Xeque-Mate – Capítulo 16
Eu não entendia suas reações, nem os sentimentos que ele parecia sentir por mim, sabia que não era a primeira vez que estavamos juntos assim, mesmo não lembrando, ele parecia estar se acostumando a uma nova realidade e eu descobrindo um passado perdido. Eu me perguntava como eu teria esquecido ele e os outros – ou se ao menos teria conhecido - cada um parecia ter me marcado de formas tão diferentes desde o momento que fui encontrando-os e se encaixaram na minha vida de uma forma pertubadora e defensiva mas ao mesmo tempo acolhedora. Agora eu estava estranhando minhas reações, por mais que eu estivese confusa e surpresa, não estava reagindo de forma racional deixando-os entrarem assim na minha vida sem mais nem menos, mas eu sentia que não poderia pedir para eles pararem. Eu já não queria sair dessa estranha rotina, parecia que tudo acabaria se eles fossem embora. Agora me sentia viva novamente.
Mas tudo não poderia passar de um sonho não é? Desde quando uma pessoa que sonha com liberdade e magia, se transforma em algo perigoso e tenta viver usufruindo seus desejos, tem o direito de ficar?
Ele sempre estava comigo agora, nesses tempos que eu só estava continuando a facudade – driblando Alice e Rose nas compras, evitando acabar dentro de um avião junto com elas e com Emmett pilotando para Shangai - e fazendo o que me desse na cabeça, ele ficava me observando, conversando comigo coisas tolas e normais – o que você achou desse livro? Ou da música tal – parecia tentar conhecer minha mente, em troca das respostas eu tentava conhecer ele também, mas não era bem o que eu esperava, sempre ele conseguia se esquivar e ficavamos nesse jogo sempre que eu cansava dos meus projetos.
Últimamente eu pegara a mania de adormecer conversando com ele deitada no sofa da sala – claro que depois de muitas provocações e olhares estranhos que acabávamos desviando, quando percebíamos que estavamos em silêncio nos encarando, num clima muito suspeito mas nostáugico para mim - ou quando ele decidia tocar no piano e eu ficava ouvindo de olhos fechados – mas toda manhã acordava na minha cama e sentia que ele ficava lá quase todo tempo me observando, a temperatura do lado vazio da cama sempre estava frio como se um anjo de mármore estivese debruçado lá como uma estátua - era estranho alguém aparecer do nada e entrar na sua vida dessa forma já para alguém normal, mas para quem está vivendo num lugar estranho como esse mundo em que me meti é algo perigoso…
Bom eu gosto de adrenalina mesmo…
Edward tinha tomado posse do meu carro novamente, eu já até não ligava tanto era divertido ter um "motorista" particular e ele era uma boa companhia para uma conversa e sempre que não estava irritado por telo deixado esperando ou por ter sido meio abusado por mim – sem pensamentos malignos please – ele me ajudava a fugir daquelas viciadas por compras, não que eu não seja uma longe disso, mas eu estava ficando traumatizada.
-Preciso pegar a correspondência, me deixa na frente do prédio enquanto você estaciona ok?
-Tá…Ele não estava num bom momento agora ainda com um olhar revoltado e negro, ok ok eu sei, não é todo dia que se é assaltada.
E eu entendi a parte que ele disse que poderia ter me matado e que ele não podia fazer nada porque essa cidade – se referindo utilizando palavras muito feias – estava com um Sol bem forte. Mas não tinha acontecido nada, além de eu ter conseguido duas armas novas e mais um bom dinheiro de brinde.
-Você vai ficar raivoso desse jeito o dia inteiro? Perguntei com os braços no banco apoiando minha nuca e tentando parecer não estar nem ai para o que eu tinha feito – Ladrão que rouba ladrão tem mil anos de perdão…eu tenho que aproveitar ora!
-Absurda, você não tem noção não é? Só de lembrar no que ele estava pensando em fazer contigo eu tenho vontade de voltar e… – ele disse com um olhar triste e perdido, que eu vi pelo retrovisor - E eu não podia fazer nada, tinha muita gente por perto que conseguiria ver…eu…eu…
- Calma Edward…não aconteceu nada. Você sabe que eu me viro, não sei porque é tão protetor...e eu tinha uma noção do que ele estava pensando, por isso que eu enfiei ele no porta – mala. Agora anda que eu ainda preciso fazer um trabalho para a facu.
É eu tinha ficado com raiva do caboco me olhando de cima a baixo e passando a mão enquanto "achava" que estava sobre o controle da situação, quando a coisa se reverteu e ele viu que não estava lidando com mais uma dondoca parisiense. Eu fiz ele marchar de volta pelos becos daquele calçadão e ir para onde estava estacionado, pedindo para Edward abrir o porta malas e o mandei se encaixar lá dentro e não dar nenhum pio. Isso não foi nada dificil de fazer quando se ter uma bela arma encostada na sua testa as pessoas costumão obedecer.
Edward tinha ficado em pânico e raiva, mas eu estava fria e parece que me olhar mexeu até com ele - talvez eu esteja virando um monstro no final das contas – disse friamente para ele ir para tal lugar, onde eu sabia era um campo bem ensolarado e o mandei ir para longe e voltar só quando eu ligase, ele reclamou lógico mas eu simplesmente ignorei e mandei ele ir para longe porque eu não queria que ele visse aquilo.
Mas acho que ele não me ouviu afinal…eu torturei bastante aquele pobre coitado, ele tinha me tirado realmente do sério:
" –Então , quem você chamou de putinha gostosa seu panaca? Eu disse chutando-o para frente nas suas costelas e quando ele pensou em revidar se voltando, atirei mas ainda não seria aquele o tiro que o mataria, era só diversão…afinal eu tinha mais duas armas para usar além da que eu já carregava na bolsa e aquela que eu tirei do porta luvas do carro…"
A lembrança disso ainda estava bem fresca na minha mente…não sabia se Edward ficou espiando, ele parecia bem pertubado quando eu entrei no carro, ainda carregando o sorrisinho que eu usei para fazer o serviço bem feito. Talvez o fato estar tudo em chamas tenha dado a ele o que pensar também…ele estava novamente com aquele olhar preocupado, triste que me quebrava o coração.
Quando ele parou o carro eu o olhei uma última vez e vi que ele ainda não me encarava, eu ficava alarmada com isso. Reagindo automáticamente eu fiz exatamente o que ele costumava fazer comigo, segurei seu rosto e o virei para olhar seus olhos rezando para que ele não me evitasse e me taxasse de monstro. Vi a dor no seu olhar negro e isso acabou comigo, eu tinha feito de novo, tinha magoado o anjo vampiro, uma vontade intensa de chorar me abateu – eu estava definhando, estava cada dia mais ao fundo e isso iria acabar com quem ficasse comigo…eu precisava acabar com tudo isso…recomeçar – fechei meus olhos forte, fugindo da escuridão dos seus olhos tristes e beijei sua testa me afastando rápidamente e saindo do carro sem olhar novamente para o seu rosto, eu me sentia culpada, mas ainda era muito egoísta para mandá-lo embora então eu teria que fazer isso rápido antes que a culpa virase medo e eu desistisse:
-A escuridão está me consumindo e eu não quero que você me acompanhe… sussurei, entrando no prédio e sentindo ele partir mas não me deixando olhar para trás para ver sua reação.
Eu estava mortificada, em pânico para saber se ele estaria no meu apartamento quando entrasse ou se nunca mais o veria a esperança parecia ainda me fazer companhia, mas antes de eu tentar pensar positivo novamente eu abri a caixa de correio e vi a última coisa que podia esperar.
Um convite preto com um lacre de parafina vermelha que estava moldada com o símbolo de uma cerejeira num campo de neve e junto dele estava um papel dobrado encaixado, que eu logo retirei e vi a mensagem…Sim o fim estava perto, meu rosto se cobriu com uma máscara sombria e fria – deixando para trás as perguntas sem respostas e os mistérios, não era hora para pensar mais nisso… - enquanto amassava o papel e o jogava indo em direção ao elevador.
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Um papel vôo em direção a saida e foi pego por um alguém que espreitava com um sorriso assasino:
-Sim chefe, ela recebeu o recado. Seus olhos pratiados refletiam o papel pegando fogo em suas mãos e aquelas frases sem sentido desaparecendo em cinzas:
"…Xeque-mate…
2 dias…"
Bem é isso....o começo do fim hohoho...
Bom eu prescisava de uma introduçãozinha para isso e por isso eu deixo o vamp com depressão, mas nada de pânico...eu já to continuando...
Bye bye XD
