Capítulo 2.

Máscara descia as escadas do templo de Peixes de volta para sua casa. O coração pesava de um modo que ele nunca pensou que pesaria. Odiava ver Afrodite chorando. E mais do que isso, odiava saber que ele era o motivo daquele choro.

Mas o que podia fazer?

Entrou em seu templo sendo surpreendido pela mulher que ainda o esperava.

- Você demorou – ela disse – Quase fui embora.

Ele sorriu, puxando-a mais para perto e se deixando ser beijado. Mas enquanto ela o alisava, beijava, lambia, excitava; a cabeça do cavaleiro de câncer só pensava em Afrodite chorando. E isso lhe doía.

Dispensou a mulher. Precisava ficar sozinho.

A semana passou rápida, e conforme os dias começavam e terminavam, Afrodite sentia-se estranho. Por mais que tivesse dito que nada mudaria, ele sabia que as coisas iriam, invariavelmente, esfriar. E a amizade que ele tanto prezara, iria deixar de existir.

Não tinha muito animo de fazer as coisas, e andara evitando descer, para não encontrar com o italiano.

Milo aparecia sempre na casa de peixes, para saber como Afrodite estava. As vezes sentava com o pisciano para conversarem e passavam tanto tempo falando besteiras que Milo só ia embora quando Camus vinha busca-lo.

- Ele está sofrendo, Camus. – disse Escorpião – Finge que não, mas sei que está sofrendo.

- Não há nada que possamos fazer, Milo. Isso é assunto dele com o Máscara e nem eu e nem você, vamos nos meter nisto.

Foi exatamente oito dias depois da trágica conversa com Máscara, que Afrodite saira do templo de Peixes e fora até a Arena, ver os mais novos treinarem.

Tão logo chegou, avistou Máscara conversando com Aldebaran e Saga, e decidiu não se aproximar. Sentou-se sozinho, afastado das pessoas e das conversas amigáveis. Não tinha animo para fingir estar feliz. Observava a luta sem interesse algum, mas fazia-lhe bem estar entre outras pessoas. Perceber que a vida continuava, e que o mundo jamais pararia só porque seu coração estava estraçalhado.

- Vejo que finalmente decidiu aparecer, Dite – disse Mu. O ariano sentou-se ao lado de Afrodite, olhando-o com um sorriso nos lábios. – Como tem passado?

- Bem, Mu, obrigada.

Áries bem que tentou puxar assunto com o cavaleiro de peixes, mas o sueco estava escorregadio como se de fato fosse escamoso. E embora tratasse Mu com educação e gentileza, estava óbvio que ele não queria conversar.

Por fim, dando-se por vencido, o ariano despediu-se de Afrodite e foi sentar ao lado de Shaka, que de longe observava atentamente as tentativas de Áries.

- Ele não quer falar, Shaka. – disse Mu. – Não adianta.

Os dois, assim como Milo e Camus, eram os únicos que sabiam realmente porque Afrodite andava tão cabisbaixo. É claro que tudo se devia à língua absurdamente grande de Milo, que um dia, chateado pela situação do pisciano, fora se aconselhar com Shaka contando toda a situação de Afrodite. Tão logo Shaka soube, Mu soube. Pois era impossível que um desconhecesse algo que o outro sabia.

Assim os quatro decidiram velar pelo amigo, tentando impedir que ele fizesse algo estúpido. Milo, preocupando-se com o sueco, visitava-o sempre e tentava alegra-lo. Tinha medo que ele, em um ataque de loucura, cravasse uma Rosa Sangrenta em seu próprio coração.

É claro que o pisciano, se soubesse dessas preocupações, iria rir. Seu coração estava despedaçado, sim; mas isso nunca seria motivo suficiente para acabar com a própria vida. Não para ele. Não para o cavaleiro mais belo de todos.

Afinal, para que um coração quando se tem um ego narcisista?

Mas nem mesmo o ego de Afrodite estava lhe bastando naquele momento.

Lá estava ele. Sentado. Fingindo apreciar uma luta que não lhe interessava de modo algum, enquanto por dentro, travava uma batalha árdua consigo mesmo. Dividido entre ir embora e acabar com aquele martírio, ficar e continuar a assistir a luta ou ir até ele, sentar, e conversar amenidades como sempre fizeram.

- Não acredito que você vai mesmo fingir que não me viu, Afrodite!

O pisciano elevou os olhos para encontrar Máscara da Morte parado ao seu lado – Ah, oi, Máscara! – disse ele, sorrindo ingenuamente.

- Não vem com esse sorrisinho não. Tá me evitando, é?

- Ai, Cruzes, Máscara! Você é tão dramático.

O canceriano olhou desconfiado para o outro – Sei. – disse – Por que não foi se sentar comigo e com os outros?

- Porque vocês estavam conversando muito alto, e eu quero prestar atenção na luta.

- Ah, sim...então em diz uma coisa, Pesce – disse ele, segurando discretamente o braço de Afrodite e fazendo com que ele o olhasse – Quem está lutando?

Mas nenhuma resposta foi necessária. Quando Máscara olhou nos olhos de Afrodite, ele soube que o pisciano estava evitando-o. Aquelas duas piscinas profundas não podiam manter a verdade longe dele.

- Mas que merda, Dite! A gente tinha combinado que nada ia mudar.

- Ah, me deixa em paz, italiano reclamão – disse o sueco, pondo-se de pé – Eu não devia mesmo ter saído do meu templo para isto.

E pisando firme, afastou-se da arena.

E o canceriano ficou lá, sentado, fervendo de raiva. Só mesmo Afrodite provocava esse tipo de reação por uma coisa tão estúpida.

- Será que eles brigaram? – perguntou-se Milo. Ele observou de longe enquanto Afrodite fazia o caminho de volta para casa com cara de poucos amigos. – Hein, Camus? Será que eles brigaram? – perguntou novamente, dessa vez dando uma cotovelada no aquariano.

- Sei lá Milo, tira isso da cabeça por um instante. E me deixa prestar atenção, vai.

- E você ainda se pergunta porque as pessoas te chamam de cubo de gelo. – disse o outro, afastando-se de Camus.

E bastou isso para deixar Camus com a cara emburrada o resto do dia. Quando saia da Arena, desejoso de estar sozinho em seu templo, trombou com Máscara da Morte, que também sustentava um olhar de raiva contida.

Os dois se encararam por um instante, até que Máscara perguntou a razão da cara amarrada do francês. – O senhor sensibilidade ali – disse Camus, apontando Milo com a cabeça. – Anda me tirando a paciência, e não tenho muita disponível, merde.

Máscara riu – Nem começa, francês. Não dou duas horas para vocês dois estarem de bem de novo.

Camus sorriu – É horrível ter que concordar com você, Carcamano.


Máscara suspirou. Rolou os olhos para o filme que estava assistindo. Romance barato e babaca.

A estante estava lotada com filmes iguais, e tudo por culpa de Afrodite. Chegava a ser irritante. Todas aquelas histórias iguais, clichês, chatas e melosas que só mesmo alguém como o pisciano poderia apreciar.

Não que ele, canceriano por excelência, não acreditassem em amor e romance. Mas o sueco parecia se alimentar disso, e com um gosto especial para dramas. Tanto era, que sempre que Afrodite descia até a casa de Câncer para assistir algum filme com Máscara, o italiano tinha sempre que separar uma caixa de lenços de papel porque o outro achava um motivo para ficar com os olhos cheios de lagrimas até mesmo nas comédias mais esdrúxulas.

Mas com todas aquelas mania e aquele choramingo, Câncer sentia falta do pisciano.

E mesmo assim, sabia que não podia obrigar Afrodite à manter-se por perto. Era doloroso para o pisciano, ele bem o sabia, mas a parte egocêntrica de seu eu interior ainda clamava pela presença do amigo, apenas como amigo, sem toda aquela palhaçada de sentimentos.

- Cara, eu sou a pessoa mais egoísta do mundo. – disse a si mesmo.


N/A: Oi gente, aí está o capítulo 2. Espero que vocês tenham gostado...e bem...é só o que espero mesmo.

Agradeço imensamente pelas reviews que recebi. Fiquei muito feliz mesmo gente, do tipo, sorrisão! ^^

E desculpem se o capítulo tá pequenininho...Foi a pressa de colocar esse capítulo no ar logo.

Então, vou pedir reviews de novo, tá? ^^

Beijos a todos,

Um feliz fim de ano.

Lika Nightmare.