Capítulo com lemon.

Capítulo IX – Chocolate

O café da manhã já havia terminado, mas Remus continuava sentado na mesa dos professores, esperando Severus aparecer. Ele ainda não tinha visto Snape desde que o bruxo saíra do próprio quarto e fora até as estufas. Consultou o relógio, faltava cinco minutos para o início do primeiro tempo. Ele não podia mais esperar. Se levantou da mesa vazia e seguiu para a sala onde daria aula para a turma do terceiro ano de Gryffindor.

Seguiu desanimado até o terceiro andar. No corredor da sala alguns alunos já faziam fila para entrar. Pareciam bem dispostos e felizes com a perspectiva da aula, isso fez Lupin retribuir os sorrisos que recebeu enquanto passava por eles. Falou vários 'bom dia' e abriu a porta da sala de aula.

"Entrem, por favor."

Assim que o último aluno passou pela porta o professor a fechou e foi em direção a lousa. Depositou sua pasta em cima da mesa e se virou sorrindo para os garotos.

"Bom dia! Hoje a nossa aula será sobre barretes vermelhos. Primeiro eu darei uma aula teórica, explicando o que são, onde vivem, o que comem, como se relacionam e depois teremos a aula prática na qual indicarei quais os feitiços mais efetivos para combatê-los. Depois, é claro, testaremos os feitiços contra as criaturas. Mas agora eu gostaria que vocês copiassem o que vou escrever."

O professor pegou dois giz brancos que estavam em uma caixa em cima da mesa e começou a escrever no quadro negro. Assim que se virou os alunos começaram a conversar e rir. O lobisomem não se importava com isso, desde que eles fizessem silêncio enquanto ele explicasse a matéria. E eles sempre permaneciam quietos e atentos enquanto ele falava.

Remus tinha terminado de escrever na primeira parte da lousa, ia começar a escrever na segunda quando ouviu a porta se abrir com força exagerada. A porta fora empurrada com tanta força que bateu na parede. Tudo bem, pensou. Talvez um aluno retardatário tenha exagerado na força ao abrir a porta. Remus voltou a escrever. Mas algo estranho havia acontecido. O murmurinho vindo dos alunos parou. Os risos, as conversas, tudo. Eles estavam completamente calados. Curioso Lupin se virou para trás para ver o que causara esse efeito neles. Olhou para os alunos, todos estavam virados para trás, as cabeças em direção a porta. Acompanhando o olhar deles Lupin teve um choque gostoso ao ver o mestre de Poções emoldurado no batente da porta.

Severus estava com sua usual expressão de indiferença no rosto. Mas seus olhos estavam maldosos, ainda mais quando olhava para os alunos. Depois de lançar um olhar especialmente malévolo em Longbottom ele encarou o lobisomem.

"Professor Lupin, eu gostaria de lhe dar uma palavra."

Remus se controlava para não sorrir demais, já que era inevitável não sorrir. Snape havia vindo atrás dele. Isso era uma surpresa gostosa demais.

O lobisomem permaneceu em silêncio, o que irritou o professor de Poções.

"Está com algum problema de audição, Lupin? Não ouviu o que eu disse? Quero falar com você. Agora."

Remus desfez o sorriso para combinar com a encenação que o amante fazia. Porque Lupin sabia que as palavras rudes dele eram uma encenação.

"Espere lá fora, por favor. Já vou falar com você, professor Snape."

O mestre de Poções se virou, fazendo suas vestes negras esvoaçarem atrás dele e saiu da sala fechando a porta.

Lupin olhou para os alunos. "Continuem copiando, sim? Volto em alguns instantes", disse e saiu da sala.

Severus observou a porta se abrir e ficou contemplando Remus. O lobisomem parecia tão perfeito. Seus cabelos castanhos amarelados tinham a mesma cor dos olhos, a boca rosada, o nariz perfeitinho. Snape ainda estava admirando seu amante quando o ouviu.

"O que aconteceu? Por que não apareceu no café da manhã?"

"Aquelas graciosas plantas me deram mais trabalhos do que de costume", disse e levantou as mãos. Nelas podia se ver algumas marcas avermelhadas provavelmente produzidas por queimaduras de folhas.

"Lamento por isso."

"Não foi nada", falou com pouco caso, então levou a mão direita ao bolso da calça e retirou um tubo de ensaiado fechado contendo líquido cinzento dentro. Estendeu a mão com o tubo para Remus. "Quero que fique com isso."

Lupin reconheceu a poção para dor.

"Está tudo bem. Não está dolorido."

"Tome a poção, Remus. Para eu não sentir remorso."

Lupin sorriu e pegou o tubo de ensaio.

"Obrigado por se preocupar comigo."

Severus colocou a mão na bochecha do lobisomem. Contornou com os dedos uma cicatriz salientada.

"Você é lindo, Remus", disse. Ao mesmo tempo, o professor viu um detestável garoto de olhos verdes e cabelos pretos rebeldes correndo até eles.

Harry olhava os dois professores com horror. O que Snape estava fazendo com o seu querido professor de Defesa Contra as Artes das Trevas? Temeroso o garoto parou a poucos passos dos dois.

Severus rapidamente retirou a mão do rosto do amante e lançou um olhar irritado para o garoto.

"Você não devia estar em sala de aula, Potter? Ou é tão bom que não precisa mais assistir as aulas?"

"Severus...", falou em censura Remus.

Harry ignorou o professor de Poções.

"O senhor está bem, professor Lupin?"

Remus se virou na direção do aluno.

"Está tudo bem, Harry."

O garoto olhou para o vidrinho que Lupin segurava, então olhou para Snape que parecia mais mal humorado do que o normal. Colocou a mão em cima do bolso, bolso que guardava sua varinha.

"Está tudo bem mesmo, professor?"

A insistência do aluno foi demais para Severus, que explodiu:

"O que tem em mente, Potter? Pensa que vou envenenar ou atacar Lupin se você não estiver presente para protegê-lo? Me poupe de suas sandices, garoto. Com um único feitiço derrubo vocês dois."

Harry se sentiu desafiado. Queria mesmo duelar com Severus. Estava movendo a mão em direção a sua varinha quando sentiu uma mão em seu ombro. Olhou e viu que era Remus.

Lupin sorriu para seu aluno.

"Está tudo bem, Harry. Não se preocupe. Entre na sala de aula. Hermione e Rony já estão lá dentro."

Potter relaxou um pouco.

"Vai ficar bem professor?"

"Sim, eu vou. Pode ir."

Harry lançou um olhar de ódio para o professor de Poções, abriu a porta da sala de aula e entrou.

"Era só o que me faltava! Potter também está apaixonadinho por você! Que droga de feromônio é esse que você tem que deixa todos os seus alunos atraídos?"

Lupin sorriu e avançou em direção a Severus.

"Deve ser um ferormônio muito especial, já que foi capaz de te atrair...", disse e beijou o grande nariz de Snape.

O mestre de Poções também sorria, mas enviesado. Agarrou o casaco que o lobisomem usava com as mãos e o empurrou em direção a parede. Depois colou seu corpo no dele, estava avançando os lábios em direção a boca de Remus quando o ouviu:

"Estamos no corredor, Severus. Alguém pode nos ver."

Snape desviou dos lábios de Lupin, para morder o queixo do lobisomem.

"Eu não tenho nada a esconder, Remus. Nosso relacionamento é totalmente legal. Não devemos nada a ninguém."

"Mas isso aqui ainda é um colégio."

Severus agora mordia o pescoço de Lupin.

"Acha que esses moleques insuportáveis também não transam? Devem fazer o tempo todo..."

Remus sorriu.

"Pensei que a nossa despedida tinha sido pela manhã."

"Ainda estamos pela manhã, lobisomem."

Lupin guardou o frasquinho com a poção no bolso. Com as mãos livres ele as colocou no rosto de Snape, posicionando-o para que ficasse de frente ao seu. Contornou com a língua os finos lábios de Severus. O mestre de Poções separou os lábios de bom grado e Remus penetrou sua língua na boca dele. Eles ficaram se beijando durante alguns minutos. Um beijo intenso e ao mesmo tempo calmo. Cada língua queria reconhecer cada cantinho da boca do outro, mas quando elas se encontravam iniciavam movimentos de carícias enérgicos.

Foi Severus que terminou o beijo.

"Precisamos voltar para nossas salas de aulas."

"Infelizmente...", concordou Lupin.

"Espero que não tenham colocado fogo em minha masmorra durante esse tempo que fiquei ausente."

Remus sorriu.

"Confie mais em seus alunos. Eles tem um professor fantástico."

Snape beijou a testa do amante. Lupin segurou as mãos do amante.

"Te vejo daqui há uma semana. Pode ir me encontrar assim que a Lua Cheia sair do céu e o Sol nascer."

"Ou poderia te encontrar antes..."

"Nada disso, Severus. É perigoso. Me odiaria eternamente se eu mordesse você. Me prometa que só nos veremos daqui há exata uma semana."

"Eu prometo, Remus."

Lupin deu um sorriso para o amante.

"Vou pensar em você todos esses dias."

Snape não disse nada.

Ainda sorrindo, o lobisomem comentou:

"Acho que você perdeu o momento de dizer Eu também ficarei pensando em você, Remus."

"Você sabe que ficarei pensando em você."

"Sim, eu sei, mas é bom ouvir também."

Severus abraçou o lobisomem e sussurrou bem próximo de sua orelha.

"Pensarei em você a cada minuto em que estivermos separados, Remus."

Lupin sentiu um forte calafrio descendo por sua coluna.

"Eu também, Severus. Eu também."

Sorrindo enviesado ele soltou os braços que prendiam Remus. Beijou novamente a testa do amante e questionou:

"A gente se encontra na hora do almoço?"

"Eu adoraria."

"Vou estar em meu escritório", falou e caminhou para longe de Lupin. Não olhou para trás uma única vez enquanto cruzava o corredor e sumia da vista de Remus.

O lobisomem respirou fundo. Ajeitou suas roupas e entrou novamente em sua sala de aula.

OoOoOoOoO

Na madrugada do último dia de Lua Cheia Severus não conseguia dormir por causa da ansiedade. Deitado em sua cama ele apenas se remexeu, já que não conseguiu pregar os olhos. Acendeu a luz e viu a hora no relógio: 3 e 45. A Lua com certeza ainda brilhava no céu. Mas ele já não aguentava mais ficar dentro daquele quarto. Ele decidiu esperar pelo seu amante mais próximo a ele. Trocou o pijama por sua túnica de muitos botões, camisa branca e calça preta, depois colocou uma capa negra por cima as vestes. Estava bastante frio. Abriu a porta do quarto e marchou até o terceiro andar onde estava a sala do lobisomem.

No corredor do escritório de Remus Snape sentia um frio na barriga como há muito tempo não sentia. Expectativa, ansiedade, paixão, loucura... Tudo misturado em um único sentimento. Ele encarava a porta de madeira. Ia estender a mão para tocar a maçaneta quando lembrou do juramento que fizera a Lupin. Só iriam se ver quando Remus estivesse na forma humana. Ele estremeceu ao recordar do amante na forma de lobisomem. Já havia ficado frente a frente com o lobo uma vez há muito tempo atrás. Fora assustador demais e quase custara sua vida.

Olhou em volta para o corredor vazio e silencioso. Teria que esperar o Sol nascer. Sentou-se no chão com as costas na parede. Em frente a parede tinha uma janela. O céu era um breu sem fim. A Lua Cheia brilhava poderosa do céu. Com certa irritabilidade Severus percebeu que levaria mais umas três ou quatro horas para o Sol nascer.

Em algum momento enquanto encarava a janela Snape deve ter cochilado. Abriu os olhos e olhou para o céu. Não estava mais escuro. No horizonte ele conseguia ver os raios fortes e amarelados do Sol. Animado ele se levantou rapidamente do chão. Caminhou até a janela para poder procurar melhor a Lua. Vasculhou o céu, mas não encontrou nada prateado por lá. A Lua com certeza tinha ido embora.

Severus olhou com expectativa para a porta. Caminhou até lá e tocou na maçaneta. Com a outra mão pegou sua varinha. Juntou coragem e abriu a porta. O escritório de Remus era retangular. Tinha uma grande escrivaninha com vários pergaminhos empilhados em cima dela. Nos armários e prateleiras haviam gaiolas, aquários e caixas de vidro com pequenas criaturas das trevas. O lugar estava pouco iluminado apesar das janelas estarem abertas. Snape não encontrou Lupin ou o lobisomem, o que era bom sinal. Se o lobo não estava a vista era porque já tinha ido. Resolveu chamar o amante enquanto dava passos para dentro do recinto.

"Remus?"

"Hmm...", ganiu Lupin.

O rosto de Severus perdeu a cor. Lupin havia se machucado? Ele olhou em volta novamente. Nada parecia quebrado ou mordido. Tudo estava normal. Ele caminhou mais um pouco pela sala. Então viu o amante totalmente despido deitado no chão em frente a janela. Ele correu até lá, guardou a varinha no bolso da calça, depois tirou a capa e cobriu o amante. Com ele já embrulhado pelo manto preto Severus o ergueu do chão.

"Remus, você está bem?"

Lupin abriu os olhos castanhos claros para o amante e deu um sorriso fraco.

"Então não era sonho. Você realmente estava me chamando."

Snape sorriu enviesado para ele.

"Estou sempre chamando por você, lobisomem."

"Obrigado. Pode me soltar, eu consigo me manter de pé", pediu.

Severus retirou os braços, que antes estavam segurando firmemente a cintura do Lupin. Remus se enrolou mais na capa negra de Snape. Se afastou dele e olhou para a janela em que segundos atrás ele estivera caído.

"Lamento por isso, Severus. Lamento muito ser lobisomem. Eu queria poder ser perfeito para você."

"Mas você é perfeito para mim."

"Quem diria? Severus Snape é capaz de dizer palavras gentis. Impressionante!", zombou ainda fitando a janela. "Mas gentilezas a parte, nada vai mudar o fato de que eu não vou estar disponível para você durante uma semana em todo mês. Já pensou nisso? Gostaria que pensasse nisso, Severus. Pense bem e se quiser romper nosso relacionamento entenderei perfeitamente."

Snape colocou a mão no ombro do outro, com um movimento brusco puxou o lobisomem para que ficasse de frente para ele.

"Se você quer terminar comigo seja claro e fale olhando para mim. Não me venha com essa historinha ridícula de que não vai estar disponível durante uma semana. Que palhaçada é essa? Acha que eu não sei disso? Acha que eu não sei que você é lobisomem? Sei da sua doença desde que eu era adolescente, seu imbecil!"

"Sim, mas você nunca precisou ter que conviver com isso. Pense, Severus, quer mesmo se relacionar com alguém que simplesmente não pode estar com você em uma semana? E se a Lua Cheia cair no seu aniversário? Ou sei lá, no nosso aniversário de namoro? Você ficará feliz com isso? É capaz de aceitar isso?"

"Estou me lixando para essas datas tolas. E daí que não terei uma semana? A gente pode recuperar o tempo perdido", falou e sorriu de malícia. "Eu já estaria recuperando o tempo perdido se você não tivesse começado a falar essas asneiras."

"Eu só acho que você precisa saber com o que está realmente lidando, Severus. Eu perco 84 dias do ano por causa da minha licantropia. Se o seu ano tem 365 dias o meu tem apenas 281."

"Entendi. Entendi perfeitamente. Você não me quer mais..."

"Não diga isso, Severus. Eu te amo. Eu te amo tanto que estou querendo abrir seus olhos. Talvez... Talvez eu não seja o melhor para você."

"E quem você pensa que é para fazer escolhas por mim, lobisomem?", indagou com a voz baixa e letal.

"Eu só quero seu bem, por isso estou te alertando."

"Eu compreendi. Seu ano só tem 281 dias. Eu não me importo. Já te falei que podemos recuperar esse tempo."

Eles ficaram em silêncio. Remus olhava para o chão sem saber o que dizer e Severus para a janela, aguardando uma resposta. Como o lobisomem permaneceu sem falar o Slytherin disse:

"Eu te falei que se relacionar comigo era uma ida sem volta."

Lupin continuou calado. Então Snape voltou a falar. "Eu não pretendo abrir mão de você, mesmo que você não me queira mais. Eu sou bruxo perigoso, Remus. Um bruxo das Trevas para ser mais específico. Fui discípulo do Lord das Trevas por bastante tempo. Posso te manter sob Imperius durante décadas."

O lobisomem não conseguiu manter a feição séria. Severus estava realmente o ameaçando só porque queria ficar com ele? Sorrindo ele questionou:

"Deseja tanto assim ficar comigo? A ponto de me deixar sob uma Imperdoável?"

"Eu te avisei explicitamente uma semana atrás. Se relacionar comigo é uma relação para a vida toda. Eu não tolero desistências."

Remus sentia os olhos úmidos.

"Eu nunca mais vou desistir ou titubear... Eu te prometo, Severus. Vou ficar com você por livre e espontânea vontade até o meu fim."

Snape relaxou. É claro que ele não estava de fato cogitando lançar Imperius em Remus. Forçar alguém em um relacionamento é repulsivo, é hediondo. Ele jamais faria isso, ainda mais com o lobisomem que ele estava começando a amar.

"Vem cá..." Pediu e abriu os braços.

Lupin se jogou nos braços de Severus.

"Eu te amo, Severus. Eu te amo tanto..."

"Então não me diga mais essas idiotices", falou enquanto apertava o corpo de Remus contra o seu.

"Não direi. A partir de você só direi o quanto eu te amo."

"Só dizer? Eu quero provas... Provas concretas...", disse e sua voz era tingida de luxúria.

"Semana passada. Antes do café da manhã... Você me disse que eu poderia escolher o que faríamos hoje, se lembra?"

"Planejou alguma coisa, lobisomem?"

"Ah, sim. Eu com certeza planejei."

"O que quer fazer?"

"Primeiro vamos ao meu quarto."

Severus soltou Remus. "Onde fica?"

Lupin segurou a mão de Snape e o conduziu pela sala até uma porta de mogno. A abriu e convidou:

"Entre."

Severus entrou no quarto de Lupin. As paredes estavam pintadas de azul claro. Havia um armário de mogno perto da janela, várias pilhas de livros pelo chão, uma cama de casal com lençóis azul marinho, ao lado um criado mudo e em cima dele algo parecido com uma panela elétrica muggle.

Remus fechou a porta e começou a apalpar os bolsos de Snape.

"O que está fazendo?", questionou Severus.

"Sua varinha. Onde está?"

"E para quê precisa dela?"

"Só vou fazer um feitiço. Relaxe."

"O feitiço para retirar a roupa dos outros?"

"Esse mesmo."

"Autoria própria?", indagou Snape impressionando.

"Sim. Elaborei esse feitiço em meu último ano em Hogwarts."

Uma pequena onda de ciúmes assolou Severus. Com quem ele usava esse feitiço? Com Black? Tanto faz, não seria nada prudente falar no fugitivo de Azkaban nesse momento, pensou. Ele pegou a varinha e a entregou para o lobisomem.

"Obrigado", disse enquanto segurava a varinha e apontava para Snape. Executou o feitiço não verbal e as roupas de Severus desapareceram de seu corpo. "Deite-se na cama agora."

Snape foi até a cama de Lupin e se deitou nela.

Remus se aproximou da cama. Lançou um feitiço no recipiente que parecia uma panela. A pequena panela começou a exalar vapores de um cheiro doce característico. Lupin sorriu satisfeito e virou seu olhar para fitar seu amante. Os cabelos negros e oleosos de Severus estavam um pouco bagunçados, seus olhos igualmente negros brilhavam de excitação e a boca estava retorcida em um sorriso enviesado. Sua pele apresentava uma palidez doentia, mas Remus adorava. O corpo totalmente magro não tinha cicatriz alguma, outro fato que Lupin amava. E Snape ainda tinha os ombros largos, o peito e abdômen definidos.

"Você é perfeito, Severus."

O mestre de Poções discordava totalmente. O único perfeito dentre eles dois era Lupin, mas ele não queria iniciar uma discussão sobre isso. Então mudou de assunto:

"Era isso que queria fazer? Ficar apenas me vendo?"

Remus sorriu com o mau humor de Severus.

"Não, definitivamente não é isso o que eu quero fazer. Quer dizer, eu adoro te ver, mas quero fazer mais do que só ver."

"Estou pronto se você estiver."

"Feche os olhos."

"Surpresas? Adoro surpresas...", comentou irônico.

"Feche os olhos. Será uma surpresa gostosa. Literalmente."

Snape lançou um olhar mal humorado para o amante e depois fechou os olhos.

Lupin sorriu. Abriu a gaveta do criado mudo e pegou uma colher. Levou a colher até a panela que estava repleta com um líquido viscoso marrom. Encheu a colher e despejou o conteúdo do líquido em cima do abdômen de Severus.

Snape simulou uma careta de dor.

"Isso está quente!" Então sentiu melhor o aroma característico do líquido que havia sido colocado nele. "Chocolate."

Remus pegou um pedaço de chocolate sólido e colocou na boca do amante.

"Não reclame."

Severus mastigou o doce e ainda com a boca cheia falou:

"Mas está quente demais..."

Lupin passou o indicador no chocolate que estava sob o corpo de Snape e em seguida provou o doce.

"Não está quente demais. Está morno", explicou e encheu mais uma colher e espalhou no peito do amante.

Severus novamente fingiu estar sentindo dor.

"Pare com isso, Severus. Eu não quero te infligir dor. Se isso está realmente te machucando eu vou parar."

Snape abriu os olhos e fitou o amante que parecia zangado.

"Seja menos bonzinho, Remus. Todas as vezes que transei com você foi sem lubrificação. Você tem todo o direito de me machucar."

"Mas eu não quero. Está muito quente ou não?"

Severus fechou os olhos. Remus era gentil demais, carinho demais... E assustadoramente Snape estava adorando isso.

"Continue."

Lupin pegou mais uma colher cheia e a jogou em cima do membro de Severus.

Snape gemeu leve e dessa vez não foi de fingir dor. Foi um gemido genuíno de prazer.

Remus observou sua obra de arte com um sorriso travesso. Severus coberto de chocolate deitado em sua cama. Nenhuma fantasia poderia ser melhor que isso. A boca do lobisomem salivava.

"Eu poderia devorá-lo."

O moreno abriu os olhos e fitou Lupin. Seus olhos âmbar brilhavam de um jeito selvagem. Remus passou a língua pelos lábios. Parecia que ele estava realmente com fome e Snape seria sua refeição.

"Literalmente ou figuradamente?"

"Os dois", respondeu enquanto subia na cama ao lado de Severus e começava a lambê-lo. Snape fechou os olhos. A língua de Lupin passeando por todo seu corpo estava uma delícia.

Delícia. A mesma palavra Remus usava para descrever o gosto do chocolate. E, se é que era possível, o doce estava mais gostoso do que o normal já que Severus o temperava. Lupin passou a língua por todo o peito e barriga do amante, retirando o doce. Quando o tórax de Severus estava totalmente limpo ele desceu o rosto.

Olhando para Severus, que estava de olhos fechados e com uma expressão de prazer no rosto, o lobisomem lambeu o membro do amante. Snape apertou os olhos, ainda fechados, e gemeu o nome do de Lupin:

"Re-mus..."

O lobisomem sorriu e continuou passando a língua pelo órgão de Severus. A ereção de Snape aumentava a cada novo movimento da língua de Lupin. Depois de algumas lambidas todo o chocolate já tinha sido consumido por Remus.

Quando o membro de Severus estava totalmente intumescido o lobisomem separou os lábios e o engoliu. Snape gemeu alto e involuntariamente impulsionou o quadril para frente. Ele queria toda sua ereção dentro daquela boca.

Lupin se limitou a tentar não engasgar, já que a glande de Severus roçava sua garganta. Ele segurou firmemente as coxas de Snape e começou a movimentar a boca para cima e para baixo. Ficou uns instantes fazendo esses movimentos lentos, mas a voz exigente de Severus pediu por mais.

"Mais rápido, Remus."

O lobisomem atendeu ao pedido do amante. Acelerou os movimentos de vai e vem.

Severus agarrava os lençóis com as mãos. Estava muito bom. Não! Estava fantástico.

"Ah... Remus...", gemeu extasiado.

Estimulado por ter ouvido seu nome ser murmurado nesse timbre tão sexy e lindo, Lupin acelerou ainda mais os movimentos. Foi preciso menos de um minuto nesse ritmo para Snape chegar ao orgasmo na boca do lobisomem.

"Remus!", gritou Severus ao chegar ao clímax.

Lupin retirou a boca do membro de Snape. Olhou para o amante que arfava e sorriu. Era a primeira vez que tinha ouvido Severus gritar. Remus tinha adorado ouvir Snape gritar.

Severus abriu os olhos e fitou seu lindo lobisomem. Seus olhos negros cintilavam de prazer.

"O que vai fazer agora?"

Lupin ainda sorrindo respondeu.

"Acho que vou fazê-lo gritar mais."

Snape sorriu enviesado.

"É uma promessa?"

"Será um fato. Vire-se", ordenou.

Severus observou o amante intensamente, como se analisasse se ia mesmo aceitar receber uma ordem. Depois de poucos segundos refletindo ele fez o que Remus mandou. Se havia algum bruxo na Inglaterra que podia dar ordens para Snape, esse bruxo era Lupin.

Remus se sentou na cama. Esticou o braço até o criado mudo e pegou a colher. A encheu com mais um pouco de chocolate e esparramou o doce nas costas do amante. Lupin viu os pelos de Severus se arrepiarem. Sorrindo, depositou a colher novamente no criado mudo, depois se inclinou até as costas de Snape e passou a língua por ela. Lambeu toda a região até todo o chocolate ter sumido. Snape emitia pequenos gemidos de satisfação ao se sentir devorado pelo lobisomem.

Quando as costas de Severus estavam novamente pálidas e sem o doce Remus esticou o braço e pegou um tubo de dentro da gaveta do criado mudo. Espremeu o tubo de gel lubrificante na palma da mão, em seguida lambuzou o indicador com o gel e penetrou o dedo em Severus.

Snape se contraiu. Definitivamente não gostava de ser penetrado, mas... Era Remus. O lobisomem poderia fazer o que desejasse com ele.

"Relaxe. Sabe que não vou te machucar."

O bruxo moreno permaneceu quieto. A sensação não era dolorida, mas não era das mais confortáveis.

"Não sabe, Severus? Jamais te machucarei."

Snape sorriu enviesado.

"E se eu pedir que me machuque?"

Remus começou a mover o dedo dentro do amante, entrando e saindo.

"Se você me pedir eu terei que atender ao seu pedido."

"Então vamos rápido com isso. Esses movimentos lentos são nada excitantes..."

Lupin acelerou os movimentos de vai-e-vem.

"Assim está melhor?"

"Mais, Remus..."

O lobisomem sorriu e retirou o dedo de dentro do outro. Lambuzou o dedo médio com o gel e penetrou os dois dentro de Severus.

Snape gemeu baixinho ao sentir a dupla invasão.

Lupin começou a mover os dos dois, indo e vindo, lentamente. Abria os dedos dentro de Severus a fim de relaxá-lo mais. Ficou se movendo assim uns segundos, depois acelerou os movimentos.

"Chega de preparação, Remus", falou fingindo mal humor.

"Concordo. Vire-se para mim, Severus. Quero te ver", pediu e retirou os dedos de dentro do amante.

Snape rolou na cama, deitando-se de costas, depois fitou o amante. Lupin estava sentado em cima dos joelhos. Vestia apenas a capa negra, seu tórax e abdômen repletos de cicatrizes estavam expostos. Seu rosto estava ruborizado pela excitação. Moldando sua face avermelhada os cabelos âmbar e alguns fios prateados caiam até a altura do pescoço.

"Vem...", incitou Severus.

Remus sorriu e ficou de joelhos na cama, em seguida se posicionou em frente a Snape. O moreno colocou as pernas em volta da cintura do lobisomem. Lupin passou a mão, que ainda continha gel, por sua ereção. Com o membro bem lambuzado ele olhou para Severus com expectativa.

Snape sorriu enviesado.

"O que está esperando? Um convite para me penetrar?", questionou em tom debochado.

Lupin ainda sorrindo aproximou sua ereção do corpo de Severus, depois lentamente penetrou o bruxo. Remus fechou os olhos. A pressão que o corpo de Snape exercia sobre seu membro era grande demais. Era uma delícia! Quando entrou totalmente dentro de Severus ele uivou baixinho.

Snape observava a feição do amante. Ele estava totalmente relaxado de prazer. Remus ficava tão lindo assim. Remus ficava tão lindo quando uivava.

Lupin abriu os olhos e encontrou os negros cravados em seu rosto.

"Está desconfortável?"

"Nenhum pouco", mentiu Severus.

"Posso me mover?"

"Por favor."

O lobisomem saiu lentamente de dentro do corpo de Snape, depois voltou a preenchê-lo de forma igualmente lenta.

"O que eu falei sobre movimentos lentos, Remus? Eu não gosto."

"Mas eu sim", disse e repetiu o mesmo movimento devagar.

"Ah...", gemeu Severus.

Lupin sorriu.

"Atingi um ponto especial?"

"Faça isso de novo", ordenou.

Remus saiu lentamente, mas quando o penetrou, fez o movimento com força.

"AH!", gemeu alto.

O sorriso do lobisomem aumentou.

"Não disse que te faria gritar novamente?"

Severus também sorria. E quando Lupin começou a se mover com mais agilidade seu sorriso cresceu. É óbvio que os movimentos mais rápidos doíam, mas Snape gostava da dor. E quanto mais acelerado Remus estocava, mais vezes o membro de Lupin tocava no ponto especial dentro de Severus.

O lobisomem continuou estocando vigorosamente. Quando sentiu que já não aguentaria mais, ele se inclinou até seu rosto estar em frente ao de Snape. Capturou os lábios de Severus em um beijo enquanto ejaculava dentro dele.

Os gemidos dos dois ao chegarem ao orgasmo ficaram em suas bocas, enquanto se beijavam de um jeito apaixonado.

Lupin saiu de dentro de Snape. Finalizou o beijo e se deitou em cima do corpo de Severus. Se aninhou no peito do moreno, que subia e descia rapidamente..

Os dois ficaram em silêncio e apenas normalizando suas respirações durante algum tempo. Quando Snape não respirava mais com dificuldade passou os braços pelas costas de Remus, o abraçando.

"Hoje é segunda-feira?", indagou Lupin.

"Sim."

"Temos que dar aula então."

"Suponho que sim."

"Que horas são?"

"Não faço ideia", disse apático.

Remus se levantou e saiu da cama. Ainda com a capa amarrada as suas costas ele foi até o criado mudo e vasculhou a gaveta em busca de um relógio. Quando o encontrou ele exclamou.

"Oito horas, Severus! Vamos nos atrasar...", disse e correu até o armário. Abriu as portas e passou os olhos pelos cabides procurando uma veste.

Snape se levantou devagar da cama. A verdade é que estava se lixando para o horário. Em todo seu tempo de docência não se atrasara uma única vez. E os nojentos dos seus alunos iam ficar até felizes se ele não aparecesse para dar aula. Caminhou até o armário no qual Remus procurava uma roupa. Abraçou o lobisomem por trás e sussurrou em seu timbre mais suave:

"Acho que te amo." Se declarou e depois beijou o pescoço de Lupin.

Remus tremeu. Muitos calafrios desceram por sua coluna, fazendo todos os seus pelos se eriçarem. Ele virou o corpo, parando em frente ao amante.

"Eu te amo, mas isso você já sabe."

Eles ficaram se olhando durante um longo tempo, então Lupin se lembrou que estavam atrasados.

"Vá se vestir, Severus. Temos que dar aula."

Com uma mão Snape segurou o queixo de Remus, enquanto a outra ainda abraçava firmemente sua cintura. Ele fechou os olhos e avançou em direção aos lábios de Lupin. Se beijaram de um jeito carinho e intenso.

OoOoOoOoO

Remus ficou apenas um ano como professor de Hogwarts, graças a maldição de Voldemort. Mas isso não impediu que o relacionamento entre ele e Severus continuasse. Na verdade nada impossibilitou o namoro deles. Nem mesmo o retorno de Sirius Black. Ainda que em um momento de puro ciúmes Snape comentou com os alunos de sua casa sobre a "doença" de Lupin. Remus perdoou o bruxo por esse deslize. O lobisomem tinha ciência de que seu emprego duraria apenas um ano e, considerando o que aconteceu com os outros professores de Defesa Contra as Artes das Trevas ele se sentiu muito sortudo. Tivera a oportunidade de ficar bastante tempo com Harry, tinha, enfim, conquistado sua paixão desde a época que era adolescente e Sirius tinha conseguido fugir do beijo do dementador. Fora um ano excelente!

Ainda que relutasse Severus deixou o passado totalmente para trás. Não importava mais para ele que Remus era Gryffindor ou que foram "rivais" na época de colégio. Nada no passado importava. Ele só queria saber do presente e futuro gloriosos com seu amado lobisomem.

Fim?

OoOoOoOoO

Comentários da autora: Viu? Viu? Rosana também pode fazer Snupin com final feliz. ; )

Enfim... Só quero agradecer as minhas queridas que ficaram comigo até o fim dessa tumultuada fanfic. J., Mel e Vy muito obrigada por lerem! ; *

Sério. Estava relendo essa fanfic hoje e notei como ela é irregular! Comecei escrevendo em terceira pessoa, depois passei para a primeira e, de novo, voltei para terceira pessoa. Acho que escrever em terceira pessoa é bem mais fácil. Enfim.. Deixa eu parar de falar, né?

Espero que vocês tenham curtido o final. Até a próxima! Espero revê-las em outra fanfic! ; *

Reviews? Reviews? Reviews?

Por favor? Por favor? Por favor?

Não sabe o que escrever? Quer uma sugestão? Me manda um smile (: D). Sério. Adoro smiles e vocês me deixariam muito feliz se me mandassem um review. Me mandem? Por favor? ; )