Capítulo VI – A proposta
POV Remus Lupin
Que dia longo! Gostaria de cair da cama agora. Ou melhor, gostaria de não ter aberto a porta e recebido Eric.
Amanhã será um dia mais longo ainda. Vou ter que conversar com Dumbledore sobre o que aconteceu entre o aluno e eu. Realmente, não queria ver o diretor, nem seus olhos intimadores, mas não tenho opção. Severus fará de tudo para que eu seja expulso, agora que ele tem um motivo. Ele provavelmente deve estar indo ver o diretor agora. Deve querer vingança por causa da minha chantagem.
O cansaço e a distração me impediram de ouvir os passos de alguém no corredor. Assim que toquei a maçaneta eu o vi caminhando em minha direção. Ele estava me seguindo? Deveria já que tanto as masmorras como o gabinete de Dumbledore não ficavam nesse andar. Abri a porta e a mantive aberta enquanto ele se aproximava com suas passadas rápidas e elegantes. Ele entrou em minha sala sem dizer nada. Seu rosto também não dizia nada, o que não era uma novidade. Ele sempre é indecifrável.
Entrei após ele e fechei a porta. Severus já havia se sentado na cadeira, onde antes estivera Eric. Colocou um cálice em cima de minha mesa. Ah, então era isso. Ele veio me entregar a poção. Eu tinha me esquecido de ir buscá-la.
Escolhi me sentar na cadeira ao lado dele, ao invés da cadeira de frente para ele. Instantaneamente me arrependi de ter feito isso, pois ele se afastou de mim como seu tivesse uma doença contagiosa. Ignorei sua atitude e olhei para ele, esperando que falasse alguma coisa. Ele passou alguns segundos me olhando nos olhos antes de falar.
"Tenho uma proposta."
"Proposta?"
"Você, professor de Hogwarts, estava até tarde da noite com um aluno. Aluno este que está apaixonado por você. O que acham que vão pensar? Que você seduziu o garoto. Jogou uma arte das trevas nele para ele se apaixonar por você."
Eu tive que rir da estúpida ideia dele.
"Eu? Eu joguei um feitiço no garoto para ele se apaixonar por mim? Aliás, um feitiço das trevas?"
Ao contrário de mim ele não achou muita graça.
"É o que vão pensar, Lupin. Mesmo que Dumbledore te dê outra chance, os boatos vão existir. Você será manchete de jornal. Professor pedófilo molesta aluno. Posso até ver as cartas que vão chegar..."
Havia tanta crueldade em suas palavras que fiquei irritado.
"Chega! Está exagerando! Está até fantasiando! Isso é loucura. Sou professor e sei o meu papel. Jamais olhei para meus alunos de um jeito lascivo ou coisa do tipo. Jamais toquei neles com segunda intenção."
Ele abriu um sorriso sádico e falou calmamente:
"Então, se você preza sua imagem de professor sugiro que aceite a minha proposta."
Não gostei nada do sorriso dele. Estava começando a desconfiar dessa proposta.
"Que proposta é essa, Severus?"
"Não digo nada a ninguém e em troca você me faz um favor."
"Não vou me demitir e não sei onde está Black. Não tenho nenhum contato com ele. Não posso te oferecer nada."
"Não havia pensado em nenhuma dessas sugestões. Na verdade, eu quero algo mais especial..." Ele sorria de um jeito totalmente novo para mim, como se seu sorriso estivesse cheio de malícia? Luxúria? Um pouquinho de desejo?
"O que quer exatamente pelo silêncio?"
"Há um tempo atrás você me perguntou o que eu achava de lobisomens. Pois bem, eu acho lobisomens criaturas das trevas fascinantes."
Simplesmente não acreditava no que estava ouvindo. Ele me achava fascinante ou achava o lobisomem no qual eu me transformava fascinante? Devia ser o lobisomem já que ele não aceitou minha chantagem.
"O que quer dizer com isso?"
"Eu quero transar com você."
"Perdeu o juízo? Você quer transar comigo transformado, é isso? Tem noção do quanto isso pode ser perigoso? Pode ser até fatal! Não posso fazer isso."
"Eu não quero você transformado, Lupin!", ele rosnou. "Eu quero você humano."
Olhei totalmente aturdido para ele. Mentalmente agradeci por sentar sentado, pois se não estivesse teria caído. Minhas pernas começaram a tremer.
"O que disse?"
"Onde estão os seus sentidos sensíveis?" Ele estava levemente raivoso. Acho que sentia ainda mais irritação por eu ter que obrigá-lo a repetir. Ele inspirou uma boa quantidade de ar e falou lentamente: "Eu quero comer você. Quer que eu seja mais claro que isso?"
Eu sorri. Obviamente ele fechou a cara.
"Sabe... Começo a achar que eu realmente devo conhecer um feitiço das trevas para seduzir as pessoas." Ele ia me interromper, mas eu levantei a mão para impedi-lo. "Não sei como anda a sua memória, Severus. Mas há cerca de um mês atrás eu te fiz uma proposta precisamente igual a essa. E você, gentilmente, fingiu que aceitou para depois me recusar. Então... O que eu devo fazer agora? Ir até sua sala e pegar um antídoto para esse feitiço das trevas da sedução que eu joguei em você?" Terminei sorrindo, um sorriso de deboche, parecidíssimo com o que ele costumava me dar.
"A minha memória está ótima. Eu me lembro perfeitamente de você ter tentado me obrigar a transar. Entretanto agora sou eu que estou te obrigando a transar. Não vê a diferença?" Ia responder que não, mas ele continuou: "A diferença é que antes você que era o opressor. Você queria me impor algo, mas o que você não sabe é que ninguém, em mais de uma década, me obriga a fazer algo. Nesse momento eu sou o seu opressor. Sou eu que estou no controle. Entende?"
Entendi perfeitamente. Ele não gostava de receber ordens. Ele gostava de estar no controle. Ele queria comandar todas as situações, inclusive a transa. Mas apenas uma ideia ficou registrada em minha mente.
"Quer dizer que você queria transar comigo desde a primeira semana de aulas, mas me recusou porque era eu quem tinha proposto?"
Ele me olhou com raiva. Em seus olhos eu quase podia ver o preto ser consumido pela chama da ira. Pensei que ele fosse me enfeitiçar, me esmurrar, mas ele simplesmente assentiu.
"Sim."
Estava tão feliz que tive que sorrir, fazendo sua raiva aumentar.
"Ria enquanto pode, lobisomem. Você não sabe como é compartilhar uma cama comigo."
Continuei sorrindo.
"Vou adorar saber."
"Então você aceitou?"
"Seu silêncio por sexo?"
"Exato."
"Quantos dias?"
"Por que pergunta no plural? Só quero uma noite."
"Ah...", suspirei, meio desapontado.
"Então?", Snape incitou.
"Aceito."
"Ótimo." Ele se levantou e eu me sobressaltei.
"É agora?"
"Agora o quê?", Severus perguntou e há humor sádico em sua voz.
"Nada", respondi, encabulado.
O bruxo abriu um sorriso de deboche.
"Agora, hein? Estou te fazendo vários favores não, é? Não comentarei nada com ninguém e você ainda vai ter o que quer."
"O que nós dois queremos", disse e me levantei também.
Ambos caminhamos até a porta. Eu a abri para ele.
"Escolha o dia me avise."
"Domingo, o último dia antes da lua cheia." Ele atravessou o batente da porta. "Esteja descansado, Lupin. Acho que vou te fazer um tônico", falou ainda com o sorriso debochoso no rosto.
"Quando o tônico estiver pronto tome você também. Acho que vai precisar mais do que eu", disse e depois fechei rapidamente a porta, porque o sorriso dele estava se transformando em fúria.
Pensei que a porta iria receber um feitiço, mas nada aconteceu. Ele apenas disse:
"Boa noite, Lupin."
Vou para meu quarto sorrindo. Nunca pensei que essa noite fosse terminar de uma forma tão prazerosa. Enfim vou poder ter Severus em meus braços. Eu mal posso esperar até chegar domingo.
Continua... : )
OoOoOoOoO
Comentários da autora: Já judiei vocês demais com a demora, né? Mas fiquem calmas, no próximo capítulo, enfim, terá a relação sexual entre eles, tá? Aguardem! ; *
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