Sabe quem sou? – Capítulo 04

Vai! Ouvi pelo rádio do capacete e com isso acelerei em direção a rampa que eles tinham projetado para esse tipo de trabalho.

Com todo esse impulso e a altura, eu conseguia pular direto para terra firme sem eles precisarem parar a lancha que rapidamente fazia a volta e sumia para o mar atrás do seu próximo serviço, afinal aquele era território da máfia e ninguém que carrega uma metraladora de emergência em cada sala quer se meter onde não é chamado.

Eu também fui rápida, iria até Roma com a moto e lá pegaria o avião para a França, mas antes eu tinha um item pendente.

Fui a toda velocidade pela estrada, adorava andar de moto, principalmente com essas personalizadas para corrida. Se meus pais conseguisem imaginar uma imagem minha hoje, com certeza surtariam pela parte da moto sozinha mas se visem o velocímetro cairiam duros no chão, eu era fissurada por velocidade e era muito boa dirigindo isso.

Várias fugas em alta velocídade com você controlando e ainda segurando uma arma de precisão na outra mão fazem você se acostumar com a idéia de que 200km/h em 10 segudos é algo que deve ser usado.

Sentir o vento batendo e ter um capacete com ipod embutido tocando aquelas músicas que dão vontade de acelerar mais são coisas que não tem preço.

Diminuindo a velocidade e me preparando para entrar numa cidadezinha qualquer do caminho, fui até o centro e procurei por uma loja de celulares. Entrei e comprei um chip preparado para ligações internacionais, coloquei no celular que aceita mais de um chip – pois tenho que ficar ligada para os negócios – fui discando os números já decorados de casa.

Outra regra para você se lembrar sempre: Se você se importa com alguém não coloque ele na sua lista de contatos, nunca se sabe quando vão tentar explodir sua casa ou hackear seus meios de comunicação. Claro Mike estava como primeiro na minha lista, quem sabe eu daria sorte e alguém faria o serviço para mim?

Estava chamando e rapidamente foi atendido pela voz da minha mãe…acho que ela fica fazendo plantão quando meu pai não está fazendo…

-Alo?

-Mãe! E ai?

-Como você está….onde, você não vai voltar?! Ela gritava mas antes de eu responder, meu pai deve ter tomado o telefone que eu tive até que afastar para ouvir.

-Isabella!!Está voltando?! Com aquela voz autoritaria e meia raivosa ele perguntava meio desesperado.

Nossa…fazia tempo que eu não ouvia esse nome - eu não o usava mais e ninguem que eu conhecia sabia o meu nome ao certo, para os mercenários eu era a kat capitã, para os mafiosos Mariana, para os Japoneses Yuki - realmente foram só dois meses desde a última vez que eu liguei mas parece que eles ainda não acostumaram com a idéia e já fazem quase 5 anos.

-Calma pai, você sabe que eu não vou fria tentando esconder a mágoa.

-Porque filha? Vo..você está bem né? Pelo menos quando se casar vai contar para nós?

-Claro que estou bem pai!Revirando os olhos e imaginando que se não estivese provalmente estaria com os braços faltando grudados numa tela idiota. E não sei da onde você tirou a idéia que eu fugi com algum namorado…isso é ridiculo!

-Ridiculo é a senhorita sumir sem mais nem menos, você estava quase se formando!

-Pai eu já me formei ok? Essa vida não é para mim, só queria saber se vocês estavam bem…

-Se você pelo menos desse seu número de telefone e talvez seu endereço, poderiamos responder sua pergunta todo dia.

Ata…se eu fizesse isso, além de colocar a cabeça deles e a minha em risco eu iria chegar em casa já com eles me esperando na porta…sem chance!

-Eu não posso fazer isso, me desculpa pai, não fiquem fazendo vigilia no telefone ok? Vocês sabem que eu amo vocês…

-Também te amamos anjo…

-Fala isso para mãe e dá um abraço nela ok?Tchau pai…

Com isso desliguei o telefone e respirei fundo de novo, com certeza um mundo assim é muito para a cabeça deles, eles tem que continuar e me deixarem viver do meu jeito…

Peguei o chip novamente e deixei ele á mão enquanto montava na moto e continuava o caminho para fora da cidade novamente, já mais afastada eu parei de novo joguei o chip no ar e brinquei de tiro ao alvo, destruindo-o, não poderia deixar qualquer vestigio para trás. Mais uma vez acelerei continuando caminho.

Saindo do avião já na França eu ainda estava meia magoada por abandonar aquela moto, ela era muito boa para viajar, mesmo sendo roubada era uma pena ter que deixar ela mas acho que não deixariam eu levar na bagagem…

Eu estava já chegando ao limite, mas agora não precisaria me preocupar, estava segura e só precisaria chegar ao meu apartamento…pena que eu num tinha me tocado que era hora do rush em Paris e chegar perto da torre era impossivel, porque eu tinha que morar quase ao lado? Isso era um sinal, assim que eu acabasse minha facudade aqui eu me mandava de novo para Tóquio.

Sinalizei para um taxi que freio como um louco quase atropelando meia duzia de turistas no caminho e entrei dando o endereço no frances fluente que eu havia adquirido com o tempo nesse lugar, antigamente eu era bem tímida para falar em outras línguas, mas quando eu me mandei para o Japão quando fugi de casa, tive que começar a dar conta e me entrozar na sociedade para conseguir viver um tempo em paz…

Realmente o taxista devia ter sido motorista de fuga na outra vida se bem que ele era turco pelo sutaque, esse povo foge de uma bomba que é uma beleza, ia desviando dos carros cortando de uma pista para outra como sua vida depende-se disso enquanto contava alguma coisa sobre sua esposa e seus cinco filhos tentando puxar conversa. Com ele na direção chegar em casa foi, assustadoramente rápido, principalmente quando ele desviava de uma moto e jogando o carro em cima de dos ônibus.

Pagando a conta e saindo meia tonta ainda do carro, fui em direção ao prédio de 20 andares feito com tijolinhos a vista e detalhes bem ao estilo fraces e entrei no hall dando um alo para o guarda que sempre me cumprimentava como senhorita Alexis e me perguntava como tinha ido de viagem, minha história aqui era a seguinte eu era uma universitária que ganhou muito dinheiro na bolsa de valores e fazia uns bico de vez em quando em algumas empresas de desenvolvimento de software.

Ah!Para constar eu estava terminando minha terceira facudade, a primeira foi de desing de games, um hobby para dizer a verdade mas que dava dinheiro, a segunda foi de engenharia química, se você aprende a fazer bombas com certeza sabe como desativa-las era útil para o trabalho e a última que estava quase no fim era desing de moda – ora!estamos em Paris!O que você estava esperando?

Sai do elevador rezando para não dar de cara com Jake, meu vizinho mauricinho que se achava meu namorado no mundo dele e entrei rapidamente no meu apartamento, passando pela sala bem decorada e indo direto em minha cama sem nem pensar em outra coisa, cai lá mesmo e dormi até anoitinha, eu sempre acabava ficando acordada de noite e sabia que tinha aula daqui a pouco.

Levantei me espriguiçando em direção ao controle do som – eu já disse que eu gosto de tecnologia? Bom então imaginem um som com caixas wireless por toda casa com sua playlist feita na net – gostava de ouvir música, desde das clássicas ao mais metal gritado possivel, pulando a britney e o sertanejo brasileiro, havia de tudo.

Fui para o banheiro jogando antes minha jaqueta e me vendo no espelho do closet, minha regata preta dando contraste as assas da minha tatuagem de fênix que saia pelos meus ombros – outra coisa que mataria meu pai do coração, mas que eu não me arrependia principalmente depois de passar tanto tempo com aquelas agulhas ao estilo tradicional japones manual me furando – parecia que eu tinha vindo da guerra, bom eu estava fedendo á guerra se alguem passase com fogo do lado eu explodiria só com o aroma de polvora que saia de mim…

Tomei um banho, me vesti rápida mas sem perder o estilo – que foi imposto pela minha amiga de facudade louca – botei meus saltos altos e sai com a bolsa e a maleta com os desenhos, pensei em ligar para Alice enquanto ia em direção a garagem mas não seria uma boa idéia, ela iria me arrastar para o shopping provavelmente depois de sairmos e ainda me levar em alguma boate – Peguei minha bmw x6 preta e sai para a facudade.

Alice era uma garota estranha, que de uma hora para outra tinha virado minha amiga da facudade e nunca ficava tentando descobrir nada da minha vida, baixinha com cabelo espetado preto e olhos dourados escondidos por lentes azuis, vivia falando de moda como se sua vida dependese disto e de vez em quando também falava algumas coisas meio desconexas que em algum momento do futuro acabavam acontecendo, isso de certa forma me surpreendia mesmo ela não sabendo nada do meu eu real, parecia que tentava me proteger de vez em quando como se eu fosse frágil e fazia uns pedidos estranhos – como não aceitar a proxima viagem que teria que fazer,ou não me aproximar de Volterra, que pra mim significava serviço – e eu não conseguia não seguir o que ela dizia, quando me olhava com aquele olhar meio desesperado.

- Alexisss! Gritava enquanto vinha como se estivese dando pulinhos de alegria na minha direção e pulando em cima de mim para me abraçar.

-Ali, ai, calma fia! Ela não podia me ver que sempre me esmagava, a garota era forte de tanto carregar sacola de compras!

-Eu tava com tanta saudade! Me conta tudo! Como foi na Austrália? Tinha muito homem bonito?

-Ora o que você acha? O povo lá parece que é tudo bronzeado, se bem que com os nerds daquela firma eu parecia bronzeada também! Contava a minha "história" enquanto caminhavamos para a sala certa.

-Tá bom, você bronzeada seria a coisa mais estranha do mundo...

-Olha quem fala! Olhei para ela de relance, na sua pele de porcelana.

-Um dia nós vamos na praia ainda! Ela deu um sorrizinho estranho. Até parece essa menina sumia quando era de dia ensolarado.

-Ahhh!O que você fez! Me olhou com os olhos arregalados surpreendidos para minha perna e eu vi que a saia tinha levantado um pouco quando eu me sentei na cadeira.

-Eu cai Alice. Dando o meu sorriso criança inocente fragil perfeito olhando para ela que ainda olhava para o ralado da minha perna.

Na verdade eu tinha era me ralado com aquele cabo maldito do helicóptero, mas isso não vem ao caso.

-Necessita de cuidado. Parecia que a ouvi murmurar rapidamente.

-O que alice?

-Ahn? Eu disse você precisa de um namorado! Falando como se saisse de um tranze…

-Já te disse que isso não vem ao caso baixinha? Apertando os olhos tentando desvendar um pouco dessa guria, mas me lembrando que eu mesma não queria deixar ela fazer isso…

-Não sou baixinha! Me mostrando a língua, se arrumando na carteira ela se concentrou no professor que começava a aula de hoje e eu a acompanhei…garota estranha…


Mais um cap ai, mais uma pista jogada, quem sabe o que está por vir?

To adorando as reviews, continuem lendo e dizendo o que estão achando please ^^

Bye bye