X.
-Já pensei em várias opções, mas acho que a melhor é tentar entender como ela pensa. É a única vantagem que nós temos, no momento.
Broyles olhou-a, inquisitivo.
-E o que você acha que ela está pensando?
-Ela está com muita raiva, principalmente de mim. Acha que eu tomei o que era dela de direito: pai e filho.
Peter ficou irritado pela enésima vez.
-Eu nunca dei qualquer direito a ela, Olivia. Estamos metidos nessa enrascada porque ela engravidou.
-Bem, Peter, ela não engravidou sozinha. Então ela acha que vocês têm algo.
-Achei que já havíamos superado essa fase.- ele rebateu com aspereza.
-Não estou reclamando, Peter. Estou tentando pensar como ela, somos versões da mesma pessoa.
-Vocês são completamente diferentes.
Olivia não respondeu, mas lembrou do passado e intimamente reconheceu a ironia da situação.
Agora ele acha. É uma piada. Na hora de dormir com a outra por dois meses nem notou a diferença. Só quis se divertir. Estava bem satisfeito. Provavelmente viveria com a outra pelo resto da vida. Só mexeu a bunda porque a verdade gritou na sua cara. É esse o problema de Bishop. É acomodado. E acha que o mundo gira em torno dele. Não sei o que essas duas viram nesse sujeito. O cara só faz besteira. Onde ele passa é confusão na certa. Está acabando com a vida da Olivia e nem nota. Eu não sei afinal se ele está com ela por amor ou comodidade. A Olivia é outra pessoa quando está com ele. Fica insegura. Fica triste.
-Agente Lee?- repetiu Broyles.
Lincoln Lee veio à tona e saiu do devaneio em que se encontrava. Ultimamente pensava demais na situação de Olivia. E ainda que se sentisse decepcionado, continuava na expectativa. Prestara atenção na discussão entre Peter e Olivia, mas daí por diante perdera o foco e não ouvira a pergunta de Broyles.
-Perdão, estava distraído. O que perguntou, senhor?
-Quais os resultados das investigações nas vizinhanças da creche?
-Ela chegou numa van, ninguém anotou a placa. Estava acompanhada. Quando retornou, o motorista deu a partida e eles saíram rapidamente.
-Então não temos nada.
-Não é assim, Bishop. Olivia tem razão. Precisamos de um plano. Temos que atraí-la para o nosso território.
O agente Lee concordando com Olivia. Que amor...que legal... Qual a surpresa? Estou sem paciência. O cara até que foi esperto lá na creche. Ajudou. Mas no fundo estava querendo impressionar Olivia. Ele ainda tem esperança. É teimoso. Vai ficar à espreita, esperando qualquer vacilo meu para dar o bote. Por que a minha vida está uma merda? Gostaria que alguém respondesse. Mas ninguém fala nada. Só ficam olhando para a minha cara. No fundo acham que a culpa é minha.
Quando chegaram em casa, Olivia estava tão tensa que pensou em colocar o berço de Gabriel no quarto deles. Peter não deixou. Algo em seu íntimo dizia que não era só pelo filho que a outra estava fazendo todo aquele circo. Ela queria atingir Olivia, com toda a certeza. E a ele também.
Olivia começou a vestir o pijama. Tinha acabado de sair do banho. Gabriel já estava dormindo. Peter veio ao seu encontro, abraçou-a. Ela aninhou-se em seu peito, era muito bom ter alguém para compartilhar as coisas. Mesmo as ruins. Aquele dia tinha sido particularmente duro, mas eles haviam conseguido. Peter beijou-a no alto da cabeça. Depois na boca, com uma animação que surpreendeu Olivia.
-Peter, depois de tudo que aconteceu hoje você ainda está pensando em sexo?
-Para relaxar, Livia. Não conheço coisa melhor.
Olivia riu baixinho, para não acordar o bebê no quarto ao lado.
-Sabe que você está certo? O dia foi complicado, mas estamos todos vivos e juntos. Realmente merece uma comemoração em grande estilo.
Ele acariciou suas costas, ao longo da coluna vertebral. Ela começou a beijar o seu pescoço.
-Agora, eu fiquei realmente animado...
Olivia ficou com o coração acelerado. Ele parecia o Peter dos velhos tempos, com um jeito meio travesso de provocá-la. Era uma característica que ela adorava nele.
Ele não deu a ela tempo de sequer escovar os cabelos. Abraçou-a forte, em seguida jogou-a na cama. Depois praticamente pulou em cima dela. Entre beijos e risos, conseguiram se desligar dos momentos de tensão vividos naquele dia. Ainda tinham um ao outro, o que era muita coisa.
