dizer:

- É Madame Ponfrey, a minha irmãzinha teve uma noite bastante agitada.

- Jorge Weasley! – Gina exclamou, corando. Harry adorou aquela cela, o rostinho angelical da ruiva ir tomando um tom avermelhado quase igual ao dos cabelos.

Mesmo se divertindo com aquele constrangimento da ruiva, decidiu ajudá-la.

- Gina não seja maliciosa. Seu irmão está dizendo sobre você estar doente. – Gina fitou-o de modo ainda mais pasmo, os olhos azulados aumentando de tamanho, como se fosse sair da orbe.

Vendo-a tão mais constrangida como anteriormente, riu para valer, abraçando-a com carinho, fazendo-a apoiar a cabeça em seu peito, enquanto lhe dava um suave beijo nos cabelos.

- Você me paga. – ela murmurou de modo que somente ele poderia ouvi-la.

Abaixou a cabeça e sussurrou no ouvido dela:

- Espero que esse pagamento seja a continuação do que estávamos fazendo agora pouco.

Como resposta, Gina lhe deu um tapa no braço.

- Ai, Gina. Calma ai. – gemeu, mas ainda continuava sorrindo. – Que mão pesada.

- Não é a toa que ela é uma ótima artilheira. – Naty comentou.

Fred abraçou-a pelos ombros.

- É eu sei como é essa dor, meu amigo. – comentou, olhando para Harry. – Mas no lugar do braço, a Naty me deu um belo safanão na orelha.

Naty cerrou os olhos, olhando-o de modo atravessado.

- E se você não calar essa boca vai levar outro.

- Ta legal. Calei. – respondeu, erguendo as mãos.

Gina balançou a cabeça de um lado para o outro, deliciando-se com o momento tão pleno e sereno.

Podia sentir os olhos verdes de Harry sobre si, mas não se atreveu a olhá-lo também. Poderia cometer uma loucura se o fizesse.

Madame Ponfrey voltou-se para eles, o semblante sem expressão alguma.

- Por favor, Virginia, eu tenho que lhe aplicar uma injeção, então venha aqui. – Gina empavileceu.

- Você tem... O quê? – perguntou atônita, vendo a curandeira tirar a tampinha transparente de cima da finíssima agulha da seringa que ela carregava nas mãos.

- Vai lá Gina, é só uma picadinha. – Harry provocou-a, fazendo-a virar-se para ele.

- Então vai lá no meu lugar. – ele riu.

- Mas não sou eu que estou doente. – um sorriso sádico formou-se no canto dos lábios dela, fazendo-o ficar apreensivo. Conhecia aquela expressão. Gina iria aprontar uma das suas.

Voltando-se para ele, ficando a sua frente, ela estralou os dedos das mãos.

- Olha querido, doente você pode não estar, mas com todo prazer poderei fazê-lo ficar dolorido em alguns minutinhos.

Harry recuou um passo e se preparou para o ataque.

Gina avançou com agilidade e uma rapidez que o deixou impressionado. Mas como era mais forte, conseguiu deter o golpe dela a tempo, antes deste se chocar em seu rosto.

Rindo, segurou-lhe o pulso, puxou-a para si e num gesto suave a jogou de encontro a uma cama, erguendo-a no ar como se fosse uma pluma e fazendo-a tombar sobre o colchão como um baque.

- Maldito seja, Potter. – Gina reclamou, os cabelos vermelhos revoltos lhe caindo sobre o semblante.

Harry aproximou-se dela, ajudando-a a se sentar antes de afastar as madeixas rubras do rosto dela, pondo-as atrás da orelha.

- Eu também amo você, Gi. – ele murmurou de modo rouco, antes de inclinar a cabeça e dar-lhe um beijo, as mãos repousadas no pescoço dela.

Era como se ninguém estivesse ali. Tudo pareceu se evacuar no momento em que sua boca encontrou a dela.

A idéia de dar-lhe um beijo doce e suave pareceu desaparecer de sua mente numa rapidez que o fez lembrar-se da velocidade de um relâmpago. A língua de Gina penetrou por sua boca encontrando com a sua, rosando-se com suavidade.

O gosto dela era inebriante e ele temeu se viciar naquele sabor.

Suas mãos começaram a formigar, o desejo pendente nelas de querem descer mais, tocando a pele de Gina. Conhecer todos os recantos daquele corpo lindo, onde por tanto tempo manteve-se escondido por vestes escuras, pesadas e largas.

A língua dela, úmida, pressionou a sua, antes de com os lábios, deslizar por ela, fazendo-o estremecer.

Oh céus. Como ela beijava bem!

Seu corpo inteiro estava arrepiado, seu coração acelerado, a respiração pesada e um desejo primitivo o consumia. Enlouquecendo-o.

Não conseguindo conter mais as próprias vontades e suplícios de seu corpo, suas mãos deslizaram do pescoço de Gina ate os ombros, os longos dedos brincando com as alças finas do vestido.

Senti-a estremecer, parecendo compartilhar o mesmo desejo faminto do que o dele.

Sorrindo, continuou a descer as mãos, tocando-lhe na pele acetinada do braço ate chegar a cintura, sentindo-lhe as formas bem feitas e curvilíneas.

A cintura era fina e lisa, de modo que sua mão podia contorneá-la.

Pressionou com mais força sua boca na dela, matando sua sede, sua fome... e sua excitação.

Gina correspondia com o mesmo ardor. Não se importando se seis pares de olhos se encontravam ali, parados, assistindo a cena, assustados, mas ao mesmo tempo, felizes, por os verem juntos, finalmente!

As coisas estavam começando a entrarem em seus eixos, e Gina sabia que ela e Harry haviam sido feitos um para o outro.

Tanto como coração, alma e corpo.

Enlaçou-o pelo pescoço, os dedos perdendo-se naquele arrebatamento de mechas escuras e rebeldes.

Sentiu um gemido entalado em sua garganta, quando uma das mãos de Harry, que estava fora do foco de visão dos seus irmãos, deslizou por sua coxa, apertando-a delicadamente.

Mesmo agindo como um louco, beijando-a daquela forma em frente a seus irmãos, Harry não era um suicida a ponto de intensificar as caricias na frente deles.

Uma tosse atravessou a linha de insensatez de Gina e de Harry que se separam, corados e ofegantes.

Ficaram se olhando por alguns instantes, sentido a plenitude do que acabara de acontecer entre os dois. Aquela experiência mágica. Única.

Mais uma tosse, e Gina virou o rosto para encontrar a face de poucos amigos de Madame Ponfrey que ainda continha a seringa nas mãos, a agulha virada para o teto.

- A injeção, Senhorita Weasley. – ela murmurou severamente, fazendo Gina suspirar e sair de cima da cama, caminhando até a curandeira.

Fez uma careta quando sentiu o algodão úmido de álcool umedecer a pele de seu braço.

- Eu odeio agulhas! – reclamou.

Rony olhou-a de modo zombeteiro.

- Estranho você dizer isso, já que quer ser médica. Não deveria ter medo de uma simples injeção. – Gina riu de modo irônico.

- Eu não tenho medo de agulhas, somente não gosto delas... em mim. Nos outros eu não me importo.

Prendeu a respiração quando viu a curandeira erguer a seringa e num gesto prático e já aprimorado, ela lhe injetou a agulha da carne.

Gina sentiu a famosa picadinha na pele, e mordeu o lábio inferior quando o liquido transparente começou a ser injetado para dentro de seu corpo.

Em poucos segundos, Ponfrey já tirava a agulha e depositava a seringa na bandeja de prata antes de com um algodão limpo passar sobre o lugar da aplicação.

Constatando que não estava sangrando o pequeno furo, deu um dele tapinha nas mãos de Gina, que repousavam sobre o colo dela.

- Prontinho, agora deite, pois tem que descansar.

Harry que assistira tudo, sentindo pena da ruiva, ao vê-la tão vulnerável enquanto lhe aplicavam a injeção, ficou apreensivo ao ouvir as palavras da curandeira.

- Mas por quê? Ela já não esta bem melhor? – perguntou preocupado, aproximando-se do leito em que Gina começava a ser deitada.

- Sim, ela está melhor, Senhor Potter, mas será ainda melhor se ela puder descansar mais um pouco. Provavelmente lá pelo horário do almoço ela seja liberada. – percebendo a intenção de Harry, ao se aproximar do leito da ruiva, para poder sentar-se ao seu lado, Ponfrey colocou-se a sua frente. – Será melhor se ela ficar sozinha, agora. Para descansar mais em paz. – mesmo que a afirmação tenha sido num tom suave e profissional, Harry notou que aquilo não era apenas um pedido, mas sim uma ordem.

Não tendo como discutir, ele assentiu.

Ponfrey pareceu bastante satisfeita ao ver que o rapaz não faria nenhuma objeção com a sua ordem, começou a caminhar até a porta da Ala Hospitalar.

- Vocês têm cinco minutos. – e assim, fazendo o mínimo de barulho possível, fechou as duas porta.

- Gi...- Rony chamou pela irmã de modo suave, colocando-se ao lado dela na cama e lhe segurando a mão entre as dele. – Você vai ficar legal?

Ela sorriu ternamente, os olhos azulados começando a escurecerem.

- Lógico que ficarei. Eu sou forte, Rony, por isso que sou uma Weasley. – brincou, antes de soltar um longo bocejo. – Nossa, que sono.

Rony balançou a cabeça antes de curvar-se sobre a irmã e lhe dar um beijo na testa.

- Se cuida. – afastou-se, colocando-se ao lado da namorada que o abraçou.

Naty aproximou-se da amiga e tocou-lhe levemente na perna.

- Provavelmente o time da Grifinória vá se reunir hoje ao entardecer para um treino, seria legal se você pudesse ir, não para jogar, mas pelo menos para se distrair um pouco.

Gina ergueu uma sobrancelha.

- Naty quem fica sentado no banco é mascote, e eu não sou. Por isso, irei treinar com os outros.

- Claro, se você quiser cair da vassoura e se emborrachar no chão é uma teoria bastante inteligente. – a morena retrucou sarcástica – Gina, não estou dizendo para ser a nova mascote do time, Neville faz o seu papel muito bem vestindo aquela fantasia de leão. Estou pedindo para você ir e ficar sentada no banco, ao lado do treinador – lançou um sorriso safado a amiga, fazendo Gina olhar de relance para Harry, que se mantinha um pouco afastado dos demais, quieto e de cabeça para baixo. Parecendo pensativo. – e apreciar o treino, na situação que se encontra, voar e se exercitar seria muito perigoso. – deu-lhe um beijo na bochecha. – Até mais tarde.

Os gêmeos apenas acenaram, desejando a irmã uma boa e rápida recuperação, para ela os ajudar no novo plano contra o Seboso, e claro, com as invenções.

Ela riu divertida com o comentário, e fitou o grupo ir se afastando, deixando-o sozinha com Harry que já estava ao seu lado, olhando-a com os incríveis olhos jade, cheios de amor e carinho.

- Eu prometo que venho buscá-la para irmos junto almoçar. – ele declarou baixinho, acariciando-lhe as costas da mão com os dedos. – Promete que você vai se comportar?

Gina riu.

- Harry eu não sou uma criança, eu irei apenas dormir por algumas horas. – ele se inclinou apoiando os cotovelos no colchão, o rosto muito próximo do dela.

- Eu sei, mas eu não estarei aqui para te proteger se acontecer alguma coisa. Por isso quero que me prometa que quando eu vier te buscar você estará do jeitinho que eu a deixei.

Gina ergueu a mão e lhe acariciou o semblante.

- Prometo com uma condição.

- Qual?

- Se no treino você me deixar participar do jogo. – Harry ergueu uma sobrancelha.

- Claro. Quando eu me apaixonar pelo Malfoy.

- Harry, é serio... Eu não vou agüentar ficar no banco, vendo todos jogando, se divertindo, enquanto eu estarei parada. – Harry sorriu de modo sexy e charmoso.

- Mas você irá ficar no meu lado. E quando ninguém estiver vendo... sabe o que eu vou fazer? – a voz era baixa, quase como um piar da brisa daquela manhã.

- O quê? – perguntou ansiosa, umedecendo os lábios com a pontinha da língua.

Harry seguiu o gesto com os olhos, parecendo abobalhado por alguns instantes.

- Eu deixarei você sonhar com isso. – ele falou de repente, erguendo-se e dando-lhe um leve selinho. – Até mais, Gi.

E sem mais nem menos, caminhou até a cama ao lado onde estavam suas roupas sobre o travesseiro. Colocou a camisa, sem se importar em abotoá-la, a calça por cima do short do pijama e lançando um ultimo olhar a ruiva, enviando-lhe uma piscada, saiu da Ala carregando nas mãos os sapatos, deixando para trás uma atônita e sonolenta Gina.

- Mas ele vai me pagar. – ela murmurou, antes de virar a cabeça e adormecer profundamente e começar a sonhar...


Estava frio. Muito frio.

Era algo que chegava a ser cortante contra sua pele quase nua.

Sua cabeça latejava como se tambores estivesse dentro dela, enquanto ouvia o som de pingos de água caindo sobre uma poça em algum lugar do aposento escuro.

O odor era insuportável; algo misturado com mofo e cadáveres.

Sem ter como deter, um gemido saiu de sua garganta como um grito que clama por ajuda, onde a fazia sentir como se estivesse sendo sufocada. Mãos impetuosas agarrando-a sem nenhuma piedade, enforcando-a.

Tossiu. Uma tosse rouca e forte. E sangue jorrou entre seus lábios a fazendo entrar um desespero ainda maior.

Suas mãos estavam presas por algemas que se prendiam na parede por correntes enferrujadas, fazendo-a ficar numa posição como se houvessem a crucificado, erguendo-a do chão.

Suas roupas, rasgadas e sujas, estavam manchadas de sangue.

Usava somente uma blusa que lhe tampava pouco as coxas e uma calcinha, suas pernas estavam ao relento feridas e com graves hematomas, mostrando que haviam batido nela com paus.

Sentiu algo gelado escorrer por sua testa e molhar seus lábios, fazendo-a perceber que aquilo era sangue. Seu sangue.

A mancha vermelha estendia-se por todos os lados. Tentou se mexer, mas aquilo lhe causou ainda mais dor. Olhou para sua barriga, ai ali havia um grande rasgo circundado por sangue, e ela pode ver uma grande ferida feita por garras de um animal desconhecido.

- A onde estou? – perguntou, olhando ao arredor. Sua mente girava, deixando-a ainda mais nauseada.

Foi quando percebeu que não estava sozinha, um gemido fraco em algum canto daquele calabouço lhe chamou a atenção, deixando-a agoniada e tenebrosa.

Movendo os olhos para baixo, pode ver que alguém se encontrava caído no chão, parecendo numa situação ainda pior do que a dela, encolhido e tremendo de frio.

- Quem… quem está ai? – perguntou, mas o desconhecido não fez nada. Somente mexeu as pernas, e ela pode notar que aquelas pernas, finas e bem torneadas pertenciam a uma mulher.

Ela voltou a gemer, e uma poça de sangue circulou-lhe o corpo.

O rosto coberto pelas sombras não lhe permitia ver quem era, mas ao ver os pulsos da jovem cortados graças às apertadas algemas, seu peito apertou-se.

- Ora, ora... Vejo que a minha linda prisioneira acordou.

Aquela voz fria e sem vida a fez gelar. Os ossos de seu corpo contorceram-se, e em sua garganta engasgou-se um grito de horror.

Voltou à cabeça lentamente para a porta do calabouço, e bem ali, com as vestes negras esvoaçantes encontrava-se o pior de seus pesadelos.

- Na... não pode ser...- murmurou, os olhos arregalados cheios de horror, enquanto sua respiração arfava, o peito subindo e descendo num ritmo rápido e pesado.

- O que houve, Vi? – ele chamou-a do mesmo modo carinhoso que fazia há quatro anos atrás. – De repente parece que você viu um fantasma? – a voz era carregada de uma ironia que fez pelos do corpo dela se arrepiarem.

- O... o que você quer Tom? – perguntou, engolindo o medo e erguendo o queixo, encarando o Lorde das Tretas que ao ouvir sua audácia de enfrentá-lo, gargalhou numa forma fria, ecoando pelas paredes, fazendo-as levemente tremes.

Gino pode ver alguns grãos de areia e poeira desprendendo-se do teto e caindo sobre si, sujando-a ainda mais.

Ela não iria demonstrar o seu medo. Aquilo iria dar mais vantagem ao adversário.

Mas, o que ele queria dela? Talvez enfeitiçá-la novamente para conseguir respostas em relação à Ordem da Fênix. Ah, o pobrezinho iria ter uma grande surpresa quando soubesse que ela estava imune a aquele tipo de maldição.

Sentiu vontade de gargalhar, ao imaginar os olhos vermelhos de Voldemort remexidos entre fúria e embaraço ao ver que seu plano havia dado errado.

Mesmo estando imune somente aquele feitiço, Gina não pode deixar de pensar o que ele iria fazer com ela, depois.

Só de imaginar Voldemort erguendo os punhos com a varinha entre os longos dedos, apontada para seu coração e rugindo entre os dentes: Cruciatus... Aquilo a fez temer a morte.

- Ah Virginia, eu estava com saudades e por isso pedi para que meu Comensais fossem buscá-la. – o sarcasmo ainda continuava nas palavras de Tom, e Gina deduziu que o melhor seria fazer o mesmo.

Rolando as orbes, falou:

- Vejo que a sua maneira de dizer boas-vindas não é uma das melhores, Tom! – mexeu os pulsos, fazendo com que seu corpo balançasse no ar e o som das correntes fizessem um som metálico cortando o ar tenso da masmorra.

Os olhos de Voldemort brilharam de modo divertido.

- Você ainda nem passou por nada. – ele se aproximou, fazendo-a se encolher quase que instintivamente. – Vejo que ainda tem medo de mim. – aquilo soou como se ela sentir medo fosse algo bastante gratificante para ele. – Oh minha querida, você sabe que eu jamais a machucaria.

- Claro, somente me mataria.

- Você tem que concordar comigo que a morte rápida é melhor do que a morte sobre tortura. – Gina encarou-o fundo, seus olhos perdendo-se naquele mar de sangue e maldade das íris dele.

- O que você quer de mim, Voldemort? – o sorriso que ele lhe deu não poderia ter sido mais sanguinário e selvagem.

- Você se tornou numa bela garota. – os olhos percorreram o seu corpo, fazendo-a sentir nua e suja. – Magnífica. – as mãos pálidas se ergueram, fazendo com que o pano negro da manga escorregasse pelo braço dele, fazendo-a ter a visão daquele braço pálido, esquelético e cheio de veias.

- Não se atreva a me tocar seu porco! – urrou entre os dentes.

Voldemort a fazia pensar em nuvens escuras e nebulosas numa noite de inverno, onde em poucos segundos começaria a lançar seus trovões impetuosos.

- Acho que isso será impossível, Virginia. – ele falou com a voz carregada de algo carnal que a fez sentir os olhos marejarem.

Harry... onde você está? Sentiu vontade de gritar, mas esta por sua vez foi sufocada com as mãos em forma de concha de Voldemort agarrando um de seus seios. Ele jogou a cabeça para trás fazendo com que o capuz escorregasse, revelando seu rosto que a fez lembrar de uma cobra. Os olhos eram grandes e vermelhos, o rosto branco como mármore era magro nas bochechas, fazendo com que o rosto tivesse uma forma quase que triangular. O nariz era pequeno e com duas aberturas e a boca fina como uma linha abriu-se onde uma língua negra e cortada ao meio se revelou, tremendo parecendo faminta.

Gina deixou escapar um grito de horror, mas foi sufocado pela boca de Voldemort que cobriu a sua, devorando-a num beijo.

Acordou de modo brusco, sentando-se na cama e com a respiração pesada, os cabelos vermelhos lhe caindo em frente a face pálida.

Olhou em volta e viu que o Sol já estava alto, seus raios quentes banhando os leitos da Ala Hospitalar.

- Céus...- praguejou, jogando-se para trás e voltando a se deitar.

Levou o torso da mão a testa e viu que estava suada.

- O que foi isso? – perguntou-se.

Seu coração disparava em seu peito, como se fosse explodir a qualquer momento tamanha a força que batia.

Voldemort havia voltado a atormentá-la e aquilo a fez sentir um temor. Não. A historia não poderia estar se repetindo.

Sua mente zanzava, fazendo-a sentir-se tonta. O que Voldemort estaria aprontando agora? Pior. O que aquele infeliz queria com ela... E aquela garota caída no chão, ferida, quem seria? Será que não havia bastado o que ele havia feito a ela quando tinha penas onze anos... Tom deseja mais?

Bufando, afastou as cobertas e jogou as pernas para fora da cama, fazendo com que seus pés descalços sentissem o gelo do chão enviando-lhe um arrepio gélido por todo o corpo.

Tantas perguntas e nenhuma resposta. Aquilo começou a aborrecê-la. Definitivamente, seus cabelos iriam começar a cair se não pensasse com coerência, e permitisse que o estresse a tomasse.

Tinha que ser racional e pensar com calma. Se não as coisas poderiam se dificultar.

Talvez não passasse de um mero sonho. Havia passado por tantas coisas nas ultimas doze horas que aquilo poderia ter afetado seu cérebro.

Ou talvez não... Poderia ser uma visão.

Girou os olhos e saiu da cama.

- Pare de ser patética. – disse a si mesma, abrindo a porta do banheiro e entrando. Precisava de um bom banho de água fria para esfriar a sua cabeça que fervilhava em tantos pensamentos. Começou a se despir. – É claro que tudo isso foi uma idiotice da sua mente.

Abriu o jato e entrou no boxe, sentindo a água forte lhe banhar o corpo.

Lavou os cabelos com cuidado e ensaboou o corpo, fazendo com que a fragrância do sabão impregnasse em seus poros.

Por fim, enxaguou-se e se enrolou numa toalha branca felpuda.

Abriu a porta do banheiro e caminhou até o seu leito, onde havia roupas limpas e dobradas sobre a mesinha ao lado da cama.

O dia estava quente, mas Gina contestou que as nuvens escuras que estavam no horizonte, perto das arvores da Floresta Proibida, insinuavam uma tempestade no final da tarde.

Vestiu uma calça preta de layca e uma blusa branca onde as alças prendiam-se atrás de sua nuca. Calçou os tênis e prendeu os cabelos num alto rabo-de-cavalo, deixou alguns fios de sua franja lhe caírem em frente ao rosto.

Olhou-se no espelho da janela, que refletia a sua imagem. Com certeza estava melhor do que aquela com a qual chegara na Ala Hospitalar. Toda cheia de sangue.

Lembrou-se da fisionomia preocupada de Harry e um doce sorriso curvou-se em seus lábios, enquanto abria uma pequena bolsinha preta que Naty havia trazido aquela manhã. Pegou o brilho labial e passou para logo em seguida realçar os olhos âmbar com uma camada de lápis preto.

Era o suficiente.

Mesmo que não fosse muito vaidosa, queria sentir-se bela e feminina para Harry. Queria que ele a achasse a garota mais bela de Hogwarts.

Ainda mais agora que sua popularidade entre os alunos iria aumentar, já que estava tendo um relacionamento com o melhor amigo.

Eu também amo você, Gi! A frase que ele lhe disse enquanto a beijava ecoou em sua mente. Fazendo-a suspirar.

A sua vida estava realmente começando a dar certo.

E imaginar que o seu maior sonho estava se tornando real. Ela e Harry. Junto!

Uma vontade enorme de gargalhar contagiou-a.

Colocou uma gargantilha preta de couro envolta do pescoço, dando-a um ar ainda mais sensual.

Não sabia por quê, mas a idéia de começar a se arrumar não lhe pareceu tão ruim assim ao fitar-se novamente. Contemplou seu reflexo e viu que perder alguns minutos para cuidar de si mesma viria a ser muito útil.

- O que você vai fazer agora, Chang, para conquistar o Harry? – disse em voz alta.

Jamais se sentira daquela forma; linda, poderosa... Feminina.

Oh sim. Antes era ela que tinha problemas para afastar as garotas de Harry. Agora seria a vez dele de afastar os garotos de si.

Riu com a idéia boba e com a cena que se fez em sua cabeça; ela de mãos dadas com o melhor amigo. Caminhavam pelo corredor. Ela sorria extasiada não acreditando na própria sorte, enquanto ele enviava olhares mortais para a população masculina que viravam o rosto quando ela passava.

Passou um pouco de perfume no pescoço e nos pulsos antes de fechar a bolsinha.

Nesse momento a porta da Ala se abriu, fazendo-a sentir uma expectativa ao pensar que seria Harry. Ele disse que iria vir buscá-la para irem almoçar.

Virou-se com um sorriso para a porta, mas este logo morreu.

Ergueu uma sobrancelha ao ver quem acabara de chegar.

- O que você está fazendo aqui?


- Calma, Harry, assim você vai fazer um furo no chão de tanto bater o pé. – Hermione falou, ao sentir a perna do amigo balançar freneticamente por debaixo da mesa.

- Não consigo, as aulas pareceram se arrastar hoje. Droga! – urrou entre os dentes, passando a mão pelos cabelos.

- Ei cara, relaxa. Minha irmã esta bem. – Rony disse dando alguns tapinhas no ombro do moreno que o fuzilou com as íris verdes e pareceu rosnar como um cão enfurecido, fazendo com que o ruivo recuasse a mão.

- Eu sei que ela esta bem, Rony, mas acho que eu ficaria mais à vontade se ela estivesse aqui comigo.

Hermione riu ao mesmo tempo em que girava as orbes e voltava a escrever em seu pergaminho.

- Você esta agindo como um garoto apaixonado. – ela disse de forma brincalhona, apoiando a cabeça na mão enquanto a outra escrevinha freneticamente o que a professora de Feitiços falava.

- A questão Mi é que ele está apaixonado. – Rony declarou, rindo atraindo alguns olhares curiosos para eles.

Harry bufou e jogou a pena que segurava sobre o pergaminho a sua frente, manchando a folha amarelada com a tinta.

- Calem a boca. – aquilo serviu para que os dois amigos rissem ainda mais. – Merda, essa aula não termina nunca? – Hermione ergueu os olhos e fitou-o.

- Faltam vinte minutos... No mínimo. – Harry encarou-a de modo irônico.

- Obrigado, Mione. Muito obrigado. Isso fez com que eu me sentisse ainda melhor. – ela sorriu docemente.

- Não a de quê.

Rony, que se encontrava sentado entre o amigo e a namorada, balançava a cabeça de um lado para o outro. Deliciando-se com aquela demonstração de preocupação de Harry com a irmã.

Fez uma nota mental que teria que escrever uma carta para a mãe o mais rápido possível, relatando o que estava havendo com Gina. Molly iria ficar bastante preocupada, mas como estariam indo embora para casa, passar o Natal, no dia seguinte à agonia da mãe iria se acabar logo.

O sinal, indicando o termino das aulas da manhã soou estridente, impedindo de os alunos ouvirem as ultimas palavras da professora.

- Pronto Harry, seu sofrimento acab...- virou-se para o amigo, mas a única coisa com o que se deparou foi o vazio ao seu lado. – Harry? – olhou para a porta a tempo de ver o moreno saindo da sala como um furação.

Hermione riu.

- O cara ta doido. – a namorada deu os ombros.

- É o amor querido. O amor. – Rony suspirou antes de começar a rir e recolher seu material.


- O que você está fazendo aqui? – perguntou, com a sobrancelha erguida, fazendo-o rir.

- Mas que modo moderno de dizer "olá" aos amigos, Vi. – Brian disse, sentando-se na cama, ficando ao lado dela. – Como você está? – o tom dele era suave, mostrando como estava preocupado.

Gina sorriu.

- Desculpe, é que eu não estava esperando por você. – suspirou. – Eu estou ótima. Novinha em folha. Pronta para uma partida de Quadribol. – Brian riu para valer, jogando a cabeça para trás.

- Que energia em ruiva. Estou impressionado. – inclinando a cabeça de modo que seus lábios ficassem milímetros do ouvido dela, disse rouco e cheio de malicia: - Mas eu tenho uma idéia melhor de como descarregar essas suas energias.

Gina ficou boquiaberta. Completamente pasma pela audácia.

Balançando a cabeça deu um tapa no peito do amigo.

- Brian! Seu Sonserino assanhado. – ele voltou a rir.

- Ora querida não seja maliciosa, estou dizendo que poderíamos fazer uma bela caminhada pelo jardim. O dia está lindo.

Gina sentiu o rosto queimar, fazendo-o ficar numa tonalidade que chegava a ser quase do mesmo tom de seus cabelos, antes de dizer entre os dentes de modo divertido:

- Oh, cale a boca. – os olhos azuis do moreno brilharam como duas safiras.

- As garotas que falam isso, elas me calam de outra forma, ruiva. – Gina fitou-o de modo sério.

- Brian, você está começando a me irritar. E eu estou quase te calando com um soco no meio da tua cara.

- Calma Gina. Ouvir uns certos galanteios às vezes é muito bom, sabia? – ela riu com desdém, colocando uma madeixa ruiva atrás da orelha.

- Seu cafajeste. Você está dando em cima de mim na maior cara dura. – ele deu os ombros.

- Eu tento pelo menos, mas você resistiu a todas as minhas investidas. – fitou-a de modo intrigado. Os olhos cerrados, formando uma linha azul perigosa entre os cá-lios. – Você é de pedra? Ou um ser de outro planeta?

- Como? – Gina perguntou franzindo o cenho.

Brian deu um pulo quase felino, descendo da cama e se colocando em frente à ruiva, segurando-lhe pela cintura.

- Ora Virginia, pense comigo. Eu sou lindo, rico, charmoso, sangue puro e melhor ainda: sou da melhor casa de Hogwarts; Sonserina. E todas as garotas caem aos meus pés com um simples estalar de dedos... Mas você... Você é imune a todas as minhas investidas. Sabe quantas garotas fariam para estarem em seu lugar?

Gina riu, apoiando as mãos nos ombros do moreno.

- Como você é modesto. – ele a estreitou ainda mais em seus braços.

- Sou realista. – corrigiu-a de modo suave. – Mas me responda, por quê você não me dá uma chance?

Gina fitou-o de modo sereno. Deliciando-se com aquele rosto belo, os lábios firmes curvados numa linha séria. Os cabelos negros caindo como ondas sedosas sobre o maxilar quadrado. Olhou-o nos olhos e ela deduziu que nunca em toda sua vida, havia visto olhos cor de águas marinhas tão belos e profundos.

Mas Gina não via Brian a sua frente, e nem mesmo aqueles incríveis olhos azuis. Ela via Harry; com seus maravilhosos olhos verdes, os cabelos negros despenteados como se ele houvesse acordado e passado à mão neles para arrumá-los de qualquer jeito. Ela via os lábios firmes de seu amado num sorriso sensual e a covinha na bochecha dando-lhe um ar ainda mais irresistível.

- Brian...- começou, escolhendo as palavras certas. – Desculpe, mas... Nem tudo o que queremos podemos ter.

Ele abaixou os olhos parecendo desolado.

- Mas podemos lutar. – ergueu os olhos e fitou-a de modo firme e sincero – E eu quero você, Virginia. Quero-a muito mais do que algum dia desejei outra garota. Você é especial.

Erguendo a mão, ela acariciou-lhe o semblante.

- Você não sabe como eu gostaria de corresponder os seus sentimentos, Brian. Mas não posso. Simplesmente não posso. – os olhos azuis aprofundaram-se ainda mais, tornando-os escuros e distantes.

- Por quê não?

Gina sorriu de modo fraco.

- Meu coração pertence a outro, Brian. E você sabe disso. Se eu ti desse uma chance estaria enganando a mim mesma e a você. Nós dois jamais teríamos um futuro.

Os dedos dele apertaram sua cintura, com força, como se temesse que ela saísse dá-li e fosse embora para sempre, como uma forte ventania de outono.

- Eu... eu não me importo, Gi. Tudo o que quero é estar ao seu lado. Você me amando ou não. – ela balançou a cabeça.

- Não posso. – ele mordeu o lábio inferior.

- Gi, me dá uma chance. Por favor. Sei lá, me dê um mês para mostrar o quando eu... eu te amo.

Aquilo foi como um raio em seus ouvidos. Gina tirou as mãos dele de sua cintura e caminhou até a janela, perdendo seus olhos em algum ponto do jardim.

- Não Brian. Por favor, não ínsita mais nisso.

Ele se aproximou, ficando atrás dela e colocando as mãos em seu ombro.

- Por quê, Gina? Por que você não pode nós dar uma chance?

- Por que ela está comigo. – uma voz grave e séria disse atrás deles.

Brian se voltou para a voz num gesto brusco, mas Gina não. Ela sabia de quem pertencia àquela voz, onde fez com que seu corpo estremecesse quase que involuntariamente.

- O que faz aqui Potter? – Brian vociferou entre os dentes.

Harry jogou sua mochila preta sobre uma das camas e cruzou os braços em frente ao peito, erguendo o queixo.

- Eu vim buscar a Gina para irmos almoçar. – Brian riu de modo seco.

- Eu vim aqui fazer o mesmo, por que não vai embora, hein? Eu e ela estamos tendo uma conversa particular.

Harry deu um passo à frente, ameaçadoramente, encarando o sonserino com os olhos cerrados. As íris verdes faiscavam de um ódio que Gina jamais vira nele, e temeu que ele fizesse alguma loucura.

- Porque ela vai comigo. – aproximou-se ainda mais. - E desculpe se eu interrompi o momento que você suplicava por ela, mas... Se você é surdo, eu vou dizer em palavras mais claras: a Gina não quer nada com você, imbecil, então dá o fora daqui.

Nesse momento Brian soltou-a, ficando de frente para Harry, encarando-o com o queixo erguido e os olhos azuis faiscando num sentimento de orgulho e determinação.

Gina virou-se também, em alerta para que a qualquer momento se colocasse entre os dois garotos para impedir qualquer idiotice vindo de qualquer um.

Se fosse em outra ocasião e por outro motivo menos sério, ela iria adorar apreciar aquele espetáculo de uma cobra contra um leão. Mas o motivo que ambos ali estariam disposto a duelarem até que um caísse no chão, derrotado.

Balançou a cabeça. Por que os homens eram tão inconseqüentes? Para eles parecia que o dilema: bater até acabar com o adversário, era o mais correto, enquanto para as mulheres seria: vamos conversar meu bem, temos que discutir a nossa relação.

- Escute aqui Potter...- a voz de Brian carregada de uma irá tão grande fez Gina voltar ao momento presente. – Eu não vou alugar nenhum, e se pensa que irei deixar a Gina aqui, com você, está muito enganado.

Harry riu de modo seco e sarcástico. Algo que soou estranho para os ouvidos de Gina que mordeu o lábio inferior, nervosa.

As mãos suavam e o coração batia rápido. Eles pareciam como dois ursos prontos para um combate final.

Harry era um pouco mais alto que Brian, mais a pose forte e majestosa do Sonserino era ainda mais intimidante. Mas Harry não parecia nem um pouco abalado com aquela muralha de músculos.

Dando um passo a frente segurou Brian pelo braço.

- Brian Kerrigan pare com isso! – o moreno voltou-se para si. As feições se suavizaram.

Num gesto que a pegou desprevenida, Brian lhe segurou a mão que agarrava seu braço com delicadeza e beijou-lhe o torso da mão.

- Desta vez não querida. – e voltou-se para Harry. – Já está na hora do Potter saber de umas verdades. – Gina estremeceu, temendo o que o amigo iria fazer.

- Se for para falar bobagens Kerrigan...– falou o sobrenome do garoto de modo que fez parecer uma palavra abominável, fazendo logo em seguida uma nota mental para agradecer a Gina mais tarde por ter lhe dado a pista de quem era aquele Sonserina. – Sugiro que fique com essa sua boca imunda fechada desde já.

- Se não...

- Se não terei um enorme prazer de fazê-lo engolir cada palavra. – Harry avançou novamente, os punhos cerrados com força, e desta vez Gina se colocou na frente dele, espalmando as pequenas mãos em seu peito.

Sentia o coração dele batendo rápido contra sua palma, e a respiração subia e descia em movimentos pesados e lentos. Os olhos verdes ainda estavam mergulhando num ódio que a fez estremecer. Mas havia muito mais ali do que simples ódio, havia... ciúmes.

A idéia parecia um absurdo. Harry não era do tipo de garoto que sentia ciúmes, mas ao ver que era fora à única a conseguir causar aquele tipo de reação tão pura e selvagem no moreno a fez sentir-se ainda mais confiante.

- Harry, por favor, pare. – pediu baixinho, encostando a testa no peito dele.

Harry a abraçou com carinho, sentindo os músculos tensos de todo o seu corpo amolecerem ao sentir o calor do corpo da ruiva.

- Isso mesmo Potter escute-a, e aproveite o tempo que você ainda tem ao lado dela, pois quando você menos esperar eu irei tirá-la de você. – Brian rugiu do outro lado, fazendo com que Harry endurecesse o maxilar e olhasse para ele.

- Eu estou avisando Kerrigan, chegue perto da Gina e eu não hesitarei em fazer uma loucura. – o sonserino riu irônico.

- Oh. Com certeza estou com muito medo de um merda como você. Acha que só porque derrotou o Lorde das Trevas é melhor que qualquer um. Mas, você esta enganando Potter, porque até mesmo os mais famosos um dia caem do pedestal.

Harry deu um passo à frente, um sorriso quase sanguinário no canto de seus lábios.

- Eu não me considero melhor do que ninguém, Kerrigan. Mas sou realmente melhor do que um bosta como você.

- E com que tal certeza você diz isso? – Brian provocou.

Aquilo era a passagem que Harry estava esperando.

Além de responder a provocação com palavras, ele agiu.

Segurou Gina pela cintura e a afastou de si gentilmente, a fitou nos olhos e ela pode ver todo o amor afogueado nas íris verdes.

O sorriso selvagem desapareceu dando um cheio de afeto e carinho.

Gina viu a cabeça de Harry se inclinar em direção a sua e antes mesmo que pudesse prender o fôlego, ele a beijou.

Um beijo possessivo, ardente... Algo que ela jamais experimentara.

A língua dele não demorou a invadir sua boca e enroscar-se a sua. Ela pode ouvir explosões ao longe enquanto ao seu arredor parecia girar.

Harry deslizou os dedos pelos seus braços e lhe segurou as mãos, erguendo-as a fazendo abraçá-lo pelo pescoço, antes de agarrá-la pelas costas, colando o corpo dela contra o dele numa forma que parecia que ele desejava mais do que nunca fundi os seus corpos em um único só.

Soltando uma leve exclamação, como se precisasse respirar, Harry a soltou e sorriu.

Ele parecia ter sentido as mesmas cargas de arrepios que ela, já que se encontrava corado também e arfante.

- Esta vendo Kerrigan, por que sou melhor que você? – ele disse sem desviar seus olhos dos de Gina. – Eu consegui ter algo que você jamais poderá ter. – olhou para o sonserino que estava atônito.

- Você... Você não lutou pela Chang quando eu a tirei de você?

Harry abraçou a ruiva e sentiu-lhe o perfume, sem se importar em responder a resposta do Sonserino de imediato.

- Eu não lutei por ela, não é mesmo? Mas por esta ruiva aqui eu irei fazê-lo. – mordeu o lóbulo da orelha de Gina, antes de olhar por fim para Brian que parecia que iria explodir a qualquer momento. – Irei lutar pela Gina pelo mero motivo que a amo. E lhe aviso Kerrigan, se eu ficar sabendo que você está dando em cima dela serei capaz de matá-lo.

Jamais sentira algo tão primitivo em toda sua vida. Era o sentimento mais puro que corria rápido entre suas veias.

Quando estivera com outras garotas e via outros jovens dando em cima delas, aquilo lhe pareceu tão normal como os raios de sol que nasciam todas as manhãs. Mas com Gina... Céus. Por ela seria capaz de matar o infeliz que a tocasse.

E quando chegara na Ala Hospitalar e ouvira o maldito Sonserino dizendo-lhe aquelas palavras, tivera que fazer uma força sobrenatural para não pegar sua varinha e lhe lançar um feitiço que o faria voar pela janela como um balaço berrante.

Seu coração ainda batia rápido quando o Sonserino olhou para Gina e disse-lhe num tom suave e magoado:

- Se cuide, Vi. – passou por ela, lhe roçando os dedos em seu braço, antes de sair da Ala com a cabeça baixa, deixando-os sozinhos.

Aquele sim era o momento que Harry mais esperara toda a manhã, ansiando pela ruiva. Ficar ao lado dela, tê-la em seus braços e ouvi-la dizer novamente que o amava.

Mas para a sua surpresa, Gina se desvencilhou dele como uma ventania forte, e a reação irada dela foi a ultima coisa que ele imaginou.

- Harry James Potter, o que foi que te deu na cabeça de me beijar daquela maneira na frente do Brian? – ela vociferou entre os dentes, colocando as mãos na cintura e respirando com dificuldade.

- Eu estava mostrando ao Kerrigan quem é que esta realmente no comando aqui. – Gina riu de forma sarcástica, antes de passar a mão pelos cabelos.

Mas o que bicho mordeu ela? Harry pensou, franzido o cenho.

- Gina, o que esta acontecen...

- Escute bem, Harry, mas ouça com muita atenção. – ela o interrompeu de repente, a voz grave e carregada. - Eu passei quase minha vida inteira te amando. E enquanto outros pensavam que era uma simples apaixonite que eu sentia por você, meu coração me dizia que era amor de verdade. E hoje eu sei que ele não estava me enganando. E por toda minha estadia aqui em Hogwarts, Brian foi o único garoto que realmente mostrou ter um afeto por mim. Um afeto que está acima de todas as barreiras da amizade. Ele me ama, Harry! – aquilo foi como um soco na boca do estomago dele, fazendo-o sentir-se enjoado. - Ele me ama pelo que sou e não por minha aparência. Brian se mostrou com personalidade, e não um filho de papai arrogante como muitos pensam. Mas você não, você somente me notou quando eu fiquei assim – apontou para si mesma – Quando eu comecei realmente a desabrochar a explorar minha feminilidade. E eu descobri com a ajuda da Naty e da May o quando eu posso ser bonita. – aproximou-se do moreno, os olhos azulados faiscando entre a magoa e a decepção e, aquilo fez com que Harry senti-se um aperto no coração. – Mas o problema é que eu não escolhi te amar, eu não escolhi ser a sua melhor amiga e ficar decorando cara nome das garotas que você beijava, não fui eu que decidi a fazer os favores de ficar em frente à porta da Sala Precisa vigiando o corredor enquanto você se amassava com qualquer prostituta dessa escola. – Era por isso que quando voltávamos para o Salão Comunal ela não falava nada. Ficava quieta e distante. Harry disse a si mesmo, sentido o remorso começar a sufocá-lo. - Foi o Brian que me consolava. Era ele que me ajudava nos momentos que eu mais precisava. Nos momentos que eu tinha uma recaída por culpa desse amor incondicional que eu sinto por você. Então Harry eu peço que você tenha o mínimo de consideração e respeito com a pessoa que me ama de verdade. A pessoa que foi meu amigo por todos esses anos. Pois o que eu passava com você, todo aquele sofrimento, Brian passava em relação a mim, enquanto me escutava soluçar e dizer o quando você era importante para minha vida. – respirou fundo. – Eu não quero você o encarando com raiva, e muito menos que jogue na cara dele que eu sou sua. Por que eu não sou Harry. Eu te amo, e talvez isso seja a maior dádiva que eu tive, e hoje eu sou correspondida. Mas se eu souber que você andou se abravando com o Brian em algum local da escola, eu não terei uma opção à não ter que escolher entre você e ele, e eu odiaria fazer isso.

Ela respirou fundo, enchendo os pulmões de ar. Voltou-se para a janela e encostou a testa no vidro, sentindo o contraste do frio com o quente de seu corpo. Por alguma razão sentiu um enorme peso sair de suas costas. Havia desabafado o que a muito estava entalado dentro de si.

Levou a mão à garganta e percebeu que estava dolorida, provavelmente irritada graças as fortes tosses.

Harry que estava atrás de si, quieto nem mesmo a respiração podendo ser ouvida, quando a viu levar a mão à garganta, com passadas rápidas e firmes colocou-se em seu lado, segurando-lhe o braço num gesto que mostrava sua preocupação.

- Está sentindo alguma coisa? – Gina balançou a cabeça de modo negativo.

- Não. Só estou sentindo minha garganta um pouco irritada. – Harry levou a mão ao peito dela.

- E aqui, esta doendo? – Gina sorriu, sua raiva anterior foi se suavizando aos poucos, até que sobrou somente o amor pelo moreno.

- Eu estou bem. – garantiu-lhe.

- Eu posso chamar a Madame Ponfrey para ela te examinar e...

- Harry calma, eu estou bem. – ele suspirou e apoiou o queixo no alto de sua cabeça, abraçando-a.

- Me desculpa. – ele pediu, inalando o perfume dos cabelos dela.

Jamais havia pensando que a dor de Gina todos aqueles anos, fora tão grande. E a magoa de vê-lo com outra pudesse chegar aquele extremo. De certo modo tinha que ser grato a Kerrigan por ter cuidado dela, enquanto ele se encontrava cego o bastante para não notá-la.

Se pudesse voltar ao passado...

Jamais teria feito-a chorar.

- Você não tem que se desculpar, Harry... Eu... Eu fui muito dura com você ao dizer aquilo. – ele balançou a cabeça, fitando-a nos olhos.

- Você somente disse o que estava sentindo, e eu sou grato pela sua sinceridade Gina. E eu lhe prometo que jamais a farei chorar novamente. Eu estou aqui, amando você, e vendo-a como uma garota. A garota que tem o meu coração. – acariciou-lhe as bochechas rosadas, antes de colocar uma madeixa ruiva atrás da orelha dela. – Prometo que não irei mais me abater com o Kerrigan, e... Tentarei controlar o meu ciúme quando ele estiver perto de você.

Gina, num impulso, jogou-se de encontro aos braços dele, o abraçando com força e sorrindo de orelha a orelha.

- Obrigada Harry. Você não sabe como isso me deixa feliz. – beijou-o com carinho – Agora vamos para o Salão Principal, estou faminta.

Ele riu e enlaçou-a pela cintura enquanto caminhavam para fora da Ala Hospitalar.

- E eu estou ansioso para mostrar a todos que eu, Harry Potter, foi enlaçado a ferro por um tremendo diabinho ruivo.

Gina deu-lhe um tapa no peito.

- Eu não sou um diabinho. – resmungou divertida. Harry segurou-lhe o queixo com os dedos e lhe mordeu o lábio.

- Você é o meu diabinho. – os dois riram.

Abraçados e de mãos dadas, caminharam pelos corredores, rindo e conversando animados. Como se nada houvesse mudado na amizade deles. Ainda eram melhores amigos. A única diferença era que algumas vezes, Harry jogava Gina contra a parede, prensava-lhe o corpo com o seu e lhe beijava com paixão.

Gina estava nas nuvens. Era como um passaro a voar sobre o céu e o vento que balançava seus cabelos.

- Harry ágüem pode nos ver. – avisou, enquanto ele beijava-lhe a boca e a mão brincava com a barra de sua blusa.

- Sabia que você esta linda hoje? – ela riu.

- Okay, Casa Nova, pode ir parando por ai. – se afastou – Vamos pro Salão Principal.

Harry pigarreou baixinho por ela ter quebrado o momento, mas de certa forma agradeceu pela interrupção. Pelo menos alguém ali estava pensando com a cabeça de cima.

Sorrindo, abraçou-a por trás, agarrando-a pela cintura, enquanto Gina tinha os braços sobre os seus.

Estavam prestes a virar no corredor quando Naty de mãos dadas com Mia apareceram.

- Ei, aonde vão com tanta pressa? – Gina perguntou com a sobrancelha erguida.

Naty respirou fundo, parecendo tomar fôlego antes de perguntar:

- Gi, você sabe onde esta a May?

- Não.

- E o Draco? – Gina balançou a cabeça.

- Também não. – percebendo a troca de olhares preocupados entre as duas garotas, perguntou num tom firme: - O que está havendo?

Mia abaixou a cabeça, parecendo desolada.

- Os dois estão desaparecidos desde ontem. – ela disse baixinho.

Continua...