Capítulo 9 – Encontro familiar.
Ginny seguiu de perto os irmãos, enquanto a sobrinha a arrastava pelo braço. Ela achou aquele gesto tão acolhedor, era bom sentir-se amada daquela forma... sem nenhuma malícia. Ao entrar na casa, Ginevra percebeu que o seu interior não tinha nada a ver com a Toca... não tinha o cheiro, nem a bagunça costumeira da casa de sua infância. Suspirou. A casa poderia não estar impregnada com as suas boas lembranças, mas a sua família estava segura. Não precisou entrar completamente na casa para perceber que tinha uma batalha para travar.
Rony já estava no cômodo bufando, irado. Sua mãe tinha lhe dito assim que chegou – minutos depois do escândalo feito por Marienne – que tinha alguém lá fora com Gui, Fred e Jorge.
Os irmãos se encaravam, Ron mantinha os olhos duros e impenetráveis. Já Ginny, por segundos se sentiu acanhada, mas nunca levou desaforos de Rony e não seria agora que suportaria tal comportamento. Foi naquele momento que a sua mãe entrou na sala. Apesar das lembranças, Ginny percebeu que a sua mãe envelhecera rápido demais. Os cabelos brancos salpicavam nos fios vermelhos como a neve salpicando no magma. Com certeza aqueles fios eram a representação da preocupação que teve por ela. Seu estômago pesou. Naquele clima de extremo incômodo, Molly foi a primeira a falar em meio aos prantos.
- Ginny... – mas Molly não conseguiu terminar a frase, caiu em prantos.
- Não chore. – disse Ginny soltando a mão de Marienne. Ela estava sem jeito por causa da situação. – eu vou entender se a senhora não quiser me ver, mas...
- O que? – perguntou Molly sem entender o que a sua filhinha tinha acabado de dizer. – Não repita uma besteira dessas nunca mais para mim! Nunca mais... minha caçulinha... – depois da bronca, Molly a abraçou fortemente.
- Mãe... – suspirou. Ginny retribuindo o abraço fracamente. O seu olhar estava firme em Rony que a fuzilava com o olhar. "Ok" pensou ela, "seria bem mais difícil conversar com Rony do que o imaginado."
A Sra. Weasley olhou para a filha e percebeu que ela olhava para além dela. Então resolveu se virar para procurar o que estava roubando a atenção de sua filha. Viu que Rony estava de cara amarrada no fundo da sala. Molly suspirou e pensou que tudo seria mais fácil se o seu filho não censurasse tanto a irmã.
- Não liga para o seu irmão. Ele tem estado meio temperamental nos últimos meses. – suspendeu os braços para a filha. - vem cá, me mais um abraço... você não sabe o quanto senti sua falta!
Molly tentou amenizar o clima. Não queria que os dois brigassem.
- Mamãe... – retrucou Ginny.
- Mereço um abraço descente mocinha. Eu estava morta de saudades.
- Eu também, mãe. Eu também.
Mesmo com toda aquela emoção, Ginny sabia que tinha algo de errado. Talvez fosse com ela... tantos anos se fazendo de durona com os Monges, lhe fizeram ser mais fria. Mais calculista. Ginny já estava ficando incomodada com a atitude de Rony. Ela desfez o abraço e encarou Rony. Era a hora de resolver aquilo.
- Tem alguma coisa a dizer Rony?
- Para dizer a verdade... Tenho! – respondeu Rony acidamente.
- Vamos lá! Desembucha! Não se repreenda. – falou sarcasticamente.
Com um sorriso meia boca Ronald continuou.
- É fácil para você, não é Ginevra – as bochechas de Rony estavam numa cor lívida.
- Defina "Fácil". – retrucou Ginny
- Pare vocês dois! Olha o exemplo que vocês estão dando a Marienne! – disse Molly dando tentando acabar com a briga.
- A mamãe tem razão. – disse Gui usando seu tom de irmão mais velho.
- Eu quero que ele termine. Não gosto de meias palavras e o Rony parece ter muito a dizer.
- Se você quer tanto que eu continue... A sua vida inteira foi fácil. – disse Rony enfurecido. Rony estava pronto para desabafar, mas Ginny o cortou.
-Não. A vida não é fácil para mim, Ronald. - o encarou, seus olhos eram dois cubos de gelo. – Nesses últimos anos, a minha vida se resume em fugir, me esconder e estudar. Agora me mostra onde está a facilidade nisso?
- Olha a minha vida!... Ou melhor, a vida de cada um que está preso nessa cidade!
- Eu sei do inferno que a sua vida se tornou! Você pensa que foi fácil me esconder durante todos esses anos? Você acha que foi fácil fugir sempre que os Comensais me achavam? Para mim a coisa não foi diferente do inferno que está vivendo... Mataram um bom homem com o intuito de me seqüestrar. O meu primeiro mestre de luta deu a sua vida para que eu pudesse fugir uma vez mais. Você acha que eu não daria minha alma para que isso tudo nunca tivesse acontecido?
- O problema é que te procuravam para te trazer para Você-Sabe-Quem. No meu caso, quando vejo comensais na minha sombra, é para me matar.
Todos os presentes estavam boquiabertos com toda a discussão.
- E você em sua santa ignorância, pensa que Voldemort... - Marienne tapou os ouvidos. - ...vai me poupar, quando ele tiver o que quer? Quando ele finalmente conseguir minha magia, ele vai me torturar Rony, me matar. Como fez com todos os outros. Você acha o que? Que ele vai me cobrir de jóias e me pedir em casamento, é?
Ginny estava ficando nervosa e a sua voz estava um oitavo acima do normal.
- A quem você quer enganar? Antes de você fugir da gente, Dumbledore nos contou que você seria a Lady das Trevas! Então poupe essa conversinha fiada de que ele vai te matar, assim como está acontecendo com a gente!
-Rony... seu... – ela deu uma longa pausa, respirando fundo. - Dumbledore também contou que para isso ele usará uma magia antiqüíssima que transformará a minha ALMA? HEIM? O que eu realmente sou?! Ou você acha que eu vou estar lá inteirinha do lado dele, rindo da desgraça dos outros?
Gina tentava se convencer de tudo que falava. Mas no fundo sabia que aquele animal dentro de si, rugia ferozmente sempre que era mencionado o nome dele.
Voldemort. Tremia só de pensar.
- Você já fez isso uma vez. Quando foi chamada por Voldemort quando tinha 17 anos... Não me espantaria de fizesse de novo.
- Ronald... – advertiu Ginevra. Virou-se e viu que Hermione estava entrando na sala sem entender muito bem o motivo daquela briga. - Não sei como você suporta esse idiota. Mãe, você vai me perdoar, mas eu não vou ficar aqui ouvindo desaforos desse debilóide.
- Rony, você quer fazer o favor de parar! - disse Molly vermelha de raiva. – E vocês dois parem de dizer o nome daquele-que-não-deve-ser-nomeado. Está assustando a Marienne!
- Deixa mãe. – disse Ginny olhando diretamente para Rony. - Na realidade, tenho que resolver uns assuntos com Neville e Luna...
- Você não vai sair daqui, Ginny. – disse Jorge olhando feio para Rony.
- Se for preciso, o Rony é quem sai. – fora a vez de Fred se pronunciar. Ele não se abalou como o olhar assassino do irmão caçula.
- Eu... Eu preciso ir... Tenho planos que devo pôr em ação.
Ginny tentou não deixar escapar muito detalhes de seus planos. Senão, tentariam impedi-la.
- Mas já? Você nem viu seu pai! – disse Molly tentando prolongar a visita.
- Não... Não é preciso. Eu sei que ele deve estar bem.
- Só porque você sabe que ele está bem, não te redime de ir vê-lo.
- Mas...
- Não Ginevra, você vai ver o seu pai e não vai sair daqui antes de almoçar conosco. E tenho dito. – Molly deu aquele olhar de mãe, que Ginny não teria coragem de desobedecer.
- Ain mãe... - gemeu. Mataria Luna por lhe forçar a esse encontro. Mas por outro lado, seria uma boa lembrança se tudo desse errado e Voldemort conseguisse o que tanto buscava.
- Discussão encerrada! Agora vai procurar o seu pai.
- Tá bom, mãe! Não precisa engrossar.
- Não estou engrossando. – disse com um sorriso enorme.
- Tá... tá. Onde está o papai?
- Provavelmente ele está lá nos fundos com Carlinhos e aquelas tralhas. Vai lá e chame-os, querida.
- Tia ginny... - disse Marienne observando a conversa até então calada - eu posso ir com você para te mostrar onde fica.
Okay, ela podia fazer isso. Se seu pai tentasse lhe bater com um martelo ela poderia fugir sem precisar entrar na casa.
- Tudo bem. Vamos?
Ginny lançou um olhar frio para Rony. Aquela briga ainda não tinha terminado. Mas como a sua mãe tinha pedido para que parassem de brigar na frente de Marienne, ela resolveu não continuar. Ela percebeu que a sua sobrinha estava ansiosa para levá-la até seu pai. Então resolveu colaborar com a criança e segurou a mão de sua sobrinha e saiu com ela para os fundos da casa. Percebendo que estavam sozinhas, a menina começou a pular feliz ao lado de sua tia.
- Está feliz, Marienne? – perguntou Ginny percebendo a clara agitação.
- Estou! – respondeu a criança sem rodeios.
- Posso saber do por quê?
- Vem... – continuou Marienne. Do nada ela começou a enumerar os motivos nos dedos. – Primeiro... Você voltou! Segundo... Eu te conheci! E terceiro... Você e o tio Rony falaram sobre coisas ultra-confidenciais na minha frente. Do tipo que só se falam nas reuniões dentro da escola. É claro que eu fiquei assustada com vocês gritando, mas... Foi muito legal, tia Ginny.
- Ninguém fala disso na sua frente, não é? – perguntou Ginny se lamentando por ter falado sobre coisas tão confidencias na frente de uma criança de cinco anos.
- Não, não – respondeu a menina francamente – O papai, a mamãe e os outros acham que eu sou burra.
- Você não é burra! Mas é uma criança de cinco anos. Não pode e nem deve se preocupar com isso.
- Tá... – a menina rolou os olhos. - Tia Ginny, eu posso te pedir uma coisa?
- O que você quiser!
- Não fique aborrecida com o tio Rony. – "Marienne tinha quantos anos mesmo?" se perguntou mentalmente. Era bastante madura para uma criança. - ele é assim mesmo...
- Não é para que eu não fique aborrecida com o seu tio?
- Aham!
- Ás vezes ele me tira do sério... - o que estava fazendo? se lamentando com uma criança?
Sorriu para a sua sobrinha. Ela era tão linda... tão pura... A vida estava sendo tão injusta com Marienne, que a obrigava a viver escondida em um mundo onde a meiguice e a inocência não tinham vez. Não merecia viver num mundo onde um assassino imperava.
Em meios de seus devaneios, Ginny sentiu que Enne puxava a sua camiseta, lhe chamando atenção. Com um sorriso, incentivou a sua sobrinha a falar. Sem medo das conseqüências, a menina disse:
- Posso te pergunta uma coisa?
- Pode.
- Mas você promete me responder com uma resposta descente?
- Como assim... "resposta descente"? – aquela garota tinha feito curso de auror? Pensou Ginny.
- Nada do tipo "porque sim" ou "você é muito nova" ou "você não deveria fazer uma pergunta dessas".
- Bem... – prendeu o riso. Que garota precoce. - Eu vou tentar.
- Tia, porque você chamou ele pelo nome?
- Ele? – Ginny franziu a testa confusa. - Quem?
- Voce-sabe-quem? – Enne girou os olhos.
- Bem... Primeiro o nome dele não é Voldemort.
- Não? – perguntou Enne estarrecida com a descoberta.
- Não! O nome dele é Tom. E como "Tom" não é um nome que dá medo, ele resolveu criar esse apelido horroroso: "Voldemort"... e segundo a muitos anos atrás sua Tia Mione me ensinou que não devemos ter medo de um nome. E eu não tenho medo dele. Então o chamo assim. Você devia tentar algum dia. É... libertador.
- Mas ele é mau, não é? Sabe... de vez enquanto, quando os amigos do meu pai vem para cá, eu escuto o que eles falam... e são coisas muito feias... – baixou a voz num sussurro. - ele é capaz de fazer isso tudo que falam tia Ginny?
Ginny se ajoelhou frente a garota, olhando em seus olhos. Estava evidente que Marienne estava preocupada e que não comentava com ninguém sobre os seus medos, receando que fosse castigada pelos seus pais. Mas a menina tinha estreitado os laços com sua tia de tal forma, que Ginny não tinha coragem de lhe vedar aquela informação.
- Ele é um bruxo muito mal, sim. Capaz de tudo por poder. Mas é para isso que eu estou aqui, para impedi-lo.
- Não! Ele vai te machucar! – disse Marienne francamente preocupada com aquela informação – Ele... ele...
- Ninguém vai me machucar.
- Jura?
- Eu juro, Enne... eu juro!
- Mas é verdade que ele gosta de caçar pessoas, igualzinho se caça uma raposa? – a menininha pegou uma mecha solta do cabelo da tia e enrolou no dedo.
-Enne, querida, não quero que fique pensando nisso. Muito menos se preocupe, certo?
- Mas eu ouvi! – ela insistiu.
- Confia em mim?
- Confio. – balançou a cabeça afirmativamente, entendendo que a conversa estava encerrada.
- Então acredite quando eu digo para você não se preocupar, tá bom?
- Tá bom...
- Agora me responde uma coisa... Aonde está o vovô?
- O vovô tá ali... naquele barracão. – respondeu Marienne apontando para um barracão de madeira no fundo do quintal.
- Ok, vamos lá. Você me protege se ele tentar me acertar com um martelo, né?! - sorriu divertida. Nada melhor que seu humor negro quando as coisas ficavam tensas.
- Porque o vovô faria isso, tia Ginny? Ele não consegue nem 'desguinomizar' o quintal!
- Eu sei... Ele nunca conseguiu.- murmurou.
Marienne soltou uma gargalhada gostosa ao ouvir aquilo. Ginny soltou um riso pelo nariz. Ginevra nunca se lembrou de seu pai enérgico na vida.
Ginevra se levantou e esticou a coluna. Aquela posição é bem incomoda. Dirigiu-se ao barracão puxando Enne pela mão. Já enfrentara vinte monges em um treino, saberia lidar com seu pai e Carlinhos.
O barracão ficava a apenas cinco metros da casa. Marienne se soltou e correu para o barracão e abriu a porta sem fôlego, porém ainda mais sorridente. Ginny ficou observando a sua sobrinha correndo na sua frente, decerto para anunciar a surpresa.
- Vovô tenho uma surpresa para o senhor!
- Uma surpresa? – repetiu o Senhor Weasley. Ele estava de joelhos no chão, mexendo em uma moto antiga. Carlinhos estava do outro lado do barracão procurando umas ferramentas para o pai. - Que surpresa, querida?
- Uma surpresa bem legal e bonita.
- Uma surpresa bem legal e bonita? – continuou Arthur repetindo o que a sua neta falava.
- Desse jeito fica difícil de adivinhar! – disse Carlinhos rindo de sua sobrinha – Nos dê mais dicas! É de comer ou de passar no cabelo?
- É uma pessoa, tio!!! – retrucou Marienne meio aborrecida. Ginny que já estava escondida teve que se segurar para não rir. – É uma pessoa muito bonita!
- Uma pessoa? – perguntou Carlinhos fazendo uma careta. – É menina ou menino? Eu conheço?
- É uma mulher! E todo mundo a conhecia menos eu...
- Todo mundo. – Arthur franziu a testa curioso.
- É vovô, mas agora eu já a conheço! Tem um cabelão ruivo que nem eu! – seu sorriso era enorme.
- A única mulher de cabelo ruivo que a Marienne não a conhecia é a Ginny. Mas ela deve está no Egito ou em algum lugar bem longe desse inferno! – disse Carlinhos olhando para o pai.
- Desde que a ela esteja bem, eu quero a minha Ginny bem longe daqui.
- Não estou tão longe assim. – disse Ginny não se agüentando mais e aparecendo na porta. - Oi pai...
- Gi-Ginevra? É mesmo você? Eu... eu não estou sonhando? - disse seu pai com a voz fraca e os olhos rasos d'agua.
- Não... sou eu, sim. - aquele característico aperto no peito voltou a tona. Sempre fora mais ligada ao seu pai. E agora estava cara a cara com ele, quase chorando. Se aproximou. - Eu.. voltei.
- Minha princesinha – Arthur a abraçou forte.
Ginevra olhou para Carlinhos, que segurava Enne no colo, e este lhe sorriu. Então o chamou com o dedo para participar do característico abraço grupal. Agora sim, se sentia verdadeiramente em casa. Poderia desfrutar desses pequenos minutos, e ai sim, iria a procura de Dumbledore para que se juntasse aos rebeldes e agir.
- Senti tanta saudade de vocês. – disse Ginny soltando do abraço. Ela percebeu que seu pai ainda a olhava calado, achando que ainda estivesse em um sonho.
- E nós não? Rony nunca mais foi o mesmo. – confidenciou Carlinhos.
- O Rony e muita gente dessa família. – completou o Sr. Weasley.
- O Rony é um idiota isso sim.
- Tia Ginny! – reclamou Marienne. – você prometeu que não ia falar mal do tio Rony!
- Tá bom. – retrucou Ginny rindo de sua sobrinha – Agora vai brincar!
- Ih... conversa séria? – perguntou a ruivinha.
- Não. – respondeu Ginny – mas mesmo assim vai brincar!
- Tá bom!
Feito uma bala, Marienne correu atrás de suas bonecas. Os três viram a pequena criança se distanciar rapidamente deles. Ginny riu daquilo e sem mais delongas, se virou para Carlinhos e disse:
- E que os garotos não nos escutem, mas senti muito mais falta de você Carlinhos. - disse risonha.
- Eu sei que sou o melhor entre os seis irmãos.
- E a modéstia passou a quilômetros!
- Mas me conte, como foi o seu treinamento? - perguntou o irmão tentando desviando do assunto "Rony".
- Ah bom, foi muito... - procurou a palavra correta. Não diria nem sobre tortura para o irmão mais protetor, que durante os treinos levava porrada, até que conseguisse se defender. Não mesmo. – Digamos, interessante. Meu mestre me ensinou muitas coisas.
- Qual deles foi menos "cruel" com você?
Carlinhos arrancou risadas da irmã. Aquela era a típica pergunta que Carlinhos faria a ela. Ginny sabia que para os olhos de Carlinhos, ela tinha a mesma idade de sua sobrinha e que, portanto, deveria ser protegida a qualquer custo. Mas os problemas que viriam para ela, nenhum dos seis poderia protegê-la. E ela sabia que viriam.
- Não viaja Carlinhos. O treinamento foi para que eu aprendesse a me defender, certo? Então qual seria a finalidade se eu não apanhasse? – Carlinhos franziu a testa, do mesmo jeito que fazia quando estava zangado. – Não que tenha sido muitas vezes. – acrescentou tentando aliviar a tensão.
- É... mas sempre tem um mais carrasco. Eu só tô curioso. Gui me contou que o patriarca Qadarf é bem rabugento, mas a mulher dele era um amor... – seu olhar era inquisidor. - é verdade?
- Ah sim, o senhor Qadarf... ele sabe ser bem irritante. Brigávamos muito, mas isso não o faz um homem mau. E quanto a sua mulher, Kadma, ela é um amor, sempre cuidando de mim. – pigarreou afastando as lembranças, a morte de um dos seus mestres ainda estava muito recente e ainda era difícil pensar que seu mestre não estava mais entre eles. – Na verdade Carlinhos, se você não se importar, eu gostaria de mudar de assunto.
- O que houve? – perguntou seu pai percebendo o olhar de tristeza de sua caçula.
- Nada importante. – respondeu evasiva.
- Apesar de todos esses anos longe de nós, eu ainda posso dizer quando você mente, mocinha.
- Eu só... Não quero tocar nesse assunto. Pelo menos não agora... será que poderiam...
- Claro, claro. – Carlinhos passou os dedos pelos cabelos. - Mas isso não quer dizer que eu não vou voltar nesse assunto! - exclamou resoluto.
- Ao contrário do que você deve achar, você não fica uma gracinha curioso. Nós temos assuntos mais importantes, beleza? Esteve com Dumbledore?
- Estivemos. – responder o seu irmão olhando para o pai e depois para Ginny.
- Ótimo. – disse Ginny tentando agilizar as coisas. – Será que podemos...
- Não! – Arthur a cortou decidido. – Não podemos.
- Mas pai!
- Assuntos sérios ficam para depois. – o Sr. Weasley segurou os ombros da filha. – Vamos entrar, aposto que ainda não viu o Percy.
- Na realidade não... - lançou um olhar feio para os dois. Sentia que estavam escondendo algo. – Tem alguma coisa que eu deveria saber?
- Tem muita coisa que você deveria saber antes de conversar com Dumbledore. – disse Artur sinistramente.
- Você tem que ver... Ele está meio surtado. - disse Carlinhos amargo.
- Como assim surtado? - ok, o mundo estava de cabeça para baixo. Percy e sua conduta certinha estavam abalados? Isso sim era o fim do mundo.
- Como posso dizer? – coçou o queixo fingindo procurar as melhores palavras. – Ele e seu humor estão piores que o de um comensal!
- Você acha que ele pode estar envolvido com... - parou um instante. Não, ele nunca seria capaz. - Esquece...
- Se ele poderia ser um comensal? - completou seu pai disposto a continuar a conversa.
- Acho que não... Não é para tanto. - continuou Carlinhos - Ele tinha uma namorada que era nascida trouxa... Depois de seu desaparecimento, ele ficou assim... Amor reprimido. Bem... é o que eu acho!
- Claro, vocês tem razão. – deu um meio sorriso esfregando as mãos. - É que estou propícia a desconfiar de tudo e de todos. Desculpe. Mas se vocês quiserem eu posso falar com ele.
- Primeiro você vê o seu irmão e depois você decide se deve ou não conversar com ele e o que deve conversar com ele. - Arthur consentiu, e guiando a filha pelos ombros, os três retornaram para casa.
Percy acabara de chegar; Ginny o encontrou apoiado à parede, distante de todos os barulhentos Weasley. O observou cautelosamente.
Percy parecia mais frio e distante que ela própria. Era como se ele não fosse ele... em nenhum aspecto. Ele trajava um terno muito bem cortado e negro. Seu olhar era vago, mas quando sentiu a presença de Ginny sua postura mudou drasticamente. Percy a olhava intensamente, a ruiva sentiu os pêlos da nuca se eriçar. Seu irmão a olhava como se ela fosse algo perdido que reencontrara. Ginny, não vendo alternativa, acenou para o irmão ao se aproximar.
- Olha só quem voltou para o lar... – disse Percy sarcasticamente.
Ela buscou discretamente o pai e irmão, mas infelizmente estava sozinha com Percy, se viu obrigada a continuar a conversa.
- Oi irmão. Como você está? – ela sondou.
- Melhor agora que você voltou irmãzinha. Cansou de fugir? – ele sussurrou aquele comentário infeliz. Ginny não reconheceu o sorriso que brincava no rosto dele. Era medonho e sem vida.
Ginny piscou varias vezes sem entender aquele comportamento. Ok, Carlinhos estava certo. Percy estava diferente.
- Você está bem de verdade?
- Melhor... sabendo que você voltou sã e salva, estou bem melhor.
- Tá bom... Soube da sua namorada, como se sente? - tocou de leve o braço do irmão.
- Vamos dizer que ela resolveu fugir... – Percy se soltou do aperto delicadamente.
- Ok, se você não quer falar sobre isso, eu respeito.
Ela percebeu que não era hora de forçar o irmão a falar. Ele estava esquivo e arisco. Foi então que notou que ele a encarava de forma incomum... era como se ele quisesse pedir alguma coisa, mas estava procurando as palavras certas para conseguir o que queria. Sem delongas ela perguntou:
- O que tá olhando?
- Nada. – respondeu Percy tentando sorrir.
- Ninguém olha da forma como você tá me olhando por nada. Fala... o que foi?
- Tá bom. Posso ver sua marca? - Percy soltou sem pensar, encarando-a de forma enigmática.
- Marca... – sussurrou Ginny mais para si mesma do que para o irmão.
- É! – insistiu Percy – Quero vê-la de perto. Posso?
- Qual delas? - Ginny tentou dissimular a surpresa. – Foi o que mais recebi todo esse tempo. Marcas...
- Você sabe exatamente a que me refiro. - se inclinou e puxou com certa força o braço esquerdo da irmã. - Gostaria muito de ver. – insistiu numa curiosidade mórbida.
- Talvez seja melhor não. - disse Ginny fria.
- Eu realmente quero ver. – ele olhou de relance a sala, vasculhando-a rapidamente. - E agora, você é tipo uma 'Severo Snape'? Luta pelos dois lados?
Percy apertou com mais força o pulso da irmã. Numa tentativa desesperada de colaborar.
- Severo é um comensal. – sua voz era calma. - Ele vive entre eles, já eu não! Eu sou uma rebelde.
- Entendo... Então é só isso que os diferencia? – espetou outra vez.
- Isso e muito mais. – a garota estava começando a achar que algo realmente errado estava acontecendo.
- O que foi? – Percy sorriu diante o olhar estreito que recebia de sua irmã.
- Essa sua obsessão por essa marca ridícula está se tornando incomoda e suspeita.
- Relaxe irmã. Eu não conto se você não contar. – a puxou pelo pescoço e beijou sua testa. Ginny ficou imóvel enquanto via Percy se afastar.
- Volta aqui. – o chamou assim que conseguiu sair do transe.
Percy parou lentamente. Deu a entender que ele já esperava por aquela atitude. A jovem percebeu que ele estava esperando por aquela reação, então resolveu fazer o joguinho dele. Daria corda para ele se enforcar.
-vai me mostrar? - se virou para a ruiva e sibilou.
- Talvez.
- Esplêndido. – Percy a agarrou pelo braço e a guiou para a cozinha vazia. Ele não queria público. Depois de soltá-la ele olhou profundamente para ela e continuou - Agora, o que você quer?
- Por que acha que eu vou querer alguma coisa? – disse Ginny mansamente.
- Porque a vida é assim, maninha. – retrucou a resposta da mesma forma. – Uma grande roda de favores.
- Certo... – parou por um momento. - Tem razão quando disse que eu queria alguma coisa...
- Viu! Qual é o preço que devo pagar para aplacar a minha curiosidade de conhecer uma marca negra?
- Não será algo fora do comum. Eu só quero informações.
- Depende da informação. Vou logo avisando que essa curiosidade poderá sair cara.
- É pouca coisa, nada demais. Para começar, por que tamanho interesse?
Percy soltou um riso frio. Ginny não gostou daquela atitude mas até mesmo na sua família ela teria que desconfiar?
- Ora Gi, você é minha irmãzinha. – colocou a mão no coração com uma falsa ofensa. - Não posso ficar interessado no seu bem estar?
- Do meu bem estar cuido eu! – retrucou Ginny ainda mais seca.
- Tudo bem! – disse percy erguendo as mãos em um falso rendimento.
- Anda Percy, não to com paciência para palhaçadas! Qual é o seu interesse nessa tatuagem?
- Calma, garota... Eu apenas queria ver e saber se realmente é uma marca verdadeira. Nunca vi uma tão de perto sem precisar sentir dor. Seria uma ótima oportunidade.
- Tá bom. – ela murmurou puxando a manga de sua blusa para cima. A marca surgiu fortemente marcada em seu antebraço.
- Fascinante... Exatamente como a deles. – exclamou evidentemente fascinado com a tatuagem. segurou o braço da irmã e o puxou para mais perto. - Ela está bem visível...
- Está! – bufou a ruiva – O que mais quer saber?
- Você sente ela arder? Quer dizer, quando você-sabe-quem chama seus comensais? - Ginny franziu a testa, Percy estava obviamente obsessivo.
- Perguntas demais. Você não acha, Percy?
- São apenas perguntas... Não ofendem a ninguém! Devo frisar que só assim é que eu posso saber como funcionam.
- Então registra aí... eu não sou uma comensal. – Ginny sibilou entre dentes, totalmente ofendida.
- Eu sei, eu sei. - se apressou a se redimir. - Mas, você tem que concordar comigo que tudo isso é muito interessante.
- Interessante? Percy... é a marca de um monstro! Voldemort é um homicida.
- Um homicida que venceu.
- Se tivesse vencido não haveria rebeldes!
Percy deu mais um sorriso frio entendendo que se tentasse esticar a corda, esta poderia se partir. Ginny ficou olhando ele por mais alguns segundo de forma inquisitória. Ele abaixou a cabeça e hesitantemente falou:
- Me desculpe, Ginny. É que eu estou encarregado de estudar essa marca peculiar. Outra vez, me desculpe pela obsessão.
- Ela não é peculiar, Percy! É uma mancha. Só isso - disse seca.
- Você tem toda a razão. É só uma mancha. Qualquer dia desses precisamos conversar sobre os monges Shaolin. Eles são interessantíssimos, concorda? - soltou, seguindo para a saída da cozinha. Alguém os chamava na sala.
Ginny não deixou barato. Antes que Percy pudesse sair do cômodo, segurou-o pelo braço com uma mão. Já com a outra mão, a varinha já estava em punho.
- Quem. É. Você? – pontuou cada palavra.
- Desculpe. O que foi que você disse?
- O que você ouviu! Quem é você?
- De todas as perguntas estranha... essa foi a vencedora.
- A pergunta não é a mais estranha se comparada à sua atitude! – sussurrou duramente esperando pelo pior. – O Percy que conheci não era assim! Meu irmão, é que não é!
- Hei Ginny. – exclamou franzindo a testa. – Ficou maluca? Não acha que está um tanto paranóica demais não? Sou eu, o Percy, seu irmão, lembra?
- Você não é o meu irmão.
-Então, quem eu sou? - a encarou ironicamente.
– Um comensal disfarçado! – apertou mais forte a varinha sem desviá-la do corpo do homem.
- Nossa Ginny! Você acha que eu seria uma comensal? Por favor...
Sinceramente, ela não tinha certeza.
- É... – continuou a ruiva retrocedendo. – Mas você está estranho!
- Toda essa desconfiança ainda vai te enlouquecer. – cantarolou.
- O Percy que conheço não faria tais perguntas.
- Ginny... – passou os dedos pelos cabelos, bagunçando-o. - Eu já disse e repito, estou estudando essa... mancha, como você diz, nada demais. Apenas fins científicos. Pergunte a Dumbledore, se não acredita em mim.
Ginny estreitou os olhos tentando entender o novo Percy. Talvez fosse melhor perguntar sobre essa pesquisa a Dumbledore. Lentamente a ruiva se desarmou e guardou a sua varinha. Os gêmeos apareceram na cozinha, cortando o clima de desconfiança que pairava no ar. Fred foi o primeiro a se manifestar.
- Finalmente te achei caçulinha! – a abraçou pelo ombro.
- Hei Fred. – Ginevra sorriu tentando disfarçar a tensão. - Estava aqui batendo um papo com o percy.
- Percy doidão! – Jorge caçoou. - Ele e a sua eterna obsessão pelo trabalho.
-Obrigado Jorge por essa explicação tão profunda. Exatamente o que eu estava tentando explicar para a nossa querida e meiga Ginny. - sorriu torto. - Mas parece que ela está um tantinho desconfiada de tudo e todos. Não acham? - soltou o veneno e antes que algum dos gêmeos pudesse responder saiu da cozinha.
- A Ginny... desconfiada? – perguntou Fred olhando para Jorge.
- Ela sempre foi assim! – respondeu Jorge alheio a cara de riso de Ginny – Não mudou em nada.
- Só cresceu um pouquinho.
- Ei! – respondeu Ginny contente pelos gêmeos estar tratando-a com naturalidade – Tá, admito, só um pouquinho.
- Ele foi embora. – falou Fred rindo.
- Percy tá tão diferente. - disse Ginny. – Ele ainda mora com nossos pais?
- Que nada. Percy não gosta do "Gueto". Prefere a badalação de Londres. – Fred como sempre, fez gracinha.
- Londres? – falou Ginny sem entender.
- Chegou agora a pouco e ficou no modo vigília, andando de um lado para o outro, só parou quando Enne reclamou que ele estava deixando-a tonta. - informou Jorge.
- Mas porque logo Londres? Ele sempre detestou aquele lugar! – perguntou Ginny ficando ainda mais desconfiada. – Tá mudado e ainda mora na capital?
- Ora Ginny! – falou Fred – Isso não quer dizer nada.
- Não?
- Não. Existem muitas pessoas que ainda vivem lá. Alguns com todo o luxo que um comensal pode viver. Outros de forma razoavelmente humana, estes são os cidadãos. E a grande maioria de forma subumana.
- Que horror! – a conversa com os gêmeos por mais ilógica que poderia, estava se mostrando para Ginny bem instrutiva. – Existe mais coisas que eu deveria saber?
- Isso é só a ponta do iceberg, 'Rose'. Escuta só, que daqui a pouco o Titanic afunda, meu bem.
'Tita-o que?' pensou Ginny intrigada. 'Da onde Fred tirava aquelas coisas?'
- Só para você ter uma noção... a maioria dos bruxos que vivem em Londres, moram em lugares muito bem vigiados para não haver focos de rebeldes.
- Mas voltando ao Percy... não é de se admirar essa atitude. Ele nunca gostou de ficar aqui conosco... Mas Londres?!
- Verdade – os gêmeos concordaram em uníssono.
- Mas isso não é o pior.
- Tem mais? – perguntou Ginny ficando ainda mais espantada com tudo que ouvia dos irmãos.
- Você ficou por fora há tanto tempo que você precisa se atualizar maninha! – disse Jorge.
- Engraçadinho! – retrucou Ginny olhando para ele.
- Agora falando sério... Eu não estou acusando nem nada, mas é um fato bem curioso. – abaixou o tom de voz. - Ele não dava as caras a tipo uns três meses e do nada ontem ele apareceu aqui, dizendo que queria saber da família. Se ela tava toda reunida. - disse Fred.
- Mas aí a gente falou que só faltava você. Pela cara que ele fez, eu diria que ele ficou desapontado por você ainda não ter voltado. E para nossa surpresa, ele resolveu montar acampamento por aqui. E hoje você chegou! - completou Jorge. – Sinistro.
- Isso realmente é muito estranho... – ela concordou. - Mas pode ser apenas coincidência, certo?
- Você que é uma pessoa viajada, esteve nos quatro cantos do mundo e ainda acredita em coincidência? - interveio Fleur num inglês perfeito, entrando exaltada na cozinha. - Percival me dá calafrios. Isso sim! Depois da forma que a namorada dele sumiu... é de estranhar a frieza com a qual ele enfrentou toda essa situação sinistra.
- Fleur... – Ginny murmurou não muito contente. A bela esposa de Gui ainda estava mais estonteante do que a ultima vez que a viu. Isso deixava Ginny extremamente incomodada. - acho perfeitamente normal ele ficar um pouco distante depois de perder um amor. Uma perda como essas pode mudar tudo dentro da gente, você não entenderia.
- Eu entendi quando você fugiu. – a loira tentou dar um sorriso aconchegante.
- Será que todo mundo vai jogar essa fuga na minha cara? – cruzou os braços indignada ao murmurar para Fred. Ele olhou de volta e começou a rir. - Se ele se sente bem em Londres, o que podemos fazer? - continuou Ginny com um bico enorme.
- Não é isso que eu quero dizer. Eu entendi que você precisava de um tempo para curar as feridas. – Fleur se aproximou e tocou o ombro da cunhada. - Não é fácil perder tudo e ainda ser cobiçada por algo que é no mínimo desprezível. E ainda tinha que aprender a lutar por si mesmo e pelos outros, pois eu tenho certeza que você quer tentar substituir o Harry. Mas não entendo a razão dele insistir em ficar em Londres. Foi lá que ela sumiu, por Merlim!
- O que você tá querendo dizer? – perguntou Ginny quase entendo o que a sua cunhada queria.
- O que eu estou querendo dizer é que nessa nova ordem, quando uma nascida trouxa some da forma misteriosa como ela sumiu é sinônimo de assassinato.
- Eu sei exatamente o que isso quer dizer, Fleur. Mas acho que se Percy prefere ficar longe, é um direito dele. - 'mesmo que esteja um tanto estranho' concluiu mentalmente.
- Eu sou a única nessa família que acha que Percival está envolvido nessa morte?! Ele esteve aqui na noite do desaparecimento, seu olhar era vazio e eu vi uma mancha de sangue em seu sapato! – seu tom se elevou. - Eu vi!
- Chega Fleur. – advertiu Gui entrando na cozinha. A discussão podia ser ouvida da sala. – Ele pode te ouvir.
- E daí? Ele não teria coragem de me matar aqui! Apenas a Ginny pode entender e se afastar o quanto antes desse... desse traidor!
- O que? Não Gui, deixa ela falar.- Ginny se engasgou. - O que você disse?
- Aqui não é lugar para isso. - Gui rangeu os dentes. Lembrando-os que Percy ainda estava por ali.
Todos se calaram.
- Reunião de irmãos e ninguém me chamam? - Percy se apoiou no batente da porta. – Estou profundamente ofendido.
- Assuntos que você fatalmente iria se entediar. – disse Gui tentando despachar o irmão e dar um fim à conversa.
- Mas é claro que não ia me entediar! Tudo que diz respeito a minha doce irmãzinha caçula me diz respeito.
- Isso tudo é saudades? – perguntou Fred.
Percy estudou o irmão e depois ponderou a melhor resposta que daria a ele. Depois de alguns segundos disse:
- Eu... você... e qualquer um dos irmão que estão aqui. Ela é como uma brisa fresca em um dia de mormaço. Sem contar que eu e Rony estamos ávidos em saber o motivo dessa pequenina reunião. Não é Rony?
Rony era visto facilmente atrás de Percy. O ruivo ficou atento à conversa, mas não falou nada. Fleur fechou os lábios em desgosto quando viu Percy tão perto dela. Em francês impecável disse:
- L'assassin est arrivé!* (* O assassino chegou.)
- Fleur. – disse Gui em tom de advertência.
- Est ce qu'il est!* (* É o que ele é!)
- S'il vous plait!* (*Por favor) – Gui pediu num francês perfeito.
- Vous ne remarquez pas parce qu'il est son frère!* (*Você não percebe, porque ele é seu irmão.)
- Il n'y a aucune preuve que.* (*Não há prova disso.)
- Je sais ce que j'ai vu ce jour-là.* (*Eu sei o que vi naquele dia.)
- Je crois en toi* (*Eu acredito em você.)
-Non! Vous ne me croyez pás.* (*Não! Vocês não acreditam em mim.)
- Por favor, fleur. – Gui pediu outra vez. Enquanto todos os observavam perdidos. Se amaldiçoando por terem perdido as aulas de francês em Hogwarts.
- Tudo bem... Vou embora, te espero em nossa casa Gui. Sei quando não sou bem vinda.
- Você é bem vinda! – Gui quase implorou para que sua esposa ficasse.
- Mon dieu! Cette famille est très difficile.* (*Meu deus. É uma família muito difícil.)
- Não precisa ir embora, não seja dramática! – Ginny jogou os braços para o alto como se se rendesse. Tinha que segurar seu gênio, afinal, a loira agora era mulher de seu irmão. – A gente te quer aqui.
- É melhor eu ir embora.
- Hei amor... - sussurrou Gui em seu ouvido, abraçando a cintura da loira. - Não seja difícil. Você sabe o tanto que a Ginny pode ser grossa, às vezes. Não é nada contigo. Fica.
- Não. Não gosto de ficar no mesmo recinto que um assassino. - Fleur fulminou Percy com o olhar.
Gui engoliu seco. Sua mulher tinha um sério problema em ficar de boca fechada.
- Se você tem um problema comigo Fleur, por que não diz de uma vez? - instigou Percy com seu novo característico sorriso torto.
- Oras, não seja sínico. Guarde essa carinha de anjo para quem acredita nela. Você sabe o que eu penso. – e chamou a filha num tom mais alto. - Vamos embora, Marienne.
- Mas mamãe... – a garotinha veio correndo da sala com duas bonecas nos braços.
- E eu acho que você devia ficar de boca fechada, assim nos pouparia de ter o desprazer de ouvir essas merdas que você solta. – o rosto de Percy estava num vermelho lívido. Sua ira era aparente.
- Olha a boca Percy. Eu sou seu irmão mais velho, e Fleur é minha mulher. Portanto trate-a com respeito. – Gui rosnou ferozmente.
- Falo como eu quiser Guilherme. E se você não gosta, talvez esteja na hora de colocar uma coleira nela. Assim nos pouparia dessas cenas grotescas. - apanhou seu casaco no encosto da cadeira. - Agora se me dão licença.
Percy deu um aceno com a cabeça e saiu pela porta dos fundos, todos puderam ouvir o som dele aparatando.
Fleur pegou a filha no colo e foi com ela para a porta da frente.
- Uau, eles conseguem se odiar mais que eu e Rony. - soltou ginny. mas logo voltou a sua postura séria. - Isso foi muito, muito esquisito. O Percy que conheço nunca falaria assim.
Mas antes que pudessem discutir sobre o assunto, o Sr. E a Sra. Weasley entraram na cozinha.
- O que está acontecendo aqui? – perguntou Arthur. - Fleur arrastou Marienne pela saída.
- Onde está Percy? - fora a vez da Sra. Weasley perguntar.
- Hum... só um pouco de barraco familiar. - Jorge tentou amenizar. - Percy e Fleur brigaram... e foram embora...
- Fleur não voltou a falar aquilo de novo, não é? – Molly cruzou os braços fazendo uma careta.
- Se "aquilo" é gritar para quem quisesse ouvir que o Percy matou a namorada... - disse Fred. - Sim, ela disse 'aquilo'.
- Eu vou atrás dela. Talvez... talvez ela volte para almoçar conosco. - Gui parecia ligeiramente doente.
- Quando é que ela vai parar com isso! – Molly deu um suspiro cansado.
- Mas ela tem um pouco de razão. – Arthur balançou os ombros sob o olhar indignado da esposa. – Realmente foi estranho as circunstâncias que Penélope desapareceu. Querida, você não pode negar que ele estava sorrindo quando disse que ela havia sumido e Fleur viu a mancha. E Percy sugeriu debochadamente que ela usasse a imaginação.
- Tenho que concordar que ele está muito estranho... – a forma como ele pedira para ver sua marca de comensal não saia de sua cabeça. - Mas isso não quer dizer que ele seria capaz de matar alguém. Não é?
- Muita gente muda. - falou Gui sombriamente.
É. Ginny teve que concordar com o irmão. Quase todo mundo muda. Sabia perfeitamente disso...
- Mãe, não tem comida nessa casa? - resmungou Rony e sua barriga roncou sonoramente.
- E esse é o nosso Rony, sempre pensando com o estômago. - caçoou Fred.
- Nem vem, que tô de mal humor! - resmungou olhando de relance para Ginny.
Ela cruzou os braços devolvendo o olhar fulminante.
- Isso, vamos comer que eu tenho compromisso.
- Tem que pegar algum trem? - Rony sugeriu venenoso à irmã.
- Rony... se você me provocar de novo eu juro que vou demonstrar uma técnica muito interessante de tortura. E não, eu marquei de me encontrar com Neville.
- Ah, então tá tudo certo. – disse Hermione entrando na já cheia cozinha. – Nev chegará a qualquer momento. – ela abraçou Rony pela cintura. – Acabei de falar com ele, como a senhora pediu, Senhora Weasley.
- Esplêndido! – Molly bateu as mãos. – Agora xô, todos vocês, preciso da minha cozinha para terminar o almoço.
Os garotos saíram praticamente correndo, com medo de serem pegos pela mãe e terem que cortar mais cebolas.
- Precisa de ajuda, mãe? - Ginny se ofereceu.
- Claro que não querida. – Molly ficou de costas para que a filha amarrasse o avental em sua cintura. – O que eu preciso é que você se entenda com Rony. Converse com ele. Mas é para conversar feitos duas pessoas civilizadas e não aos berros.
- A senhora conhece o Rony... - gemeu. - não estou a fim de levar mais coice.
- Vamos, vamos. Não lembrava da minha caçula ser tão medrosa!.
- Não sou medrosa, mãe! Só estou evitando cometer um assassinato.
Mas não teve jeito, usou todos os seus argumentos, mas Molly a enxotou da cozinha fazendo com que ela fosse procurar o irmão birrento.
Rony estava sentado ao lado de Hermione do lado de fora da casa. Pareciam discutir sobre algo, as orelhas de Rony estava vermelhas.
- Rony. – Ginny murmurou ao se aproximar deles. - Precisamos conversar.
- É precisamos. - concordou Rony.
- Okay, essa é a minha deixa. – Hermione se levantou num pulo. Deu um pequeno abraço de encorajamento na cunhada e saiu.
- Pronto, o que era tão importante?
Ginny mordeu a boca, ela teria que dar o primeiro passo.
- Rony, eu... – respirou fundo. Aquela era a hora da verdade. - Realmente sinto muito por... você sabe. Sei que está zangado por eu ter pirado e fugido, mas...
- Eu... eu não to com raiva de você... por você ter mudado.
- Não?
- Não...
- Então... – perguntou Ginny sem entender.
- Olha só... Me desculpe por ter sido grosso com você. - disse Rony baixinho - Quando eu fui te pedir desculpas por ser frio, vi que o seu quarto estava vazio, suas roupas tinham sumido. Eu pirei. Você não sabe o quanto eu me desesperei. Você foi embora com raiva de mim...
Ginny sentiu os olhos se inundarem de lágrimas, mas se manteve forte.
- Não, não. Eu é que peço desculpas. Me desculpe por ter sido tão influenciável por Voldemort. Me perdoe por te fazer ouvir todas aquelas bobagens. Eu realmente me arrependo disso.
- Eu não queria que você fosse embora achando que eu te odiava. Muito pelo contrário... Você não sabe o quanto doía te ver naquele estado, sempre dormindo. Chorando e berrando nos pesadelos que ele te obrigava a "viver"! Ás vezes você ficava tão fria quanto uma morta. Teve uma vez que eu pensei que o pior tinha acontecido, - ele pigarreou. – você não me ouvia e estava quase sem pulsação. Cheguei a pensar que tinha te perdido.
Ok, agora com certeza ela choraria.
- Ron, sinto muito. – Ginny não conseguiu evitar fungar. - Mas você precisa entender que eu preferia morrer ao tentar matar qualquer um de vocês. Como eu disse uma vez, nesses pesadelos malucos. Será que você pode me perdoar?
- eu sei que você seria incapaz de machucar a nossa família... os nossos amigos. Não é o caso.
- Então... se você não tava com raiva de mim... se você sabe que eu não teria coragem de machucar vocês... então?...
- Bem... Agora que você voltou, eu achei que era só mais uma peça para a minha total ruína... Eu achei que você viria só para dizer "oi" e "preciso continuar a fugir. Preciso continuar a estudar para não ser mais influenciada por ele", que meti os pés pelas mãos e acabei te maltratando. É por isso que eu te peço desculpas...
- Não tem porque te perdoar, coisa alguma. Dessa vez eu vim para ficar. E você precisa me perdoar, por que foi por minha causa que ele morreu... - uma lágrima caiu de seus olhos.
- Não foi por sua causa... – Rony sussurrou compreensivo. – Não foi.
-Foi, foi sim. S-se eu não tivesse sido teimosa e ido a Casa dos Gritos, nada disso teria acontecido...
- Você foi porque achava que fosse a Luna.
Ginny esfregou as bochechas, limpando o rastro das lágrimas.
- Deixa isso pra lá... – Rony esfregou as costas da irmã de maneira reconfortante. - Como dizem os trouxas: "não se pode recuperar o leite jogado." – ele parou por um instante pensando se o provérbio era esse mesmo. – É, exatamente assim. Vem, vamos ver se o almoço já está pronto? Aposto que eu como um boi.
- Me desculpe por ser uma idiota! – fungou novamente. Rony a abraçou pelo ombro.
- Bem, sobre isso. Você é idiota por natureza! Não posso contra isso!
- Hei! - Ginny lhe deu um tapa na cabeça.
xXxXxXxXx
O almoço durou mais do que Ginny tinha planejado. Mas tinha que concordar que aquele almoço fora muito gostoso. Fleur voltara com Marienne para almoçar. E assim que viu a sua cunhada pediu desculpas.
As pessoas ficaram rindo despreocupadas durante o almoço; os gêmeos pegando no pé de todos com as suas brincadeiras francamente perigosas; Luna um pouco mais feliz; e a sua sobrinha correndo em torno das pessoas com a sua boneca de porcelana. A comida que lembrava a sua infância feliz. Nunca imaginou melhor recepção para o seu retorno.
Ginny estava encostada na janela observando tranquilamente o céu. Rony juntamente com Hermione se aproximaram da ruiva.
- Pronta para ir? Agora a conversa vai ser bem séria. – Hermione tocou seu ombro lhe chamando a atenção.
- Não vejo a hora. - respondeu sem olhar para trás.
Rony deu um aceno com a cabeça para Neville, o moreno puxou Luna pela mão e os dois se juntaram o trio.
- Tem mais alguém fazendo parte da rebelião?
- Tirando a Enne, todos.
- Como? – perguntou Ginny incrédula.
- Você achou mesmo que alguém ia ficar de braços cruzados? – perguntou Rony rindo da cara da irmã.
- Então por que vamos apenas nós cinco?
- Não tem a necessidade de ir todos... Vai abarrotar a sala. – esclareceu Hermione.
Os cinco amigos saíram da casa e aparataram o mais perto possível do colégio. Era impressionante – e até em certo ponto reconfortante- como Hogwarts não mudara.
Ginny deu o primeiro passo, ficando centímetros do grande portão da escola. Sem que ela fizesse qualquer movimento, os portões se abriram dando passagem para eles. A caminhada foi silenciosa.
Ginny começou a se sentir como se fosse uma vela. Ela olhou para Luna e Neville e percebeu que os dois caminhavam de mãos dadas, assim como Ron e Hermione. Não vendo outra escolha Ginny se manteve mais atrás. Abraçou mais fortemente o casaco em seu corpo, o tempo estava começando a virar.
Foi então que sentiu uma pontada em seu peito e os pêlos de sua nuca se eriçaram, podia sentir um par de olhos em suas costas. Parou e se virou, encarou o portão, a uma boa distância, fechados. Não tinha ninguém, não que ela conseguisse ver.
- Algo errado? - perguntou seu irmão notando que ela tinha parado.
- Nada não... – sacudiu a cabeça. - Eu é que tenho ser mais disciplinada.
- Certeza? – Neville a olhava sério, sua testa franzida. Ginny sorriu tentando acalmar o homem.
- Claro. Vim com um propósito... não vou fracassar por causa de sensações estúpidas. Só preciso ser mais disciplinada. – repetiu enfadonha.
- Ok, ok. Vamos entrar que eu estou congelando. - Luna avançou rapidamente puxando Neville pela mão. Seguiram-os silenciosamente.
- Essa bolha está cada vez mais fria. – Hermione reclamou esfregando as mãos. - Será que é normal?
- Eu não sei, a sabe-tudo aqui é você, Mione. Detesto frio. - Rony resmungou. Hermione lhe lançou um olhar estreito. - Mas você é a sabe-tudo mais lindo do mundo! - acrescentou rapidamente, antes que a noiva lhe azarasse.
- Por que Mione? Você acha que tem algo de errado? - Ginny perguntou alarmada.
- É mesmo. - disse Neville - Lembra quando vieram aqueles quatro comensais para ver se eles conseguiriam entrar aqui?
- O que aconteceu? - Ginny ainda estava por fora dos acontecimentos em Hogsmeade.
- Vieram: Lucius Malfoy, Victor Gambler, Bellatrix Lestrange e Rodolphus Lestrange. Tentaram de tudo. Eu mesmo fique assistindo. Foi hilário, se você quer saber. –Neville sorriu lembrando das tentativas frustradas dos comensais. – A Lestrange queria derrubar isso como se fosse uma porta... Lucius fez a mesma coisa, o único que não fez nada foi o Gambler... Ele disse que precisava da mulher dele, para ajudar a desvendar os segredos da bolha. – completou Neville pensativo.
- A se eu pego a esposa dele. - disse Rony com uma ferocidade imensa.
- A mulher dele? Seria...? - olhou significamente para Luna. Luna deu um aceno quase imperceptível para a melhor amiga.
- Kalena Gambler. Aquela sim é perigosa. A queridinha de cristal de Voldemort. Sempre está escoltada por vários comensais. Dizem que é a bruxa mais inteligente de todos os tempos. – Hermione tratou de informar melhor a cunhada.
- Ela juntamente com o marido, Snape e Voldemort, produzem qualquer feitiço... As experiência desses quatro é de deixar qualquer um impressionado. - continuou Neville.
- E enojado. – Luna completou.
- Hum... Então o quanto antes agirmos, melhor. Essa bolha não poderá nos proteger para sempre.
- Mas é claro que vai nos proteger! - respondeu Rony confiante.
- Pode até ser Ron, mas o que eu quero dizer é que Voldemort obviamente está buscando uma falha nessa barreira e nós temos que nos preparar porque não podemos depender dessa proteção para sempre. - Gina tentou se explicar seu ponto de vista.
- Você é que é paranóica! - retrucou Rony - Quantas vezes essa bolha nos salvou?! Milhares de vezes. Nem você-sabe-quem conseguirá entrar... Nem se a Gambler descobrir.
- Ginny tem razão. - disse Hermione sabiamente.
- Viu Ron! Usa esse cabeção para alguma coisa! O que nós temos que fazer é juntarmos todos os aliados que temos, eles tem que estar aqui conosco onde o perigo está concentrado e mandarmos ver. - disse tentando se expressar corretamente. Sua mente fervilhava. - Vamos, Dumbledore já deve estar impaciente.
Sem falar nada os cinco chegaram na sala do antigo diretor.
Neville era quem guiava. Ele proferiu a senha e entrou. A sala continuava a mesma de quando Ginny esteve naquele lugar pela última vez.
A frente da mesa do diretor estavam apenas cinco cadeiras, deixando claro que aquela seria apenas uma conversa sobre os avanços da Ordem.
Dumbledore os esperava ao lado de sua mesa. Esperou que os cinco entrassem e se dirigiu a Ginny, dizendo:
- Seja muito bem vinda, minha cara.
- Obrigada professor. - durante esses cinco anos o único que estava em contato direto com ela era Neville, através de cartas, era meio constrangedor ficar cara a cara com Dumbledore.
Ainda com um sorriso no rosto disse: - O que vai querer ouvir primeiro, Srta Weasley?
- Luna me disse algumas coisas, - olhou de relance para a loira. – mas eu preciso saber mais sobre a 'Fazenda'.
- Esse centro de reabilitação ou fazenda, como você preferir, é comandado por Victor Gambler. Quando aluno da minha escola era quase imbatível, é um homem de grande inteligência. Victor descobriu uma maneira de reprogramar qualquer pessoa. O método é delicado, doloroso e muito eficaz.
- Eu mesmo já vi gente que era do nosso lado transformar-se em um comensal devotado. - acrescentou Rony.
- Isso é muito monstruoso, até para Voldemort! Reprogramar mentes! – Ginny sussurrou horrorizada.
- Sim. Mas o que se deve pensar de uma psique de um monstro? - disse Hermione. - Quando surgiu o primeiro reprogramado, achávamos que fosse um simples impérium. Tentamos de tudo! Foi então que percebemos que a coisa era muito mais perversa.
- Mas deve haver um jeito de reverter o processo, certo?
- Só uma pessoa conseguiu esse feito, Ginny. - respondeu Dumbledore. – Nossa querida Luna trouxe uma luz no fim do túnel quando voltou sã e salva.
- Ginny - interrompeu Luna - O Gambler acha que o método é eficaz. Para ele a reprogramação não tem falhas. – e abaixou o tom de voz, apenas para Ginny. - Só "aquela pessoa" encontrou uma maneira de burlar o sistema de reprogramação.
- Nós podíamos estudar a mente da Luna. - Rony sugeriu pela enésima vez. Neville olhou feio para ele.
- Rony, pela última vez, - Nev esfregou a testa nervoso e impaciente. - ninguém toca na Luna.
- Seria arriscado demais mexer na mente de uma pessoa. Ariscado e desnecessário. Não queremos correr qualquer risco com a vida da Luna. – Hermione falou concordando com o amigo.
- Eu não vou deixar que descubram a identidade dessa pessoa. - respondeu Luna ariscamente. – Ela se arriscou muito por mim.
- Calma. Ninguém vai descobrir nada. - Ginny tentou acalmar a amiga. - A única mente aqui que deveria ser vasculhada é desse tal de Gambler.
- Professor - interpôs Hermione - O Sr. mencionou que existiu alguém mais inteligente que o infeliz desse Gambler... Quem?
Dumbledore deu mais um sorriso e ajeitou o óculos.
- Sua atual esposa. Kalena vem de uma linhagem antiga de estudiosos. Sua mãe, avô materno, bisavós e assim por diante.
Luna ofegou discretamente. Gina balançou a cabeça quase imperceptivelmente para a amiga.
- Luna, você esteve na fazenda. Conseguiria se lembrar exatamente do local, dos turnos de comensais?
- Eu fui separada do grupo. Eu era uma "encomenda especial", - fez uma careta. - Minha cela era a mais bem fortificada... separada.
- Certo. Nós precisamos desestruturar Voldemort, isso nós já sabemos. Mas temos que começar pelas beiradas. E nada melhor do que começar por essa 'fazenda'. – Ginny se virou para o diretor. - O que o senhor acha professor?
- Bem... Eu acho muitas coisas...
- As fazendas são extremamente fortificadas. - cortou Luna.
- Luna tem razão. São quase impenetráveis. - Neville disse.
- Quando cheguei, a primeira coisa que fiz foi tentar fugir. E óbvio que não cheguei nem perto da porta. Os comensais que montam guarda são extremamente violentos, eu ia levar a maior surra. Mas... - Luna respirou fundo tinha que contar parte da história - Uma conselheira os interrompeu e me levou até a sala dela, mas antes que chegássemos Zabini a impediu e me arrastou pelo braço, dizendo que ele mesmo cuidaria de mim.
- Blaise Zabini... outro problema. - Mione resmungou. - Ele está aterrorizando todos à procura de Luna. E ainda tem a Lestrange com sua obsessão pela Tonks...
- Porque você nunca me contou isso Lu? – Neville exclamou assim que saiu do estado de choque.
- Nev... - luna encolheu os ombros. – Existem muitas coisas que não precisam ser lembradas...
- Gente, nós estamos esquecendo que temos dois especialistas em invadir lugares? – Ginny exclamou interrompendo a conversa que Luna obviamente estava evitando. - Ron e Mione! Esses dois sempre se metiam em lugares impossíveis com... - sua voz cedeu. - ...com Harry.
- É – Rony concordou. – Mas não é tão fácil assim, Ginny, nós precisamos de alguém lá dentro, pois nem eu e nem a Mione temos idéia de onde estamos nos metendo.
Nesse instante a porta da sala foi aberta abruptamente, fazendo Rony pular da cadeira e todos olharem ansiosos para a porta. Percy Weasley entrou, Luna estranhamente trincou o maxilar e se encolheu na cadeira. Ele deu um sorriso frio.
- Eu ouvi direito, Ginevra... Você quer entrar em um dos centros, é isso?
- Eu não quero Percival. Eu vou. – encarou o irmão com o queixo erguido.
- Não se entra lá, Ginevra. Não é como um parque de diversões que você entra e sai a hora que quer. A não ser que não queira sair.
- Não precisa se preocupar. Vocês só precisam me ajudar a planejar, uma vez lá dentro o resto eu improviso.
- A não ser, é claro, que você vire brinquedinho na mão do Gambler. – agourou Percy.
- Cara, como você consegue ser tão otimista vinte e quatro horas? – Rony tirou sarro do irmão mais velho. - Muito obrigado pelo voto de confiança.
- A senhora Gambler é contra tudo isso... pelo menos é o que se escuta em Londres. - disse Percy indiferente.
- Não! – Luna exclamou. – Quer dizer, ela esta ligada diretamente a fazenda. - tentou contornar o olhar duvidoso de Percy.
- Não... não está. – ele rebateu.
- Como você tem tanta certeza, Percy? Tem algo a nos dizer? - Rony perguntou. - Pois adoraríamos uma colaboraçãozinha.
- É o que eu disse antes Roniquinho... – o ruivo tirou os óculos e o limpou calmamente na barra da blusa social. - É o que comentam em Londres. A Gambler quase não sai, mas as opiniões dela nas reuniões do conselhos geralmente vaza e é muito aplaudida em Londres.
- Certo, rapazes. Mas como a Ginny disse, nós precisamos de um plano para invadir o local. Neville? - Hermione se fez presente.
- Não. Não me vem nada na cabeça.
- Rá. Vocês são loucos... entrar na toca do lobo. - Percy disse muito descrente enquanto brincava com sua varinha. - Mas então, o que mais eu perdi da reunião?
Dumbledore permanecia calado estudando atentamente cada rosto em sua sala.
- Eu sei de alguém que pode nos ajudar. - disse Luna tentando não olhar para Percy.
- Quem? - Ginny se aproximou da loira.
- O nome Tonks te diz algo. - sugeriu Luna.
- Claro. Como eu não pensei nisso antes?! – Hermione concordou. Todos se levantaram quase imediatamente, seus pensamentos sintonizados.
- Ela pode nos dar uma visão mais ampla. - continuou Rony.
Percy os olhava curioso e totalmente por fora do assunto.
- Oi. Ainda estou aqui. Alguém pode me contar o que se passou!
O ruivo foi ignorado por todos. Neville e Luna saíram na frente, acompanhados por Rony e Hermione. Ginny tinha ficado para trás.
- Ginny? – Dumbledore a chamou. – Você me permite fazer um pequeno comentário?
- Claro, professor. – ela olhou de esguela. Percy ainda estava no cômodo, esperando-a.
- Paciência. – segurou fraternamente o ombro dela. – Harry não foi o único inocente morto nessa batalha. Essa missão está mais acima de você. Existem mais vidas em jogo que sua raiva.
Ginny engoliu em seco, mas não deixou de concordar com o sábio professor.
- O Senhor não vai nos acompanhar? – ela perguntou enquanto fechava o casaco.
-Não, minha cara. Tenho um encontro importante agora. Remo me manterá informado.
A ruiva apenas concordou com a cabeça.
- Vamos Ginny. – Percy agarrou se braço e a guiou para fora do castelo.
xXxXxXxXx
Ginny correu para onde os quatro a esperavam.
- Oi. – se colocou ao lado de Rony, fora dos limites da escola.
- Cadê o Percy? – Hermione perguntou fechando o casaco e se preparando para aparatar.
- Eu não sei. No meio do caminho ele disse que tinha que voltar para Londres. – Ginny deu de ombros.
- Melhor assim. – Rony segurou com firmeza o braço da irmã. – Preparada?
Ela consentiu com a cabeça e os cinco aparataram para longe.
xXxXxXxXx
No mesmo instante, a Fortaleza das Trevas estava impolvorosa. A movimentação estava intensa e a noticia de que a Lady das Trevas estava muito próxima apenas esquentava os ânimos de todos.
Voldemort estava impaciente por não conseguir ultrapassar a proteção de Hogsmeade; e sem a colaboração de Kalena, as coisas estavam mais tensas e difíceis que nunca.
Sua inquietude podia ser medida na reunião. Seus olhos estavam vermelhos. Ao ver Victor entrando na sala, Voldemort poderia descobrir onde a sua melhor conselheira estava enfiada na fortaleza.
- Victor, seu incompetente. – Voldemort sibilou furioso. - Onde sua mulher se enfiou afinal?
- Sinceramente milord, eu não sei. Desde que Kalena descobriu sobre os feitiços dos gêmeos que ela não está muito propícia a conversar comigo. – Victor encolheu os ombros. Mal entrou na sala de reuniões e já estava sendo bombardeado por perguntas.
Draco entrou logo atrás do cunhado. E pelo que pescou da conversa era perceptível que o lord queria que Kalena estivesse naquela reunião. Antes que ele também fosse sabatinado com aquela pergunta, ele resolvera respondê-la antes que fosse interrogado.
- Milorde deu-lhe quinze dias de folga... bem, pelas minhas contas, hoje é apenas o segundo dia.
- Incompetentes. Todos vocês. - Voldemort rugiu furioso. Mas em parte era culpa sua. Ele tinha deixado que Kalena tirasse uma folga. Bateu com o punho na mesa. - Novidades? Draco?
- A doma continua no mesmo lugar. – disse Draco calmamente. A vontade do loiro era rir da situação, mas ainda não estava louco o bastante.
- Isso eu sei, seu imbecil. - os olhos de Voldemort avermelharam ainda mais. - E minha Lady? Ahn? Estou cansado de esperar! Rodolphus?
- Ela não saiu. – Rodolphus disse sem se abalar pela fúria do bruxo.
Voldemort gargalhou sem humor. - Então acho que você terá que fazer algo a respeito não é? Meus poderes não são os mesmo longe dela. Ela tem que parar com essa mania irritante de ficar fugindo
- Mas milorde, não sabemos como entrar. - retrucou Victor confuso. – Não sei como ela conseguiu.
- Nós... não, mas desconfio que Kalena saiba onde fica as entradas de emergência. Até porque, se me lembro bem, ela contou que tinha conseguido sair e nenhum comensal conseguiu vê-la sair.
- Mas Kalena não vai contar. – disse Lucius. – Ela... não quer conversar com ninguém. Eu tentei conversar com ela ontem e quem me recebeu armada foi a Gwendolin.
- Em suma, – disse Rodolphus derrotista – não sabemos entrar.
- Não sabem como entrar, mas sabemos exatamente como fazê-la sair. - ele sorriu torto.
- Como... como assim senhor? - fora a vez de Rodolphus ficar confuso.
- Rodolphus... Se fosse para eu fazer tudo não precisaria de nenhum de vocês. Sei por fonte segura que Ginevra sabe sobre minhas Fazendas. – cruzou os longos dedos pálidos por cima da mesa. - Então... coloquem a cabeça para funcionar.
- Ela não irá até lá. – Victor afirmou totalmente descrente. – Ela sabe que estamos atrás dela. A Senhorita Weasley pode ser tudo, menos burra.
- Porque tem tanta certeza? - perguntou Voldemort encarando o comensal. Seu desejo era que Kalena estivesse ali, pelo menos ela poderia mostrar que era plausível a entrada de Ginevra. – Ela está com raiva... e isso a deixa meio irracional. Eu posso lhes assegurar.
- Lord, Victor tem razão. A Weasley não é idiota. Os 'amiguinhos do bem' sabem muito bem que a fazenda é totalmente protegida, mesmo que conseguissem entrar, nunca sairiam vivos. - Draco disse.
- E é exatamente isso que eu estou contando Draco... que Ginevra entre... mas eu não me lembro de dizer que ela vai conseguir sair sem a "minha ajuda". – Voldemort deu um sorriso horripilante.
Draco se mexeu desconfortavelmente na cadeira. Aquele sorriso deixava bem claro que ele planejava algo bem macabro.
- Senhor, sem querer ofender, mas, seria arriscado e totalmente desnecessário deixá-los entrar. – Snape esclareceu sua opinião.
- E por quê? - perguntou irônico. Os outros comensais permaneciam calados. Expressar opiniões era uma coisa que eles aprenderam da forma mais dura ser inadmissível pelo Senhor das Trevas.
- E se, por algum golpe de sorte, eles saírem vivos? Seria arriscado deixar que eles vissem o centro por dentro, nosso trabalho iria por água abaixo.
- Ninguém vai sair de lá, Severo. Pelo menos não sem a nossa ajuda. Eu tenho quase certeza que ela não vai gostar muito dessa ajuda, mas... – disse Voldemort displicente.
- Como assim? – perguntou Bellatrix tentando esconder a raiva.
- Ginevra vai direto para a minha cama... e a amiguinha Lovegood deve estar junto com ela, ela é a única que sabe como são as instalações de um dos centros. Essa nem sairá do centro. Será reprogramada e esquentará a cama de Blaise. Ele merece a garota como presente por seus serviços prestados.
- Elas não virão sozinhas. - disse Snape.
- Não... realmente não virão. – tombou a cabeça para o lado e sorriu. - Bem... são peças descartáveis e todos serão mortos. Sem exceção, sem misericórdia.
Severus se calou diante a certeza absoluta de seu Lord. Voldemort nunca pensava em um plano alternativo.
- Rá... aqueles insuportáveis... - Bellatrix sibilou. - Eu os picaria e faria uma sopa.
- Ótima idéia Bella. Pode fazer isso com o resto da escória, mas Ginevra e Luna já tem seu destino traçado, não se esqueça.
- Ginevra isso... Ginevra aquilo... - Bellatrix sussurrou evidentemente morta de ciúmes.
- Disse alguma coisa Bellatrix? - perguntou Voldemort frio. – Acho que escutei um zumbido desagradável.
- Nada milord. Apenas me engasguei com o ar. – disse ela fingindo tossir.
- E se Tonks estiver entre eles? - perguntou Lucius ao se lembrar da sobrinha da esposa.
- Não vou reclamar se ela for pega também. Não seria nada mal ter uma metamorfomaga entre meus seguidores. Será reprogramada, obviamente.
- Essa eu mesma me assegurarei de agarrar. Essa bastarda não me escapará novamente. – Bella agarrou com força a borda da mesa.
- Isso tudo é por que ainda não aceitou que a sua irmãzinha do meio traiu a família e se casou com um sangue ruim? - ironizou Voldemort acidamente.
Bella retribuiu o sorriso acidamente controlado. - Milorde, aquela ali não é da minha família. Apenas nasceu para envergonhar o nosso puro sangue. Mas Tonks pagará pelas escolhas erradas da mamãezinha.
- Eu a quero viva. – o bruxo disse firme, pondo um ponto final na discussão. – Preciso daquele talento. Não quero que picuinhas familiares atrapalhem meus planos.
- Claro senhor! Por mais bastarda que ela seja, com a reprogramação do Gambler, ela será fiel a causa. - disse dando um sorriso torto à Victor.
- Estou começando a achar que vou encurtar a folga de Kalena... - disse Voldemort para si mesmo ao se encostar no trono.
- O que? – disse Draco tentando entender.
- Você escutou muito bem.
- Não acho que seria uma boa idéia. – disse Snape, tentando ajudar o seu antigo aluno a proteger a irmã.
- Posso saber por que não seria uma boa idéia?
- Seria desnecessário e totalmente imprudente, se o senhor me permite dizer. - disse Draco. - Kalena precisa desse tempo com os filhos.
- Ícarus e Isolda. Às vezes tenho a impressão de que Kalena seria mais empenhada na causa se seus filhos não exigissem tanto tempo de sua atenção.
- Senhor, eles são meus também. – os olhos de Victor estavam do tamanho de duas bolas.
- Não se preocupe... não vou matá-los, se é isso que te assusta.
- O importante aqui é planejarmos exatamente cada passo para estarmos preparados para os rebeldes. - Bella disse chamando a atenção para si.
- E porque você acha que quero a presença de Kalena? – Voldemort perguntou entre dentes.
- Mas... Mas... Eu entendo muito bem de estratégia! Assim como todos aqui. - Bella argumentou querendo se destacar, Rodolphus apenas girou os olhos para a mulher.
- Você acha que a Kalena é só uma estudiosa sem valor, não é?
- Não, sem valor não.
- Sem valor... não. Mas inferior a você, sim.
- Apenas pensei que, já que ela está de 'ferias' nós poderíamos fazer sem a ajuda dela. – Bella tentou se desculpar.
- Você conheceu a mãe dela... eram amigas e mesmo assim você não dá os devidos créditos a sua afilhada. Ela é a madrinha dela, não é?
- Sou. – disse Bella ainda desconfortável
- Você foi uma dos comensais que teve que contê-la naquela festa. A única vez que ela mostrou todo o seu potencial mortal. Só conseguiu isso porque Kalena foi educada para te respeitar... mesmo que você e ela possam estar em lados separados.
- Eu não estou desmerecendo-a. Apenas acho, assim como Draco acha, que esticar muito a corda, ela pode arrebentar. E... Kalena possa desistir de tudo.
- Eu nem comecei a esticar a corda. Se Kalena não fosse tão cabeça dura, os gêmeos não estariam correndo risco. Então, eu acho que quem arrebentou a corda da minha paciência foi ela. Kalena é merecedora do lugar que ocupa. Sem a prodigiosa ajuda dela, muitos estudos não sairiam do papel.
- Perdão Milorde. O senhor tem toda a razão. - Bella apertava com tanta força a mão fechada, por baixo da mesa, que fez um corte em sua palma. - Precisamos dela.
- Sim, precisamos da Kalena. – Snape voltou a falar. – Mas dessa vez terá que ser feito sem ela.
- Meu querido sobrinho Draco que já esteve tantas vezes diante desses rebeldezinhos, saberá exatamente o que fazer. – Bella olhava desafiadoramente para o loiro. – Não é Draquinho?
- Assim com você, tia Bellatrix.
A reunião continuou sem maiores tumultos. Tudo rondavam sobre aumentos de impostos e taxas que trouxas e não-cidadãos pagavam regularmente. Ou sobre uma possível diversão banhada a muito sangue não mágico.
Rodolphus falava sobre o próximo ataque aos trouxas, enquanto todos ouviam atentamente, quando de repente poderiam ouvir berros de uma criança dentro da fortaleza. O que não era muito usual.
Draco arqueou as sobrancelhas, reconheceria aquela voz em qualquer lugar. Ficou encarando Victor de forma bem intensa. Enquanto ele tentava não explodir de vergonha.
- O que é isso? - Rodolphus perguntou fazendo menção de ir verificar o que estava acontecendo.
- Parece... uma criança. - supôs Lucius sem entender.
- Tá parecendo com a voz da Isolda! - Victor escorregou na cadeira se encolhendo e cobrindo o rosto com a mão ao identificar os gritos histéricos.
- O que ela tá fazendo aqui?! -perguntou Draco espantado.
Mas antes que alguém pudesse levantar para verificar, a porta da sala de reunião rangiu. A garotinha abriu as portas sem cerimônia e correu pelo salão de reuniões em direção à Draco.
- Tio Draco!!! Eu achei o tio Draco!!!
- Isolda! - Draco a segurou quando ela pulou em seu colo. - O que faz aqui? Cadê sua mãe?
- Mamãe tá em casa, tio! – ela segurou o rosto do tio entre suas pequenas mãos e beijou sua bochecha. – atrás do 'Caru'...
- Ícarus. – Draco a corrigiu.
- Como eu disse, 'Caru'! – ela fez bico e cruzou os braços. Draco riu da cara emburrada da sobrinha.
- Tá bom. Só porque você quer!
- O que? Como...? – Victor balbuciou, seu rosto estava pra lá de vermelho. Se perguntava o que Voldemort estaria pensando dele e sua família.
Nesse meio tempo Isolda começou a enrolar uma madeixa loira de Draco entre os dedos felizmente. Com um sorriso bem sapeca perguntou:
- Tio Draco... Porque o cabelo do vovô, o cabelo da vovó Cissa, e o cabelo do tio Draco é amarelo e o meu cabelo, o cabelo do Caru e o cabelo da mamãe é preto?
- Pergunta isso amanhã que eu te respondo.
- Por quê?
- Porque aqui não é lugar.
- Por quê?
- Por que... por que você é uma maquininha de "por quês"?
- Mas... como é que eu vou aprender se eu não pergunto?
- Tá certo. – disse Draco quase rindo da resposta franca da sua sobrinha - Aqui é um lugar de trabalho e a sua mãe não está aqui.
- Ah tá! Amanhã você responde?
- Respondo.
- Promete? – perguntou fazendo bico. – Jura?
- Juro.
Nesse momento uma elfa entrou derrapando pela sala atrás da pequena Isolda.
- Como você veio parar aqui? – Victor perguntou trincando os dentes, muito irritado. – Sua elfa incompetente!
- Perdão senhor. Pequena Isolda aparecer no escritório Sra. Gambler. – a elfa tentou se desculpar, temendo o castigo que receberia.
- Não briga papai. – Isolda olhou indignada para o pai. - A culpa é do Caru!
- O que o Ìcarus tem a ver com isso? - perguntou Lucius. Isolda virou a cara e apertou ainda mais o braço ao redor do pescoço de Draco. Ela pareceu ter medo dele – Mal criada. – Lucius murmurou descontente. Não queria que ela fosse daquele jeito.
- Tal como a mãe. – Bella sussurrou acidamente para o cunhado. Lucius lhe lançou um olhar mortal.
- Isolda? o que Ícarus tem haver com sua aparição aqui? – Draco insistiu. - Kalena deve estar louca atrás de você.
Ela olhou fixamente para o seu tio. No olhar dela havia um misto de medo e de coragem... de dever cumprido e de encrenca a vista. Draco poderia jurar que a sua irmã naquela idade olhava para os mais velhos da mesma forma.
- Jura que não briga, tio?
- Juro.
- Bem... a mamãe tá louca atrás do Caru... Ele soltou o cavalo, titio. E o cavalo não gosta de voltar para a casinha dele.
- E o que o cavalo tem haver com você aqui Isolda Gambler? - Victor exigiu uma resposta furioso.
- Foi assim que eu peguei o pó! Mamãe tava lendo e não saía de perto da lareira. Eu disse que o Caru não conseguia soltar o cavalo. E Caru disse... – depois disso Isolda calou-se e deu um meio sorriso.
- Ele disse o que, Isolda Gambler? – perguntou pausadamente.
- Ele me desafiou! – a garota fez uma cara de sapeca numa tentativa falha de fazer cara de anjo - Caru disse que eu não tinha coragem de aparecer aqui! Agora ele perdeu! – balançou a cabeça dando um sorriso ainda maior mostrando assim os dentes faltando. - Vai ficar um mês sem tomar banho na banheira da mamãe! Bem feito!
- Vocês não deviam fazer isso. - Draco sussurrou para ela.
- Por quê?
- Para um pouquinho e olha o seu pai. – Draco continuou murmurando.
Isolda olhou diretamente para o pai e se encolheu diante seu olhar furioso.
- Essa não nega a raça. – Voldemort se intrometeu achando graça na petulância daquela pequena garota. - Prefere morrer a perder uma aposta. Gosto disso. Na época certa será uma grande e valorosa comensal.
Isolda ouviu aquilo e não gostou nenhum pouco. Ela voltou a olhar para o tio e puxou para falar no ouvido dele.
- Não 'goto' dele.
- Quem? – disse Draco sabendo perfeitamente de quem que a sua sobrinha estava falando.
- Dele... – continuou Isolda olhando rapidamente para trás e olhou para Voldemort. – Ele faz a mamãe chorar... faz o titio chorar... ele mata criancinha que eu sei. Ele é mau titio... muito mau. Não gosto de vê a mamãe chorando.
- Isolda – disse seu pai interferindo na conversa. – Estou falando com você.
- Eu sei, papai. – disse Isolda sabendo que estava encrencada.
- Agradeça a essa apostinha infame pelos dois meses de castigo, mocinha. - disse Victor lívido.
- A mamãe não vai deixar! – ela desafiou confiante.
- Isso é o que veremos, senhorita Isolda. Pois ainda sou o seu pai. – Victor desviou o olhar raivoso. – Onde ela está?
- Ela quem papai?
- Afinal de contas, onde está aquela babá imprestável? Ela deveria estar colada a você vinte e quatro horas, como um feitiço colante!
- Bom... – disse Isolda olhando para a porta.
- Ela está bem atrás do senhor. - disse uma jovem de cabelos crespos e revolto. Seus olhos eram de um verde transparente. Parecia ter no máximo 19 anos. - Estava esperando o senhor dar a bronca. A Sra Gambler me avisou que eu não devo me pronunciar enquanto o senhor dá as broncas. Pega mal...
- Não me diga, Gwendolin. - Victor disse entre dentes.
- Achei que o senhor soubesse... – disse a babá em franco deboche. Depois ela se voltou para todos – Desculpe a intromissão, mas vim pegar a miss tufão.
- Eu não sou a miss tufão. – disse Isolda rindo daquele apelido.
- É sim... Você é a miss tufão e Ícarus é o mister confusão.
- A conversa tá boa, não? – perguntou Victor acidamente.
- Tá ótima Sr. Gambler. – respondeu Gwen fingindo muito mal alguma seriedade. - Sabe eu... eu sinto que eu tenho uma linha de comunicação aberta com os gêmeos, sobretudo com a Isolda. Isso é tão gratificante... Eu falo e ela se finge de surda!
- Engraçadinha. – continuou Victor.
- Mas o Sr. não perguntou se a conversa tava boa?
- Chega. Se o Milorde permite, eu vou ter uma conversinha com a empregada. - Voldemort sacudiu a mão para que ele saísse. - Pegue-a. - ordenou para a babá.
- Você não vai machucar a tia Gwen! - gritou Isolda ainda no colo do tio.
- Pegue-a. E me acompanhe. - Victor disse pausadamente, apenas sua fisionomia estava serena. – E você Isolda, fique quieta. Eu não vou machucar ninguém. Por enquanto. – acrescentou maldosamente.
- Quer fazer o favor de não piorar as coisas para o meu lado, Isolda! - Gwendolin sussurrou ao ouvido da menina quando a pegou em seu colo.
- Mas ele vai te levar embora, tia Gwen... – a menininha fez cara de choro. – Te levar para aquele lugar...
- Ninguém vai me levar para lugar nenhum...- a mulher tratou de acalmá-la. - Antes disso, eu chuto o rabo de alguns... quebro alguma coisa na cabeça de outros e quebro o nariz do resto! Eu sou a super babá!
- Certeza? – Isolda sussurrou enrolando os braços ao redor do pescoço de sua babá.
- Aham.
- Venham. - Victor agarrou Gwen pelo ante-braço e a arrastou para fora do salão.
- Sr Gambler... eu sei andar. - disse Gwen rindo, tentando amenizar a situação. Isolda parecia que iria chorar a qualquer instante.
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Ginny pousou suavemente no chão ao lado do irmão e dos outros. Estavam frente a uma casa simples e aconchegante. Então ela deduziu que aquela casa devia ser de Tonks e Lupin.
Hermione tomou a dianteira e bateu apressada na porta. Estava com pressa e aquela idéia era a melhor que tinham em anos. Não precisou bater duas vezes, uma voz dentro da casa se fez presente.
- Identifique-se – era a voz de um homem. Provavelmente Lupin.
- Sou eu, Remo, Hermione! Hermione Granger.
- Se é a Hermione verdadeira me diga qual foi a posição que Harry ocupou no xadrez bruxo?
- Essa é óbvia. - Hermione sussurrou para os amigos revirando os olhos. - Torre.
- Anda Lupin, estamos congelando. - resmungou Ron puxando o casaco mais contra seu corpo.
- Quem está com você, suposta Hermione? – ele voltou a perguntar ainda com a porta fechada.
- Ron, Luna, Neville e... – a morena hesitou por um instante. - Ginny.
- Ginny?! – Tonks gritou dentro da casa. - Eu não acredito!
- Pode acreditar. Estou de volta. - Ginny se manifestou, rezando para que Lupin abrisse logo a porta.
- Abre essa porta, Remo! – os cinco escutaram o tom mandão de Tonks.
- Mas... Ninfa...
- Me fala, qual comensal bateu nessa porta nesses últimos anos?
- Nenhum, mas...
- Dá licença, Remo. Antes que eu te azare!
A porta se abriu e foi Tonks que todos viram aparecer primeiro. Seus cabelos estavam castanhos e carregava consigo um sorriso plácido. Ginny sorriu de volta. Mas antes que as duas pudessem se falar, uma voz masculina se fez presente.
- Oi Tonks, bom te ver, cabelo maneiro. Mas será que a gente pode entrar agora? - Ron resmungou já entrando na casa.
- Claro, Rony. Ótimo ver que a sua educação está cada dia melhor.
- Tente ser educado quando suas meias estão molhadas. – ele resmungou novamente e Hermione o beliscou sorrindo sem jeito para a dona da casa. Ela deu passagem para que os outros também entrassem e voltou a travar a porta com vários feitiços.
- Oh Ginny! É você mesmo? – Tonks a abraçou comovida. A ruiva retribuiu o abraço. – Olha só para você! Todo esse tempo sem noticias suas e de repente você está de volta.
- Chega de brincar de esconde-esconde, certo?
- Totalmente! – Tonks sorriu cúmplice.
- Mas o que os trouxeram aqui? – questionou Lupin olhando para os seus antigos alunos.
Luna abriu a boca para falar, mas Ginny foi direto ao ponto.
- Fazenda de reprodução. Te diz alguma coisa?
- Me diz que a minha mulher não vai sair de Hogsmeade. – Lupin cruzou os braços irredutível. – Bellatrix Lestrange tá na caça dela.
- Exatamente, professor. E é isso que vai acontecer. – Ginny riu da cara questionadora de seu antigo professor. - Bellatrix vai pegar a Tonks. – Ginny explicou sorrindo abertamente. Lupin arregalou os olhos para a ruiva. - Não a Tonks verdadeira, é claro! Será um duplo dela.
- Como? - perguntou Tonks olhando para o marido e depois para Ginny.
- Explique-se Ginny. – Remo foi para o lado de sua esposa.
- Tonks, Lupin, nós precisamos acabar com essa fazenda. E nada melhor que começar por dentro. E como a Lestrange está doida atrás de você, - a ruiva apontou para Tonks. - eu pensei que poderia ser um bom plano.
- É um péssimo plano! - Remo exclamou enfurecido. – Aquela lunática está atrás da Ninfadora, mas Voldemort está atrás de você!
- Lupin. É um plano simples, para dizer a verdade. Entrar, quebrar tudo, soltar as prisioneiras e cair fora. Não estarei sozinha.
- Mesmo assim! Você pirou? Aquilo é mais protegido do que a própria Fortaleza das Trevas!
- Mas nos temos a Luna a nosso favor. Ela já esteve lá. Não que ela voltará Nev, relaxa.
- Eu concordo com o professor Lupin, Ginny. – Hermione mexeu nos cabelos pensativa. – Pensando bem, é arriscado demais.
- Você não pode contar apenas com a sorte. Tem muita coisa em jogo, muitas vidas. - lembrou Lupin.
- Por isso nós estamos aqui. Precisamos de sua ajuda. Sua e da Tonks. - disse Neville dando uma força aos planos de Ginny.
- Não está entre as minhas prioridades ajudar numa missão suicida. - falou remo resoluto.
- É a única maneira de acabar com isso professor - disse Luna, sua voz estava baixa e fraca. Provavelmente se lembrando das atrocidades que ouviu, viu e sentiu naquele lugar horripilante.
- Antes de me decidir, tem uma coisa que preciso saber. Vocês sabem como irão sair daquele lugar?
Os cinco ex-alunos de Remo trocaram olhares.
- Essa é uma boa pergunta. - murmurou Rony se espalhando pelo sofá. - Ginny?
- Não olha pra mim. Nev? – a ruiva jogou a bomba para Neville.
- A idéia da invasão é sua! - retrucou Neville olhando-a.
Lupin olhava abismado seus ex-alunos jogarem a culpa um para o outro como se tivessem cinco anos de idade.
- Valeu amigo. - disse sarcástica. - Bom, entrando e derrubando os comensais que lá estiverem, já fica mais fácil... não é?
- Errado novamente. - repreendeu o professor.
- Eles teriam reforços num estalar de dedos! – Tonks tentou colocar juízo na cabeça deles. - E não estou falando só de comensais. Pode contar com dementadores, gigantes e lobisomens... – os cinco fizeram uma cara desanimada. – Desculpa o banho de água fria meninos, mas vocês precisam saber o que estão enfrentando.
- Vai ser preciso ter alguém lá de dentro que possa atrasar esse reforço. - disse Lupin. - Recomendo uma equipe de assalto... pequena, veloz e mortal.
- Okay, você tem toda razão. Precisamos formar essa equipe. Sem erro, invadimos e fazemos o serviço. – Neville concordou com o que Lupin dizia.
- Acham que conseguem alguém de dentro? - perguntou Tonks – Será essencial!
- Tem aquele comensal, o Justian alguma coisa. – Hermione sugeriu. - Ele é freqüentador assíduo daquele clube dos comensais. Alvo fácil.
- Bem lembrado Mi! Ele é tapado o suficiente para um imperius... - concluiu Rony.
- Não, não. Daria muito na vista. – discordou a ruiva. - Eu tenho alguém melhor.
- Quem? - todos perguntaram em uníssono.
- Não precisamos nomear os peões... Mas com certeza essa pessoa é a ajuda perfeita.
- Okay, senhorita mistério. Agora nós precisamos ver como faremos para entrar. - disse Rony.
- É simples. Eu entro parecendo com a Tonks e mais um que terá bebido a poção polissuco para se torna um duplo da Luna. Uma vez lá dentro daremos cabo nos seguranças e baixamos a guarda dessa monstruosidade. Depois nos dividiremos em dois. O primeiro solta as prisioneiras e o outro põe abaixo o centro e todos os registros da pesquisa. - enumerou Ginny.
- mas tem uma pequena falha ai. – Hermione pareceu notar algo que os outros não lembraram. - e se o Malfoy estiver lá? você sabe muito bem que aquela doninha é o melhor lutador e feiticeiro de Voldemort.
- Eu sei... Mas não pode ver um rabo de saia que se desconcentra. – Ginny tentou ver o lado positivo daquela suposição.
- O que você está tramando Ginny? - Luna perguntou desconfiada.
- Sei exatamente o que farei se o Malfoy estiver por lá. Isso é, se ele por acaso der as caras pelo lugar. Como você mesma disse Luna, ele quase não aparece por lá. Quem controla o local é o Gambler. – e Ginny sabia mesmo o que desconcertava um certo loiro e iria usar essa fraqueza a seu favor.
- Esse daí é fiel até mandar parar. - disse Rony. – Com certeza Gambler estará no lugar tomando conta de tudo.
- E é exatamente isso que nos ajudará. - disse Neville. - Sei que é audacioso, mas se nós pegarmos Victor Gambler, as fazendas ruirão.
- E como pegaremos o Victor Gambler? - perguntou Luna com uma sobrancelha erguida em desafio. - Ele pode ter cara de nerd, mas ele duela muito bem!
- Eu não passei cinco anos com os monges de brincadeira Luna. - disse Ginny sem paciência. - Aprendi alguns truques que deixariam até Voldemort de cabelo em pé.
- Tudo bem, mas eu quero pedir uma coisa. – Luna olhava decidida para a melhor amiga.
- O que foi, Lu? - Neville franziu a testa preocupado.
- Eu quero ir. Não quero que ninguém vire uma cópia minha!
- Isso está fora de cogitação, Lu. - Ginny sussurrou para ela.
- Você não vai. - Neville quase gritou em choque.
- Vou! – Luna cruzou os braços e fez cara feia. – Não posso arriscar a vida de alguém. É perigoso demais ser eu.
- Luna. - Ginny a agarrou pelo braço e a levou para um canto da sala, longe dos ouvidos dos presentes. - Luna, você não vai, é ariscado demais. O que você está querendo provar?
- Não estou querendo provar nada! Quem você acha que estará me esperando quando avisarem que eu fui capturada? O Blaise, Ginny! Se for alguém que não conhece a nossa história o seu plano vai por água abaixo. E essa pessoa que estará no meu lugar morrerá e você acabará esquentando a cama de voce-sabe-quem!
Ginny ficou um tempo calada. Seu choque era óbvio. Luna estava completamente certa.
- Você tem razão. - suspirou pesadamente esfregando as têmporas. - tudo bem, eu estarei lá para te proteger de qualquer forma. Você venceu.
- Não venceu, não! - disse Neville colérico prestando atenção na conversa das duas mulheres.
- Neville, calma. - Ginny se apressou a dizer. - Por mais que eu deteste admitir, a Luna foi a única que esteve la dentro e conseguiu escapar. Nós estaremos lá para garantir a segurança dela!
- Uma ova que ela vai. - Neville gritou.
- Me explica porque? - indagou Luna.
- Porque eu não suportaria te perder outra vez. - Neville se aproximou dela e a abraçou. - Não aguentaria viver todo aquele inferno novamente. Eu jurei para o seu pai que cuidaria de você. Eu prometi.
- Às vezes é necessário quebrá-las. - retrucou Luna. - Eu não vou ficar por lá. Vou voltar com você.
Neville suspirou resignado. Quando a loira colocava uma idéia na cabeça era difícil convencê-la.
- Beleza, Luna vai como Luna. Agora me esclareça uma dúvida Ginny. Como você vai fazer para ir no meu lugar? Você disse que só quem supostamente iria no lugar da Luna tomaria a poção polissuco. - Tonks perguntou se sentando no braço do sofá onde seu marido estava sentado.
- Como todos sabem, seria arriscado qualquer outra pessoa ir em seu lugar, Tonks. Você é uma das mais procuradas. E respondendo a sua pergunta, eu posso ser quem eu quiser. - Ginny sorriu satisfeita.
- Como assim? – os olhos de Hermione brilharam de curiosidade. -Você não é uma metamorfomaga... ou é?
- Não! Ela não é! - retrucou Tonks resoluta. - Esse tipo de dom se aflora desde cedo. Seria impossível a Ginny desenvolver um dom desses assim, de repente.
- Não eu não sou. Infelizmente. Mas posso dizer que sou um tipo diferente de metamorfomaga. - Ginny caminhou até Tonks e suspendeu a mão para tocar em seu ombro. Em questão de um segundo, Ginny era a cópia perfeita de Tonks.
- Wow. – Rony exclamou empolgado.
- Cacetada! – Tonks exclamou surpreendida. Seu cabelo passou para um tom vivo de azul. Ginny fez o mesmo.
- Só não dura muito tempo. – Ginny se queixou.
- Mais ou menos quanto? - perguntou Lupin observando atentamente a cópia de sua mulher.
- Se eu estiver forte o bastante, uns 20 minutos. Mas eu não sei, desde que voltei meus poderes não são os mesmos.
- Estão mais fortes ou mais fracos? – questionou Lupin estudando todas as possibilidades daquele plano maluco.
- Na verdade, eles estão oscilando... Não sei o quanto essas oscilações poderão afetar minha magia no todo.
- Você acha que é devido a sua proximidade com... Voldemort? – Hermione questionou.
- Provavelmente. - sussurrou desviando o olhar. Podia sentir que todos a olhavam intensamente. - Quer dizer, com certeza. Posso sentir ele de alguma forma se beneficiando de meus poderes.
- Se beneficiando? O quanto ele está se beneficiando? – Lupin levantou, sua testa franzida em preocupação.
- Eu não sei dizer. Apenas posso sentir que ele tenta sugar meus poderes, como já fez outras vezes.
- Okay. Vinte minutos... Isso vai ter que dar para vocês entrarem.
- Tá, então eu serei capturada primeiro, depois a Ginny/Tonks aparece. Daria muito na cara se nós duas aparecêssemos ao mesmo tempo. - interpelou Luna.
- Concordo. – a ruiva se virou para Hermione. - Você disse algo sobre um clube dos comensais, certo?
- Sim, um clube de dança onde os comensais costumam se encontrar. – informou Hermione.
- Seria o local perfeito. Nev, o que você acha? – Ginny se virou para o moreno.
- Eu acho loucura! – murmurou de cara fechada.
- Tirando isso. Por favor, quero sua opinião técnica, ok? Precisamos de você racional. Luna ficará bem, acredite em mim.
- Eu ainda acho uma loucura! - disse Neville emburrado - É impossível eu separar o racional do emocional quando é o pescoço da minha mulher que vai para a guilhotina.
- Você sabe que eu me entregaria para Voldemort se Luna estivesse em perigo. - sussurrou para que apenas ele ouvisse. - Só preciso que você esteja preparado para nos ajudar lá dentro. Posso contar com você?
- Claro que sim! – Neville exclamou ultrajado. - Que pergunta mais imbecil! A minha mulher vira isca e eu fico escondido? Essa é boa!
- Ótimo. Resolvido então. - Ginny bateu palmas. - Agora é só chutar a bunda de uns comensais.
Com um sorriso enviesado, Ginny poderia dizer que seria a maior dor de cabeça que Voldemort poderia ter.
§ (Continua...) §
N/A: ALELUÍA!!!!! Um enorme OBRIGADA a todos que continuam lendo e comentando.
[Podem me matar, foi TOTALMENTE culpa minha toda essa demora! Espero que tenham gostado desse capítulo gigante. (N/Oráculo)]
N/A (yngrid) aleluia!!! Mesmo!!!!! Olha só, eu e a oráculo vamos tentar arrumar o próximo cap o mais rápido possível... mas não fiquem com raiva. Temos tanta coisa que fica um pouco impossível fazer com regularidade. Mas Bises!!!!
