Título: Meus Direitos, Suas Obrigações.

Autora: Samantha Tiger Blackthorn

Co-autora: Lady Anúbis

Beta: SEM BETAGEM

Casal: Harry Potter e Draco Malfoy

Tema musical: A new day has come – Celine Dion

Classificação: NC-17

Resumo: Um relacionamento tem exigências claras, os dois envolvidos têm direitos e deveres iguais. Draco está para descobrir isso, do pior modo possível.

Gênero: Slash - Romance entre dois homens, se não gosta não leia.

Disclaimer: Estes personagens pertencem a J.K. Rowling, mas eu procuro me divertir o máximo com eles, principalmente com o Harry e o Draco, que são os meus preferidos.

Dedicatória: Presente para minha leitora e fã, Nanda W. Malfoy.


Meus Direitos, Suas Obrigações

4ª Parte

Domingo

Narcisa estava na saleta ao lado da lareira, abrindo as correspondências do dia, quando o fogo se tornou verde, anunciando que alguém chegava. Draco saiu dali limpando os ombros do casaco. A mulher sorriu ao ver o filho, deixando as cartas de lado e se levantando para abraçá-lo.

- Bom dia mãe...

- Bom dia Draco, como você está meu filho? – Estreitou-o em seus braços, retirando o casaco e entregando para o elfo que apareceu ao lado deles. – Você parece um pouco melhor hoje. Pensou no que eu te disse ontem?

Saíram andando pela casa, o loiro dando o braço à mãe, pensando em tudo que fizera na noite anterior e constrangido sem saber como e o que contar.

- Quase pus tudo a perder ontem... – Sorriu melancólico. – Mas acho que a senhora tem razão.

- Quase pôs tudo a perder, por quê? O que você fez?

- Eu fui atrás dele, mãe. E com as minhas desconfianças e o meu ciúme doentios, quase acabei de vez com o nosso relacionamento...

- Oh, Draco... Eu disse pra você deixar o orgulho de lado, não a prudência.

- Eu sei mãe, mas eu sou tão desajeitado. Quando se trata de emoções eu fico perdido, sem saber como agir...

- E acaba enfiando os pés pelas mãos... – Puxou-o pelo braço. – Venha comigo, vamos tomar um chá no jardim de inverno, assim poderemos conversar mais à vontade e você me conta tudo.

Chegaram à saleta, onde a mesa já estava posta para dois, com chá, leite, alguns petits fours, e se sentaram. O silêncio reinou durante algum tempo, enquanto Narcissa servia o chá, e o loiro tomava os primeiros goles.

- Agora me diga Draco, o que você fez?

- Bem... – Parou por um instante se lembrando de tudo. Sorveu um gole de chá e resolveu contar só uma parte da história já sabendo de antemão que sua mãe ia o recriminar. – Eu o segui...

- Isso você já me disse... E...

- Sentei discretamente em uma mesa de onde podia observar tudo. Vi ele se divertindo a beça, nem parecia que tinha brigado comigo... – Explicou em voz baixa e pausada, tomando mais um gole do chá, olhando de canto de olho para a mãe que parecia bem concentrada em sua xícara, sem prestar muita atenção nele. – Tirou um idiota qualquer pra dançar e encrencou quando viu que outro homem fez o mesmo comigo. Armou o maior barraco.

- Você não acha que eu vou acreditar nisso, não é? – Narcisa sorriu, ainda olhando para sua própria xícara. – Draco, você é meu filho, sangue do meu sangue, eu te conheço como a palma da minha mão. – Levantou os olhos azuis para ele, o fazendo arrepiar com o olhar penetrante. – Deixe-me ver se entendi. Você ficou despeitado ao vê-lo descontraído com os amigos. Também ficou morto de ciúme quando algum rapaz o tirou pra dançar e resolveu provocá-lo. Arrumou qualquer um, e deve ter feito uma bela cena para o Potter precisar intervir... Acertei?

A mulher teve o prazer de ver o filho corar intensamente, quase engasgando com um dos biscoitinhos, e murchar na cadeira, então teve certeza que se não tinha acertado palavra por palavra devia ter chegado muito perto.

- Por que você sempre pensa que a culpa é minha? Por que não podia ser do jeito que contei?

- Vocês estão juntos há algum tempo, eu sei como você se comporta e como seu namorado age. Você é um Slytherin ciumento e possessivo, você joga, tentando sempre virar o jogo ao seu favor, não quer perder nunca. Harry não joga, ele é um típico Gryffindor, pensa primeiro nos outros, ele te protegeria, te defenderia em primeiro lugar. E eu acho que foi exatamente isso que aconteceu, não foi?

- Foi... – Respondeu com a voz sumida.

- E vocês brigaram outra vez?

- Não... Ele ficou chateado, perguntou se nem o meu respeito ele merecia. Eu disse que não queria perdê-lo, pedi perdão e ele me disse de novo que me amava. – Olhou para sua mãe, terminando o chá. – Fizemos as pazes, nos entendemos, mas...

- Ah, tinha que haver um 'mas'...

- Mãe! Quando acordei de manhã o ouvi ele conversando com Ronald Wesley, ele tá escondendo alguma coisa de mim, mas contou pra ele. Como ele pode me pedir pra confiar nele se ele não confia em mim?

- Deixa de ser criança Draco. Já pensou que pode ser sobre alguma missão? Que talvez ele não possa te contar, mas precisou do Weasley para o planejamento? – Pousou a mão sobre a dele. – Seja homem meu filho, você já devia ter aprendido depois de todos esses anos junto dele que pode e deve confiar em Potter, que já deu provas mais do que suficientes disso.

- Eu... A senhora tem razão... Mais uma vez. – Sorriu discretamente, se sentindo um pouco melhor com as palavras dela.

Narcisa sorriu, pousando a mão sobre a do filho e a apertando, terminando o chá e apreciando o silencio e a intimidade entre eles. Olhou para ele, pensando seriamente em como colocar o convite sem que ele desconfiasse.

- Venha, vamos dar uma volta no jardim, preciso ir até a estufa. – Levantou-se, esperando pelo filho que lhe ofereceu o braço saindo pela porta que dava para o terraço e descendo as escadas do jardim. – Bom, já que está tudo bem entre vocês, eu gostaria muito que viessem jantar neste sábado... Mandarei preparar um lauto jantar com seus pratos preferidos.

- Mãe, você sabe que Harry detesta esses jantares formais. – Caminhavam pelas alamedas entre os canteiros. – Além disso, esse fim de semana é nosso aniversário, faz sete anos que estamos juntos.

- Oh, é mesmo? – Narcisa parou, se mostrando animada. – Mais um motivo para jantarmos juntos... Podemos dar um banquete, convidarmos o pessoal do ministério, até o próprio ministro... – E a face perfeita e aristocrática, tinha um ar sonhador. – Eu sei que está meio em cima da hora, mas com algumas corujas e alguns contatos por flu... Não é impossível e depois...

- Mãe... Pára, pára! – Draco abriu à porta da estufa, para que Narcissa entrasse. – Não vá se animando não. – Foi falando, enquanto a mãe olhava as plantas e as flores tropicais. – É uma data que nós sempre comemoramos juntos, só nós dois. É o nosso aniversário.

- Eu sei que é o aniversário de vocês dois, mas não custa convidar Potter para o jantar. – Mudou a posição do vaso de Renda Portuguesa, para que não crescesse apenas em uma direção. – Podemos ser só nós três se você preferir, e depois do jantar vocês podem continuar comemorando a sós...

- Está bem então. – Suspirou sabendo que quando sua mãe tinha uma idéia, a defendia até o fim. – Eu vou falar com ele, mas se ele não concordar eu não vou forçar. – Draco sorriu, sabendo de antemão que Harry iria dizer não e desta vez ele não iria insistir.

- Ótimo, está muito bem pra mim. – Narcisa sorriu afável. – Fale com Potter e se ele não quiser aceitar, não precisa insistir. Agora venha comigo ao orquidário, quero lhe mostrar a espécie nova que chegou ontem, uma Vanda, mas essa é roxo escuro, quase negro...

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Segunda-feira

- Eu não acredito! Você nunca gostou de jantar na mansão!

Harry e Draco estavam recostados nas cadeiras, junto à mesa depois do jantar que tinham preparado juntos na mais completa harmonia, o que já era estranho o suficiente, dado à docilidade do loiro aquela noite. Harry abria uma trufa de cereja, mordendo um pedaço e oferecendo ao loiro para que a mordesse também.

- É verdade... Mas não me custa agradar à sua mãe e sábado não temos nada pra fazer mesmo...

- Não? Mas... Eu pensei...

- Por que, você tinha algum programa especial para esse sábado? – Olhou nos olhos prateados, vendo a hesitação ali, puxando-o da cadeira para o seu colo. – Tem alguma coisa que eu não sei amor?

Draco o olhava meio surpreso, sem saber bem o que responder, mordendo o chocolate que ele oferecia, fitando atentamente os olhos verdes. Não era possível que ele tivesse esquecido era? Mas os olhos dele estavam tão límpidos, apenas um pouco inquiridores.

- Nã-nããão... Não tem nada não... – Respondeu rapidamente, lambendo a calda dos lábios. – Apenas achei que talvez você preferisse fazer outra coisa, como sair, ir ao teatro, cinema, boate... Essas coisas que apreciamos fazer nos finais de semana.

- Poderia ser... Eu gosto de tudo que você falou. Mas não custa agradar Narcisa de vez em quando. Como você sempre diz, ela é sua mãe. E eu respeito isso, para mim mãe é muito importante, mãe é sagrada.

- Belo momento pra me lembrar disso... – Draco resmungou, cruzando os braços e fazendo bico, indignado por que ele se esquecera da data especial. – Gryffindors...

- Hey, o que foi? – Perguntou apertando-lhe a cintura, rindo baixo, gostando de vê-lo emburrado. – Não quer ir jantar na mansão? Eu sei que você gosta, sempre insiste tanto para irmos, não estou te entendendo.

- Não... Não é isso, claro que eu quero, eu gosto... – Descruzou os braços, envolvendo o pescoço dele com eles, se atrapalhando com as palavras. Se Harry se esquecera, não ia ser ele a abrir a boca. Além do mais ele ainda podia se lembrar e podiam comemorar a sós depois do jantar. – Se você quer mesmo ir, amanhã aviso minha mãe. – Sorriu ironicamente, lembrando-se de alguns dos detalhes que o moreno detestava. – E não se esqueça...

- ...Vestes formais e sem atrasos. Eu sei Draco. – Disse fazendo uma careta, afinal fazia parte do seu modo de agir de sempre e precisava continuar disfarçando. – Não é a primeira vez que vou a um dos jantares de Narcisa... – Beijou-o no pescoço, tendo uma idéia repentina. – Quais as flores preferidas dela?

- Rosas ou Orquídeas... – Ele respondeu, estremecendo com o beijo, os olhos se fechando involuntariamente. – Ela tem um roseiral e um orquidário com várias espécies... Uma grande coleção. E algumas das mais raras fazem parte da coleção dela, por quê?

- Bem, é de bom tom levar flores para a anfitriã. E eu quero sinceramente agradar sua mãe, levando flores que ela realmente goste.

- Estou te estranhando... – O loiro semicerrou os olhos, uma pontinha de ironia na voz. – Flores pra minha mãe?

- Ora, não é a etiqueta correta? – Arregalou os olhos inocentemente. – Pensei que estivesse agindo certo...

- E está... Certo demais até!

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Terça-feira

Draco estava no quarto, terminando de se arrumar para o jantar. Sorria para o seu reflexo que, como sempre, elogiava seu porte elegante, quando a porta se abriu toda num rompante.

- Chegou mais cedo! – Falou sorridente ao ver amado entrar e parar atrás de si. Mas não gostou do jeito que ele o estava olhando. – Que foi?

- Draco, eu... – Abraçou-o pela cintura, colocando o queixo no ombro do loiro, o olhando culpado. – Não fique zangado...

- Depende do que você me falar. – Bufou impaciente. – O que foi dessa vez?

- Você se importa se formos a um fast food? – Perguntou baixinho, vendo o esmero com que ele se arrumara. – Marcaram uma reunião de emergência... – Viu o olhar de gelo se estreitar. – Não pude avisar antes gatinho, só nos comunicaram agora.

- Não tem gatinho, nem meio gatinho! – A voz soou ríspida. – O ministério pensa o quê? Que os aurores não têm família? Que não têm vida privada?

- Mas Draco, o assunto deve ser sério, o próprio ministro vai participar da reunião e...

- E daí? Não sei por que você insiste em trabalhar nisso. A guerra acabou, ninguém se doou tanto a ela, nem se arriscou tanto quanto você. – Saiu do quarto pisando duro, seguido de perto pelo moreno. – Além disso, você tem uma fortuna no Gringotes e eu tenho a minha fortuna pessoal, além do que sobrou dos bens da minha família, o que não é pouco... Você não precisa ser auror, ficar dias fora em missão, poderia fazer o que quisesse!

- Já conversamos exaustivamente sobre esse assunto. Você sabe o que eu penso sobre ele.

- Esta bem, esta bem! Vamos ao seu fast food! – Pegou um punhado de flu no aparador da lareira. – Já sei que aquela porcaria de ministério é mais importante que eu!

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Quarta-feira

Amaya Suzuki, secretária do ministro apareceu na porta da sala dos aurores. Foi logo entrando e chegando ao lado de Harry.

- Senhor Potter, o ministro quer lhe falar.

Harry assentiu, se levantando e a seguindo até o escritório do Ministro, entrando pela porta aberta por ela, o encontrando à sua espera.

- Harry, que prazer! – Ele veio até si, com a mão estendida.

- Olá Kingsley, tem alguma novidade pra mim? – Adiantou-se, apertando-lhe a mão.

- Bem Harry... – Shacklebolt caminhou pela sala até as poltronas, guiando Harry e fazendo um gesto para que se sentasse em uma delas, se acomodando na outra. – Você sabe que depois de muito deliberar, eu e o Conselho de Justiça decidimos conceder o seu pedido. Com todos os atenuantes que você apresentou, e baseados no registro do seu depoimento, nos fatos vivenciados, presenciados e posteriormente relatados por você, em uma audiência oficial, achamos que temos o dever de atendê-lo e chamei você para dizer que os documentos estão prontos.

- Você não sabe como isso me alegra...

- Que é isso Harry, me sinto seu devedor, por tudo que você fez, e foi isso que eu disse ao conselho, que "todos nós" éramos seus devedores.

- Assim você me constrange...

- Deixe disso... Não é nenhum favor, ele foi condenado a dez anos de prisão e ele já cumpriu sete. – Afirmou o ministro. – Mas terá algumas restrições. Você sabe como o nome dele ainda é associado ao de Voldemort e as pessoas ainda sentem medo de pronunciarem o nome do Lorde das Trevas, mesmo depois de tanto tempo.

- Eu compreendo, mas só de atenderem a minha petição, me deixaram satisfeito. Imaginei que teriam condições.

- Bem, ele terá que usar braceletes de monitoramento. Que além de delimitar o espaço dele à propriedade da família, eles restringem a magia. Mesmo que ele tenha uma nova varinha, ele não vai poder usar todos os seus poderes e habilidades, pelo menos até terminar a pena.

- Ele vai ser solto a tempo?

- Estamos terminando algumas formalidades, mas fique tranqüilo, é só passar aqui para pegar os papéis e você vai poder ir buscá-lo, bem a tempo.

Ambos se levantaram se despedindo enquanto o ministro levava Harry até a porta.

- Mais uma vez obrigado Kingsley. Espero encontrá-lo em breve.

- Estarei lá...

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Quinta-feira

Harry como sempre se levantou cedo. Draco fingiu que dormia, acompanhou cada passo do seu moreno enquanto se arrumava. Ele havia notado que Harry mostrava sinais de cansaço. – "Maldito Ministério! Pensam que Harry, O MEU HARRY, é um escravo? Qualquer dia desse marco um encontro com aquele Ministro e digo umas poucas e boas pra ele..."

Contudo o que mais intrigava Draco no momento não era o abatimento do amante, não tinha do que se queixar, pois Harry o exauria na cama todas as noites. O loirinho havia percebido um tom de mistério no ar, mas Harry não dava pistas. Além da conversa flagrada na lareira no dia seguinte à melhor reconciliação que já tiveram em sete anos, nada de concreto chegou aos ouvidos do loiro.

Cada vez mais curioso, Draco resolveu se levantar, um cheiro gostoso já se pronunciava pelo apartamento indicando que Harry já havia feito o café. Draco em seu roupão apareceu na cozinha com um sorriso cínico nos lábios.

- A que devo a honra de sua ilustre companhia no café da manhã? – perguntou Harry ironicamente ao ver o sorriso maroto dele.

- Ironia não combina com você, e de mais a mais é exclusividade minha. E respondendo a sua pergunta... – Draco acomodou-se dengosamente no colo do moreno enterrando o rosto na curva do pescoço do moreno provocando arrepios no mesmo – Fiquei com saudade... Bem que você poderia ficar comigo hoje...

- Draco, Draco... – Harry suspirou – Sabe bem que não posso. O dia hoje será cheio e...

Draco se levantou desvencilhando-se dos braços do moreno em um gesto dramático.

- Eu sempre fico por ultimo mesmo. Qualquer dia destes faço uma poção explosiva e ponho fim a esse Ministério, aí terei você só para mim!

Draco fez um bico enorme e voltou para o quarto. Harry riu-se, esse era seu loiro, mimado e egoísta. Terminou seu café e foi até o quarto. Encontrou o loiro amuado com os lençóis cobrindo-lhe a cabeça. Harry sorriu. Draco mais parecia uma criança fazendo birra.

Deitou-se a seu lado puxando o loiro para seus braços, lutando para descobrir seu rosto.

- Não seja tão difícil amor! Eu volto logo mais à tarde e aí vamos ao cinema, o que acha?

- É pode ser...

- Amor olha pra mim... – finalmente Harry achou o fim daquele lençol e pode encarar Draco. Tentou arrumar um pouco os cabelos bagunçados do loiro num carinho suave – Olha vou terminar alguns assuntos importantes e tiro uma licença, o que acha?

- Assuntos importantes? – Draco estava cada vez mais curioso.

- Sim, coisas... Do trabalho. Alguns casos que comecei, nada demais. Vamos lá, diz que está feliz!?

Draco apenas sorriu. Amoleceu. Harry sempre o amolecia. Então capturou os lábios do namorado com fúria e logo Harry estava perdido entre os lençóis de linho egípcio, escandalosamente grudado ao seu Slytherin e irremediavelmente atrasado para o trabalho...

oOo

Sexta-feira

Draco não sabia bem o que pensar sobre aquele mistério todo. Por várias vezes tentou discretamente dissuadir o namorado quanto ao jantar na mansão, mas Harry parecia amar a idéia de ir. O loiro estava cada vez mais curioso com aquilo. Mas, também estava magoado. Como Harry não se lembrava do aniversário deles? Tinha alguma coisa ali. E ele ia tentar descobrir. Ainda estava para nascer um Gryffindor que o enganaria... – E quem era "ELA"? Potter não seria capaz de traí-lo com uma garota, seria? – Lembrou-se de sua mãe, das palavras dela sobre confiança e respeito, talvez ele devesse ouvir a voz da razão em lugar do seu ciúme... Suspirou profundamente, ele não entendia mais nada daquilo.

Levantou-se da cama, decidido a fazer um pouco de cada, dar razão à sua mãe e tentar acalmar o seu ciúme, sem estardalhaço dessa vez. Com um aceno de varinha vestiu-se, pegou a poção que lhe permitiria encontrar Harry, mais alguns fios de cabelo do moreno e saiu. Entrou em um café que ficava bem de frente ao Ministério o local tinha janelas amplas que permitia ver a cabine telefônica, entrada pouco usada do Ministério. Harry gostava de usá-la quando saía para a Londres trouxa. Draco sabia que ele gostava de caminhar até o Beco Diagonal pela manhã, antes de passar no ministério e de lá sair para suas investigações. Saudosismo... Coisas de Gryffindors.

Olhou de novo para o outro lado da rua. Se ele não aparecesse logo, usaria a poção. Mas não precisou. Não demorou muito, Harry saiu da cabine telefônica, com a tranqüilidade de quem fazia isso com certa frequência. Draco pagou a conta e na pressa derrubou o café nas suas vestes favoritas, ficando impaciente. Mas nada como um feitiço de limpeza para ver-se impecável novamente e começar a sua 'missão'... – pensou achando graça da situação. – ...Seguir Harry, bem de perto.

Ventava muito naquela manhã cinzenta e logo o vento levou o perfume inconfundível do loiro aos sentidos aguçados de auror de Harry, o fazendo sorrir. – Draco... – Sussurrou para si mesmo, continuando seu caminho como se não o tivesse percebido em seu encalço. Primeiro ficou com um pouco de raiva, mas depois sorriu novamente conformado, afinal Draco nunca mudaria. Era mais forte que ele, e Harry não queria mesmo que ele mudasse, gostava dele daquele jeito. Não tinha muita coisa que fazer naquele dia, o Ministério já resolvera as pendências e deixara o seu dia livre. Então podia dar a Draco o que ele queria, um dia emocionante bancando o detetive... Sua mente já maquinava o que fazer com seu perseguidor.

Mudou o caminho, um passeio pela Londres trouxa seria o suficiente para lhe dar uma boa lição. Resolveu visitar uma senhora que morava no subúrbio, local de difícil acesso. Foi para o metrô. Sabia que Draco detestava andar naquele trem lotado e trouxa. Na verdade estava com saudades da velha senhora, sua vizinha quando morou com os tios. Emma era um aborto, mas o ajudara várias vezes quando criança. Ainda se lembrava do caso dos dementadores que atacaram a si e ao primo, e de como ela fora ao seu 'julgamento' depor ao seu favor.

Chegar até o subúrbio fora uma aventura torturante para o Slytherin, que achava que aquilo tudo era um horror, o metrô, aquelas ruas imundas por onde Harry passava, um cenário que nunca tinha visto antes, crianças correndo, cães soltos... Parou lívido quando sentiu que pisou em algo mole e escorregadio. – "Malditos trouxas! Não sabem o que é limpeza? E deixam seus animais soltos por aí, fazendo... Eca que nojo!"

Quase perdeu Harry de vista enquanto se empenhava em um feitiço para limpar-se daquela nojeira. Depois se lembrou, não poderia fazer feitiços ali, estava na parte trouxa de Londres, e Harry poderia notar e descobri-lo. Viu quando ele entrou em uma casinha com um meigo jardim na frente. Era simples, pobre, Draco não sabia o que pensar, entrou silenciosamente passando pelo jardim e ladeou a casa se encaminhando para uma janela de onde vinham as vozes de Harry e de uma mulher, e... Miados???

Com a chuva dos últimos dias e a falta de calçamento na lateral da casa Draco escorregou no barro, caindo de costas na lama, arruinando sua capa preferida, temendo que eles tivessem ouvido o barulho e o descobrissem naquela situação vexatória. Ficou quieto ali no chão sob a janela, ouvindo Harry conversar com uma mulher, sua voz denunciava sua idade avançada e o teor da conversa uma forte amizade. Chutou-se mentalmente, já amaldiçoando a idéia de seguir o namorado naquela manhã.

Harry passou quase o dia todo na Londres trouxa, pois sabia que o loiro não faria nenhum feitiço. Draco por sua vez estava exausto, já tinha pisado em caca de cachorro, escorregado na lama e se estatelado no chão, prendido o pé em um buraco na calçada danificada, um carro tinha passado em uma poça o molhando com uma água suja e mal cheirosa. E para coroar seu dia ainda teve que se jogar em uma lixeira para não ser visto por Harry, mas a gota d'água mesmo foi se perder por aquelas ruelas e ser perseguido por um cão que fugira de uma das casas, quando Draco passou em frente. Quase foi pego pelo cão...

Depois disso o loiro desistiu e aparatou em seu apartamento, completamente sem fôlego pela fuga. Tinha dado a perseguição por encerrada. Foi correndo para o banheiro. Estava exausto e pretendia ficar ali pela próxima década. Não entendia bem o que Harry havia feito naquela manhã. Aquele era seu trabalho? Não era possível! Saiu do banho e se olhou no espelho. Tinha um corte superficial com um galo, onde um hematoma azulado já aparecia. Quando fugia do cão escorregou batendo a testa em uma árvore, um galho baixo, produzindo aquela prova de suas andanças atrás do moreno. Pegou sua varinha, fazendo um feitiço de cura, só notando a chegada de Harry quando ele apareceu logo atrás de si, quando o ferimento ainda diminuía até sumir de vez.

- O que houve amor machucou-se? – Harry poderia imaginar as probabilidades para aquele machucado, mas conteve o sorriso divertido, lançando o ar mais preocupado que tinha.

- Nada... Escorreguei no box, sob o chuveiro. – respondeu rispidamente o loiro.

- Cheguei mais cedo para ver se você quer jantar fora e depois poderíamos ir à boate.

- Bo-boate? Dançar?... Estamos comemorando algo especial? – perguntou o loiro já com esperanças de que Harry havia se lembrado do aniversário deles.

- Não, é que você vive me dizendo que eu não dou atenção a você e...

- Estava pensando em ficar por aqui... – Draco respirou fundo, estava exausto na verdade, e frustrado com a constatação de que Harry havia se esquecido de uma data tão importante. – só eu e você...

Harry sabia exatamente como seu loiro estava, mas resolveu insistir.

- Vamos lá! Eu sei que você gosta! Vista-se, quero ver você bem elegante, estarei pronto em um minuto! – Harry disse todo animado. Deu um selinho em Draco e se encaminhou para o banheiro se divertindo com a situação.

Draco suspirou, não poderia recusar. Ele adorava esse tipo de programa e jamais poderia justificar seu cansaço sem mentir a Harry. E mentir não mais, já tivera prejuízo suficiente com a última mentira, e não ia dar o braço a torcer, contando o que fizera, Harry não iria gostar. Resignado, respirou fundo e convocou suas roupas, se vestindo com o maior apuro.

A noite estava maravilhosa; o jantar fora excelente e a boate estava bem agitada. Harry vira os sinais de cansaço se acentuar em Draco desde quando chegaram à boate, e estavam ficando piores. Então teve compaixão pelo loiro e uma hora depois decidiu que ele já havia pagado todas as suas dívidas para consigo. Decidiu dar a noite por encerrada e voltarem para casa, para o descanso merecido do namorado.

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Logo de manhãzinha, como combinado com Ronny, Pitty espatifava-se na janela do quarto deles, acordando a ambos.

- Não sei como essa coruja ainda não se matou! Mais uma dessas e eu mesmo encomendo a alma dela!!! – Draco acordou de mau humor.

- Não seja mau... – Harry levantou-se da cama, tirando a mensagem da pata da pequena coruja. – Tenho que ir amor... – Disse enquanto lia o pergaminho recebido.

- Onde? Hoje é sábado! Eles não sabem disso? Não tem calendário no Ministério?

- É muito importante, não tenho como me esquivar. – Harry falava enquanto ia se vestindo. – Tentarei me livrar disso o mais rápido possível, qualquer coisa vou de lá direto para a mansão logo mais à noite. Não se preocupe, farei o possível para não me atrasar!!! – Sentou-se na beirada da cama, aproximando-se dele, segurando-lhe o queixo numa carícia. – Até mais amor! Eu te amo! Nunca se esqueça disso...

Harry tomou os lábios do loiro em um beijo apaixonado e arrebatador, já vestido com seu uniforme. Saiu do quarto, se encaminhando para a lareira, deixando um Draco desolado para trás.

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Continua...


N.A. – Nandinhaaaaaaaaaaaa FELIZ DIA DAS MÃES! Parabéns também a todas as mães que porventura estejam lendo a fic. Beijos a todas.

Bom, semana que vem é o último capítulo e talvez, TALVEZ, tenha um capítulo extra, atendendo ao pedido do leitor Totosay de Cueca mostrando como eles começaram o namoro. Beijos a todos.


Muito obrigada a todos que além de ler, deixaram reviews: Freya Black (Eu também Amo ele! Manhoso e chantagista e ciumento... Um geminiano perfeito. Só um Leonino carinhoso e paciente como o Harry pra lidar com esse loiro tão temperamental.); Totosay de Cueca (Amo Draco de qualquer jeito, possessivo então é delicioso! Fico contente que esteja gostando, não fiz um capítulo dizendo como eles começaram o relacionamento, mas posso pensar a respeito, depende da Nanda que é a dona dessa fic. ^^ Se ela desejar posso escrever um capítulo extra.); LudMills (Isso é delicioso, né? Esse jeitão dramaqueen dele. XD Pois é, o que o Amor não faz, a gente comete loucuras e tolera muita coisa. É uma pena, mas tudo tem que acabar em algum momento. Mas antes de acabar vai ter mais momentos quentes e emocionantes.); SamaraKiss (Não chore! Prometo um final feliz e emocionante. ^.~ Descobriu o quanto era ciumenta, é? Samantha Tiger também é terapia...! XD. Atualização pronta pra semana que vem.).

Meus agradecimentos também a todos os que leram e por qualquer motivo não deixaram review, espero que continuem acompanhando a história.

Samantha Tiger Blackthorn