Ser normal para ser diferente

Capítulo 11 – Deixo

- Mas, Levez… Será que a gente tem mesmo que ir? – Dc olhava a guarda-costas com tristeza no olhar.

- Srta. Corr. Não é meu direito fazer o que quero. Eu sigo ordens, sabe? – Levez olhou-a discretamente por trás de seus óculos escuros. Tinha cabelos negros presos num rabo-de-cavalo. A pele era escura.

"Eu me lembro sempre a onde quer que eu vá…"

- Mas, Levez… Eu sou sua superior, não é? – Diana tentava qualquer coisa, precisava ficar no colégio…

- Srta. Corr… - Levez parou a limusine num parque, ali perto. – Sei que quer ficar lá, mas a senhora sua mãe…

A senhora minha mãe não precisa ficar sabendo onde estou… Diga… Diga que estou na casa de um namorado, e que ele tem trocentos seguranças que vão me proteger e… e…

- Não está falando do garoto Fowl, não é, Srta. Corr? – Levez tirou os óculos, e subiu as janelas do automóvel. – Sabe que tudo o que está fazendo é…

- De acordo com o plano, eu sei… - Diana estava com lágrimas nos olhos. – Mas, Levez, eu simplesmente não consigo esquecer-me dos olhos dele, Levez…

"Só um pensamento em qualquer lugar…"

- Você terá que mentir muito bem, Srta. Corr, e, cá entre nós, você nunca soube fazer isso muito bem… - Levez encostou a cabeça na porta do carro, olhando para a moça atrás do banco.

- Mas, Levez, você tem que fazer isso! Me leve à casa de Artemis, tenho que planejar tudo com ele. – Dc disse, decidida.

- Mas, Srta. Corr…

- Isto é uma ordem, Levez, obedeça. Você é a guarda-costas, eu sou a patroa. – Diana odiava dar ordens à Levez, pois a mulher sempre fora sua amiga. Mas a situação era diferente… Ela precisa falar com "sua maior amiga". Muito. E só havia um modo para conseguir: Artemis Fowl II.

"Só penso em você…"

- Mas Diana não conseguia parar de pensar em Artemis de um jeito diferente. Ela sabia que ele odiava todas aquelas roupas de adolescente que usava. Ela também sabia que Artemis odiava suas aulas de dança. Mas ele a beijara. Foi, realmente, um beijo.

"… em querer te encontrar…"

- Diana não queria deixá-lo. Jamais. Sabia que teria de fazer isso, mas não aceitava. Não entrava na sua cabeça o que deveria fazer. Levez não entendia.

- Se pensa que eu não entendo, Srta. Corr, está muito enganada. – Levez falou, como se lesse seus pensamentos. – Eu já fui adolescente. Eu sei o que é ter um amor… Um amor que você sabe que vai ter que deixar ir embora.

"Lembro daquele beijo que você me deu"

- Um amor? Você, realmente, teve um amor, Levez? – Diana sentou-se ereta. – Conte-me sobre ele.

Levez sorriu, enquanto começava a dirigir.

- Não vai querer saber, Srta. Corr. – Levez dirigia com cuidado, dando à Diana tempo de apreciar a paisagem irlandesa que tanto amava. – É meio… triste.

- Adoro dramas. – Diana disse, olhando Levez pelo retrovisor.

- Que seja… Bem… Eu o conheci na minha primeira academia… Ele era o melhor, na minha opinião. Eu realmente gostava dele. E acho que ele gostava de mim também, ou então, não teria me beijado, um dia… - Ela sacudiu a cabeça, para tirar um fio de cabelo da boca (a janela voltara a se abrir, com o aperto de um botão). – Mas o nosso trabalho não permitia sentimentos, muito menos paixões. Então, fui mandada para outro lugar, para que o… para que ele pudesse treinar em paz.

"Que até hoje está gravado em mim"

- Nossa… vocês nunca voltaram a se encontrar?

- Sim… duas vezes. – Levez falou, e um sorriso se formou em seus lábios.

- E vocês ficaram juntos? Essas duas vezes? – Diana parecia uma criança curiosa.

- Sim. – Levez deixou que uma lágrima descesse pelos seus olhos. – Tive dois filhos com ele.

- Que lindo! Então ele é seu marido?

- Não. Não posso ficar com ele. – Levez limpou a lágrima, rapidamente. – Minha academia era mais liberal que a dele. Por motivos óbvios, eu não pude dizer à ele que ele tinha filhos. Já fazem uns 20 anos. Ele nunca viu nenhum dos dois, e nem sabe na existência deles.

- Que triste, Levez… Mas por que você não me falou deles? – Diana perguntou, angustiada.

- Porque não há necessidade, Srta. Corr. Isso me faz lembrar de coisas que não me cabem. Sentimentos atrapalharam minha vida, e a dele. Não posso deixar que ele saiba, atrapalharia o trabalho.

"E quando a noite vem…"

- Você vai me levar na casa do Artemis? – Perguntou Diana.

- Vou, Srta. – Levez suspirou fundo. O carro percorreu mais umas duas quadras, e Diana pôde ver a Mansão Fowl, imponente, magestosa.

- Quem deseja? – Perguntou uma voz de um interfone vindo de lugar nenhum.

- A Srta. Diana Amethist Corr deseja falar com o Sr. Artemis Fowl II. – Disse Levez, magestosamente. – Ele se encontra?

- Eu me encontro sim. – Disse uma voz conhecida pelo interfone, e, meio minuto depois, os portões se abriam.

Os jardins eram simplesmente enormes. Fontes estavam dispostas dos dois lados, jorrando grandes quantidades de água cristalina. As árvores davam um sentimento místico àquela mansão tão sofisticada.

"Fico louca pra dormir…"

Ao chegar na porta, a qual um serviçal abriu, Diana entrou, juntamente com Levez. Foram levadas à sala principal, onde Artemis a esperava.

"Só pra ter você nos meus sonhos

Me falando coisas de amor…"

Tudo era ricamente decorado. Cristais, molduras em cobre, ouro branco pelas paredes, enfeitando quadros e molduras. O chão era brilhante, e as luzes de teto, com mais sofisticação que o palácio de um rei.

"Sinto que me perco no tempo

Debaixo do meu cobertor"

Assim que entraram na sala, Diana viu Artemis sentado. Butler ao seu lado, em pé. A moça abriu um sorriso quando viu o seu "vampiro" sentado, e sorriu mais ainda quando viu que ele se levantou para recebê-la, totalmente vestido de preto, o terno o deixava mais bonito… Diana nunca imaginava que Artemis fosse tão charmoso.

Correu de encontro a Artemis, que a abraçou, dizendo:

- Nunca te vi tão bonita antes, Dc. – Diana usava um vestido branco, com flores aqui e acolá em vermelho. Sandálias delicadas e brancas singiam-lhe os pés, e os cabelos longos e negros eram rodeados por uma tiara branca simples. O colar em seu pescoço, em forma de fada, estava mais brilhante que nunca.

Artemis a pora no chão, e olhou Butler, meio com medo, meio com cautela. Viu que o amigo estava um pouco áereo, mas que consentiu à Artemis, então este ultimo deu um pequeno beijo em Diana.

- Eu estava com saudades, Arty. – Diana disse, sorrindo.

- Acho que eu também estava. – Artemis deu um sorriso, que ao mesmo tempo que era bonito, era misterioso. – E quem é "ela"?

- Ah, é a Levez. Minha guarda-costas. – Virou-se para olhar Levez, e viu que ela estava com os olhos arregalados, mesmo por trás dos óculos escuros.

"Eu faria tudo pra não te perder…"

Ah, não… não ele…

Diana virou-se e olhou para Butler. Ele também estava meio "diferente", meio distante.

"…Assim…"

Não! Ele não podia ser… Mas era. O cara da história de Levez… era Butler.

"Mas o dia vem, e deixo você ir…"

- Artemis… - Diana olhou para Artemis, querendo tirar Levez daquela situação… estar na frente de Butler, com um segredo tão grande guardado. – Você tem outros guardas-costas por ai, não é?

- Claro que sim. Por quê? – O Moreno perguntou, olhando para Levez.

- Pode ir, Levez. – Diana foi rápida. – E diga à mamãe que voltarei às cinco, certo?

- Seis. – Artemis disse, rápido.

- Cinco e meia. Ponto final. – Diana sorriu. – Vá logo, Levez. Não se preocupe.

- Sim, Srta. Corr… - Ela consentiu com a cabeça, olhando de esguela para Butler.

Diana observou Levez passer pela porta, então voltou-se para Artemis. Viu que o garoto abria a boca para perguntar, mas Diana pôs um dedo na boca dele.

- Um dia te conto. – E foi pra perto do ouvido dele, e sussurrou. – É realmente um segredo muito "cabeludo", e não quero que Butler escute. Ok?

- "Ok". – Artemis estava com uma sobrancelha levantada, alguma coisa estava acontecendo, e ele iria descobrir…

Continua…

N/A.: Moaaa!! É... foi triste sim! Mas, a partir de agora, as coisas começam a se esclarescer...

Fla! Friend! Aqui está a continuação!! Bjo, bjo! Obrigada às duas pelos reviews!!

Polly - Polly!