SECRET LOVE
Capítulo III – Doces Cuidados
Os olhos negros se descerram devagar, o corpo todo doendo... Uma sensação estranha se apossando dele como se um caminhão o tivesse atropelado. Puxa o braço que está estendido, doendo terrivelmente, mas então percebe o peso sobre ele e se dá conta que este está sob o corpo de Uruha, com quem dormiu abraçado a noite toda.
Foca finalmente no rosto pálido, notando os lábios trêmulos, o suor escorrendo pela pele, fazendo o cabelo grudar levemente por sua fronte. Toca sua testa com os lábios, com delicadeza, aproveitando-se do fato de estar ainda dormindo, mas sente que está quente e levanta o corpo apenas um pouco, vendo como o loiro treme, enquanto palavras sem sentido deixam seus lábios.
Uruha se encolhe mais na cama, ficando em posição fetal, quase se abraçando devido ao frio, já sentindo a falta do corpo quente junto ao seu. Balbucia mais algumas palavras, choramingando algo completamente ininteligível, remexendo-se um pouco, porém, não acorda, mantendo-se em sono profundo.
– Ele está com febre! – Aoi senta na cama, ainda meio aturdido. – E com delírios... Minha culpa... Eu e aquele banho frio... Preciso fazer alguma coisa.
Levanta-se, parando uns minutos de pé, pensando no que exatamente fazer com relação a isso. Nunca ficou doente assim e nem imagina o que fazer numa situação dessas, então pega o celular e liga para Kai...
"Ele sempre sabe o que fazer em situações de crise." – Pelo menos todos do grupo têm essa noção e recorrem a ele nessas horas.
No outro quarto, Kai atende ao telefone, sonolento e olhando para o relógio. Vê que o mesmo marca 04h30min da madrugada e murmura algo incompreensível, passando a mão no rosto enquanto tenta acordar para falar com o moreno.
– Aoi... É você? O que houve? – Indaga, tentando colocar os pensamentos em ordem. Se o guitarrista liga a essa hora, significa que algo aconteceu. – Espera um minuto... Vou... Acender o abajur.
A voz do outro parece sonolenta, distante, mas o guitarrista pouco se importa... Precisa fazer algo para cuidar do loiro. Seus olhos se fixam na figura encolhida na cama, o tremor ainda mais intenso, o coração lhe doendo de preocupação.
– Se acontecer algo com ele eu não vou me perdoar... Jamais! – Sussurra para si mesmo, enquanto espera que o baterista desperte completamente e esteja apto a atendê-lo.
– Yuu... Agora me fala... – A voz de Yutaka ainda soa sonolenta, mas é quase impossível para ele manter os olhos abertos. – O que aconteceu?
– Kai... O que a gente tem que fazer quando alguém está com febre alta? – Pergunta, aflito, mas sem muita paciência para explicar tudo desde o início.
– Febre? – Kai ergue uma sobrancelha, achando aquilo muito estranho.
Por que o Aoi faz tal pergunta numa hora dessas? É de madrugada e... A não ser que... A mente do baterista começa a trabalhar e logo se dá conta de que, se Shiroyama está ligando... É porque Uruha está com febre. Xinga-se mentalmente por estar tão sonolento e se senta adequadamente, raciocinando de forma correta agora.
Aoi lança mais uma vez o olhar para Uruha e se assusta em como ele está encolhido e tremendo. E tudo porque não pensou que um banho frio em um dia como esse poderia deixá-lo doente! E ainda tem um agravante... A bebida tem sido uma companhia constante do loiro, todos já notaram... E sua magreza é evidente... Seu corpo deve estar debilitado e não precisava que um idiota o tratasse dessa forma.
– E então, Kai? – Não gosta de falar com ele assim, mas está nervoso demais para pensar. – Desperta e me ajuda... Por favor!
– Calma, Aoi! – Repreende o baterista, apesar de saber do motivo da irritação dele. – Ficar nervoso só atrapalha.
– Ok... Ok... – Respira fundo, sabendo que o amigo tem toda a razão.
– Olha, você precisa dar um banho morno nele pra baixar a febre e depois um antitérmico. – Explica, passando a mão nos cabelos de novo. – Mas como o Uruha bebeu demais, vai acordar péssimo e provavelmente de ressaca. Só espero que ele não vomite.
– Também espero! – Shiroyama não tem boas lembranças de coisas desse tipo, uma das razões porque é comedido na hora de beber.
– Seria bom dar algum remédio para dor de cabeça também, isso se ele reclamar agora... Caso contrário dê só de manhã. – Pensa com calma, agora mais desperto. – Quer que eu vá te ajudar?
– Não é necessário nós dois ficarmos acordados. – Aoi procura se acalmar, invocando todo o seu bom senso. – Mas... Você tem esse antitérmico?
– Hum... Tenho sim. Vou levar pra você. – Diz Kai, desligando o telefone sem esperar resposta do moreno.
Logo se levanta da cama, praguejando por causa do frio e vai até sua mala, tirando de lá sua caixinha de remédios. Como sempre pensa ao se preparar para essas turnês, um deles podia passar mal e então precisa ser precavido, por isso leva aquele 'kit' por segurança. Pega os remédios que provavelmente Aoi precisaria e sai do quarto, vestindo um yukata, mas está trêmulo de frio, suas pernas se arrepiando imediatamente. A temperatura realmente caiu de madrugada, não é somente por ser friorento, como os rapazes costumam dizer. Bate na porta e espera que ele abra, olhando para o amigo, preocupado.
– Ele está bem? – Diz ao vê-lo, pensando se deve ficar e ajudar, começando a explicar sobre os medicamentos. – Aqui estão os remédios. O antitérmico você vai dar de seis em seis horas... Esses ele pode tomar com leite... Esse pra dor de cabeça e ressaca tem que estar com o estômago cheio, pra não fazer mal...
– Mas ele está desacordado! – A aflição do guitarrista aumenta. – Como eu faço?
– Ele está inconsciente? – O líder da banda indaga, sem saber se fica mais preocupado com o doente ou com quem está cuidando dele.
Não entende o porquê de todo o desespero, pois Aoi sempre foi um homem centrado e agora parece um garotinho desesperado. Kai entra no apartamento, afastando um pouco o amigo, caminhando em direção à cama, vendo Uruha todo encolhido. Aproxima-se, inclinando-se e colocando a mão em sua testa, vendo que a febre está realmente alta, praguejando internamente com isso.
– Ele está só dormindo, Aoi. Profundamente, mas só dormindo. – Diz, sem olhar para o moreno, começando a sacudir o loiro. – Uruha, acorda...
– Uhmm... – Uruha choraminga, se remexendo e se encolhendo, abrindo os olhos lentamente ao ser sacudido de novo.
Fita o outro, piscando os olhos, confuso, demonstrando que vai vomitar, e Kai o coloca sentado depressa, mas Uruha apenas respira ofegante, apesar de trêmulo, tentando falar, mas sua língua parece enrolada e sua mente enevoada... Infelizmente não só por causa da febre, mas também pela bebida.
– Vem, Uru. – Sussurra, tentando pegá-lo no colo, pois o loiro não parece em condições de se mover e Aoi... Bem, ele parece em pânico. – Se quer ajudar, Aoi... Pega uma toalha, uma calça e uma blusa mais quentes. Vou dar um banho no Kou-chan.
Aoi atende de pronto, apesar de sentir-se ainda pior por não conseguir agir como deveria, pegando as roupas, a toalha, ainda pensando no que aconteceu na noite anterior e no banho frio.
Kai pega Uruha no colo, se surpreendendo ao perceber o quão leve ele é, e isso o faz pensar em quanto o loiro tem emagrecido atualmente, deixando-o ainda mais preocupado. Ouve os resmungos do guitarrista em seus braços, mas não dá atenção, mais interessado em livrá-lo da febre.
Logo o baterista chega com o loiro no banheiro, colocando-o de pé, recostado à bancada de granito da pia, tentando tirar sua roupa, mas Uruha não deixa, empurrando-o, ou ao menos tentando, choramingando e falando de forma bem embolada.
– Não... Não quero... É gelado... – Choraminga manhosamente, tossindo, querendo manter aquele 'moreno do mal' longe dele.
– Calma, Uru... A água está morninha... – O líder da banda tenta convencê-lo.
– Deixa que eu faço isso. – Diz Aoi, afastando com gentileza o amigo. – Afinal... Eu sou culpado por ele estar assim!
Aoi evita o olhar de Kai sobre si, com certeza deve estar intrigado com sua afirmação, temendo ver nele a reprovação que seu próprio íntimo faz.
Kai sente o toque de Aoi e se afasta, vendo o mesmo segurar Uruha de maneira ímpar, fazendo-o se sentar no vaso sanitário, segurando-o firme enquanto o despe, apesar dele empurrá-lo com toda a força que seu corpo febril consegue. Percebe como Yuu sussurra ao ouvido do mais novo, acalmando-o e logo o guitarrista deixa o loiro nu, envolvendo-o em seguida nos braços, levando-o para debaixo da ducha morna que o baterista deixara a sua espera, não demonstrando se importar que também esteja se molhando nesse processo. E tudo o que Yutaka se pergunta é... Por que Shiroyama se sente culpado?
– Está frio, Yuuuuuu... – Uruha choraminga, abraçando o moreno, tremendo e resmungando, se esfregando nele devido ao frio que sente, a mente entorpecida pela febre e pela bebida. – Eu fiquei quietinho... Por favor...
– Agora está quentinho... Vou cuidar de você. – Abraça-o, desejando passar-lhe todo o calor possível, reprimindo um choro culpado na garganta. – Não vou te deixar sozinho...
– Yuu... – Murmura choroso o nome dele, parecendo uma criança frágil nos braços do moreno, gemendo baixinho, dengosamente, devido aos enjôos, a cabeça que começa a doer, a tontura que o atinge...
Porém Kouyou vai se acalmando ao ouvir as palavras doces, acalentadoras que são sussurradas mais uma vez em seu ouvido, começando a amolecer contra o corpo ligeiramente menor, mas forte o suficiente para ampará-lo.
Logo o loiro volta a pesar, denunciando o fato de que talvez tenha perdido os sentidos, talvez conseguindo descansar. Carrega-o para fora, enrolando a toalha em seu corpo e o leva no colo novamente para o quarto, sentando-o na cama, secando-lhe a pele, notando que já parece não tremer tanto e o veste com a roupa quente que Kai lhe entrega. Depois disso o acomoda sob as cobertas, ele próprio trocando a roupa, molhada, fingindo estar alheio ao olhar do baterista sobre si.
Apesar de parecer inconsciente, Uruha está no limiar entre o sono e a consciência, tendo a ligeira impressão de sentir algo macio e felpudo envolvendo seu corpo e seus pés deixam de tocar o chão... E quando dá por si, está sentado na cama, sentindo que sua pele é enxugada... E o loiro ronrona ao sentir-se dentro de roupas quentinhas, sendo colocado na cama e enrolado, sorrindo e se virando de lado, já se preparando para dormir, apesar da dor de cabeça e tontura que o assolam, mesmo deitado.
– O que aconteceu? – Kai pergunta, sério e preocupado.
– Eu o coloquei no chuveiro gelado quando ele voltou bêbado. – Aoi se volta para o baterista, abaixa a cabeça, evitando seu olhar. – Por isso está assim.
– O quê? – O líder da banda arregala os olhos, chocado. A temperatura da água devia estar... Por volta de 10° ou menos. – O que deu em você pra fazer isso?
Ergue os olhos para o baterista, mas não pode contar o motivo para sua atitude, expor a confusão de sentimentos que se instalou entre eles depois daquela fanfic. Volta-se para a cama, um aperto no peito quase o sufocando.
Yutaka sente vontade de dar uns socos em Aoi, pois aquela ação dele foi inconseqüente, porém, apenas passa a mão na cabeça, vendo que o guitarrista moreno já está se sentindo culpado demais. Não precisa deixá-lo pior do que já está... E de certa forma sua atitude desesperada mostra o quanto se arrepende.
– Aoi... – Aproxima-se, tocando o ombro do outro, esperando que o fite. – Eu não sei o que aconteceu aqui, mas... Saiba que pode contar comigo, pode desabafar... Eu sou seu amigo!
Os olhos negros encaram o baterista, um sorriso triste marcando seu rosto, sabendo o quanto cada palavra dele é absolutamente sincera.
– Eu sei, Uke. – Volta a observar o loiro deitado sobre a cama. – Agora precisamos medicá-lo.
– Sim, precisamos... – Fala, percebendo que o outro não está pronto para se abrir assim... Quem sabe mais tarde? – Vou pedir um copo de leite, mas é bom você ficar mais de olho... Como ele bebeu muito, não sei se o remédio vai fazer efeito... Se amanhã ele ainda estiver com febre alta, seria bom chamarmos um médico.
Kai nunca vira Shiroyama tão abatido como nesse momento. Gostaria de ajudar, mas sabe que há um limite que deve respeitar... Da mesma forma que procurou respeitar Uruha, mesmo tendo notado o excesso de bebida e a perda de peso. Só se pode ajudar um amigo até o ponto em que ele permite, além disso, se torna intromissão.
– Você cuida dele, Aoi? Uruha pareceu mais bem disposto a colaborar quando você se aproximou... – Diz, apontando onde os remédios estão, parando na porta do quarto. – Se precisar me chame...
– Eu chamo. – Olha para o amigo e sorri. – Obrigada pela ajuda.
E assim que Kai deixa o quarto, Aoi decide que não sairá do lado de Uruha por toda a noite, sentando-se na própria cama, mas sempre atento a cada gemido ou murmúrio. No entanto, apesar de sua vontade de vigiá-lo, o sono começa a bater e precisa encontrar algo que distraia sua cabeça da sonolência que ameaça vencê-lo. Vê então a fanfic sobre a mesinha de cabeceira de Uruha, sentindo vontade de pegá-la e terminar de ler, porém... Talvez não seja a melhor das idéias nesse momento.
"Mas por que não?" – Estava na metade da história e era interessante demais. A autora realmente prende o leitor.
Escuta baterem na porta e vai atender, vendo que é um garçom que traz o leite que Kai pediu, junto com um chá morno de jasmim, bem digestivo. Dá uma gorjeta e coloca a bandeja sobre uma mesa, pegando a xícara e senta ao lado de Uruha, elevando-o ligeiramente e desmanchando com a colher o antigripal no liquido perfumado.
Uruha resmunga de forma chorosa mais uma vez ao ser atormentado em seu sono, começando a falar palavras emboladas, reclamando que Aoi é mau com ele, acabando por se aconchegar ao corpo quente, já fechando os olhos de novo, no intuito de voltar a dormir.
– Agora vamos tomar o remédio... Pra você ficar bom. – Não sabe muito bem como fazê-lo beber.
– Remédio não, Yuu... É ruim... – Diz, balançando a mão, dispensando o mesmo, querendo se virar e deitar na cama de novo, apesar do braço do moreno não o deixar se afastar.
Aoi dessa vez procura ser mais paciente e gentil, ainda arrependido da besteira que fez, por isso não pretende forçar a barra.
– Me deixa dormiiiiiiiii... – Choraminga, querendo deitar de novo, começando a se irritar porque o outro não deixa. – Eu não vou tomar! O que eu ganho em troca?
– Se você tomar o remédio... Bonzinho... Eu... – Se mesmo doente Uruha quer negociar... Que seja!
– Você o quê? – Apesar da febre, o álcool ainda surte um pouco de efeito... E ter o calor do corpo de Aoi junto ao seu, desperta coisas dentro dele, apesar de não ter muita consciência disso, principalmente de que está febril.
– Ah... – Pensa no que oferecer. – Te dou um beijo... Que acha?
– Me dá mesmo? – Sussurra, virando o rosto para o lado de Aoi, aproximando seus lábios, quase roçando sua boca na dele. – Vai me beijar bem gostoso... De verdade?
"Ai, Kou... Não fala assim..." – Aoi pensa, sentindo um solavanco no estômago ao ouvir que ele quer um beijo gostoso... Tinha vontade de mordê-lo todinho!
Uruha deixa o peso de seu corpo pender para o lado de Aoi, seus olhos desfocados o fitando longamente, seus dedos deslizando pelo peito dele e o loiro molha os lábios de forma lenta e doce.
– Se você me beijar primeiro, eu tomo o remédio como um bom menino... – Responde, enrouquecido, e apesar da voz ligeiramente enrolada, um quê de sensualidade e fragilidade pode ser notado. – E faço tudo o que você quiser, Yuu... Tudinho...
Aquele tom na voz de Uruha faz o moreno morder o lábio inferior, pois o excita novamente e sabe que precisa ser forte e se conter. Quer ouvir isso, mas de um Kouyou sóbrio e consciente de que é isso mesmo que quer. Pretende cumprir sua parte do trato, mas vai ser mais difícil do que imaginava.
– Ok... Vou te beijar, mas primeiro toma o remédio... – Assim ele adormece e talvez não o coloque ainda mais em apuros. – Só assim...
Quando Aoi confirma que vai beijá-lo, Uruha sorri docemente, se sentindo empolgado, apesar de seu corpo não colaborar e ainda estar mole. Mas só saber que vai sentir os lábios do moreno sobre os seus, a língua dele dentro de sua boca, o faz reagir àquela letargia toda.
Aoi põe a xícara diante da boca pálida, colocando-a entre os dois.
– Como você quiser, Yuu... – Sussurra, segurando a xícara, que ainda está na mão dele, tomando lentamente, arrepiando-se depois e fazendo uma carinha estranha porque sente um gosto esquisito e desagradável, empurrando-a.
Fica quieto por alguns instantes, o cenho franzido, lambendo os lábios, ainda sentindo aquele gosto ruim na boca, se mexendo um pouco. Então olha para o moreno e sua expressão se modifica, se suavizando, tornando-se levemente doce, mas ainda assim sensual. Suas bochechas estão coradas devido à febre e por saber que ele o beijaria... E o loiro se sente ansioso.
– Agora me beija! Você prometeu. – Sussurra o loiro.
Aoi vê que não tem como escapar, a promessa do beijo esquentando-lhe o corpo, principalmente onde não deveria, mas o fará. Segura delicadamente o rosto corado e ainda bem quente, tocando seus lábios com suavidade, sentindo mais uma vez sua forma, sua textura, a ânsia agora vindo da parte do loiro, mas apenas porque a razão o impede de tomá-lo todo para si como tanto deseja.
Uruha esperava com ansiedade, mas ao sentir o toque gentil em sua face e os lábios tocando os seus, seu corpo estremece, enquanto adrenalina é liberada em suas veias... E sem esperar, começa a mover os lábios, tocando-o, provocando-o, sua mão repousando delicadamente sobre o peito de Aoi.
Por mais que Yuu se contenha, a boca de Uruha é deliciosa demais e o seu juízo fica obscurecido, sua língua aprofundando mais o beijo, brincando com a dele de forma travessa, excitando-se mais e mais quando é correspondido. Quer mais, enlaçando-o entre seus braços, sua boca dominando o ato que se intensifica.
– Uhhmmmm.. – Uruha geme baixinho dentro do beijo, arrepiando-se quando a língua quente e ágil adentra em sua boca, brincando consigo, fazendo um calor gostoso passear por seu corpo, enquanto suas mãos envolvem o pescoço dele.
Mas... A razão... Essa maldita... Acorda Aoi para a realidade e nesta está abusando de um doente com um alto teor de álcool no sangue. Afasta-o, mas dessa vez devagar e com calma, fazendo-o deitar na cama, apesar dos protestos e cobrindo-o novamente.
– Ahm... – O loiro ofega, sem ar, a face ainda mais corada que antes, os lábios agora inchados devido ao beijo profundo, sua cabeça rodando e quando Uruha dá por si, se encontra deitado na cama, confortavelmente acomodado.
– Agora você precisa dormir... – Curva-se sobre ele e lhe beija a testa.
– Huummmm... Yuu-chan... Suki da yo... – Sussurra, fechando os olhos, suspirando. – Fica comigo... Não quero sentir frio...
O pedido dele é tão carente que Aoi não sabe como lhe negar esse aconchego, mas tem noção que se deitar o sono vai dominá-lo e prometeu ao Kai ficar de olho nele. Então senta ao lado do loiro, acomodando sua cabeça suada e ainda quente sobre seu colo. Mas o que fazer para não cochilar? E sem querer seus olhos recaem novamente sobre a fanfic de capa vermelha, temendo lê-la... Foi o que iniciou toda essa confusão. Mas...
"Eu preciso saber o que acontece no final!" – Pensa, finalmente decidido, abrindo-a na página que deixou marcada.
Uruha sorri, se remexendo e se aconchegando, sua cabeça acomodada confortavelmente sobre o colo do moreno, sentindo a mão dele sobre seu ombro, os dedos se movendo numa suave carícia... E não demora sequer dois minutos para que o loiro adormeça, relaxando completamente, a respiração se tornando mais calma.
"Os olhos chocolates se mantém fixos nos orbes negros de Aoi, a distância entre eles sendo mínima... Menos de um palmo separa suas bocas, que estão entreabertas, permitindo que a respiração ofegante de ambos se misture, tornando o momento ainda mais tenso... Deliciosamente tenso."
– Tenso estou eu pra saber o que acontece. – Ele se remexe com a expectativa do que vai finalmente rolar entre os dois na fanfic.
– Uhm... – O loiro franze a testa e choraminga adormecido, ajeitando a cabeça no colo dele mais uma vez, voltando a ficar quieto.
O movimento de Uruha, incomodado com seu leve tremor o paralisa, temendo acordá-lo agora que conseguiu descansar, mas vê que ele continua dormindo, então se acalma. Volta a ler, dessa vez segurando suas reações físicas, mas com o pensamento a mil por hora.
"– Isso... Não devemos... – Uruha diz, lambendo os lábios demoradamente, sentindo o coração batendo ainda mais rápido, a excitação o corroendo por dentro, se espalhando por cada pedaço de seu corpo, mesmo que ele tente negar..."
- Não... Não... Chega de negar... – Aoi então pára e percebe como se envolve na história, falando com um texto, não com o verdadeiro Uruha.
Mas na verdade ele poderia ter tido o Kouyou real se tivesse cedido, se não tivesse se mantido tão racional... Mas não seria certo. Só que seu corpo o odiou por isso, pois por ele teria tomado o delicioso loiro naquele banheiro, no momento em que tanto insistiu para tê-lo.
– Droga! – Se recrimina. – Por que eu tenho que ser tão certinho? Às vezes isso atrapalha!
"– Chega Uruha... Não fuja mais de mim! – Pede o moreno, apertando-o em seus braços, tomando os lábios carnudos do loiro, devorando-o sem pedir permissão, se deliciando ao tê-lo correspondendo..."
- Isso... Seja mais corajoso do que o 'eu' de verdade, Aoi. – Começa a sentir um frio no baixo ventre, uma expectativa do que virá a seguir no texto maligno que não consegue largar.
"Quando as mãos fortes descem pelo corpo curvilíneo, alcançam as nádegas de Uruha, apertando-as. O loiro geme dentro do beijo, jogando a cabeça para trás, ofegante, estremecendo quando os lábios carnudos de Aoi tocam-lhe o pescoço... E o guitarrista mais novo não consegue esconder mais sua ânsia... Seu desejo pelo moreno que lhe alicia os sentidos."
– Aahmmm... Isso... Não pare! – Sussurra o loiro, lambendo os lábios, sentindo as mãos fortes apertando suas coxas e qualquer fio de controle que ainda existisse se rompe na mente de Uruha...
As mãos do loiro se entremeiam aos fios negros, puxando-os com força, tomando-o em um beijo faminto, enquanto seu quadril se move contra o de Aoi, atiçando o outro, querendo senti-lo enlouquecer sob seus toques. Suas mãos descem, arranhando as costas largas, ao mesmo tempo em que a perna direita se ergue, envolvendo a cintura do moreno."
E por mais que não queira, a leitura começa a mexer com ele, o calor tomando conta de todo o seu corpo, um formigamento tirando-o do sério, a excitação fazendo sua calça ficar apertada.
"– Ahmmm... Tira isso... – Ronrona o loiro contra os lábios do moreno, puxando a blusa, estourando os botões, que voam para todos os lados, os olhos brilhando ao ver o peito dele nu..."
Uruha se move, levando as mãos junto ao rosto, movendo a cabeça no colo do moreno ao se remexer, mais uma vez choramingando enquanto dorme. Então se vira, voltando-se para o lado de Aoi, ajeitando-se, sua face quase se encostando ao membro de Yuu, que acaba pressionando com sua cabeça, finalmente ficando quieto.
"Não... Assim ele vai me enlouquecer!" – Fecha os olhos e morde os lábios, mas assim mesmo volta ao texto.
"Ao ouvir aquelas palavras o moreno rapidamente se livra da blusa, arrancando a peça que cobre o tórax de Uruha, podendo enfim vê-lo sem que nada possa impedir. Lambe os lábios, inclinando-se para contornar com a língua o mamilo rijo, ouvindo um gemido rouco da parte dele e isso apenas o excita ainda mais...
– Aahhhmmm... Isso... Assim... Uhhmmmmm... – Uruha arqueia, gemendo quando tem o mamilo mordido e aquilo o enlouquece de vez!
Voltando a fitar o moreno, Uruha puxa-o, invertendo as posições, imprensando-o contra a parede, beijando-o com paixão, sua mão descendo, abrindo a calça do amado, invadindo-a e envolvendo o pênis rijo, começando a manipulá-lo, se deliciando com a sensação quente da pele sensível em contato com seus dedos.
– Você gosta? É assim que... Quer? – Sussurr,a enrouquecido no ouvido dele."
A cada linha Aoi sente-se mais excitado, não querendo alarmá-lo, mas incapaz de manter-se imóvel, pensando seriamente em levantar-se a fim de não acordá-lo. Até se move com esse intuito, mas o loiro se agarra a ele, impedindo-o de se levantar. E isso apenas o atiça ainda mais e não sabe como reagir.
Uruha se remexe de novo, murmurando algo incompreensível, seu braço envolvendo a cintura de Aoi. Sua expressão mostra que está incomodado com algo, gemidinhos dengosos saindo de seus lábios, como se fosse uma criança choramingando... Até ele se mexer mais uma vez, ficando de barriga para cima, erguendo um braço, batendo em algo imaginário, em seguida repousando-o sobre as coxas do moreno, a coberta escorregando.
– Preciso sair daqui! – O moreno diz nervoso quando Uruha esbarra na fic, jogando-a no chão.
– Uhmm... Isso... Fica juntinho... – Os lábios febris deixam os murmúrios escapar, e Uruha se remexe arqueando de leve, ofegando, virando o rosto para o lado de Aoi, erguendo uma das pernas. – Ahm... Beija mais...
Aoi se coloca de pé de um pulo, mesmo não querendo despertar o doente, mas sabe que se não se afastar pode cair na tentação. Chuta o encadernado vermelho por colocá-lo em apuros mais uma vez e corre para o banheiro, pois vai precisar fazer aquilo que tem sido uma constante desde que se descobriu apaixonado pelo amigo.
Uruha apenas se vira quando sua cabeça cai no colchão, ficando quieto, dormindo, porém não tão profundamente como antes. Seus lábios se encontram entreabertos, puxando o ar com um pouco mais de força que o necessário...
O moreno não tem como agüentar tudo isso sem aliviar toda a excitação desse dia. Provou sua força de vontade ao resistir às investidas do bêbado Uruha, mas ele não é de ferro e precisa admitir que tudo isso foi demais para ele. Entra no box, encostando na parede ainda úmida e passa a mão por sobre a calça, percebendo a dureza da ereção contida, sentindo que todo esse tesão represado começa a doer demais... Precisa se aliviar.
Abaixa então a calça de moletom, libertando o membro, trazendo algum alívio. Toca-o, sentindo como está sensível, a sensação resultante fazendo-o soltar involuntariamente um forte gemido. Emprega ainda mais firmeza à carícia, imprimindo um ritmo, massageando a glande, escorregando pelo pênis de forma deliciosa, envolvendo-o com os dedos... Os gemidos contidos para não despertar o loiro, mas uma agitação forte toma conta de todo o seu corpo, um tremor de absoluto êxtase.
Os olhos fechados revelam a Yuu um mundo imaginário, onde Uruha está ali com ele, tomando seu membro em sua boca, lambendo-o por inteiro, fazendo com que sinta tudo o que sempre sonhou... Fazer isso com alguém que ame... Essa deve ser a suprema maravilha do sexo! A concentração o mantém em seu mundo de sonhos, imaginando as coisas que o loiro está fazendo para excitá-lo, sabendo que o gozo está próximo... Muito próximo.
ooOoo
No quarto, o loiro desperta com um forte ruído e se mexe, sentindo frio, tateando a cama atrás da coberta, não a encontrando.
– Huummm... – Geme em pura reclamação, abrindo os olhos, esfregando-os e piscando repetidas vezes, se mexendo e se sentando na cama, vendo a coberta no chão, pegando-a e puxando sobre seu corpo.
Os olhos chocolates percorrem o quarto, não vendo Aoi e isso o entristece. Levanta-se, sentindo-se um pouco tonto e começa a andar em direção ao banheiro, entrando no mesmo sem olhar direito para os lados, indo direto para o vaso sanitário, parando em frente a ele e... Achando ter visto algo, volta seu olhar para o outro lado.
– Yuu? – Indaga, seus olhos descendo, vendo onde a mão do moreno está...
A voz de Uruha o apavora, fazendo-o abrir os olhos e escorregar no chão molhado, caindo sentado no chão... Ferido, mais de vergonha por ter sido pego em flagrante do que pela queda.
Ao ver o moreno escorregar dentro do box, o loiro pisca mais vezes, esquecendo-se de que foi ao banheiro para lavar o rosto e apenas se encaminha até onde o moreno está, reparando em como o mesmo se encontra excitado e envergonhado.
"Não... Não me olha assim, vai embora." – O moreno pede em pensamento, desesperado.
– Yuu-chan... – Sussurra, aproximando-se lentamente dele, se ajoelhando em frente ao moreno... E se movendo, abaixa as pernas de Aoi, sentando-se no colo dele, molhando as pernas da calça, mas não se importa com isso.
Uruha, corado devido à febre e um pouco de vergonha, além de ainda ter álcool percorrendo suas veias, inclina-se para frente, dando um selinho nos lábios fartos de Aoi, levando a mão ao membro dele, deslizando os dedos longos pelo pênis rijo, começando a masturbá-lo.
– Kou... – Aoi ofega com o toque em sua ereção, mordendo os lábios.
– Deixa eu te dar prazer... – Pede em um sussurro no ouvido dele, passando a palma da mão sobre a glande, para então voltar a fechar os dedos ao redor da ereção, subindo e descendo, enquanto sua língua desliza pelo pescoço do moreno.
– Uhmmm... Kouyou... Isso não é certo... – Diz quase sem forças para resistir. – Não era assim que eu queria que fosse com você.
Fecha os olhos e joga a cabeça para trás, incapaz de se levantar e escapar, envolvido demais pela sensação deliciosa dos dedos que o tocam tão intensamente e da boca que explora sua pele.
– Hum... Então me mostra como você queria que fosse, Yuu. – Sussurra, aumentando a velocidade com que o masturba, fascinado ao vê-lo jogar a cabeça para trás, percebendo que ele sente prazer com seus toques.
– Eu te amo... – Quase não consegue falar, sua voz saindo morosa e lenta. – Você não é qualquer um...
– Uhmmmmmm... Yuuuuu... – Geme o nome dele, sentindo algo gostoso percorrendo seu peito, espalhando-se por todo o seu corpo...
Sua mão toca o pescoço de Aoi, puxando-o para si, beijando-o docemente, demonstrando um sentimento ímpar no ato, se perdendo nas sensações que sua mente ainda entorpecida sente... E tudo aquilo se reflete nas suas ações, aumentando o ritmo com que o masturba, principalmente ao perceber que ele se deixa envolver pela delícia de seu beijo.
– Você é especial... Eu só queria ficar com você... – Sussurra contra os lábios dele, olhando-o entorpecido.
– Ahmm Kou-chan... – Aoi ofega, seu coração se aquecendo.
– Você... Você gosta quando... Hum... Eu te toco? – Pergunta docemente, sem malícia.
A respiração rápida de Aoi, a face de prazer que ele mostra, tudo isso lhe dá a certeza de que o moreno está gostando, e muito, mesmo que diga o contrário... E vê-lo assim causa reações em seu corpo, que responde àqueles estímulos, excitando-se.
– É o que eu sempre sonhei... – Fala, abrindo os olhos devagar. – Mas... Não é você... Não sabe o que está fazendo.
– Eu sei... Eu sei bem o que estou fazendo... – Sussurra, gemendo baixinho.
Apesar de suas palavras, Aoi envolve a cintura de Uruha, estreitando-o em seus braços, tomando-lhe mais uma vez a boca, aprofundando o beijo, assumindo o comando dessa ação. A mão habilidosa o faz gemer e seu membro vibrar de prazer, desejando mais... Querendo tê-lo...
– Não... Eu não posso fazer isso. – Tenta empurrá-lo, mas não consegue, puxando-o para si e o abraçando com força, aconchegando a cabeça loira em seu peito. – O que eu faço? Sou um miserável aproveitador...
– Uhhmmmm... Yuuuu... Eu quero que você se aproveite... – Começa a acelerar a mão, apertando nos locais que sabe, pela prática em si mesmo, que dão mais prazer, mordiscando o lábio inferior dele, brincando com aquela boca indecente. – Uhmmm... Eu quero... Ter você abusando de mim... Me tocando... Ahm... Me possuindo...
– Kouyou... – Segura o rosto afogueado com as duas mãos, forçando-o a encará-lo. – Não faz isso comigo...
Continua...
ooOoo
Como prometido... Aqui estamos com o cap 3 da nossa fic/jogo, ainda mostrando como uma fic yaoi pode ter sérias conseqüências se cair em mãos erradas... Ou certas, no caso. Esse é um cap levemente dramático, mas mesmo assim 'delicioso' (prometo que essa palavra só vai aparecer uma vez nessas notas. XDDDDD)
Aviso... Pelos nossos cálculos essa nossa comédia-romântica vai ter uns 20 caps. Pois é... Já estamos no cap 13 e o jogo continua em andamento! Mas garanto que ainda teremos momentos extremamente calientes... Olha os nossos tridentes aparecendo!... Como diria nossa amada beta Eri-chan, a quem agradecemos por todo o incentivo e paciência com duas autoras malvadas e malucas.
Espero que gostem e COMENTEM!!!!
06 de Setembro de 2009
03:39 PM
Lady Anubis & Yume Vy
