Capítulo 12
Mascara's POV
Ele respira pausadamente enquanto eu o observo. Ele é lindo.
Porra, eu sou um viadinho sentimental agora?
Mas ele é lindo. Sempre foi lindo, perfeito.
O cabelo dele cai sobre seu rosto. E eu continuo achando-o perfeito. De todas as maneiras. Puta que pariu, eu sou um viadinho. Eu sou um maldito sodomita figlio de uma puttana.
Ele não olha pra mim.
E eu sei que ele não vai olhar porque...eu sei o que ele espera que eu diga. Vamos lá, você está esperando o pior de mim, não é mesmo, Afrodite? Você está esperando que eu diga alguma coisa escrota, como eu fiz quando te beijei. É isso, não é?
Eu estico minha mão, com receio. Por Atena! Eu estou com medo de tocar em você? Isso é patético! Eu acabei de comer você e estou com medo de encostar a porra da mão no seu maldito braço! O que houve comigo? Virei uma porra de um frocio?
Eu estico minha mão novamente, dessa vez com determinação. E toco no seu braço, e a textura da sua pele me parece o paraíso. E nesse momento eu quero agarrar você e beijar você. E transar com você até perder os sentidos.
Sinto os seus músculos se retesarem. Não fique tão receoso, porra, sou só eu. Ainda sou apenas eu, o mesmo italiano filho da puta que você conhece ha tanto tempo. Eu desejo que ele olhe para mim, mas tudo que ele faz é fechar os olhos.
- Afrodite – eu o chamo, mas ele não diz nada. É o leve menear da cabeça que me indica que ele me ouviu e que está atento ao que eu lhe direi.
Afrodite's POV
"Não o olhe" gritou o meu eu-interior. E eu obedeci porque meu eu interior sabe das coisas.
E não o olhei.
Mas quando ele colocou a mão sobre o meu braço, as coisas começaram a desandar. Aquela mão forte, pesada, que tinha me agarrado há minutos atrás e que agora estava no meu braço, de um modo constrangedoramente carinhoso.
PORRA! Seu maldito! Não faça isso comigo. Eu posso até aceitar que você tenha transado comigo na empolgação, por curiosidade ou o que for. Eu posso aceitar que você diga que isso foi um erro. Mas, por favor, não seja carinhoso comigo.
Isso machuca.
Fecho os meus olhos. Não quero ouvir. Por favor, eu não quero ouvir. Eu não quero saber.
Suas malditas explicações sobre como isso é um erro, não as quero.
Há um lado otimista em mim que acaba se contentando amplamente com o pequeno gesto dele. E eu amaldiçôo essa capacidade de ver o lado bom das coisas. Não é legal procurar um lado bom numa situação como essa, afinal, eu não quero mesmo criar falsas esperanças.
Eu alimentei falsas esperanças a minha vida toda.
Ele fala o meu nome, e a voz dele é tão suave que me faz querer ser violento. Me faz querer rasgá-lo no meio e comer-lhe o coração.
De maneira figurativa, obviamente.
De qualquer modo, a voz dele parece envolver o meu corpo, com um nó apertado na minha garganta.
Máscara's POV
Eu não sabia o que dizer. Nem como dizer e nem se ele iria querer ouvir. Deslizo meu dedo sobre seu pulso e o vejo entreabrir os lábios.
Eu não posso negar esse poder que você tem sobre mim, não é mesmo?
Eu simplesmente não posso negar.
- Afrodite?
Ele vira a cabeça em minha direção, mas seus olhos não se encontram com os meus. Ele esta olhando fixamente para mão que eu mantenho em seu pulso.
- Afrodite...eu... – Por que diabos eu não consigo terminar a droga da frase?
Ele fecha os olhos, franze as sobrancelhas. É como se estivesse esperando a explosão de uma bomba.
Máscara's POV- end.
- Eu quero mais – a voz do italiano preencheu o silencio da cozinha. A frase pulara de sua boca como se tivesse vida própria.
Afrodite, de olhos arregalados agora, o olhava com espanto. Não entendia muito bem o que tinha ouvido.
- O que? – sua voz surgiu como um sussurro. Não mais do que isso.
- Eu quero mais. – repetiu Máscara. E agora que o pisciano o olhava nos olhos, a vontade de estar com ele aumentara.
- Mais? – as sobrancelhas erguidas denunciaram que ele não havia entendido completamente até onde aquela frase ia. Não, Afrodite não compreendera o real significado daquelas palavras. – O que você quer "mais"? O meu corpo?
Aquela era a auto defesa dele. E ela trabalhava em piloto automático. Uma vez que se sentisse ameaçado, que sentisse que seus sentimentos iriam ser destroçados, ele corria para seu escudo e se escondia atrás dele. Então ele encenava um papel de bicha promíscua, para ninguém ver o que ele sentia.
E ele não queria mostrar.
- Eu quero você. Com tudo. – disse o outro, e repetiu, caso o pisciano não tivesse entendido – Tudo, Dite.
Fora Áries, o cosmos estranho que Afrodite sentira.
Mu sorriu para si mesmo. Por que ele sempre tinha que acabar surpreendendo ou sendo surpreendido em momentos íntimos? Seria algum karma cósmico?
Depois de passar pela casa de Câncer, ele encaminhou-se para seu desafio: a casa de Touro e seu guardião, Aldebaran.
Suspirou. Ele bem que poderia usar seu poder de teleporte e fugir daquele problema, da conversa constrangedora que teria com o brasileiro, mas no fundo, Mu sentia que não poderia fugir para sempre. E depois, caso acabasse não tendo aquela conversa, um clima desconfortável instalar-se-ia entre ele, Deba e Shaka. E tudo que ele menos queria era que Aldebaran e Shaka criassem uma rivalidade.
Anunciou seu cosmos e Aldebaran lhe respondeu que poderia passar. Mas eles precisavam conversar.
- Aldebaran – chamou o tibetano, enquanto entrava pela segunda casa. Acabou encontrando o taurino sentado no sofá, o corpo relaxado e um meio sorriso bobo no rosto, como se estivesse relembrando alguma piada há muito esquecida.
- Mu...eu disse que você podia passar. – disse ele.
- Pensei que poderíamos conversar. – começou o ariano. Ele olhou fixamente nos olhos do taurino e viu que, em seu intimo, Touro não queria conversa.
- Mu, não temos nada para conversar. – disse, pondo-se de pé - Ou pelo menos, não sobre o assunto que você que tanto falar. Afinal, o que vai me dizer? Vai se desculpar? Não há motivos.
- Aldebaran...
- Eu sempre soube que vocês dois eram mais do que apenas bons amigos, Mu.
- O que está insinuando? – perguntou Mu, chocado, aproximando-se do taurino. Não era possível que o brasileiro estivesse realmente pensando que ele lhe fora infiel.
- Não estou insinuando nada. – respondeu o moreno – Eu só...eu sempre soube Mu. Acho que eu sabia disso antes mesmo de vocês dois se darem conta. Não é como se isso fosse uma surpresa.
- Eu não estive com Shaka...não quando estávamos juntos. – disse o rapaz. Estavam bem próximos agora e Mu poderia tocá-lo ao mais leve esticar do braço.
- Isso não é importante. – disse Touro, com um sorriso sarcástico, virando o rosto.
- É importante, Deba. É importante para mim.
- Mas para mim, não interessa mais. Acabou. E tudo que eu menos quero é ficar pensando sobre isso.
- Isso me parece "fugir do assunto".
Então Touro agarrou-lhe pelos braços com rapidez, aproximando seu rosto do dele.
- Talvez eu devesse mesmo fugir do assunto. – disse ele, e o tibetano pode notar que sua voz estava baixa e parecia magoada – E se estou mesmo fugindo do assunto, Mu, é por respeito à você e a escolha que você fez. Você me conhece muito bem e sabe o quanto me desagrada não ter aquilo que quero. Você deveria estar agradecido por toda a merda de consideração que eu ando tendo com você e com o aquele Buda filho da puta lá de cima. – e aproximou seus lábios dos de Mu – Agradeça por eu estar fugindo do assunto. Porque você sabe muito bem que eu provei o seu corpo, e ele me deixou viciado. E eu ainda me lembro muito bem como fazer você se render aos meus caprichos, por isso, não me provoque. Você deveria mesmo estar agradecido pela minha amizade. Ou você esperava mesmo que eu fosse ficar feliz com esse namorinho entre vocês dois?
E tão subitamente quanto o tinha agarrado, ele o largou. E Mu desceu em direção a sua casa em silencio.
- Sabe...- surgiu a voz conhecida – Pensei mesmo que você iria agarrá-lo aqui mesmo e mostrar para ele como você consegue fazê-lo render-se aos seus caprichos...mas acho que me enganei. Você não é mesmo o tipo de pessoa que sairia agarrando o namorado alheio.
- O que você quer? – perguntou o taurino, sem virar-se para encarar o outro.
- Senti Mu passar pela minha casa e decidi descer atrás. Eu sabia mesmo que vocês acabariam discutindo, e quis ver. Sou curioso mesmo, processe-me.
Touro bufou. Massageou as têmporas com as mãos.
O outro riu – Quanta hipocrisia, Aldebaran de Touro. – disse ele – Você não deveria julgar o ariano por seu envolvimento com o Shaka. Esquece que assim que terminaram, foi você e não o Mu, o primeiro a se consolar na cama alheia?
- Foi diferente. Nunca tínhamos tido nada...e não passou de uma boa transa.
- Várias. Boas. Transas. – corrigiu o outro, sorrindo e aproximando-se do cavaleiro de Touro. – Afinal, você voltou na noite seguinte. E na outra. E na outra após essa...
Foi a vez de Aldebaran rir. – Não sou eu que estou no seu templo agora, tentando seduzir-lhe, ou sou?
- Bom...como você me disse um vez..."Se Maomé não vai à montanha..."
Virou-se, as mãos buscaram a cintura forte do outro cavaleiro e sorriu, provocando. – Você não vale nada, não é mesmo, Saga?
Já era noite quando Afrodite acordou novamente. Ele estava deitado sobre a cama, os lençóis cobriam-lhe as pernas e a cintura. Ao lado, o espaço vazio de um corpo quente que não estava mais lá. Levou as mãos ao rosto, esfregando-o com força.
Uma pitada de medo consumia-lhe a alma.
Foi quando ele o ouviu mexer-se. – Acordado?
Suspirou e num fio de voz, respondeu – Sim.
O canceriano meneou a cabeça. Estava sentado no parapeito da janela do quarto e fumava. – Como se sente?
Soltou uma risada nervosa e meio histérica que o outro não conseguiu processar, e virou a cabeça na direção do pisciano, o cigarro pendendo na boca e uma ruga de indignação na testa – Ta rindo do que, porra?
E Afrodite acalmou-se por um instante, para responder – Dessa sua pergunta idiota. – sentou-se sobre a cama, os cabelos caindo lindamente pelo corpo e, mesmo na penumbra do quarto, o italiano engoliu seco ao ver-lhe ali. – Esperei por esse dia a minha vida toda – disse ele, enquanto desenhava padrões imaginários nos lençóis do canceriano. – Como você acha que eu estou me sentindo?
Houve um minuto de silencio, enquanto Câncer tragava e soltava a fumaça do cigarro.
- Eu me sinto muito bem. – confessou o pisciano, e foi além, levantando-se e, de modo extremamente sensual, envolveu seu corpo no lençol. Parecia de fato uma deusa. Uma Afrodite cruel, mimada e libidinosa que ascendia do tártaro para subjugá-lo à seus desejos e caprichos.
E então o pisciano aproximou-se dele, exalando rosas e sexo da sua pele alva e macia. E ele o tocou. – Eu me sinto bem. – repetiu – Mas vou entender se você já estiver arrependido.
Com delicadeza, roubou-lhe o cigarro e tragou.
- Não estou arrependido – disse Máscara.
- Isso é bom. – respondeu o outro.
Máscara agarrou-lhe pela cintura, os dedos brincando com a borda do lençol, e beijou-lhe o pescoço com tanto carinho, que Peixes sentiu o estomago congelar e pular. – Isso é...muito bom. – disse Afrodite, retribuindo-lhe o carinho.
E o italiano foi obrigado a concordar.
N/A: Olá pessoas! *agita os braços*
Eu sei, eu sei. Demorei, né? Me desculpem. A tia aqui tá doente e ai ferrou tudo. Ok, teve um periodo de branco que também me atrasou bastante. Terminei esse capítulo hoje. Exatamente agora! E vim correndo colocar aqui. (2)
Sei que disse tudo isso no capítulo passado, mas eu continuo doente e, na verdade, nem deveria estar aqui no pc, e sim dormindo. X_X.
Anyway, semana passada foi meu aniversário e...BANG! Vinte anos, galera. Foi tenso demais! Juro. Mas teve coisas legais, do tipo...coloquei outro piercing, fiz um moicano no cabelo, comprei um coelho! *_* Ele é lindo!
Mas voltando ao assunto das fics, nossa...penúltimo capítulo, finalmente. E dá uma dorzinha no coração de terminar essa fic adoravel pra mim. mas é a vida. Já tenho outros projetos yaois. Dois estão em desenvolvimento, um está aguardando inspiração e o outro, que inicialmente seria mais uma fic, agora ganhou ares de romance gay original. E talvez, eu disse talvez mesmo, com um pouco de incentivo e sorte, quem sabe não vire um livro de verdade? *_*
Quero agradecer imensamente a todos vocês que estão acompanhando essa fic. Vocês me alegram muito. Sinto muito por quem não curte os shippers AldebaranxMu e AldebaranxSaga, mas eram importantes para o bom andamento da história.
Eu espero que eu tenha, mais uma vez, conseguido agradar a vocês. E espero por suas reviews.
Agradeço de coração, hoje e sempre.
Beijos a todos,
Lika Nightmare.
Afrodite: *fazendo a dancinha da vitoria*
Eu: Tá feliz agora, Dite?
Afrodite: PRA CARALHO! \o/ Win! Win! Win!
