Ser Normal para Ser Diferente
16 – All is full of love
Os cabelos compridos caiam levemente pelas costas brancas da moça. Estava sem roupa, mas os cabelos cobriam-lhe os seios. Ela se levanta, e olha para ele com seus olhos multicoloridos. Sua boca se mexe, mas não há som. Ela está se distanciando. A saia branca, rasgada como as das odaliscas, balançava com o vento frio que tocava seu corpo. Tatuagens cobriam seus braços e pernas. Tatuagens que retratavam seres de outro mundo… os cabelos brancos, tão compridos, pareciam voar com o vento, e ela parecia se distanciando, desaparecendo gradualmente.
- DIANA! – Artemis grita, mas não escuta o som da própria voz.
- DIANA! – Continua gritando, e quanto mais ele grita, mais ela parece ir embora.
- DIANA! – Pela terceira vez ele grita, e ela some.
- Culpa minha, culpa minha… ela foi embora e é culpa minha. – Artemis repetia para si mesmo.
"You'll be given love
You'll be taken care of"
Diana acorda com uma dor no peito. Os olhos multicoloridos se acostumam rapidamente com a falta de luz. Olha no relógio: 02:58.
- Mas tão cedo...?
- É preciso, Alteza.
- Holly... – A moça levanta-se da cama, com cuidado para não acordar a amiga que dorme tranquilamente, e vai até a janela, onde apenas se vê um leve tremeluzido contra a luz da lua que entra pela janela. – O que eles fizeram...?
- Goblins? Ah... – Holly aparece do nada, lágrimas querendo se formar nos olhos castanhos. – Não são goblins, Alteza...
- E o que é, Holly? – Diana olha para Holly, enquanto a elfa entrelaça os dedos na frente do corpo.
- Só posso dizer, senhorita, que não é deste mundo... – Então a elfa coloca as duas mãos na frente do rosto, deixando as lágrimas caírem.
"You'll be given love
You have to trust it"
Artemis acorda e se senta na cama, devagar. O vento frio que entra pela janela aberta e balança as cortinas toca seu corpo, deixando-o com frio. Mas ele não se cobre. Coloca os pés desnudos no chão, sem importar-se com o quão frio o mesmo está. Não se dá o trabalho de pegar o roupão. A calça folgada que usa arrasta pelo chão, e ele não se dá ao trabalho de ao menos tirá-la do caminho dos dedos. Pára na frente do espelho, e olha atentamente para o seu corpo. Apesar de saber que aquele a quem via era ele mesmo, não sabia se realmente era dono de si mesmo. Ártemis já tinha realmente um dono... Uma dona.
Era Diana.
"Maybe not from the sources
You have poured yours"
- Extraterrestres? É isso que você quer dizer, Holly? – Diana falou o mais silenciosamente que podia, olhando discretamente para Hitomi, ainda adormecida.
- Não sei, senhorita...! Parece mais uma tribo de seres do que com seres humanos... mas se parecem mais com seres humanos do que com extraterrestres...! – Holly diz, aflita.
Diana respira um pouco. Agora as coisas deveriam se explicar. Deviam se encontrar, e acabar com todo o mistério que cercava a vida de Diana: uma junção entre todas as espécies. Poderes de goblin, dedos como os de anões, corpo de elfo, cérebro de centauro, entre tantas outras espécies que nem ela mesma sabia. Era a princesa do Mundo das Fadas, filha do Povo da Lama.
"Maybe not from the directions
You are staring at"
- Acredito que sei o que pode ser, Holly. – Diana levanta a cabeça e abre bem os olhos, tentando evitar lágrimas. – São seres como eu. Mestiços. Não querem nos fazer mau, querem o que é deles de direito.
- Mas, Alteza, - Holly ficou pasma. – eles atacaram o nosso mundo, queimaram nosso livro Sagrado, e nos juraram de morte se não deixássemos nosso lugar!
- Então há um cabeça por cima disso tudo. – Diana falou, com segurança.
- Como sabes disso... Alteza? – Holly ofegou, sem saber se sua pergunta era ofensiva ou não.
- Não sei se você lembra, Holly, mas sou bem mais velha que você. – Diana a olhou com tom sugestivo, os olhos mudando de cor rapidamente.
- Sim, lembro, Alteza. – Holly assentiu com a cabeça.
- Bem... Em uma de minhas encarnações, uma mulher, chamada Tamarania, os Dords, que é o nome desse povo, fez um acordo com o povo das fadas e com o povo da lama, para evitar tanta guerra. Uma divisão de terras. O Povo das Fadas viveria no subterrânio, os humanos nas terras livres, e os Dords... Bem, eles ficariam em florestas subglaciais, onde seu desenvolvimento é mais significativo, já que eles não são deste planeta em questão: a Terra.
"Twist your head around
It's all around you"
- Não sabia disso, Alteza. – Holly pareceu surpresa.
- Ninguém sabia. O idiota do... Desculpe, Frond não contou a história direito. Os humanos, e você sabe muito bem disso, não são tão ruins quanto parecem. Nós fizemos esse acordo há muito tempo atrás. Os Dords são donos destas terras já faladas, mas os humanos não lembram do acordo, e são traiçoeiros. Eles estam destruindo as casas deles, o gelo está derretendo, as árvores que sobrevivem ali estão morrendo. É um mundo paralelo, Holly, ao qual poucas pessoas conhecem. Os Dords preferem ficar escondidos, e viver com o que a natureza dá... mas por culpa do homem, a natureza não está dando mais nada. O que me incomoda, Holly, não é o fato de eles estarem reinvindicando o que é deles – porque eles estão certos! -, mas o fato em si de eles estarem fazendo isso. Os Dords são passivos e comunicativos, nunca iniciariam uma guerra sem que fosse realmente necessário. Nunca iniciariam uma guerra sem me avisar...
Holly flutuava do lado de fora da janela, sem poder entrar.
- Avise-os de que estou chegando, Holly. Avise-os de que a Princesa Amethist Alegria está voltando para casa. – Ela já estava voltando para a cama, mas deu meia volta. – E, Holly?
- Sim, Alteza? – A voz fraca de Holly ecoou no vento.
- Avise à Artemis que precisamos dele… Avise-o que eu preciso dele.
"All is full of love
All around you"
Artemis estava à caminho do aeroporto. Ele iria encontrar Diana a todo custo, quando sentiu uma leve dor de cabeça. Seu celular começou a tocar.
- Artemis, não vá. – Assim que o telefonema foi atendido, a voz de Holly se ouviu.
- Por quê?
- Ela está vindo para cá.
Foi o suficiente para Artemis.
- Obrigado, Holly. – Artemis desligou o aparelho. – Butler, meia volta, vamos para casa.
- Sim, senhor. – Butler fez uma curva fechada na pista sem nem ao menos esperar o contorno.
- "Se ela está voltando", - Artemis pensou – "Isso quer dizer que algo horrível está para acontecer.
"All is full of love
You just ain't receiving
All is full of love
Your phone is off the hook"
Diana deu um abraço apertado em sua amiga Hitomi, que estava chorando e balbuciando palavras em japonês. O dom das línguas de Diana permitiu que ela entendesse a amiga, e estava triste, também.
- Por que se vai tão cedo, Diana-Chan? – A oriental perguntava. – Doshite?
- Há coisas que nem mesmo respondendo é compreensível, Hito-Chan. – Diana fez uma referência e saiu correndo para o jato particular, que já aguardava na plataforma municipal. Tentava conter as lágrimas. Sabia que sentiria mais saudades que o suportável.
- Diana-Chan! – Escutou a voz de Kazuhiko, que havia levado a irmã até a plataforma. – Ja mata ne!
- Ja ne! – Diana gritou de volta.
"All is full of love
Your doors are all shut
All is full of love!
And be the lil'angel"
Quando Artemis chegou em casa, passou pela sala e encontrou os pais. Eles estavam conversando e comentaram algo sem importância para Artemis, e ele não soube responder. Saiu andando para o seu quarto e jogou-se na cama, olhando para o teto. Estava mudado. Estava esquisito. O rapaz pálido tocou o abdômen recém estruturado. Valeria a pena mudar por conta de uma garota esquisita? Valeria a pena arriscar tudo por conta de Diana Corr? Artemis refletia, refletia, até que uma determinada frase de Diana chegou à sua mente.
Certa vez, quando os dois estavam fazendo exercícios no chão do quarto onde "moravam", Diana levantou a cabeça e perguntou:
"- Se hoje em dia ser diferente é normal, ser normal é ser diferente?".
- Ser normal é ser diferente? – Artemis indagou em voz alta, quando ouviu a porta de seu quarto abrir. – Butler, eu dis...
- Não é Butler, Artemis. – Angeline Fowl entrou no quarto, sem pedir permissão. Tudo ao redor pareceu iluminar-se com sua presença esmagadora, cheia de beleza. – Achei que você estava meio frustrado.
- Não é frustração...
- É aquela mocinha, não é? – Angeline sentou na beirada da cama de Artemis. – Achei que você gostasse dela.
- Gosto. – Artemis falou sem pensar, e se arrependeu imediatamente.
- Ela parecia ser uma boa pessoa...
- É. – Novamente ele desejou engolir de volta o som que saira da sua boca. – Ela está voltando, e não sei como falar com ela. Eu acabei com ela, e não sei se ela vai aceitar minhas desculpas.
- Você irá pedir desculpas? – Angeline levantou uma sobrancelha, colocando atrás da orelha uma mecha de cabelo acizentado.
- Sim. Acho que é a coisa certa a fazer. – Artemis apertou os dentes, enquanto pensava. – A única coisa que resta, agora, é esperar por ela.
- Boa sorte então, filho. – Angeline sorriu e passou a mão no ombro do filho.
Quando Angeline saiu do quarto, Artemis deitou novamente na cama. E agora? O que ele diria à Diana quando a visse?
N/A.: Meu Deus! Há quanto tempo não falo com vocês!! Há quanto tempo eu não posto!! – envergonhada -. Meninas, desculpem, mesmo...! Foi desleixamento meu, admito...! Mas, sabe, esse ano tem PSS e eu to doidinha aqui...! Me desejem sorte, garotas!
Bem, capítulo devidamente postado, espero que seja bom o suficiente!!
Beijo à todas!!
Polly-polly!
