Capitulo 3
Milo parou em frente ao templo de Aquario. Respirou fundo. Entrou.
- Você sabe que está errado, né? – foi logo disparando. E Camus, sentado calmamente lendo um livro, olhou para o rosto de Escorpião.
- Como é?
Milo suspirou – Você sabe que eu estou com a razão. Não sabe, cubo de gelo?
- Escuta aqui, grego de merde, você aparece aqui, querendo briga desse jeito... – começou ele, mas então desistiu – Tá todo afetado por causa do Afrodite? Tudo isso porque você deu conselhos a ele, e as coisas saíram erradas?
- Não é isso, francês. É que...esquece – disse, suspirando – Você não entenderia mesmo. É um cubo de gelo.
- Milo... – chamou Aquario. Ele estendeu a mão ao grego, que aceitou o convite e sentou-se ao lado de Camus. – Você não poderia evitar que as coisas acontecessem dessa maneira. Máscara não estava completamente preparado para ouvir isso.
- Eu só...queria que o Dite pudesse ficar feliz. Ele já estava tão triste. – encostou a cabeça no ombro do aquariano – As vezes, queria ser como você. Frio e distante de todo mundo.
- Não diga isso. Parece até que eu não me importo com ninguém. – reclamou.
- E se importa?
- Claro. – disse Camus. Ele segurou o rosto do outro, obrigando-o a encara-lo. – Eu me importo com você.
- Não é disso que eu estava falando. Estava me referindo às outras pessoas.
- Eu me importo com você. Isso me basta. – repetiu o aquariano – Só resta saber: isso é o bastante para você, Milo?
O grego balançou a cabeça em afirmativa, fazendo Camus sorrir.
Em pensamento, o aquariano riu-se em pensar que Máscara estava certo: não tardou para eles fazerem as pazes.
O referido italiano estava sozinho em casa. Descendo a escada até o fundo do poço da solidão.
Tentou ler um livro, mas só tinha em casa um livro de romance. Descartou. Seus filmes favoritos estavam na casa de Afrodite, e os favoritos do pisciano estavam em sua casa.
Riu.
Parecia até que eles eram um casal, um deixando suas coisas na casa do outro.
Talvez por isso Afrodite tivesse se apaixonado. Estaria o pisciano certo em culpá-lo? Fora ele que permitira essa aproximação entre os dois? Quem sabe ele não tinha, em um momento de delicadeza, passado à Peixes uma impressão errada.
Não queria pensar nisso. Colocou um filme para assistir. Quem sabe assim não pensava em outra coisa.
Como o filme que assistira no dia anterior, o filme era um ataque mortal à diabetes.
- Deu para assistir esse tipo de filme agora, é? – soou a voz de Afrodite e o canceriano virou-se para encarar o amigo, parado á porta. Usava uma túnica grega que batia-lhe um pouco antes dos joelhos. Os cabelos estava amarrados num coque no alto da cabeça, e alguns fios caiam-lhe pelo pescoço e ombros.
- Você levou todos os filmes decentes para a sua casa, só me sobrou essas melosidades – reclamou Câncer. Evitou olhar para Afrodite, porque estar vestido daquele jeito era muita sacanagem.
O pisciano riu – Eu vim justamente pegar alguma coisa decente para assistir. Ninguém merece aqueles teus filmes de zumbis.
- Frocio. – brincou Máscara – Vai me dizer que Madrugada dos Mortos é um filme ruim?
- É horrível, Máscara. – disse Afrodite. Enquanto falava, procurava o filme escolhido pela estante – Tive pesadelos por uma semana. – completou. E puxando um DVD, disse – Achei! Finalmente.
Virou-se para encarar o amigo e sorriu – Eu já vou indo. Se você quiser, posso descer com alguns dos seus filmes mais tarde, quer?
- Não se incomode. – disse o italiano – A não ser que queria descer e assistir comigo. O que acha?
- Jamais. Depois eu vou ter que subir e dormir lá sozinho, com medo de adormecer e acordar num mundo pós apocalíptico, onde sou o único ser vivo que restou. Então eu terei que traçar rotas de fugas, alojar-me em lugares inóspitos, enquanto tento desesperadamente achar outros sobreviventes. A comida será escassa. Mal poderei tomar um banho por semana. Fugirei para as montanhas e serei um solitário a esperar pelo dia de minha morte fatídica e trágica quando eu, faminto e desolado, correrei de volta para a cidade atrás de comida e serei emboscado em uma viela estreita por um bando de zumbis famintos que irão devorar meu belo corpo. Então, jazerei morto, acabado e derrotado por criaturas vis, podres e horrorosas.
Máscara olhou arregalado para o pisciano por dois segundos antes de gargalhar – A sua imaginação me espanta, Afrodite!
Afrodite também riu, mas fingindo-se de magoado lançou uma capa vazia de DVD em Máscara. –Você ri porque não acontece com você.
- Ai, pesce, você é o cavaleiro mais estranho que já conheci. Seja uomo, zumbis não existem!
- Ah, chega! – disse peixes.- Não vou ficar aqui para servir de piada não, senhor "não-tenho-medo-de-criaturas-sobrenaturais-e-do-terrivel-destino-que-elas-podem-trazer-à-humanidade"! – riu-se mais um pouco e acenando para o amigo, despediu-se.
Ele já estava saindo quando ouvir Máscara o chamar – O que foi?
- Tem certeza que não quer descer e assistir um filme comigo?
- Tenho – disse – Mas se quiser subir e assistir um filme comigo, sinta-se convidado.
- Eu escolho o filme? – perguntou Câncer, com um sorriso no canto da boca.
- Eu vou me arrepender disso?
- Vai.
- Eu te odeio. – disse o pisciano, rindo – Tá bom, Carcamano, você escolhe o filme!
E subiu as escadas.
No primeiro momento, se sentiu feliz. Primeiro porque tinha conseguido manter uma conversa normal com o canceriano. E depois porque ia assistir um filme com Máscara. Juntos. Mas logo a felicidade se transformou e o pisciano começou a se dar conta da besteira que estava fazendo.
- Não posso ficar sozinho com ele – pensou. – E se eu me descontrolo e agarro aquele homem? Ele me mata! Ele me manda pro inferno em um piscar de olhos.
- PUTA QUE PARIU! – gritou ele, de repente, assustando Shaka, que estava sentado, distraído, do lado de fora de sua casa.
- Que isso, Afrodite? – disse Shaka, refazendo-se do susto – Tá maluco?
Afrodite olhou virgem com surpresa. – Desculpa, Shaka. Eu nem tinha reparado que estava gritando. Alias, eu nem reparei que passei pela casa de Leão.
Só então reparou no virginiano. Seu semblante aparentava dúvidas e uma certa tristeza.
- O que houve, Shaka? Ta com uma carinha tão tristinha! – disse o pisciano, sentando-se ao lado de Virgem.
- Não foi nada, não, Dite.
- Claro que foi. Você ta com essa cara triste, sentado aqui sozinho... cadê o Mu?
Virgem deu de ombros.
- Brigaram?
O loiro negou.
- Então o que foi?
- É que...- começou ele. Então suspirou e enterrou a cabeça nas mãos – Ah, Dite! É tudo tão complicado!
- Não tem nada de complicado nisso, loirinho! É só amor! – disse Peixes.
- Ele é o meu melhor amigo, Dite! Eu tenho tanto medo de não dar certo.
E ali estava aquela maldita barreira da amizade. – Você gosta dele?
- É claro que sim.
- E gosta de estar com ele?
- Sim.
- Então o que é complicado?
- Afrodite. Eu nunca beijei um homem.
- E daí? Por que todo mundo é obcecado nessa maldita questão? – disse Afrodite. Ele sentiu os olhos lacrimejarem – É amor, Shaka. É a porra do amor. E se as pessoas parassem de tentar racionalizar o amor, padronizá-lo, classificá-lo em modelos de certo e errado, as coisas seriam muito menos complicadas.
Suspirou, uma lagrima finalmente caiu, mas ele a secou antes que Shaka pudesse prestar atenção. – Não pense nele como um "homem", Shaka. Pense nele como seu objeto de amor. E se mesmo assim você achar que tudo esta complicado, então desista. Não vale a pena estragar tudo se você não o ama de verdade.
- E se...- sussurrou Virgem – E se eu descobrir que continuo gostando dele?
- Então você vai estar gostando dele. – disse Peixes – Só vai estar nervoso por ter se apaixonado por alguém que tem um pênis entre as pernas.
O loiro corou e Afrodite sorriu – Relaxa, virgenzinho! É só comprar um bom lubrificante e ter cuidado.
Ai é que a face de Virgem ficou realmente vermelha. Ele se engasgou com a saliva com o susto, e sem que percebesse, abriu os olhos.
- PORRA SHAKA! FECHA ESSES OLHOS! – gritou Afrodite, desesperado. E o virginiano logo fechou os olhos de novo. – Nossa, quase que eu infarto.
Felizmente, nada foi destruído.
Os dois se encararam, Afrodite com os olhos arregalados, Shaka com os olhos devidamente fechados.
E caíram numa crise de gargalhadas que durou quase quinze minutos.
- Eu achei que dessa não escapava. Que susto, Shaka. Pensei que ia morrer!
- A culpa é toda sua, Dite. – reclamou Shaka entre uma gargalhada e outra – Eu tava aqui, sério, falando dos meus sentimentos e você vem me falar de lubrificante!
- O mais estranho é que você não destruiu nada.
- É...- concordou Virgem, sem graça. Se o pisciano soubesse o real motivo pelo qual os olhos de Shaka não desintegraram boa parte da paisagem, iria encarnar no virginiano o resto de sua vida.¹
- Ai...é cada coisa nesse santuário, viu? – brincou o pisciano. Levantou-se e sorriu para o amigo – Eu falei sério. Sobre tudo, Shaka. Então tome a decisão certa, para vocês dois.
Virgem acenou e sorriu. Levantou-se também e atravessou a casa de Virgem junto com Afrodite. E quando o sueco já estava quase na metade da escadaria até a casa de libra, Shaka o viu virar-se.
- Ei, Máscara e eu vamos assistir um filme hoje a noite, na minha casa. Quer vir?
- Tem certeza de que não prefere ficar sozinho com ele? – perguntou Virgem, com um sorriso no rosto.
- Não. Quero que você venha. E chame o Mu.
- Certo, mas não posso garantir que ele vá! – disse o indiano – Tenho certeza de que você vai deixar o Máscara escolher o filme, e Mu não gosta de filmes de terror.
- De qualquer modo estão convidados. – virou-se para continuar a subida quando Shaka o chamou.
- Obrigada, Dite, por ter me ouvido.
- Não há de que, virgenzinho.
Seguiu seu caminho de volta para casa, parando rapidamente em Aquario para convidar Camus e Miro para a sessão de cinema em sua casa.
E subitamente, tinha resolvido todos os problemas. Ou pelo menos o mais urgente deles.
N/A: Oi gente, aí está o capítulo 3. Espero que vocês tenham gostado.
Bom, esse capítulo me alegrou bastante, fiquei muito feliz com ele. Gostei de escreve-lo, de reler. Gostei muito.
Vou agradecer mais uma vez às reviews que recebi, adorei. ^^
E, bom, deixa eu explicar essa história ai do Shaka ter aberto dos olhos sem destruir nada. Bom, a ideia toda é da Belier (Cara, isso é que é etr talento pra escrever MuxShaka), na fic dela "Missão Complicada", Shaka pode abrir os olhos quando está excitado. E bom, foi essa ideia ai que eu usei. Então gente, todos os créditos pela criatividade são dela. Alias, leiam as fics dela. São ótimas.
Acho que é só isso por enquanto, logo logo eu posto o próximo capítulo.
Beijos a todos,
Até 2011.
Lika Nightmare.
