Ser Normal Para Ser Diferente
Capítulo 19: Brighter than Sunshine
"I never understood before
I never knew what love was for
My heart was broke, my head was sore
What a feeling"
Diana mordia os lábios, olhando para a porta. Mexia os pés, impaciente, sem saber como começar. Já havia ensaiado o que falaria milhões de vezes. Havia muitas formas de começar a dizer o que queria. A primeira, rápida e indolor: "Artemis, um povo extraterrestre vai destruir a Terra e preciso que você me ajude!", ou uma mais calma: "Ei... Sabe... É que preciso que você me ajude numa coisa...".
Mas ela sabia que nada disso ia funcionar. Deveria agir como uma Corr, assim como a princesa do Povo das Fadas. E para isso, tinha que revelar a verdade a Artemis. Mas como?
"Tied up in ancient history
I didn't believe in destiny
I look up you're standing next to me
What a feeling"
Soou a campainha. O coração de Diana foi parar na boca. Um empregado abriu a porta e o rosto branco de Artemis olhava diretamente para ela. Diana quase vomitou, mas manteve-se -se educadamente enquanto Artemis e Butler entravam. Somente ai deu-se conta de que Levez não estava mais na sala. Não pensou mais nela, tinha outros assuntos para resolver.
- Aceitam alguma bebida? Chá? Café? Whisky? – Dc perguntou, somente por educação.
- Não. – Artemis respondeu, pensando no porquê da polidez da moça.
- Quero um café extra-forte cheio de cafeína, Hugo. E cheio de açúcar também. – Diana jogou-se no sofá, deixando escapar sua frustração. De repente, Artemis notou que o assunto era sério. Tentou ao máximo ler a linguagem corporal de Diana, e ela só mostrava estresse e preocupação. – Artemis, temos um problema.
- Que tipo de problema? – Artemis a olhou seriamente. Nenhuma conversa paralela ou assuntos pessoais. Diana contou tudo o que estava acontecendo. Com detalhes. Contou sobre o Povo das Fadas e sobre ser a líder deles. Falou sobre os Dords e sobre os poderes deles, de onde eles vieram, sua história e o que eles poderiam fazer com os seres humanos. Quando terminou, Diana já havia tirado os sapatos, despenteado os cabelos e tomado quatro xícaras enormes de café.
Artemis respirou fundo para absorver tudo aquilo. A Terra acabando? Alienígenas atacando? Era muita informação para uma pessoa só. Isso sem considerar o que Diana lhe contara sobre si mesma. Princesa do Povo das Fadas? Como é que é?! O rapaz recostou-se nas costas do estofado branco, tentando digerir tudo o que a moça lhe contara. Isso se ela fosse mesmo uma moça.
- Você está me dizendo que...
- Todos vamos morrer, é isso ai. – Dc completou, sem se importar se era realmente isso que ele queria dizer.
Assim que a menina completou a frase que acabara de dizer, alguns passos foram ouvidos. Um homem alto, branco e de cabelos excessivamente negros descia as escadas, com um rosto sério e bonito. Se não estivesse vendo suas orelhas redondas, Artemis diria que ele era um elfo, daqueles encontrados em histórias célticas, extremamente bonito e com o rosto delicado, mas com feições rígidas.
- Com visitas, Amethist? – O homem perguntou, olhando para Butler e Artemis. Tinha uma voz grossa e espectral, mas amistosa.
- Sim, papa. Estes são Artemis, e o guarda-costas dele. – Diana esperava que o pai não perguntasse o nome do homem, pois ela não sabia se podia contar.
- Então este garoto é o Artemis Fowl II? – O homem terminou de descer as escadas, e andou até onde eles estavam. – Trabalhei uma vez com seu pai, antes de ele sumir. Um homem muito obstinado. Espero que você seja como ele, se quer ficar com minha filha. – O Sr. Corr sorriu com dentes extremamente brancos e levemente pontudos, quase canídeos.
Artemis ficou levemente vermelho, mas sorriu em aceitação. Levantou-se e estendeu a mão para o homem que vestia um terno negro que moldava-he o corpo, como se fosse uma luva. Percebeu que as mãos do homem, apesar de lisas e delicadas, eram rígidas e frias como mármore.
- Desculpem-me interromper o assunto de vocês, mas preciso que Diana me faça um favor. Ela voltará em alguns minutos, dou-lhe minha palavra. – Dizendo isso, o homem voltou-se para a filha e estendeu a mão, fazendo com que DC a segurasse e a levantasse. Depois, virou-se lentamente e falou: - A propósito, meu nome é Gawain. – Então, o homem levou a filha para o segundo andar e demorou uns poucos sete ou oito minutos conversando com a moça, até que ela descesse.
- Artemis... Que tal se nós dois sairmos um pouco? – Diana sugeriu, colocando os óculos de grau e piscando inocentemente. – Temos muita coisa pra conversar e muito pouco tempo. Daqui a alguns poucos dias, nosso tempo de descanso terá acabado. Isso se você concordar em me ajudar. Então, será melhor para nós todos que nós saiamos agora. – A moça respirou. – Levez concordou em me deixar com você, Butler. Ela confia em sua competência. – Butler apenas concordou com a cabeça.
- E para onde você planeja ir, Dc... Digo, Diana? – Artemis perguntou, tomando uma postura mais máscula e polida. – Conheço uns restaurantes finos ót...
- Não, Artemis. – Diana o interrompeu, sorrindo. – Só quero um sorvete de menta, com castanhas e cobertura de kiwi.
"What a feeling in my soul
Love burns brighter than sunshine"
Quando entraram no carro negro que tinha deixado Artemis na casa de Diana, a moça abriu a janela, prendendo o cabelo mais firme, para que o vento não a assanhasse. Então virou-se para o rapaz ao seu lado, que a olhava com os lábios entreabertos e olhos fixos, firmes e abertos. Duas lagoas azuis, que faziam com que ela quisesse ir até ele. O que ela fez. Aproximou-se dele, segurou-lhe a mão macia e pôs a outra mão no seu rosto.
- Senti saudades, Arty. – Diana aproximou-se e beijou-o nos lábios. Continuavam doces e frios, como sempre, assim como a sensação que eles causavam, que permanecia intacta. A única diferença, é que seus lábios pareciam ávidos, sempre querendo mais. A respiração falhava, apesar de o beijo não ser um daqueles mais quentes. Artemis puxou Diana e a abraçou com força.
- Também senti, fadinha. – Então ele deu um risinho, com a própria piada.
"Brighter than sunshine
Let the rain fall, i don't care"
Eles pararam em um parque pouco movimentado. O sol estava radiante, as árvores cantavam junto com a leve brisa que soprava, e pequenas crianças brincavam com suas mães. Butler ficou um pouco afastado, a fim de que os dois pudessem ter um pouco mais de privacidade, mas continuou atento a tudo.
Havia um homem numa barraquinha pequena de sorvetes, e Diana fez com que Artemis a levasse até lá.
- Tem certeza que isso é saudável, Di...? – Artemis perguntou, franzindo as sobrancelhas, o que fez Diana gargalhar numa voz doce.
- Se eu achasse que tinha algum perigo, eu estava comprando? – Diana perguntou, logo após pedindo dois sorvetes para o homem, o dela de menta, o de Artemis de pistache.
- Acho, sim. – Artemis respondeu, segurando o sorvete que ela lhe entregara e olhando com cara de nojo para o mesmo. Sentiu-se um pouco envergonhado porque não notara que a moça pagara pelos dois sorvetes, vendo que não tinha sido nada cavalheiro, mas não se importou muito, e começou a rir, ao ver que a moça derrubara metade do sorvete no chão.
- Artemis, não ria da desgraça dos outros! – Diana exclamou, e mesmo assim começou a rir.
Depois de tomarem os sorvetes – Artemis meio relutante -, os dois sentaram num banco do parque, e Diana suspirou, subitamente séria.
- Artemis, você sabe que temos um grande problema nas nossas mãos, não sabe? – Ela falou, remexendo os polegares um ao redor do outro.
- Sim, sei. – Ele também ficou mais sério, o sol queimando levemente sua pele pálida.
- E sabe qual seria a solução, não sabe? – Dc o olhou, piscando os olhos multicoloridos. A cor dos olhos mudou para o azul escuro misturado com castanho, ao invés do castanho com verde habitual, o que assustou de leve Artemis, que ainda não tinha se acostumado com a idéia da Diana princesa das fadas.
- Temos duas. – Artemis olhou para o céu, pensando um pouco. – Ou tentamos fazer contado com eles, e vemos o que podemos fazer pra ajudá-los... Ou. Fazemos contato com eles, e declaramos guerra, caso tudo dê errado...
- ...O que pode acabar com os humanos e seres mágicos na Terra, fazendo-a ser dominada por seres extraterrestres, o que significa...
- ... Que os piores temores dos humanos se concretizariam. E se por ventura, depois dessa guerra, algum humano sobreviver...
- ... Viverá atormentado por lembranças terríveis, e sempre perseguido. – Dc concluiu, esfregando os olhos com as mãos finas.
- Quando vamos para o território deles? – Artemis perguntou. Estava disposto a fazer qualquer coisa para resolver esse problema. Apesar de não se sentir confortável em ter que sair de casa sem resolver todos os problemas que deveria, sabia que o futuro da Terra dependia disso... e sendo um ser que mora na Terra, ele também. E também havia outro fator: Ele não estava suportando ver o rosto de decepção de Diana. Queria acabar com tudo aquilo para que a moça sorrisse novamente.
"I'm yours and suddenly you're mine
Suddenly you're mine
and it's brighter than sunshine"
- Imediatamente. – Diana respondeu, de um salto. – Meu pai disse que eu estava livre de responsabilidades por um tempo. Ele está a par de tudo o que está acontecendo, e pode me dar sustento para que realizemos essa magnífica empreitada! – Os olhos de menina de Dc brilharam em excitação, virando-se animada para Artemis, que se perguntava o porquê de Gawain Corr saber tudo isso. – Quando você pode ir, Artemis? Diga-me!
Artemis pensou um pouco. O pai de Diana podia saber de tudo o que acontecia com a filha, mas os pais do rapaz não sabia de muita coisa, portanto, ele não poderia dizer: "Mãe, estou indo para o pólo norte derrotar alguns alienígenas. Pode preparar um chá e biscoitos enquanto me espera?". Precisaria de uma desculpa, e ela estava exatamente à sua frente.
Artemis não deu uma resposta. Apenas aproveitou o resto da tarde que tinha com Diana e voltou para casa, com uma mentirinha pronta na sua mente.
Ao invés de ir para seu quarto, como normalmente fazia, seguiu para o escritório de seu pai, onde sabia que ele estaria. Bateu na porta e esperou uma voz, que quando chegou, disse "entre". E ele entrou.
Artemis Fowl Pai estava digitando algo em seu computador de tela de plasma, parecendo um pouco ocupado.
- Pai. – Artemis respirou. – Preciso pedir algo.
Artemis Pai olhou o filho, levemente interessado.
- Soube que a Diana voltou. – O homem disse, simplesmente.
- É... Sobre ela, na verdade. – Artemis filho sentou na cadeira ao lado da do pai, e cruzou os dedos, apoiando os braços nas pernas. – Faz muito tempo que eu queria fazer uma viagem com ela... E... Eu realmente queria saber se eu poderia, sabe, viajar... Com ela.
O pai pensou um pouco e depois, soltou um sorriso.
- Finalmente, Artemis. Finalmente você está ficando normal. – O homem levantou-se, olhando para Artemis com o sorriso ainda nos lábios. – E para onde vocês querem ir, afinal?
- Hmm... Essa é uma parte meio estranha. É que... A Diana adora neve, e gelo, e tudo o mais... E um dos maiores sonhos dela é ir para o Ártico. Eu sei que ela pode ir, com o dinheiro dos Corr e tudo o mais, só que ela não gosta de pedir ao pai todas essas coisas. Foi criada com a mãe, em Cuba, sabe como é... Eu queria muito levá-la. Mesmo.
Artemis Fowl pai olhou firmemente para o filho, quase que desconfiando de algo. Mas, o que Artemis poderia planejar fazer no Ártico a não ser olhar para a neve?
- Você tem tudo planejado? Estadia? Proteção? – O homem indagou, cerrando os olhos.
- Claro.
- Então... Me diga quando, e você estará indo.
"I never saw it happening
I'd given up and given in
I just couldn't take the hurt again
What a feeling"
Uma semana depois, Artemis esperava Diana na frente da casa da moça, com um carro negro. Butler estava sentado na direção, e, poucos minutos depois, Diana entrou no carro, sentando ao lado de Artemis, enquanto Levez sentava no banco ao lado de Butler, séria como uma estátua.
Artemis olhou para Diana, como que indagando o porquê da guarda-costas estar tão séria, pois Levez normalmente era bem animada, mas a garota só deu de ombros, e eles deram partida para o aeroporto.
"I didn't have the strength to fight
suddenly you seemed so right
Me and you
What a feeling"
Artemis, por toda a viagem, quis conversar sobre o namoro dos dois, saber como a situação se desenrolaria, ou como tudo iria terminar, mas Diana não quis falar. Parecia que não tinha acabado com ele, somente voltado de uma viagem e nada a mais, nada a menos. Ela continuava alegre e comunicativa como sempre, e Artemis notou novamente como a moça parecia pequena. Ainda era um choque para ele saber que a menina que parecia tão frágil e delicada mandava em todo o povo das fadas, e tinha mais conhecimento que ele poderia jamais imaginar, simplesmente porque tinha vivido milhões de anos sem esquecer suas memórias, mas mesmo assim, a moça agia como uma jovem, e Artemis não cansava de gostar dela.
"What a feeling in my soul
Love burns brighter than sunshine
It's brighter than sunshine
Let the rain fall, I don't care
I'm yours and suddenly you're mine
Suddenly you're mine"
Agora, eles se preparavam para uma viagem que não sabiam exatamente como ia terminar. Tudo em que podiam se garantir era o conhecimento de Diana, as capacidades de Butler e Levez, e nada mais que isso.
Continua...
N/A.: Poxa vida... pedir perdão é pouco, não é?
Desculpem, caras! É que eu não sei o que deu em mim... simplesmente não escrevi mais. Mas, aqui está, um capitulo gigante para a apreciação de vocês! Espero que me perdoem, e acho que vou postar bem mais cedo que antes...!
Obrigada, obrigada por estarem lendo minha fic! Obrigada aos que lêem e não postam reviews, e mais ainda para aqueles que postam! Saber como as pessoas avaliam seu trabalho é ótimo, e gratificante!
Beijos!
Polly-polly!
