Genteee! Esse foi o capítulo que eu mais gostei de escrever! (até agpra) Espero que também gostem. ^^'

Algo que me ocorreu... Acredito que Molly e Lucio não seja um casal comum (nunca procurei) e o objetivo dessa fic nem é esse. Mas é necessário para dar o sentido certo a história, apesar de eu achar que eles não combinam.

Sem delongas...


Paixões Proibidas

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Por Danii Malfoy

Cap. 9 - Memórias

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"Memórias, não são só memórias
São fantasmas que me sopram aos ouvidos"

(Memórias - Pitty)

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Ele acordou ao sentir uma mão deslizar por seu tórax. Sorriu ao ver Gina sentada na cama acariciando-o. Lançou-lhe um olhar malicioso, entendeu exatamente o que ela queria.

- Você é uma espécie de ninfomaníaca? - ele sorriu levantando-se e beijando-a caindo por cima dela.

- Não mencionei esse detalhe? – Fingiu pensar na questão.

- Creio que não. – disse entre o beijo – deixou o melhor para o final.

- Não queria assustá-lo. Se bem que... – ela avaliou – um chute no Draco Junior deve ter causado maior impacto.

Ele arqueou a sobrancelha e a encarou.

- Junior?

- É só um modo carinhoso de chamar.

- Melhor pensar em outro apelido querida, esse fere profundamente meu orgulho masculino. – ela gargalhou.

- Ok machão. Depois pensamos em outro. Mas agora... – e virou-se pondo-se por cima dele. – vamos ver se ele é merecedor de um apelido melhor.

- Pensei que estivéssemos pulado essa etapa ontem.

- Draco... – ela se aproximou – cala a boca sim?

Antes que ele dissesse algo mais ela o beijou e ali mesmo se amaram novamente. Lentamente assim como o sol que começava a iluminar toda a Londres.

- o –

Blaise corria pelas ruas. Gostava de correr quando precisava pensar. E de fato precisava mesmo. Não sabia o que fazer. As palavras de Lúcio martelavam em sua cabeça.

Fora a reação dele ao ver Gina. Ao longo de toda a sua vida nunca vira, ou se quer imaginara, Lúcio perder o controle. Aliás, Lúcio era a personificação de controle. Sempre controlou a si mesmo, seu emprego, sua mulher, seu filho, empregados... Toda a sua vida. Nunca vira ele perder a classe em momento algum. Nem mesmo quando se exaltava com Draco ficava assim.

Tudo formava um grande nó na cabeça de Blaise. Mas ele sabia bem por onde começar a puxar. Por mais contrariado que se sentisse investigaria toda a vida de Gina. E passaria mais tempo com ela também. Queria entender qual era a relação dela com Lorde Malfoy.

Entrou em seu barco e pegou a toalha que estava sobre a janela do iate. Secou o rosto e pegou a garrafa d'água que Fordingbride deixara estrategicamente na mesa que ficava encostada na janela do lado de dentro.

Enquanto bebia, por força do hábito olhou para as sacadas dos prédios a volta. Não pode controlar engasgar com a água e molhar todo o seu casaco. Será que seus olhos o enganavam? Gina estava enrolada em um lençol e Draco a estava abraçando.

Pela hora e pelos trajes só podiam ter dormido juntos. Aquela era a prova viva do que ele vinha percebendo há algum tempo. Se mesmo depois de tudo que aconteceu eles estavam ali abraçados... Era melhor agir rápido antes que causasse maiores dores. Se Lúcio estivesse certo, é claro.

- Fordingbride – chamou – Ligue para Cooper, é urgente. - Completou quando o mordomo apareceu.

Continuou a olhar o casal na sacada da janela. Pensava no que faria.

Viu Gina acenar para ele. Um tanto encabulado por ser pego os observando e tramando contra eles acenou e entrou na cabine de seu iate.

- Estranho Blaise quase se afogou bebendo água.

- Ele é estranho! – Draco beijava seu pescoço.

- A vista é linda. – olhou para todo o mar a sua frente.

- O melhor para nossos hospedes!

Ela sorriu. Ele parecia ter resposta pra tudo.

- O serviço de quarto é ótimo Senhor Malfoy. – ela virou pondo a mão em seus cabelos loiros bagunçados.

- Sou pessoalmente responsável pelo sucesso. – acariciou o rosto dela.

- Eu me referia ao café da manha que trouxeram há dez minutos.

Ele arqueou as sobrancelhas contrariado. Ela adorava fazer isso com ele. Empurrou-o e correu para dentro do apartamento.

Ele correu atrás dela e a viu para no meio do corredor que levava a porta do quarto.

- Sabe, esse lençol é muito grande pra uma pessoa só. – ela apoiou o lado direito do corpo e abriu o braço esquerdo.

Draco a abraçou e ela o envolveu com o lençol.

- Se o café fosse tão importante não estaríamos assim enrolados no mesmo lençol.

- Isso realmente te incomoda não é? – ele não respondeu e ela sorriu – Bobo! Cafés da manha vêm e vão, você é único. – ela deu alguns selinhos nele.

Ainda um pouco contrariado seu corpo começou a responder ao estímulo da proximidade dela.

- Tem sorte que o Draco Junior é bastante persuasivo.

- Temos um nome então? – ela perguntou arqueando a sobrancelha.

- Não necessariamente. É provisório.

Ambos riram e voltaram a se beijar.

- o –

- Sim, Lúcio. Ele está com ela agora. - Blaise estava deitado em uma espreguiçadeira em seu iate e olhava para o apartamento que vira Gina e Draco minutos antes.

- Ele virá aqui hoje. Vou segurá-lo o dia todo. O resto é com você.

- Não gosto dessa idéia... – Blaise sorriu descrente ponderando os pós e contras.

Encarou o fone do telefone. Antes que completasse a frase Lúcio desligou. O problema de Lúcio era justamente o controle, ele se julgava capaz de controlar a todos. E era insuportável quando não conseguia.

Eram coisas que iam além da vontade dele. O moreno balançou a cabeça negativamente. Que situação!

- o –

Gina olhou no relógio de pulso. Eram quase duas da tarde. Draco havia saído fazia uns dez minutos. Tinha um compromisso com seu pai. Imaginava as atrocidades que Lúcio falaria para ele. Das quais Gina, sinceramente, não fazia idéia do por que. Suspirou cansada. Que loucura!

Agora que Draco foi embora ela pensava o quanto aquela situação parecia surreal. O pedido aparentemente simples de sua mãe levou-a para um ninho de cobras, no mais amplo sentido do termo. Todos que ela conheceu ali pareciam tão frios e calculistas.

E ela fora se apaixonar justamente pelo pior deles. Que idiota ela fora. Como se deixou levar por aquele par de olhos azuis acinzentados? Ela bem sabia onde isso ia acabar... Draco só a estava usando, satisfazendo um desejo momentâneo. E quando cansasse a descartaria. Esperava pelo menos ter entregado a carta de sua mãe.

Ouviu leves batidas na porta. Levantou a contra gosto imaginando ser a camareira ou algo do gênero. Ao abrir a porta deparou-se com um grande buquê de margaridas e rosas brancas ornamentados em uma cesta de lascas de madeira.

- Assim você vai me... – começou a dizer sorrindo.

- Advinha quem é? – a pessoas se escondia atrás do grande volume de flores.

Ela piscou algumas vezes tentando associar a voz que ouvira a um conhecido.

- Blaise... – constatou – quanta gentileza – pegou o buquê, um tanto constrangida pela confusão que fizera. Esperava que ele não houvesse percebido – A que devo tal gentileza? - abaixou o arranjo para que pudesse encará-lo.

- Um pequeno gesto para consolar uma dama que foi destratada na minha casa. - sorriu galante.

- Não precisava! – ela abaixou os olhos sem graça ao lembrar-se da festa na casa de Blaise – Obrigada.

- Está sozinha? Tem alguém ai com você? – ele olhava por cima da ruiva o quarto a procura de alguém. Isso há incomodou um pouco.

- Erh... Não. Quer entrar? – ela ofereceu.

Ele sorriu e entrou.

- Eu sinto muito mesmo. – parou no meio do quarto e a olhou enquanto fechava a porta – Procurei por você ontem depois... anh, do ocorrido.

Ele percebeu que a situação há constrangia um pouco. Mas era necessário falar sobre isso. Não queria que ela saísse com uma péssima impressão dele. Ainda mais pelo favor que prometeu a Lúcio. Gina caminhou até a escrivaninha e colocou as flores sobre a mesa.

- Sabe que ganhei mais flores uma semana em Londres do que toda a minha vida nos Estados Unidos? – comentou olhando as flores de Draco e Blaise que estavam sobre a mesa. - Os ingleses são mesmo nobres cavalheiros. - ela virou sorrindo. Estava claramente desconversando.

- Fico feliz em fazer jus ao título. – aproximou-se dela e estendeu uma bolsinha azul.

A ruiva estranhou. Demorou um tempo a assimilar que era sua. Só então percebeu que depois de toda a confusão do dia anterior, esquecera a bolsa com a carta de sua mãe.

- Oh! Minha bolsa! – ela pegou aliviada – obrigada.

- A carta para Lorde Malfoy está ai. – ele não conseguir evitar sorrir ao ver Gina enrijecer os ombros. – Garanto que Fordingbride guardou-a com devoção. – amenizou a tensão que tomou conta do ambiente.

- Não sei como agradecer – ela o encarou remexendo os cabelos. Estava desconcertada.

- Gina – ele colocou as mãos em seu ombro – eu quero ajudar.

- Talvez você possa... – o encarou com um olhar suplicante – Poderia me ajudar a encontrar Holly Cantrell?

- Holly Cantrell? – Blaise olhou para o chão, parecia pensar – sei que já ouvi esse nome.

Ficaram algum tempo em silêncio. Gina observava Blaise atentamente, ele parecia falar consigo mesmo.

- Já sei! – ele gritou assustando-a um pouco – Duquesa de Argyll.

- Hum? – ela o olhava interrogativa.

- Holly Cantrell... Holly Goodwin... Duquesa de Agryll. – ele fazia desenhos no ar como se ilustrasse o que dizia – Holly Cantrell é seu nome de solteira, após se casar com Jim Goodwin, Duque de Agryll tornou-se Duquesa de Agryll. Mas se me lembro seu marido morreu a muito tempo, por vezes ela usa seu nome de solteira – ele parecia satisfeito pelo seu raciocínio lógico – Grande dama da sociedade! - exclamou triunfante por fim.

- Anh... Claro... – ela fingia empolgação – Onde a encontramos? – perguntou sem rodeios.

- Minha cara... Em Agryll Hall obviamente. – ele sorriu sarcástico como se aquilo fosse óbvio.

- Imaginava – ela revirou os olhos – Nobres ingleses... Puff!

- Não me pareceu tão avessa a eles hoje de manha.

- Blaise! – ela repreendeu sem graça ao lembrar que estava com Draco quando o viu de manha.

- Uma duquesa agora... Você vai parar quando chegar à rainha?

- Vai me ajudar ou não vai? – ela cruzou os braços impaciente.

- Claro! – era melhor observar os paços dela, concluiu – Agryll Hall fica em Windsor. De barcos chegamos em minutos.

Ela arqueou a sobrancelha.

- Não podíamos ir de carro como gente normal?

- Você não esta andando com gente normal. Está andando com Blaise Zabini.

- Ah sim! – ela concordou com a cabeça ironicamente como se isso explicasse tudo.

- Faremos um piquenique no rio.

- Menos Blaise. – pegou a carta dentro da pequena bolsa e colocou na outra bolsa que estava sobre a cadeira da escrivaninha – Vamos?

Ele concordou com a cabeça e os dois saíram do quarto. Rumaram para o iate de Blaise.

- Você vai ver como ele navega suave. Nem da pra sentir – ele dizia orgulhoso.

- Espero que rápido acima de tudo. – ela olhava a embarcação – Desculpe! – ela bateu em sua própria testa – Você me ajudando e eu reclamando.

- Tudo bem. Eu entendo. Fordingbride – chamou o velho mordomo – ligue a casa, vamos passear.

- Sim senhor – Fordingbride apareceu a porta da cabine assustando Gina e fazendo-a pensar se ele já não estava ali só esperando Blaise chamar – para onde vamos?

- Agryll House, próximo a Windsor.

- Sim senhor. – Fordingbride entrou na cabine e em poucos minutos Gina sentiu o barco deslizar suave pela água.

Blaise passou para o final do iate e ela o seguiu. Sentou-se no puff ficando bem à vontade.

Observou os cisnes que nadavam na água agitada por onde o iate acabara de passar. Olhou para o céu, azulado e ensolarado.

- O dia esta lindo! Seria perfeito se... – ela parou e remexeu as mãos incomodadas.

Blaise que servia champanhe em duas taças a olhou desconfiado.

- O que?

- Nada – ela encarava as mãos.

- Se Draco estivesse aqui? – completou simplesmente sabendo que Gina não o faria.

Ela continuou calada e voltou a encarar os cisnes. Blaise calmamente pegou as taças e sentou-se frente à ruiva esperando que ela o olhasse.

Ainda com a cabeça virada para os cisnes ela o olhou de canto de olho. Ele entregou-lhe a taça de champanhe.

- Obrigada. – pegou a taça e voltou a olhar para o rio.

Ele suspirou ponderando o que faria. Por fim decidiu ir com calma. Estava em terreno perigoso, melhor era não se arriscar.

- Há anos conheço Lorde Malfoy – ele desviou seus olhar para o rio também – como o mais educado e civilizado dos ingleses. De uma polidez invejável até mesmo a um Rei. – pigarreou e olhou para Gina que também o encarou – Sem uma forte provocação, que nem consigo supor a escala, ele não faria uma cena em público.

- É problema dele – ela deu de ombros diversas vezes e bufou. Ocorreu a Blaise rir do gesto infantil e manhoso de Gina, mas não era o momento. – Eu não tenho segredos! – ela quase gritou isso, irritada por todas as insinuações que ouvira nos últimos dias. Parecia que todos a viam como alguém que ela não era – Mas acho que ele tem segredos – quase cuspiu as palavras de nojo.

Blaise a encarou profundamente e ela não desviou o olhar desafiando-o a fazê-lo.

- Espero que você seja o que parece ser. – dosava bem as palavras para não ofendê-la – Apesar de toda a rivalidade, sou fiel a Draco. Se estragar os planos dele, terá de se ver comigo – bebeu um pouco de champanhe e voltou a encarar os cisnes. Como se nem tivesse acabado de ameaçá-la. – Não que Draco tenha algum plano a longo ou curto prazo, mas deu pra entender o que quis dizer.

- Eu também. – ela respondeu convicta – estarei lá em um piscar de olhos.

Blaise sorriu e a olhou de canto. Gostou da resposta. E gostava também de pessoas decididas e diretas assim.

- o –

Ele abriu a pesada porta de madeira maciça e ouviu um leve ranger das dobradiças. O barulho chamou à atenção de Lúcio, que estava sentado em uma escrivaninha do lado oposto a porta.

- Entre Draco. – encarou-o por cima dos óculos que usava.

Ele pôs as mãos no bolso da calça e entrou parando frente a mesa do pai.

- Eu queria falar sobre ontem à noite – disse sem rodeios – Sobre Virginia. – especificou encarando o pai.

Lucio encostou-se na poltrona acolchoada em que estava e a inclinou levemente para trás.

- Não fez o que pedi. Não se livrou dela.

Draco sentou na cadeira de visitas que tinha ao seu lado, sabia que aquela conversa poderia demorar.

- Não. – ele encarava o pai com altivez – Me soou como uma ordem. Em trinta e um anos de convivência deveria saber que sou avesso a elas.

Lúcio suspirou cansado. Qualquer outro pai se irritaria com a petulância de um filho. Mas isso não o irritava em Draco, afinal, ele ensinou-o a ser assim.

- Por que não se livrou dela?

- Muitas razões - respondeu vago, olhou a sala em volta, parecia pensar no que dizer exatamente. – Primeiro por que nunca o vi tão insensato. – voltou a encará-lo.

Draco o olhava, desafiando-o a questionar. Mas Lúcio não o fez. Estalou os lábios tentando reaver o controle.

- Só desta vez, não faça perguntas – ele se inclinou sobre a mesa apoiando deus cotovelos nela – Faça o que peço. – Draco ficou surpreso, parecia a ele que seu pai quase o implorava isso.

- Nenhuma pergunta? – balbuciou. O mais velho levantou não agüentando aquele olhar questionador. – Nem como e com o que Virginia o chantagearia? – Seus olhos estavam como fendas encarando o pai – Nem como a mãe dela tinha o pendente de nossa família?

Seu pai estava inquieto estava inquieto, e ele percebia. Parecia sufocar, estava se sentindo acuado, e era assim que Draco o queria.

- Vá embora. – Lúcio andou até a janela, pôs a mão direita na testa massageando – Por favor, vá embora – fechou os olhos.

Draco levantou e caminhou até o pai. Lúcio apenas limitou-se a olhar sobre o ombro para o filho quando sentiu sua proximidade, mas permaneceu virado. Ele olhou para Lúcio uma última vez e saiu de seu escritório sem nada a acrescentar.

Lúcio virou-se a tempo de ver Draco saindo. Abaixou a cabeça, resignado. Nunca havia se sentido tão vulnerável e descontrolado. Ou talvez houvesse sim...

- o –

- Era o pendente da minha mãe – ele acariciava o pescoço e os ombros da jovem a sua frente.

- Vou usá-lo sempre para nunca te esquecer – ela sorriu enquanto sentia os músculos amolecer e toda a tensão sumir frente aquelas carícias.

Ele aproximou os lábios da orelha dela.

- Não precisa de objetos para lembrar-se de mim, sempre estarei aqui. – depositou um beijo no lóbulo da orelha dela fazendo-a tremer.

- Não suportaria perdê-lo também – encarou-o virando-se para ele e ficando de joelhos a sua frente que estava sentado na cama.

Ele viu em seus olhos medo. E a abraçou não querendo vê-la naquele estado.

- Não posso passar por tudo de novo. – sua voz saia abafada e contida. Não precisava olhá-la para saber que estava com os olhos marejados.

- Não vai passar – desfez o abraço e beijou seus lábios como que para selar a promessa.

Ela o encarava esperançosa. Realmente acreditava em suas palavras.

- Nos veremos sempre que eu vier a Londres – ele se afastou dela indo até a cabeceira da cama.

- Sabe o que é pior? – ela fez o percurso até o outro lado da cama – não saber se você esta bem e se vai voltar... – ela o encarou - Por favor, volte a salvo.

- Eu prometo. - Ainda que não estivesse tão confiante quanto transparecia.

Ela estava com um ar melancólico. Ele sabia que nada poderia fazer para que aquilo passasse, por mais que prometesse, em tempos de guerra de nada podia ter-se certeza. A sobrevivência diária era uma vitória pessoal de cada ser.

Sem nada que pudesse acrescentar ele ficou de joelhos no meio da cama e pegou em suas mãos para que fizesse o mesmo. Os dois se beijaram e ele tentava apagar todas as tristezas da alma daquela mulher que tanto amava.

- Fim Flash Back –

- Lorde Malfoy – ele ouviu leve batidas na porta o tirando de seus devaneios. – Desculpe interromper – sua jovem secretária pôs somente a cabeça para dentro do escritório - mas o telefone está tocando há algum tempo. Lady Malfoy que está na linha.

- Obrigado. Vou atender. – Porém não se mexeu.

A secretária decidiu-se por sair da sala não sabendo mais o que fazer.

- o –

- Senhor – Blaise que estava como olhar perdido em um ponto qualquer viu seu mordomo se aproximar com duas canecas de chopp.

- Boa idéia, Fordingbride. – Blaise sorriu pegando uma das canecas, bebendo um pouco de seu conteúdo.

Os dois olharam para o gramado onde em uma mesinha com guarda-sol Gina conversava com a duquesa de Agryll.

- O que elas devem estar falando?

- A mãe da senhorita Weasley e ela foram amigas de tempos atrás. Creio que ela possa ajudá-la em algo. O estranho é a mãe nunca ter comentado com a filha que já esteve na Inglaterra – Blaise o olhou surpreso ao constatar que Fordingbride soubesse tanto de uma história que pouco participava – Mas não acho que seja da nossa conta - ele virou-se para o outro lado observando o rio, Blaise fez o mesmo incapaz de continuar espiando.

- Não acredito que minha mãe esteve aqui durante a guerra! – Gina comentou surpresa. Sua voz estava um tanto esganiçada em indignação – Por que nunca me contou? – ela abriu a boca e balançou a cabeça em negativa.

A ruiva encarava incrédula a senhora a sua frente que usava roupas florais.

- Estavam casados há uma semana quando Arthur foi designado para a Europa. – ela sorriu doce prosseguindo com a história - Ela veio para Londres para ficar próxima a ele. Não que ela o visse muito – ela remexeu em sua xícara de chá – Era uma missão secreta – sorriu com ar misterioso agitando as mãos e arregalando os olhos – Ficaram atrás das linhas inimigas – encarou-a séria.

- Foi quando papai foi ferido? – Gina ajeitava os cabelos que insistiam em voar com o vento da tarde.

- Nós éramos tão jovens! – ela bateu na mesa levemente para dar ênfase ao que dizia – enterrar explosivos à noite – ela levantou-se, parecia estar alheia, tentava lembrar-se de memórias por anos esquecida. – Seu pai estaria bem se não tivesse tentado salvar meu Jim – estava de costas e inclinava a cabeça levemente para trás enquanto falava – Foi horrível. Não sobrou muita coisa para ele salvar – balançava-se levemente, era visível seu desconforto quanto aquele assunto.

Gina levantou e pôs a mão em seu ombro esquerdo. Holly olhou-a sobressaltada e sorriu melancólica para a ruiva que a olhava tentando dar-lhe forças.

- O que minha mãe fez enquanto esteve aqui? – parou frente à Senhora.

- Ela conquistou um lugar como cantora – sorriu sentindo a tensão dissipar-se.

- Minha mãe? Cantora? – mexeu em seus cabelos e rodopiou parando novamente de frente para a duquesa – Não acredito! – gargalhou.

- Ela era boa Virginia – divertiu-se com os gestos da ruiva a sua frente. – Muito boa! - levou-a para a mesa novamente. – Quando a missão falhou, pensou que seu pai tivesse morrido. – ambas ficaram sérias novamente. Gina encarou-a com as sobrancelhas arqueadas.

- Ela nunca me falou sobre isso...

- Não creio que fosse algo fácil de falar. Foram tempos muito difíceis, de muita tristeza e mágoas. Sua mãe sofreu bastante. Mas... – ela sorriu confidente – Houve um rapaz de quem sua mãe gostou muito. Era piloto da força real. Lembro-me que quando a viu cantar não tirou os olhos dela. Ele foi ao nosso clube com aquela convencida... Narcisa – fez uma cara de desgosto e balançou as mãos fazendo pouco caso. – Lady Narcisa. Lembro-me por que sua mãe morou com ela alguns meses. Mas o marido dela estava mais interessado em sua mãe.

Aquela história parecia tão absurda aos olhos da ruiva. Não conseguia nem se quer imaginar sua mãe com outro homem e vivendo toda essa loucura.

- Ela gostou de um homem casado?

- Na época não eram ainda, por ele é claro. Por que era um casamento acordado até mesmo pelas famílias de ambos. Tradições inglesas... Aquela velha ladainha! – curvou os lábios em um sorriso debochado.

- Minha mãe e esse oficial foram... Íntimos?

- Não fazíamos muitas perguntas naquela época – ajeitou-se na cadeira – Aceitávamos o que podíamos ter. Não sei o que houve. – afofou os cabelos fingindo interesse no ato.

- Você lembra o nome dele?

Encarou a ruiva longamente ponderando a respostas aquela pergunta.

- Lúcio, o nome dele era Lúcio.

- Lúcio? Como ele era? – Gina empolgou-se ao constatar que as coisas começavam a fazer sentido então.

- Não me lembro exatamente.

- Hum... Mas e o meu pai?

- Bem, vou lhe contar...

- Flash back –

- Com licença, onde posso encontrar a Senhora Weasley? – um jovem soldado perguntou ao recepcionista que ajeitava alguns papéis a mesa de entrada.

- Ali, é a cantora de vestido verde.

Ele apontou e o soldado agradeceu e rumou até lá. Esperou que a jovem ruiva acabasse a canção e descesse do palco.

- Senhora Weasley – ele foi até a ponta do palco por onde ela descia ao som de muitos aplausos.

- Sim? – ela perguntou receosa olhando-o desconfiada.

Sem nada a dizer ele lhe entregou uma carta. Ela reconhecendo aquele tipo de correspondência entrou em desespero, quase chorando rasgou o envelope enquanto suas mãos tremiam.

- Ah, Lúcio, não!

Desdobrou o papel que estava dentro do envelope e começou a ler desesperada.

Seus olhos se arregalaram em total choque.

- Molly, o que houve? – Holly que observava toda a cena apoiou à amiga vendo que ela quase caiu ao acabar de ler a carta.

- Fim Flash back –

- Aquele telegrama a arrasou, ficou em completo choque.

- E o que dizia? – a ruiva perguntou em grande expectativa.

- Não dizia de morte como ela pensava, mas de vida – viu o olhar confuso de Gina – Seu pai estava vivo. - levantou-se – Ele não morreu afinal – ela sorriu e pôs se a andar deixando Gina cheia de dúvidas.

Quando a ruiva olhou para os lados não viu mais a duquesa. Ela estava mais a frente, conversando com um grupo de senhoras que acabará de chegar. Sabendo que nada mais conseguiria ali pôs se a andar para o barco onde Blaise e Fordingbride a esperavam.

- Não pode ser informação confidencial, ele já morreu há tantos anos! – Blaise viu Gina andar pelo gramado e se aproximar – Cooper, nos falamos depois.

Desligou assim que ela entrou na embarcação. Ambos se encaravam não sabendo o que dizer exatamente. Blaise se sentia culpado e Gina não estava pronta a compartilhar tudo o que descobrira. Não antes de assimilar tudo o que ouvira.

- Sabe, acho que vai chover – Fordingbride se aproximou enquanto olhava para o céu.

Os dois o olharam sabendo que aquele comentário era apenas para desfazer o incomodo silêncio.

- o –

- Espere! Fordingbride vai pegar o guarda chuva – tinham acabado de chegar ao porto e a ruiva já desembarcara. Saiu correndo pela rua chuvosa nem ouvindo Blaise.

- Uma jovem excepcional Senhor – Fordingbride parou ao seu lado com o guarda chuva aberto protegendo os dois que a observavam correr.

Gina entrou no saguão do hotel e pegou sua chave indo direto para seu quarto. Entrou e surpreendeu-se ao ver Draco deitado em sua cama com as mãos sob a cabeça encarando o teto.

- Onde você estava? – ele procurou não transparecer a irritação que sentia.

Afinal, não era da conta dele se ela havia saído e ficado fora a tarde toda. Não era da conta dele se ela o fez sem avisar. Ou que coincidentemente o barco de Blaise não estava no píer por toda à tarde também. E muito menos que o barco dele acabará de atracar e Gina havia saído da embarcação correndo.

O que não o impedia de ficar irritado. Nem um pouquinho.

- Eu fui de barco com Blaise...

- Pelo menos alguém se divertiu! – ele bufou e revirou-se um pouco.

Gina piscou os olhos não entendo a atitude do Draco. Observou sua face carrancuda. Sorriu quando entendeu o que estava acontecendo.

- Eu não acredito! – sentou-se ao lado da cama vendo-o observá-la – Draco Malfoy está com ciúme!

Ele arregalou os olhos constatando que era verdade, não que ele fosse dizer a ela, é claro.

- Eu? Impressão sua. – ele revirou os olhos – Só não acho correto você ficar andando por ai com Blaise Zabini.

- Hum... E por quê? – ela cruzou os braços desafiando-o.

- Por que... Por que, sim oras!

- Oh! Sim, claro. Entendi perfeitamente. – ela concordava com a cabeça divertindo-se claramente com aquela situação.

- Estou falando sério Virginia – ele a encarou irritado – Por que não me avisou?

- Ao que saiba Draco, não lhe devo nenhuma satisfação. – ao perceber que aquilo era verdade sentiu uma ligeira irritação. Quem ele pensava que era para vigiar seus passos?

Ele apoiou os cotovelos na cama e a encarou arqueando a sobrancelha. Abriu a boca e fechou algumas vezes pensando em algo que pudesse dizer, porém nada lhe passou pela cabeça.

- Mas é o Blaise! – ele falou por fim.

Gina revirou os olhos.

- Poderia ser o John, Jack ou qualquer outro, ainda sim não lhe diz respeito. Eu saio com quem eu quero!

- Então é esse o tipo de mulher que você é? – sua voz era de uma tranqüilidade fingida. Estava fervilhando por dentro.

- É esse o tipo de mulher que você acha que eu sou? – ela sentou sobre as pernas em cima da cama o encarando irritada.

- Não distorça o que eu falo Virginia.

- Mas agora eu quero saber Draco, que tipo de mulher que você acha que eu sou?

Ele sentou na cama e colocou seu olhar ao nível do de Gina. Encarou-a bem próximo olhando no fundo dos seus olhos. E nos olhos cor de chocolate ele viu raiva, mas acima de tudo tristeza. Poderia apostar que ela estava com vontade de chorar.

E por mais que não quisesse admitir a culpa era toda sua por agir como um idiota. Desde quando ele ficou irracional? Tão burro?

Desde que começou a amar...

Uma voz disse em alguma parte de sua mente. Talvez ele até tenha tentado ignorar. Mas como se ignora o amor, afinal? Impossível... E Draco não mais podia se ausentar enquanto a isso.

- O tipo de mulher que me faz perder a razão – ele acariciou seu rosto com a mão – O tipo de mulher que eu penso o dia inteiro e quando vou dormir ainda sonho com ela. – com a outra mão começou a enrolar as pontas do cabelo ruivo de Gina – O tipo de mulher que sempre me encanta e nunca me cansa. Que é diferente a cada minuto, mas que é a mesma todos os dias. – Ele se aproximou ainda mais dela deixando seus lábios próximos – O tipo de mulher que me deixou completamente apaixonado.

- Draco... – seu nome não passou de uma leve lufada de vento saída dos lábios dela.

Ela estava completamente emocionada. Seu coração batia a mil. Estava rígida de surpresa e extasiada de alegria.

- Não sei o que dizer. – ela fechou os olhos e apenas sentiu o toque das mãos de Draco em seu rosto.

- Para alguém que tem sempre o que dizer isso é uma surpresa – ele sorriu roçando seus lábios ao dela – Mas não diga, apenas sinta.

E então ele tocou seus lábios aos dela. Um beijo suave e inocente, o tipo de beijo que somente quem ama consegue transmitir. O beijo que palavras não descreveriam a emoção sentida.

As línguas de ambos se encontraram em uma dança sincronizada. Correu o dedo pelo lado do pescoço dela e envolveu-lhe a nuca carinhosamente. Ele a enlaçou com o outro braço e se inclinou levemente sobre Gina, fazendo-a deitar na cama.

Corpo contra corpo.

Ela sentia todo o corpo másculo de Draco fazer pressão sobre o seu. O cheiro da sua colônia envolvente já a contagiara impregnava a sua pele como se saísse de seus poros.

Todo o seu corpo pulsava de desejo. Tudo antes pareceu tão elementar. Pareceu a ambos naquele momento que nada antes fizera tanto sentido quanto fazia agora.

Draco sentia-se pisando em terreno perigoso, próximo a uma cadeia de sentimentos e emoções que nunca antes imaginara sentir. Mas não se importava, queria apenas se entregar a todas aquelas sensações.

Ele a queria por completo, não somente o corpo, nem tão pouco o pensamento. Ele queria mais que isso, queria seu coração que agora batia forte de encontro ao seu peito. Queria sua alma que parecia tão próxima a sua.

Entre beijos e carícias ambos se despiram. Gina explorava todo o corpo de Draco, tocava-lhe despertando o sentimento de luxuria.

- Gina...

Ela movia o corpo com o dele, mantendo o compasso. Ela parecia saber exatamente onde ele a tocaria antes de sentir seus dedos sobre sua pele em brasa. Não havia pressa. O tempo era algo que não existia naquele momento. Estavam em um universo particular onde só existiam os dois.

Deslizou a língua pela curva do pescoço dela e a viu gemer de prazer. Demorou-se ali enquanto moviam-se ritmados. Gina arranhou-lhe as costas levemente.

Em uma sincronia perfeita os dois chegaram juntos ao ápice da paixão. Ele abriu os olhos e a encarou profundamente. Seus olhos estavam escurecidos de excitação. E naquele momento eles sabiam que não precisavam falar nada. Pois palavras nada definiram sobre aquele momento mágico de um casal apaixonado.

xXx

Finalmente poderei responder as reviews! \o/

Gaabii: Eu também gostei muito, mas como disse, preferi o nove! Tem cenas realmente muito boas, mas tenho me esforçado bastante para escrever cada vez melhos. (Até o final quem sabe não me transforme em "uma escritora de verdade" xD Sentiu a analogia?)

lydhyamsf: Obrigada! ((corada)) Olha que começo a fica convencida! Beijoo's!

Denii Brandon Malfoy: Adorei a comparação de nossos nomes! xD E uma curiosidade a mais... No filme o sobre nome do Lorde é Brendon, hum... Sentiu a semelhança? Que bom que você gosta! ^^ Demorei menos dessa vez, viu? Se a Gina é irmã do Draco? Você foi a primeira a arriscar o palpite... Quer a resposta? Leia a fic! *máh*

Loh Malfoy: Que bom que gostou! ^^ E espero que goste desse também...

Aos que leram e não comentaram... Espero que continuem lendo e que estejam gostando da fic! ^^

Até a próxima pessoal...

kissus!