Não sou Nobre – Capítulo 15
-Você vai ficar com esse bico o dia inteiro só porque não tá na direção? Ele perguntava com a voz indignada enquanto eu montava novamente minha cara de mal e meu biquinho e fechava a porta. É eu gosto de dirigir e ele simplesmente roubou a minha chave e tomou posse do meu lindo volante da minha bela ferrari…
-Vampiro mala chato…cruzei meus braços novamente e esperei que ele desse chilique e eu usase isso na minha vantagem, era o meu modo de tirar informação.
-Garota abusurda!Eu vi viu? Não é você que fica enfurnado num carro por mais de duas horas! Ele reclamava passando a mão no cabelo bagunçado e acelerando mais. Ok ok eu fui má deixando ele esperar enquanto eu dava uma volta e ia até o banco e olhava as vitrines, mas paciencia é uma virtude!
– Pra onde agora?
-Mercado! Ei Edward! Posso te pergunta uma coisa? Olhei para ele com um sorriso malandro de pena…mas ainda era sorte dele, um humano não aguentaria ficar dentro de um carro no sol por tanto tempo, principalmente ele sendo preto já que absorve mais calor…
-Hm? Ele levantou a sombrancelha e fez uma cara de "lá vem bomba" me olhando pelo canto do olho.
-Quantos anos você tem? E eu fiz a cara mais inocente possivel.
-Dezessete…ele disse sem pensar, não era essa exatamente a pergunta, mas espera um pouco com essa cara de 23? Nossa…eu devo ter a cara muito de criança mesmo, tenho 24 e a cara é de dezessete, o que há de errado no mundo? Me sinto uma papa anjo agora...
-E quanto tempo faz que você tem essa idade? Fui contraindo as sombrancelhas esperando a resposta.
-1918 foi o ano que me tornei isso…ele sussurou com a cara fechada. Nossa quase 111 anos…meu deus, isso explica muita coisa. Com um risinho sem querer da piada interna eu me encostando no banco do carro, vendo que faltava pouco para chegar ao destino.
-O que você tá pensando Bella?
Porque ele nunca deixava passar uma vez as minhas piadas internas? E me olha com tanta curiosidade, me faz querer falar para ele sem mentir e isso vai machucar ele mas vai ser hilário provavelmente.
-Isso explica muita coisa, disse entre risos novamente e voltei a olhar para ele dando um sorrisinho travesso.
-O que por exemplo? E ele espremia seus olhos se virando para mim.
-Não brigue comigo, mas…a sua idade explica porque você reclama como um idoso…
-E depois sou eu que fico com cara de tacho porque não tá dirigindo. Ele retrucou e eu fiz bico de novo e me virei para olhar a janela.
Então finalmente chegamos no mercado e ele mais uma vez teve que parar num estacionamento descoberto e ficar esperando, já até imaginava sua cara de vampiro claustrofóbico se formando, mas me entendam, eu tinha as minhas necessidades humanas sabe?
-O que afinal você vem comprar aqui? Comida não é, já que eu tive que correr pela cidade antes de amanhecer atrás de um mercado 24h…
O modo como ele falou bufando e já se pendurando no meu volante com cara de tédio me fez revirar os olhos e decidir brincar mais um pouquinho com ele…a cara de louco dele era estremamente fofa…
-Vou te deixar pensando nisso já que você não consegue ligar os pontos. Abri a porta e fui saindo e indo em direção ao mercado tentando rebolar um pouquinho, então rodei já bem no sol mandei um beijinho para ele com a mão e soprando – mesmo com o insufilme eu sentia seus olhos sobre mim toda hora e com certeza com isso ele estaria hiperventilando com raiva – e então disse com mais um sorrisinho safado:
-Daqui 3h eu volto baby! Rodei novamente para frente e fui entrando no mercado…ele deveria estar querendo matar alguem agora, mas eu não seria tão má, não quando ele possa ter a idéia de querer matar meu carro…
Fui atrás dos produtos de higiene pessoal no mercado, será que vampiros não tinham suas necessidades não? Ou é porque ele é ingenuo demais ia me perguntando, se bem que ele estava certo sobre a minha cozinha – isso vinha desde casa, eu sempre reclamava para minha mãe que nossa geladeira parecia um deserto gelado.
Peguei tudo o que precisava mas dai antes de ir pagar me lembrei de um pequeno problema. Não tinha dinheiro vivo comigo, só dolares e para pagar só essa pouca quantidade com o cartão iria ser cobrado uma taxa muito alta! Era desperdício e afinal eu era mercenária, quase me matava para conseguir dinheiro, não iria ficar pagando taxa de banco não!
Olhei ao redor, analizando as pessoas, sempre tinha aquelas que passavam uma aura boa e aquelas que davam na cara que se pudessem impinar mais ainda o nariz ele bateria na Lua. Uma coisa que se aprende quando se mora em Roma por um tempo é bater carteira e isso nós diriamos, sempre iria para a conta do papa…que lugar melhor de se hospedar quando você é procurada do que num certo pequeno país? E quem disse que Latin era uma língua morta? Parecia bem viva quando eu negociava com os banbanbans de lá…
Bom, fazia tempo que eu não brincava. Defini quem seria minha vítima, era um homem meia idade de óculos, que estava tentando decidir qual cereal levaria. De longe podia até parecer um trabalhador normal, mas quando se prestava atenção era fácil perceber que era meio esquizofrênico com uns tiques nervosos. Esse tipo sempre fica nervoso quando tem que falar com as pessoas, imagine então esta bela mulher aqui. Fui andando fingindo estar meia distraida, já tinha observado que havia um deck quadrado vazio ao seu lado que provavelmente era usado para colocar as caixas de leite em promoção, derrepente "tropecei" neste deck e cai sobre esse pobre babaca, me pendurando nele e rapidamente me levantando e sorrindo tímida:
-Desculpe…eu…eu tropecei...Dando meu sorriso inocente e olhando diretamente nos olhos dele eu falei, tentando passar a sensação de ser novamente aquela menina desastrada.
-Nã..não…não foi nada se..senhorita. – ele me olhava embasbacado, será que é dificil um você está bem ou ele não consegue gaguejar mais nenhuma frase? Me perguntei.
-Me desculpe novamente…sorri mais um pouco e senti que minhas bochechas deram meu alibi perfeito…estava corada. Me afastei mais do homem e sai com passos apressados em direção aos caixas.
Paguei rapidamente usando o dinheiro da carteira da minha vítima e saí rapidamente e já pegando o celular discando e entrando no carro.
-Você está bem? Ele me perguntou enquanto dava a partida, com os olhos mostrando uma leve preocupação e logo indo em direção as minhas pernas.
-O que? Eu olhei para ele em dúvida enquanto a voz do outro lado do telefone falava e eu abria a carteira roubada novamente e pegava o cartão e o analizava - conta premium olha só! Não é todo dia que eu dava sorte de encontrar alguem quase vip…o esquisito até que deveria ser importante!
-Você se machu…
Eu fui mais rápida cortando ele enquanto respondia o celular e fazia sinal de silencio, o que ele fez um bico e acelerou mais.
-Embry! Você vai gostar desse! Olhei para o cartão e fui passando o número para ele…
Nesse ponto eu já ouvia a ferrari praticamente rugindo, mas era melhor eu não olhar para o velocímetro agora. Peguei o cinto e coloquei sem me dar o trabalho de olhar ao redor ainda conversando.
-Ohhh! Se deu sorte ou foi "mera conscidência"? Ele perguntou com a voz sarcástica.
-O que você acha cowboy?
Bom…ele era um cowboy, de certa forma…ok ele provavelmente não laçava alguém desde os tempos que eu vivi em Vegas – sabe, eles não gostam de trapaceiros em Vegas e ele era pago para "assustar" esses azarados que não sabiam roubar – mas o treinamento para roubar informações que ele fez valeu a pena, mas ele ainda fica provavelmente com chapéu em frente ao pc…
-Se eu te conheço e eu te conheço! Você deu sorte…o dinheiro vai ser depositado na conta fantasma daqui a pouco e de lá eu retiro e deposito no paraiso com uma leve taxinha você sabe né?
-Yep…a única taxa que eu gosto de pagar é a sua se sabe né?
-Yeh…se sabe que eu te amo, mas tem outra ligação esperando para ser hackeada...a gente se fala quando você decidir passar a mão em outro sortudo Lex!
-Ok…desligando.
Desliguei, agora pensando se olhava para a cara dele. Praticamente ele estava matando meu carro de cansaço e o pé dele deveria ter afundado e grudado o acelerador lá no fundo pelo barulho. Mas eu sentia uma certa culpa,não era por ter feito aquilo, aquilo já era comum demais para mim, talvez seja por ter feito isso na frente dele…me pergunto se ele não teria me vigiado por todo esse tempo, acho que não, pois se tivesse feito saberia que eu não sou nobre, antigamente eu até poderia ser, mas as coisas mudaram…será que ele me ve como aquela que eu deixei para trás? Mas porque?
Olhei para ele de canto, ele estava totalmente concentrado em dirigir e não desviava o olhar nenhum momento. Porque ele estava tão nervoso, tão…frustado? O que você me esconde? Porque eu tenho a sensação que tenho que me desculpar com você?
Suspirei voltando-me para frente e me encostei novamente no banco pensando numa forma de chamar a atenção dele para mim, mas de uma forma que ele não me olhe com raiva…ai me lembrei do que ele estava perguntando quando entrei "Você está bem?", era isso…ele deve ter me visto pela mente do cara, ele ficou preocupado? Ele pensou que era verdade? De vez em quando ele parece me conhecer tão bem, mas ao mesmo tempo parece que não…
Sorri internamente de toda essa confusão em que me meti…fazia anos que eu não me sentia feliz assim, todo esse mistério que o envolve me fascina ao mesmo tempo que me trás uma sensação nostáugica de reconhecimento. E novamente já estava trabalhando em um planinho meio maléfico, mas que provavelmente me salvaria de ouvir algum sermão e de ver ele ficar triste quando eu me desculpar.
Fiz cara de dor e gemi puxando o pé que "bati" para meu joelho, apoiando-o e massageando quando senti que a sua atenção finalmente foi atiçada e a velocidade diminuindo até estacionar em algum bairro residencial bonito da cidade, em frente a uma casa qualquer por um momento e vi suas mãos pousando na minha bota já a retirando provavelmente para ver se possuia algum machucado. Essa era minha deixa.
Olhei para ele que se curvava na minha direção, sua cabeça já muito perto da minha e o chamei fazendo olhar de relance para mim. Então, eu roubei um beijo dele, me afastando rapidamente com um sorrisinho enquanto mordia os lábios e sentia meu coração disparar, deixando ele paralisado e vendo seu olhar de confusão quando desviei o olhar para a janela e tagalerei:
-Me desculpa…mas você deveria saber que não sou tão boazinha assim já a algum tempo sabe…
Fiquei desviando o olhar até meu coração começar a se acalmar, então decidi novamente olha-lo e vi que ele me olhava ainda encostado no banco com um sorriso torto no rosto, o que me fez corar e novamente começar a hiperventilar, mas antes de reagir ele novamente me surpreendeu rindo e então me olhando com aqueles olhos dourados escondendo alguma coisa ele disse:
-Bells…E sua mão afagou meu rosto, passando os dedos nas minhas bochechas que provavelmente estavam pegando fogo.
E uma sensação de dejavu tomou conta de mim, ao mesmo tempo que uma vontade de brigar com ele e mandar ele olhar minha identidade e meu passaporte para ver quanto que mudou, que eu não era mais Isabella, eu era outra…outra que sempre mudava. Eu fechei os olhos e suspirei até que senti sua mão fria me abandonando e sua voz de veludo respondendo a minha nova dúvida enquanto ligava o carro.
-Vamos pra casa. Ele dizia sorrindo abertamente para mim e dirigindo pelo entardecer…
E aqui estamos, mais um pouquinho de EdxBella antes de eu acabar com a felicidade de vocês....*muhahahaha risada maligna ligada ao maximo para os curiosos*
De novo mostrando um pouco de onde ela andou e o que aprendeu por ai, mas ainda temos uma família para conhecer....3 vamps ainda não apareceram não é?...hmm XD vamos continuar com o mistério e na proxima provavelmente tem uma pitada de fast and furious pra deixar alguns loucos, além de o fim começar a se aproximar...
Eh isso ai....comentem bastante....talvez eu fiquei emocionada e decida escrever uns 2 caps em 1...ou resolva revelar alguma surpresinha...quem sabe....
UHauhuhaauh....quero soh ver...
Bye ^^
