Capitulo III

Aro não tinha dúvidas.

Ele não tinha dúvidas que tinha deixado de ser o Aro Volturi, o líder dos Volturi. Para agora ser, Aro Volturi, o pai de Isabella.

Os cabelos da pequena Isabella eram iguais aos da mãe, tirando o facto de ter algumas madeixas ruivas e negras. Tal como o cabelo de Aro, que era preto.

Ela parecia ter sido desenhada de propósito para os seus braços. Desde que tirou-a de Isabel, nunca mais a largou. Despediu-se de Isabel com ela nos braços, limpou-a e vestiu-a com umas roupas que Jane tinha conseguido arranjar.

- Mestre. – chamou Jane, enquanto encarava Aro que tentava alimentar Isabella – Desculpe-me, mas tenho que fazer este comentário. O mestre parece um pai galinha.

Aro encarou Jane e sorriu divertido.

-E que pai galinha, que nem consegue convencer a sua filha a alimentar-se. – disse Aro que olhou para Isabella, que sorriu.

- Talvez ela não goste de sangue humano. – comentou olhando para o biberão. – Apesar de ela ser vampira.

- É estranho. Ela é vampira, disso eu não tenho dúvidas. Mas também é humana. – disse pensativo – Consigo ouvir o seu coração a bater, sentir o calor da sua pele e ver o castanho dos seus olhos. – suspirou – Mas ela é demasiado… avançada para a idade que tem. Inteligente, percebes?

Quando Aro acabou de falar, Jane não conseguiu controlar o riso e gargalhou. Aro ficou confuso com a reacção de Jane e encarou-a sem entender nada.

- Mestre, sabe muito bem que a Inteligência não é bem uma das características dos vampiros – explicou Jane por entre risos – Porque se assim fosse, Felix não poderia ser considerado um vampiro. – e continuou a rir-se, agora acompanha por Aro.

- Tens razão. – concordou Aro.

Então, criou-se um silêncio. E uma gargalhada musical e infantil entoou pelo local. Os outros dois vampiros, quando ouviram o som, não resistiram e sorriram deslumbrados.

- Hum… -murmurou Aro pensativo – Jane?

- Sim, mestre. – respondeu a pequena vampira.

- Arranja comida humana. – ordenou Aro e Jane saiu da casa.

Aro caminhou com Isabella nos seus braços e pousou-a no berço que tinha comprado. Tinha também naquele quarto, um pequeno armário onde tinham as roupas da bebé.

Aro não se afastou. Afagou a bochecha da pequena bebé, que logo entrou em um estado de dormência. Aro sorriu com a imagem de Isabella dormindo em paz e ele sabia que a partir daquele momento, ela era a sua vida. O seu raio de sol, como Isabel tinha pensado quando a viu.

Ele sabia que a amava e que iria fazer tudo para a proteger. Mas seria muito complicado convencer os outros vampiros que Isabella não era uma criança imortal.

* * *

Passado meia-hora, Jane chegou carregada de sacas com alimentos para bebés humanos.

Quando Isabella acordou, Jane preparou um biberão com leite e entregou a Aro, que estava sentado com a bebé ao colo.

Ambos ficaram atentos, quando Aro colocou o biberão na pequena boca de Isabella. E ficaram surpresos quando esta começou a beber o leite.

- É, parece que ela não vai muito com o sangue. – comentou divertida.

- Oh céus. Já bastava Carlisle e a sua família que bebem sangue animal, para agora um vampira preferir leite humano a sangue. – disse Aro.

Ambos entraram num silêncio confortável ao observar a pequena Isabella a alimentar-se.

- Mestre, se me permite posso fazer um comentário ao nome Isabella. – Jane cortou o silêncio e Aro encarou-a curioso - Eu acho que Isabella é grande demais. Podemos trata-la por um apelido, que acha?

- Sim, parece-me bem. Mas que apelido? – perguntou Aro.

- Bella. Faz jus á sua pessoa e também faz parte do seu nome. – sugeriu Jane.

- Bella… Soa bem. Bella Volturi. – sussurrou Aro. Encarou a bebé que também o olhava de volta – Gostas de Bella? – perguntou-lhe e a bebé sorriu – E de Isabella? – voltou a perguntar-lhe e a bebé fez uma careta, que deixou Aro e Jane a rir-se.

- Sim, ela gosta de Bella. – observou Jane.

* * *

Aro estava sentado ao lado de Bella, que estava deitada no seu berço acordada enquanto mordia os dedos dos pés. Curioso em saber o que a bebé pensava, pegou na mão dela com a sua e tentou ler-lhe os pensamentos. Sim, tentou.

Franziu o sobrolho quando viu que não conseguia entrar na cabeça de Bella. Mas essa confusão foi afastada quando ouviu um barulho na porta de casa. Viu também uma Jane a correr ao seu encontro com os olhos revestidos de desespero.

- Mestre… Eles desconfiam. Eles querem matá-la. – explicou com a voz carregada em desespero. – Eles querem matá-la. – acrescentou num sussurro.

- Não! – exclamou Aro. – Temos que a tirar daqui. Liga para Carlisle, ele é o único que nos pode ajudar. – ordenou e Jane prontamente obedeceu.

Jane afastou-se para pegar no telemóvel que estava na sala. Procurou o número de Carlisle Cullen e quando o encontrou clicou em chamar.

Aro pegou na capa preta e colocou-a. Pegou numa manta, embrulhou Bella e pegou nela.

- Carlisle. – disse Jane enquanto estendia o telemóvel para Aro.

Aro pegou no telemóvel e estendeu Bella para Jane, que logo a pegou.

- Aro? Que surpresa. – ouviu a voz de Carlisle do outro lado.

- Carlisle. Eu não vou estar com rodeios, eu preciso da tua ajuda. Urgentemente. – disse Aro.

- Aro, o que se passa? – perguntou Carlisle.

- Eu sou pai. Não de uma criança imortal, ela é metade humana e metade vampira. E é minha filha biologica. Só que os meus irmãos e restantes não entendem isso. – explicou e suspirou – Eu tenho que a proteger.

Carlisle ficou uns segundos em silêncio, a absorver a informação.

- Isso é… fora do normal. Mas eu ajudo, claro. – disse Carlisle.

- Obrigada. Muito obrigada. Daqui a algumas horas, nós estamos aí. A Jane vem comigo. – disse Aro.

- Estaremos a sua espera. – despediu-se Carlisle.

* * *

Aro tinha muito poder em Itália e por isso foi fácil conseguir um voo para os Estados Unidos, rapidamente. Jane seguiu sempre o seu mestre, com a pequena Bella nos braços.

Passado algumas horas, estavam em território americano. Carlisle, Jasper e Edward estavam lá a aguardar a chegada de Aro, Jane e Bella.

Todos os Cullen estavam confusos com o pedido de ajuda de Aro e ainda mais com a filha deste.

Quando avistaram Aro e Jane com uma bebé ao colo, os três vampiros vegetarianos franziram o sobrolho, um movimento quase sincronizado.

- Aro. Como estás? – cumprimentou Carlisle.

- Carlisle. Estou bem. – respondeu Aro – Por enquanto. – acrescentou encarando a manta que cobria a pequena Bella.

- Meia-vampira? – perguntou Edward confuso e incrédulo. Aro sorriu quando percebeu que se tinha esquecido que Edward lia a mente.

- É um pouco complicado. Mas eu posso explicar. Por favor, podemos ir para um lugar mais privado. – disse Aro olhando ao seu redor.

- Claro. Vamos para a minha casa. – Carlisle concordou. Apesar de Jasper e Edward mostrarem-se relutantes em confiar nos Volturi. Jane seguiu-os sempre em silêncio, com Isabella adormecida nos seus braços.

Os cinco vampiros e a bebé entraram no Mercedes escuro de Carlisle e Edward tomou o lugar de motorista. Na maior parte, o caminho foi silêncio até que ele foi cortado por uma pequena gargalhada que provocou sorrisos pelos cinco vampiros.

Jane percebeu o olhar de Carlisle para a manta, retirou a de cima da pequena vampira, mostrando assim uma Isabella sorridente.

Carlisle encarou Bella deslumbrado e também percebeu que ela tinha vestígios humanos.

- Ela é… linda. Mas, Aro, como sabes que ela é vampira? – perguntou Carlisle.

- Ela é. É minha filha, biologicamente, como te tinha dito. Tudo indica que ela seja humana. Mas não é. Por exemplo… - disse Aro, mas lembrou-se de algo – Edward, consegues ler-lhe a mente? – perguntou curioso.

- Eu já estou a tentar isso á algum tempo. Mas não, não consigo.

- Eu já esperava por isso. Eu também não consegui.

- Jane. Conseguiste? – perguntou Jasper.

- Não! – gritou Aro, mas recuperou-se rapidamente – Desculpem-me. Mas… Não é que eu não confie em Jane e apesar de toda a minha curiosidade, prefiro manter….

- Não, ela também é imune ao meu dom. – respondeu Jane ignorando a intervenção de Aro.

- Como? – questionou Aro, incrédulo.

- Aro, Isabel já tinha uma pequena imunidade ao meu dom. – explicou Jane.

- Nunca reparei nisso. – disse Aro, pensativo.

- Isabel? É a mãe da bebé? – perguntou Carlisle.

- Sim. – respondeu Jane. – Ela chama-se Isabella. – acrescentou encarando a pequena bebé que tinha nos seus braços.

- Isabella. Nome bonito. – elogiou Edward.

- Faz jus a ela. – acrescentou Carlisle.

O carro parou á frente de uma casa branca enorme no meio do mato. Três vampiras estavam a espera deles, na entrada da enorme casa.

- Rosalie, Esme e Alice. – cumprimentou Aro. Enquanto elas apenas assentiram.

Os olhos das vampiras logo encararam o ser que estava nos braços de Jane. E ambas arregalaram os olhos.

- Oh céus, uma bebé. – disse Esme surpreendida. Aproximou-se de Jane, sendo seguida por Alice e Rosalie.

- Ela é tão linda. – elogiou Alice deslumbrada.

- Como é que ela se chama? – perguntou Rosalie no mesmo estado.

- Isabella. Isabella Volturi. – respondeu Aro sorridente.

- Mas ela gosta mais de Bella. – acrescentou Jane.

- Tão jovem e tão inteligente. – elogiou Esme – Posso? – perguntou enquanto estendia os braços para pegar na pequena Bella. Jane encarou Aro duvidosa, que assentiu. Jane entregou Bella para Esme.

Um sorriso surgiu na face de Carlisle, ao observar a bebé no colo de Esme.

- Vamos. Vamos leva-la para dentro. Ela é humana, deve estar com frio. – disse Alice animada.

Esme caminhou para dentro de casa, com Bella nos seus braços, sendo seguida pelos restantes vampiros. Sentaram-se no sofá que havia numa das salas da grande casa.

Enquanto Esme baloiçava Bella nos seus braços, Aro explicava o problema. Todos ficaram calados a encarar a bebé, quando esta bocejou e fechou os olhos, adormecendo assim.

Se Esme pudesse chorar, era o que ela faria agora. Naquele preciso momento, sentiu-se tão bem por ver a bebé sentir-se segura para adormecer nos seus braços.

Mas o silêncio foi quebrado por Aro, que levou a conversa ao ponto principal da questão.

- Eu não posso cuidar dela. Tenho que voltar para Volterra. Por isso, peço-vos ajuda. Tentem dar a melhor vida para ela, por favor. – pediu Aro deixando todos os vampiros incrédulos a encara-lo. Excluindo Jane, que encarava a pequena Bella, triste.

Não era só Jane que encarava Bella, mas também Edward.

Um pequeno raio de Sol, pensou.


Para quem estava á espera do Edward, aqui está ele. :)

Obrigada pelas reviews:

Angel Cullen McFellou, Nayfa, Jess Oliver Masen Cullen - qualquer dúvida é só dizer. Eu respondo, claro, se não fizer parte do mistério. :3, Anynha Potter e anonima. rs

Compreendo que as minhas definições causem algumas duvidas, por isso. Alguma coisinha, é só avisar. :)

Beijos. (peço desculpas pela demora, a quem segue as minhas outras fics)