Ser Normal Para Ser Diferente

20 – Cetacea

O vento frio balançava seus dreadlocks coloridos. Seus dedos dos pés mexiam na neve com delicadeza, e seus dedos da mão, pequenos e curtos, davam-lhe um aspecto de criança solitária, enquanto seus olhos azuis, grandes e marejados, olhavam ao longe, em busca de respostas.

Cetacea deitou-se na neve, piscando delicadamente. A neve pinicou nas suas costas, dando-lhe uma sensação refrescante sob sua pele grossa. A aurora boreal desenhava círculos no céu, e ela agradeceu aos deuses por poder ver tamanha maravilha. Se eles não houvessem vindo para a Terra, provavelmente ela não veria tamanha maravilha. Faziam 4 meses que não anoitecia, e mesmo assim, a luz brilhava inocentemente no céu, sem se preocupar com a dor e tristeza dos terrenos, que faziam o que pudessem para que aquela luz não acabasse.

De repente, algo fez com que a Dord sentasse novamente. A sensação de que ela não precisava mais esperar tomou conta de seu ser, e ela escutou um barulho no céu. Olhou para cima, e um jato passava rápido, e, de alguma maneira, ela soube que ele estava indo para o aeroporto antártico, que era pouco usado. Na maioria das vezes, apenas cientistas pousavam por lá. Sem poder esperar mais, Cetacea fez algo que pouco fizera na vida: usou seus poderes mentais.

"Into pattern
Flowing blood
Giving form"

- Artemis…! – Diana deu um grito, e segurou-se no banco, apesar de não se sentir nada aparentemente. – Você sentiu alguma coisa?

- Não... Por quê? – Então um leve sacolejar foi sentindo no jato, e Artemis olhou para Butler, que olhava para os visores um pouco confuso.

- Os leitores estão confusos! – Então ele soltou o controle, e o jato começou a descer, mas não violentamente, como se esperava. Parecia que estava sendo controlado por alguma outra força, vinda do nada.

- Diana...! – Levez olhou para trás, onde estava Dc. – Você sabe o que é isso, não sabe?

Diana parecia estar em transe. Seus olhos mudavam de cor constantemente, e ela apertava o banco com mais força, chegando a rasgar o couro.

- O que está acontecendo, Levez? – Artemis, pela primeira vez, pareceu assustado. Nunca tinha presenciado nenhum momento de poder de Diana, e não sabia o que fazer. Não saber o deixava bem nervoso.

- É uma dord. – Diana falou, ainda saindo do transe, lentamente. – Ela não quer nos machucar. Só deixe-a pousar o jato, ela quer desesperadamente falar conosco.

O jato já estava quase no chão, e, ao pousar, todos eles sentiram uma calmaria extrema, quase que um sono relaxante.

- Precisamos sair...! – Diana falou, quase fechando os olhos. – É a presença dela que nos deixa assim.

- Mas como...? Dá tanta vontade de ficar aqui e dormir... Dormir pra sempre...! – Artemis estava quase encostando no banco para dormir, mas Diana o puxou.

- Vamos todos! – E empurrou o banco de Levez que estava a sua frente, para que ela desse passagem. Lentamente, os quatro saíram do jato, encontrando um ser muito pequeno do lado de fora.

- Aik Þín alfut, Hadjilla. - Cetacea fez uma reverência, olhando diretamente para Diana.

Artemis fez que "não", com a cabeça. Não conseguia entender o que a estranha criatura falava, mas, aparentemente, Diana conseguia.

- Você consegue falar inglês? – Diana perguntou, e Cetacea piscou por alguns segundos, antes de responder, quase que grotescamente.

- Sim. Consigo. - Cetacea sorriu, dando ainda mais aquela sensação de sonolência neles. – Que bom que consegui encontrá-los.

- Viemos falar com seu povo. – Artemis falou, olhando-a atentamente. A mulher era menor que Diana, e seus cabelos eram extremamente mais compridos. Deveria ter, no máximo, 1 metro e 40. Seus pés eram minúsculos e suas mãos, menores ainda. Sua boca formava um perfeito coração, e era muito pequena, assim como seu nariz, em contraste com seus olhos grandes.

- Meu povo não se interessa em você, humano. – Cetacea se aproximou, chegando bem perto de Artemis, fazendo-o olhar para baixo. – Eu, apenas, me interesso.

- O que a faz interessar-se em nós, pequena? – Levez perguntou, fazendo Cetacea rir.

- Eu sou uma das mais altas do meu povo! E sou pequena para vocês! Isso é tão engraçado! – O sorriso de Cetacea era contagiante, talvez porque sua boca abrisse, mostrando todos os seus dentes, e seus olhos ficassem quase fechados, dando-lhe uma aparência de boneca.

Parecia que Cetacea só escutava o que estava dentro de sua cabeça. Olhava atentamente cada um deles, tentando absorver o que eles eram, e o que eles faziam.

- Princesa...! – Ela pareceu reconhecer quem Diana realmente era, e caiu ao chão, fazendo uma mesura tão profunda que sua testa tocou na neve. – Eu não a havia reconhecido, mil perdões.

- Ora, vamos! – Diana puxou a Dord pelos ombros, levantando-a. – Levante-se e diga seu nome.

"In every part
The whole you see"

Cetacea pareceu chocar-se por um instante, e seu rosto tomou-se de uma expressão quase triste. Sua boca tremeu, e ela fez que "não" com a cabeça.

- Nomes não são importantes, princesa. Minha missão é. – Cetacea olhou para o céu embranquecido, e respirou fundo. – Mas já que insiste... Sou Hibria Cetacea, a melhor guerreira de minha tribo.

- Você é uma guerreira? – Butler perguntou, e quase riu. – Mas você é tão pequena! Onde estão os homens de sua tribo?

- Os homens de minha tribo cuidam das crianças. – Cetacea pareceu chateada por sua força ter sido menosprezada. – E sim, humano. Sou uma guerreira. E sou muito, muito mais forte que você um dia pode querer ser. Mas vou perdoá-lo. Os humanos são uma raça muito nova para que nós possamos condená-los.

"Into pattern
Flowing blood
Giving form"

Cetacea parecia compreender profundamente cada um deles. Apesar de sua estatura, realmente parecia ter poder. Seu corpo era pequeno,e de aparência frágil, mas a energia que ela dispersava era incrivelmente grande. As tatuagens em seu corpo pareciam lhe dar uma aura brilhante, e os passos curtos e firmes faziam-na ser dominadora, apesar de ter braços e pernas gordinhos, assim como seu rosto.

- Espera... Você representa o mar, é isso? Na sua cultura? – Artemis perguntou. Parecia extremamente curioso sobre os Dords e o que eles eram.

- Quase. É por conta do meu nome que você tirou essa conclusão? – Cetacea sorriu, notando pela primeira vez que Artemis era um pouco mais inteligente que os humanos normais.

- É... Mais ou menos. Você tem ondas no seu corpo. – Artemis falou, sério, mas a calma que Cetacea emanava era tão forte que ele sentiu uma vontade imensa de sorrir.

- Precisamos falar com seus superiores de qualquer maneira, Cetacea. – Diana insistiu, tentando usar o mesmo tom de Cetacea, mas era impossível. A outra tinha um poder sobrenatural sobre eles.

- Já que insiste, princesa, não posso negar. Mas seus companheiros não poderão ver o caminho. Nós vivemos muito bem sem eles até agora, e não quero que eles atrapalhem nada.

"From the moment of commitment, nature conspires to help you"

Cetacea olhou para o céu,como que agradecendo. Colocou vendas nos olhos de Artemis, Butler e Levez, e os fez andar em fila indiana. Parecia muito alegre para momentos de guerra iminente. Parecia que ela tinha algo na cabeça.

- Você está preocupada, Cetacea? – Dc perguntou, observando o ambiente onde estavam entrando com dificuldade – coisa que Cetacea parecia fazer como se fosse "fichinha".

- Preocupada? Não, senhora. – A mulher sorriu. – A natureza sempre ajuda aqueles que estão certos.

Então eles entraram na Tribo dos Dords. As árvores cresciam imponentes embaixo do gelo, com sua aparência metálica, como se os julgasse lá de cima. Homens altos os observavam, franzindo o cenho.

Eis que surge uma nova aventura.

Continua...

N/A.: Pois é! Depois de tanto tempo sem postar, apareço eu com mais um cap dessa história. Sei que não há justificativa, mas sempre tento...!

Prometo que ano que vem não demorarei tanto! Meses livres de férias, uhul! Que lindo, vou pra universidade!

Quem adivinhar meu curso ganha um cap! \O/

Beijos da Polly!