Capítulo 6

Amanheceu e anoiteceu no dia seguinte, e no dia depois deste, sem que Afrodite pusesse os pés para fora do templo de Peixes.

Sete casas abaixo, Máscara da Morte também evitava fervorosamente o convívio social.

Milo, com suas idéias mirabolantes, jurava ao namorado que aqueles dois tinham feito alguma coisa e que agora, arrependidos, tentavam esconder dos outros evitando o convívio com todos. No fundo, Camus concordava com Escorpião. Só torcia para que não fosse nada grave.

Já passara da hora de comer alguma coisa, e o pisciano bem o sabia, mas tudo que queria fazer era continuar em sua cama. Evitava qualquer coisa que o separasse dela. Se ainda continuava levantando, era simplesmente para mergulhar até o pescoço na banheira e ficar horas de molho. E quando digo horas, eram horas mesmo, chegando ao cúmulo de adormecer dentro da água e passar toda a noite ali.

Não comia há mais de vinte e quatro horas e tudo que fazia era dormir. Não chorava.

Tinha jurado a si mesmo que não iria mais chorar.

- Então é aqui que você tem se escondido, não é, "Nemo¹"?

O sueco descobriu o rosto para encarar Shaka, parado sob o batente da porta. Deu um meio sorriso amarelo e voltou a cobrir a cabeça, esperando que o indiano fosse embora. Mas ele não foi, pelo contrário, engatinhou sobre a cama, deitando-se ao lado do pisciano.

- Então, peixinho, não vai me dizer porque está com essa cara triste? – perguntou Virgem. Ele fez um cafuné em um emaranhado de panos que julgava estar sobre a cabeça do amigo. – Vai, Dite, me conta o que houve. Talvez eu possa ajudar.

- Não pode. – soou a voz do cavaleiro, abafada pelas cobertas.

- Como sabe disso?

- Sabendo. – respondeu. Shaka pensou ouvir-lo fungar. Sabia que ele estava prestes a chorar.

- Não seja bobo, Afrodite. Quero ajudar você.

- Não precisa.

- É claro que precisa sim. – insistiu Virgem.

- Não. Não precisa me ajudar. Não quero ser ajudado.

- Deixe-me ajudar você, Dite. Do mesmo jeito que você me ajudou.- continuou a fazer afagos sobre as cobertas que escondiam Afrodite, e com delicadeza, puxou-as um pouco para revelar o rosto tristonho do sueco.

- Vocês...estão bem agora? – sussurrou Afrodite.

- Sim, estamos bem. – disse o virginiano, sorrindo.

Então, subitamente, o rosto de Peixes se iluminou com um sorriso. – Isso é ótimo, Sha. Por que não me conta o que aconteceu?

O indiano sentiu-se perdido naquela atitude de Afrodite. Em um minuto, estava triste e deprimido e agora, só porque ele tinha dito que estava bem com Mu, Afrodite abria um belo sorriso, e tudo parecia estar bem.

Dentro do pisciano, nada estava bem, mas ele não queria falar sobre seus problemas. Não quando podia ver a felicidade de Shaka e compartilhar dela por alguns instantes.

- Conto tudo que você quiser...mas antes você tem que sair dessa cama, Dite.

E dizendo isso, foi puxando o cobertor para longe do corpo do cavaleiro de peixes.

- Ah, Shaka. Não seja ruim comigo...devolve meu cobertor.

- Não mesmo, Dite! Vai levantando! E direto para o banho.

Shaka olhou para o amigo e riu-se. Afrodite estava sustentando uma careta emburrada que o deixava parecendo uma criança que não queria acordar cedo para ir à escola.

- Sha-a-a-a-ka! – gemeu o pisciano – Eu quero dormir, seu Buddha chato e perverso!

Aquela simples birra infantil fez Shaka rir. – Se você levantar dessa cama, tomar um bom banho, e comer alguma coisa. Conto tudo que você quiser saber sobre a noite que passei com o Mu.

Os olhos do pisciano só faltavam brilhar – Jura, Sha? Vai em contar tudinho? Tudo mesmo?

- Claro que não, seu pisciano pervertido! Não isso que você está pensando!

- Mas eu nem estava pensando em nada, Shaka!

Os dois riram, e o loiro estendeu a mão para o outro, ajudando-o a levantar-se. – Vamos, Afrodite, você precisa brilhar.

Enquanto Afrodite tomava um banho, Shaka preparou um pouco de comida para os dois e então, quando Afrodite estava limpo, perfumado e belo como sempre, os dois sentaram-se para comer. Shaka tentando não se engasgar com a comida e Afrodite fazendo todo tipo de pergunta maliciosa que lembrava.

- Mas me diz, o Mu é bem dotado?

- AFRODITE!

- Não, porque eu sempre achei que o mais bem dotado daqui fosse o Deba, saca, porque né...com aquele tamanho todo, o negócio lá deve ser uma coisa enorme. Bem que eu já tentei olhar, mas achei que ia pegar mal, sei lá, vai que ele me pega no flagra e, bem, e se ele me pega e resolve me comer depois? Eu ia estar numa roubada, né?

A tagarelice de Afrodite transformara Shaka em um pimentão muito vermelho, e o coitado do indiano tentava buscar o ar que perdera com as revelações do pisciano.

-Ai, cruzes, Shaka! Até parece que você nunca viu o pintinho de ninguém!

- Mas não precisa falar nesses termos, né, Afrodite! – reclamou Virgem.

- Ai, virgenzinho recalcado. Alias, não mais virgenzinho, né? – e caiu na gargalhada. – Então, você é do meu time ou é do ataque?

- O que isso significa?

Peixes rolou os olhos, sorrindo – Quero saber se você é como Milo e eu, ou se você é como o Camus.

- Está me perguntando se eu sou passivo?

- Obviamente.

- Eu não sei ainda. – disse, e ficou ainda mais vermelho do que já estava.

Ficaram em silencio então, até Afrodite falar novamente – Eu só tenho mais uma pergunta. E esta é a única que realmente importa e é a única a qual você tem que responder com sinceridade extrema.

Shaka assentiu, demonstrando estar pronto para responder.

- Foi bom para vocês dois?

- Foi.

Viu o sorriso do pisciano aumentar de tamanho – É tudo que importa.


Na casa de Câncer, diferente de Afrodite, Máscara mantinha-se isolado em seu mundinho e estava muito bem assim, obrigado.

É certo que passava o dia sem pensar no pisciano maledetto ou naquele beijo trágico.

O único problema eram as noites. Não dormia direito e vagava entre períodos insones e sonhos nada castos com Afrodite. Tinha receio de fechar os olhos, pois sempre o que fazia, a imagem de Afrodite surgia em seu subconsciente. Das mais variadas maneiras, ele lhe aparecia, e não importava como, eles sempre acabavam arfantes, suados, nus, sobre a cama, ou no chão, ou na banheira, no rio que corria perto do santuário ou no sofá.

Maldita hora que ele o beijara. Aquele maldito pisciano com seus sorrisos e olhares.

Fechou os olhos. Instantaneamente, a imagem de sua perdição particular veio a tona. Afrodite de Peixes.

Sua ereção deu sinal de vida, e ele bufou irritado. Agora andava com esse péssimo hábito. Era só pensar em Afrodite e seu corpo respondia imediatamente.

Despiu-se, entrou debaixo do chuveiro. A água gélida, que ele pensava que iria acalmá-lo, servia apenas para instigá-lo mais ainda.

Fechou os olhos, mais uma vez, com força, odiando-se por ter de fazer aquilo. Sua mão deslizou sobre sua ereção, fechando-se ao redor dela e movimentando-se incessantemente.

Sentia as ondas de excitação correrem por todo o corpo e antes que chegasse ao ápice, permitiu-se considerar a verdade inerente: Sentia tesão por Afrodite.

Estava acabando de colocar uma calça quando sentiu o cosmo de Milo anunciar-se e, saindo do quarto, encontrou o grego na entrada da casa. Ele parecia ainda mais feliz do que sempre aparentava estar.

- Bom dia! – disse Escorpião.

- Bom dia, Milo.

- Então, Carcamano depressivo. Vim tirar você desse coma social. – disse, jogando-se no sofá – Aliás, tem alguma coisa para comer, to com uma fome?

- Mas hein?

Milo sorriu – É o seguinte, italiano, vai rolar uma apresentação de bandas cover hoje, e como meu querido namorado é um cubo de gelo que odeia pessoas, eu vim convocar você para ir comigo! – esticou-se mais no sofá, olhando para o amigo – Bom, na verdade, vou chamar o Deba e o Shura também. E então, o que me diz? Vai?

- Sei lá, Milo...vou ver se vou.

- Ai, viu...você é tão indeciso. – reclamou o grego, pondo-se de pé. – Vou descer até Touro e chamar o grandão.

- Certo.

Milo estava quase saindo quando ele o chamou de volta – Você...chamou mais alguém?

O rapaz sabia muito bem a quem Máscara estava se referindo – Até agora, só você. – Não deixava de ser verdade, apenas escondia o fato de que pretendia não só chamar, como arrastar Afrodite para o show também.


- Ah, Dite! Vai ser tão legal! – disse Escorpião – Vamos? Por favor? – e fez um beicinho, que aprendera com o próprio Afrodite, quando eram mais novos.

- Ai, Milo...sei lá...nem estou muito animado para ir a um show.

- Porra! Na hora você se anima, Dite! A gente vai, bebe bastante, ouve uma música legal...vai ser bom...espairecer um pouco.

Afrodite rolou os olhos – Me convenceu! – ao que o outro riu, apertando o pisciano em um abraço forte. – Camus não vai mesmo?

- Não. – disse – Aquele "cubo de gelo" me disse que não gosta de multidões. – e cruzou os braços – Eu mereço, Dite? Fui arranjar um namorado que não gosta de sair, não gosta de beber. Não gosta de gente...

- Pelo menos assim você não tem motivo para ter crises de ciúmes, né?

- Como não tenho? – perguntou ele – E essas servas malditas que ficam andando por aí com essas roupas? E aquele discípulo irritante dele? Pato maldito!

- Relaxa, escorpião, relaxa! – disse Peixes, bagunçando o topo dos cabelos de Milo. – Vamos sair e beber todas hoje, sem pensar em problemas, em servas seminuas e em discípulos irritantes, certo?

- Certo – sorriu Milo.


Naquela noite, Afrodite vestiu-se com simplicidade. É claro que dentro do santuário ele não ligava em aparecer como queria. Usava túnicas e todo tipo de roupa exótica, mas quando saia, preferia usar roupas menos chamativas. Já bastava seu físico andrógino e seus cabelos azuis.

Ele não precisava ficar saindo por ai travestido. Ele conhecia muito bem a perversidade da mente humana, e sabia muito bem o gosto de sentir na pele o preconceito.

Desceu até Aquário, encontrando Camus, emburrado, e Milo esperando por ele. E depois de ouvir um milhão de vezes as súplicas de Camus para que ele tomasse conta de Milo, os dois continuaram a descida. Shura disse que iria mais tarde, com Shina. Shaka, a quem o escorpiano havia chamado apenas por brincadeira, uma vez que ele nunca aceitava ir a esse tipo de passeio, estava sentado conversando com Mu quando os dois passaram.

Afrodite encarou o indiano, que arqueou uma sobrancelha e esboçou um sorriso quando o pisciano piscou-lhe o olho.

- Divirtam-se – disse Mu.

- Vocês também.

Shaka riu – Juízo, hein!

E foi a vez dos outros dois rirem e juntos responderam – Nunca!

Ao passar pela casa de Leão, Milo disse à Afrodite que tinha um assunto a resolver com Aioria e pediu ao pisciano que o esperasse em Touro.

- O que você tem para resolver comigo? – perguntou Aioria, intrigado.

- Na verdade, nada. – disse Milo. Ele observava enquanto Afrodite descia até a casa de Câncer – O negócio é que aqueles dois tem algum assunto pendente, e eu quero que eles resolvam logo.

- Muito esperto! – disse Marin. Ela apareceu tão de repente que o grego a olhou perplexo.

- Aonde é que você estava que eu não te vi?

- Na cozinha – respondeu a moça, sorrindo, ou pelo menos ele achou que ela estivesse. Com aquelas máscaras, nunca se sabia ao certo.

- Ah.- e balançou a cabeça – isso não é relevante. O que importa é que eles precisam conversar. Isso tudo está muito estranho.

- Como assim? – perguntou a amazona, sentando-se no sofá e fazendo um sinal para que o cavaleiro de Escorpião sentasse ao seu lado.

Milo atendeu, sentando-se voltado para a moça e explicando para ela todas as suas teorias sobre o que poderia ter acontecido na casa de Peixes no fatídico dia do filme.

- Então – disse ele, por fim – eu acho que eles fizeram alguma coisa naquele dia. Não sei bem o que foi. Talvez um beijo ou alguma palavra. Vai ver Afrodite se declarou novamente.

- Ou então eles dormiram juntos.

- Não. Isso não. – respondeu o grego – Camus disse que sentiu o cosmos de Máscara passar pela casa de Aquário naquela noite. Mas não importa o que tenha sido, eles vão ter que se acertar agora.


N/A: Oi gente! Nossa! Taí o capítulo 6 para vocês.

Quero, mais uma vez, agradecer imensamente pelas reviews e por vocês estarem acompanhando. Estou adorando escrever essa fic e fico muito feliz por ter a companhia de vocês. Juro que tudo que escrevo eu fico pensando: "Como será que eles vao reagir a isso?"

Gente, esse capítulo ia ser junto com o próximo, mas vi que ia ficar muito grande, então resolvi cortar. Eu tinha dito, lá no início, que faria apenas sete capítulos, mas a história aumentou, então...passarão de sete.

Olha, eu preciso MUITO dedicar esse capítulo à minha amiga Thaiz Atena. Por dias coisas. Primeiro: Pelos desenhos lindos que ela tem feito da fic. Thaiz, o Afrodite chibi ficou muito fofo, dá vontade de morder.

Segundo: Porque ela me ajudou a matar uma barata virtualmente. Tá, eu sei que parece estranho, mas é porque uma barata entrou aqui no meu quarto e eu corri para o msn, desesperada, gritando "SOCORRO, ALGUEM ME SALVA JESUS!" e a Thaiz foi super prestativa e me deu apoio moral para matar a bixa. A primeira barata que matei na vida.

Bom, no próximo capítulo vai rolar um hentai e um Lemon. Adivinhem de quem? =O

Afrodite: Aloka, entrou mesmo uma barata ai?

Eu: T_T entrou Diiiite!

Máscara: se me chamasse, eu matava!

Eu: Mataaavaaa? *_*

Máscara: SIM!

Eu/ Afrodite: MEU HERÓI! *abraço em grupo*

Sim, fiz as pazes com o Máscara. Coitado dele gente. Hehe!

Ps: Reviews, como sempre, muito bem vindas. Ainda não respondidas, mas IMENSAMENTE amadas!

Ps2: Gente, quem quiser me presentiar com SBP's...também to aceitando.

Ps3:Sobre o Shaka ter chamado o Dite de Nemo, é o do filme Procurando Nemo, tá gente. E se vocês bem entenderam, logo no fim da conversa, fica subentendido que ele o Mu não foram até o fim do ato sexual em si. AInda planejo escrever a primeira vez desses dois.

Resumindo, um beijo enorme a todos,

Espero que gostem do capítulo.

Amo vocês,

Lika Nightmare, a matadora de baratas.

ps4: Acreditam que, alem de tacar o chinelo nela, tacar sbp até ela asfixar, eu ainda taquei fogo na bixa. Sei lá se ela tava fingindo de morta...