"Aquela coisa com o dedo, como é que fizeste?" Castle pergunta, querendo fazer igual. "Acho que todos conseguem fazer isso." Castle pensa: "Se este miudinho tem pelo menos sete anos, a irmã é mais pequena. A irmã deve estar feliz, como todas as crianças." "Hei, desculpa. Ainda não te disse… sou Richard, Rick Castle." Castle diz-lhe enquanto lhe estendeu a mão para o cumprimentar. "Christopher Stuart Martin." Ele diz depressa para não se esquecer e apertando bem a mão de Castle. Quando Castle retira a mão, passa-lhe o dedo na palma da mão e o rapazinho começa a rir.

"Talvez nunca mais estale os dedos! Ou se calhar estalo, mas mais daqui a pouco…" Castle pensa para si. O menino corre, salta, canta e ri, e Castle sente-se feliz por ter feito uma boa acção. Passado algum tempo, Castle estala os dedos mas o garoto continua a cantarolar. "Eu não lhe fiz nada? Se calhar, passou muito tempo! Mas, não faz mal, ele está feliz." Castle pensou sorrindo. "Hei, Chris, como é que se sai daqui?" "Já lhe disse, aquela luzinha lá ao fundo. Mas tem que ser rápido ou ele desaparece." "Como assim "desaparece"?" "Disseram que temos um tempo para chegar à luz, para uns mais do que outros…"

Castle vê-se embaraçado mas tem de lhe perguntar: "A…a tua luz…já…já…já desapareceu?" "Eu nunca mais a vi." "E… e como é que vieste aqui parar?" "Estava a brincar no parque com a minha irmã Amber e depois atirei a bola de basebol para muito, muito, muito longe e a minha irmã chorou para que eu a fosse buscar, dizendo que não ela ia. Eu fui buscá-la à estrada mas não vi o carro..." Castle engole em seco ao construir aquele episódio na mente.

"Olhe a luzinha. Entre." Castle pára. Aquela criança é tão pequena, não merece morrer e deixar os pais e a irmãzinha que ele adorava. Castle não se conseguia, nem queria, se imaginar na posição daqueles pais. Se ele algum dia perdesse a Alexis… ele não conseguiria viver. "Chris disseram-te que só podias entrar na tua luz?" "Não." "Corre." O menino fica a olhar para ele. "Vai Chris, usa a minha luz." O garoto atira-se ao pescoço de Castle a chorar. "Vai Chris. Vai lá." Castle pega nele e larga-o perto da luz. "Vai ficar sozinho…" Ele diz fungando. "Há-de haver outra luz para mim. Adeus Chris." O pequeno parte, acenando-lhe.

Castle olha e a luz começa a diminuir lentamente. Castle cai de joelhos no chão, agarrando-se ao peito, apertando a camisa. Sentia como que choques no coração, cada vez mais fortes. E a luz continuava lá, quase só um ponto. Castle aproveita a oportunidade e rasteja até lá, tentando entrar.