Capitulo I
- Temos que acabar com eles, todos! Nenhuma criança imortal poderá existir. Se algum imortal atrever-se a criar uma, ele terá um castigo. A morte. – exclamou um homem de cabelo branco que lhe terminava um pouco em baixo dos seus ombros. Vestido por uma longa capa preta.
Naquela sala, estavam mais duas pessoas. Os seus irmãos, Aro e Marcus, que ouviam tudo em silêncio. Poderiam ser considerados gémeos, tirando a fisionomia das suas faces. Ambos com longos cabelos escuros e olhos rubis.
Na verdade, apenas Marcus estava a ouvi-lo. Entediado, como sempre. Já Aro, o líder dos Volturi, estava mergulhado em seus pensamentos.
- Aro? – perguntou Caius, o homem dos cabelos brancos.
- Sim? – respondeu Aro indiferente.
- Estiveste-me a ouvir? – voltou a perguntar.
- Sim, meu irmão. – mentiu.
- Óptimo. E então, o que achas?
- Acho que tens toda a razão. As crianças imortais são uma ameaça mais para nós do que para os humanos. A tarefa de passar de despercebido com elas, não seria fácil.
- Marcus? – perguntou o vampiro.
- Faço das palavras de Aro, minhas palavras. Já estive com uma delas e elas não são fáceis de domar. – explicou Marcus enquanto encarava Caius, entediado. Como sempre.
Caius apenas assentiu satisfeito por seus irmãos concordarem com ele e encaminhou-se para fora da sala, indo avisar a sua guarda para se preparar para a perseguição aos pequenos vampiros.
Marcus levantou-se do seu trono e encarou o seu irmão. Franziu as sobrancelhas quando percebeu que este estava distraído. Suspirou baixinho e seguiu pelo mesmo caminho que Caius, deixando assim Aro e os seus pensamentos a só.
Aro estava um pouco incomodado com toda aquela situação. Ele não era tão frio quanto os seus irmãos. Marcus reagia aquilo como um grande tédio, já Caius encarava aquilo friamente.
Porque é que só a ele aquilo o incomodava? Eles tinham razão. Eram vampiros sedentos por sangue. Animais indomáveis. Mas… eram crianças. Crianças inocentes que tinham uma sede eterna.
Suspirou e deixou o seu raciocínio de lado, quando o pequeno corpo de Jane apareceu á sua frente.
- Mestre. – cumprimentou Jane.
- Jane, querida. – respondeu Aro.
- Quando partimos? – perguntou Jane.
- Quando os meus irmãos quiserem. – disse-lhe. Jane assentiu e retirou-se, sendo seguida por Aro.
* * *
E assim foi. Vários vampiros foram destruídos. Com as crianças imortais, também foram destruídos os seus respectivos criadores e conhecedores da sua existência.
Aquilo durou décadas, até aniquilarem todos os vampiros que mantinham escondido as suas crianças imortais. Sempre havia alguém que criava alguma.
Aquilo durou até que os vampiros existentes no mundo, darem-se conta que era melhor desistir de transformar crianças em vampiros sedentos. Porque se caso isso fizessem, os Volturi teriam que tomar medidas drásticas.
Apenas uma família que não se atreveu a cometer esse erro. Os Cullens.
Aro admirava-os. Estes tinham desistido da sobrevivência por sangue humano para se satisfazerem com o sangue animal. Porquê? Porque eles não queriam ser monstros. E Aro admirava-os por isso. Por quererem mudar o mundo.
Não era só admiração que Aro Volturi sentia quanto aos Cullen. Havia uma grande e estranha amizade entre Aro e Carlisle, o líder dos Cullen.
Conheceu-o quando ele ainda estava só. E mesmo com todos os convites para provar o sangue humano, Carlisle rejeitou. Foram em poucos anos que criou a sua própria família.
Ele saberia que quando precisasse de algo, Carlisle o ajudaria sem pensar duas vezes. Era para isso que servia os amigos.
Aro tinha mais de três mil anos. Sendo assim, as suas ideias eram um pouco antiquadas quanto ao tempo em que de vivia. Ele sonhava em ter um herdeiro ou uma herdeira. Um herdeiro ao trono do Volturi, sangue do seu sangue.
Ele sabia que aquilo seria impossível, já que era um vampiro. Mas mesmo assim a ideia teimou em invadir a sua cabeça.
As vampiras não podiam engravidar. Elas estavam congeladas pelo veneno vampírico.
Mas aquele desejo permanecia entranhado na sua mente.
Só as humanas podiam engravidar e trazer uma nova vida ao mundo. Só os humanos…
Nisso eles tinham mais sorte do que eles. Tal como os irmãos, Aro sempre achou os humanos seres inferiores aos vampiros. Seres fracos, mortais e transportadores de algo delicioso. O seu sangue.
Mas quando se tratava de um filho. Nisso, os humanos ganhavam.
Mas ele queria um herdeiro, ele teria que ter um herdeiro. Esse agora seria o seu desejo e sonho.
Mas como? Lá por as vampiras não possam engravidar, não quer dizer que os vampiros machos não possam provocar uma gravidez. Seria?
* * *
Aro caminhava escondido na escuridão da noite de Roma. Tinha vestido algo casual e tirado a sua habitual capa preta. Apesar de noite e tarde, muita gente passeava pela cidade.
Tinha saído sem dar explicações. Apenas com uma ordem. Que não o seguissem.
Os seus olhos oscilavam de mulher em mulher. Procurava uma humana que mostrasse algo especial para carregar o herdeiro dos Volturi no seu ventre.
Os seus olhos vermelho-escuros pararam numa silhueta feminina sentada num banco perto de uns jardins. Era bonita e parecia um anjo. Tinha cabelo castanho-chocolate, não era pálida mas também não era demasiado morena, estava vestida pelo um belo vestido azul.
Estava concentrada em ler um livro pousado nas suas mãos.
Aproximou-se sem nenhum humano notar isso. A sua escolhida levantou a cabeça quando uma pequena aragem de vento atravessou-a.
Com esse movimento, Aro conseguiu-lhe ver a cor dos olhos. Os seus olhos vampíricos tinham mais capacidades de distinguir as cores e ver mais detalhadamente que os olhos de um humano normal.
Os seus olhos eram tão lindos, que por momentos quase o deixou deslumbrado. Quase.
Tinha uns profundos olhos castanhos. Mas tinha algo diferente. O seu olho estava rodeado por um verde que quando se aproximava mais do centro desaparecia no castanho chocolate.
Decidiu que seria ela. A sua escolhida.
Saiu assim da escuridão e sentou-se ao lado da bela humana. A jovem olhou-o surpresa mas sorriu como cumprimento e logo voltou a sua atenção para o livro. Ela deixava-o integrado. Porque é que ela ainda não tinha fugido? Não teria ela ainda reparado na cor dos seus olhos? Não teria ela reparado que a cor reflectia o seu sangue?
Aro não respirava. Apenas fazia o movimento do peito como tivesse mesmo a respirar, para não levantar suspeitas.
- Perdoe-me o incómodo. Mas poderia saber qual é o nome do seu livro? – perguntou Aro formalmente. A rapariga mostrou-se um pouco hesitante, mas respondeu.
- Romeu e Julieta. – respondeu na sua voz aveludada.
Romeu e Julieta? Que ironia, pensou Aro.
- É um bom livro. – observou mostrando-se interessado.
- Sim, é de certo. – respondeu num sussurro. – Ainda procuro o meu Romeu. – encarou Aro nos olhos e acrescentou com um leve sorriso.
- E eu, a minha Julieta. – disse Aro enquanto encarava intensamente a jovem. – Posso saber o seu nome? – perguntou.
- Isabel, Isabel Gomez. Prazer. – apresentou-se levantando a mão.
- Aro Volturi. O prazer é todo meu. – respondeu pegando a mão e beijando-a suavemente. A jovem arrepiou-se com a temperatura de Aro, mas não só, também com o toque dos seus lábios.
Nesse pequeno toque, Aro conseguiu descobrir tudo sobre ela.
Isabel Maria Gomez, 23 anos. Filha de uns donos de um café. Nascida em Itália. E licenciada em Literatura.
- Pergunto-me se seria indelicadeza minha, convida-la para tomar algo. Eu gostaria muito. – convidou-a deitando todo o poder do seu olhar em cima de Isabel.
Isabel fechou o livro, guardou na bolsa e encarou Aro.
- Eu adoraria. – respondeu levantando-se do banco e sendo seguida por Aro.
Aro estendeu o seu braço e Isabel entrelaçou-o com o seu. Aro começou a caminhar até a zona mais escura.
O contacto físico com Isabel deixava-o saber tudo o que a jovem pensava. Ela estava a estranhar o porquê de ele lhe levar para aquela zona, mas mesmo assim sentia-se segura.
Que desperdício, pensou Aro. Conseguia ver que ela era gentil, inocente, simpática. Seria um grande desperdício ter que usa-la. Mas precisava saber se era possível, uma humana engravidar de um vampiro. Precisava saber a todo custo. Mesmo que para isso tivesse que a matar.
Quando chegaram na escuridão. Aro voltou-se para Isabel. Levou as suas mãos á nuca dela e empurrou a sua cabeça contra a parede, não com muita força, apenas a suficiente para a deixar desacordada.
Depois do impacto, Isabel caiu desmaiada nos braços de Aro. Este carregou-a agora para o seu actual esconderijo. Não voltou para Volterra, ele não podia até que tivesse a certeza do que estava a fazer.
Na verdade, ele tinha. Mas queria só, manter aquilo em segredo.
Já fora da cidade, encontrou uma casa de pedra perdida no meio da cidade. Entrou nela com Isabel nos seus braços. Tinha lá um sofá velho e foi lá que pousou Isabel. Olhou em seu redor e viu que mais nada tinha para além daquele sofá e uma lareira.
Aquilo apenas seria temporário. Ele teria que limpar aquilo e arranjar uma cama para ela. Na verdade, ela seria a mãe do seu filho. Pegou num pequeno aparelho de comunicação, que os humanos actualmente chamavam de telemóvel e digitou os números da recepção do seu Hotel fictício em Volterra.
A recepcionista ficou em estado de choque quando percebeu que falava com o próprio Aro Volturi. O Grande Aro Volturi.
Sem demoras, Aro pediu que chamasse o membro da guarda mais confiável, Jane. Passado uns minutos a voz musical e infantil de Jane foi ouvida.
- Jane, preciso de ti. – disse Aro.
- Em quê, mestre? – perguntou obediente.
- Quero que venhas ter comigo. Diz apenas que te chamei. Consegues encontrar-me, certo?
- Sim, mestre. – respondeu Jane.
Aro desligou o telemóvel e largou-o no chão. Ajoelhou-se em frente de Isabel e acariciou-lhe os cabelos. Tão sedosos, suspirou Aro.
Ela parecia um anjo sem asas, ali deitada, vulnerável a um vampiro com mais de três mil anos.
Não tinha passado mais de 15 minutos, quando sentiu o cheiro de Jane a aproximar-se. A pequena vampira logo apareceu pela porta, aproximou-se ao seu mestre e ajoelhou-se.
Encarou a humana surpreendida e logo voltou o seu olhar interrogador para Aro, mas nada disse.
- Preciso que tornes este sítio, habitável. E arranja-me uma cama e alimentos humanos. – ordenou Aro. Jane, sem questionar a ordem de Aro levantou-se e fez o que o seu mestre tinha lhe mandado.
- Sim, mestre. – e saiu, deixando Aro e Isabel sozinhos.
Aqui está.
Obrigada Evelyn. :)
Beijos.
