Capitulo II
Dois dias depois…
Aro estava feliz e realizado.
Por várias razões. Estava feliz porque Jane tinha mostrado que era cada vez mais confiável ao ajuda-lo, sem nunca questionar as ordens e ter mantido aquele assunto oculto dos outros Volturi.
Estava feliz por Isabel estar a dar sinais de gravidez. Apesar de ainda ser cedo, sinais como esses eram bem notados pelos olhos dos vampiros.
Estava realizado porque a sua teoria estava correcta. Os vampiros podiam provocar uma gravidez. Estava realizado por saber que iria ser pai.
Mas havia algo que o estava a preocupar.
Sabia que o tempo de gestação de uma gravidez normal era de nove meses. E se fosse gravidez vampírica? Teria o mesmo tempo de gestação, teria mais ou teria menos?
Desistiu de encontrar a resposta a essas perguntas. Porque, na verdade, elas seriam todas respondidas quando Isabel desse á luz.
Ser pai.
Era demasiado bom para ser verdade. Durante três mil anos, esteve ocupado a liderar os Volturi, a manter o anonimato dos vampiros e a fazer justiça. Ser pai, seria algo novo.
A ideia de sentir, conhecer e fazer algo novo, depois de três mil anos, era até irónico.
Saiu do seu raciocínio, quando ouviu passos rápidos pela pequena casa. Conseguia saber onde é que estavam a dirigir-se. Na verdade, era um vampiro. Mas isso já era óbvio.
Estavam a sair do quarto e a correr para a casa de banho. Isabel. Levantou-se da cadeira, onde estava, apesar de não precisar de estar sentado e foi ao seu encontro.
Isabel estava ajoelhada á frente do vaso sanitário. Enquanto tossia violentamente.
Quando parou de tossir, levantou-se lentamente e limpou a sua boca á toalha. Virou-se para o lavatório e molhou a sua face.
- Porque é que eu estou aqui? – sussurrou a humana. Aro manteve-se imóvel em silêncio. Quando viu que ele não iria lhe responder, Isabel virou-se de frente para ele. – Porquê eu? Onde é que estou? O que se passa? Quem és tu? – gritou em desespero enquanto os seus olhos enchiam-se de lágrimas. Respirou fundo e voltou acrescentar num sussurro, mas agora este cheio de raiva – Ou melhor… O que és tu?
Aro arregalou os olhos com a surpresa, mas rapidamente recuperou-se. Ela já desconfiava.
Olhou-a nos olhos, enquanto estes deixavam escapar lágrimas.
- Sou um vampiro. – disse-lhe. Isabel encarou-o incrédula.
- Isto é alguma brincadeira de mau gosto? – questionou-o firmemente.
- Só se achares graça. – respondeu-lhe com um sorriso cínico.
Ela suspirou aborrecida e caminhou de volta ao seu novo quarto. Fechou a porta com força e deslocou-se para a frente de um espelho, que ficava em frente á cama, e encarou o seu reflexo.
Passou os dedos pelas olheiras provocadas pelo choro.
Ela estava acabada.
O seu cabelo estava despenteado. Os seus olhos estavam sem brilho. Estava vestida por um vestido branco de alças, já que o seu belo vestido azul tinha sido rasgado, que deixava os seus ombros e os seus braços á mostra. O vestido sem graça terminava nos seus joelhos e estava descalça.
Encarou sofredoramente os seus braços e o seu pescoço. O seu corpo estava recheado de hematomas. Eles estavam roxos por serem recentes.
Lembrou-se do porquê de eles estarem dali e do seu vestido ter sido rasgado, e sentiu nojo de si própria.
Ela não era virgem. Tinha perdido a virgindade com o seu primeiro namorado.
Um sorriso brotou dos seus lábios quando se lembrou dele. Ele tinha sido o seu primeiro amor.
Era impossível esquece-lo. Todos os momentos que passou com ele, eram as suas melhores recordações. Separaram-se quando ele se mudou para os EUA e nunca mais soube dele.
Nem sabia se ele estava vivo ou não. Ela não tinha notícias dele há mais de três anos. Mas o sonho de se tornar uma Benatti permanecia intacto. O sobrenome dele.
Isabel Benatti. Soava bem.
Porque, bem, ele não tinha sido o seu primeiro amor… Porque ele ainda era e sempre iria ser.
Passou a mão pelo cabelo, puxando-o para trás. Caminhou até um pequeno canto do quarto, encostou-se na parede e deixou-se deslizar até ao chão.
Quando estava sentada, abraçou as suas pernas e escondeu a sua cara.
E mais uma vez, chorou.
Aro encarava a janela enquanto estava submerso nos seus pensamentos.
Isabel Volturi. Soa bem, pensou. Talvez se ela quisesse… Eu poderia transforma-la.
Lembrou-se do quanto ela era frágil, se ela fosse vampira não tinha aqueles hematomas todos.
Humanos fracos, suspirou.
- Mestre. – cumprimentou Jane.
- Jane. – respondeu. Aproximou-se dela e deu-lhe um suave beijo nos lábios da pequena vampira.
- Eu preciso sair. Preciso de voltar a Volterra, mas volto logo que possível. – explicou enquanto Jane ouvia tudo atentamente – Preciso que fiques aqui. – era mais um pedido do que uma ordem, Jane percebeu. Apesar de se ter mostrado relutante, assentiu.
Aro sorriu em forma de agradecimento e desapareceu pela porta, deixando assim uma vampira e uma humana sozinhas.
Jane gostava de Isabel. Diferente de todas as humanas, ela nunca se mostrava fraca e não tinha medo do que Aro era.
Ela era corajosa. Mas havia algo que a fascinava. Apesar do seu mestre, não ter notado a diferença, Jane conseguia vê-la. Isabel era quase imune ao seu dom. Quase.
Da primeira e ultima vez que tentou o seu dom com ela, criando assim uma ilusão de um dor intensa, Isabel conseguiu suporta-la. Como não fosse nada, apesar de ter gemido um pouco.
Mas isso com Aro, não acontecia. Ela não entendia. Isabel era mesmo esquisita.
Aproximou-se da humana, que estava a dormir sentada, encostada a um canto, e afagou-lhe os cabelos.
- Eu prometo… - sussurrou Jane – Eu prometo que vou cuidar do teu herdeiro. – acrescentou ainda num tom baixo.
Pegou em Isabel e colocou-a na cama. Tapou-a com um fino cobertor e voltou-lhe afagar os cabelos.
Afastou-se então, e retirou a capa cinzenta escura. Sentou-se no sofá na sala, da pequena casa.
Deixou a porta do quarto aberta conseguindo observar Isabel adormecida.
* * *
- Força, Isabel! – gritou Jane enquanto limpava o suor da face de Isabel. Jane agarrava a mão delicada desta enquanto Aro tentava tirar bebé.
Tanto Aro, quanto Jane reparavam que Isabel estava a perder as forças. E ambos estavam a ficar desesperados sem saber o que fazer. Também estremeciam com os gritos agoniados de Isabel que mal conseguia suportar as dores.
A respiração de Isabel estava demasiado acelerada tal como os batimentos do seu coração. Tinha entrado em trabalho de parto há cerca de 30 minutos e já o bebé queria sair.
O tempo de gestação foi realmente estranho para Isabel, já que não durou nove meses mas 45 dias certos.
A sua gravidez anormal impediu-a de andar e até ficou com a sua barriga roxa dos hematomas que o bebé provocava. Apesar de todo o seu sofrimento, Isabel amava o seu bebé. Porque, na verdade, era o seu filho.
O primeiro e o último.
Um som de um choro entoou pelo quarto onde os dois vampiros e a humana estavam. O choro do bebé. Aro pegou na criança logo após dela ter saído do ventre de Isabel, sozinha.
Deslumbrado pela intensidade da beleza do pequeno recém-nascido, pousou-o no peito de Isabel.
Isabel, encarou a criança extremamente bela e com um rosto angelical. Os seus olhos eram um perfeito espelho dos de Isabel. Uns belos olhos castanhos contornados por intenso verde.
- É uma menina. – sussurrou Aro.
- É bella. – sussurrou Jane em italiano, também fascinada.
- Isabella. – respondeu Aro. – Isabella Volturi.
Isabel manteve-se em silêncio. Encarava a pequena bebé que tinha o seu nome com o adjectivo que melhor a caracterizava, enquanto lágrimas de felicidade rolavam pela sua face.
A jovem mãe estava com a coluna partida por causa da intensidade do parto. As dores eram horríveis. Mas conseguiu suportá-las quando viu o pequeno ser que tinha gerado e que era sangue do seu sangue.
Levantou a mão, fraca e afagou a bochecha macia da bebé. Apesar do que passou durante o ultimo vez, apesar do que sofreu quando o seu namorado a deixou, tudo estava esquecido.
Tudo fazia parte do passado. Porque ali, deitada em cima do seu peito, estava a sua vida.
O seu raio de Sol.
Sem perceber o porquê, os seus olhos começaram-se a fechar e a sua respiração estava a ficar mais lenta. A mão que estava pousada em Isabella, foi perdendo força até cair sem vida ao lado do corpo da humana.
Isabel cerrou os olhos entregando-se á escuridão. O seu coração parou tal como a sua respiração.
E com um último suspiro, Isabel abandonou o mundo dos vivos.
Deixando o seu raio de sol, sozinha.
Tenho pena da Isabel. :l
Obrigada por todos os reviews :)
vivx-chan - isso é algo que vai ser revelado no futuro :3 ; brazilian fan ; nina ; Anynha Potter ; Nayfa ; Angel Cullen McFellou ; Evelyn - eu sempre gostei do Aro. Achei-o carismático e engraçado no livro do Lua Nova. Eu não acho que ele seja má pessoa, ou mau vampiro.. ou seja lá o que for, rs. O Edward chega já já. :)
Beijos.
