SECRET LOVE

Capítulo 07 – Provocações

Uruha passa a mão nos cabelos, vendo a mala, percebendo que tem que trocar de roupa logo, mas é complicado pensar em que peças escolher devido à eletricidade que ainda percorre seu ser, mas suspira fundo e tenta se acalmar, focando-se no que deve.

Aoi levanta de um pulo antes que perca a vontade de sair, começando a temer a reação dos amigos ao verem o estrago em sua mão. Só que não pretende deixar de tocar... Quanto a isso vai bater o pé.

– Deve ser o Kai... – Takashima diz o óbvio por pura frustração, aproximando-se da mala e se abaixando, pegando uma calça jeans e uma blusa justa sem mangas, bem como uma boxer, indo ao banheiro para se trocar.

Yutaka bate mais uma vez na porta, esperando que Aoi atenda e quando o mesmo o faz, sorri para ele. Entra no cômodo, olhando ao redor e vê que Uruha não está por ali, percebendo então que a porta do banheiro está fechada, concluindo que o loiro está se trocando.

– Bom dia, Aoi! Dormiu bem? – Indaga, voltando a fitá-lo.

– Eu estou ótimo! – Diz tentando de alguma forma evitar falar sobre a mão. – Dormi como um anjo!

Aoi nota quando Kouyou deixa o banheiro, torcendo pra ele estar tão apressado que esqueça o assunto que mais teme. Caminha para a porta, botando ainda mais pressa no sempre atrasado loiro, esperando que sua tática dê certo.

– Bom dia, Kai-chan! – Diz Uruha, sorrindo para o moreno de covinhas.

– Bom dia, Uruha! – Kai gosta de ver que ele está de bom humor.

– Vamos, gente! – Yuu já está na porta com a expressão aflita.

Uruha ouve o chamado e percebe na mesma hora que Aoi está com pressa porque quer esconder seu machucado e apenas estreita os olhos, caminhando na direção dele, sendo seguido por Kai.

– Ah, Kai-chan, eu esqueci de dizer... – Pensa se deve ser sincero com o líder da banda, mas teme como Shiroyama pode reagir.

Quando Uruha começa a falar o sangue gela nas veias de Aoi... Ele vai denunciá-lo e com isso estaria totalmente perdido. Tem vontade de avançar sobre seu loiro e calá-lo com um beijo, mas não consegue se mover.

– Eu e Aoi não vamos tomar café aqui... Vamos sair pra resolver umas coisas. – Fala, colocando uma mecha de cabelo atrás da orelha. – Desculpa não ter avisado antes.

– Oh, tudo bem! Só não demorem. – Pede Yutaka.

– Claro! Vamos, Aoi? – Uruha chama, passando pelo moreno, caminhando em direção ao elevador.

Ao ver que o loiro evita estrategicamente o assunto, certo alívio toma conta de Yuu, mas fica claro que Kouyou não deixa margem para que possa fugir do lugar onde pretende levá-lo. E a expressão vitoriosa no rosto lindo ao passar por ele, sabendo que o encurralou irremediavelmente, o provoca ainda mais.

– Você me paga! – Sussurra quando ele passa, sendo seguido de perto por Kai.

Uruha ouve as palavras de Aoi e ergue uma sobrancelha, porém fica em silêncio, descendo de elevador junto com o moreno e Kai, que sai antes, deixando-os sozinhos para irem até o hall de entrada.

– Eu te salvo e é assim que você me agradece? – Uruha cruza os braços, fazendo bico. – Eu devia ter te denunciado pro Kai, isso sim...

– Não fica com essa cara! – Aoi se sente culpado com as palavras dele. – Eu... Você me encurralou... E não gosto disso! Por mim deixava pra ir ao médico quando terminasse a turnê.

– O que você prefere, Aoi? Ir ao médico para que ele veja isso e te passe um remédio correto ou... – Faz uma pausa, fitando-o seriamente, seus olhos mostrando toda a repreensão presente em seu ser. – Que você não cuide do machucado e, provavelmente, não possa continuar tocando no meio do live?

– Não vou parar de tocar no meio do live! – Aoi diz, defendendo-se.

O loiro suspira profundamente, passando a mão nos cabelos, irritado com essa insistência dele em não querer ver o machucado na mão. Isso, em sua opinião, é criancice! E Uruha não consegue segurar as palavras...

– Será que você não percebe que eu estou preocupado com você? Se você não quer ir por si mesmo, faça isso por mim, poxa! – Fala, sentindo-se magoado. – Pense também nos fãs... Eles vão ficar preocupados se você não conseguir tocar... E quanto a todos que pagaram pra ver o show? Acha que ia ser legal eles irem lá pra ver um live de duas horas e o mesmo ter que ser interrompido com trinta minutos ou menos?

E por mais que Aoi não queira, também se fecha, cruzando os braços e encostando-se ao fundo do elevador, emburrado, pois não gosta em nada de médicos e... Muito menos de se sentir pressionado dessa forma. E assim ficam em silêncio até que param no térreo, o loiro saindo apressado, enquanto Yuu enrola para sair, como um garotinho faria ao ser obrigado a fazer algo.

Já fora do prédio, Uruha chama um táxi, vendo-o parar e faz sinal com a cabeça para que Aoi entre, sua expressão séria ainda denunciando o seu desgosto para com a atitude do guitarrista mais velho.

– Se fosse eu que estivesse machucado, Aoi... – Sussurra sério, sentado ao lado dele no banco de trás do veículo. – Você me deixaria tocar sem que um especialista dissesse que seria possível?

– Não. Te levava ao médico... Carregado se fosse preciso! – Sabe que ele está certo, mas teimosamente ainda resiste.

– Então seja um bom menino e me deixe levá-lo pro hospital. – Kouyou fala no mesmo instante, sem deixar de fitá-lo com seriedade.

– Ok... Vamos... – Admite que ele tem razão, mas não pode deixá-lo perceber que o convenceu. – Mas... Eu não vou deixar de tocar, mesmo se ele proibir.

"Isso é o que veremos." – Pensa o loiro, mirando a paisagem do lado de fora do carro.

Se o médico dissesse que seu moreno não pode tocar e Aoi continuasse insistindo, ELE se recusaria a tocar, e como a banda não pode se apresentar sem os guitarristas, com Shiroyama machucado, teriam que cancelar o live. Pois não acobertaria isso de forma alguma e com certeza contaria tudo ao Kai.

Dentro do táxi Yuu tenta quebrar o clima ruim que se instalara entre eles, mais por sua própria culpa. Toca a mão de Uruha que está sobre o banco, entre eles, segurando-a firme, um sorriso surgindo no rosto adorado, fazendo-o derreter-se. Faz qualquer coisa por ele, mesmo que não queira e deseja que saiba disso. Carinhosamente passa o dedo de forma delicada pela palma dele, fazendo-o corar, a pele de ambos se arrepiando.

Takashima sente que o toque em sua mão e o carinho gostoso é um disfarçado pedido de desculpas do orgulhoso moreno, então o fita, suavizando mais a expressão. Aquele gesto tão cálido mina sua irritação, mas não sua determinação em cuidar do amado!

OOO

Chegam enfim ao hospital e sem demora o loiro paga a corrida, saindo do veículo acompanhado do moreno. Encaminham-se até a recepção, pedindo atendimento e logo são levados para a sala onde o médico os atenderia. Uruha fica em pé, fazendo Aoi se sentar.

O homem examina a mão com cuidado e tira vários raios-X, concluindo que é uma luxação e que uma tala nos dedos é necessária, mas não o proibindo de tocar, embora ache que seria muito complicado.

Apesar do incômodo, a dor diminui, mesmo com um grande inchaço. Porém o pior é a dolorosa injeção de antiinflamatório no bumbum e como uma criança Aoi ameaça fugir, mas Uruha o segura, fazendo-o gemer baixinho, mesmo antes da agulha o furar. Volta no táxi calado, pensando seriamente em como tocar com essa coisa em sua mão, mas não consegue pensar em muitas opções...

Uruha se mantém com uma expressão divertida na face, pois nunca pensou que Aoi tentaria fugir de uma injeção, tendo que segurá-lo e a carinha de criança mimada dele no caminho de volta é simplesmente fofa.

– Espero que tenha ficado feliz. – O moreno fala, fazendo bico. – Depois vou querer beijinhos no local dolorido pra fazer sarar!

– Sim, eu estou feliz porque agora você vai ficar bem! – Fala docemente, se aproximando, sussurrando-lhe baixinho ao ouvido. – Eu beijo, lambo... E faço o que mais você desejar, Yuu...

Afasta-se do namorado, vendo que falta pouco pra chegarem, mas vislumbra um local que chama sua atenção e pede para o motorista parar. Dali para o hotel em que estão hospedados não dá nem dois quarteirões, então podem voltar normalmente a pé. Desce do táxi e se vira para o moreno.

– Vamos tomar café ali, Yuu! Eu quero o bolo que eles vendem! – Seus olhos brilham como os de uma criança.

– Bolo? – Sorri ao ver a expressão gulosa em seus olhos.

– Comi da última vez em que estivemos nessa cidade. Tem um bolo de chocolate delicioso! E a cobertura então... Uhmmm... – Uruha lambe os lábios só de pensar no sabor, caminhando em direção ao estabelecimento.

– Será que vai dar tempo? – Diz isso mais para provocá-lo, sabendo como a gula é um de seus vícios mais adoráveis... Sempre se deliciava ao vê-lo se lambuzar com chantilly ou chocolate. No fundo deseja demais vê-lo comer esse bolo, mas nada é mais fofo do que sua expressão contrariada quando o questiona nestes momentos.

– É claro que vai dar! Por que não daria? – Fala com o moreno, fazendo um biquinho adorável, segurando a mão não machucada de Aoi, puxando-o sem lhe dar tempo de resposta e entra com um lindo sorriso desenhado nos lábios.

O acompanha quieto, apenas observando o entusiasmo do loiro, gostando da mesa afastada onde pode apreciar com privacidade o ritual guloso de Uruha as voltas com a cobertura... Para ele se lambuzar bastante... Sempre o olhava nestes momentos, mesmo antes de começarem a namorar, temendo que os outros notassem como observá-lo lambendo os lábios era excitante demais para Aoi.

– Essa mesa está ótima... – Diz inocentemente, sem sequer imaginar o que pensa o moreno. – Dá última vez que estive aqui, provei e agora preciso provar de novo... Se bem que temos também que tomar um café decente antes ne...

– Pede o que quiser. – Aproxima-se de sua orelha antes de se sentarem. – Fico excitado com você se deliciando com doces.

Quando Aoi sussurra em seu ouvido, Uruha se arrepia e imediatamente sente um calor subindo por seu pescoço e suas bochechas queimarem, denunciando o quão vermelhas devem estar, ficando completamente envergonhado e sem jeito.

Senta-se antes mesmo do loiro, vendo que conseguiu produzir o efeito desejado, mantendo uma expressão maliciosa no rosto ao vê-lo acomodar-se ao seu lado no banco inteiriço, escondendo o rosto detrás do cardápio.

– O... O que eu faço que te deixa... Hum... Assim? – Indaga o loiro, ainda sem fitá-lo, curioso apesar de envergonhado, pensando no que vai pedir, em dúvida entre um sanduíche natural ou uma torta de frango.

Yuu se aproxima mais uma vez, quase encostando os lábios em sua orelha, sorrindo ao ver como essa proximidade o perturba. Uruha estremece, o coração batendo mais rápido e acaba mordendo o lábio inferior ante a ansiedade que o atinge, permanecendo quieto, apenas aguardando que fale, mantendo os olhos no cardápio.

– Gosto de te ver lambuzadinho de cobertura... Lambendo os lábios... – Fala devagar, de forma sensual, quase libidinosa. – Penso em você coberto de chocolate... E eu te lambendo inteirinho.

– Y-Yuu... – As bochechas de Uruha ficam ainda mais vermelhas, enquanto imagina o moreno lambendo-o e se sente tão pervertido ao pensar na cena que deseja sumir dali por um instante.

– Ohayo! Desejam alguma coisa? – Indaga a garçonete, sorrindo amavelmente aos dois e ao ouvir a voz da garota Uruha quase pula no lugar, ficando ainda mais envergonhado.

– Ah... Sanduíche natural, uma porção de batatas fritas, sakê e... Uma torta de chocolate com cobertura dupla! – Dispara, passando a mão no rosto e abaixando mais os olhos, deixando a franja cobrir a face ainda rubra... – E... E você, Yuu?

– Além de você? – Fala com malícia, recostando-se no sofá, parecendo o mais inocente possível.

Percebe como suas palavras assustam a garota, satisfeito com a expressão sem graça dela, segurando-se para não rir. Espreguiça, colocando o braço por sobre o ombro do loiro, trazendo-o mais pra perto de si.

Uruha imediatamente ergue a cabeça, fitando o moreno, surpreso com a resposta dele, sentindo-se corar ainda mais, tentando falar algo, mas simplesmente não consegue. Vê que a menina parece chocada e mais uma vez abaixa a cabeça, desnorteado.

– Y-Yuu? – Sente-se sendo puxado, logo vendo-se preso pelo braço forte e quente do namorado e, por mais que esteja desconcertado, sorri timidamente com aquele gesto tão carinhoso e possessivo.

– Me traz um café. – Aoi sorri para a moça boquiaberta. – Acho que só isso. Cancela o sakê dele e traz um energético... Tem aqueles que são afrodisíacos?

– S-Sim, senhor. – A menina diz, anotando o pedido, um doce rubor bailando em suas bochechas. – Haaai! Tem sim, pedirei para trazerem o mais rápido possível!

Quando ela sai, Uruha dá um soquinho na coxa de Aoi, erguendo a cabeça, fitando-o, ainda corado. Fica em silêncio por uns momentos e então finalmente reúne forças para falar algo.

– Isso foi cruel, Yuuuuuu... – Fala de modo infantil, fazendo um biquinho. – Você fez de propósito só porque segurei você aquela hora não foi?

– Quem? Eu? – Sorri mais uma vez, dessa vez forçando uma inocência falsa. – Estava apenas marcando território... Aquela fulaninha que fique longe de você.

– Mas... Mas ela nem olhou pra mim! – Reclama, fazendo um beicinho, não aceitando aquela resposta. Yuu está se vingando, isso sim, afinal, a menina não o cantou nem o fitou de modo insinuante... Não que ele tenha percebido.

Ele se acomoda no banco, cutucando o pé de Uruha vez ou outra, apenas para provocá-lo. Apesar da mão ainda lhe doer bastante, sente um incrível bom humor, talvez por causa do sedativo que lhe foi aplicado junto com o antiinflamatório... Que provavelmente começa a fazer efeito.

Quando a garçonete volta com o pedido, depositando o café diante dele na mesa, faz sua mais safada expressão, descaradamente colocando uma das pernas sobre as de Kouyou, estrategicamente abrindo as coxas, deixando-se a vista da moça mais do que encabulada.

O loiro percebe que a garçonete chega receosa e ao ver o movimento de Aoi, ficando em uma posição que a deixa ver o membro oculto pela calça justa, mas isso faz uma fagulha de ciúme percorrer seu ser e fica sério.

"O que ele pensa que está fazendo?" – O loiro se pergunta, trazendo o sanduíche natural para perto, bem como o energético.

– Você traria uma fatia desse bolo pra mim, queridinha? – Manda um beijinho pra ela, sorrindo safadamente.

Quando a garota se afasta, Uruha dá um gole na bebida, começando a tomar seu café da manhã, com a expressão séria, não conseguindo esconder sua irritação, que pode ser facilmente notada por seus gestos.

– Não gostei do que você fez, Aoi. – Uruha fala, sem fitá-lo. – Parece que está dando em cima dela...

– Não é isso, seu bobo... – Aproxima-se tanto que praticamente se cola ao corpo do outro, lambendo sua orelha de forma libidinosa. – Gostei de ver a expressão chocada da moça. Mas... A tolinha ainda não viu nada!

– Yuu... – Tenta se encolher, mas não tem como fugir, seu corpo se arrepiando todo ao sentir a língua dele em sua orelha, preocupando-se quando ele disse que 'ela não viu nada'.

Quando a garçonete volta, Aoi continua ali, colado ao loiro como uma ventosa, rindo por dentro ao perceber como a perturbação da pobre adolescente se torna quase pânico. Imagina o que ela está pensando que pretendem fazer se agarrando ali e...

"Até que não seria uma má idéia... Seria bem excitante!" – Assusta-se com o próprio pensamento, já ultrapassando o ponto onde o namoro não passa de masturbar um ao outro, percebendo que precisa ter Uruha por inteiro.

Takashima para de comer um pouco, lambendo os lábios, pois tem aquela boca novamente em sua orelha, a língua brincando, o que lhe causa arrepios pelo corpo todo. Estremece e fica totalmente corado, vendo a garota sair atordoada.

– Y-Yuu... Você está assustando ela... – Sussurra o loiro, se sentindo um pouco temeroso com aquela ousadia do moreno. – E eu também...

– Não fique com medo. – Pede o moreno, beijando carinhosamente o rosto do seu loiro, sentindo que seu tom gentil o fez relaxar um pouco.

Respirando fundo, o loiro termina de comer o sanduíche e tomar o suco, achando-o incrivelmente gostoso e ao terminá-lo, pega enfim o bolo, lambendo os lábios ao olhá-lo. É de chocolate e com muita calda... Com lentidão, Uruha corta um pedaço, colocando na boca, fechando os olhos para degustar aquele sabor delicioso!

– Uhmmmm... É tão booommm! – Geme arrastadamente, retirando devagar a colher da boca, lambendo-a e pega mais um pedaço, fitando o moreno. – Prova o seu, Aoi... Tenho certeza que vai concordar comigo!

Sorrindo, Uruha prova mais um pedaço, lambendo mais uma vez a colher. Pega só um pouco da calda, leva à boca, realmente satisfeito por provar aquele bolo tão gostoso, relaxando e nem se lembrando do que acontece ao redor, pois o lugar onde se sentaram é super calmo nesse horário.

Por mais que pense em comer seu bolo Aoi acaba desistindo. Só consegue se concentrar no loiro apetitoso saboreando o doce com aquela expressão infantil que tanto o excita. Engole em seco ao vê-lo levar o talher à boca, delirando com o sabor, um pouco da calda de chocolate em seu queixo... E ele geme diante de seus olhos, fazendo a ereção começar a incomodá-lo. Ajeita-se melhor na cadeira para disfarçá-la, mas a colher sendo lambida de forma tão sensual o faz suspirar! Como alguém pode ser tão sedutor sem ao menos perceber?

– Se você continuar a fazer isso... Te devoro todinho aqui mesmo! – Fala num sussurro, mas perfeitamente audível para quem lhe interessa.

Uruha continua a se deliciar com seu bolo com calda, não percebendo as reações que causa em Aoi, entretido demais com o sabor ímpar que se dissolve entre seus lábios, até ouvir o sussurro do moreno, virando o rosto e fitando-o, o talher em sua boca... E ele apenas o retira lentamente, sentindo as bochechas quentes.

– Você não... Faria isso, ne...? – Indaga, sem realmente saber o que esperar dele.

Lembra então de Aoi lhe falando de como se excitava ao vê-lo comer doces e sorri, pegando mais um pedaço de bolo, levando a boca. Decide que já que o namorado o está 'punindo', vai entrar na brincadeira e deixá-lo sem jeito, como tem feito com ele desde que chegaram à cafeteria.

– Hummmm... Eu estou te provocando, Yuu? – Indaga, comendo mais um pedaço, seus lábios se sujando com calda e lentamente Uruha os lambe, sorrindo num misto de sensualidade e travessura.

O guitarrista moreno vai se aproximando devagar, colocando as pernas sobre as dele para evitar que fuja, olhando-o diretamente nos olhos com aquele ar de que não gosta de ser desafiado, percebendo como ele se arrepia.

– Ei... Por que está fazendo isso, Yuu? – Pergunta, vendo que, com as pernas dele sobre as suas, fica preso e aquilo é... Perigoso.

– Agora você já despertou a fera. – Fala sem ligar se alguém o ouve.

– Não gostou da minha pergunta? – Indaga, olhando-o nos olhos, sorrindo docemente, desvia então o olhar, pegando outro pedaço, comendo normalmente, sem a intenção de provocá-lo... Evitando o rumo que tudo isso toma.

– Imagina! Eu adorei... – O tom de sua voz é malicioso. – Mas agora agüenta as conseqüências.

– Como? – Volta-se para ele, seus lábios sujos de chocolate.

A mão de Aoi escorrega para entre as pernas do loiro, roçando de leve o pênis de Uruha por sobre a calça, brincando com os botões de seu jeans Levi's 501, insinuando que os abriria, olhando ora para o namorado boquiaberto, ora para os botões que vão escorregando para fora da casinha, um a um...

Ao sentir aqueles toques leves em seu membro, Uruha estremece, fitando o moreno, assustado com o gesto. Os músculos de seu abdômen se contraem ao vê-lo brincar com os botões de sua calça e suas bochechas começam a esquentar mais, sua respiração se tornando mais pesada só com a perspectiva do que ele pode fazer.

Yuu nada diz, concentrado apenas nisso, gotículas de suor lhe descendo pela testa, o nervosismo sendo muito mais pela excitação do que pelo receio de serem surpreendidos nesse ato. Seus dedos então se esgueiram para dentro, tocando-o por cima da cueca sutilmente, como uma leve carícia, deleitando-se com as reações que provoca.

– Nã-Não faz isso, Yuu... – Pede o loiro, percebendo que ele abre a sua calça, enfiando a mão...

Uruha segura um ofego, estremecendo mais uma vez e molha os lábios que estão secos, olhando ao redor pra ver se alguém está notando aquilo. O lugar está relativamente vazio, apenas um casal de idosos e um homem esquisito de capa de chuva... A garçonete está ocupada em encher açucareiros, evitando olhar para eles, talvez ainda chocada com a atitude de Yuu.

– Pá-Pára com isso... – Kouyou pede, segurando a colher com força e apesar do medo, uma inusitada excitação baila em seu ser, fazendo correntes elétricas correrem para seu baixo-ventre...

O guitarrista moreno se inclina e o beija com delicadeza no canto da boca, vendo que Uruha ofega ao lamber a calda de chocolate, para em seguida olhá-lo mais uma vez, um sorriso safado no rosto. Sente-se excitado, invadindo-o com a língua brincalhona, as mãos passeando por seu ventre, pelo quadril e voltando a adentrar a calça aberta.

O loirinho fita Aoi sem acreditar no que ele está fazendo... Aquela ousadia o assusta e o excita ao mesmo tempo... E aquilo é uma loucura! Onde está aquele Shiroyama Yuu que queria ir com calma? Evaporou por acaso pra dar lugar a um predador cheio de malícia e sedução?

Aoi sorri novamente, percebendo malicioso como suas ações o afetam e isso o encoraja ainda mais. Deixa-se escorregar para debaixo da mesa, sempre observando o rosto espantado do loiro, sabendo que jamais imaginou que fosse capaz disso, mas sente-se ousado como nunca, excitado com essa faceta que nem ele mesmo pensou ter. Ajoelha-se cuidadosamente para não esbarrar em nada, levantando devagar a toalha, sorrindo para Uruha.

– A-Aoi! – Exclama surpreso ao vê-lo fazer aquilo, sua respiração falhando, enquanto seu coração dispara por completo, vendo-o levantar a toalha da mesa, o rosto dele entre suas pernas e...

– Posso servir-lhe algo especial? – Fala sem rir, idéias libidinosas esquentando seu corpo todo. – Aceita um doce com bastante creme?

– Y-Yuu... – Uruha ofega, sentindo toda a pele arrepiar fortemente, sendo visível através do rasgo no tecido da calça, bem como nos braços... Aquela insinuação presente na pergunta dele. – O... O que você?

– Sempre quis fazer isso... Não exatamente em público... – Sua voz sai vagarosa. – Mas esse perigo... Estou nervoso, mas todo arrepiado.

– M-Mas...? – Uruha não consegue falar algo que possa fazer Aoi parar, até porque aquela posição sugestiva, o brilho nos olhos dele... Tudo isso o excita tanto, que se sente até mesmo apertado dentro daquela calça.

Os dedos ágeis do mais velho avançam delicadamente para dentro da braguilha já aberta, tocando novamente sobre a cueca, mas se insinuando para seu interior, tomando seu membro com firmeza. Nunca perde os orbes chocolate de vista, preparado para parar no instante em que Kouyou não se sinta bem.

Ao sentir os dedos dele entrando na sua roupa, seu corpo se arrepia e seu membro pulsa ante o toque sutil, deixando a boca de Uruha seca, enquanto seus olhos se escurecem mais. Ele mira ao redor, vendo que todos estão normais, ninguém repara nada e o local onde está, devido a uns vasos de bambu, o deixa mais oculto e... Isso é ótimo!

Aoi tira então seu objeto de desejo para fora, erguendo-se de leve, aproximando-se devagar e silencioso, fazendo suspense. Com a ponta da língua dá a primeira lambida na glande, provocante e sensual, circulando-a, sentindo seu sabor, arrepiando-se inteirinho.

– Ahmm... Aoi... – Uruha geme baixinho ao sentir o toque em seu membro, a língua molhada e quente o contornando de um jeito impudico, fazendo-o estremecer.

– Você quer? – Pergunta, querendo realmente saber a vontade do rapaz de lindos olhos e boca deliciosa.

– Uhmmm... Siiimmm... – Responde baixinho, de modo arrastado, não conseguindo resistir àquela voz sedutora. Sutilmente se recosta à parede e escorrega ligeiramente, abrindo mais as pernas para facilitar para ele, a face corada... Só quer sentir a boca dele, ali... Agora.

Essa resposta acende seu fogo, fazendo-o tremer, a ansiedade quase o sufocando. Coloca-se ainda mais entre as pernas do loiro assim que ele escorrega, o pênis ereto mais acessível, pulsando ao seu toque, os leves gemidos o deixando ensandecido. Toca-o mais uma vez com a língua, agora de forma mais vigorosa, provando da glande macia, para depois descer por todo ele, finalizando com mordidinhas nos testículos.

Uruha respira mais profundamente ao sentir a língua de Aoi em seu membro e morde o lábio inferior quando rodopia por sua glande, lambendo com intensidade, deixando-o ainda mais enlouquecido... E o loiro apenas se segura para não gemer alto com o prazer que aquela boca lhe proporciona.

– Uhm... Y-Yuu... Ahm... – Uruha abre os olhos que nem notou ter fechado, olhando ao redor, vendo que ao longe, a garçonete o olha, intrigada, então pega o prato com o bolo, provando mais um pedaço para disfarçar. – Uhmmmm...

– Hummmm... Você é delicioso! – Sussurra Shiroyama, enquanto inicia os movimentos com as mãos, masturbando-o, sentindo como isso o umedece, tornando o ato cada vez mais prazeroso. – Muito mais do que qualquer bolo... Que o doce mais fabuloso do mundo.

O suave sobe-e-desce que ele faz com as mãos o deixa completamente excitado... E Uruha se segura para simplesmente não ondular o quadril, tentando controlar a respiração, seu tesão evidenciado pela umidade presente em sua glande... E as palavras roucas de Aoi são um estímulo a mais...

– Por favor, Yuu... – Deseja que ele o sugue logo, comendo outro pedaço de bolo, enquanto vê a garçonete sumir e respira mais aliviado, mas se envergonhando pelo que pediria. – Uhmmm... Me... Me chupa gostoso...

– Faço tudo que você quiser... – Diz antes de abocanhá-lo, tomando seu membro por inteiro, brincando com ele com a língua, movimentando naquele entra e sai que o faz fechar os olhos para se manter parado ou, do contrário, cairia.

Uruha segura um gemido alto na garganta ao ser envolvido pela boca quente e úmida de Aoi, estremecendo dos pés a cabeça, respirando cada vez mais descompassado. Leva o dedo à boca e morde com força, como se isso o ajudasse a se controlar, seus músculos retesados devido ao prazer, sentindo a adrenalina percorrer todo seu corpo em máxima velocidade.

Aoi o suga delicadamente, para em seguida fazê-lo com vigor, entregando-se a essa dicotomia de sensações, do carinhoso e violento, afastando com as mãos ainda mais suas coxas. Não se importa que alguém os veja, que sejam surpreendidos, pois não pretende parar antes que Uruha se desmanche em sua boca! Então continua seus movimentos, abrindo os olhos, cada vez mais fascinado pelo rubor envergonhado, acompanhado dos gemidos excitados, essa contradição fazendo do seu loiro alguém único e original.

– Uhmm... Hummmm... Y-Yuu... – O loiro geme baixinho, estremecendo, fechando os olhos, ofegante, sua face completamente vermelha. Por mais que não queira está envergonhado, apenas por pensar que alguém possa vê-los e descobrir o que acontece entre eles, mas ao mesmo tempo excitadíssimo com o toque daquela boca e aquele vai-e-vem obsceno que Yuu faz.

– Hummmm... Eu quero... Te saborear... – Fala com a boca ainda cheia da delícia e do prazer, sugando e mordendo o membro teso e de pele macia.

– Y-Yuu... Hummm... Pa-Pare... Assim eu... Não agüento... – Segura forte na toalha da mesa, contorcendo-se de prazer, sentindo-se próximo do ápice, mesmo que ele mal tenha começado... E Uruha se sente simplesmente perdido com aquilo.

– Não posso parar... Hummm... – Sua voz sai rouca e ofegante. – Você é delicioso demais!

Inicia o intensificar do ato de sugar, sentindo todo o sabor de Uruha em sua língua, mantendo uma das mãos sobre a coxa, indo de sua virilha até seu períneo, massageando seus testículos. A outra sobe por seu ventre, entrando por sob sua camiseta e tocando sua pele macia em um movimento que rapidamente o arrepia.

O corpo de Uruha estremece cada vez mais, o prazer se tornando insuportável! Sabe que não conseguirá se segurar por muito tempo, não com o moreno o sugando daquela forma, rodopiando os dedos sobre sua virilha, colocando a mão dentro de sua calça, tocando-o de leve no períneo e testículos...

– Ahmm... Yuuuu... – Takashima morde o lábio inferior, seu corpo sendo atingido por espasmos cada vez mais fortes e tenta se segurar... Só um pouco, mas é impossível...

– Quero te provar... Ter seu sabor na minha boca... – Encara os olhos chocolate que o fitam com dificuldade. – Te devorar...

– Uuhhhhhmmmmmmmmmm... – O loiro geme baixo, arrastadamente, seu corpo todo sendo atingido por espasmos deliciosos, estremecendo com o orgasmo intenso que percorre cada célula, enquanto inunda a boca de Aoi, arqueando e se perdendo... O mundo ao seu redor se desfaz, existindo apenas o êxtase.

Ao sentir o líquido quente inundar sua boca, um mar de sensações o invade, deixando-o preenchê-la inteiramente e descer bem devagar pela garganta. Deseja guardar cada sutil sabor, reconhecendo aquilo que é Kouyou, sua identidade... Aquilo que apenas Yuu conhece dessa forma. Isso o faz o homem mais feliz do mundo, junto da pessoa amada, sentindo-o, saboreando-o e... Uma vontade imensa de tomá-lo inteiramente se apossa dele. Se não estivessem ali, num lugar público, Uruha seria finalmente seu.

– Uhmmmm... Hoje eu vou... – Encara-o com seu rosto mais inocente, lambendo os lábios para não perder nem uma gota.

Uruha está amolecido naquela mesa, a cabeça recostada à parede, as bochechas vermelhas, os lábios úmidos entreabertos deixando o ar entrar de forma descompassada, sua mente ainda nublada pelas sensações que percorrem todo o seu corpo, os olhos fechados. Aquilo foi tão bom, tão gostoso que ele tem vontade de...

– Hummm... Que delícia! – Ronrona o moreno, enrouquecido e excitado com a expressão do seu loiro.

– Hummm... Yuu... – Abre lentamente os olhos chocolates, erguendo a cabeça. Fita o mais velho, enrubescido, os orbes nublados mostrando que se encontra naquele torpor proporcionado pelo orgasmo. Quer dizer tantas coisas... No entanto, não tem forças.

– Vem pra pertinho de mim... – Pede dengoso, sua voz enrouquecida.

O pedido do seu loiro o derrete, então escorrega de volta para o banco, sentando-se ao lado dele, encostando-se ao seu corpo ainda cheio de tesão, beijando-o suavemente, para aumentar a intensidade logo em seguida.

– Uhmmm... – Uruha geme baixinho dentro do beijo, enlevado.

E enquanto estão unidos, lábios e línguas se explorando, segura a mão do loiro e a conduz para seu próprio corpo, colocando-a sobre seu membro ereto preso pela calça jeans. Afasta-se ligeiramente e o observa malicioso, mas ainda assim cheio de carinho.

O loiro pisca os olhos e morde o lábio inferior ao notar o volume presente dentro da calça do moreno, ofegando apenas por tê-lo tão excitado assim por sua casa. Desce o olhar por um momento e então volta a mirar os orbes negros de Shiroyama, que estão ainda mais brilhantes.

– Aoi... – Uruha sussurra, mirando aquela boca obscena, fechando os olhos ao vê-lo aproximar os lábios cheios de seu ouvido, estremecendo.

– Viu como estou excitado? Você faz isso comigo. – Sussurra no ouvido de Kouyou. – Hoje vamos fazer aquilo que ainda não fizemos... Aceita?

– Uhmmmmm... Sim, Yuu... Eu quero fazer amor com você. – O loiro responde, abrindo os olhos e vendo a garçonete se afastando rapidamente.

Uruha cora, pensando no que ela viu, mas decide deixar isso de lado e aperta o membro em sua mão, deliciando-se ao ver como o moreno estremece. Lança um último olhar para os outros clientes e para a garçonete com ar desconfiado no rosto.

– Quer que eu dê um jeito nisso, Yuu... Agora? – Sussurra no ouvido dele.

Continua...

ooOoo

OPA! Ainda estou viva! Gente, desculpa a demora na atualização, mas a batalha diária contra a deprê anda difícil, portanto acabei entrando em hiatus por um tempo. Mas aqui está mais um cap pra vcs e espero conseguir atualizar o 8 mais depressa.

Agradeço ao esforço da minha linda beta, minha adorada filhota Eri-chan e a minha co-autora, pois sem elas nada disso estaria aqui pra vcs lerem.

Ah... Preciso citar que essa 'quase' lemon sempre me faz recordar de uma cena deliciosa que tive o prazer de betar, nos tempos em que ainda betava as fics da minha querida amiga Samantha Tiger. Está numa história incrível que ela escreveu para HP e se intitula 'After All'. Nem vou dizer o cap ou página, pois recomendo que leiam ela inteira. Linda demais!

Adoro todos vcs, queridos leitores que ainda acham que vale a pena esperar pelas minhas histórias, mesmo que demorem tanto! Agradeço de coração todos os reviews que recebemos e a todas as pessoas que leram. Mil beijos.

02 de Agosto de 2010

03:08 PM

Lady Anúbis e Yume Vy