Secret Love
Capítulo II – Reação
Uruha vai para o bar do hotel, mas como é cedo, está praticamente vazio, a não ser por alguns bêbados e uma velhota com ar de solitária. Percebe que chama a atenção de todos, inclusive do barman, que o observa de cima a baixo, entretanto está tão concentrado no seu problema que nem se preocupa com a razão. Pensa somente no que houve... Sobre o beijo que Aoi lhe dera, o fato dele ter falado o que sente e que gosta de ler aquelas histórias onde fazem de tudo...
"Meu deus... E ele estava excitado!" – O loiro morde o lábio inferior, se remexendo na cadeira, sentindo certo incômodo, somente então percebendo que está de regata velha e short sem cueca. Fica vermelho de vergonha, percebendo a razão de todos o olharem, mas finge nem ter notado. – Mais um sakê, por favor.
O barman pára diante dele, os cotovelos sobre o balcão, um sorrisinho estranho nos lábios finos.
- Algum problema... Amigo? – Fala com uma voz mansa de conquistador barato.
Uruha o encara intrigado, não se recordando de já ter visto esse sujeito antes, muito menos de ser 'amigo' dele... Faz sinal para o fulano passar a nota do hotel para assinar, pega seu copo e senta numa mesa mais reservada, onde possa pensar em paz.
Fica por ali por um bom tempo, mesmo sabendo que precisa ir se preparar, pois o live será por volta das dezenove horas. Mas não pode voltar para o quarto, não quer ficar cara a cara com o moreno, não agora. Ainda tem gravado na mente, e em seu corpo, o toque dele, o calor daquelas mãos... Aquela boca obscena tomando e invadindo a sua e... O fato de ter ficado atiçado com a leitura e principalmente excitado com aquele beijo, o perturba.
Acaba ficando ali até mais tarde, bebendo um pouco, até se dar conta de que está atrasado. Levanta apressado, chamando a atenção das muitas pessoas que já estão no bar, pessoas que nem sequer viu entrar, todas reparando em sua falta de roupa.
"Que se danem! Esse é o menor de meus problemas." – Pensa um tanto exasperado com a curiosidade das pessoas, que parecem nunca ter visto um loiro, pouco vestido, bebendo no bar.
Corre para o quarto, tão preocupado com o live que não pensa em Aoi, nem em nada, porém, ao chegar e ver que o moreno não está lá, sente um aperto estranho no coração. Inconscientemente gostaria que ele estivesse!
"Nem eu me entendo mais! E tudo por causa de um simples beijo!?" – Tenta se convencer de que não foi nada demais, mas sabe que não é verdade.
Toma outro banho, se trocando, chamando a menina que sempre arruma seu cabelo, pedindo que faça isso no quarto mesmo, pois não se sente em condições de conversar com os outros membros da banda no momento. Quando está pronto para descer, sente sua cabeça doer, acabando por tomar um remédio...
"Só espero que não faça mal..." – Pensa, afinal, tomou bebidas alcoólicas há menos de uma hora.
ooOoo
Por mais que queira se preparar para o live, Aoi não consegue parar de pensar em Uruha e na reação a sua confissão. Tenta se convencer de que não deve se arrepender por ter sido sincero, mas teme ter magoado o loiro... E isso é imperdoável! Fica em um canto da sala destinada a eles, afinando sua guitarra, ouvindo os amigos conversando, mas parecendo tão distante que poderiam estar em outra dimensão. Deixara o quarto, depois de esperar por Uruha por algum tempo, dando-lhe a oportunidade de voltar e vestir-se, sem ter que encarar o 'amigo' que abusou de sua confiança. E agora... O outro guitarrista ainda não chegou, provavelmente o evitando.
Suspira, desanimado, mas então o vê entrar, já pronto, silencioso e de cabeça baixa, dando-lhe a impressão de ter chorado, fazendo um nó lhe apertar a garganta, a respiração difícil como se o ar mudasse de composição e se tornasse pastoso.
Precisa se aproximar, falar com ele, pedir que o perdoe, mas tem de ser discreto a fim de evitar envolver os demais e tornar a situação ainda pior. Acomoda-se em um sofá, calado, com cara de poucos amigos, desejando que o tempo acelere e leve os outros para a maquiagem... O que já deveriam ter feito!
Uruha mantém a cabeça baixa, alguns fios loiros encobrindo seus olhos, que estão um pouco vermelhos por ter deixado cair espuma de shampoo e vê os outros, se aproximando, notando então Aoi do outro lado, virando o rosto em seguida, sentindo-o esquentar.
- Está tudo bem, Uru? – Indaga Kai, preocupado com a expressão do amigo.
- Ah sim... Só com dor de cabeça, mas já tomei remédio. – Explica, olhando o relógio, sabendo que entrarão no palco em menos de trinta minutos.
- Acho que hoje vai chover! – Ruki diz com um sorriso no rosto, sendo encarado por todos. - Pela primeira vez o Uru é o primeiro a terminar o cabelo e a maquiagem!
- Ah vai... Seu... – O guitarrista loiro pensa em responder, mas prefere ficar em silêncio, vendo o olhar divertido de Yuu sobre ele. – Vai logo e pára de me encher.
- Calma... O Taka só está brincando. – Reita diz passando por ele e colocando a mão sobre seu ombro. – Pra descontrair antes do show.
Ruki também se aproxima e pára ao lado do loiro, passando o braço pelo de Reita, puxando-o consigo, mantendo um sorriso travesso em seus lábios.
- Mas que é verdade... Isso é! – Ri sonoramente, saindo apressado, temendo que o guitarrista o acerte.
Takashima pragueja contra o baixinho, mas acaba deixando pra lá e resolve ir com os outros, pensando se consegue mais um copo de sakê. Está nervoso por causa do live, apesar de ter consciência de que não deve beber mais, caso contrário pode causar problemas durante o show e não quer isso. Porém, ainda assim se levanta para segui-los.
Aoi observa Ruki e Reita saindo juntinhos em direção à maquiagem, seguidos de Kai, que sempre fica aflito antes de entrar no palco e parece super concentrado. Uruha faz menção de sair também, mas em três pulos chega até ele e o segura pelo braço, impedindo-o de deixar a sala.
- Aoi... – Sussurra o nome dele, voltando seus orbes para fitar o rosto do outro.
- Acho que precisamos conversar... - Treme ao ver os olhos chocolate voltados em sua direção. – Se puder... Você perdoa minha impetuosidade...? Não quero perder sua amizade.
- Yuu, você não vai perder a minha amizade. – Diz o loiro, mirando os olhos negros. – Então não se preocupe.
Uruha suspira, fechando os olhos por um momento, abaixando a cabeça, tentando pensar coerentemente. Não é culpa de Aoi que aquela garota tenha escrito aquilo. Afinal, precisa admitir que algumas de suas declarações, como quando questionou a retirada do piercing no umbigo do outro, podem dar idéias 'indevidas' às fãs. Além disso, ambos são pessoas adultas e não é preconceituoso, só... Está com medo do que agora passou a sentir.
- Confesso que... Fiquei surpreso com o que li, não pensei que você... Gostasse de mim dessa forma... – Sussurra, sentindo as bochechas corarem. – E... Bem... Você é uma pessoa muito especial pra mim e...
Pára de falar, se perdendo dentro daqueles olhos negros, ainda sentindo o calor da mão dele em contato com sua pele, seus orbes chocolates descendo para a boca deliciosa, recordando-se de como foi tê-la sobre a sua e...
- Kouyou... Eu... – Yuu deseja dizer algo, mas sente-se tão perdido quanto o loiro.
Os dois quase pulam no lugar quando a porta se abre e um dos rapazes do staff os chama, falando para irem para o carro, mas saindo meio sem graça, achando que interrompeu alguma conversa particular.
- Ha-Hai!!! Vamos para o live, Aoi! – Uruha diz, saindo apressado, logo atrás do staff, sentindo o coração a mil.
ooOoo
No palco todos se transformam, em um primeiro momento esquecendo todas as preocupações... A tensão e a adrenalina se apossando deles e se entregando àquela hora em que brilham no palco e deixam se levar pela energia do público. Mas Aoi pensa no que foi dito por Uruha... O que aquelas palavras significam de verdade?
Seus olhos recaem sobre a figura bonita vez ou outra, deliciando-se com seus movimentos, com suas pernas, seus braços e seu cabelo sedoso... E pensa em como seria tocá-lo, senti-lo...
"Não pense nisso agora, Shiroyama." – Aoi diz a si mesmo em pensamento, fechando momentaneamente os olhos.
Ali Uruha esquece os problemas, tocando com paixão, jogando a cabeça para trás enquanto toca o solo de Filth in the Beauty, mordendo o lábio inferior, batendo a cabeça em seguida junto com os outros, para então voltar a rebolar e se deixar levar pela música enquanto Ruki canta.
Por um momento o loiro fita o outro lado do palco, vendo Aoi tocando, reparando nos bíceps dele, que agora estão de fora, as veias saltando... E ele só consegue imaginar o quão forte deve ser o moreno e em como aqueles braços podem apertá-lo e... Não deve pensar isso! Pisca os olhos, balançando a cabeça negativamente, tentando mandar para longe a imagem mental de Aoi o imprensando contra uma parede, até se dar conta de que Ruki está caminhando em sua direção.
"O que ele está...?" – O guitarrista loiro se pergunta, vendo o sorriso malicioso nos lábios do pequeno, que começa a dançar para ele.
"O que o Ruki está fazendo tão perto assim dele?" – Aoi estreita os olhos do outro lado do palco, fechando sua expressão, com vontade de socar o baixinho.
Uruha sorri, percebendo ser um fanservice, apesar de não convencional, pois Ruki geralmente o faz sozinho nesta música em questão, no entanto, corresponde às expectativas do chibi, dançando com ele, rebolando, ouvindo as fãs darem gritinhos... E o sorriso do loiro apenas aumenta, lambendo os lábios, empolgado devido à gritaria das garotas, vendo então o pequeno se abaixar.
"Oh, deus! Reita vai matá-lo!" – Pensa Uruha, vendo uma aura negra, de puro ciúme, envolver o baixista do outro lado do palco...
Percebe mais... Aoi também os observa... E quase congela quando nota Ruki lambendo sua guitarra, na base, próximo a sua mão... E as fãs estão morrendo lá embaixo...
Os olhos negros se arregalam, sua boca se abre com descrença, sem acreditar que Ruki tem a coragem de fazer isso. Imagina mil formas de 'cozinhar' um anão... E nenhuma delas é o suficiente para satisfazer sua sede de sangue.
"Mas eu não posso me sentir assim..." – Sente raiva por ter contado seu segredo ao Ruki, que agora está... – "Ele está me provocando?!?"
Aproxima-se de Reita, mais perto do que deveria, colando-se às costas do baixista que o olha por sobre o ombro, sem ter muito o que fazer, concentrado que está em um solo, tentando escapar desse assédio, mas impossibilitado disso no momento.
"Ei! O que é aquilo que o safado está fazendo? Fanservice com o meu namorado não!" – Ruki fita Aoi, quando este se aproxima de Reita, encarando-o diretamente, notando o joguinho que está fazendo.
Estreita os olhos, sentindo vontade de puxar o Uruha pelo pescoço e beijá-lo na frente de todos só pra matar o Aoi de raiva, fazê-lo reagir e tirar o 'Uru de suas garras malignas'... E acaba rindo com esse pensamento, começando a se levantar...
Os dois ficam assim se provocando... Cada vez mais intensamente.
"Vamos lá, Ruki... Quem é mais ousado?" – Pensa, sabendo que o vocalista o entendeu muito bem.
Uruha, vendo Aoi próximo de Reita fecha a cara. Que porcaria era aquela? Eles mal faziam fanservices e agora estão assim tão próximos? Tudo bem... Reita está irritado, mas quem tomou a iniciativa foi o moreno. Pragueja internamente, andando languidamente pelo palco, vendo Ruki voltar para a frente, se aproximando do público.
"Huhuhuhuhuhu... Está dando certo..." – Ruki sorri, dando uma piscadinha para Reita, mesmo que tenha sido difícil vê-lo tão perto de Aoi daquele jeito... Claro que seu amor está bravo porque exagerou com Uruha, mas... Irá recompensá-lo mais tarde.
Uma nova música se inicia e Uruha pára, ouvindo o som poderoso da guitarra do Aoi ao iniciar Sugar Pain. Vai apenas se aproximando, vendo que o moreno afastou-se do baixista e já está mais perto do meio do palco. Fica de costas, tocando as dele de leve, apenas seguindo com o corpo a melodia dedilhada pelo outro, seus quadris se mexendo, deixando-se levar...
Aoi sente o corpo quente junto de suas costas, roçando no seu com sensualidade e isso o enlouquece. Olha para Ruki e só então entende a tática dele...
- Seu safado! – Sussurra.
E os movimentos de Uruha o empolgam, voltando-se e se encaixando a seu corpo, roçando discretamente nele, escondendo a excitação com a guitarra, deixando-se levar pela delícia da melodia e do perfume do loiro que lhe domina todos os sentidos... Mas então percebe que estão em público e não pode se deixar levar pela impetuosidade novamente.
Uruha morde o lábio inferior sentindo o corpo de Aoi roçar no seu. Adrenalina percorre seu corpo enquanto sente o cheiro dele e ouve os gritinhos das fãs, deliciadas por verem os dois tão perto... E ele está gostando disso. Muito! Sorri e se afasta minimamente, tocando a guitarra, remexendo o quadril, jogando a cabeça para trás, aproximando o rosto do dele.
Aoi se afasta e fecha os olhos, pensando na fanfic e nos sonhos deliciosos que ela lhe proporcionou... E com isso se lembra daquele beijo... De como se sentiu e... De como Uruha retribuiu.
"Baka... Chega de pensar nisso ou vai sair do controle!" – Abre os olhos, concentrando-se, não sem antes lançar mais um olhar para o loiro de boca doce e quente.
Ficam agora de frente para o público, quando começam a tocar Kantou Dogeza Kumiai... E quando Yuu começa a fazer um solo, os lábios do loiro se fecham em um biquinho adorável, enquanto ao fundo, Ruki se aproxima de Reita e Uruha sorri.
- Vamos, Aoi! – Chama o outro, se virando de frente pra ele, começando a tocar, sorrindo sensualmente, dando uma voluptuosa rebolada, inclinando-se para frente, para tocar na guitarra do moreno, como vira e mexe eles fazem, sabendo que Aoi faria o mesmo na dele...
- Não me provoca... – Yuu sussurra para ele com um sorrisinho maroto.
Mesmo temendo a si mesmo e as reações involuntárias diante desse corpo, Aoi retribui seus movimentos, tocando na guitarra do loiro, mas preferindo que esse toque fosse outro, mais íntimo, mais quente...
"Pára com isso!" - Não entende porque não consegue esquecer...
Uruha sorri sensualmente, os olhos brilhando enquanto vê Aoi tocando sua guitarra, arrancando notas longas dela... E ele se sente feliz nesse momento, como sempre fica quando Aoi se aproxima... Quando tocam assim, próximos, tirando notas do instrumento alheio... É tão bom isso! Essa proximidade...
Depois de um tempo o loiro se afasta e várias outras músicas vão sendo tocadas, até que por fim o live se encerra e como sempre, eles dão as mãos em frente ao palco, enquanto Ruki fala algumas palavras para o público. No entanto, Uruha não as compreende, sentindo-se elétrico demais naquele momento.
Eles se recolhem e já no camarim, riem e comentam sobre trechos do live, de como o público reagiu, Reita e Ruki comentando dos fanservices, Kai falando da performance de todos e Uruha pega o sakê, abrindo e colocando num copo, começando a tomar.
- Foi simplesmente perfeito o live! – Diz, erguendo o copo como se brindasse e virando de uma vez, engole todo o líquido, elétrico e agitado com tudo o que houve.
- Bom... Eu vou pro quarto. – Aoi diz isso em alto e bom som pra ver se Uruha vai acompanhá-lo, um termômetro de sua real reação ao que revelou. – Estou cansado.
Uruha ouve aquelas palavras e estremece, no entanto, não consegue reagir e apenas desvia os olhos, bebendo mais um gole de sakê, oferecendo ao staff que está perto dele, enquanto sente o coração batendo rápido... Tenta não imaginar-se sozinho naquele quarto com Aoi, sabendo que o moreno o deseja, que o quer provavelmente como namorado e... E ele tenta não pensar em como sente arrepios indevidos no baixo-ventre ao devanear sobre isso.
A visão do loiro estranho, parecendo desinteressado, faz Aoi recuar e concluir que seus desejos o enganam. Como sempre se deixou levar e tem como resultado a decepção e a tristeza. Devia ter ficado quietinho e jamais ter dado aquela maldita entrevista que fez Ruki procurá-lo, convencendo-o a lutar por seus sonhos.
Levanta arrasado, saindo acompanhado de alguns membros do staff que também desejam sair logo do estádio e partir para o hotel. Não pretende esperar ninguém, quer solidão, mesmo que seja apenas pelo pouco tempo que os outros levarão para voltar.
- ...! – Takashima vê o outro sair, indo embora na frente e seu coração se aperta. Sabe que ele está triste, porém... Se sente tão confuso. Morde o lábio inferior, praguejando contra si mesmo, tomando praticamente em um só gole o copo duplo de sakê.
ooOoo
Não demora muito e a primeira van chega ao hotel, dela saindo o moreno e alguns membros do staff. Despedindo-se deles, Aoi sobe de elevador até o andar onde está hospedado, passando o cartão magnético na porta, respirando fundo.
Ao entrar no quarto Shiroyama se joga sobre a cama, nervoso com a volta de Uruha, mas conforme o tempo passa e ele não aparece, resolve dormir, mesmo que saiba que será impossível conciliar o sono esperando-o. Toma um banho rápido, veste uma calça de moletom leve e uma camiseta, acomodando-se na cama, cobrindo a cabeça pra não pensar, a mente cheia de mil pensamentos.
Fecha os olhos, tentando esvaziar a mente, percebendo como o tempo passa devagar... E os efeitos do show que fizeram começam a surgir, deixando seu corpo cansado, bem como sua mente, que vai se enevoando com o passar dos minutos, levando-o cada vez mais a um estado de semi-consciência.
ooOoo
Kouyou volta ao hotel mais tarde, indo para o bar, onde bebe mais um pouco, em sua mente a imagem de Aoi baila, convidativa... E ele começa a se lembrar do que leu, de como aquelas mãos fortes e lábios delineados percorriam seu corpo e somente aquelas lembranças já o deixam quente!
Acaba por pagar a conta, notando o sorriso estranho do barman, mas deixa isso para lá, sentindo-se levemente 'alto'. Sobe para o quarto, passando o cartão e abrindo a porta, vendo o quarto escuro, uma luz fraca de abajur próximo à cama de Aoi, que está deitado de costas para si. Uruha lambe os lábios, dando passos à frente, fechando a porta, mas pára no meio do caminho, mordendo o lábio inferior e se direcionando ao banheiro.
Toma um banho, lavando os cabelos, seu coração batendo mais rápido, sua respiração se acelerando. Pega a toalha, enxugando o corpo, praguejando por ter esquecido de pegar a roupa, mas... Quem se importa? Veste um yukata gelo e penteia os cabelos, passando um suave perfume, voltando ao quarto, olhando para o moreno deitado na cama.
- Yuu... – Sussurra, lambendo os lábios.
Caminha pelo cômodo, se aproximando da cama dele, apoiando um dos joelhos nela, se inclinando para frente, cada uma de suas mãos de um lado do corpo de Aoi, enquanto seus cabelos pingam gotas frias na pele do braço do moreno.
- Acorda... – Sussurra mais uma vez, mordendo o lábio inferior, sentindo-se elétrico.
- Ahm? – Aoi acorda assustado, pois estava dormindo mais profundamente do que esperava.
Vê Uruha próximo de seu rosto, o aroma de sakê forte vindo dele, sabendo que a confusão em sua mente o fizera exagerar, bebendo muito mais do que já vinha fazendo. Quer se mover, mas sente a mão quente sobre seu peito, a respiração ofegante do outro o fazendo tremer em expectativa.
Ao ver Aoi acordando, Uruha morde o lábio inferior mais uma vez, a mão que levara instintivamente ao peito dele deslizando por sobre a roupa, os olhos brilhando, mergulhados em um desejo quase... Quase devasso. Tudo o que consegue pensar é em como seria tocá-lo... Em como deveria ser bom receber os toques dele.
- O que você está fazendo? – Yuu procura falar com calma, temendo denunciar o seu próprio nervosismo.
- Hummm... Quer mesmo saber? – Indaga o guitarrista mais novo, deixando um riso baixo, sensual e rouco, escapar de sua garganta.
- Kouyou... – Tenta se conter, apesar da proximidade quase o enlouquecer. – Você está bêbado!
- Ahhhh... Eu estou ótimo, Yuu! – Ronrona as palavras, se movendo sobre ele, inclinando-se para frente até seu rosto ficar a milímetros de distância...
E sem pensar duas vezes, Uruha lambe aqueles lábios, mordiscando o inferior, até que por fim o beija, uma de suas mãos no peito de Aoi, a outra na curva do pescoço... E ele toma a boca de Shiroyama de forma faminta, deitando por cima do corpo do moreno, ajeitando-se enquanto ainda lhe devora os lábios, seus quadris se movendo contra os dele em uma doce e deliciosa provocação.
A primeira reação de Aoi é confusa, não sabendo o que fazer ou pensar, mas o toque sensual daqueles lábios e o corpo sobre o seu o excitam demais para poder resistir. Envolve-o em seus braços, estreitando-o, invadindo sua boca sedenta com a língua, sentindo que isso o provoca, deliciando-se com tal fato.
- Uhhmmmm... – Uruha geme por entre o beijo, ficando excitado ao ter aquela língua vasculhando sua boca, seu corpo preso por aqueles braços fortes e tudo isso apenas atiça mais seus desejos.
Logo Aoi volta à razão, pensando em como isso é errado... Aproveitando-se da condição do seu loiro para ter o que sempre desejou... Não, Uruha não é apenas alguém com quem quer se divertir. Seus sentimentos por ele vão muito além disso, não sabendo dizer como os designar, pois jamais sentiu isso... Uma fraqueza nas pernas quando o vê, o coração e a respiração acelerados, as mãos trêmulas... E uma necessidade quase insana de estar sempre com Takashima. Seria amor? Não sabe dizer. Mas...
- Assim não! – Aoi o empurra sem violência, mas com firmeza. – Não é certo!
- Assim sim... – Sussurra o mais novo, mas é afastado e por se encontrar com os reflexos lentos, se desequilibra e cai sobre a própria cama, batendo o quadril muito na beirada, sobre a madeira, gemendo de dor com isso, olhando manhosamente para o outro.
O moreno se levanta, claramente excitado, mas decidido a fazer a coisa certa... Decidido a só ter de Uruha o que o loiro conscientemente desejar.
- Você me machucou, Yuu... – Geme choroso, se sentando, ainda com um biquinho dengoso nos lábios, olhando-o como uma criança rejeitada.
- Desculpa... – Toca o rosto de Kouyou, que fica ainda mais magoado.
- Você não me quer, Aoi? – Pergunta, se erguendo, aproximando-se dele, o lado direito do roupão caído, deixando parte de seu peito à mostra.
- Eu te quero mais do que tudo... – Aoi resiste àquela carinha manhosa, temendo tê-lo ferido, mas evitando se aproximar e sucumbir à tentação. – Por isso mesmo não posso tê-lo agora... Assim.
- Por que você não quer me tocar? Eu quero... Eu quero que você faça comigo tudo aquilo da fanfic... – Ergue os braços em direção a ele. – Eu gostei do seu beijo... De ter seus braços ao redor do meu corpo... Uhmmm... Vem pra mim...
Estende a mão e o segura pelo braço, querendo acabar com essa situação constrangedora e ter o confuso e tímido Kouyou de volta... Antes que toda e qualquer resistência se esvaia e ele faça o inimaginável, tomando-o para si dessa forma.
- Vou te dar um banho frio e acabar com essa bebedeira. – Puxa-o na direção do banheiro, evitando aproximar-se demais. – Já te falei pra não beber tanto!
Uruha sorri quando ele segura sua mão, porém sua expressão muda quando ele fala sobre banho frio. Já tomou banho e não precisa de outro, principalmente gelado, mas deixa-se puxar até o banheiro e quando se vê com Aoi lá dentro... Simplesmente o traz de encontro a si com força, prensando-o contra a outra parede, ao lado do box, beijando-o com paixão.
- Uhhmmm... – Geme, descendo a mão entre os corpos, deslizando-a e tocando o membro de Aoi, apertando-o, percebendo-o excitado.
O convite é mais do que tentador para Shiroyama, mas não pode... Não deve...
- Aahh... Deixa eu te tocar... Me toca... Por favor... – Sussurra contra os lábios dele, ofegante, lambendo-os sensualmente. – Só isso, Yuu... Eu só quero que você me toque... Huummmm... Vai... Abusa de mim...
- Uru... Nem sei se... – A boca atrevida o cala mais uma vez, a mão sobre seu pênis contido indiscretamente pela calça, apertando, arrancando gemidos. – Você realmente quer isso... Ou... Humm... Está apenas influenciado...
- Eu quero! – Sussurra contra a boca dele, ofegante. – Eu quero desde o ônibus...
Aoi segura firme seus braços e o afasta, empurrando para dentro do box e abrindo o chuveiro sobre sua cabeça, impedindo-o de sair e Uruha solta um grito agudo, tentando desesperadamente sair de lá, mas o moreno não deixa, o que o desespera um pouco, pois a água está realmente gelada... Gelada demais!
- Ahh Pára, Yuu! Está frio demais! – Pede o loiro, os lábios tremendo e segura o outro com força, tentando puxá-lo, sair dali... Um misto de dor e raiva mesclando-se em seu coração.
- Eu só quero te... – Pensa bem no que está fazendo, justificando para si mesmo que é para o bem do loiro. – ... Ajudar...
- Se você não me quer... Por que fez aquilo? Me solta! – Fala, olhando-o com tristeza, puxando a mão, até empurrá-lo, saindo da água fria, recostando-se ao azulejo, escorregando até o chão, tremendo fortemente, quase soluçando, atordoado...
- Eu... Me perdoa... – A cabeça morena se abaixa, sentindo-se pior por ter sido tão arbitrário... Confusão turva-lhe o pensamento, como o álcool fez com o loiro. Não queria deixá-lo com raiva, mas o desejo não podia ser mais forte que o amor...
"Sim... Eu o amo..." – Aoi pensa triste ao vê-lo caído, recostado à parede, tremendo e chorando. Oferece a mão a ele, vendo que este resiste, evitando seu toque.
- Me deixa... – Uruha responde choroso e trêmulo, a respiração descompassada.
- Vamos... Vem comigo! Precisa se secar. – Fala com carinho. – Fiz aquilo porque... Te amo...
- Me ama mesmo? – O loiro indaga, erguendo o rosto e o olhando, deixando-o ver suas lágrimas misturadas com gotas geladas, tremendo muito.
Aoi se sente aliviado por dizer, consciente de que ele não lembrará disso no dia seguinte, não arriscando assim que se afaste ainda mais, percebendo o quanto o loiro parece surpreso e ao mesmo tempo ansioso devido a sua confissão.
- Kou-chan... Você vai ficar doente. – Continua a oferecer-lhe a mão. - Vem comigo.
Acaba erguendo a mão, sentindo-se ser puxado e simplesmente o abraça, afundando seu rosto na curva do pescoço dele, o corpo esbelto, porém mais magro que o normal, tremendo, dando-lhe uma aparência ainda mais frágil, alguns soluços ainda assolando-o.
- Por favor... Não me deixa sozinho... Não... – Kouyou sussurra baixo, o corpo gelado estremecendo, a respiração rápida, a garganta doendo. – Fica comigo...
Yuu o segura firme, sentindo seu tremor quase incontrolável, como se todo o frio se apossasse de seu corpo frágil, o qual vem notando emagrecer muito nos últimos tempos. Uruha tem bebido demais e comido de menos e sua preocupação tem sido imensa, sem nunca poder dizer uma palavra. O loiro se afastou dele e jamais entendeu o porquê, despejando essa tristeza naquela entrevista.
O guitarrista mais novo fica quieto, abraçado a ele, sentindo o nó em sua garganta e uma dor em seu peito ao não ouvir uma resposta... Uma palavra de que Aoi não o deixaria sozinho, não o abandonaria... E isso o deixa ainda mais triste, as lágrimas percorrendo seu rosto sem que as evite ou tenha forças para fazê-lo.
Yuu o pega no colo sem dificuldades, não notando qualquer reação... Kouyou nem mesmo parece notar para onde é levado e isso o preocupa. Acomoda-o junto a seu peito e o carrega para a cama, onde o senta, permanecendo de cabeça baixa, em silêncio. Despe-o, secando-o com cuidado, preocupado demais com sua contínua apatia, vestindo-o com uma boxer e a camiseta com que costuma dormir, o fazendo deitar, cobrindo-o com um pesado cobertor.
- Você precisa dormir. – Passa a mão por seu rosto, tirando alguns fios que lhe cobrem os olhos. – Amanhã conversamos de verdade.
- Deita comigo... – Kouyou pede roucamente, apesar de ter certeza que ele não o faria... – Estou com frio.
Esse pedido cala fundo no peito do moreno, pois nunca sentiu Uruha tão frágil e carente, o que jamais transparecia nos momentos em que o grupo estava reunido. Deseja então mostrar que mesmo que não o amasse, não o deixaria sozinho.
- Sempre vou estar ao seu lado, Kouyou. – Deita-se ao lado dele e o abraça com força, passando seu calor para o corpo trêmulo. – E você nunca mais vai se sentir sozinho.
Os olhos chocolate, com surpresa, vêem o moreno se deitando ao seu lado, ouvindo aquela promessa sussurrada, sentindo os braços quentes ao redor de seu corpo e suspira. Fecha seus orbes em seguida, ainda sentindo o corpo tremer devido ao frio intenso, abraçando Aoi de volta, seus dedos gelados tocando a pele quente dele.
- Não me deixe... – Sussurra Kouyou com a mente entorpecida...
E aos poucos Uruha vai parando de tremer e já não sente tanto frio, o calor de Aoi envolvendo todo o seu frágil corpo, até que adormece profundamente, sua respiração se acalmando, compassando-se... E o loiro agora se encontra num mundo sem sonhos, onde apenas a escuridão existe...
Continua...
ooOoo
Voltamos aqui com nossa fic/jogo, dando prosseguimento à delícia que se tornou essa história hilária entre os dois guitarristas influenciados por uma fanfic yaoi. Pedimos desculpas pela demora em postar o cap 2, mas nós duas precisamos superar uma fase complicada de falta de tempo e de ânimo, dando uns tapas na depressão que vive rondando autores desavisados e corroendo nossa inspiração.
Mas fechamos um compromisso de postar, no momento, um cap novo mensalmente... São 12 até agora (o jogo ainda está em andamento). Mas assim que betagens acumuladas forem sendo colocadas em ordem, passaremos os caps para serem lançados quinzenalmente. Tudo para demonstrar nosso respeito e carinho pelos leitores que leram, comentando ou não, mas sem prejudicar as autoras que nos pediram para betar suas deliciosas fanfics.
Agradecemos a nossa amiga e beta Eri-chan, por ter betado essa fic com tanta presteza e carinho, sempre deixando um comentário delicioso, que nos incentiva a continuar sempre em frente. Mil beijos, fofésima!
Dedicamos esse cap a todas as nossas amigas que de alguma forma sempre nos incentivam e ajudam a vencer todos os obstáculos, por mais difíceis que sejam e... Que muito contribuíram para a concretização desse jogo e o sucesso em tornar-se uma fanfic.
Espero que gostem e COMENTEM!!!!!!!!!
29 de julho de 2009
03:48 PM
Lady Anúbis & Yume Vy
