Capítulo V – A Ideia
POV Severus Snape
Fazia um mês desde o meu último diálogo com Lupin, desde então ele me evitava sempre que podia. Não puxou mais assunto comigo, não falou mais em trégua, somente dizia bom dia no café da manhã e obrigado quando vinha pegar a poção em minha sala. Eu estava satisfeito com essa situação, na maior parte do tempo.
Mas aquele maldito pesadelo sempre me assombrava. Tentava a todo custo parar de pensar no lobisomem, mas não era possível. Aquele sonho pareceu tão real. Eu realmente estava disposto a sentir a textura da pele de Remus, o gosto da sua boca...
"Apenas uma fantasia. Somente uma fantasia, é isso que é. Provavelmente uma fantasia que não se realizará", falei para mim mesmo.
Alguém bateu na porta, provavelmente ele.
Toc, toc...
Desde aquela fatídica noite ele não entrou mais em meu escritório sem prévia autorização.
"Entre."
Lupin abriu a porta e entrou. O rosto levemente apático e com a aparência cansada.
"Olá Severus."
"Sua poção está pronta", falei áspero.
Ele não esboçou reação, apenas assentiu. Em seguida pegou a taça em minha mesa e disse:
"Obrigado."
O lobisomem se virou, ficando de costas para mim, e caminhou em direção a porta. Com a mão na maçaneta ele falou:
"Boa noite, Severus."
"Boa noite, Lupin."
Remus saiu de minha sala e fechou a porta.
No fundo nós dois somos pessoas doentias. Seria muito mais fácil poupar ambos desses estranhos encontros mandando um elfo doméstico levar a poção até ele. Mas eu não queria fazer isso. O momento de pegar a poção é o único instante em que ficamos totalmente a sós. E mesmo eu jamais admitindo isso para outra pessoa, confesso que gosto de ouvi-lo dizer meu primeiro nome.
OoOoOoOoO
Eu pisava forte no chão enquanto caminhava em direção a sala do lobisomem. Odiava ter que bancar a babá de Lupin, mas eram onze horas e o ele não apareceu em meu escritório para pegar a poção. Será que aconteceu alguma coisa? Ele dormiu em cima dos deveres dos alunos? Não duvido nada. A aparência dele andava péssima.
Eu estava no corredor do seu escritório quando ouvi alguém gritando lá dentro.
"Você não aceita os meus sentimentos! Você tem obrigação de me dizer o por quê!"
O que era isso? Corri até a porta do escritório de Lupin para ouvir melhor. A voz do lobisomem era baixa quando respondeu:
"Eric, por favor, já pedi para não gritar. O motivo de eu ter que rejeitar os seus sentimentos são vários. O primeiro e mais importante é que eu sou seu professor."
"Eu estou no último ano, Remus. Daqui há alguns meses eu não serei mais seu aluno."
"Sim, Eric. Mas isso não muda o fato que você ainda é meu aluno. E relações entre alunos e professores não são permitidas."
Não acreditei no que estava ouvindo. Lupin estava seduzindo um aluno? E mais importante, que tipo de aluno se permitia seduzir por um lobisomem?
Rapidamente peguei minha varinha e lancei um feitiço da desilusão em mim mesmo. Coloquei o ouvido na porta, mas não ouvia mais vozes, apenas um arrastar de cadeiras. Eles deviam estar saindo. Veloz, eu corri para sair da frente da porta.
A porta se abriu e Lupin a manteve aberta enquanto um aluno passava. Olhei melhor para o garoto. Eric Wittig, Gryffindor. Era meu aluno de Poções, um aluno razoável até. Tinha cabelos loiros curtos, olhos verdes, várias sardas manchando o nariz e as bochechas. Era alto e esguio. Tinha um sorriso arrogante, mas agora estava cabisbaixo.
"Desculpe-me, Remus."
"Está tudo bem, Eric. Agora vá. Está muito tarde e já passou do toque de recolher."
"Certo. Boa noite, Remus."
"Eric..."
"Sim?"
"Tenho que pedir que não me chame pelo primeiro nome."
"Certo, professor Lupin."
"Se for pego por alguém diga que estava comigo e eu autorizei que você voltasse para o dormitório depois do horário estipulado. Boa noite, Eric."
"Boa noite."
"Você vai superar."
O rapaz não respondeu e foi andando lentamente. Olhei para Lupin, que não olhava para o aluno e sim para mim. Quando Wittig cruzou o corredor, o lobisomem falou e seu tom era gelado:
"Entendo perfeitamente que menospreze minhas habilidades como bruxo, Severus. Afinal, como você diz nem humano eu sou. Entretanto, eu sou lobisomem e meus sentidos são mais sensíveis do que o dos humanos."
Com um aceno de varinha desfiz o feitiço e o encarei impassível.
"Quer dizer que você recebe alunos até tarde da noite em seu escritório?"
Ele me olhou com olhos cansados. Sua postura também não ajudava, estava com a coluna levemente curvada e suas pálpebras quase se fechando.
"Você deve ter ouvido a conversa, Severus, não tenho nada a acrescentar. Tudo que eu disser você levará para o lado da maldade. Agora, se me dá licença eu gostaria de descansar. Sei que amanha terei que me explicar para Dumbledore."
Não sabia o que dizer. Queria perguntar alguma coisa. Queria que ele se explicasse. Queria, ainda, colocar maldade em todo o diálogo que ouvi entre eles e em suas explicações, mas meus pensamentos foram interrompidos por um miado alto.
"A gata do Filch", disse ele.
"E daí?"
"Deve ter encontrado Eric."
"Seu precioso namorado, não é? Acha prudente chamar os alunos pelo primeiro nome?"
Ele me ignorou. Foi em disparada para o local de onde vinham os miados. Devo confessar que fiquei admirado ao ver um homem que parecia tão cansado correr tão rápido. Fui atrás dele.
No local estava o idiota do Eric Wittig, Filch e Madame Nora. Filch olhou para mim com orgulho por sua captura. Ambos temos certo prazer em espalhar terror aos alunos. Eu acenei a cabeça para ele, aprovando sua captura. Depois fitei o garoto. Ele estava olhando para o chão até que viu Lupin, e seu rosto se iluminou. Não saberia dizer se seus olhos brilhavam de paixão ou alívio.
Foi o próprio lobisomem que quebrou o silêncio.
"Qual o problema, senhor Filch?" Notei que ele evitava olhar o rapaz.
"O problema, professor, é que encontrei esse aluno fora do dormitório após o toque de recolher."
"Ele estava comigo."
Grunhi debochadamente, mas não adiantou já que Lupin me ignorou completamente.
"Wittig estava comigo discutindo sobre as opções de futuro dele. Ele tinha minha autorização para se atrasar para o toque de recolher."
Filch parecia desapontado. Olhou para mim como se pedisse para eu ir a seu socorro.
"Mas, mas...", começou o zelador, mas o lobisomem o cortou:
"Acho que minha declaração é suficiente, não? Se não for, o professor Snape pode ser minha testemunha. Ele viu Eric saindo do meu escritório."
O garoto e Filch compartilharam o mesmo olhar abobalhado. Depois olharam para mim.
"De fato, foi assim que aconteceu", concordei de má vontade.
"Pode ir, Eric. Direto para a Torre ou ganhará uma detenção", ele falou para o aluno.
"Tchau, professor", despediu-se o garoto e saiu correndo com um sorriso de vitória no rosto.
Lupin voltou a aparentar cansaço e falou monótono:
"Se me dão licença, vou me retirar. Boa noite." E vagou de volta para o seu escritório.
"Bom, Filch, não dá para ganhar todas, mas continue a ronda no castelo", disse.
Ele acenou em concordância com a cabeça, pegou sua gata do chão, a colocando no colo.
"Vamos, madame Nora. Vamos encontrar outros alunos desobedientes..."
Assim que ele e a gata se distanciaram, eu corri atrás de Lupin. Acabara de ter uma ideia.
Continua... : )
OoOoOoOoO
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