*Retirado do filme: "O Justiceiro".
Música: Chris Daughtry – Home
Capítulo 8 – O retorno
Cinco anos tinham se passando desde a última vez que Ginny havia pisado em terras britânicas. Da última vez ela ainda era uma adolescente e precisava fugir das garras de Voldemort para ter pelo menos uma chance.
Ela mereceu a chance que teve e não a desperdiçou um só segundo de seu exílio; treinou com afinco e descobriu novos poderes que estavam adormecidos. Não podia mais adiar seu retorno, estava na hora de voltar e acertar as contas com as Artes das Trevas.
Naquele exato momento, a jovem Weasley estava a bordo de um navio que mais parecia um monte de madeira velha e remendada. Mas era o único que não era fortemente vigiado pelo Império. O único meio de transporte que Voldemort não se importava de vigiar.
Era um meio de transporte inferior demais para os bruxos de verdade, de acordo com qualquer comensal que se preze. Tal navio havia zarpado horas atrás de Îles Chausey na França para aportar em Dover na Inglaterra. Se Ginevra desse sorte, Voldemort não sentiria sua presença antes do esperado e nem mandaria seus capangas atrás dela.
Ginny estava envolta de uma capa negra e simples para lhe proteger do vento gelado e úmido do mar. O capuz estava em sua cabeça fazendo com que cobrisse parte de seu rosto, ela não queria ser reconhecida. Sem contar que estava sozinha na polpa daquele navio mergulhada em um turbilhão de pensamentos e sentimentos.
Parecia que ela emanava uma áurea forte demais para que aqueles pobres coitados pudessem se aproximar dela. Era como se ela fosse uma grande... comensal disfarçada.
Mas ela não estava se importando com o que aqueles refugiados estavam pensando. Preferia assim... ficar sozinha e alheia aos olhares amedrontados.
Estava, também, muito ansiosa para que o navio aportasse logo. O mar fazia o navio sacolejar perigosamente, e isso a deixava extremamente enjoada. Mas antes que pudesse dar qualquer passo, ela tinha que esclarecer a si mesma, certas questões que ainda estavam pendentes em sua mente.
*Primeiro: "Sic vis pacem para bellum."
É latim. Mestre Shun sempre a fazia repetir isso.
"Sic vis pacem para bellum".
"Se você quer paz, prepare-se para a guerra."
Segundo: Ginevra Weasley está morta. De forma figurada, mas morta. Ela morreu com seu amor, Harry.
Terceiro: Em situações extremas, onde a nova lei instaurada era totalmente absurda, certas atitudes deveriam ser tomadas. A fim de compensar tal inadequação, é preciso agir à margem da lei e ir atrás da justiça natural.
Não se trata de vingança. Vingança não é um motivo válido, é uma reação emocional.
Não, não é vingança. Isto Yan Shun, seu saudoso mestre Shaolin, lhe havia ensinado.
Ela estava acima de tal emoção. O que ela buscava é a tão almejada justiça. A antiga Ginevra Weasley está morta. O estereotipo poderia até ser de uma Weasley. Cabelos ruivos, algumas sardas e um olhar chocolate. Mas em seu interior ela tinha renascido como uma verdadeira guerreira.
Ginevra estava disposta a guiar os rebeldes a uma guerra sem precedentes contra Voldemort, o Lorde das Trevas. Ela tinha feito uma promessa tanto para Harry quanto para Yan... custe o que custasse faria tudo voltar ao normal, mesmo que lhe custasse sua própria vida.
Afinal, com Harry morto, não havia mais ninguém a altura de Voldemort que pudesse lutar contra ele como um igual. Mas ela estava disposta a tentar. Afinal... Voldemort, mesmo que de uma forma doentia, fazia de tudo para conquistá-la... para que ela ficasse ao seu lado. E isso poderia servir de vantagem a seu favor.
Ela olhou para os lados discretamente e percebeu que os tripulantes estavam nos cantos, quietos e com um olhar assustado. Certamente que não seria reconhecida por aquelas pessoas. Elas estavam mais preocupadas com o que fazer assim que chegassem a Inglaterra, e não com ela. Por enquanto Ginevra estaria protegida. Com essa falsa proteção, ela apoiou as mãos e respirou fundo fechando os olhos. Estava certa do que devia fazer a algumas horas atrás... mas agora o medo começou a assombrá-la.
Ginny queria saber como iria ser recebida por seus amigos e pelos seus familiares. Por aqueles que ela fizera questão de abandonar, sem qualquer tipo de despedida. Tinha medo de ser rejeitada pelos seus entes mais queridos. Mas a fuga fora por uma boa causa... ela tinha certeza disso. Era uma difícil escolha entre ficar em casa e enlouquecer ou fugir e tentar sobreviver. E ela fizera sua escolha.
A sua linha de pensamento foi interrompida. Ginevra pegou secretamente a varinha ao pressentir que alguém se aproximava em passos lentos e suaves. Ela estava preparada para um possível ataque daquele intruso, mas ao invés disso a pessoa parou às suas costas.
Ela se virou e viu como era aquele tripulante. Havia algo familiar naquele rapaz. Ele tinha os olhos amendoados, a pele era levemente queimada pelo sol, cabelos acastanhados, alto e de porte atlético. Ginny estava preparada para atacar quando aquele rapaz falou sussurrante:
- Senhora, aportaremos em poucos minutos.
Não largou a varinha.
- Ainda bem. – suspirou nauseada. Não via a hora de pisar em terra firme.
- Senhora... – o rapaz abaixou mais ainda o tom de voz. – ainda tem mais.
Ginevra ergueu a sobrancelha para o rapaz que permanecia parado a sua frente. Estava pressentindo que esse "mais" não era uma boa notícia.
- Mais? – repetiu com sua voz estava perfeitamente modificada, fazia parte de seu disfarce, mas seus cabelos e olhos ambos anteriormente negros, já estavam voltando ao normal.
- Sim... Estamos alertando a todos os passageiros que Rodolphus Lestrange está verificando todos que chegam ao porto de Dover. Parece que está a procura de alguém, fique atenta e... – ao se aproximar de Ginny o jovem rapaz falou ainda mais baixo e enfático – tome cuidado! Não se exponha desnecessariamente... ele não é seu amigo.
A ruiva franziu o cenho, o que ele estava querendo dizer? Era a primeira vez que via aquele marinheiro! Por que ela não deveria se expôr desnecessariamente?
– O que você quer dizer... – mas antes que pudesse terminar o rapaz lhe deu as costas e saiu, indo em direção aos outros passageiros.
Ginny voltou a observar o mar. Repentinamente sentiu aquele característico embrulho no estômago. Viagens a barco lhe causavam tal efeito e ainda tinha todo o disfarce que lhe estava sugando todas as suas energias para mantê-lo. Mas estava difícil segurar e o efeito da transformação estava passando. Sua magia estava se esgotando com tamanho esforço, e não poderia ficar transfigurada por mais tempo.
Teria que se apressar, assim que saísse do navio. Não podia se arriscar, não queria estragar a surpresa. Voldemort teria um ataque do coração ao saber que ela estava de volta. Deu um sorriso enviesado, cheio de ironia.
"Sim, cuidarei pessoalmente que aquele desgraçado morra."
Com Harry morto, sabia que não tinha muitas possibilidades de Voldemort cair. Mas Yan, antes de morrer de forma tão cruel nas mãos de Rodolphus, lhe ensinara uma magia muito antiga. Magia que nunca sonhara que pudesse existir na sua adolescência, quando seus olhos ainda estavam vendados pela ignorância. Tal magia teria que ser suficiente para machucar profundamente o Lorde das Trevas, e se o mantivesse forte o suficiente e se persistisse nos ataques, poderia existir uma chance dele ser vencido.
Ginny voltou a observar o mar. Um comensal tão importante quanto Rodolphus fazendo a vistoria no cais só significava uma coisa, alguém tinha dado com a língua nos dentes. A sua ida tinha que acontecer na clandestinidade e não sendo noticiada para Voldemort.
Socou a borda do navio, chamando a atenção de alguns bruxos assustados. Mordeu a boca, tentando aliviar a tensão. Tentava a qualquer preço relaxar e deixar o sentimentalismo de lado para que nada desse errado. Respirou profundamente para assim encontrar a paz e a frieza. Tinha que encontrar dentro de si o controle para dominar o animal que queria aflorar.
Em meio de seus pensamentos, Ginevra sentiu um leve arrepio na espinha quando o navio atracou no porto. Eram as primeiras horas da manhã, o céu ainda estava nublado e o calor do sol parecia não existir nas terras britânicas. Olhou em volta e os passageiros, que não passavam mais do que sombras em meio à serração, já faziam fila para desembarcarem. Deu um leve sorriso.
"Enfim estou em casa novamente." - Apertou a capa e puxou mais para baixo o capuz. Era agora ou nunca. Se fizesse qualquer coisa errada... Se desse um passo em falso poderia acontecer um confronto totalmente desnecessário no meio de tanta gente inocente e amedrontada. Causando mortes ou coisa pior.
Ginny andava lentamente no meio da multidão. Inconscientemente uma curiosidade não lhe deixava em paz. Como será que Rodolphus estava? Tanto tempo que não tinha noticias de ninguém.
Pode notar ao longe o comensal, alto, forte, e grisalho. Este verificava com a varinha todos que saiam do navio. Ginny continuou andando junto com os outros do navio. Estava chegando próxima ao comensal responsável pela batida. Sentiu um aperto no coração.
Balançou a cabeça, mesmo tendo cuidado bem dela enquanto esteve presa, ele ainda era um comensal. Rodolphus não era seu amigo, ele apenas seguiu as ordens de Voldemort para cuidá-la. E sem contar que comensais não mereciam compaixão. Não era assim que eles agiam? Mas dessa vez teria que ser forte e tentar passar despercebida. Voldemort, com certeza, sabia ser baixo.
Ginny rapidamente mudou a sua fisionomia mais uma vez e tirou, sorrateiramente, a sua varinha do bolso da capa. Não podia ser pega. Desviou do homem e foi em direção ao outro comensal que o ajudava a verificar a identidade de todos os passageiros. Ele era perfeito; era novo e aparentava ser totalmente idiota.
Duas enormes grades cercavam magicamente todo o porto, não tinha como sair dali sem passar pelos comensais. Eles verificavam minuciosamente as varinhas e as identidades dos passageiros. Isso só confirmava que a sua ida por navio havia sido descoberta.
Eles nunca ligaram para os bruxos que chegavam a Londres por navio. Aquilo era sinônimo de pobreza, imundice, só os bruxos da ralé viajavam daquela forma. E para dois comensais estarem ali verificando todos os passageiros só confirmava suas suspeitas.
Quando chegou a vez de Ginny, o jovem comensal pegou a identidade roubada, a varinha falsa e a olhou com desconfiança. Com um toque de sua varinha ele pode atestar a autenticidade do documento. Parecia tudo normal, até agora. Com sua voz de rato perguntou:
- Nome e o interesse para vir à capital do Império?
Ginny segurou o riso. Coitado, estava tão inseguro.
- Annie Marie Moore. Vim a trabalho.
- Qual tipo de trabalho é o seu? - continuou o jovem rapaz girando a varinha entre os dedos, verificando-a.
- Transferência de Gringotes.
O jovem comensal olhou para Rodolphus e isso chamou a atenção dele. Vendo que o jovem queria alguma coisa, berrou:
- O que foi Cleosh?
- Essa jovem veio a trabalho. – continuou o rapaz. A hora era propícia para acabar com a memória daquele imbecil – Ela disse que é transferência de Gringotes. Posso liberar?
- Transferência? Não sabia que o velho Sparks tinha pedido que transferisse alguém! – retrucou na mesma altura. – Está tudo ok com a identidade?
- Aparentemente, mas não tenho certeza.
- E a marca? – gritou Rodolphus em resposta, enquanto verificava outro passageiro do navio.
- É mesmo. – respondeu Cleosh debilmente.
- Então larga de ser imbecil e vê se ela tem a marca de cidadã!
Ginevra teve que se segurar ao máximo ao ouvir aquilo. Até Rodolphus o chamou de imbecil... e ela achando que aquela opinião era só dela. Mas se era uma marca de cidadã que eles queriam, ela, com certeza, providenciaria tal tatuagem.
- Você ouviu senhorita... - disse o comensal para Ginny - tem a marca da cidadania?
- O que você acha, bonitão? - desabotoou os dois primeiros botões do casaco e puxou para o lado, mostrando uma marca bem acima de seu enorme seio esquerdo. Pode notar que o comensal engoliu em seco. A hora era perfeita para acabar com a memória daquele inútil - estou liberada? Estou tão cansada.
Ginny apontou discretamente a sua verdadeira varinha para o jovem comensal e executou o feitiço da memória. O comensal ficou com o olhar vago e sonhador. Típico de quem recebe aquele feitiço.
Ginny guardou a varinha novamente em um bolso do casaco. Ela precisava de tempo para poder chegar em Hogsmeade. E agora não era um bom momento para revelações repentinas.
- Então? – chamou a atenção do rapaz. – posso ir?
- Pode... pode sim. - respondeu em seco e vago. O feitiço tinha dado certo. O jovem comensal devolveu-lhe a identidade e a varinha falsa.
Ginny deu um sorriso vitorioso e continuou a andar, mas aquela necessidade de ver mais de perto Rodolphus estava a corroendo. Ela olhou de relance para trás e seus olhos encararam Rodolphus por segundos. Prendeu a respiração. Abaixou o olhar e se repreendendo caminhou apressadamente para a multidão.
Mas era tarde. Rodolphus com toda sua experiência de comensal, podia sentir que tinha algo de errado com aquela mulher exuberante. Convocou outro comensal que estava de guarda a alguns metros dele para que ficasse em seu lugar e se pôs a segui-la.
§ (#.#) §
Rodolphus olhava a todos que desciam daquele navio. A informação, paga a peso de ouro, era clara que Ginevra Weasley estaria a bordo do navio que zarpara de Îles Chausey.
Ele sabia que Voldemort estava ansioso por sua ruiva e faria de tudo para tê-la como sua esposa. Se aquela garota soubesse como levar o Lorde... mas não! Ela preferia ficar fugindo de seu destino e quem sofria com isso eram todos os comensais que viviam para servi-lo.
Rodolphus voltou a observar o navio. Quase todos haviam descido e nada de Ginevra. Será que a informação era uma grande furada? Não! Ele sabia que ela estava entre aqueles inúteis. Mas ele não conseguia encontrá-la.
Foi só então que a sua atenção foi para aquela moça que o Cleosh estava vistoriando. Tão vistosa e exuberante com longos cabelos negros escapando do capuz. Ah se fosse 10 anos mais novo. Sacudiu a cabeça, estava muito bem do jeito que estava, não queria arrumar mais problemas para sua cabeça. Já bastava ter uma amante em sua vida. Não precisava de outra! E sua "esposa" Bellatrix já lhe dava trabalho demais.
Depois que a moça foi liberada, ela o olhou nos olhos. Aquele olhar... a intensidade como ela olhou. A cor dos olhos dela eram negros, mas podia notar manchas castanhas se formando em sua íris. Transfiguração é claro! A forma que ela o olhava só uma pessoa o olhou em toda sua vida. Era ela!
Ginevra tinha conseguido passar por ele. Mas não por muito tempo. Ele começou a segui-la, mas a garota esperta como era, percebeu e acelerou o passo. Ela estava mudada. Isso Rodolphus não duvidava, mas ele tinha certeza que era ela. Ginevra tinha se transfigurado. Se a filha de Lucius fora capaz disso, Ginny também poderia fazer a mesma coisa. Ele começou a correr para poder pegar a jovem.
Ele tinha certeza que com o retorno da Lady, seu Lorde se sentiria completo. O que iria beneficiar a todos que o rodeavam. Agora era só alcançá-la e verificar se era ela realmente.
Vendo que a mulher apertava mais o passo, empunhou a varinha e gritou:
- Ginevra Weasley, pare! Ninguém se mexe ou sofrerão as conseqüências.
§ (#.#) §
Ginny acelerava seus passos para poder fugir. Não era hora e nem local de confronto... havia gente demais e não sabia se tinha sangue frio o suficiente para poder enfrentar Rodolphus. Como ela poderia ser tão obtusa a ponto de encará-lo?! Mas agora era tarde. Ginny pressentiu que já era hora de correr e foi exatamente que fez.
No meio da perseguição, Ginny pôde ouvir a voz grave de Rodolphus em seu encalço. Ela tinha que chegar a qualquer custo à Hogsmeade. Esse fora o pedido de Yan e Abbas Hakim, seu mentor Qadarf.
Ambos haviam feito de tudo para poder dar a ela meios de lutar, lhe ensinaram formas de defesa e principalmente meios de fuga daquele monstro obcecado por seus poderes. E ela estava estragando tudo.
- Ginevra Weasley, pare! Ninguém se mexe ou sofrerão as conseqüências. - foi a ordem que Rodolphus berrou, mas ela não estava nem aí para a ordem dele. Se ela parasse ia direto para cama de Voldemort e isso, nunca.
Ok, ela sofrer as conseqüências? Como se Rodolphus tivesse coragem de atacá-la ou algo do gênero. Sua vontade era de gargalhar, se ele tocasse em um fio de cabelo seu Voldemort ficaria louco, isso ela tinha certeza.
- Pare já. Milady! – como o esperado, a ruiva correu mais ainda. - Petrificus Totalus. – O feitiço passou longe da garota, acertando em cheio um senhor que tentava se proteger do ataque. O caos se instalou no porto; todos começaram a correr para todos os lados. Rodolphus se esquivava como podia com a sua varinha, mas era óbvio que a ruiva sabia se esquivar melhor que ele.
- Merda! Ginny pare! - gritou sem sucesso.
Voltou a correr atrás dela, ela não escaparia dessa vez. Estava perto demais para perdê-la. Vislumbrou a sua frente a tão conhecida capa negra. Estava perto, muito perto. Esticou-se para alcançá-la e agarrou com força seu pulso. Agarrou-a com toda sua força e a puxou para trás.
- Milady! – respirou aliviado, puxava o ar com força. Seus pulmões doíam. - o Lorde vai...
Mas o que viu não era exatamente o que queria ver. Ao puxar o capuz revelou que quem estava lá não era Ginny, mas sim uma velha desdentada de cabelos empastados pela sujeira, completamente enrugada e cheirava fortemente à xerez barato. Rodolphus fez uma cara de repugno. Ele a sacudiu fortemente e a derrubou no chão. Aquilo não era nem de longe a sua lady.
- Sai da minha frente, velha nojenta! – sentiu uma pontada do lado esquerdo da barriga. Estava ficando velho para correr daquele jeito. – Voldemort não me paga o bastante para isso. – resmungou com as mãos nos joelhos.
Procurava com os olhos, desesperado por Ginny. Se ela fugisse, seria o seu atestado de incompetência. Juntou todo seu fôlego e voltou a correr, mais a frente avistou um beco. Seguiu por ele, e visualizou Ginny não muito distante, encostada a parede descansando. Parecia que ela também não estava no auge do seu físico.
O capuz da garota agora jogado para trás revelavam belos cachos muito vermelhos que iam até a cintura. Rodolphus percorreu o olhar pelo rosto da garota, agora mais magro e com muito menos sardas salpicadas por sua pele. Mas, estava bem mais bonita que a última vez que a viu. A menina-moça que ele conheceu deu lugar a uma mulher exuberante.
Deu um leve sorriso para ela; Ginny não precisou olhar para o lado, sentiu fortemente a presença de Rodolphus. Era como se perto de comensais a sua própria Marca negra tomasse vida e começasse a lhe atormentar lhe fazendo reviver todas as lembranças de quando esteve junto de Voldemort e seus seguidores no castelo.
Mas não poderia dar a mínima chance para o velho conhecido, tinha uma missão a cumprir, e ninguém lhe impediria de cumprir. Sem que Rodolphus pudesse se preparar a garota voltou a correr, muito mais veloz que antes. Céus, pensou Rodolphus, não teria fôlego suficiente para acompanhá-la. O homem tentou aparatar a frente da bruxa fujona, mas no meio do giro se lembrou que o local era protegido por feitiços extremamente fortes contra aparatação.
Não vendo outra solução, Rodolphus tentou correr atrás. Tinha que tentar capturá-la para o seu Lorde. Antes que pudesse ao menos chegar perto, a jovem Weasley correu para a cerca de arame que separava o porto de uma pequena floresta. Viu com terror a ruiva pular a cerca com muita destreza. A garota olhou para trás com um meio sorriso e rodopiou, aparatando. De alguma forma ela sabia que a marca negra lhe proporcionava poderosas vantagens, sem restrições. Ginny tinha a sua magia em suas mãos.
Não muito longe, o homem que comunicara a Ginny, no navio, que havia comensais no porto, observava desde a corrida desesperada de Ginny, até a sua aparatação. Finalmente Ginny percebeu que Rodolphus não passava de um assassino frio e calculista, pensou o homem. Vendo que a ruiva tinha conseguido fugir mais uma vez, o homem misterioso deu meia volta sumindo nas sombras do beco em que estava.
- O Lorde vai me matar quando souber que a deixei escapar. - passou a mão na testa suada com claros sinais de preocupação - por outro lado... - olhou para trás e viu Cleosh se jogar contra a parede e deslizar por ela. O rapaz demonstrava mais cansaço que o próprio Rodolphus. - Cleosh? – Rodolphus gritou para o comensal que estava a poucos metros dele. O jovem levantou num pulo e foi rapidamente ao encontro de seu superior. Ele tinha certeza que algo tinha dado de errado e que Rodolphus queria explicações sobre o ocorrido.
- Preciso saber exatamente cada palavra que a Lady das Trevas lhe dirigiu. E principalmente, qual o nome que ela te deu? – disse direto.
-Lady das Trevas? – o comensal arregalou os olhos. – Ela esteve aqui? Onde? Quando? Merlin, perdi isso!!
- Sou eu que faço as perguntas aqui, seu imbecil da pior classe. – disse Rodolphus venenoso – E sim você a perdeu, sua ameba! Perdeu, como se perde areia que já está entre as mãos, idiota. Será que pelo menos o nome daquela moça peituda você tem a gentileza de lembrar?
- Oh, sim, claro. –coçou a cabeça pensativo. – Moça peituda? – disse vago e sonhador.
- A que te mostrou um pedaço do seio esquerdo. – retrucou Rodolphus enfadonho.
- Seio esquerdo? Uma mulher me mostrou o seio esquerdo? Quando?! – Cleosh estava espantado com aquela informação – Oh Merlin, não estou bem mesmo. Seio esquerdo... Seio esquerdo... - franziu o cenho tentando pensar no tal seio esquerdo. Estava ferrado.
- Ela apagou a sua memória. – disse mais para si do que para o jovem comensal. – Claro, Ginevra recebeu todo o treinamento necessário nessas viagens. - Virando-se para o jovem disse - tenha em mente Cleosh que Milorde tirará essa informação a força e não vai sobrar muita coisa de você. Agora vamos para a fortaleza. Essa blitz perdeu o sentido. Porque você, Cleosh perdeu a milady. – frisou que ele tinha perdido Ginevra.
- Eu perdi a Lady? O Merlin, eu não me lembro. Estou tão ferrado, merda. - Cleosh tremia na base só de imaginar o que estaria por vir. Voldemort estava tão estressado ultimamente, e agora essa história dele ter deixado a lady passar despercebido. Fungou. Já era um homem morto. Uma luz apareceu no fim do túnel. – Espere um instante, senhor. A Lady não era aquela mulher que o senhor estava correndo atrás?
Rodolphus apenas concordou com a cabeça.
- Mas então, não era o Senhor que a estava perseguindo? Então no fim das contas você a perdeu! – concluiu como se fosse a coisa mais óbvia do mundo. Rodolphus deu um sorriso maldoso e ergueu as sobrancelhas.
- Nós sabemos disso, mas o Lorde não. – agarrou o braço do subordinado e aparataram.
§ (#.#) §
Ginny desaparatou perto de Hogsmeade. Despencou como uma fruta madura no chão. Aquela aparatação fora apenas um teste para ver se poderia ou não usar a sua magia. Ela fora pega de surpresa com aquela boa noticia.
Agora estava estatelada no chão, como uma fruta podre. Mas era melhor estar caída no chão e viva, do que caída em uma cama macia ao lado de Voldemort.
Depois dessa boa noticia foi que percebeu o risco que correu. Foi por muito pouco... ela não deveria ter corrido tamanho risco. Mas agora era tarde. Tinha feito a burrada e naquele momento Voldemort já tinha sido informado sobre o seu retorno. Mas o que acalentava Ginny, era que tinha fugido das garras dele mais uma vez.
Começou a gargalhar sozinha. Sua felicidade era pura adrenalina, seu coração palpitava descompassado. Nossa, não conseguia explicar o misto de felicidade e ansiedade por estar de volta a sua terra natal. Agora teria que procurar por Neville, mantivera contato com o amigo durante os cinco anos que ficou fora. Sabia que ele estava morando em Hogsmeade com Luna.
Apoiou-se nos cotovelos e teve uma bela vista da cidade. Esta estava fortemente vigiada pelos abutres de Voldemort. Mas dessa vez não estava tão preocupada. A sua preocupação estava naquela bruma que rodeava a cidade. Não se lembrava que tipo de magia era aquela. Não tinha outra escolha, senão investigá-la.
Fechou os olhos, e por um segundo sentiu-se tragada por suas lembranças. Foi direto para o último dia que esteve entre os Qadarf, onde o patriarca dos Qadarf lhe entregou uma carta. Foi o último dia de plena paz que teve nesses últimos dois meses.
"Ela estava vestida com roupas de uma verdadeira guerreira Qadarf e Abbas Hakim a chamou em sua tenda. Ela entrou o mais respeitosamente possível, até por que o patriarca tinha a triste mania de criticá-la e os dois viviam brigando. Ele estava sentado no fundo da barraca e a observava calado. A ruiva sustentou o silêncio por segundos, mas não suportava ficar calada.
- O senhor mandou me chamar?
- Sim, Ginevra
- O que eu fiz dessa vez? – questionou na defensiva.
- Por enquanto, nada. – sua voz era tão serena. Ginny se perguntava como ele podia oscilar tanto de humor.
- Não?
- Não. Você será enviada para casa. Tudo que eu pude te ensinar, eu te ensinei. Mas saiba que nem tudo que eu sei você sabe.
- Nem sei o que dizer. – estava realmente surpresa. Não pensou que estivesse pronta para partir. Não tão cedo. Era mais cômodo viver entre os guerreiros Qadarf do que voltar para casa e encarar tudo o que deixou para trás. - Estou feliz em saber que verei meus parentes, mas...
- Está apreensiva... - completou mais uma vez a frase da ruiva. Esse era um péssimo hábito que ele tinha, o qual a garota detestava. - Eu sei que está dividida entre a obrigação que tomou para si e o amor que sente por aqueles que a espera.
- É.
- Saiba que terá gente minha para lhe ajudar em tempos difíceis
-Já fui informada.
- Ótimo, agora vamos ao verdadeiro motivo dessa reunião. Essa carta é para você minha jovem. – disse tirando da capa uma carta branco-perolado.
- Carta? Do que se trata? - disse meio desconfiada do teor da carta
- Não sei, não está endereçada a mim. E como bem sabe, não costumo meter o nariz em correspondências alheias. – o velho alfinetou. - Mas o que eu sei é que vem de mais um povo que quer ver Voldemort morto. A única instrução que pediram para te dar é para abrir somente quando chegar a Hogsmeade..."
E agora ela estava lá.
Levantou do chão, bateu nas vestes retirando a poeira e se agachou recolhendo sua bolsa que estava jogada a alguns centímetros de distância. Vasculhou-a procurando a tal carta; estava bem guardada em um fundo falso de sua bolsa. O branco perolado da carta emanava um brilho pálido e frio em suas mãos.
"Ok cartinha, aqui está você", pensou Ginny olhando para tal carta. Olhou para os lados com a carta nas mãos, ali não seria seguro para ficar e ler. Deu as costas à bruma e entrou na pequena floresta que restara ao lado da cidade.
Sentiu-se segura ao meio das arvores, e ao abri-la um fino pó perolado e gélido saiu de dentro dela. O pó rodeou seu corpo e desapareceu. O papel parecia uma seda de tão delicada e a escrita era fina e floreada, de um azul pálido. Nela havia duas frases.
"É preciso limpar o coração da bruma das trevas"
Ginny leu aquela frase. Deu vontade de bater em quem escreveu aquilo. Até parece que seria fácil se limpar das trevas que Voldemort havia lhe enfiado. Respirando fundo voltou a ler a carta e na outra dizia
"Use a opala dada de bom coração"
Finalmente algo compreensível para ela. A tal opala só poderia ser aquela presenteada por Harry e que sofreu junto com ela todo tipo de humilhação. Ginny largou a carta no chão e automaticamente pegou a opala que ainda estava em seu pescoço. Prensou-a entre suas mãos. Um frio invadiu seu corpo e sua alma tão vertiginosamente que ela achou que seria congelada. Mas da mesma forma que tinha esfriado, esquentara rapidamente.
Soltou um leve sorriso; aquele calor lhe transmitia esperança. Desde a morte de Harry nunca se sentira assim, tão calma. Aquele presente era um presente de Deus, isso sim. A única coisa que a deixava assim, com uma sensação de paz de espírito.
Quando voltou a olhar a cidade, a bruma havia desaparecido e uma parede transparente havia dado lugar. Piscou várias vezes sem entender, se agachou para pegar a carta, mas não a encontrou, esta havia se transformado em água e de água, virou vapor. Ginevra entendeu que a carta já tinha cumprido o seu dever. Agora era só esperar anoitecer, não queria ser vista por ninguém antes de falar com Neville e se interar sobre todos os acontecimentos; e então poderia entrar para o único lugar que poderia chamar de lar.
Ginny tamborilava os dedos impacientemente em uma árvore, esperando o anoitecer. As horas não passavam, estava tão ansiosa para rever os amigos e tão temerosa ao mesmo tempo. E se tivesse sorte, Rony e Hermione também estariam por lá. Sentia tanta falta deles.
Tudo culpa de Voldemort. Sempre estragando sua vida. Mas mesmo sentindo raiva de Voldemort, havia uma parte ínfima que ansiava por seus toques. Mesmo com cinco anos tentando se fechar contra ele, Voldemort era uma pessoa importante em sua vida... ele e...
Draco.
Trincou os dentes. Como ousava pensar nele... Neles! Os dois eram desprezíveis! Um maluco para dominar o mundo e outro maluco o bastante para seguir outro maluco. Arfou, ainda podia sentir os toques selvagens de Voldemort e o beijo de Draco não saía de sua cabeça. Perguntava-se como será que eles estavam agora.
Ginny parou para pensar direito. Se xingou por ter pensado naqueles dois. Ela estava furiosa por pensar assim. Deveria esquecê-los... deveria olhá-los só como inimigos. Mas não... ela pensava neles com desejo... com carinho. Querendo ou não, foi Tom o seu melhor amigo aos seus 11 anos... foi Tom o seu ombro para ouvir as suas frustrações... o seu amor... e Draco? Foi ele que a salvou de um final terrível, levando-a sã e salva até o castelo.
Onde estava com a cabeça, pensar em dois ao mesmo tempo. Estaria louca por gostar de dois homens ao mesmo tempo? Não! Isso já estava passando de todos os limites de sua sanidade. Gostar de um monstro e um monstrinho? Oh não. O melhor a fazer era apagar aqueles dois de vez de sua cabeça. Sim, estava ali por outros motivos. Afinal, devia isso a Harry. Ele sim... era o seu verdadeiro e ÚNICO amor. E ponto final.
Ginevra mirou o estranho relógio presenteado por Shun, ainda era cedo; dava tempo para um cochilo. Ela precisava de um descanso. Foi se embrenhando na mata e viu o que estava procurando. Uma gruta muito bem protegida e imaculada aos olhos de seus inimigos.
Ela entrou e verificou o perímetro com destreza antes de arrumar um colchonete de viajem que ganhou do povo do deserto e guarneceu ainda mais as proteções naquela gruta. Depois de verificar pela terceira vez todas as proteções que ela instalara, se permitiu deitar e tentar descansar. Ainda se sentia nauseada e fraca pela viagem, as transfigurações e a aparatação que praticou.
§ (#.#) §
Rodolphus, junto com Cleosh, aparatam na fortaleza. O jovem rapaz tremia nas bases. Ninguém acreditaria que a culpa da fuga da Lady era de Rodolphus, até porque a palavra de um reles soldadinho nunca valeria a mesma coisa que de um conselheiro do Lord. E sem contar que ele tinha a plena consciência que devia ser mais atento. Ela passou por sua revista e mesmo assim a deixou escapar. Rodolphus andava decidido nos corredores.
Chegando ao salão de reuniões, Rodolphus percebeu que o Lorde estava em reunião com os irmãos Malfoy, mas não se fez de rogado, afinal, a porta estava aberta, sinal de que não era nada tão importante para não serem interrompidos.
Se ele achava que o Lorde poderia estar nervoso, vendo Kalena no salão, ele tinha certeza. Aquela garota tinha o dom de enfurecer o Lorde ao extremo. Ao ver Rodolphus entrar no salão, Voldemort silenciou Kalena imediatamente. A sua ansiedade era maior que ele. Se segurando, ele virou friamente para Rodolphus e disse:
- Onde está Ginevra?
Ao ouvir aquelas três palavras, Draco ficou todo alvoroçado. Será que Ginny já estava nos aposentos do Lorde se aprontando para ter a primeira noite como Lady? Ou será que ela conseguiu fugir novamente?
Ele tentava, desesperadamente, disfarçar sua curiosidade. Mas Kalena, esperta como sempre, notou o estado do irmão; soltou um discreto sorriso. Os dois jovens esperavam pela resposta de Rodolphus.
- Tenho boas e más noticias, senhor. - começou Rodolphus.
- É bom começar pelas boas, Rodolphus. O Lorde está com o humor do cão. - disse Kalena, já se intrometendo. Estava se divertindo demais com a falsa calma de Voldemort.
- Quando eu quiser alguém para falar por mim pedirei a Bella. – disse Voldemort curto e grosso. Não estava com paciência para as alfinetadas daquela fedelha.
- Como quiser Milorde. - mas havia um tom de deboche na fala de Kalena.
- Como Kalena falou, me conte a boa notícia - disse Voldemort observando atentamente Rodolphus.
- Ela está de volta. Nós a vimos há pouco. - Rodolphus lançou um olhar pesaroso para o rapaz a seu lado. Coitado, estava perdido. Mas antes o Cleosh do que ele na mira da varinha do Lorde.
- E onde a minha noiva está? - Voldemort levantou-se rapidamente.
- Ela... - respirou fundo, se preparando para a explosão que logo viria. - não sabemos, ela enganou Cleosh com uma identidade falsa e fugiu.
- Cleosh? Quem é Cleosh? – perguntou venenoso.
- Sou... Sou eu Milorde – balbuciou o jovem.
- Então você é o Cleosh?! – disse Voldemort com certo "ar" assassino.
- Sim... mas... mas... não fui eu que a...
- O que ela falou para você? – Voldemort sabia que estava com a sua raiva em níveis críticos e alguém sofreria retaliações por isso.
- Eu...eu... Milorde, me perdoe. - se ajoelhou perante Voldemort. - não... não me lembro senhor. Não me lembro de nada.
- Vejo que além do veneno que ela ganhou de mim, a minha noiva aprendeu a usá-lo. –Voldemort foi em direção do Cleosh, já prostrado.
- Sim Milorde... eu peço a sua misericórdia. Eu não me lembro de nada, mas os... os meus próximos serviços serão melhores feitos...
- Você não se lembra, - o bruxo o cortou e continuou. - mas vai se lembrar... - estava perto do jovem já com a sua varinha e então disse calmamente - crucius.
O jovem se contorceu e berrou implorando perdão. Kalena fechou os olhos fortemente e tapou os ouvidos. Não suportava presenciar torturas, resolveu sair antes que vomitasse. Draco olhava para aquela cena como se tivesse hipnotizado. Ela olhou para Draco com intuito de tirá-lo de lá, mas parecia que seu irmão estava pregado no lugar.
Vendo que estava sozinha, Kalena começou a sair discretamente, como se fosse uma felina. Voldemort continuava a torturar aquele pobre coitado, impassível a tentativa de fuga de Kalena. Voldemort parou a maldição, e olhou fixamente nos olhos do jovem.
- Olhe para mim Cleosh. Como ousa perder a minha futura esposa... – o jovem comensal, respirava com dificuldade. Seu nariz sangrava muito, como se tivesse levado vários socos no nariz. – OLHE PRA MIM, SEU VERME IMUNDO!
Cleosh limpou o sangue com a manga de suas veste e levantou o olhar para Voldemort, seu medo era visível. Sabia da fama dele de torturar as suas vítimas com o seu imenso dom para Legilimência.
Ainda com a varinha apontada para o rapaz, Voldemort fixou o olhar no bruxo e em questão de segundos, o jovem começou a berrar desesperado. Seus gritos foram ainda piores do que a de uma cruciatus. Cleosh parecia enlouquecer a cada segundo que Voldemort penetrava mais fundo em sua mente. Esta era a especialidade do bruxo das trevas. Enlouquecer suas vítimas usando o grande poder de sua mente doentia.
Voldemort parecia ainda estar em transe quando falou:
- Anne Marie Moore. Foi com esse nome que ela voltou. Voltou para meus braços. – ficou em silencio por um minuto. – claro que ela não estará infiltrada em Gringotes. Fora apenas uma armadilha, engenhosa, mas apenas uma mentirazinha.
Draco estava se corroendo em curiosidade, será que Cleosh sabia para onde ela fora? Algo dentro de si dizia que Ginny estava em Hogsmeade, afinal, os Weasley estavam por lá. Queria ir para lá, mas tinha medo de dar bandeira, e a revelação do paradeiro da ruiva não faria à Voldemort tão cedo. Não antes de conferir com seus próprios olhos como ela estava. Voldemort olhou ao seu redor no exato momento em que Kalena deslizava para fora do salão.
- Eu não mandei você sair, Kalena
- Como seu eu fosse ouvir todas as suas ordens. – respondeu Kalena a altura.
- Eu não estou com humor para as suas brincadeiras.
- Ótimo! Porque eu também não estou com humor de ficar ouvindo berros de tortura.
- Kalena... – disse Draco sussurrante.
- Tá bom! – disse Kalena voltando para o mesmo lugar. Colocou-se ao lado do irmão, cruzou os braços e fechou a cara.
Voldemort ficou na frente dos dois irmãos; andando de um lado para o outro, tentando se acalmar. Mas na prática era mais difícil. Estava tão perto e tão longe de seu objetivo... de Ginevra e todo o seu poder imaculado.
- Draco... - sibilou Voldemort. - Encontre-a. Custe o que custar.
- E se ela já estiver entrado em Hogsmeade? – disse Draco impassível para Voldemort.
- Hogsmeade... HOGSMEADE! - gritou furioso e totalmente descontrolado. - Quero aquele maldito vilarejo destruído! Eu quero aquela cidade em ruínas! – voltou sua atenção à morena. - Kalena, o que mais descobriu sobre a bruma? – olhava-a de uma forma quase animalesca. Ele não se importava mais se Rodolphus escutasse a conversa, já que este era seu conselheiro e Cleosh, este estava por um fio mesmo.
- Será que eu conto? - disse Kalena desafiadora olhando para o Draco e depois para Voldemort - o que o Milorde quer primeiro? O que eu descobrir, ou o que eu sei e não contei? Ou o Milorde acha que aquilo que falei há três anos era tudo que eu sabia. – a morena sentou na beirada da mesa, sabia o quanto esse ato irava Voldemort. Sorriu de canto para Draco, o acalmando.
A paciência de Voldemort já estava por um fio. Ele avançou ferozmente para cima de Kalena, pronto para ensiná-la a respeitá-lo de forma mais dolorosa para ela. Mas antes que pudesse agarrar o pescoço da morena, Draco se pôs na frente da irmã, a protegendo. Os olhos azuis de Voldemort, agora estavam vermelhos de ódio.
- Você tem razão, Draco. Tem razão. Precisamos dela. – murmurou para si passando a mão pelo cabelo.
Kalena sentia seu coração bater na garganta. Nunca vira Voldemort perder a paciência com ela antes. Sabia que tinha que maneirar. Afinal, ele já sabia de muita coisa e a sua serventia estava cada vez menor. Draco ainda mantinha a mão discretamente em sua varinha. Não deixaria que Voldemort ousasse pensar em fazer algo contra sua irmã.
- E quanto a você, Kalena... não brinque comigo. Eu já falei que não estou de bom humor. – Voldemort coçava a testa. Estava realmente empolgado com a presença de Ginny e a jovem comensal o estava tirando do sério com suas respostas evasivas e irônicas. – Quer descobrir como eu fiz para o Cleosh soltar a língua? Posso usar em você também, se assim desejar.
Draco tentou disfarçar a preocupação estampada em sua testa. Mesmo forte como era a sua irmã, ela não agüentaria toda a loucura que Voldemort poderia lhe impor ao usar Legilimens nela.
- O senhor vai descobrir que eu sou muito, mas muito mais talentosa na magia que esse pobre diabo. – disse Kalena olhando para o comensal caído no chão.
A língua de Kalena coçava para soltar aquela indireta. O medo já tinha evaporado de sua mente, saiu de trás do irmão, ficando frente a frente com Voldemort. Naquele momento o comensal torturado babava como se a sua alma não morasse mais lá. Voldemort ignorando completamente Kalena se virou para Draco.
- Draco. Faça uma busca pelas redondezas de Hogsmeade. RAPIDO! – Voldemort estava nervoso demais... ansioso demais. Na verdade Voldemort estava completamente descontrolado
- Deveria se acalmar - continuou Kalena imperativa.
Ela percebeu que Voldemort estava totalmente descontrolado e ela já o havia alertado sobre as suas emoções. Draco apenas concordava com o que diziam. Estava louco para sair correndo dali.
- Ou o que Kalena? – disse Voldemort nervoso. Aquela menina estava passando do limite.
- Ou pode refletir nela. – retrucou Kalena sabiamente. – eu já lhe avisei sobre isso em outras ocasiões! O senhor acha que ela vai saber administrar uma onda de fúria que ela não sabe da onde vem?
- Kalena, por favor... – disse Rodolphus com medo que ela fosse machucada.
Aquela garota sabia tirar todos do sério, e estranhava como Voldemort, um bruxo tão explosivo conseguia se segurar e não torturá-la ali mesmo. Aliás, sabia sim, sabia que a morena era uma peça importante para a glória do Império das Trevas. E ela, como uma mulher esperta, também sabia de se valor. Mas a jovem senhora Gambler não estava se importando. A única coisa que queria era proteger o amor de seu irmão. Custe o que custasse.
- Até onde eu sei, ela é delicada, Milorde... O senhor acha que em cinco anos a jovem milady conseguirá barrar completamente as suas investidas? Está cansado de saber que isso nunca acontecerá! Nem se ela fosse super dotada. Pense nela... ela pode enlouquecer e não servir para os seus propósitos
- Tem razão Kalena. Eu preciso me acalmar. – Voldemort levou em consideração as sábias palavras de Kalena. - Apesar de sua extrema insolência, não me arrependo de tê-la ao meu lado... Você é o meu melhor achado – Draco e Rodolphus arregalaram os olhos. – É a mais pura verdade o que disse, ela não consegue me deter. O que será que ela está fazendo? - se perguntou sentando em seu trono. Um sorriso maligno se fez presente. Do nada ele começou a se concentrar e tentou invadir a mente de Ginny.
- Kalena...? De que lado você está? – sussurrou Draco indignado. O loiro agarrou o braço da irmã, puxando-a de cima da mesa, estava parecendo uma menina sem modos.
- É para o bem dela. – respondeu, no mesmo tom que o irmão, entendendo o que ele queria dizer.
Voldemort franziu a testa ao olhar para os três. Voltou sua atenção à Rodolphus.
- Suma com esse corpo da minha frente. – Rodolphus sacou sua varinha, mas parou com um aceno de Voldemort. Ele apontou mais uma vez sua varinha para o comensal jogado ao chão. – Avada Kedavra. Agora sim, pode sumir com o que sobrou.
Rodolphus nada disse, apenas lançou um olhar rápido para os irmãos e desapareceu com o corpo. Draco permaneceu impassível como sempre, mas Kalena estava ligeiramente inquieta. Já tinha visto Voldemort matar antes em sua presença, mas ainda assim não conseguia se acostumar. Não era tão fria como os outros.
- Ótimo! O que ainda está fazendo aqui, Draco? Kalena, saia também, preciso ter um momento a sós com os pensamentos de minha noiva.
Draco agarrou o antebraço da irmã e a puxou para fora da sala. A morena ainda estava estática e Draco entendeu perfeitamente, afinal o sangue ruim do ex-marido dela fora morto com a mesma maldição.
Ao virarem no corredor encontraram com Rodolphus os esperando. Ele não entendeu o real motivo de que Kalena falou. Mas uma coisa era certa, não era para defender os interesses do Lorde. Maldito dia que Kalena o fez falar dos segredos de Draco. Rodolphus se virou para Kalena e disse.
- Você tem noção do que disse ao Lorde? – Kalena piscou várias vezes saindo do transe.
- Claro que sim Rodolphus - respondeu Kalena seca. – A propósito, preciso conversar com você!
- O que faço? - Draco estava perdido. Não sabia o que fazer. Só a menção da presença dela já o deixava atordoado.
- Cumpra as ordens do Lorde. Ou você quer passar por mais alguns crucius?- disse calmamente Rodolphus.
- Claro que não!
- Então vai cumpri-la.
- Vai embora, Draco. - falou Kalena séria – a nossa conversa é em particular
- Ok, ok... mas e se a encontrar, o que faço? – agarrou o braço da irmã descontrolado. Kalena sorriu divertida. - Oh Merlim. Ok. ok . Respira. – o loiro repetia para si mesmo.
- Faça o que for certo para você – respondeu Kalena. – agora some! – exclamou enérgica, empurrando o irmão.
Rodolphus a olhou espantado, essa garota sempre o surpreendia. A alguns segundos estava toda abalada e agora estava tomando as rédeas da situação. Uma verdadeira Malfoy. Rodolphus sorria abertamente. Draco estava parecendo um adolescente. Mas logo lhe veio a mente Voldemort. Murmurou calmamente para o sobrinho.
- Draco. Não se esqueça que ela já tem dono. Apenas a encontre e traga-a para o Lorde.
- E se eu não quiser? – perguntou Draco frio
- Os anos junto à sua irmã te deixaram rebelde também? – questionou rispidamente – vá e obedeça às ordens do Lorde!
Draco saiu bufando e sem saber o que faria... se cumpria ou não as ordens.... Vendo que Draco estava longe o bastante, Rodolphus se virou para Kalena. Parecia que era importante, já que ela tocou o seu irmão de lá.
- Não devia dar esse tipo de conselhos a ele, Kalena. Voldemort não desistirá dos poderes de Ginevra, e você sabe muito bem disso.
- Rodolphus... – respirou fundo. – ele a ama. O que eu ou você ou até Voldemort podem fazer contra esse fato?!
- Psiu... – Rodolphus a cortou antes que ela falasse mais barbaridades. – então, era esse o assunto tão importante?
- Você acha justo o que Voldemort anda fazendo com Ginny e Draco? – disse Kalena séria – Eles se amam.
- Kalena... - Rodolphus agarrou o braço da moça e a carregou para um canto. - Não é seguro falarmos aqui, sim. As paredes tem ouvido.
- Eu quero que elas ouçam! – Kalena estava alterada e estava pouco se importante
- Você não tem juízo garota. Venha. Três anos conosco e você ainda não aprendeu nada? Não sabe ser discreta e não sabe que lutar contra o Lorde é inútil!
- Eu estou de saco cheio com a hipocrisia de vocês! Ele sabe que os dois se amam e manda Draco por diversão! Ele é um maldito sádico! Brinca com os sentimentos do Draco, e quase enlouquece essa menina
- Não fala assim do Lorde, Kalena! Ele é até condescendente com você! Você fala o que quiser e ele nunca tocou em um fio de cabelo seu. Muitos comensais dariam os dois braços para serem tratados como você! Seja agradecida.
- Ele sabe onde fica o meu calcanhar de Aquiles. E não se preocupe Rodolphus, ele sabe usar! E usa todas as vezes que eu me nego a ajudá-lo. – disse Kalena com raiva e com os olhos rasos de lágrimas.
- Me desculpe. – Rodolphus se arrependeu. Sabia que Kalena era uma mulher forte e decidida, mas não tinha como não ceder às chantagens de Voldemort. – Agora, o que ele sente pela pobre Ginny é obsessivo, mas te garanto uma coisa... se ele tiver a total certeza dos sentimentos de Draco, ele não hesitará. Por tanto, peço... - abaixou a voz, mais ainda. - controle seu irmão. Draco é impulsivo demais e poderá criar problemas maiores ainda pra Ginny.
- O problema Rodolphus é que eu sou mais impulsiva do que ele. Caso o Draco me pedir ajuda para ficar com ela, eu não vou hesitar em ajudar.
- Não seja estúpida garota. Ele mataria todos vocês, até mesmo sua grande paixão, Ginevra Weasley não escaparia de sua fúria. Faça um favor, sim. Pense na Ginny. Paixão dá e passa. Agora se eles estiverem mortos...
- Estarão mortos pelo amor que um sente pelo outro. Pois se ele tentar significa que ela o ama tanto quanto ele pode amá-la. – falou Kalena interrompendo Rodolphus – e tem mais... você também deveria se entregar para aquela bailarina no qual você diz que tanto ama. Você brinca com ela como se brinca com um brinquedo.
Kalena saiu deixando Rodolphus pasmo. O que será que ela sabia sobre seu relacionamento extraconjugal?
§ (#.#) §
Draco estava em seu alojamento pegando alguns objetos necessários. Ele estava com a cabeça a mil. De um lado estava a sua obrigação de trazer a noiva de seu Lorde. Era a sua obrigação de comensal. Do outro estava os seus sentimentos... todo o seu amor pela mesma pessoa que devia entregar a Voldemort. Mas ele era um comensal. Um comensal! Quantas vezes, quando era pequeno, sonhara em servi-lo?! Agora estava fazendo isso e não sabia se era o que queria fazer.
Duvidas e mais dúvidas lhe rondavam como um fantasma. Tudo por causa de uma bela ruiva e seus beijos avassaladores.
Depois de pegar tudo que precisaria, Draco passou em frente de um espelho. Ele parou para poder se ver melhor. Era estranho se olhar no espelho quando estava confuso. Ninguém era capaz de ajudá-lo. Nem mesmo a sua irmã. "Faça o que for certo para você". Isso era conselho descente?
Uma coisa era certa. Ele tinha que ir para Hogsmeade.
Draco saiu de frente do espelho, não deixando de se arrumar, queria estar com uma boa aparência para encontrá-la mais uma vez. Com passos firmes foi em direção ao ponto de aparatação. Antes que fosse chamado para mais alguma coisa que o desviasse de seu objetivo, ele aparatou.
§ (#.#) §
Voldemort sentou confortavelmente em seu trono. Ele não sairia daquele trono até encontrá-la e enrolaria o suficiente para que Draco a encontrasse e a trouxesse para ele.
Precisava desesperadamente da garota, tanto para satisfazer seus desejos mais profundos e carnais, como também para tomar posse daqueles poderes incríveis que ela tinha. Desde a primeira vez que estabeleceu contato com a garotinha de apenas 11 anos, pode sentir um grande poder emanar de sua alma. Sabia que mais cedo ou mais tarde faria uso daquela magia. Com Ginny ao seu lado, seria o bruxo mais poderoso do mundo.
Fechou os olhos buscando toda a concentração necessária. Já que ela havia aprendido alguns truques com os monges, ele teria que usar cada grama de sua sabedoria na arte da Legilimência e astúcia para invadir a mente de sua noiva.
Mas de alguma forma, Voldemort podia sentir que Ginny estava mais vulnerável no momento. Talvez porque ela estivesse cansada devido à longa viagem de navio. Ou talvez porque ela estivesse com a tensão a flor da pele devido a sua fuga. Mais uma fuga desesperada, porém aquela seria a ultima. Sussurrando baixinho ele a chamava.
- Ginevra... – Voldemort estava excitado com a possibilidade de tê-la em seus braços – me deixe entrar.
§ (#.#) §
A muitos quilômetros de distância, Ginny ainda se aprontava para descansar. Aquela viagem juntamente com a fuga deixou-a meio esgotada. Mesmo se estivesse com todas as suas forças, ela tinha que esperar escurecer. Não era louca de enfrentar tanta gente, apesar de ter a plena consciência de dar conta do recado.
De repente Ginevra sentiu o seu corpo pesado, sem contar que estava se sentindo tão cansada. Mas esse cansaço parecia ser um cansaço irreal. Se arrastando, Ginny fez o último feitiço de proteção na gruta. Achando que estavam de bom tamanho todos aqueles feitiços, se largou no colchonete.
§ (#.#) §
Draco desaparatou nas redondezas de Hogsmeade. Na ultima vez, ele teve que sair correndo de lá, pois a sua irmã estava entre a vida e a morte. Mas agora tudo era diferente. Ele estava lá para capturar Ginny. Mas será que ele queria fazer isso? Nem ele sabia disso.
Ele avistou seu amigo Blaise. Ele parecia ainda mais rancoroso. Depois da fuga de Luna, ele parecia um tanto transtornado. Blaise parecia estar ainda mais obstinado pela loira. A paixão dele chegava a ser doentia. Nem Draco entendia como Luna conseguiu fugir "sozinha" daquele laboratório de reprogramação, onde as bruxas rebeldes de sangue puro eram levadas para serem literalmente reprogramadas para aceitarem a nova era, a Era do Lorde das Trevas.
Mas ele sabia que a fuga de Luna teve a intervenção de sua irmã. Sabia perfeitamente bem disso. A sorte de Kalena era que ninguém conseguiu responsabilizá-la, já que ela vivia debaixo na vista de várias pessoas ao mesmo tempo e mesmo que alguém tentasse, não correriam o risco de entregar a grande "aquisição" de Voldemort. E não seria ele o dedo duro que a entregaria. Draco respirou profundamente. Ele tinha que manter o foco. E o foco era encontrar Ginevra. Blaise se aproximou de Draco e repentinamente perguntou:
- O que foi dessa vez? O Lorde quer que nós invadamos Hogsmeade? – um sorriso luminoso se fez em seu belo rosto negro. - Finalmente eu terei a minha Luna!
- Não delira, não é nada disso. – o loiro cortou sem piedade os delírios do amigo.
- Não? – repetiu desolado.
- A lady voltou e o Lorde mandou vir buscá-la.
- Bem... pelo menos se a lady voltar para os braços do Lorde, eu poderei contar com a ajuda dela para ter a minha Luna de volta.
- É... – disse Draco distante – você viu alguma movimentação nas redondezas?
- Eu não, mas um dos meus homens disse ter visto uma movimentação numa floresta não muito longe daqui. Não temos certeza de nada. Mandei um dos meus homens dar uma olhada, mas nada de anormal. Talvez seja algum fugitivo tentando abrigo em Hogsmeade.
- Lá tem algum lugar onde ela poderia se esconder?
- Vários lugares, principalmente grutas muito bem protegidas.
- Ótimo. – Draco deu um soco no ombro do comensal, em forma de agradecimento. - É bem capaz que ela esteja lá.
- Posso organizar um grupo de busca rapidamente... – disse massageando o ombro.
- Não será necessário.
- Tem certeza? – perguntou só por perguntar. O comensal podia muito bem imaginar qual eram as intenções do loiro.
- Tenho! Se a garota estiver por aqui, eu mesmo cuidarei dela. Ordens diretas do Lorde. – acrescentou rapidamente ao ver o rosto intrigado e confuso de Blaise.
- Claro que cuidará. – deu um sorriso safado. Mas Draco fingiu que não entendeu o recado. - Dê as boas vindas a lady por mim.
- Ok. Me escute bem, é extremamente necessário que seus homens fiquem longe. Não quero um confronto direto. – disse Draco indo em direção a floresta. Até lá ele tinha que decidir o que fazer.
§ (#.#) §
Ginny sentiu aquela sensação estranha novamente. Era uma sensação que não sentia há anos. Mas estava tão cansada que não deu importância, muito menos se lembrou de travar sua mente contra as investidas de Voldemort. Em poucos segundos estava ferrada no sono.
Voldemort em seu trono continuou a chamá-la. Estava começando a se irritar; Ginny não respondia. Respirando fundo falou com a sua voz mais mansa possível.
- Ginevra abra a sua mente para mim... eu preciso resgatá-la... eu sinto a sua falta...
Ginny se mexeu e a varinha rolou por seus dedos chegando ao chão. "Ginevra..." novamente Voldemort a chamou. Ela franziu a testa involuntariamente. Voldemort sorriu e apertou com força os braços da cadeira. Desta vez seria bem mais fácil que antes. Agora Ginny estaria totalmente desarmada.
Ginny respirava descompassadamente... Era como se pressentisse algo. Já nem mais sabia onde estava ou o que fazia ali. Ela não era mais dona de si. Mais uma vez estava a mercê de Voldemort. Em seu sono conturbado chamava-o baixinho.
Voldemort se alegrou, pode escutar muito longe ela chamando seu nome. E não deixaria que ela esperasse, forçou sua mente a se separar de seu corpo. Precisava ir o mais rápido possível ao encontro dela, a sua fonte de poder ilimitado o esperava. Apertou os olhos, estava em um lugar claro, muito claro. Podia sentir os raios de sol lhe esquentando. A frente viu Ginny sentada ao chão. Ele foi andando vagarosamente até sua Ginevra.
A ruiva observava o lugar onde fora parar. Uma coisa era certa, não estava na mente dela e muito menos na mente de Voldemort. O lugar parecia com o deserto do Saara. Engoliu seco olhando ao seu redor. Ela se sentou no chão e sem poder se controlar começou a gritar. Não queria estar ali; mas tampouco conseguia acordar. Era como se estivesse presa lá esperando por alguém.
- Ginevra... - Voldemort disse excitado. Ela estava com a cabeça deitada nos joelhos, tampando os ouvidos com as mãos e gritando palavras desconexas. - Abra os olhos. Não lhe farei mal...
- Me deixa em paz! – berrou Ginny desesperada.
- Oh não, minha querida. - Voldemort deslizou como uma cobra para perto dela. Se ajoelhou à frente dela; segurou com força seus pulsos, forçando-a a abaixar as mãos. - Quero ver seu rosto lindo, agora!
- Vai embora daqui... a última coisa que você verá é o meu rosto
- Não me obrigue a forçá-la. – ele apertou mais forte os braços dela. Não suportava ser contrariado. - olhe para mim, agora.
- NÃO! ME LARGA SEU MOSTRO
Voldemort perdeu a sua paciência. Queria ver de qualquer jeito o rosto de sua esposa. Com uma das mãos segurou as mãos da ruiva, impedindo qualquer tipo de reação futura que ele não desejasse. Com a outra segurou firmemente o queixo dela fazendo força para que ela levantasse o rosto e o encarasse. O bruxo ficou encantado com sua visão.
- Não foi tão difícil assim?! Você ficou linda... digna de ser a minha esposa
- Eu tenho nojo de você! - trincou os dentes. Ele estava tão belo ou até mais do que a última vez que o vira. Mas tinha que ser mais forte e resistir aos encantos viperinos dele. – Eu te desprezo
- Em breve você não irá me desprezar mais... – disse Voldemort não se importando com o que Ginny tinha dito. Muito em breve a teria dócil em cima de sua cama. – acho que você ainda deve se lembra de um sonho que teve?
- Não sei do que esta falando – disse Ginny dissimulada. Mas era claro que sabia. Aquele maldito sonho a deixava com calor.
- Claro que lembra... Você na minha cama, desejando por mais. E mais, acho que você pensa nisso tanto quanto eu. - falou Voldemort com voracidade
Ginny teve vontade de rir. - Até parece. – ela tentou puxar as mãos que Voldemort segurava firmemente, mas foi em vão. - Eu nunca... nunca, ouviu bem, nunca me deitaria com você.
- Será? Pelo que eu sei... pelo que eu vi não é bem assim.
- Isso é mentira!
- Não! Quando você fica relapsa e não levanta as suas defesas noturnas, você sonha com os nossos "amassos". Com os meus toques. – a encarou de forma lasciva – Mas não se preocupe! Em breve esses sonhos se tornarão realidade. No fim você vai gostar. – deslizou a mão pelo rosto da garota, causando aos dois arrepios.
- Você sabe que só conseguirá algo comigo sob feitiço. Grande coisa. Qualquer um pode ter o que quiser quando a outra está sendo forçada...
- Não seja rebelde e incompreensiva, Ginevra? – disse Voldemort perplexo. Em breve, ela entenderia e se entregaria a ele – o que fiz quando você tinha 16 anos, foi para te libertar...
- Eu era uma criança! Você não tinha o direito de acabar com os meus sonhos! Com a minha inocência. – disse Ginny feroz
- Estou vendo que gosta de ficar presa nas cordinhas que Dumbledore deixou para trás. – Voldemort estava sendo sarcástico. Ginny podia sentir.
- Sim, prefiro ser fiel as cordas de Dumbledore do que às suas!
- Minhas cordas? Tem certeza que eu tenho cordas em você?
Ginny não respondeu, apenas virou o rosto evitando encará-lo. Ela estava perto demais dele. Não acreditava que cinco anos de treinamento não surtiram efeito nenhum para segurar a fera que morava dentro dela.
Voldemort sentiu que ela estava confusa. E o que ela falava não passava de palavras sem significados.
- Vamos tirar a prova e ver se realmente eu tenho cordas em você – segurou firmemente o queixo da garota puxando-a para frente e beijou seu pescoço. Um beijo cheio de desejo
- Não... - Ginny arfou sem querer. Estava tão carente, que até mesmo os toques dele a deixavam arrepiada. - Não me obrigue a te bater, Tom. Me larga!...
- Me bater? - continuou Voldemort rindo do que Ginny tinha dito – você está gostando tanto quanto eu!
- Você não cansa de ser desprezado por mim não? Vai atrás da Lestrange, garanto que ela lamberá mais que suas botas!
Voldemort começou a rir. Parecia que a sua doce noiva ainda morria de ciúmes dele com a Bella. Isso só mostrava que Ginny era fortemente atraída por ele.
- Você e seus ciúmes! – o moreno chupou com força o lado esquerdo do pescoço delicado de sua noiva, deslizou a mão pelo cabelo da ruiva, puxando-o com certa brutalidade.
- Eu não tenho ciúmes de você! Eu tenho...
- Tem ciúmes sim. – cortou. Seus olhos negros estavam nublados de desejo. - Eu adoro saber que você tem ciúmes de mim! Quero que saiba que Bella é só um passa-tempo até você vir para o meu lado, nada mais.
- Eu... não... – uma raiva crescia descomunalmente dentro de si.
- Não adianta negar, eu sei de tudo que se passa nessa sua cabecinha. Mas acho que se eu beijar aqui - ele voltou a beijá-la do outro lado do pescoço. - é bem capaz de você ficar mais calminha. Agora se beijar aqui... - agora fora a vez da boca. A beijou com ardor. Apertou fortemente os lados da boca da ruiva, forçando-a a abrir caminho para sua língua sedenta de desejo.
- Hum... - Ginny estava começando se deixar levar. Para ela era prazeroso se sentir tão desejada. Aquela fera começou a dominá-la mais uma vez. Mas um lampejo de lucidez lhe acordou. E a ruiva mordeu com força a boca do bruxo. - Afaste-se... Não me obrigue a fazer o que eu não quero.
Voldemort podia sentir toda a angustia na súplica dela.
- O que você não quer?! O que você não quer? Você está desesperada por meus toques... - passou a manga da veste limpando o sangue que brotava de seus lábios. - e pelos meus beijos. Dá para ver a olho nu! Se deixe levar pelos seus sentimentos mais selvagens. Sei que você se maltrata para não mostrar quem você é.
- É mentira! – disse Ginny baixo
- É verdade! – insistiu Voldemort
- Você não sabe do que está falando
- CLARO QUE SEI! EU SEI QUE VOCÊ ME QUER! QUE ME DESEJA TANTO QUANTO EU TE DESEJO – berrou Voldemort.
- Eu não quero você... - sua voz era fraca e suava. - Não quero você, Tom. - agora sua voz se mantinha firme. - Quero que saia da minha cabeça.
- Quantas vezes será preciso dizer que é você que está na minha! Eu te chamo e você vem, como uma devotada esposa
- É mentira!
- Você e sua mania de não acreditar em mim! – disse Voldemort irritado
- Para com isso, está me enlouquecendo! - uma fina lágrima caiu por seu rosto. - Esse é seu plano? Me enlouquecer?! Hã? - Ginny conseguiu se soltar do bruxo e o empurrou para trás, fazendo com que ele ficasse sentado. - FIQUE SABENDO QUE NÃO VOU DEIXAR ISSO ACONTECER!
- Eu nunca pensei em te enlouquecer! – disse Voldemort perplexo com que Ginny tinha dito – eu quero você lúcida e minha, mas você não quer. Me renega! Você não se deixa levar pelos seus desejos.
- Eu nunca vou me entregar à fera que você enfiou em mim!
- EU TE DEI UMA DÁDIVA QUE NENHUM COMENSAL TEM. VOCÊ TEM O PASSE LIVRE PARA ENTRAR NA MINHA CABEÇA. – apontou o dedo para o rosto da garota de uma forma ameaçadora. – ME VER COMO SOU E O QUE PENSO. MAS VOCÊ AINDA SE RECUSA A ACEITAR E TOMAR DE BOM GRADO A HONRARIA DE SER A MINHA ESPOSA. – berrou Voldemort com uma fúria enorme
- Eu não... não... quero ser uma pessoa má... - a ruiva tinha deixado a razão de lado. Grossas lágrimas rolavam copiosamente por seu rosto.
- Não chore... seria tudo tão mais fácil se você se entregasse a mim. Se tornasse aquela que nasceu para ser. Você sabe que nasceu para ser minha! Você é um presente de Salazar Slytherin para mim.
- Não... não... NÃO. - esfregou as bochechas com brutalidade. Não ia chorar, não na frente dele. Tinha aprendido a controlar seus sentimentos. E chorar era sinônimo de fraqueza.
- Me escuta. Eu sei que a nossa ligação é perigosa. A Sra. Gambler, uma das minhas melhores comensais, me avisou que com essa ponte a raiva e outros sentimentos mais fortes poderia te enlouquecer. – segurou com as mãos a cabeça da garota fazendo com que ela lhe olhasse - Desde então me policio para preservar a sua sanidade mental em ótimo estado. E O QUE VOCÊ ME DÁ EM TROCA? - disse a ultima frase berrada.
- Pára... me deixa em paz.
- Eu te desejo... eu te quero... eu... eu te amo e você não sabe retribuir tudo que fiz por você! O que você me dá em troca de tudo que fiz por você?
- Chega. – sussurrou exausta.
- Eu respondo para você. Desprezo e ódio! Desprezo e ódio da única pessoa que realmente quero ao meu lado.
Voldemort estava transtornado. Mas para Ginny o homem a sua frente a cada hora lhe assustava mais. Balançou a cabeça e deixou o medo de lado. Afinal, era uma legítima grifinória. Juntou todas as suas forças e engatinhou para perto do bruxo. Ficou frente a frente, segurou o rosto másculo e bem desenhado dele e se deixou levar. Fechou os olhos e o beijou fortemente. Mas antes que Voldemort pudesse corresponder à altura ela quebrou o beijo e olhou dentro de seus olhos. E murmurou:
- Mas eu não te amo.
- Será? Você é mais confusa do que eu!
Ginny se permitiu gargalhar. - Sei muito bem o que sinto. Amo e sempre amarei... - parou por um segundo e sorriu de canto. Sabia que aquelas palavras o iriam irritar profundamente. Se ele queria jogar, então ela jogaria também. Não enlouqueceria sozinha. - Harry Potter.
- Ele está morto e matarei outros que ficarem entre você e eu. Até você entender que você me pertence. Se você ousar me trair com outro bruxo... esse ser vai ter a morte mais lenta, dolorosa e terrível que eu posso proporcionar. E acredite, eu conheço as piores formas de se matar. – disse Voldemort profundamente irritado.
- Oh pobre Tom. - passou as mãos corajosamente pelos cabelos negros dele. - Você. Não. Pode. Substituí-lo. – disse pausadamente, para que enfim ele pudesse entender. -Sabia que ele foi o meu primeiro?
- Você queria se entregar de corpo e alma na véspera e no dia da morte do Potter à mim, e a mais ninguém. Queria ser minha e seria se não tivesse fugido. – o ódio do bruxo era tão grande que Ginny podia sentir o toque dele lhe queimar a pele. - Fugiu porque estava quase se entregado aos seus desejos. Teve que se refugiar na China para domar esse seu coraçãozinho mau e selvagem. Somos parecido, Ginevra. Admita!
- Podemos até ser parecidos, mas não somos iguais. E o Harry me fez ver tudo de bom que eu posso fazer. - levantou-se e se afastou de Voldemort. - E se você não notou, eu estava fingindo. – cruzou os braços na defensiva.
- Eu sei que não. Isso nem você pode negar. - ele também se levantou e a encarou profundamente.
- Sou uma boa atriz. Admita, você não pode ter tudo que quer.
- A sua fascinação por tudo que ganhou, pelo poder em comandar meus comensais. Em ter nas mãos o poder de vida e morte de várias pessoas. Você gosta do poder, tanto quanto eu. Você é uma péssima atriz. Não se esqueça que eu sei de tudo que se passa nessa sua cabecinha vil. – se aproximou e acariciou os cabelos desalinhados dela.
- Será que sabe mesmo? Ou será que você só vê o que eu quero que veja? - levantou uma sobrancelha de forma irônica. - Você não sabe de nada, Tom.
- Talvez Ginevra... talvez... mas você quer realmente saber porque estamos conversando aqui e não ao vivo?
- Por que eu sempre respondo aos seus chamados e penetro sua cabeça... - respondeu entediada.
- Não. – um sorriso esplendido e satisfeito surgiu em seu rosto belo. Ela era tão fácil de enrolar. Ginevra ainda não aprendera a ser esperta. - porque eu queria te enrolar tempo suficiente para mandar alguém te buscar. Admita Ginevra a nossa conversinha ainda não acabou e pode render para nós uma ótima noite em nosso leito nupcial.
Ginny engoliu seco, mas manteve a postura.
- Nenhum de seus comensais incompetentes me encontrará Tom. - sua voz era firma, mas por dentro estava tremendo só de pensar em um confronto real. Não estava com forças suficientes. Voldemort balançou a cabeça negativamente e sorriu largamente antes de virar fumaça e desaparecer.
Ginny esfregou os olhos, definitivamente precisava de uma poção para o sono. Abriu lentamente os olhos e viu um par de botas impecáveis, levantou o rosto e contemplou um belo jovem loiro; que rodava entre os dedos uma varinha. Instintivamente procurou por sua própria varinha, mas não encontrou nada. Aquela era sua varinha.
- Procurando por isso? – disse o rapaz. Ginny levantou num pulo, ficando em posição de luta.
- Devolva. – disse Ginny venenosa – antes que eu te parta em dois.
- Sabe, para alguém que planejava se esconder, foi realmente fácil te achar, Weasley. – falou o homem com uma voz extremamente arrastada. Ginny semicerrou os olhos, sabia que o conhecia de algum lugar. – e mais fácil ainda foi desfazer essas suas proteçõezinhas fajutas. Foi só isso que aprendeu com Yan Shun? – provocou o comensal.
Ginny semicerrou os olhos raivosos.
Draco tentava ignorar os pulos que seu coração dava. Estava nervoso só de sentir os olhos castanhos sobre si. Para ele aquela fala cheia de veneno não condizia à delicadeza e meiguice que a sua Ginny emanava na adolescência.
Ginny tentava raciocinar direito, aquele sonho/encontro com Voldemort a deixou fraca e desorientada como sempre. Aquele infeliz invadiu e atordoou a sua mente de propósito, mas tinha que de alguma forma retomar a posse de sua varinha. Então, ela analisou o seu adversário. O jeito de falar... o jeito do cabelo e de suas roupas... a face pálida e pontuda.
"Mas é claro... Ginny sua imbecil."
- Malfoy. Quanto tempo? Ainda se sujeitando as vontades de Voldemort?
- Isso parece bem óbvio, não é Weasley. – Draco tentava permanecer frio.
- Mas é claro. Mas pensei que tínhamos algo digamos, especial... - A voz dela começou a sair rouca e extremamente sexy. – vai me atacar?
Draco estremeceu. Ela ainda tinha o dom de deixar as suas pernas bambas. Os dois se olhavam intensamente. Atacar? Não... Só se fosse do jeito que ele tanto fantasiava. Sorriu de canto.
- No momento não. E você? – levantou uma sobrancelha de forma intrigada. A ruiva ainda se mantinha em posição de luta. – Vai me atacar?
- Bem, - mordeu o lábio inferior. Ela desfez a posição de luta. Não precisavaser bruta com ele, mas sim sensual – pode apostar que sim.
Ginny o alcançou e segurou-o pelo colarinho do casaco. Mal sabia ele, que a arma mais letal era a libido. E sem que Draco esperasse, ela o beijou. A ruiva forçou entrada da boca dele. O beijo delicado deu lugar a um beijo cheio de uma fome incontestável. O loiro deixou o espanto e pânico de lado e deu a passagem que ela tanto ansiava. O beijo era selvagem e exigente. Mas o gosto dela e a textura dos lábios vermelhos e carnudos continuavam iguais ao que lembrava.
As tão famosas pontas no estômago e a sensação de estar voando lhe vieram outra vez. Fora assim quando a beijou pela primeira vez ao ajudá-la a fugir de Voldemort. Naquela época tinha esperança que "O Eleito" pudesse cumprir a profecia, mas o garoto falhara, e isso ele já sabia que aconteceria. E agora estavam ali, lutando em lados opostos. Ele do lado vencedor, e ela prestes a passar para seu lado, diga-se de passagem. Não para ficar ao seu lado, mas sim ao lado de Voldemort.
Draco deixou cair a varinha de Ginny e apertou-a como se fosse um colete salva-vidas que o salvaria daquela tempestade de sentimentos. Ginny girou os corpos de maneira bruta, empurrando o loiro contra a parede da gruta.
Ele arfou de desejo. Oh sim, ansiava por aquilo a muito tempo. Precisava sentir aquela pele delicada junto a sua pele. Sentir aqueles lábios carnudos e exigentes por beijos ferozes. Poder sentir a respiração ofegante de Ginny no seu rosto. Hoje definitivamente era seu dia! E que Voldemort fosse para o inferno, ele não desgrudaria da bruxa a sua frente tão cedo.
Ginny o prensou e sorriu para ele. Não era um sorriso sincero, mas Draco não estava se importando, ou muito menos notado essa diferença tão sutil. Seus rostos estavam vermelhos de desejo. Não poderia fazer aquilo com Voldemort, mas com Draco... Ginny descontaria nele todas as frustrações que tinha com Voldemort. Descontaria nele todos os desejos que ela sempre lutou para refrear durante os últimos cincos anos.
Sem que o loiro esperasse, ela agarrou a blusa dele e a rasgou, fazendo os botões voarem por todos os lados. Draco estava adorando toda aquela necessidade dela. Significava que ela estava sentindo falta daquele beijo que ele teve coragem de dar... assim como ele sentia falta dela. O loiro já nem sabia como seu sobretudo foi parar no chão.
Ela deslizou as mãos pelo peito alvo e bem trabalhado do comensal. Draco sorriu pedindo mais. Para ele, a sua doce ruiva estava sendo tudo aquilo que ele sempre sonhou. Doce e meiga. Mas, de repente, Ginny cravou suas unhas no peitoral do Draco e o arranhou, deixando um rastro vermelho e ardido.
- Ginny, que selvagem... – disse Draco meio assustado e meio risonho.
- Cala a boca Malfoy. – disse Ginny resoluta.
Draco sentiu um cubo de gelo em seu estômago. Chamava-a pelo nome, mas ela teimava em chamá-lo pelo sobrenome de maneira formal. Isso o deixava meio desgostoso. Ginny não ligava para a cara de poucos amigos dele. Queria matar o fogo daquele animal que rugia dentro de si.
Deslizou os lábios demoradamente pelo peito, pela barriga bem definida... beijava calorosamente todo o rastro vermelho que ela tinha feito no corpo de Draco. Roçava seus dentes só para instigar ainda mais todos os sentimentos dele. Os beijos iam do pescoço até o cós da calça de Draco e retornava graciosamente até o ponto de partida.
Sentia dó do loiro. Ela tinha pegado pesado com ele, mas agora tinha se retratado com ele depois de tantos carinhos e carícias. Draco estava se sentindo nas nuvens. Nunca pensou que os beijos de Ginny pelo seu corpo, pudesse levá-lo às alturas daquele jeito. Naquele momento ele tinha esquecido completamente que ele era o comensal e ela o alvo que deveria alcançar.
Depois das idas e vindas com os beijos, Ginny começou a passar delicadamente sua língua pela barriga dele. Ela sentia cada músculo daquela barriga bem definida. Neste momento, Draco se agarrou na parede que estava. Ficou com medo de suas pernas não agüentarem mais e caísse. Ele arfou satisfeito. Depois de instigá-lo o suficiente com a sua boca, a ruiva se ajoelhou e encarou o cinto da calça negra dele.
Ginny voltou a olhá-lo nos olhos de forma angelical. Draco esboçou um sorriso satisfeito demonstrando uma total cumplicidade a ela. Nenhum dos dois estavam pensando nas conseqüências daquele ato.
Aquela brincadeira era perigosa, porém extremamente divertida. Ela deu um sorriso meio malvado e ele retribui na mesma intensidade. A mulher desabotoou lentamente a calça dele, sem desviar o olhar. Draco se segurou como pode para não passar vergonha.
Ginny deslizou sensualmente as mãos até as botas do loiro, desabotoando-a. Ela voltou a olhá-lo, mas agora ele não mais observava a ruiva. Ele fechara os olhos só para poder sentir ainda melhor as carícias dela. Ginny subiu com a sua mão.
Draco estava esperando ser contemplado com uma noite maravilhosa com o seu anjo rubro. A vontade era tanta que nem estava percebendo o que realmente estava acontecendo.
O motivo de tantos beijos, carinhos e caricias, nada mais era do que uma revista minuciosa para descobrir onde estava a varinha de Draco sem que ele soubesse. Nesse meio tempo Ginny encontrou o local onde Draco costuma esconder a varinha quando ela não é necessária. A jovem, para que ele não percebesse o que ela tentava fazer, começou a massagear as coxas do comensal.
Ginny puxou delicadamente a varinha de Draco e escondeu entre suas roupas. Contrariando seus instintos, a ruiva parou as carícias e se pôs a observá-lo risonha. Nem o mais frio dos comensais, já que ele era conhecido por isso, não baixaria a guarda e não se renderia pelos seus encantos.
Draco chegou ao seu ápice de ansiedade, mas ele já não sentia o hálito quente de seu anjo rubro, ou as mãos delicadas que o brindava com uma massagem dos deuses. Ele voltou a olhá-la. Foi só então que ele percebeu que algo estava errado. Ela tinha parado e estava observando-o calmamente. Sem esperar alguma reação de Ginny, perguntou:
- O que foi, Ginny? – quase se engasgou de tanta ansiedade.
- Você é displicente assim com toda mulher ou só comigo, Malfoy? – um sorriso demoníaco brincava nos lábios vermelhos dela.
- Como... como assim? O que você...? – não conseguiu formular a pergunta, pois um grande fluxo de sangue estava concentrado em um lugar bem distante da cabeça, naquele momento.
- É deprimente o estado como você ficou... quero dizer, está. – disse Ginny fria e sem nenhum remorso.
- Quer dizer que...
- Draco, Draco, com apenas algumas carícias você abaixa a guarda e fica desnorteado. – Era fato que ela não era mais inocente. Draco fez um barulho com o nariz.
- Mas você não...? – sua mente demorou a juntar um mais um. – Não vai continuar o que nós começamos? – Draco mordeu os lábios, era tanta expectativa e agora ela estava dando para trás e ainda lhe falando coisas difíceis de compreender perante a situação que estava.
- Não sou nenhuma vagabunda que se entrega para um comensal - continuou Ginny inflexível. Se levantou e o encarou duramente. Se ele tivesse fugido daquele destino cruel... se ele tivesse ficado depois que a tirou daquele pesadelo, os dois poderiam ser... "amigos"
- Mas Ginny... - o loiro fechou a cara. Não iria implorar, quem ela pensava que ele era? – mas parecia que você queria se entregar tanto quanto eu! - se curvou e abotoou a calça. Ela não iria brincar mais, não com ele.
- Estamos numa guerra, e até onde eu sei... o seu mestre acha que é dono do meu lindo corpinho.
- Se dependesse de mim... - agarrou o braço dela, trazendo-a para perto. Estava a ponto de beijá-la novamente. Molhou os lábios com a língua. Ginny acompanhou o movimento com os olhos. Não podia negar que também o desejava ardentemente. E que se ele a beijasse novamente se entregaria a ele.
- Você o que, Malfoy? Diz. - Ginny o incentivava.
- Nada! Você está certa. Pertence a ele, e não quero nem pensar se ele algum dia imaginar que isso aconteceu, ou melhor, quase aconteceu.
- Quer dizer que não vai nem sequer tentar? – perguntou vacilante. Se ele ouvisse o seu coração... se ele pudesse não ser tão... tão... sonserino!
- Pra que tentar? – fora a vez de Draco de ser frio e calculista. Como um verdadeiro comensal que era – Você não me vê de forma diferente, apenas como um peão de Voldemort. Agora me diz? Pra que seguir adiante com algo impossível? É mais fácil e mais lucrativo segui-lo. Eu tenho a minha vida e algumas regalias que o Lorde me dá. Claro que não é tudo que eu quero, mas tenho o que preciso
Depois de ouvir aquilo, Ginny se desarmou. Ela sabia que Draco poderia ser diferente. Mas não entendia porque ele não era. Será que era por culpa dela? Não! Ela não poderia se culpar de todas as atrocidades que Voldemort fez na vida. Ela não podia se culpar pelo que Voldemort fez contra Draco. A única coisa que ela poderia fazer era tirá-lo de lá. Ela tentaria tirar um poderoso comensal do lado de Tom.
- Porque não tenta ser diferente? Porque não tenta ser você mesmo? – a ruiva já não sabia se estava tentando somente convencê-lo a mudar de lado. Ou se queria realmente algo a mais. – você acha que eu não sei que você ficava me vigiando no templo? E que foi incapaz de entrar para pedir abrigo ou de sair para contar ao seu mestre onde eu estava?
- Você não compreende... Estou preso a ele até a alma... – Ginny teve vontade de socá-lo até conseguir amolecer aquela cabeça dura.
- Quem está preso a ele, sou eu! A única coisa que te prende é uma marca ridícula e o seu medo incontrolável.
- Você não sabe como é a minha vida. Não tem idéia do que o Lorde das trevas é capaz de fazer para manter os melhores ao seu lado. – disse lembrando-se de sua irmã.
- Você poderia ser você mesmo, mas do lado certo dessa briga.
- Queria ter um pouco dessa sua coragem. - acariciou lentamente o rosto dela, como se quisesse decorar cada centímetro. - esqueceu que sou um sonserino?... Coragem, não faz parte da minha personalidade.
- Coragem não está na casa onde estudamos, mas sim em nossos corações. – disse Ginny resoluta.
- Você fala como a minha irmã. Ela também é corajosa, mas a coragem dela não adianta muita coisa quando o Lorde a ameaça.
- Não sabia que tinha uma irmã. – soltou sem querer. Mais uma vez sua curiosidade falava mais alto.
- Cinco anos fora da Inglaterra. É claro que você não sabe de muitas novidades. – Draco falou grosseiramente. Ginny franziu o cenho. Aquele tom era de mágoa? – de tudo que me aconteceu neste cinco anos, a minha irmã foi a única coisa boa que eu me lembre. O resto é tudo feio e desprezível, banhado a muito sangue.
- Então devemos lutar até um cair? – perguntou Ginny se afastando com um tom triste em sua voz.
- Eu não quero e nem vou lutar com você. - disse o loiro admirando-a e pegando a varinha de Ginny no chão.
- Oras... fugindo, Malfoy? Ou está com medo de mim?
- Não é nada disso que está pensando. Eu não quero ver você com o Lorde. Eu não vou suportar te ver toda cheia de carinho com ele.
- Não? - perguntou Ginny incrédula
- Não! Prefiro encará-lo a ter que suportar isso.
- Então... faça alguma coisa. – quase gritou de ansiedade e frustração. Faz alguma coisa, por favor. - Você ainda tem tempo... tem tempo de mudar! Não... não por mim claro, mas por você. – Ginny tentava a todo custo não transparecer que se sentia atraída por ele, mas temia não ter conseguido esconder tal sentimento
- A minha varinha, por favor. - disse Draco seco e estendeu para a ruiva a varinha dela.
- Draco... – eles trocaram as varinhas.
- Há um túnel aqui perto que acaba um pouco depois da bruma. Vá por ele e entre em Hogsmeade. Lá estará a salvo, por enquanto. – Ginny pegou fôlego para protestar, para pedir para ir com ela, mas Draco a cortou. – minha irmã está em Londres... Você tem noção do que é isso? Ela está na capital do império com os dois filhos dela. É por ela que o Lorde me vigia. É pelo carinho que sinto por ela... Devo isso a ela.
- Se conhece essa passagem por que não contou ao Lorde?
- Um dia a minha irmãzinha teve a bondade de me contar. Mas eu não tive a mesma bondade de contar ao Lorde.
- Então...
- Bom... você sabe, ele não precisa saber de tudo, não é? – estava se referindo mais ao encontro dos dois do que sobre a passagem da gruta.
- Malfoy... Draco... Obrigada, mas eu sei como entrar lá, só estava esperando o momento certo. - a ruiva deu um fraco sorriso e se aproximou do loiro e deu um beijo leve e sussurrou em seu ouvido – Você pode ser grande. Maior do que imagina.
Ia se afastar, mas Draco a segurou com um braço em volta de sua cintura. Queria aproveitar o máximo de sua presença. Gina se deixou abraçar, ficaria o tempo que ele precisasse para se decidir.
- Você não é a primeira pessoa que me diz isso. Agora vai... antes que o Lorde venha pessoalmente.
O comensal a soltou. A ruiva deu uns passos para trás e o encarou longamente.
- Deixe que ele venha, estou preparada para esse confronto. Não vejo a hora.
- Vai por mim... você precisa entrar... - disse com um meio sorriso - até um dia Ginny.
- Até... Draco. – estancou no meio do caminho, suspirou longamente e girou nos calcanhares, o encarando docemente.
- Esqueceu algo? – perguntou Draco estranhando aquela atitude. Ginny balançou a cabeça afirmativamente. – o que?
Ginny deu três passos largos e para a surpresa de Draco o beijou fervorosamente. Afinal, se encontrasse um dementador, precisava de uma boa lembrança para si. E devia isso a ele também. O loiro fez menção de abraçá-la pela cintura, mas a ruiva quebrou o beijo se afastando. Se ficasse mais um segundo com ele não se controlaria.
Deu as costas ao comensal e saiu sem nem olhar para trás. Será que o monstro que ela pensava não era tão monstro assim? Um delicado sorriso apareceu nos lábios dela.
Draco levou a mão à boca, encantado. Aquela garota sabia como surpreender alguém. Começou a andar de um lado para outro. Ele tinha que pensar em uma mentira muito bem elaborada e pior, ser convincente o bastante sob os olhares penetrantes de Voldemort. Foi só então que ele percebeu o quanto aquela caverna era frágil.
Ele respirou profundamente e viu o que Ginny deixou para trás. Aquilo serviria para aplacar a raiva do Lorde. Draco pegou os objetos e guardou em seu bolso. Então reuniu todos os seus poderes. Sem pensar duas vezes mirrou para o teto da caverna. Se ele fosse rápido o bastante conseguia derrubá-la e fugir sem maiores danos. Apenas com poeira e cortes o suficiente para a sua irmã enlouquecer.
Um jato roxo saiu de sua varinha e colidiu com o teto da caverna. Fazendo um grande estrondo. Logo em seguida a caverna toda começou a rachar e tremer. Para Draco, isso seria o mais perto que Voldemort conseguirá chegar perto dela. Seria apenas o cheiro dela impregnado na capa. Uma grande pedra passou de raspão no braço e perna de Draco. Vendo o estrago que já estava feito, ele aparatou.
§ (#.#) §
Ginny foi o mais rápido possível. Ela não tinha muito certeza se Draco reconsideraria a decisão de deixá-la fugir. Pegou a sua varinha e a acendeu. Aquele túnel era escuro como todos os túneis.
Respirou fundo. Aquela situação de ficar debaixo da terra não era nada confortável. Foi então que ela escutou um barulho e sentiu a caverna tremer. Preocupada, Ginny olhou para trás horrorizada. Draco ainda poderia estar lá. Uma nuvem densa de fumaça cobriu todo lugar, dificultando a respirar e a enxergar qualquer coisa a sua frente. A garota retornou pelo caminho que viera, mas este estava bloqueado por pedras. Gritou desesperada.
- DRACO! DRACO, VOCÊ ESTÁ AI? - Ninguém respondeu. Mesmo com magia seria arriscado demais voltar. E se ele estivesse lá com outros comensais? Não, não podia se arriscar dessa forma. – por Merlin... o que eu faço? Ele mandou ir embora e é isso que eu vou fazer.
Ginny foi embora olhando para a parede recém-feita. Talvez fosse até melhor, já que aquele túnel poderia ser a perdição de Hogsmeade.
§ (#.#) §
A essa altura, Draco já tinha desaparatado em frente à fortaleza. Agora vinha a parte mais difícil de seu plano. Enfrentar Voldemort seria uma missão quase impossível. O problema era que Draco tinha que enfrentá-lo de frente. Mas antes mesmo de passar pelos portões ele encontrou Kalena esperando. A bruxa mantinha a cara preocupada e os braços cruzados, batia o pé fervorosamente. Descruzou os braços e seu rosto ficou mais preocupado ao perceber vários cortes no rosto e dois particularmente feios no braço e na perna de seu irmão.
- Draco, o que aconteceu?
- Um pequeno acidente de percurso, Kalena. Nada demais. – batia as mãos nas vestes tentando tirar a poeira.
- Você deixou a menina fugir? – interrogou-o com um brilho no olhar.
- Oh, não tive como evitar! Olhe meu estado. - Draco abriu os braços se mostrando para a irmã. Realmente estava num estado lastimável.
Mas Kalena podia perceber certo brilho no olhar. Um brilho de que tinha acabado de fazer uma terrível travessura. Sem contar que para alguém que tinha sido atacado, ele estava calmo demais.
- Tá bom Draco. Vou fingir que acredito! Até parece que você não está escondendo alguma informação do Lorde
- Eu, esconder algo do Lorde?! Nunca! Aprendi a minha lição quando eu escondi você e seu finado marido. Não faço isso nunca mais! – Kalena sentiu um peso em seu coração ao ouvir "seu finado marido". Tinha seguido em frente com sua vida, agora era uma mãe de família, mas mesmo assim as lembranças de Richard lhe balançavam de tal forma.
A morena se curvou e tirou uma adaga do cano da bota. Draco a olhava intrigada.
- Mas por via das duvidas use isto. - disse Kalena lhe estendendo a adaga. Draco não percebeu o momento nostalgia da irmã, estava mais preocupado se a ruiva tinha chegado em segurança na cidade. - eu a ganhei para poder ter mais privacidade com os meus pensamentos. Deixe-o encostado a sua pele. Voldemort vai acreditar no que disser.
- Obrigado, Kalena, de verdade. - Draco colocou a adaga por dentro da blusa, presa a sua calça. - E para seu governo, não sei do que você está falando?
- Vai na frente. Eu vou te ajudar nesse seu teatrinho.
- Eu já disse que eu não estou escondendo nada do Lorde. – afirmou com toda a veracidade que conseguiu.
- Nem eu Draco, nem eu. - disse Kalena rumando para o lado oposto do irmão.
Draco andava mancando dando mais veracidade à sua história, porém decidido até ao salão do trono. O plano tinha que dá certo. Ou ele poderia ficar terrivelmente machucado. Quem sabe até morto. Morto? Um sorriso iluminou seu rosto. Se fosse morto, morreria feliz. Afinal, ele conseguira o que seu Lorde tanto ansiava. Conseguira um beijo de livre e espontânea vontade, sem ter que usar de artimanhas para consegui-lo.
Pode sentir que seu beijo, seus toques eram livremente desejados. Se ele tivesse insistido poderia ter a melhor tarde de sua vida. Mas não se arrependera talvez se tivessem prosseguido aquela seria uma única tarde em sua vida. Em seu intimo, sabia que ainda teriam outras tardes como aquela.
§ (#.#) §
Voldemort tamborilava a mão na mesa impaciente. Tinha que ter notícias frescas de sua noiva, caso contrário enlouqueceria. Era de matar só de lembrar quando a pouco ela estava em sua mente, tão arredia e selvagem.
Seus pensamentos desapareceram ao ver o jovem Malfoy entrar em seu salão de reuniões. Não precisou usar legilimens com o loiro, afinal, seu servo mais precioso era como um livro aberto para ele. Sabia de todos os pensamentos, desejos, lembranças de Draco. Notou que algo estava errado, o loiro mancava displicentemente em seu castelo. No ápice de sua impaciência perguntou:
- O que aconteceu, Draco? – Draco hesitou por segundos, se preparando para a explosão de ira.
- Encontrei-a, mas... - Voldemort levantou da cadeira, empurrando-a para trás.
- Onde está Ginevra? – exigiu.
- Ela conseguiu escapar, senhor. - Draco fechou os olhos esperando pelo pior.
- Como assim "escapou", imbecil? É bom ter algo mais consistente do que "mas" ou "poréns".
- E tenho milorde. – disse Draco segurando uma cara de dor em seu semblante.
- Volto a perguntar, o que aconteceu? Como ela conseguiu? Ela estava lá! - disse Voldemort convicto - eu sei disso.
- Sim... ela estava. Mas como o senhor mesmo sabe, os poderes dela estão mais fortes que nunca. Todo treino que ela recebeu só a deixou mais forte e poderosa. Me atacou feito uma fera... Quanto mais conseguia driblar mais ela me atacava. Eu não podia machucar a lady, sei que não devo fazer isso...
- Perdoe-me Milorde, mas eu gostaria de pedir-lhe uma opinião... - disse Kalena entrando sem a menor cerimônia, no salão. - Draco?
- Oi Kalena – disse Draco como se não tivesse encontrado-a antes.
- Então é verdade! – exclamou tampando a boca, de forma teatral. - você voltou machucado!
- Como pode perceber... sim. - disse olhando diretamente nos olhos da irmã. Eram bem mais fáceis de encarar que aquelas pupilas cheias de ódio de Voldemort. - mas estou bem.
- Como pode está bem! – alterou-se – essa menina é um demônio! Isso já está virando rotina! Toda vez que você vai no rastro dessa... dessa... garota você volta ferido.
- Kalena... - Draco arregalou os olhos e balançou a cabeça negativamente, tentando fazer a irmã calar a boca. Ok, ele pedira para ela improvisar, mas daí falar mal da ruiva já era demais.
- CHEGA! - berrou Voldemort
- Senhor, perdoe minha irmã, ela está alterada. Mas, já irá embora. - Draco alcançou a irmã e sussurrou em seu ouvido. - vai embora, antes que sobre pra você também. – e deu um leve empurrão em seu braço.
- Estarei por perto. Tenho que te remendar de novo. - disse Kalena meio dura, mas o olhar dela era divertido.
Draco suspendeu a sobrancelha de forma divertida como resposta. E pôs novamente a máscara fria ao encarar Voldemort pela segunda vez.
- Tirando o seu fracasso, você não me trouxe nada? – questionou ansioso. - você costumava ser mais eficiente.
- Tinha esquecido. - Draco procurou em seus bolsos algo. Retirou o objeto com cuidado e se dirigiu a Voldemort. Se ajoelhou perante o Lorde e estendeu um embrulho. - aqui está a única coisa que ela deixou para trás para fugir.
- Eu não posso te culpar se ela é mais habilita que você. Ginevra realmente nasceu para me servir. Ser a minha esposa - disse Voldemort hipnotizado pelo embrulho.
- Sim, senhor. - Draco cerrou os dentes, evitando transparecer todo seu ódio. Estava começando a se questionar se aquele era mesmo seu lugar.
- Pode ir. A sua irmã está te esperando para te "remendar". Como ela mesma disse.
- Com licença, milorde
- Hoje, Kalena não escapa. Ela vai falar tudo que sabe sobre aquela maldita bruma. – Voldemort acariciava demoradamente o embrulho como se fosse a pele de Ginny.
- O que disse, milorde?
- Eu não falei para você ir embora? – Voldemort estava mais frio do que nunca.
- Sim, mas...
- Suma! Me deixe sozinho com o meu mais novo presente.
- Sim.
Draco prendeu a respiração e saiu o mais rápido que podia daquela sala, se ficasse mais um tempo não responderia por si. Ele mancava vagarosamente pelos corredores a procura de sua irmã. Só Kalena para lhe remendar de forma tão perfeita. Nem mais se lembrava que tinha curandeiros à disposição dos comensais. Assim que virou no primeiro corredor do segundo andar, Draco deu de cara com Kalena. Ela o olhava de forma divertida e parecia que se segurava para não rir.
- Vejo que a minha adaga serviu para alguma coisa.
- Você é tão engraçada. - Draco bufou. - vamos me remendar, estou começando a sentir umas pontas.
- Isso é para você tomar vergonha na cara e não sair se machucando por aí. Uma hora eu vou me cansar de te remendar
- Kalena?! – disse Draco francamente preocupado. Nunca entendera como funcionava a cabeça de sua irmã.
- Vamos para a minha sala. Lá não vai ter ninguém para ouvir as suas verdadeiras explicações
- Como assim? Onde está o seu "maridinho"?
- Não gosto que chame o Victor de "maridinho". Sabe muito bem que eu vivo as turras com ele.
- Eu e o império inteiro! Mas você não disse onde ele está
- Victor está em uma das fazendas, quero dizer, no centro de reabilitação para jovens...
- O que ele está fazendo lá? - perguntou curioso, estendeu o braço para a irmã. - não é do feitio dele ir para esses lugares.
- É verdade que Victor quase não aparece por lá... mas chegou um lote novo e parece que a metade delas era rebelde que lutavam contra comensais. De acordo com o meu estúpido marido "elas são mais difíceis de dobrar". – Kalena estava fria quando terminou de falar, nem parecia àquela mesma mulher que lutava apaixonada pela causa rebelde dentro dos domínios de Voldemort.
- Entendo, e ele deu nomes?
- Algumas... se eu não me engano uma delas é a uma tal de Alguma coisa Brown e Chang... o resto não lembro.
- Sim, Lilá Brown e Cho Chang, estudei com elas. Garotas fúteis... - disse displicente e até mesmo frio, como sempre. - não queria estar na pele delas.
- Pelo menos a tal de Luna não voltou - disse Kalena displicentemente.
- Não... e nem sei quem a soltou não é mesmo?
- Está duvidando de mim... vivo debaixo das suas vistas... das vistas de Lucius, de Victor e do próprio Lorde... como pode duvidar que fui eu! Eu não respiro sem que o quarteto fique sabendo!
- Que eu me lembre não citei nome de ninguém. - Draco a olhou de lado divertido. - mas se a carapuça serviu.
- Estou começando a achar que você vai ter que ir atrás dos curandeiros da fortaleza.
- Kalena!
Os dois chegaram até à sala de Kalena. Não mudara muito durante esses três anos. As cortinas brancas contrastavam violentamente com o aspecto duro e frio da sala de pesquisa de Kalena. Outra coisa que Draco não deixou de notar era a bagunça que Kalena era capaz de fazer. A bagunça reinava naquela sala, da mesma forma que reinava em todo lugar onde ela estudava
- Senta nessa cadeira – disse Kalena mostrando a cadeira para o Draco perto da mesa.
Ele se sentou sem reclamar. Kalena se virou em busca de suas poções no fundo da sala. Foi então que viu em cima da mesa o que era mais precioso para as famílias Malfoy-Gambler.
Na mesa, Draco pegou o único porta-retrato que tinha. Era a única imagem que tinha na sala toda. Era Kalena com duas crianças quase idênticas. A única coisa que diferenciava era o sexo e o tamanho do cabelo. Tanto a menina quanto o menino tinham cabelos negros e olhos cinzentos. Mas a menina tinha o mesmo sorriso de Kalena, a mesma alegria. Já o menino tinha o olhar profundo e meio sombrio das famílias Gambler e Malfoy.
Sem se fazer de rogado, Draco perguntou:
- Como vão os meus sobrinhos?
- Aprontando como sempre. – disse Kalena retornando com as poções e com o semblante mudado. Seus filhos eram a sua única felicidade - Mas Ícarus anda me preocupando, ele é parecido demais com o pai. Temo por ele.
- O que você queria? Ele vai ser comensal quando crescer que nem os homens dessa família.
- Isso não me agrada nem um pouco. Nesses últimos 15 dias quando volto para casa Ícarus nunca está em casa e Isolda está sempre escondida nos estábulos junto com o meu cavalo. Você sabe por quê?
- A minha doce Isolda? Tirando que ela se esconde nos estábulos junto com aquele cavalo infernal, como ela está? – disse Draco desconversando
- A minha princesinha está linda como sempre. Aprendeu a montar no meu cavalo. E sem contar que vive me perguntando "cadê o tio Draco? Por que ele sumiu? O tio Draco não gosta mais de mim!" até que eu falo que você estava viajando a serviço e que não tem tempo, ela já fez uma tempestade. Mas ela ta um amor! É um agarramento com você. - Todas às vezes o loiro revirava os olhos, mas no fundo Kalena sabia que ele também tinha um tombo pela garotinha.
- Porque ela quase não vai na casa do nosso pai? Minha mãe tá reclamando que se ela quer ver a Isolda, ela tem que ir na sua casa.
- Não tenho tempo de levá-la, Draco. Sabe como Voldemort é. Sempre me trazendo toneladas de pergaminhos para traduzir. Sem contar que eu devo testá-las para ver se tem efeito antes de demonstrá-las ao Lord. E isso toma tempo.
- Mas Ícarus vive lá. É isso que a minha mãe reclama.
- Sua mãe é uma implicante, isso sim. Me vê como pivô de todas brigas que tem com Lucius.
- Ela acha que um dia você vai acabar com essa raiva que tem do nosso pai. E que quando isso acontecer, papai vai te venerar ainda mais. Ela te vê como uma ameaça.
- Então avise a ela que isso nunca vai acontecer.
- Ta... mas e Isolda? Por que ela não aparece na casa nosso pai?
- Me responda uma coisa, se fosse ao contrário, ela também falaria? Parece que ela prefere a Isolda...
- É que a Isolda é mais fácil de lidar... mais delicada.
- Ela quer jogar a minha Isolda e o meu Ícarus contra mim! – exclamou na defensiva.
- Não é verdade. – Draco sabia muito bem que Kalena estava com medo de perder seus filhos – Ela é mais apegada na Isolda, porque ela queria ter uma menina, mas Lucius não tinha esse interesse. Tinha você. Ela vive falando no pé do meu ouvido "Ícarus sempre vem... é o meu netinho mais presente, mas Isolda... Kalena é incapaz de deixar a menina vir com o Lucius, quando ele pega o Ícarus".
Kalena não soube o que dizer depois daquilo. Isolda era tão delicada. Queria proteger sua preciosidade daquele veneno de Narcisa. Tinha medo só de pensar em sua filhinha com a avó. Ícarus não, apesar da pouca idade sabia muito bem como se virar com a vovó Narcisa. Aquele sim, era um danadinho.
- Mudando de assunto... você brigou de novo com o Victor e o mandou para o outro quarto?
- Por que a pergunta? Pelo que sei vocês dois não são amiguinhos, para ficar trocando confidências. - Draco odiava quando era respondido com respostas vagas.
- Ele anda bebendo muito uísque de fogo e choramingando... porque você o mandou sair do quarto.
- Coisas de casal, Malfoy. Não meta a colher.
- Tá bom ! E aí? Já vai terminar de me remendar?
- Só mais um instante e estará pronto novamente para Ginny Weasley lhe quebrar em pedacinhos.
- Engraçadinha. mas dessa vez... – disse Draco, mas parou... estava falando demais e poderia colocar a sua irmã em risco.
- Dessa vez o que?
- Nada...
- Você deveria me contar o que realmente aconteceu.
- Não quero
- Uma hora você vai explodir
- Não vou
- O que a Weasley fez?
- Já falei. Eu não vou contar! A adaga foi boa... obrigado – mudou repentinamente de assunto.
- O que foi? Fizeram 'coisas' constrangedoras, foi? – Kalena não notou a testa do irmão ficar ligeiramente suada. - tá bom! Não vou perguntar. Mas definitivamente vai chover canivete. Um Malfoy agradecendo, duas vezes! Nossa, queria ter gravado. - disse risonha apertando as bochechas do irmão. - agora sim, novinho em folha. - a morena fez um ultimo giro com a varinha.
- A adaga é minha?
- Claro que não! Preciso dela mais que você! - disse estendendo a mão.
- Você deve ter um monte delas.
-Como você é pidão, Malfoy. Ok, por enquanto fique com ela!
- Sabe o quanto eu gosto de você?
- Desse tamanho? - abriu os braços o quanto pode.
- Um pouquinho mais - Draco estava todo risonho com a irmã. Foi só então que ele pode perceber a adaga direito
- O que foi? - perguntou a morena. Draco olhava hipnotizado para a adaga.
- A adaga é realmente muito bonita. - disse Draco. Ele pode perceber que no espigão da adaga era adornada com diamantes e lápis lazuli. Na ponta havia uma linda lua feita de ouro e diamantes.
- Eu sei. Foi um presente de meu avô.
- Foi? O pai da sua mãe? Ou o nosso avô?
- Até parece que o nosso avô me daria algo assim. Claro que foi o pai da minha mãe. Parece que ele sabia que cedo ou tarde eu viria parar aqui.
- Para com isso. Você está há mais de três anos aqui. Casou com um comensal, conforme o nosso pai queria... tem filhos com esse mesmo cara. Uma coisa que o sangue ruim não conseguiu te dar, porque você é devidamente encantada para não dar a luz a mestiços.
Kalena sabia que tudo o que o Draco estava dizendo era verdade. O mundo dela havia ficado de cabeça para baixo quando descobriu que não podia gerar mestiço, minutos antes de se casar com Victor. Foi o golpe de misericórdia que seu pai poderia ter dado nela.
Inicio do Flashback
"Kalena estava ricamente vestida com o seu vestido de noiva. O seu vestido tomara-que-caia feito com a mais pura renda francesa feitas por fadas e totalmente rebordada com pedras de brilhos ofuscantes, juntamente com o delicado véu posto sobre a sua cabeça, não ocultava a preocupação e o medo de seus olhos. Ela torcia levemente o cabo do bouquet dentro da carruagem.
O nervosismo a estava matando, não por que estava prestes a se casar com Victor Gambler – queria distância do comensal – mas sim por que agora não teria volta. Nunca mais poderia se ver livre dessa nova família que tinha. Não por Draco, claro, mas por Lucius e tudo de ruim que a presença dele lhe causava. Percebendo o nervosismo pelas mãos de sua primogênita, Lucius perguntou:
- Preocupada, Kalena?
- Um pouco. - disse olhando para fora, tentando se acalmar. Fazia uma noite agradável
- Não devia se preocupar. Mas devo confessar que fiquei feliz em saber que os feitiços feitos pelos nossos antepassados tenham dado certo
- Feitiços? Que feitiços? - perguntou curiosa encarando o seu progenitor.
- Bem, me responda uma coisa... você já tentou engravidar daquele sangue ruim?
- Não chame o Richard de sangue ruim...
- Era isso que ele era! Responda o que eu perguntei!
- Já... muitas vezes, mas... nunca consegui segurar mais que dois meses, sempre perdia.
- Exato! – disse Lucius feliz.
- Acho que o problema ta em mim... é bem capaz de nunca ter um filho meu.
- O problema não está em você... estava na imundice que você tentava gerar.
- Como assim?
- O motivo de você nunca engravidar está na sua marca de nascença.
- O que essa marca tem a ver com os abortos?- disse Kalena, fria
- Permita contar um fragmento da nossa história, Kalena. Um dos nossos ancestrais, com medo de que a nossa pureza se perdesse, jogou um feitiço nas meninas que nascessem na família Malfoy. Nos ventres de uma Malfoy não seria permitido que uma imundice fosse gerada, ou seja, você não poderia ter filhos mestiços. Entendeu agora?
Kalena mordeu os lábios, não podia acreditar no que seu pai estava lhe contando."
Final do Flashback
Foi só depois que descobriu aquilo que Kalena finalmente se conformara e se casara com Victor. Se quisesse ter filhos... se ela quisesse ser mãe, ela tinha que se casar com um sangue puro. No caso Victor. E foi exatamente que fez.
- Kalena, você está me ouvindo? – disse Draco achando o olhar de sua irmã vago de mais
- Sim. – disse seca.
- Uma coisa é certa. Você acabou se tornando uma das comensais mais influentes do império. Mais do que eu, nosso pai, seu marido e seu sogro juntos!
- Você sabe que esse assunto de ter me tornado uma comensal sem saber ainda não foi muito bem digerida.
- Depois de tudo que eu te falei, você devia se conformar com o que é.
- Me conformar é uma coisa, mas esquecer meus princípios. Tudo o que minha mãe me ensinou. É meio difícil, se não fosse por essa adaga, estaria morta a muito tempo, é difícil esconder cada pensamento de rebeldia contra Voldemort. Só faço por meus filhos.
- O que eu acabei de falar? Você estava aonde? No mundo da lua?! Fique feliz na posição que ocupa. Deveria abraçar novos princípios! O Lorde te trata como muitos sonham e desejam. Ele te trata com respeito. Até parecem que são iguais! O Lorde releva as suas alfinetadas, em troca tem você. Uma bruxa de altíssimo gabarito ao lado dele. Ele ainda te chama de pupila... de achado!
Kalena riu sem vontade. - Você realmente acredita no que está dizendo? Realmente acredita que é melhor estar aqui, do que lá fora lutando ao lado dos rebeldes? Lutando por algo realmente bom?
- O que é bom? vai Kalena.... eu te desafio! Você tem os filhos que sempre sonhou em ter!
- Eu sei! Eu sei o que consegui aqui. Não precisa repetir! Eles e você são as únicas coisas boas que consegui aqui. Mas pense só como seria o mundo... - abaixou a voz. - sem Ele... sem Voldemort para nos obrigar a sermos o que não somos...
- Você é uma egoísta! É isso que você é. Só pensa em você... Nas suas amarguras! Ícarus e Isolda... é neles que você deveria pensar! Pense nas oportunidades que os dois terão! O mundo que o Lorde está construindo é para eles! Um mundo onde não é preciso se esconder, nem muito menos temer os trouxas. São eles que nos temem! O Lorde que você tanto despreza... é ele que está pensando no bem de Ícarus e Isolda. Não se esqueça que eu sou exatamente aquilo que eu queria ser quando criança... e Ícarus também vai querer ser um comensal... como o pai, os avós e o tio!
- Nunca! Eu nunca permitirei uma atrocidade dessas, Draco. Às vezes você me assusta sabia. Às vezes não te reconheço. Cadê aquele homem que sonha em estar nos baços dela... Cadê?
- Sempre morre quando lembra que ela será lady das trevas. Morre quando descobre que o destino dela é se tornar a minha senhora. A qual devo servir fielmente.
- Draco... - seus olhos se encheram d'água. - me corta o coração essa sua situação. Mas se eu estivesse no seu lugar, eu lutaria. Largaria tudo isso... - abriu os braços, mostrando o lugar. - e recomeçaria. Se você quiser, eu vou junto, com meus filhos. Nós poderíamos fugir para outro país, ou até mesmo... - estreitou os olhos fixando ainda mais os olhos do irmão. - nos juntarmos a ela. Sei que ela aceitaria a nossa ajuda... A sua ajuda. Vamos Draco, pense. Use sua cabeça.
- Você não pode fugir com os gêmeos.
- Claro que eu posso
- Não, você não pode. – a realidade que exporia à Kalena era cruel, mas tinha que ser dita. – acredite em mim quando digo que você não pode!
- Por que eu não posso? Do que você está falando?
- Devo dizer antes de tudo que descobrir foi há pouco tempo e foi nosso pai que me contou. Eu não participei dessa atrocidade. Para falar a verdade eu ainda não digeri muito bem isso!
- Fala, Draco!
- Com medo que você se rebelasse, - respirou fundo. Era hora de sua irmã saber a verdade sobre seus filhos. - o Lorde encantou seus filhos. Ele sabe que você é ligada as crianças...
- Ele fez exatamente o que?
- Ele estava curioso... queria conhecer as crianças. Mas Isolda quando o viu fez exatamente o que se espera de uma menina que é você em miniatura. O insultou!
- O que tem demais nisso? Ela é uma criança!
- Mas o Lorde não gosta de ser insultado. Ele juntou a vontade de punir os dois e a garantia de que você fugiria. Ele lançou um feitiço... e pelo o que estudei é magia negra.
- Magia negra?
-Sim... você conhece o encantamento da saudade?
- Desembucha logo! O que aquele monstro fez com meus filhinhos?
- É um feitiço que prende a alma das crianças às pessoas que ele tem certeza que não vai traí-lo. Se tentar fugir com os dois, Ícarus e Isolda sentirão uma mórbida saudade de tudo e de todos. Eles tentarão voltar de qualquer jeito... se não conseguirem, eles cairão doentes e o próximo passo é a morte.
- Meu Deus... - Kalena levou as mãos à boca.
Ela se deixou cair no sofá atrás de si. Estava trêmula. Não tinha escapatória. Nunca deixaria seus bebês. Voldemort era um monstro. Tampou os olhos, escondendo o rosto, respirava pesadamente. Draco estava arrependido, mas se não contasse o Lorde contaria da pior forma. Ele mesmo ficou irado quando descobriu. Queria matar seu pai por ter participado daquela atrocidade.
- Você não tem como fugir... o jeito é se acostumar.
- Quero que você me deixe sozinha. - disse baixo. - vá embora...
- Ta... Você tem todo o... – mas Draco falou cedo demais. Uma ardência em seu braço denunciava que o Lorde estava o chamando e pelo visto a marca de Kalena também tinha sido convocada. – o Lorde exige nossa presença. Vamos?
- Eu quero ficar sozinha, Malfoy! Eu já falei!
- Acho imprudente irritá-lo depois saber do que ele é capaz com duas crianças.
- Eu sei! – gritou desnorteada. - mas me deixe pensar por pelo menos cinco minutos, é pedir demais? - a morena não olhava para ele, mantinha seus olhos fechados. - apenas, cinco... malditos... minutos. - vociferou.
- Não dá! Pense em Ícarus e Isolda!
- ESTOU PENSANDO MALFOY! Estou pensando... - Kalena não suportou mais manter as aparências, desabou num choro. Não agüentava mais manter as aparências. Era o que vinha fazendo todo esse tempo. Nada estava bom... muito pelo contrário.
- Kalena... – disse Draco estarrecido. Ele não a via chorar daquela forma há mais de três anos – não é tão ruim assim.
- Cala...essa...maldita...boca. São meus filhos...
Draco calou-se na hora. A sua irmã tinha razão de ficar naquele estado. Ele mesmo ficou furioso a ponto de ser detido para não bater em seu pai. Tudo bem que seria um favor ao mundo mágico não deixar que sangues-ruins viessem ao mundo, mas fazer tal maldade com seu próprio sangue era demais. Kalena esfregou os olhos, levantou e se dirigiu para frente do espelho. Se olhou. Não era ela... era apenas o que sobrou depois de tantas lutas perdidas. Estava tão acabada, tão cansada de tudo aquilo.
Suspirou. Draco estava certo. Não podia colocar em risco seus filhos. Eles eram o único motivo que a deixava sã. Com um girar suave da varinha, sua maquiagem antes borrada, estava novamente perfeita. Se olhou outra vez, agora seu rosto estava duro e frio. Aquela mesma máscara que ela usara tantas e tantas vezes. - Vamos logo com isso.
Os dois voltaram pelo mesmo caminho que tinha feito a poucos minutos. Kalena estava com a cabeça a mil. O que ela faria agora? Por que ele teve que fazer uma atrocidade daquelas? Logo seus dois filhos... Ela não ficaria abalada se fosse contra ela... muito pelo contrario... seria até plausível, pois ela alfinetava-o sempre que podia. Mas agora tudo tinha mudado... seus amados filhos estavam no meio do chumbo trocado com Voldemort.
§ (#.#) §
Agora ela entendera a atitude de Draco. Destruir a gruta era para dar veracidade na mentira que ele contaria a Voldemort, ele precisava não deixar rastros. Ginevra andava rapidamente pelo túnel secreto. O tom de voz que Draco usou na hora em que disse "você precisa entrar..." a assustou.
O que de tão ruim poderia ter acontecido na sua ausência? Será que as coisas dentro de Hogsmeade estavam piores do que imaginava? Ela não podia pensar assim... até porque, se pensasse o tempo que viveu longe de sua família não serviram para nada.
Foi só então que percebeu que o túnel era muito frio... frio até demais. Sem contar que a cada passo que dava, mas frio ficava... aquilo não era normal. Mas Ginny estava muito mais preocupada com os seus amigos do que com aquele frio. Ela precisava se inteirar dos problemas de seus amigos e familiares antes de agir.
Nunca imaginou que aquele caminho fosse tão longo. À meia luz de sua varinha, ela consultou o relógio. Estava andando por mais de meia hora. A ruiva estava começando a se sentir sozinha, muito mais do que isso... estava se sentindo desorientada e o nervosismo só aumentava a angustia de chegar. Associado a tudo isso lhe veio a fome. Nem se lembrava qual foi a ultima coisa que colocou na boca. Mas tinha que continuar. Não podia esmorecer.
§ (#.#) §
Voldemort estava os esperando. Os dois não tardaram a chegar até o salão de reuniões. Ele observava os dois irmãos de forma fria e cruel. Draco foi o primeiro a se ajoelhar perante Voldemort. Já Kalena... bem Voldemort sabia que ela nunca faria uma coisa dessa. Aquela bruxa era orgulhosa demais para isso.
Kalena demonstrava em seu semblante preocupado devido a toda a verdade sobre Ícarus e Isolda. Draco se levantou e se pôs à margem da conversa que viria a seguir. Geralmente a conversa dos dois sempre dava muita discussão. E não queria que essa discussão sobrasse para ele.
Voldemort percebeu nitidamente o afastamento de Draco. Significava duas coisas. Primeira que ele sabia que a conversa poderia se tornar em discussão; e segunda que o seu jovem comensal não era totalmente de acordo com as decisões tomadas pelo bruxo das trevas em relação àquelas duas crianças. Da forma mais dissimulada perguntou à Kalena.
- Então, minha cara... o que tem a me dizer sobre a maldita bruma. Como eu posso invadi-la?
- É muito engraçado. Faz o que faz e ainda quer alguma informação?
- Já esperei tempo demais. - Voldemort a olhava fixamente.
- Pois que fique assim... esperando.
- Não me desobedeça! – sibilou perigosamente.
- Tenho coisas mais importantes do que contar sobre aquela esfera. Um bom exemplo seria aquela montanha de pergaminhos antigos que o senhor mesmo me mandou. - retrucou Kalena já saindo do salão.
De todos os sons que Draco e Kalena poderiam ouvir, ouvir aquilo foi um sinal de mau presságio. A risada fria e sem vida de Voldemort era um balde de água fria.
- Você devia pensar mais em Ícarus e em Isolda - falou Voldemort decido a ter aquela informação.
Kalena congelou. Cerrou os punhos.
- Não há mais nada que falar sobre aquela bruma. Eu menti. Tudo que sei sobre aquela bruma já falei.
- Isso sim...- estreitou os olhos, analisando-a demoradamente. - é que é uma mentira.
- Eu não estou mentindo.
- Está, Kalena. E eu falei que deveria pensar nos seus filhos.
- Não ouse ameaçar meus filhos. – disse Kalena se virando para enfrentar Voldemort – Você desconhece o que uma mãe pode fazer quando ameaçam seus filhos.
- Verdade. Sinceramente, não sei o que uma mãe pode fazer para defender os filhos. Mas eu sei o que você vai fazer. Vai me contar o detalhe da minha total ascensão.
- Vai sonhando. – respondeu Kalena a altura.
- Já que você quer dar uma de durona... - girou a varinha nos dedos. Agora sim, pegaria pesado com a bruxa. - você já deve saber que visitei seus filhos a quinze dias.
- Acabei de saber. – disse Kalena se segurando para não chorar. Era por isso que Isolda estava se escondendo nos estábulos.
- Ótimo! Vai poupar tempo para explicações pormenorizadas. Quero lhe dar os parabéns. Isolda provou ser realmente sua filha. Mas nela, ao contrario de você, dei-lhe o corretivo apropriado e no ato.
- Como pode... são crianças.
- O castigo nela, devo te contar, foi mais forte. – disse Voldemort alheio às lamurias de Kalena – É para ela aprender, desde cedo, que me deve obediência e respeito. Você descobriu como o encantamento de saudade funciona, não é?
- Sim. – respondeu Kalena seca – E esse foi o motivo de eu ainda não ter fugido com meus filhos para bem longe. Você é mal até a alma... se é que você ainda a tem.
- Você, sendo tão poderosa, deveria saber que não existe isso. Quando eu quero alcançar um alvo... eu consigo. Custe o que custar!
- Apenas uma dica pra você, Voldemort, um bruxo como você... - parou por segundos, medindo as palavras. - nunca conseguirá passar por aquela bruma. Um ser, onde faltam fragmentos de alma... nunca vai compreender as sutilezas da esfera de Zanon. Vai morrer tentando ultrapassá-la!
- Já é um progresso... O nome daquela esfera é Zanon. Agora me conte o resto.
- Por que você, além de não ter alma... não tem coração!
- Não brinque com a sorte... você vai me contar tudo o que sabe e vai me contar agora! – Voldemort apontou a varinha para Kalena. Draco fez menção de se aproximar, mas Voldemort apenas usou a varinha para fazer a bruxa se ajoelhar perante ele.
Kalena bufou. Nunca em sua vida se sentira tão ridicularizada, estava de mãos atadas.
- Tudo que fez na vida reflete naquela esfera. A cada morte em sua alma... o sangue dos inocentes que matou servirá como uma venda em seus olhos em forma de bruma – sentiu um nó em sua garganta. Rezando que as pessoas que se refugiaram a perdoassem por dar uma informação tão valiosa à Voldemort, mas era a vida de seus filhos – só aqueles que se arrependem de tudo que já fez, ou os que são forçados por meio da chantagem, ou por aqueles que tem a capacidade de amar sem receber nada podem encontrar a cidade no meio da esfera de Zanon. A esfera tem o poder, dados pelos friedans, de ver se a alma é limpa... se ainda é una. E em você falta-lhe o essencial... a alma. Dividindo-a da forma que dividiu...
- Já entendi! – respondeu frio. Se perguntava como ela poderia saber das Horcruxes, talvez pela boca grande de Draco. Mas isso agora não era realmente importante, afinal ninguém sabia onde as horcruxes estavam. Queria meios de destruir aquele feitiço – Agora me conte... de onde esse feitiço se alimenta?
- CHEGA! EU NÃO VOU DIZER! – alterou Kalena!
- Então serei obrigado a sacrificar os seus filhos!
- NÃO! – Kalena não podia permitir isso e repentinamente mudou o tom de voz – Por favor... meus filhos, não! Puna-me... não os meus filhos!
Draco continuava alheio, escutando tudo. Não poderia se meter, afinal não sabia quase nada sobre a bruma. Ele não queria mais atenção do Lorde do que já estava recebendo. E Kalena deveria contar tudo que sabia ao Lorde. Ela não deveria ser leal à pessoas que mal conhecia.
- Se você não me contar... - disse Voldemort para Kalena. A sua voz era tão baixo que mais parecia um sussurro - eu os mandarei para Vardo. Draco já passou uns tempos lá, sabe exatamente o que quero dizer, não é Draco?
Draco engoliu a seco. Se ele com 17 anos mal conseguiu suportar o que passou naquele lugar nefasto, duas crianças de três anos não teriam a menor chance de sobreviver. E isso sem contar com aquele feitiço. Voldemort abriu um sorriso frio. Ele percebeu que Draco não se esqueceu dos horrores que sofreu. Tais horrores que aguardavam as duas crianças eram de arrepiar qualquer um.
- Como os gêmeos estão encantados sentirão uma imensa saudade de todos e definharão... então Kalena se eu fosse você me diria onde aquele feitiço de proteção se alimenta...
- Hogwarts... – cortou-o quase gritando. - satisfeito... Hogwarts
- Hogwarts? Aquele castelo... Por que não pensei nisso antes... - coçou o queixo demoradamente. - chegou a hora de destruir aquele lugar de uma vez por todas. Se eu, o herdeiro natural daquele castelo, não posso tê-lo... ninguém o terá.
- Não se esqueça quem está la dentro - disse Kalena se levantando e se segurando para não chorar - a lady pode sair ferida e até mesmo morta dessa investida.
- Não... Tenho que planejar tudo nos mínimos detalhes. A quero ao meu lado, e não a sete palmos de distância.
- Posso ir? - disse Kalena já virada, com uma lagrima teimando a cair e quase saindo da sala. Ela não agüentaria nem um segundo sequer perto daquele ser nefasto. – tenho que fazer experiências com as descobertas que fiz.
- Melhor... percebo que você tem trabalhado muito nestes últimos meses. E já que você me contou o que eu mais precisava... e ainda me abriu os olhos para não atacar sem planejar, você pode ir para sua casa e ficar lá por uma semana
- Uma semana? - repetiu sem acreditar. Uma semana com seus bebês, seria fantástico.
- Isso... uma semana com Ícarus e Isolda. Não sou tão mau assim. - disse Voldemort sorrindo para as costas de Kalena - Vá curtir seus filhos!
Kalena deu uma ultima olhada para trás. Queria saber qual eram as intenções do bruxo. Aquela folguinha tinha claramente segundas intenções.
- Você quer o que? Mais trabalho? - disse Voldemort olhando profundamente
- Não. Já estou indo... - caminhou o mais firmemente que conseguiu. Não se preocupou de deixar Draco para trás, a raiva que sentia era tanta que se ficasse por perto do loiro o socaria até cansar. Não que ele tivesse culpa do monstro que era Voldemort, mas por ser tão covarde e não ter tentado sair daquele covil de serpentes enquanto pode.
§ (#.#) §
Ginevra estava tão entretida com a sua desorientação e a fome que lhe assombrava que se assustou quando a opala esquentou. Aquilo fora repentino demais. O frio demasiado que sentia, simplesmente desapareceu e deu lugar a um clima bem agradável. Para a sua felicidade, a mudança do clima trouxe consigo a saída do túnel.
Ao sair daquele túnel, Ginny viu um cenário que nunca pensara em ver nesses últimos meses. Hogsmeade estava praticamente igual quando a deixou para trás. A única coisa que mudara fora o repentino amento populacional da cidade. Nem pareciam que estavam em guerra e que a cidade estava sitiada.
Com a sua percepção aguçada, Ginny percebeu uma movimentação estranha. Ela subiu em um emaranhado de pedras e se escondeu por lá. Ela não queria ver ninguém além de Neville naquela noite. E já era suficiente Draco saber que ela estava de volta, ah claro, sem contar que Voldemort – o Lorde das Trevas em pessoa – conhecia esse fato.
§ (#.#) §
Uma mulher loira corria pelo jardim próximo as casas de Hogsmeade, um homem alto e magro a seguia divertido. Era Luna e Neville. Apesar de que Luna estivesse sorrindo o olhar dela era melancólico e amedrontado. Talvez fossem as longas e dolorosas perdas. Já Neville se tornara mais resistentes a perdas. Ele se tornara algo que nunca pensou em ser.
A loira apertou os passos e correu mais indo para trás de um pequeno chalé, que ficava em frente da pequena floresta que restara dentro da esfera de Zanon que protegia a cidade.
Luna parou abruptamente e Neville quase escorregou atrás dela. Ambos mantinham uma expressão de espanto. Uma figura negra estava parada em cima de uma pedra olhando diretamente para eles. Segurava uma pesada e brilhante espada.
Luna e Neville sem pestanejar lançaram um feitiço - aprenderam que nesses tempos de guerra deviam atacar primeiro para depois perguntar . Isso era o que Dumbledore sempre repetia à eles. O feitiço foi rebatido pela pessoa com extrema facilidade com a espada. A pessoa gargalhou e abaixou o capuz. Luna soltou um grito e se apoiou em Neville, que mantinha os olhos esbugalhados.
- Tudo isso é felicidade por me ver? - a pessoa pulou da pedra e aterrizou aos pés dos dois.
- Ginny! - Luna pulou no pescoço da amiga e a abraçou fortemente.
- To vendo que você não mudou em nada, Luna. - disse Ginny sendo quase sufocada pela amiga
Ginny conseguiu com muito custo se afastar de Luna e dando um meio sorriso cumprimentou Neville.
- Oi Nev. Então, o que se passa?
Neville olhou espantado para Ginny. As poucas vezes em que conversaram era por meio de cartas. Reparou que ela havia se tornado uma linda mulher, mas isso realmente não importava. Sua meia paixonite pela ruiva a muitos anos ficara para trás, desde que ela começou a namorar Harry e podia afirmar com muita certeza que amava Luna e somente ela. E isso sim era a única coisa que importava.
- Por onde esteve, tentei te contatar, mas ninguém sabia do seu paradeiro!
- Oras Nev, te disse na última carta que estava mudando de esconderijo. Mas isso é outra história. Quero saber de tudo!
- Bem – começou o moreno - como você bem vê estamos protegidos por uma bolha de frio. Sem contar que minha Luna foi seqüestrada uma vez. – em seu tom de voz, Ginny pode distinguir mágoa.
- Mas isso não importa - retrucou Luna olhando feio para Neville - mas e você? O que aconteceu com você?
- Muita coisa Luna. - a loira pode sentir a frieza e distancia que a ruiva os estava tratando. O que será que estava acontecendo. - Agora, precisamos conversar Neville, Luna. Quero ficar a par de tudo que aconteceu enquanto estive fora. Quero assumir meu posto o mais rápido possível.
- O que você tá pretendendo? - perguntou Neville estranhando a frieza de sua amiga
- Colocar as coisas no eixo novamente. - deu um meio sorriso, um sorriso que não chegou a seus olhos.
- Será que não podemos esquecer por um minuto essa guerra? - reclamou Luna - Ginny... você acabou de chegar! Será que poderia fingir por poucos momentos que está contente por nos ver! Quero muito saber como é a vida longe da Europa!
- Não, não podemos Luna! – a ruiva a olhava sério. Será que ninguém, além dela, entendia o que essa guerra significava? Harry havia morrido por isso. Lutar era o mínimo que eles podiam fazer. - Será que até hoje você não percebeu que se esquecermos por um segundo dessa maldita guerra, Voldemort vem e dá o bote?
- Você não sabe o que aconteceu comigo! Você não tem idéia de como eles podem ser cruéis com as mulheres. – Luna estava extremamente magoada com a amiga. - você fugiu! Foi embora e deixou todo mundo. Mas eu não! Eu fiquei, perdi o meu pai, fui seqüestrada e só eu e... e... uma amiga sabe o que eu passei!
- Fugi? É isso o que você pensa? Eu fui obrigada a ir embora, só Deus sabe o que aconteceria se eu ficasse e não fosse treinada adequadamente. Só eu sei o que passei nas mãos de Voldemort!
- Não diga o nome dele! – exclamou exaltada a loira.
- GINNY! LUNA! CHEGA AS DUAS! – gritou Neville intervindo na discussão. Aquela não era a hora para lavação de roupa suja. – Vamos entrar... – recobrou o seu habitual tom de voz. Luna cruzou os braços extremamente sentida. Ginny guardou a espada e olhava para Luna friamente. – Minha casa não fica longe, vamos entrar e conversar civilizadamente, sim.
As duas concordaram com a cabeça. Luna e Neville seguiram na frente de mãos dadas. Ginny sentiu uma pontada de inveja. Talvez nunca pudesse repetir aquele gesto tão simples. Andar de mãos dadas. Mesmo que consiga derrotar Voldemort, nunca poderia se entregar a alguém. Ela trazia azar a todos que se aproximavam. E Harry fora o primeiro a constatar tal realidade.
A casa de Neville era bem simples. Luna foi a primeira a entrar, Neville segurou a porta para que Ginny entrasse. Fechou a porta e a trancou com a varinha. Ginny começou a memorizar como era a casa daquele casal. A sala era pequena e nela tinha uma lareira.
Na soleira havia fotos de várias pessoas. Pessoas da época de escola. Pessoas estranhas a Ginny, que ela concluíra que era de época atual. Mas havia muitas fotos dos dois. Fotos de ambos sorrindo... e uma foto de Luna com um olhar amedrontado. Ginevra estranhou aquele olhar da foto. Mas verificaria isso depois que se familiarizasse com a situação atual.
Havia um acesso que dava para cozinha e pelo que Ginny pode perceber era uma cozinha branca. Ao seu lado havia uma escada simples que dava para os quartos no segundo andar. Do lado direito da sala havia outra duas portas, mas essas estavam fechadas. Os moveis da sala eram rústicos, mas bastante acolhedores.
Sem nenhuma cerimônia, Luna havia se sentado em uma poltrona de frente para a lareira, ainda apagada. Ginny achou melhor recomeçar a conversa interrompida a alguns minutos. Precisava resolver as coisas, só assim poderia seguir em paz.
- Olha Luna, desculpa tá legal. - esfregou as têmporas. Luna lhe dirigiu um pequeno e rápido olhar incrédulo. - Você sabe muito bem por que fui embora! Eu também perdi pessoas que amava, ok?!
- Fiquei meses a fio presa. – a loira não a olhava, e isso a machucou profundamente. Eram melhores amigas na escola, e agora eram como se fossem apenas conhecidas. - sendo furada por tantas agulhas que você não tem noção! Para aqueles infelizes eu era apenas uma coisa a ser reprogramada, esqueci quem eu era... quem eu amava. Só para ser dócil ao comensal que me escolheu!
Gina piscou diversas vezes. Ninguém lhe tinha contado essa parte da história.
- Olha Luna, eu sinto muito não ter estado aqui para te ajudar, ok. É que eu... eu... – as palavras ficaram presas em sua garganta. - Acho melhor mudarmos de assunto. O que importa é que você está bem, o Nev está bem, e eu vou dar um jeito nisso, ok? Vou acabar com todos eles, um por um.
- Percebi que você mudou e muito. - Luna se levantou dando as costas para a amiga. – antigamente você tinha um coração. Se importava com as pessoas. – e saiu correndo deixando para trás os dois amigos.
- Nev... - suspirou cansada. Encarou o amigo. - você sabe o nome dele?
- O infeliz que a comprou? - perguntou Neville amargurado.
- Não. O nome do papai Noel! Claro que sim, Nev! – Neville a olhou amargurado e ressentido. - desculpa! Força do hábito. - correu para se desculpar.
- Nós o conhecemos. O desgraçado se chama, Zabini. Blaise Zabini. – Neville cuspiu o nome do comensal.
Uma corrente elétrica percorreu seu corpo. Blaise Zabini, amigo de Draco Malfoy. Sempre soube da queda que o negro tinha por sua amiga, mas nunca pensou que ele fosse capaz de tal atrocidade.
- Zabini. Ok, agora Nev, vai atrás da Luna, e cuide dela por mim, ok. Tenho que tomar umas providências.
- Talvez seja melhor você ir procurá-la. – falou pondo um ponto final no assunto. - até porque foi você que a fez chorar!
- Neville... - suplicou. - Eu não sou boa nisso. Provavelmente a farei chorar de novo...
Era tão mais fácil conversar com Neville, com ele falavam sempre sobre a guerra, os rebeldes, agora com Luna era diferente, ela precisava de mais, precisava conversar sobre seus sentimentos, sobre como aquela guerra estava afetando as pessoas. E isso era pedir demais para ela, era tão mais fácil se fechar e seguir em frente como se nada tivesse acontecido; mas isso não seria possível com Luna, sua melhor amiga.
- Então comece a ficar boa nisso - respondeu seco - e aproveita tenta tirar o nome da bem feitora que invadiu a prisão. Quer dizer, invadiu o centro de pesquisa e tirou Luna de lá. Pelo que eu entendi nas poucas vezes que Luna toca no assunto, ela estava pronta para se tornar a Sra. Zabini e essa "pessoa amiga" a tirou de lá e tirou toda a porcaria que colocaram na minha Luna. E a devolveu para mim.
Ginny o olhou penalizada, sentia a culpa em forma de cubo de gelo em seu estômago. Luna e Neville eram seus amigos, sua responsabilidade, não devia ter ficado fora tanto tempo. Era seu dever cuidar deles. Se Harry estivesse vivo, com certeza Luna não tinha passado esse inferno durante meses.
- Você tem razão. Eu sinto muito, Nev. – segurou a mão do homem. – Sinto não ter estado aqui quando a seqüestraram e não ter ajudado em nada. – Neville deu um meio sorriso e apertou a mão da garota. - cuidarei pessoalmente do Zabini. – Neville concordou com a cabeça e os dois se abraçaram.
- Eu sei que cuidará... mas faço questão de cortar-lhe a cabeça como muitos comensais andam fazendo e mandarei a cabeça para Voldemort colocar na coleção dele! Agora vai e resolve a bagunça que fez.
- Você é um chato sabia. - deu língua para o amigo e começou a andar pelo caminho feito por Luna.
Luna tinha corrido direto para sua cama. Queria esquecer das vezes que chamou Zabini de meu amor, das vezes que se esquecera de Neville; de como aqueles infelizes foram cruéis com ela. No meio de tanta coisa que queria se esquecer, escutou alguém bater na porta e abrir uma fresta esperando permissão para entrar. Inconscientemente segurou a varinha junto ao corpo.
- Vai embora Nev, não estou bem para conversar. – sua voz estava embargada, pelo choro.
- Sou eu Luna. Posso entrar? – a ruiva a observou pela fresta da porta.
- O que quer? - perguntou Luna entre soluços.
- Me des... des... - ok, tanto tempo sem falar aquela palavra que estava difícil de pronunciar. Engoliu seco, tinha que tentar, se não Luna não a perdoaria. - Queria saber como você está e também queria me desculpar...
- Você não sabe do que eles são capazes. Do que eles estão fazendo. Tudo em nome da purificação. – Ginny sentiu um aperto no peito. Os grandes olhos azuis de Luna estavam inchados e vermelhos. - aquelas que não são vendidas, se tornam barrigas de aluguel com o único objetivo de procriar... sem vontade própria... é horrível Ginny, você não tem noção.
- Eu sei muito bem o que eles são capazes. Esqueceu que Voldemort já esteve em minha cabeça?! - exclamou exasperada, fazendo Luna pular de susto. - Olha Luna... - respirou fundo para se acalmar, e não acabar brigando com ela novamente. - Quero que você saiba que eu mesma vou cuidar do Zabini, ok? Vou fazer ele sofrer o dobro que você sofreu.
- Sabia que eu fui encomendada... – continuou sem ligar para o que a amiga tinha dito. Seu olhar era vazio. - 1000 galeões para aquele que conseguisse me capturar. Você ficou o que? Dois dias? Eu fiquei seis meses. E mais outros 4 meses me limpando da imundice que enfiaram em mim. Ela ficou para trás, tinha filhos para proteger. Me deu a liberdade, mas continua presa a eles.
- Dois dias... – suspirou Ginny. Luna não fazia idéia do que tinha acontecido naqueles dois dias, ninguém realmente sabia. O que os outros ouviram dizer era o que ela queria que soubessem. Tinha vergonha até de pensar e também nojo só de lembrar que tinha passado por sua cabeça realmente ser a mulher de Voldemort. Esfregou o braço esquerdo. Doia só de lembrar. - Qual o nome da sua salvadora?
- Você não a conhece. – respondeu categoricamente. – não pessoalmente
- Posso saber o maldito nome? Por favor...- acrescentou rapidamente. – talvez nós possamos ajudá-la também, assim como ela te ajudou!
- Quero um abraço! – disse Luna repentinamente
- Ahn, claro! – também estava tão enferrujada em demonstrar sentimentos. Simular sentimentos era uma das chaves fundamentais do treinamento com os monges.
Se dando por vencida Ginny a abraçou. Luna apertou bem aquele abraço e perto de seu ouvido, começou a sussurrar. A cada palavra dita em segredo Ginny ficava cada vez mais estarrecida com que descobria. Tinha muito mais gente nas linhas inimigas do que poderia imaginar. Do nada Luna se desfez do abraço e olhando intensamente para amiga disse sem nenhum resquício de medo e vagues.
- Agora você já sabe...
- Sim, agora eu sei... – murmurou no mesmo tom seco que Luna. Agora estava tudo tão nítido. – claro, como eu fui ingênua. – murmurou para si mesma.
Luna respirou aliviada, talvez Ginny ainda tivesse salvação. Sem que Ginny esperasse a loira se jogou em seus braços. Ginny dessa vez relaxou os músculos. De certo, Luna já a tinha perdoado. Assim era a loira, tinha um coração enorme e perdoava com extrema facilidade. Queria ter esse dom.
- Precisamos remover essa pessoa o mais rápido possível. – disse Luna
- Concordo. Essa alma caridosa já sofreu demais e caso tenha algum pecado... já pagou por todos eles.
Luna sorriu para ela. Agora ela tinha certeza que tudo poderia voltar ao normal.
- Ah Luna... depois de tanto tempo essa é realmente uma noticia boa. - Ginny puxou Luna pelo braço e a apertou fortemente, dessa vez pegando a loira de surpresa. - Agora tenho que ir. Tenho coisas a resolver. - apertou as bochechas da loira e levantou num pulo.
- Você vai procurá-los agora? – perguntou esperançosa. Talvez a ruiva tivesse um pouco de juízo e fosse atrás da família.
- Eu... eu não sei. Você acha que eu devia vê-los agora?
- Claro que sim, Ginny! – a loira se levantou e segurou as mãos da amiga. – Eles são sua família! A Sra. Weasley sente tanto a sua falta. Todas as vezes que tomamos chá juntas, ela fala de você.
- Ok, Luna. Eu vou, sim.
O rosto de Luna se iluminou. Abriu a boca para dizer mais uma coisa, mas parou no meio do caminho; parecia que estava estudando suas palavras, antes de dizê-las.
- Ginny, a pessoa que me salvou me contou uma coisa extremamente assustadora e ao mesmo tempo preciosa para os nossos planos.
- E o que seria?
- Há um traidor entre nós. Por isso não toque no nome de ninguém, ou ambos podem morrer.
- Um traidor entre nós? Luna, por que não disse antes! Oh merlim, tenho tantas coisas que resolver... - começou a andar de um lado para outro. - Ok, você fica aqui e descança, eu vou cuidar de uns assuntos. Ah se pego esse traidorzinho... Oh, e ela por acaso não disse o nome dele não é mesmo?
- Não... ela faz parte do mais alto escalão; e ninguém do alto escalão sabe. Esse traidor só se reporta a Você-sabe-quem.
- Tava bom demais pra ser verdade. Ok, desse traidor cuido depois, agora tenho assuntos a tratar, você sabe.
- Me desculpa, Ginny por ser tão passional. Mas é que... quase um ano me deixaram assim
- Não te culpo Luna. - Ginny deu um fraco sorriso. – mas agora eu vou, e se você deixar eu poderia voltar para cá depois e conversamos, ok?
- Adoraria Ginny! Vou te esperar com uns bolinhos de bergônia e chá de folhas silvestres.
- Ok, então quer dizer... Você e o Nev, heim? – perguntou com segundas intenções deixando as bochechas da amiga ligeiramente vermelhas. Luna deu de ombros sorridente.
Ginny sempre soube que aqueles dois terminariam juntos. Se despediu com um aceno e foi para a sala onde também se despediu de Neville dizendo que voltava depois que fosse procurar sua família. Neville lhe explicou com exatidão onde ficava a casa dos Weasley.
Ginevra saiu da casa de sua amiga mortificada. Como era possível o Zabini ser tão baixo a ponto de modificar totalmente a Luna. Mas também a sua amiga foi se envolver logo com um sonserino que fatalmente viraria um comensal maluco. Ginevra, com aquele pensamento, desaparatou.
Desaparatou do outro lado da rua, em frente a casa de sua família. A casa era bem diferente da sua velha Toca. Não possuía todos aqueles andares tortos, era bem simples, mas acolhedora. Respirou fundo, seu coração batia na garganta.
Já passava das oito da noite, se camuflou nos arbustos vizinhos. Não estava tão segura quanto quando falou com Luna. Podia ouvir as vozes de sua mãe gritando com alguém, talvez fossem os gêmeos aprontando algo, ou talvez Ron, levando uma dura por não ter feito algo que sua mãe pediu.
Caminhou ao lado dos arbustos, encontrando uma pequena janela ao lado da casa, que dava pra cozinha. As luzes estavam acesas, Molly estava encostada à pia, lavando a louça do jantar. Pode ver seu pai sentado à mesa folheando um jornal desinteressado.
Uma movimentação na casa do vizinho fez com que ela saísse do transe.
- Quem está ai? – gritou um velinho, suas mãos tremiam ao segurar a varinha.
Ginny achou melhor ir embora, antes que arrumasse confusão. Aparatou, no mesmo instante Molly Weasley secou uma solitária lágrima que escorreu por seu rosto.
A garota acabou dormindo na casa de Luna e Neville, afinal, ainda não tinha onde dormir. Naquela manhã Luna, com uma ajudinha de Neville a convenceram de visitar sua família. Afinal, havia cinco anos que não os via.
A loira fez questão de aparatar com Ginny, para ter certeza que ela ao menos bateria na porta dos Weasley. As duas desaparataram do outro lado da rua, em frente a casa dos parentes da ruiva.
Luna deu um sorriso sincero ou notar a cara de terror da amiga ao seu lado. Ginny segurava braço da amiga, buscando um pouco de apoio e confiança que lhe faltava no momento.
- Você tem certeza que preciso fazer isso hoje? – a loira respondeu que sim com a cabeça.
- Calma Ginny, são só os Weasleys. Sua família, lembra?
- É fácil pra você dizer. Não foi você que ficou sem dar noticias por cinco anos.
- Está parecendo que você não recebeu nenhum treinamento do mestre Yan Shun. – Ginny a olhou com um misto de espanto e divertimento. – covarde. – cantarolou a última palavra.
Ginny serrou os olhos perigosamente, voltou sua atenção para a casa dos Weasley. Na porta tinha uma menina brincando calmamente. Ela era ruivinha de olhos azuis. Ginny estranhou aquilo. Mas passou tanto tempo fora que não saberia dizer de quem aquela menina era filha.
Correu os olhos pelo jardim da frente, não tinha ninguém, apenas a garotinha. Resolveu se aproximar.
Deu alguns passos e não sentindo a presença de Luna, girou a cabeça para trás a olhando questionadora.
- Você não vem?
Luna balançou a cabeça negativamente, e antes que a ruiva desse meia volta ela aparatou. Ginny bufou, ok, teria que fazer isso sozinha. Deu mais alguns passos e abriu o portãozinho devagar e se aproximou da garotinha que não a tinha notado antes.
- Oi. - disse se sentando no chão junto a garotinha.
- Oi. - disse a menina observando Ginny atentamente - você é nova por aqui?
- Pode-se dizer que sim. Como você se chama, lindinha?
- Marienne. Mas todo mundo de Enne. E o seu?
- Marienne, que nome lindo. - passou a mão pelo cabelo da garota. - Me chamo Ginevra. - enrugou o nariz em desgosto. - Mas detesto esse nome. - sussurrou para a garotinha - Mas todos me chamam de Ginny.
- Legal! Por que o seu nome é Ginevra?
- Bem, minha mãe teve um acesso de loucura, quando me batizou. Mas me diz uma coisa, seus pais estão em casa?
- Sim. Os meus pais, os meus tios, as meus avós.
- Verdade?! Mas então, de qual dos ruivos você puxou esse cabelo lindo?
- Do papai. – disse Marienne naturalmente, enquanto brincava com sua boneca.
Ginny não pode deixar de rir.
- Sei. Mas como se chama o seu pai?
- Não sei. Chamo ele de papai. Você tem o mesmo cabelo dele, sabia?
- Sim, eu sei. - se inclinou ficando cara a cara com a ruivinha. - E você sabe o por que?
- Não! Mas eu te achei muito bonita. Eu vou ficar bonita feito você quando crescer?
- Claro que sim. Muito mais linda. Afinal, você já é linda!
Ginny tentava achar um jeito de arrancar algo da garotinha. Saber se ela poderia ter ouvido alguma conversa sobre ela, mas não estava encontrando um caminho certo para começar. E seu coração batendo descompassado não ajudava em nada no momento.
- Er... querida, você disse que seus tios estavam aqui, certo? Todos eles?
- Todos eles. Mas eu tenho uma tia também, mas eu não a conheço. Eu queria conhece-la... mas o tio Rony não gosta que fale dela... a ultima vez q eu perguntei dela o tio Rony não gostou e a tia Mione teve que engrossar com ele.
- É mesmo? E, o que a sua vovó diz disso tudo?
- Que o tio Rony tava precisando de levar uma palmada para acabar com a pirraça dele. Mas ela chora quando eu pergunto sobre ela. Fica dizendo q ela não devia estar comendo direito... que ela não devia ter ficado sozinha. Que ela é a caçulinha e no mínimo um dos meus tios tinha que ter ido junto... mas aí a minha mãe aparece e me leva pro quarto... e eu nunca escuto o resto da conversa
- Verdade? - Ginny sentiu seus olhos arderem. Só mesmo uma pessoa insensível como ela pra nunca escrever todos esses anos. Coitada de sua mãe. Podia ate vê-la chorando pelos cantos. - posso garantir que sua tia está comendo direitinho, e que está bem. - parou por um segundo analisando a garotinha que lhe olhava atentamente. - Será que você poderia dizer isso a ela?
- Você conhece a minha tia?
- Sim, conheço muito bem. - Ginny pode sentir sua coragem lhe abandonando. Olhou para o relógio. - puxa, tá tarde, está na minha hora. - apoiou a mão no chão e se levantou.
- Onde você vai? Senta aqui de novo... me conta como ela é!
- Eu...eu... tenho que ir pra casa resolver uns assuntos. Mande um beijo pra sua vózinha, ok?
- Naõ vai embora! Calma aí...- a garotinha levantou do chão do chão e começou a pular e gritar pelo pai. - PAPAI!!! PAPAI, TEM UMA MOÇA Q CONHECE A MINHA TIA. VEM CÁ!
Berrou Marrienne animadamente
- Psiiuuu, querida! - Ginny tentava calar a garoinha. Mas ela tinha puxado o gene de Rony. Adorava fazer um escândalo. Ginny se apressou para sair do quintal e poder aparatar de vez.
- Não vai embora Ginny. - disse Marrienne segurando o braço de Ginny - o meu papai já vem. Voce pode dizer como a minha tia está!
- Mary, querida, posso te chamar assim? - quase gritou desesperada. - Silêncio querida. Só diz que está tudo bem. Eu prometo que volto para te visitar! Mas realmente, eu tenho que ir. - puxou delicadamente o braço, se afastando da garotinha.
- PAPAI A MOÇA TÁ INDO EMBORA VEM LOGO! Fica Ginny por favor! Por favor por favor por favor!!!!
Ginny arregalou os olhos. Aquela garotinha tinha mesmo os genes de Ron. Escandalosa e insistente. Podia até se ver a alguns anos atrás. Voltou a tentar calar a garotinha, podia ouvir uma movimentação dentro da casa.
- Psiu, prometo que se você se calar eu te trago uns doces, ok. Tchauzinho. - Ginny conseguiu se soltar da ruivinha e se dirigiu, ou melhor correu para o portãozinho. Definitivamente não teria coragem de rever sua família. Não depois de confirmar que fizera sua mãe sofrer, por sua causa.
- Eu não quero doce... eu quero saber da minha tia!
- Marrienne Weasley - disse uma voz masculina, ao abrir uma fresta da porta.
- É o meu papai! - disse Marrienne feliz - você vai gostar dele
Ginny prendeu a respiração. Seu coração palpitava.
- Não querida. Não dá!
- Mas por que?
- Por que... por que eu fiz muita coisa errada. E agora você como uma garota boazinha vai deixar a sua amiga Ginny ir embora, em silencio, ok? Melhor... tenho um recado da sua tia, vai lá e diz que... que... está tudo legal, e que você é uma gracinha, falou. Agora tchau.
- O que eu te fiz? Eu falei alguma coisa que te chateou? É só falar na minha tia que todo mundo fica com raiva, ou chateado, ou chorando, ou nervoso e no caso do tio Rony... é tudo junto.
- Não, não... - Ginny se ajoelhou a altura da garotinha. - você é uma graça. Mas eu tenho que fazer um trabalho. Você quer que eu perca o emprego? Não né! Agora seja boazinha, escove os dentes, brinque muito e obedeça seus pais. Beijo, queridinha.
- Marrienne! Com quem você está conversando - perguntou o mesmo homem, ainda dentro da casa, certamente procurava algo, já que apenas entreabriu a porta da casa e não saiu para o jardim.
- Com uma moça chamada Ginevra - berrou a pequena
- Com quem? – gritou em resposta.
- Ginevra, papai, ta surdo?
- Não... - Ginny gemeu em desespero. Se livrou da garotinha e correu para fora do quintal. Estava se odiando no momento. Era uma covarde, isso sim.
- Por Merlin - berrou uma outra voz
- Segura ela, Enne. - disse uma voz muito parecida com a outra
- Tá bom, tio Fred. Ginny volta aqui!
- Não Enne... tenho que ir lembra... - disse andando para trás desesperada. a ruiva quase caiu para trás ao bater na mureta da casa. Estava perdida, já sabiam que ela estava ali. não poderia simplesmente aparatar. Se o fizesse nunca mais teria coragem de voltar.
- Por que o tio Fred mandou te segurar?
- Bom, querida, porque eu sou... sou a tia Ginny. - deu um sorriso amarelo.
- Você é quem?
- Tia Ginny... surpresa!!!!!!! - Ginny forçava o sorriso. Enne a olhava espantada.
- Minha tia? Sério? Você não tem cara de tia! - a pequena Marrienne a olhou desconfiada e segundos depois para a surpresa da bruxa, ela pulou até o pescoço de Ginny deixando-a ainda mais pasma.
- Ahn... Enne, querida. Está tudo bem mesmo? - Ginny a abraçou forte. Se todos da família a odiavam, pelo menos tinha a pequena Enne do seu lado.
Ao fundo Gui, Fred e Jorge se acotovelaram para sair pela porta da sala, e estancaram ao observar o abraço de Marienne com Ginny. Ginevra continuava a mesma. Uma aficcionada por crianças. Sem aguentar Gui falou:
- Ginny?
- Gui... Fred, Jorge. - Ginny sentiu a voz morrer em sua garganta; colocou a garotinha no chão e se ajeitou sem graça. Deu um sorriso amarelo. - oi
- Fiquei preocupado quando o meu informante no Egito disse q você tinha saído de lá indo em direção a Itália a mais de um mês. - disse Gui preocupado. Pelo visto Luna e Nev não eram os únicos que sabia de seus itinerários; que supostamente deveriam ser secretos. Não sabia como Voldemort não a tinha encontrado muito antes.
- Ahn... sim, os espiões de Voldemort tinham conseguido me rastrear, então tive que ir embora. - respondeu sem graça. Suas orelhas queimavam em brasa. - Mas estava dizendo a Enne que tenho que ir embora. Você sabe... negócios a tratar... - a ruiva torcia as mãos, nervosa.
- Só em seu sonho que vocÊ vai embora sem falar com a mamãe. - disse Jorge
- Se você fizer isso ela arranca o nosso couro - completou Fred.
- Vamos entrar. -disse Gui sério – toda a família está reunida, só faltava você.
- Até parece que adivinhamos que você viria hoje! – exclamou Jorge.
- Pena que não pudemos usar esse dom especial em Hogwarts nas aulas de adivinhação. - Fred completou os pensamentos do irmão gêmeo.
- Gui... - sua voz morreu. O irmão mais velho a olhava de forma séria e irredutível. - eu não sei se devo... - Enne segurou fortemente a mão da tia, lhe dirigindo um sorriso iluminado. - então, quem é o pai dessa pequena escandalosa?
- O meu pai é o grandalhão! - disse Marrienne rindo e apontado para o Gui.
- Hum... aquele grandalhão não conseguiria fazer uma coisinha fofa assim. - sorriu um pouco mais descontraída. - E a dona Molly? Como ela está?
- A mamãe tá mais calma... mas não se preocupa com o Rony... ele vive de mal humor... ninguém sabe como a Mione agüenta.
- O amor é cego, Gui... - suspirou triste. - vocês acham que eu devo entrar?
- Mas é claro! - disse os quatro uníssono
- Está bem... mas eu não me responsabilizo pela segurança do Ron, se ele vier encher o saco ele vai ter! - exclamou divertida. Bom, já que não tinha escapatória, o melhor seria aproveitar.
Mas sua vontade mesmo era sair correndo e se esconder debaixo da cama na casa de Luna.
Era mesmo uma covarde quando se tratava de sua família.
***Continua***
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N/Beta: Uau! Essa fic está cada vez melhor! Amei a Marrienne! Tão fofa!
Ginny finalmente de volta a casa, falta só ela convencer o Draco a mudar de lado e fica tudo quase perfeito! (lógico, pra ser perfeito o cruel Lord das Trevas tinha que deixar de existir... QUE MALDADE o que ele fez com os filhos da Kalena!)
N/A (Yngrid): Olá... quero dizer que finalmente as coisas esquentaram nessa fics... a Ginny voltou e de cara dá uns amassos no Draco... espero que tenham gostados deste capítulo. Agora cenas dos próximos capítulos... CENAS DE MUITA AÇÃO estarão no capítulo 9. Tenham fé e vamos tentar não demorar muito desta vez.
N/A (Oráculo): Oi gente, peço mil desculpas pela demora. Mas como vcs estão cansados de saber, eu estava defendendo monografia, fazendo provas finais. Ai pra piorar fiquei sem net, depois a Yngrid ficou sem net. Então estamos fazendo o possível para nos encontrarmos nessas Lan House da vida para conversarmos. Enfim, o capitulo pegou fogo viu. Só não pegou mais pq a Yngrid me segurou. Nada mais lógico. Né. Não podemos colocar a carroça na frente dos bois.
Okay, gostaram do cap? Mandem seu comentário. Isso ajuda muuuuuuito na inspiração! Bjs.
AGRADECIMENTOS:
Asuen: oies, vc fez duas escritoras felizes. E siiim, tah ficando caliente!! Cuidado pra não se queimar. Bjs
Alexa: oies, muuuuuuuito obrigada! E que bom q vc gostou do meu photobucket! Bjs.
Patis: oies patis! Espero q tenha gostado dessa d/g!!! Enchi tanto o saco da yngrid para colocar essa d/g! Hi hi hi!! Bjs
Sam: oies! Tah ai uma d/g, num tah muito action mas num podemos colocar os dois indo pras vias de fato logo no primeiro reencontro, concorda?! Bjs
Alice: oies! Obrigada pelo seu coment. Eh muito importante para nós! Bjs
Ju mcguiller: oies! Sim o voldie deu um tapa no visú com a ajudinha da ginny! E digamos q ele ficou bem pegáveis, heim? Mas o draco tem aquele charme especial! Hi hi hi
Iziie lestrange: oies! Brigada pelo elogio! A yngrid tbm aaaaaama voldie/ginny (e eu devo confessar q tbm adoro)!!!!!!! Nós tbm adoramos a lena, de coração. Mas nós não somos profissionis e se as vezes os personagens saem meio irreais, pedimos desculpa, nós fazemos o máximo, ok?! Continue lendo e criticas construtivas são sempre em vindas! Bjs querida!
Luisa: oies! Q bom q está gostando da nossa bebê, ficamos muito felizes com isso! Continue lendo e mais importante comentando, pq assim sabemos que a fic está agradando ou não! Bjs.
Anailuj gatti: oies! Nuss, tah ai tua dosinha da fic! Espero q não tenha tido muita abstinencia! Bjs fofa!
Luh: que isso lu, fazemos o q podemos! Ficamos super felizes por vc estar gostando. Viu, eh bom uma dosinha de t/g. E k entre nós terá mais t/g... Bjs fofa!
Karine: oies, k bom q estah gostando da fic. Sim, ela é uma d/g, como vc reparou nesse cap. Continue lendo e comentando. Bjs!
Sarah: oies! Nuss, amei muitão teu comentario viu! Muito obrigada pelo elogio. Comentarios assim que nos motivam a continuar! Espero q esse capitulo esteja a altura. Bjs fofaaaa!
Vaamp malfoy: oies! Atendendo à pedidos, tah ai outro capitulo. Obrigada pelo comentario. Bjs
Samanta: oies! Bom tah ai a d/g taum esperada. Espero que por enquanto satisfaça vcs! Ateh pq a gi e o draco ficaram muito tempo separados, não seria nada natural os dois se encontrarem e jurarem amor eterno e muito menos irem pros finalmentes! Bjs
Helena malfoy: oies! Caraca-a-a-a-a-a!!!! Dorei teu comentario viu! Uma das melhores? Que isso, bondade sua, fazemos o melhor!!!! Sinceramente, q bom q vc estah gostando viu!!! Nuss, o voldie tah tudo de bom neh, aina mais ki deu um tapa no visú, tah gatão. Pegando geral! Hihihi. Espero ki esteja à altura esse capitulo. Bjs
Josie: oies! Desculpa pela demora, muitos problemas, mas tah ai capitulo novinho! Continue lendo e comentando. Bjs!
Juliana: oies. Obrigada pelo teu comentario, eh muito importante para nós! Bjs
Thathy: oies! Bom a ginny retornou à inglaterra, depois de alguns capitulos sem ela. E bem, ela continua pensando no voldie e bm no draco e no harry! Hi hi hi, tadinha, muito confusa neh!!! E siiim, mil desculpas pelos 2 capitulos cm a kalena e draco, mas era super importante pra historia!!! Bjss
Lu malfoy: oies! Tah ai a d/g action. O q achou??? Manda seu comentario. Nós adoramos lê-los. Bjs
Juju: oies! Obrigada pelo comentario, ele é super importante para nós! Bjs
Mystic moon: oies! Siiiiiiim, finalmente saiu a d/g action!!!! O q achou? Ficou bom? Adoramos seu comentario e esperamos mais! Bjs
Kate001: oies! Bom, tah ai a d/g action, gostou??? Comenta a sua opinião! Bjs fofa!
Juliana: oies. Não é nossa culpa q os capitulos demoram! São forças maiores, por exemplo agora a yngrid tah com o pc pifado!!! E antes era eu com minha monografia! Hehehe, mas nos esforçamos para atualizar o mais rapido possivel. E q bom ki 1 cap valha por 5!!!!!! He he he! Bjs
PROMOÇÃO: Hei, resolvi inventar uma promo. Trouxe lá do Flogão. É seuinte. Os comentários número: 1, 3, 6, 10, e 13 estão premiados. Quem comentar nessas posições receberá antes que o próximo capitulo seja postado no FF. Net, nós enviaremos para o seu e-mail. Isso será um teste. Se der certo, nós continuaremos.
