Capítulo III – Reações incontroláveis
POV Remus Lupin
Com o quê eu estava na cabeça? Não faço a mínima ideia! Ver diariamente Severus, Harry (que é igual a James) e Draco (que é idêntico a Lucius) me deixou saudoso do passado. Isso sem mencionar as fotos de Black nos jornais. Saudades de quando eu era apenas um estudante em Hogwarts. Saudades da época mais feliz da minha vida. E, principalmente, saudades de quando eu achava que podia seduzir o garoto mal encarado da casa rival. Quanta tolice a minha! Severus não mudou nada. Quer dizer, mais ou menos. Sua personalidade continua a mesma. O Slytherin malvado; chego a compadecer por seus alunos. Seu físico também continua o mesmo. Alto, cabelos e olhos extremamente pretos, magro, palidez doentia, mas... Sua postura... Como mudou! Se no passado ele andava curvado e olhando para o chão, agora ele tem um andar imponente e elegante. Ele se tornou um homem totalmente seguro de si.
Mas, nada disso justifica eu ter me aproximado tanto dele! Droga! Como vou olhar para ele na mesa dos professores? Será que ele vai falar com Dumbledore?
Tive que ri da minha própria ideia. Severus se queixando que eu parti para cima dele para outra pessoa? Nem em sonhos. Ele sempre foi discreto e reservado demais. E eu sempre adorei isso nele.
OoOoOoOoO
Acordei cedo no dia seguinte. Tomei um longo banho depois, vasculhei o armário a procura de uma veste que estivesse menos esburacada. Escolhi uma veste marrom, a vesti e desci as escadas até o Saguão de Entrada.
Cheguei ao Salão Principal e havia apenas meia dúzia de alunos nas mesas e... Severus. Ah! Graças a Merlin! Dumbledore também estava lá. Não percebi que havia parado de andar, então recomecei a caminhar normalmente até a mesa dos professores. Sentei-me ao lado direito do diretor. Do lado esquerdo dele está Severus.
"Bom dia!", Dumbledore me saudou sorrindo.
"Bom dia!", respondi sorrindo também.
Snape permaneceu em silêncio. Ele remexia o bacon e os ovos de seu prato sem realmente comer alguma coisa.
Bebi um gole de suco de abóbora, tentando não ficar encarando o outro professor.
"Como está indo sua primeira semana, Remus?"
"Fantástica, professor. Estou muito feliz por estar em Hogwarts novamente."
"Certamente está feliz, Lupin. Há quanto tempo estava desempregado antes de o diretor lhe oferecer um emprego?", perguntou Severus e havia crueldade em sua voz.
Engoli em seco. Meu sorriso desapareceu involuntariamente. Como ele podia ser cruel assim, logo pela manhã? Snape me olhava com um sorriso maldoso. Seu sorriso aumentou quando constatou que eu não sorria mais.
Vi a cabeça de Dumbledore girar até mim para depois ir em direção a ele.
"Meninos, por favor. Vocês já não estão mais em casas rivais. E mesmo que estivessem não há necessidade dessa rivalidade e implicação. Peço que superem o passado e tentem se dar bem, sim?" Ele terminou dando um longo olhar para Snape.
O sorriso de Severus desapareceu instantaneamente. Depois ele assentiu lentamente com a cabeça.
"Claro, diretor."
Então, Albus olhou para mim. Ele esperava que eu dissesse algo. Olhei para ele e tentei esboçar um sorriso.
"Sou muito grato por Severus preparar a minha poção", disse e acrescentei olhando para Snape, que observava a parede e parecia raivoso: "Eu nunca tive nada contra você, Severus. E realmente ficaria feliz se fossemos amigos."
Dumbledore abriu um grande sorriso receptivo para mim. Seus olhos azuis claros brilham por trás dos óculos de meia lua. Sua alegria é tão contagiante que me vejo sorrindo para o velho bruxo.
"Que bom, meninos!", ele falou, empolgado. "Agora por que você não come um pouco, Remus?"
Snape se levantou arrastando a cadeira, parecia irritadíssimo. De pé, ele caminhou em direção as masmorras. Os alunos que vinham na direção contrária a dele deram passagem para o professor passar.
Ao mesmo tempo que Severus ia embora, chegava Minerva. Ela sentou-se ao meu lado.
"Não ligue para isso, Remus. O humor de Severus nunca foi muito bom, mas acredito que fique pior pela manhã", disse em tom ameno.
McGonagall apertou os lábios, parecia contrariada. Lançava um olhar duro na direção onde Snape tinha ido.
"Albus, Remus conhece Severus melhor do que nós. Eles estudaram juntos", falou e depois se virou para mim. "Tente não deixar ele te irritar, Remus. Ele é particularmente irritante quando vem se gabar pelo fato de Slytherin ter ganhado mais Taças de Quadribol do que Gryffindor."
"Mas você não tem do que reclamar, Minerva. Desde que Harry chegou você ganhou uma Taça de Quadribol."
"E foi um alívio, Albus! Snape me azucrinava falando que Gryffindor não ganhava a Taça de Quadribol havia sete anos. Sete anos! Sou muito grata por Potter ter herdado o talento do pai."
"Verdade? Harry também é...?", questionei.
"Apanhador. Desde os onze anos", disse a bruxa satisfeita.
Depois chegou Hagrid e os três começaram a falar sobre como Harry é parecido com James. Meu estômago se remexeu. A última coisa que quero são mais lembranças do passado nesse momento. Dou uma desculpa sobre pegar os trabalhos dos alunos no escritório e vou atrás de Severus nas masmorras. Espero que eles não tenham percebido que não segui na direção do meu escritório.
Não tenho certeza se Snape está realmente em seu escritório ou se foi para a sala de aula onde dará aula.
Toc, toc... Bati em sua porta e torci para que tivesse alguém lá dentro.
Severus abriu a porta depois de alguns segundos, me reconheceu e pensei que ele fosse fechar a porta em minha cara.
"Em que lhe posso ser útil, Lupin?", questionou gelado.
Seu tom frio é desanimador, mas prometi a Dumbledore que tentaria me entender com Snape.
"Você quer tentar uma trégua ou não, Severus?"
"Trégua?", ele repetiu erguendo a sobrancelha esquerda.
"Nunca fiz nada contra você, Severus..."
"É claro que não fez nada contra mim, Lupin. Mas a sua outra personalidade só queria me dar umas mordidas para provar o meu gosto, não é mesmo?"
"Ah, Severus! Por favor! Por que você não consegue esquecer o passado?"
Alguns alunos Slytherin passavam no corredor. Snape lançou um olhar assustador para eles e eles aceleraram o passo.
"Entre, Lupin."
Eu entrei em seu escritório e me sentei na cadeira em frente a sua escrivaninha. A decoração desse lugar é no mínimo peculiar. Inúmeras estantes com frascos com líquidos coloridos contendo pedaços de animais e plantas. As paredes e o chão de pedra fazem o clima ficar mais frio. A iluminação que vem do lustre é precária, deixando a sala com o ambiente no mínimo sombrio.
Ele fechou a porta e me analisou. Apoiou o corpo na porta e disse:
"Perdoar não é uma das minhas virtudes."
Dou um suspiro cansado.
"Então vamos passar o ano assim? Como rivais?"
Snape abriu um sorriso desdenhoso.
"Se você não for demitido antes, suponho que sim."
"E o que prometeu a Dumbledore?"
"Eu continuo fazendo sua poção, não é?"
Revirei os olhos. Ele ainda é imaturo.
"Se importa que eu faça uma pergunta?"
Severus cruzou os braços. Um ato nada amigável, por isso acrescentei:
"Depois, se quiser, você pode passar o tempo que eu ficar aqui no castelo me ignorando completamente."
Ele não esboçou reação, mas respondeu:
"Pergunte logo, Lupin."
"O que Si...", pausei. Falar o nome de Sirius em voz alta é dolorido. "O que Black e James lhe disseram para que você fosse ao meu encontro na Casa dos Gritos? Eles nunca me disseram qual foi o argumento que usaram."
Ele me fitou intensamente por um instante. Seu rosto estava totalmente impassível. Não tinha ideia do que estava pensando. Ficou assim por longos segundos. Eu ia me levantar para sair, já que achava que ele não ia me responder. Então ele falou:
"Seus amigos me disseram que eu encontraria algo que eu queria muito lá. O senso de humor deles era fantástico, não é?"
"Só disseram isso? É tão curioso assim?"
Sua feição mudou rapidamente. Não estava impassível, estava com raiva.
"Aonde você quer chegar?"
"Me desculpe, mas eu enganei você. Eles me contaram que para convencê-lo, disseram que eu estaria lá e você poderia ver com seus próprios olhos o motivo da minha doença."
Ele não me olhou quando respondeu:
"E daí? Dá no mesmo."
"Quer dizer eu sou algo que você quer muito?"
Dessa vez ele não se abalou. Me olhou com desprezo.
"É uma piada, Lupin? O que eu queria muito era confirmar minha teoria de que você era lobisomem. Eu reparei que você ficava doente apenas nas luas cheias."
"Quer dizer que desde que éramos adolescentes você reparava em mim?", perguntei e me levantei.
Snape abriu a porta.
"Acho melhor você ir para sua sala de aula."
Eu dei passos lentos em direção a ele. Quando estou bem perto da porta, fechei-a prendendo Severus entre mim e a porta.
Snape se afastou de mim, grudando o corpo na porta. Ele não me olhava, fitava o chão. Esse jeito tímido me lembrava o Severus adolescente. Mas eu não sou idiota. Eu percebi que sua mão direita buscava algo dentro das vestes, provavelmente a varinha.
Então ele falou com seu tom perigoso e suave:
"Saia de perto de mim."
"Por que?"
Ele me olhou extremamente irado. Seus olhos parecem carvões em chama, o preto do carvão sendo consumido pelo fogo da ira.
"Saia... De... Perto... De... Mim...", ele diz pausadamente.
Ainda não acredito que ele esteja falando serio. Se quisesse me enfeitiçar já teria o feito. Então, arriscando minha vida e meu cargo como professor eu beijei o queixo dele.
Severus permitiu que eu o beijasse, então senti um punho ligeiro acertar minha face no lado esquerdo. O impacto do golpe me fez cair no chão. Em seguida, ele pisou em cima do meu estômago com força, me fazendo perder o ar.
"Toque em mim novamente e será a última coisa que fará na vida."
Minha insensatez é tão grande que não sinto medo de sua ameaça.
"Vai me matar, Severus? E Dumbledore e os outros professores?"
Então ele riu sem humor. Um riso de Comensal da Morte.
"Eu não falei que ia te matar, Lupin. Eu simplesmente posso usar Cruciatus demais em você, e você acabará como um maluco que não sabe nem o próprio nome."
Sua promessa me faz arrepiar, mas sinto uma vontade muito forte de me declarar.
"Acredito em você. Eu posso até esquecer quem sou, mas, ainda assim, eu não seria capaz de te esquecer. Penso em você todos os dias, desde que te conheci."
Minha declaração o deixou sem ação. Ele me olhou surpreso por um longo minuto até que alguém bateu na porta.
Toc, toc...
Severus voltou a si. Olhou para a porta, então me observou caído no chão.
"Se levante", ele sussurrou. "Lupin..." Ele me fitou e seu olhar não é nada característico dele. Parecia temeroso. "Não faça barulho e depois resolveremos esse problema."
Problema? Mas faço o que pede.
O vi respirar fundo e abrir a porta. Então sua feição relaxou, ele quase sorriu.
"Senhor Filch?"
"Professor Snape, os alunos do terceiro ano estão esperando. O senhor está atrasado faz cinco minutos."
Observei ele olhar para o relógio, então se voltou para o zelador.
"Eu já estou indo. Poderia abrir a porta da sala para eles?"
"Sim, senhor."
Severus fechou a porta e eu me levantei rapidamente e me joguei atrás dele, o abraçando. Estou perdendo totalmente meu pudor hoje.
"Eu quero você...", sussurrei.
"Não diga isso, Lupin", pediu. Ele soltou os meus braços e se virou em minha direção. Olhou o estrago que deve estar minha bochecha esquerda. "Eu tenho que dar aula e, acredito, você também..."
Então cheguei ao cume da minha humilhação.
"Se você não transar comigo, eu conto a Dumbledore que o hematoma do meu rosto foi feito por você."
Minha chantagem é tão nojenta que ele se afastou alguns passos de mim. Sua feição estava distorcida com asco. Evitei encará-lo, olhava minhas mãos enquanto aguardava a resposta.
"Quer que eu transe com você ou com o lobisomem?", perguntou depois de alguns segundos em silêncio.
"Comigo, Remus Lupin, é claro."
"Quando?"
"Pode ser hoje a noite?"
"Pode ser quando você quiser", ele disse, ríspido. "Você é o opressor e eu sou o oprimido."
"Então será hoje a noite. Aqui."
"Aqui?"
"Eu sou o opressor, se esqueceu?"
"Não, milord, acho que não esqueci. Mas... Como você não vai disfarçar isso?", ele questionou apontando para o meu rosto.
Coloquei a mão na minha mandíbula dolorida.
"Não precisa. O armário caiu em cima de mim quando fui buscar uns trabalhos dos alunos depois do café da manhã."
Snape me olhou incrédulo.
"Subestimei sua inteligência, lobisomem. Você planejou tudo isso, certo? Me provocar, ser golpeado e depois, para finalizar me chantagear, não foi?" Ele estava numa fúria contida.
"E que diferença faz?", disse, tentando soar indiferente. A verdade é que eu conheço Severus. Mesmo que eu diga não, ele vai continuar achando que eu planejei essa insanidade. Uma prazerosa insanidade, mas ainda assim uma insanidade.
"Saia primeiro. Será menos suspeito se não nos virem juntos."
"As dez eu volto."
"Eu estarei pronto para você, lobisomem", ele falou feroz.
Abri a porta do escritório e corri até minha sala aula. Estou feliz! Terei Severus! Mesmo que seja contra a vontade dele e somente por uma noite. Mas ele será meu!
Continua... : )
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