Capitulo 12:
Era lá pelas 3 da tarde, Grisson tocou a campainha da casa da amada. Catherine atendeu a porta, ela usava uma blusa de manga curta, por isso as marcas no braço e na mão de Catherine apareciam, ela também estava com os olhos e nariz inchados, sem contar as olheiras.
- Gr-Gris-Grisson? – gaguejou Catherine escondendo os braços atrás do corpo.
- Cath, essas flores são para você – falou entregando um buquê de rosas vermelhas e no meio do buque tinha uma rosa branca.
- São pra mim? – perguntou Catherine surpresa, ela pegou o buque.
Por acaso Grisson viu as marcas nos braços de Catherine, enquanto ela pegava as flores e dava passagem para ele entrar.
- Lindsay está na casa do Tim e Marggie está fazendo trabalho em grupo na casa do Nick. – falou Catherine cheirando as flores.
- Não vim ver as meninas – respondeu Grisson olhando para os braços da amada.
- Não? – Catherine notou que Gil olhava em um ponto fixo. Assim que ela percebeu o lugar em que ele olhava ficou sem graça.
- Posso te fazer perguntas? – perguntou Grisson passando a mão pelo rosto de Catherine.
Ela fechou os olhos e deixou que ele a tocasse por todo o corpo. Ela o sentiu e começou a lembrar dos momentos em que passaram juntos. Quando a mão dele passou no braço Catherine sentiu um arrepio, ele passou a mão em uma cicatriz perto do pulso.
- Não respondeu minha pergunta – sussurrou Grisson
- Pode – respondeu no mesmo tom, eles se sentaram no sofá.
Ficaram se encarando por um minuto. Grisson queria saber de tudo.
- Está tudo bem? – Grisson queria começar do começo.
- Sim – respondeu Catherine desanimadamente
- Você estava chorando?
- Não...
- Não é o que parece.
- Eu estava chorando sim – retrucou Catherine
- Por quê?
- Amor, dor, raiva, ódio, medo, culpa... – respondeu olhando para a TV que estava desligada
- O que fez nos braços e nas mãos?
- Nada – respondeu encolhendo os braços
- Não está se cortando, está? – perguntou Grisson passando a mão por todas as cicatrizes.
Ela não respondeu, não estava pronta para responder aquela pergunta. Grisson colocou o rosto de Catherine a sua frente por um segundo, um longo segundo. Ele queria uma resposta.
- Catherine... – sussurrou Grisson com voz de desapontamento
- É a única maneira de eu conseguir...
- Conseguir o que? – cortou Grisson
- De tentar esquecer você, mas está difícil. Tudo que penso tem a ver com você. – Catherine tinha lágrimas nos olhos.
- Eu te amo – respondeu Grisson
- Eu não sei nem quem sou, como posso amar alguém? Cada dia que passo não consigo me enxergar.
- Eu posso te ajudar.
- Não sei se quero me enxergar novamente, tenho medo de lembrar como era e enlouquecer – Catherine deixou duas lágrimas caírem. – Faz dois meses e eu não superei.
- Nem eu
- Não consigo cuidar de minhas filhas.
Grisson tinha muita pena de Catherine e não agüentava vê-la sofrer, ele a abraçou. Ficaram assim por um minuto. Catherine sentiu o cheiro de Gil, o cheiro que tanto amava. Grisson ficou inalando cheiro do cabelo dela. Quando saíram do abraço Grisson viu que era hora de fazer algo, então trouxe o rosto de Catherine para perto do teu, ele ficaram sentindo a respiração um do outro. Eles se aproximaram mais até seus lábios se encostarem, logo depois a língua de Catherine conseguiu entrar na boca de Gil o mesmo fez a mesma coisa. Enquanto se beijavam lágrimas caíam dos olhos do casal.
Quando pararam de se beijar Catherine olhou para o chão, Grisson queria dizer algo, mas não sabia o que.
- Me perdoa? – perguntou Grisson depois de cinco minutos em silêncio
- Grisson, eu não sei se quero. E se você me trair de novo?
- Não vou – Grisson respirou – Você não sabe o que houve na verdade. Você só viu o final, o que houve de verdade você não sabe.
- Conte-me
- Naquela noite eu menti para você (e me arrependo por isso todos os dias), tinha sido a Hatler que tinha me ligado. Ela disse que precisava me ver, urgentemente. Eu menti pra você, pois sabia que nós íamos brigar. Enfim: quando cheguei a casa dela, ela me disse que estava sofrendo e que não ia mais me ver com outra, aí ela me beijou, me seduziu e me levou para a cama. Eu te traí, admito, mas também admito que isso foi o maior erro da minha vida. Eu perdi três pessoas: você e minhas filhas.
- Grisson se você sabe o que vai acontecer se você for na casa de Hatler, por que vai?
- Porque ela é minha amiga – respondeu Grisson
Catherine ficou chorando em silêncio. Grisson secou as lágrimas que caíam dos olhos azuis.
- O que vai dar para Marggie? – perguntou Catherine mudando de assunto
- Uma guitarra – respondeu Grisson – foi o que ela pediu, e você?
- Um notebook – respondeu Catherine – Ela queria no Natal, e como tinha acabado eu prometi que ia dar um notebook para ela.
- Eu sei, estávamos juntos – sussurrou Grisson
Eles ficaram em silêncio, até Grisson insistir na pergunta
- Perdoa-me?
- Vamos começar da estaca zero? – perguntou Catherine
- Sim, amigos?
- Claro.
XXX
No dia seguinte Catherine fez um bolo de aniversário. Uma festa surpresa. Ela não tinha nem chegado perto da faca, desde a conversa com o Grisson. Quando era mais ou menos 15:30 Marggie chegou da escola. Ela subiu no quarto e deitou na cama, ficou lá até sua mãe bater na porta.
- Filha, me ajuda aqui na cozinha?
- Ok – respondeu desanimadamente
Quando elas chegaram na cozinha Marggie teve uma surpresa. Todos os seus amigos estavam lá.
- Surpresa – disseram todos juntos.
Eles fizeram uma festinha e correu tudo bem. No final da festa Marggie "sumiu" com o Luca.
- Onde está Marggie? – perguntou Greg
- Eu não sei – respondeu Catherine olhando para os lados.
Elisabeth sabia da amiga precisava inventar uma desculpa.
- Tia, ela foi ao banheiro – mentiu Elisabeth
Sara olhou para a filha. A mesma estava um pouco nervosa.
- Eu vou chamá-la – apressou Elisabeth
A adolescente subiu as escadas foi direto para o quarto da amiga. Quando chegou lá se deparou com a amiga e o irmão se beijando.
- O Dois! – disse Elisabeth separando eles
- O que foi, peste? – perguntou Luca empurrando a irmã
- Querem saber da Marggie e a tia Cath acha que você está no banheiro – explicou Elisabeth tirando o irmão do quarto.
Assim que Luca saiu do quarto Marggie começou a arrumar o uniforme que estava bagunçado por causa do beijo.
- O Michael está lá, me ajuda – pediu Elisabeth
- Ok, eu te ajudo. Mas vai ser tudo por acaso e vai ter um problema.
- Qual?
- Você vai torcer o pé na escadaria, e vai sair se estrupicando até os braços do Michael. Aí vocês se beijam.
- Beijar na frente do tio Warrick? Na frente dos meus pais? Eles vão me comer viva!
- Então pode ser amanhã na escola?
- Pode!
