SECRET LOVE
Capítulo IV – Tentação Irresistível
Apesar de temer mais do que tudo o dia seguinte, quando o loiro voltará à consciência e não dirá mais todas essas palavras sensuais, Aoi toma novamente a boca obscenamente linda... Sua língua brinca naquele interior quente, seus lábios sugando a do outro quando este tenta fazer o mesmo.
O contato com Uruha faz seu pênis pulsar, atiçando-o ainda mais. Seus dentes mordiscam a mucosa carnuda do loiro, que logo começa a ficar enrubescida, sensível demais ao toque... E para Aoi, ver e sentir aquilo é tão gostoso!
– Uhmmm... Hummmm... – Uruha geme dentro daquele beijo, seu membro se enrijecendo todo dentro da calça larguinha, ficando ofegante quando seus lábios são abandonados.
O moreno ataca-lhe o pescoço exposto, tão próximo de sua boca, desejando aceitar seu pedido, mas... A razão sempre o chama, avisando que Uruha está febril e ainda agitado pelo álcool. Como negar isso, mas também como mentir para si próprio dizendo que não quer o que está acontecendo?
– Aaahhhhhh... – Uruha geme alto, jogando a cabeça para trás, arqueando de leve, seus dedos apertando suavemente o membro rijo.
"Kai... Será que você não esqueceu nada aqui?" – Aoi deseja, desesperado com sua incapacidade de resistir.
Os olhos chocolates piscam e por um momento sente-se zonzo, mas respira fundo, continuando... Se concentra apenas na glande, sua respiração rápida se chocando contra o ouvido de Aoi, seu corpo mais colado ao dele...
Cada toque de Kouyou faz Yuu delirar, pois aquele momento lhe parece mais um sonho do qual não quer despertar de jeito nenhum! Os dedos do loiro se movem firmes e fortes em seu membro, subindo e descendo em uma cadência intensa e cada vez mais rápida, que tensiona todo o seu corpo. E ele sabe que não vai agüentar se o objeto de seu amor continuar naquele ritmo...
– Uhmm... Gostoso... É tão gostoso... Tocar você... – Uruha lambe-lhe o lóbulo da orelha, prendendo-o entre os dentes e puxando, ondulando o quadril, pressionando suavemente sua pélvis contra a dele, sentindo a eletricidade percorrer o próprio corpo.
A última ação do loiro, mordiscando sua orelha e pressionando a pélvis contra seu quadril, calam a resistência de sua consciência, agarrando-se a Uruha, concentrando-se nos movimentos dos dedos finos em seu membro... E aquilo é demais!
– Ahhhhh... Kouyou... Não... Uhmmmm... – O orgasmo chega intenso, escurecendo sua visão, forçando-o a pressionar-se contra a parede as suas costas para manter-se sentado.
– Uhmmm... – O loiro geme, sentindo sua mão ser molhada pelo prazer de Aoi, um pouco de seu abdômen e calça se sujando com o sêmen do moreno.
Uruha então continua tocando-o, até que a última gota escape. Ergue a mão, olhando o líquido branco entre seus dedos e suspira, debruçando-se sobre ele, apoiando a cabeça em seu ombro.
Depois disso tudo, Aoi deixa de comandar suas ações, dominado pelo monstro do desejo que guarda dentro de si... Aquele que quer o loiro entre seus braços, que quer tê-lo somente para si, fazê-lo completamente seu.
Ainda deliciado com o êxtase que pôde proporcionar, Kouyou sente as mãos de Yuu em seu corpo, afastando-o e se erguendo, e tudo o que faz é resmungar algo completamente ininteligível... Mas quando dá por si, está deitado no chão molhado, sua boca sendo tomada com luxúria.
– Ahh... Y-Yuu? – Chama, confuso, arrepiado devido ao contato entre sua pele quente e o azulejo frio, olhando para o moreno, ofegante depois do beijo, vendo-o por cima de seu corpo, fazendo seu coração bater mais rápido e o rosto ficar mais corado.
– Você vai ter o que tanto queria... – A voz do moreno muda de tom. – Também vou te dar prazer.
Aoi desce com os lábios sem pressa, percorrendo o peito do loiro e seu abdômen até chegar aos quadris, mordiscando seu membro por sobre o tecido da calça fina, percebendo como isso o afeta.
– Aahhhhh... – Uruha arqueia, sentindo-se ficar mais rijo quando o moreno o toca com tanta intimidade, causando sensações fortes em si, deixando-o zonzo.
O gemido do amigo apenas provoca ainda mais sua gula, puxando o cós da calça e da boxer, liberando a ereção rija e a toma com urgência com toda a boca, depois de uma leve lambida provocativa na glande.
– AAAAOOOOOIIII... – Takashima grita, arqueando, sua mão escorregando pelo piso molhado, as pernas abrindo-se um pouco em reflexo.
Sem poder evitar, o loiro se contorce quando a língua atrevida se concentra em sua glande, arrancando novos gemidos, fracamente envolvendo os fios negros em sua mão, puxando de leve, trêmulo pelo prazer que sente.
O contato dos dedos em sua pele, agarrando-se a seus cabelos, enlouquece Aoi, que o toma com mais intensidade, abrindo-lhe as coxas, estendendo as carícias até os testículos, sugando-os, lambendo com gosto seu períneo.
– Aahm... Ahhmm... – Uruha estremece e suas costas fazem um arco no piso frio quando sente a língua de Aoi tão próxima de sua entrada, mas logo o moreno volta devagar ao seu pênis, mordiscando a glande mais uma vez, tomando-o inteiro e sugando-o com força.
A sensação é forte o suficiente para arrancar gritos roucos dos lábios de Kouyou, seu corpo se contraindo em resposta ao toque dele, gemendo mais alto por ter a boca quente envolvendo seu membro naquela intensidade. Ele estremece quando as ondas de prazer se tornam mais forte, fazendo seu pênis pulsar contra a língua deliciosa. Sua pele está arrepiada e tudo o que Uruha faz é se entregar por completo ao outro, amolecido... Vulnerável ao que quer que Aoi queira fazer.
Yuu sente algo que o perturba, um tremor percorrer o corpo sob o seu, fazendo-o parar um instante. O rosto de Uruha está afogueado, tomado pelo prazer, mas... A febre... E ele está deitado no chão molhado. Quer continuar, ouvindo o loiro murmurando algo ininteligível, provavelmente por querer mais carícias, mas como esquecer o fato que ele treme de frio, os lábios sem controle...?
– Ahm... Nã-Não pára... – Uruha abre os olhos, fitando-o, sua voz saindo manhosa. – Continua... Eu quero mais...
– Kouyou... Você está bem? – Pergunta, preocupado.
– Eu... Eu quero você em mim, Yuuuuuuu... Por favor... Está frio... Sem o seu toque... – Pede, levando o dedo a boca, mordendo a falange do indicador.
Esse pedido... A expressão infantil em seu rosto bonito... Shiroyama volta a perder a razão, deitando-se sobre ele e tomando sua boca com fome. Sua mão continua os movimentos em seu membro, sentindo como isso o faz ronronar como um gatinho, excitando-se mais, decidido a tê-lo para si ali mesmo.
– Uhhmmmm... – Uruha geme dentro do beijo, segurando na blusa de Aoi, puxando-o sem força, sentindo a mão dele ainda em seu membro, estremecendo.
A cadência da mão do guitarrista moreno aumenta, notando na expressão do loiro que logo chegará ao êxtase, mas... Também há um algo mais em seu olhar febril, em sua boca que ainda treme de frio. A confusão o perturba... Razão e desejo lutando dentro de si... Preocupado com seu estado, agora que esqueceu um pouco do que obscurecia sua consciência.
Takashima joga a cabeça para trás, arqueando o corpo bonito, fortes tremores transpassando todo seu ser, enquanto lânguidos gemidos escapam, seu membro pulsando entre os dedos longos... E Uruha puxa o ar com força, seus lábios inchados entreabertos, deixando um canto enlevado escapulir, uma tensão gostosa se formando em seu baixo-ventre, se intensificando cada vez mais...
"Humm... Mas eu não consigo parar... Ele está tão lindo... tão gostoso!" – O moreno pensa, acelerando os movimentos, ansioso por lhe dar o êxtase.
– Ahh... Ahh... Aoooooiii... – O quadril de Uruha se ergue quando seu corpo é atingido pelas fortes sensações do orgasmo, se contorcendo sob Aoi, perdendo o ar no meio daquele turbilhão de emoções... Mergulhando naquele mar negro de prazer... E se perdendo nele...
– Uru... Uruha... Fala comigo! – Desespera-se ao notar o corpo do loiro ficando mole em seus braços, os olhos fechando-se devagar ao perder os sentidos.
Aoi então segura o loiro com mais força e o balança, desejando que ele acorde logo. Tenta não entrar em pânico, pois tais pensamentos podem impedi-lo de agir e...
– Humm... – Uruha abre os olhos aos poucos, lambendo os lábios que estão secos, fechando-os de novo, sentindo-se mole e sonolento. Quer falar com Aoi, mas não consegue... Tudo parece difícil demais.
– Kou? – Aoi chama ao vê-lo começar a despertar e resolve agir.
Uruha sente que é erguido no colo e abre os olhos, vendo que suas roupas são novamente retiradas, um short e uma blusa de manga longa sendo colocados em si, seus cabelos secados e penteados... E um mundo de cobertores encobre seu corpo. Apenas ronrona, gostando, porque ali está quentinho... E simplesmente apaga!
Yuu olha o relógio aflito, faltando ainda meia hora para a segunda dose do remédio para febre. Fica andando de um lado para o outro, vendo-o deitado, o comprimido na mão e o tempo passando mais devagar do que o normal.
– Que droga! – Sente-se ainda mais culpado por ter sucumbido à tentação, mesmo sabendo como era errado. – Vou dar um tiro nesse relógio lerdo!
Resolve não esperar mais. Dissolve o comprimido em um pouco do que restou do chá de jasmim e senta na cama ao lado dele, erguendo delicadamente seu corpo, a fim de fazê-lo engolir o líquido com o remédio.
– Uhmm... – Uruha resmunga algo sem sentido, não abrindo os olhos quando é erguido, mas sem dar trabalho, toma o chá com o remédio.
Tudo parece pressão sobre a cabeça do moreno, que o acomoda sobre o travesseiro, arfando ainda da excitação e do remorso. Não pode acreditar que foi incapaz de resistir àquela tentação... Consciente do estado do loiro... Logo ele que se diz apaixonado por Kouyou.
– Humm... Deita aqui comiguuuu... – O guitarrista mais novo pede chorosamente, puxando Aoi para se deitar com ele, quase dormindo de novo.
Depois de tudo Aoi não deseja se arriscar mais, mas não consegue negar o pedido, sabendo que o outro precisa de calor... Mas dessa vez não vai tentar ficar acordado e muito menos ler aquela maldita fanfic. Coloca-se sob as cobertas com ele, abraçando-o, mas tomando o cuidado de manter um dos cobertores entre seus corpos... Evita o perigoso toque da pele, pois ainda está sensível demais. Aperta-o junto a si, acomodando-lhe a cabeça em seu peito e logo se deixa levar pela sonolência que o assola.
ooOoo
Fogos de artifício explodem do lado de fora devido a uma festa tradicional que ocorre num parque próximo ao hotel em que o the GazettE está hospedado e aos poucos aquele barulho vai acordando Uruha. Sente fisgadas nada agradáveis transpassar seu cérebro... E lentamente vai abrindo os olhos chocolate, tossindo um pouco. Sente-se estranho, sua cabeça dói, mas bem menos do que pensava depois do tanto de bebida que ingeriu, porém, quando se move, sente que algo o impede...
Os olhos chocolates se erguem, piscando, tentando se acostumar à fraca luz que vem do abajur, que não deixa o ambiente na escuridão completa... E então se dá conta de que tem alguém abraçado a ele.
Sua boca se abre, mas nenhum som sai. Aoi está ali, ao lado dele, abraçando-o... Envolvendo todo o seu corpo, passando calor e... É tão quentinho, tão bom, mas... Mas Uruha não se lembra de como foi parar ali e...
– Y-Yuu? – Sua voz finalmente dá o ar de sua graça, trêmula, rouca, mas audível.
Aoi parece ouvir ao longe a voz fraca de Uruha, muito longe, provavelmente parte de mais um de seus sonhos... Muito freqüentes de uns tempos pra cá. Quer acordar, mas o corpo todo lhe dói.
– Hummm... – Geme enquanto se move na cama, abraçando-se mais forte ao travesseiro ou coisa do gênero em que está agarrado.
Uruha sente suas bochechas corarem quando os braços de Aoi o apertam mais, colando seus corpos completamente, sua respiração forte se chocando contra o pescoço do moreno e um arrepio sobe pela coluna do loiro, que sente o coração bater cada vez mais rápido.
"Mas... O que aconteceu?" – Pergunta-se, sua mente ainda obscurecida pela noite de febre.
Logo ele começa a lembrar do que houve... O live, os fanservices de ambos, a insinuação das palavras de Aoi ao dizer que ia para o quarto... Seu medo que o impeliu a ir para o bar e beber até 'criar coragem' para falar com o moreno e... Yuu estava dormindo tão lindamente na cama, mas ainda assim o acordou e o beijou e... Não se lembra direito, mas... Toques... Aquelas mãos fortes passearam por seu corpo, tinha certeza que sim. Recordava-se do frio do azulejo, o calor do membro dele entre seus dedos, de Aoi empurrando-o para o chão e a mão dele...
– Ah, por Kami! – Um frio baila no estômago de Uruha.
Começa a se desesperar internamente. Será que eles... Será que eles fizeram sexo? Remexe-se dentro do abraço, sentindo o corpo dolorido e... E isso significa que...
– A-Aoi! – Chama um pouco mais rápido, suas bochechas coradas.
– Ahm... Que foi? – Aoi diz ainda sonolento.
Abre os olhos devagar, deparando-se com o rosto bonito a sua frente, e sorri para ele, ainda sem noção se é sonho ou não. Quando se dá conta da realidade tenta levantar, mas o movimento brusco é incômodo e resolve voltar a deitar a cabeça no travesseiro.
Kouyou sente que seu coração pode sair pela boca de tanto que bate forte, sua respiração ligeiramente mais rápida e não sabe direito o que pensar... Principalmente com Aoi tão próximo. Quando o moreno se move, o loiro internamente congela, pois sente finalmente que está apenas de short e uma blusa de manga longa...
"É impressão minha ou eu estava vestindo outra roupa?" – Recorda-se vagamente de Aoi ter colocado uma roupa mais quente nele... Estava com febre, mas... – "Ei... Tinha algo grudado em meu abdômen e... Era aquilo. Então por isso...?"
– Finalmente você acordou! – Aoi diz, observando-o de forma terna. – Sente-se melhor?
– E-Eu não sei... – Responde gaguejando, as bochechas mais rubras. A coberta desce um pouco e... Aquilo... Aquilo é cheiro de sexo vindo de Aoi? Tem certeza que sim, então... Então eles realmente...
Não sabe a razão exata disso o incomodar tanto... Mas incomoda. Por mais que isso até o deixe curioso, não se lembrar de nada é algo inaceitável. Como conceber a idéia de chegar a um ponto de embriaguez em que perde a consciência do que faz? E... Aoi... Ele teria coragem de fazer isso? Que droga!
– Aoi, nó-nós... Fizemos se-sexo? – Indaga, e sabe que deve estar vermelho como morangos maduros, pois suas bochechas estão quentes demais... E mais lembranças vêm-lhe a mente enquanto fita os orbes negros de Aoi.
– Bem... Eu... – Sente-se envergonhado por ter cedido à tentação. – Na minha definição de sexo... Humm... Fizemos sim.
Aoi se senta na cama, encarando-o, tentando analisar o que pensa sobre isso. Teme ser mal interpretado... Afinal, não foi certo, mas... Como resistir a tudo aquilo? E... Tanta insistência de Uruha somente podia significar que ele realmente queria.
Uruha abre a boca para falar algo, mas as palavras não saem. Então eles fizeram mesmo sexo... Fica paralisado, tentando se lembrar dos dois juntos, mas... O máximo que se recorda é de tocar Aoi e o moreno retribuindo, beijando-o e... Permanece olhando-o.
– Você... – Engole em seco, sentindo-se culpado. – Não me olhe assim...
– É que... E-Eu me lembro de... To-Tocar você e... – Morde o lábio inferior, sentindo as bochechas coradas e desvia o olhar por um momento. – Eu não me lembro de tudo... Eu...
Está confuso, pois não se recorda... Não se lembra de vir pra cama com ele. Então fizeram sexo ali... Naquela cama? Mas não é possível, já que se recorda do banheiro e agora está com outra roupa, mas o moreno não. Perdido em seus próprios pensamentos, desce a mão pelo próprio corpo, parando sobre o ventre, pensativo, relembrando-se de Aoi falando... Ele disse mesmo que... Que o amava?
– Então você... Em mim... To-Todo dentro...? – Volta a fitá-lo, envergonhado, mas seus olhos também transmitem ânsia, agitação, mas... Nenhum pingo de censura.
– NÃO!!! – Sente uma necessidade desesperada de justificar-se. – Foi... Apenas isso... Você queria...
– Não?! – Parte de si se sente aliviado por saber que Aoi e ele não transaram completamente, que o moreno não o penetrou, mas... Outra parte, no entanto, sente frustração e isso... Esse sentimento assusta Uruha. – Eu queria...?
Shiroyama se levanta meio sem jeito, não sabendo o que pensar ou o que sentir. As palavras de Uruha não deixam entrever o que sente... Reprovação ou satisfação. Tudo lhe parece incerto...
O loiro sente o coração bater mais rápido, mordendo o lábio inferior, um frio bailando em seu estômago. Será que Aoi percebeu que ele está cogitando a idéia deles...
– Me diz o que você sente quanto a isso... – A voz do moreno procura denotar decisão, pois precisa saber.
Ao vê-lo de pé, percebe o quão atordoado o moreno está. A preocupação é clara naqueles olhos, em cada gesto e se sente culpado por deixá-lo assim. Senta-se na cama, sua cabeça roda e ele a toca, murmurando uma reclamação, uma tontura o abatendo, bem como uma sutil náusea, mas respira fundo, se controlando. Ajeita-se melhor e fecha os olhos por um momento. Está envergonhado, mas... Deve ser sincero com o moreno, pois não quer machucá-lo, nem fazê-lo pensar que queria brincar apenas.
– Hum... Não me lembro de tudo, mas... Quando te toquei, eu... Adorei. – Sussurra, de olhos ainda fechados, levando a mão à boca, os dedos roçando de leve nos lábios. – Você estava tão lindo! Era delicioso... Ver você...
– Ahm? – Yuu, que desviara o olhar do loiro, evitando a sua reprovação, volta a observá-lo, ainda duvidando do que está ouvindo.
Uruha começa a mergulhar naquelas lembranças, mantendo os orbes fechados, a expressão em sua face mostrando deleite enquanto visualiza a cena... Aoi arqueando, gemendo para si... A pele macia e quente dele em contato com a sua...
– E quando você me tocou foi tão... Gostoso! Tão... Humm... Prazeroso! – As palavras saem baixas, mais para si mesmo que para o moreno, como se estivesse constatando para si quais as sensações que permearam seu ser, suspirando. – E seus beijos...
Por alguns instantes não sabe o que dizer, ainda descrente dessas palavras, querendo acreditar, mas temendo que a qualquer instante possa acordar do sonho. Quer dizer como se sente, revelar como isso o desnorteia, mas ao mesmo tempo o fascina.
– Eu... – Pensa seriamente no que dizer, desejando tomá-lo ali em seus braços.
Ao ouvir a voz de Aoi, Uruha volta a fitá-lo, mesmo que esteja envergonhado. Sente-se extremamente ansioso, querendo saber o que ele pensa, o que acha de si... Se vai ficar consigo e beijá-lo de novo daquela forma e... Sim. Tem medo, mas... Alguns beijos não fariam mal algum, certo?
Alguém bate à porta, Aoi perdendo-se com essa distração, mas não querendo abrir... Não em um momento decisivo desses! Mas as batidas são insistentes. Olha bem para Uruha, os orbes chocolate fixos nele, a espera de que continue, mas acaba abaixando a cabeça diante de sua incapacidade de revelar o sentimento que ameaça explodir-lhe o peito.
Desiste, percebendo como o loiro se deita, a expressão frustrada, virando de costas e se enrolando no cobertor. Então decide ver logo quem bate com tanta insistência, andando até a porta e a abrindo, vislumbrando a imagem de Kai com expressão cansada.
– Que droga, Kai! – Diz desanimado. – Que hora pra chegar!
– Bom dia, Aoi! O que houve? Uruha não está bem ainda? – Pergunta todo preocupado. – Eu... Interrompi algo?
Os olhos negros voltam-se e vêem o loiro ainda deitado, sentindo um nó na garganta, olhando para Kai ainda mais triste.
– Não... Nada! – Tenta sorrir, mas não consegue. – E... Ele deve estar dormindo.
Deixa o amigo entrar e sai, sem pensar em colocar um agasalho sobre a calça de malha e a camiseta, calçando apenas um tênis e seguindo atordoado pelo corredor.
Kai fica assustado ao ver como Aoi parece perturbado, deixando o quarto sem nada dizer e isso o preocupa mais ainda. Entra e caminha até Uruha, olhando-o, percebendo que parece mesmo dormir e suavemente deposita a mão na testa dele, notando que está morno e fita o relógio. De acordo com seus cálculos ele não pode tomar nenhum remédio agora, mas é melhor que, um pouco mais tarde, tome o analgésico de novo. Afasta-se e sai, fechando a porta atrás de si... É bom que ele durma mais um pouco.
– ...! – Uruha abre os olhos, frustrado e magoado. Por que Aoi não disse nada? Será que... Pra ele era apenas brincadeira?
ooOoo
Andando animadamente pelo corredor está Ruki, seu sorriso mostra plena satisfação e tudo o que o pequeno consegue pensar é que a noite com Reita havia sido maravilhosa. Tão distraído está que não percebe que vem alguém na direção contrária, igualmente distraído, acabando por se chocarem.
– Ai! Ah... Desculpa! – O vocalista diz, erguendo o olhar, vendo que se trata de Aoi. – Bom dia, Aoi! Tudo bem?
E o sorriso do pequeno se torna ainda mais largo, os olhos brilhando, pois quer saber o que está rolando entre Aoi e Uruha, porque sabe que algo aconteceu! Desce o olhar, vendo que o moreno parece ter acabado de acordar e...
– Wow! Você devia ter mais cuidado, Aoi. Essas marcas de sêmen na sua roupa são comprometedoras, sabe... – Comenta, sorrindo maliciosamente. – Acho que temos que conversar, certo?
– Não estou afim! – Há impaciência em sua voz. – Vou andar um pouco pra esfriar a cabeça.
Passa por Ruki, não querendo realmente falar sobre o que aconteceu, mas o vocalista não parece disposto a deixá-lo passar e o segura forte pelo braço, os dois se encarando.
– Calma aí, Aoi! – Ruki fica sério. – Você não está bem... E nós vamos conversar sim.
Fala decidido e sem esperar resposta começa a puxá-lo até seu quarto. Sabe que Reita não está lá, pois o baixista acordou cedo e resolveu que ia usufruir da academia do hotel, recompensando-o com um amasso que valeu a pena. Entra no quarto e fecha a porta, voltando sua atenção para o moreno.
– Vamos. Fala logo o que houve. – Diz firmemente, exigindo uma resposta.
A contragosto ele o acompanha, mas ao ver-se no quarto e interrogado, caminha até a janela, socando a parede, machucando-se com essa atitude, mas tentando evitar que ele note.
– Eu sou um idiota... – Fala sem olhar para o amigo. – Eu o confundi... Ele parece empolgado, mas morto de medo... Eu o levei a isso.
– O confundiu como? – Ruki indaga, sentindo um aperto no peito ao ver como Aoi está.
Aoi encosta-se à parede e escorrega até sentar-se no chão, uma expressão derrotada em todo o corpo, largando-se sem conseguir chorar, mesmo que a mão lhe doa terrivelmente.
Ruki caminha até ele, se ajoelhando ao lado de Aoi, abraçando-o, trazendo a cabeça dele para apoiar-se em seu ombro. Seus dedos acariciam os cabelos negros, tentando confortá-lo de algum modo, sabendo que parte daquele sofrimento é culpa sua, porém tem esperança de que os dois cabeças-duras possam ficar juntos.
– Ele está empolgado em ficar com você, mas tem medo? – Indaga baixinho. – Aoi... Me conta direitinho o que aconteceu... Eu quero ajudá-lo.
– Ele estava confuso... Bebeu... E de repente me queria desesperadamente... – Na verdade Aoi não deseja falar nisso. – Acabei... Eu... Me deixei levar...
Tenta mover a mão, mas não consegue, observando os dedos que já começam a inchar.
– Agora ele se empolgou, mas... – Encara o amigo preocupado. – Está apavorado com isso. Ele não teria pensado em mim se eu não tivesse... Ah... Esquece!
Ruki percebe que Aoi não fala as coisas logicamente, mas pelo que pôde compreender o moreno seguiu seu conselho e mostrou a fanfic para Uruha, o que deve tê-lo deixado chocado e tudo mais... E o que também explica o fato do loiro estar empolgado com os fanservices com Aoi no live.
– Você... O beijou? – Pergunta, ainda acariciando-o, reparando então na mão do moreno, pegando-a com delicadeza, vendo como está vermelha. – Yuu...
– Mas não foi só um beijo! – Tenta pensar com coerência, mas não consegue. – Eu sabia que ele... Bêbado e doente... E eu fiz mais...
– Aoi, escuta! – Ruki o segura, mantendo o olhar do amigo preso ao seu. – Uruha gosta de você, eu tenho certeza que sim!
O moreno gostaria de acreditar nisso, mas a sua mente somente consegue ver culpa, remorso, todos aqueles malditos sentimentos ruins que costumam estragar tudo que se relaciona com o que descobriu sentir pelo melhor amigo.
– Pensa bem... Se ele está com medo é natural, porque Kouyou nunca se relacionou com outro homem... Nunca fez sexo com um... – Um pensamento malicioso passando por sua mente e provocando-lhe um sorrisinho sarcástico. – E por acaso você já fez?
– Bem... Eu... Já fiz... Mas... – Suas tentativas anteriores passando de relance em sua mente. – Taka... Não estamos falando disso!
– Estamos sim. Você também teve medo quando... Se assumiu. – Ruki abraça Aoi apertado, querendo transmitir com esse gesto mais confiança ao amigo. – E esse medo mostra também que ele não quer machucar você... Está percebendo isso?
Levanta com dificuldade, afastando-se de Ruki.
– Aoi... Lute por seus sonhos... Lute pelo Uruha! Esse medo dele é receio, então mostre que... – Aproxima-se dele e fica na ponta dos pés, sussurrando em seu ouvido, docemente. – Ele não precisa ter medo de algo gostoso... De algo bom assim, principalmente quando se tem amor envolvido.
– Você não entende... Eu não... Como pude? – Caminha na direção da porta e a abre. – Pior foi o olhar assustado dele quando pensou que...
Ruki sabe que Aoi é muito racional em seus relacionamentos... E em sua opinião está sendo cauteloso demais no momento. Se ele se mantiver pensando assim, pode desistir antes mesmo de tentar e isso seria péssimo... Para os dois.
– É claro que o Uruha vai olhar assustado pra você, Aoi. Porque tudo é novo pra ele. Se você agir com firmeza, ele sentirá segurança para se soltar... – Aconselha-o, colocando as mãos na cintura. – Se você agir dessa forma, sem saber o que fazer, o Kou vai se sentir ainda mais inseguro... Pense nisso.
– Ok... – Não tem vontade de falar mais do que isso.
– Só não o deixe sozinho muito tempo. – Diz, deixando que Aoi se vá... – Se ele está... Doente... Vai querer que você fique perto.
Não deseja mais conversar, precisa respirar, pensar no que houve, naquilo que Uruha lhe disse, nas palavras de Ruki... É muita coisa e sua mente está confusa demais.
ooOoo
Aoi caminha pela rua por algum tempo, pensando no que dizer a Uruha, até que sente o extremo frio, odiando ter saído só de camiseta... E a mão que dói terrivelmente, junto com o vento gelado, o convence a voltar. Abre a porta, procurando por Uruha, mas a primeira vista não o vê, temendo que tenha estragado tudo.
Veste uma blusa de lã, tremendo demais quando sente o contraste entre a pele gelada e o quentinho do agasalho. Senta na cama, olhando para a outra arrumada ao lado da sua e a mala do loiro já fechada, evidenciando que está pronto para partirem para a próxima cidade.
– Será que é tarde, Kouyou? – Sussurra para si mesmo.
ooOoo
Uruha está no quarto de Kai, deitado na cama dele, enquanto o mesmo prepara a própria mala. O moreno havia ficado preocupado e, após ir ao seu quarto arrumar sua mala, o arrastou da cama, fazendo-o tomar banho, lhe dando remédio e praticamente obrigando-o a comer algo... E acabou que ficou o tempo todo ali, perto do companheiro de banda. Quando ouve o celular dele tocar e o sorriso de covinhas aparecer... Kouyou sabe que ele fala com Miyavi.
– Vou pro meu quarto. – Diz, já se levantando, querendo dar privacidade ao amigo. – Prometo ficar deitado.
Caminha pelos corredores lentamente, chegando enfim a seu quarto, abrindo a porta e entrando, tossindo um pouco, fechando-a atrás de si. Dá de cara com Aoi sentado na própria cama, recordando-se da conversa de ambos... Lembrando-se dos toques e... Fica quieto no mesmo lugar por alguns instantes, não sabendo o que dizer ou fazer.
– Bom dia, Yuu... – Sussurra, sua voz saindo ligeiramente rouca. Move-se, caminhando até o moreno, se sentando ao lado dele, ficando de cabeça baixa. Quer conversar, mas... Não sabe por onde começar.
– Você se sente melhor? – Aoi pergunta, lançando um olhar terno em sua direção.
– Sim... Kai-chan me deu remédio de manhã. – Responde, percebendo que ele o olha e passa a fitá-lo também, reconhecendo aquele calor carinhoso em seus olhos, sentindo o coração apertar. – Não tem nada pra me falar?
– Eu tive receio de ter feito você se envolver... De tê-lo levado a confundir seus sentimentos. – Fala olhando para o nada, temendo encará-lo. – Mas o pior foi ver o medo em seus olhos...
Aquele modo de Aoi falar o deixa impaciente e irritado, além de muito ansioso. Tudo bem que ele está confuso, mas... Com o moreno fugindo assim é que o faz querer arrancar os cabelos.
– E agora você quer me culpar? – Levanta-se, irritado, caminhando de um lado para o outro e então parando, fitando o outro. – É claro que eu teria medo, Aoi. Eu não me lembrava de tudo o que tinha acontecido... Você queria que eu estivesse rindo?
– Não! A culpa não é sua! – Aoi se ergue e segura Uruha pelos braços, forçando-o a encará-lo. – A culpa é minha por fazer isso com você. Quando estava doente e bêbado... Devia ter sido forte e esperado para conversarmos primeiro...
Uruha o olha quando sente seus braços presos pelas mãos fortes de Aoi, fitando dentro dos olhos negros... E ouvir que o moreno se sente culpado, que se acha o responsável por deixá-lo confuso, sem saber se queria ou não, o irrita. Depois de vê-lo aborrecido apenas por causa de uns fanservices mais ousados, como aquele em que o beijou, decidiu que o melhor era se afastar, ficar mais como amigo, menos íntimo do que já foram... E ele veio com aquela entrevista... Com aquela fanfic e...
Como sempre Aoi fica com as meias palavras, o que acaba fazendo com que o interpretem mal, mas nesses assuntos de sentimentos não é muito habilidoso...
– Yuu... – Não entende porque o moreno está sendo tão evasivo, nunca revelando tudo... E isso o deixa inseguro, sem saber como agir.
– Eu sei que você tem medo de algo que nunca sentiu... Do desconhecido... – Fixa-se nos olhos chocolate, decidido a considerar todas as suas demais experiências como inexistentes, pois nenhuma delas tinha amor envolvido. – Eu também nunca experimentei nada assim.
– Seja sincero, Aoi. Você gostou do meu toque? De quando... – Precisa admitir que saber isso se torna essencial para si mesmo. – Me tocou? Gostou de me beijar e fazer... De me levar ao orgasmo?
Após as palavras saírem de sua boca, Uruha sente sua face queimar, e espera não estar tão corado quanto acha que pode estar. Mas... Aquilo é culpa de Aoi! Afinal, por que tinha que ficar daquele jeito, falando meias palavras e o deixando irritado?
– Caramba... É o que eu desejo há muito tempo, mas... – Leva uma das mãos ao rosto irritado do loiro, procurando acalmá-lo. – Não queria que fosse daquele jeito... Queria que você me tocasse plenamente consciente do que faz. Entende?
– Então... – Seu coração falha uma batida ao ouvir aquelas palavras e o toque em seu rosto apenas faz com que o sangue seja bombeado mais rapidamente por todo o seu corpo.
Aoi quer desfazer o estrago de suas ações da noite anterior, mas sabe que é impossível. Não pode apenas apagar o que aconteceu, mas... Há uma maneira... Só precisa que Uruha aceite.
– Então se eu quisesse te tocar agora... Você deixaria? – Uruha indaga, testando o moreno, sua respiração mais acelerada do que o normal.
– Eu aceitaria com todo o prazer, mas não acho que seria o melhor. – Segura o rosto de Uruha com as duas mãos, delicadamente. – Quero que seja muito mais do que sexo entre nós.
– Mas... – Não pode falar mais nada, não quando Aoi segura seu rosto entre as mãos, falando daquela maneira, fazendo seu coração bater mais forte.
O moreno se aproxima, vendo os olhos chocolate se fecharem e o beija com ternura. Sente como esse toque o arrepia, o corpo maior estremecendo quando os lábios se encontram e sendo correspondido. As mãos finas pousam em seus ombros, enquanto enlaça o loiro pela cintura, as respirações de ambos descompassadas quando as bocas se separam, encarando mais uma vez a face corada.
– Eu quero namorar com você... Te conhecer melhor... Além da amizade. – Deseja que ele não interprete mal sua recusa. – O sexo vai surgir quando nós soubermos exatamente o que sentimos um pelo outro.
– Namorar?! – Sussurra, piscando os olhos, mordendo o lábio inferior ao pensar sobre isso... Ir com calma, sabendo que o teria ali... Que poderiam se beijar e... Seus olhos descem dos dele, para a boca, voltando novamente aos orbes negros. – T-Tá... Então... Vamos namorar...
Continua...
ooOoo
Sei que este cap 4 vem um pouco atrasado com relação ao prazo que colocamos pra vocês, mas prometo que daqui pra frente as coisas estão um pouquinho mais calmas e atualizaremos com intervalos bem menores. Como eu sei que terminamos o cap anterior de forma extremamente malvada... Aqui matamos a curiosidade de todas as pervas de plantão... Não pensem que nos excluímos dessa categoria... Somos mesmo e com orgulho.
Aviso... O jogo está praticamente terminado e terá cerca de 14 caps. Dedicamos esse capítulo a nossa amada beta Eri-chan, a quem agradecemos por todo o incentivo e paciência com duas autoras malucas, por ter apreciado tanto o ponto em que terminamos o anterior.
Espero que gostem e COMENTEM!!!!
02 de Novembro de 2009.
18:17 PM.
Lady Anúbis e Yume Vy
