Tá vendo, nem demorei a atualizar! =) Adorei o nome desse capítulo (D de Daniella =P). Quando correlacionei isso, nem quis pensar em outro nome. Mas acho que nem todo mundo vai gostar do final desse capítulo...


Paixões Proibidas

.

Por Danii Malfoy

.

Cap. 11 - Dia "D"

.

"O amor é o estado no qual os homens têm mais probabilidades de ver as coisas tal como elas não são"

(Friedrich Nietzsche)

.

Um brilho amarelado começava a cobrir o céu sinal que já estava amanhecendo. Era tão estranho para Draco acordar antes disso, em geral poderia que nesse horário ele estaria indo dormir. Mas agora estava ali, sentado na sacada do seu quarto em Malfoy Hall desde as cinco horas da manha.

Não conseguia dormir, mil pensamentos explodiam em sua mente. Olhou para a cama onde Gina dormia como um anjo. Era uma bela visão para ele, ela nua, enrola em seus lençóis com os cabelos ruivos espalhados pelo travesseiro.

Sua futura esposa... Suspirou. Não que se arrependesse de tê-la pedido em casamento, ou ter sido pedido por ela, seja lá como ocorreram os fatos. Mas era um passo muito grande para se dar. É claro que ele a amava, ele sabia bem disso. Afinal, o que seria aquela felicidade instantânea que o corroia por dentro só por vê-la? Mas ainda sim ele havia de considerar tudo a sua volta.

A carta.

Draco não sabia bem como, mas de algum modo aquele pequeno pedaço de papel o deixava receoso. É como se nela estivesse contido algo que pudesse atrapalhar a sua felicidade. Poderia ser absurdo que uma carta tivesse tanto poder assim, mas afinal, não fora ela que trouxe Gina até seus braços em uma tarde chuvosa?

Um barulho de carro desviou seus pensamentos. Olhou para fora da janela e mal acreditou no que via. Seu pai, que não ia em Malfoy Hall havia seis meses estava saindo de sua limusine preta.

"E ainda nem são sete da manha". Pensou em desagrado.

Levantou e pegou um envelope sobre a cômoda, saindo logo após a passos largos. O que quer que tenha trazido seu pai a Malfoy Hall as sete da manhã não havia de ser um boa coisa.

Chegou a sala e viu seu pai se servir de Uísque. Encarou-o e viu em seus olhos uma fúria contida.

- Vejo que não preciso lhe oferecer nada, já está bem a vontade.

- Não seja tolo Draco, está casa é minha faço dela o uso que me for conveniente.

- Sua sutileza sempre foi motivo de admiração para mim. – ele pegou a garrafa da mão de seu pai e serviu um copo para si. – A título de curiosidade, qual é o uso que quer fazer de sua casa as sete da manha?

- Sabe Draco, séculos nossa família representa um ideal de cidadão inglês. Nossos bons costumes são apreciados até mesmo pelas famílias mais nobres. – ele remexia o copo em sinal evidente de nervosismo.

- Cortando a hipocrisia aristocrática – Draco esparramou-se no sofá – o que veio me dizer?

Lúcio bufou pelo descaso do filho quanto a tradição da nobreza inglesa.

- Há rumores de que irá se casar. – gesticulou vago.

- E Blaise lhe disse também quem é a noiva? – ajeitou-se no sofá apoiando os cotovelos nos joelhos.

- Não lhe disse que foi ele. – andou pela sala, ele parecia querer se controlar.

- E nem precisava, nós bem sabemos que foi.

- Que seja! – virou o conteúdo do copo de uma vez e se aproximou do bar para enche-lo novamente.

- Sabe, ainda é muito cedo para tomar doses continuas de Uísque.

- Não creio que você possa das conselhos quanto a isso, quantas vezes mesmo chegou bêbado em casa a essa hora deixando sua mãe uma pilha de nervos a me atormentar por toda a noite? Incontáveis!

- Bons tempos – sorriu em escárnio. – mas não é minha adolescência que está em pauta.

- De fato não preciso me lembrar que sua existência sempre foi um tormento – sorriu discretamente.

- Ainda sim sou seu maior orgulho. – recostou-se no sofá.

- Sua soberba é palpável.

- Mas não sem fundamento – Draco desafiou, esperando que o retrucasse.

- Você está desviando o foco – Lúcio fechou os olhos e começou a massagear a têmpora esquerda como se pedisse paciência.

- Então, vamos dar o enfoque certo – Draco encarou demoradamente a expressão de dúvida de Lúcio – Por que não quer abrir a carta de Molly Weasley?

Qualquer outra pessoa teria engasgado com a bebida e Lúcio Malfoy teve que admitir ao menos para si mesmo, que teve que foi com grande esforço que não cometeu tão gafe.

- O conteúdo não me interessa – empregou um tom de descaso na voz.

- Mas interessa a mim! – Lúcio o viu remexer no bolso da calça e pegar um envelope branco um pouco amassado.

O mais velho engoliu a o Uísque procurando se acalmar.

- Me recuso a aceitar chantagem! – andou até a janela.

- Pare de falar em chantagem! – Draco levantou já se irritando com a passividade do pai quanto ao assunto. – Gina vê essa carta como algo sagrado – ele balançava a mão indicando o envelope em sua mão.

- Draco ela é uma mercenária insistente! – vociferou Lúcio perdendo todo seu auto controle. – Descobriu um segredo e acha que pode explorá-lo! – virou para encara o filho que estava logo atrás de si.

- E como você pode ter tanta certeza se nem ao menos abriu a carta?

Lúcio bufou e desviou do filho indo sentar-se em uma das poltronas, postando o copo vazio em uma mesinha próxima.

- Claro que é chantagem! Me recuso a ter algo a ver com isso!

- E que segredo seria esse pai? – abaixou a voz procurando se acalmar e traçar uma rota de pensamento – se ela quisesse dinheiro esperaria até que abrisse está carta? – ele Lúcio se remexer, parecia considerar a questão, mas estava bem longe de ceder – Você foi apaixonado por Molly Weasley?

Lúcio encarou o filho, obviamente aquela era uma pergunta retórica.

Calmamente Draco sentou-se no sofá vendo que seu pai não tinha menção de responder a pergunta.

- Você deu o pendente da vovó a ela? Pode negar isso? – estreitou os olhos para o pai que o olhou estarrecido.

Ele pareceu considerar por um tempo, mas o que podia fazer se não dizer a verdade?

- Não a você – respondeu por fim após longos segundos pesando os pós e contras. Encarou o filho que o olhava em dúvida, procurando mais informações para entender a atitude dele, Lúcio admitia que devia estar sendo difícil para Draco compreender tudo – Eu dei o pendente a Mol... Sra, Weasley porque acreditava que a conhecia e que era merecedora – seu olhar estava fora de foco, ele parecia estar tentando lembrar acontecimentos de tantos anos atrás. – Depois descobri que não a conhecia e que ela não valia nada! – acrescentou por fim com ódio, cuspindo cada palavra.

- Então você a amou? – os pensamentos rodavam em sua cabeça, seu pai parecia tão vulnerável, como nunca esteve em sua vida.

- Achava que sim – sua voz estava rouca e as palavras saiam lentamente, sinal evidente da dificuldade que era falar sobre aquele assunto – Com certeza minhas intenções eram sérias – sorriu descrente – Então ela quebrou todas as promessas sem olhar para trás. – levantou-se e andou até a lareira, incapaz de continuar a encarar o olhar inquisidor do filho – Agora ela está morta, não importa mesmo! – gesticulou de costas.

- Não deixe que seu passado tortuoso atrapalhe quando eu me casar com Gina – falou determinado.

Viu seu pai virar furioso.

- Você o que?

- Não foi isso que você queria ouvir? Sei que o poderoso Lúcio Malfoy não tem tempo a perder, então sendo sucinto lhe digo: Vou me casar com Gina você concordando ou não. Não me importa o que a mãe dela fez no passado, jamais tiraria uma por outra.

- Ela dormiu com você? – o loiro mais velho de um passo a frente irritado.

- Como ousa! – Draco levantou de uma vez só postando-se frente ao pai.

- Tal mãe, tal filha – ele olhou presunçoso enquanto ajeitava o palito.

- Como ousa falar sem nem ao menos conhecê-la? – esbravejou Draco pouco se importando com o horário.

- Ela não perde tempo.

- O que quer que Molly tenha feito com você, não tire Gina por isso. – remexeu no cabelo tentando se acalmar.

- Sabe o que o casamento foi para mim? Só peço que me escute Draco, ao menos uma vez na vida.

- Escutar para que acabe como você? Agora, mais do que nunca sei que seus conselhos não me servem.

Saiu a passos duros antes que se descontrolasse por completo.

Draco não entendia, era tão decidido e ferrenho como ele já fora um dia...

Suspirou cansado saindo logo depois, indo em direção a sua limusine. Diferentemente do filho caminhou a passos lentos e incertos. Parecia até o jovem que foi caminhando em uma praça de Londres a nos atrás...

- Flash Back –

Todo o seu corpo estava dolorido, mas pouco o importava agora. O único motivo que o mantinha de pé era apenas um: o amor. O amor por aquela mulher era tamanho que viria até de outro mundo para encontrar o seu sorriso encantador e seus olhos aflitos a lhe esperar.

Caminhava lentamente pôs a dor em seus ossos não lhe permitia mais que isso, o que só fazia crescer sua ansiedade. E foi embebido nela que entrou no pequeno cercado que foi por diversas vezes testemunha ocular de suas declarações de amor.

No entanto a decepção ao encontrá-la vazia veio contemplá-lo ainda mais. "Ela só deve ter se atrasado". Tentou acalmar seu coração que pulava a mil.

Pegou a caixinha que estava no seu bolso e a abriu. Estava escuro e sua visão cansada não lhe permitiria enxergar, logo pegou a pequena lanterna presa em sua farda e a ascendeu, iluminando o anel de diamantes e outro branco que estava envolto em veludo verde.

Ficou ali encarando seu conteúdo enquanto esperava. Passaram-se segundos... Minutos... Horas... Até que um voz atingiu-lhe a consciência. "Vamos Lúcio, vai esperar por dias? Ela não virá!"

Mas não podia ser verdade... Ela viria, ela o amava certo? Um pânico imediato apoderou-se dele. "Ela não te ama!"

- Não! – tentou afastar aquela voz que tentava-o corromper. – Deve ter acontecido alguma coisa muito séria... – Justificou para voz que vinha de si.

- O senhor está bem? – ouviu um vigilante que rondava a praça perguntar entrando na cúpula onde estava.

- Sim. – ajeitou o quepe para que o vigilante percebesse que era um oficial e não um vagabundo procurando um lugar pra dormir.

- Logo irá começar a chover e o senhor já esta aqui a algum tempo – pigarreou procurando suavizar o desconforto que era dizer aquilo – esta esperando alguém?

- Pensei que estivesse – Lúcio sorriu triste.

Levantou-se e saiu da praça. Apesar dos passos mancos sustentados por uma bengala, sabia bem aonde ia. Quem encarasse nos seus olhos viria à determinação que as pernas não demonstravam.

Chegou a uma pequena casa com uma porta branca e um modesto jardim a frente. Com o coração palpitante abriu o pequeno portão de ferro e dirigiu-se a porta.

Tocou a companhia uma vez. Engoliu a seco após uns segundos quando não obteve resposta. Tocou uma segunda vez e olhou para rua enquanto esperava, procurando distrair-se um pouco.

Ouviu o barulho da porta aberta e virou-se com um sorriso bobo no rosto. No entanto ao ver que quem abriu a porta não era quem esperava, logo desfez o sorriso e procurou conter o desacerto.

- Narcisa?

- Ola! – ela disse com um olhar de pena sobre ele – estava esperando por você!

- Por mim? – estranhou – e Molly, onde está?

Ela olhou-a longamente, como se procurando uma forma indolor de dizer algo bastante doloroso.

- Lamento – falou por fim vendo, pareceu a ele que ela não encontrou uma forma suavizar – ela foi embora.

Seus olhos arregalaram, seu coração que pulava incapaz de ser contido, de repente parou de súbito. Não acreditava no que ouvia. Ela não o amava?

- Foi embora? Aonde? Quando? – sua mente estava turva, pareceu que finalmente a fraqueza o atingiu. Sentiu-se tão doente e vulnerável... Abaixou o rosto em decepção evidente.

- Não sei! – Narcisa justificava – Quando voltei ela e suas coisas sumiram...

- Ela não pode ter ido embora... – falou enquanto tentava pensar em uma justificativa plausível – Ela não faria isso! – acrescentou por fim. – Deixou um bilhete? – voltou a encará-la, agarrando-se ao último fio de esperança que lhe restava.

- Nada! – Narcisa enfatizou. – Querido, você está péssimo, melhor entrar... – indicou o caminho enquanto lhe sorria condescendente.

- Fim Flash Back –

Mesmo depois de anos a dor ainda era a mesma. A sensação de abandono e descaso ainda o atingiam como naquele dia. Tudo isso ganhou uma nova sensação de agonia. Ele via acontecer com seu filho o que aconteceu a si anos atrás, mas não sabia o que fazer para evitar. Essa era a segunda vez na vida que se sentia incapaz.

E foi a segunda vez também que Molly Weasley conseguiu tirar-lhe o bem mais precioso. Primeiro o coração e agora seu próprio filho? Tinha que pensar no que fazer.

Entrou em seu escritório em Londres e surpreendeu-se ao ver Blaise sentado em sua cadeira o esperando.

- Bom dia Lúcio, pelo que vejo acordou cedo... – avaliou sua expressão cansada – Parece que a viagem até o campo não lhe fez bem. – endireitou-se na cadeira olhando fixo para Lúcio enquanto sorria maroto. Sabia bem o que falava, era previsível que ao saber da notícia Lúcio fosse atrás de Draco assim que pudesse.

- Não é dia de brincadeirinhas Blaise, tenho muito trabalho a fazer e pouca paciência para gastar.

- Talvez eu possa ajudar a melhorar seu humor – indicou um maço de papel sobre a mesa e a cadeira d visitas para que Lúcio sentasse – Como disse, fiz parte do que me pediu.

A contra gosto o loiro sentou na cadeira de visitas e pegou a papelada que Blaise lhe indicara. Pôs o pequeno óculos de armação dourada que tinha no bolso e começou a ler.

- Então é verdade? Tem mesmo um estábulo?

- Renda modesta, mas adequada as suas necessidades – Blaise levantou e foi até o pequeno bar do escritório e serviu dois copos com Uísque – Paga as contas e não tem ficha na polícia - deu um dos copos para Lúcio e voltando para a cadeira do loiro. – Hum... – ele parecia lembrar do que lera – De acordo com o obituário sua mãe morreu de câncer.

Lúcio ponderou por uns segundos. Ela ainda o afetava, é como se ele pudesse compartilhar a dor que ela possa ter sentido antes de morrer. Balançou discretamente a cabeça tentando afastar tais pensamentos tão descabido.

- E a mãe... – Não conteve a curiosidade – me diga...

Os olhos de Blaise faiscaram e um sorriso logo apareceu em seus lábios, é como se ele só tivesse esperando que o loiro perguntasse isso.

- Uma mulher forte. A dedicação absoluta ao marido é lembrada pelos vizinhos e amigos. – falava em tão solene – Ficou numa cadeira de rodas o pobre.

Então ela se casara de novo? Lúcio se perguntava se a esse ela também enganou ou se foi com ele que ela o enganou.

- O segundo marido?

- O único marido – Blaise respondeu categórico.

E o outro franziu o cenho na hora, não era possível... Quando ele a conheceu ela já era viúva e para viver com o marido só podia ser outro... A não ser que ela tenha mentido sobre isso também. Sentiu-se um idiota por duvidar que ela fosse capaz de mentir quanto a isso se foi por todo o resto.

- Arthur Weasley. – Blaise acrescentou.

- Verifique os dados – Lúcio riu em deboche, Blaise só podia estar surtando. Arthur Weasley foi seu primeiro marido, que morreu no campo de batalha.

- Eu chequei! – respondeu automático como se esperasse que ele fosse falar isso.

- Mas o primeiro marido morreu na França, a tantos anos atrás... – ele tentava se lembrar exatamente quantos. – Eu sei! Eu a conheci! Ela era viúva!

- Arthur Weasley foi dado como morto após uma missão extremamente perigosa. – levantou para servir-se de mais Uísque – A resistência o achou ferido e levaram para um convento – contava a história com pouco caso – onde ele foi tratado por freiras até poder atravessar o canal. – sentou-se na cadeira novamente, aconchegando-se – Passaram-se alguns meses antes que ele fosse identificado.

- Alguns meses? – Lúcio cuspia as palavras – Ele estava morto! – ele falava o que parecia óbvio.

- Ele foi deixado para morrer – o moreno o encarou e respondeu com uma seriedade que pouco utilizava – Mas sobreviveu.

Lúcio olhou para o lado desconcertado. Mal acreditava nas coisas que ouvira. Levantou e começou a andar pela sala, mas quando suas pernas vacilaram sentou-se de novo em um sofá que tinha próximo ao pequeno bar. Mas como isso era possível? Como ele não soube disso na época? Como...

- Flash Back –

- A quanto tempo nos conhecemos? – ele perguntou sorridente olhando a mulher que desfilava em torno de si.

- Onze semanas e dois dias – ela deitou sobre ele e remexia em seus cabelos ruivos.

- E hoje pela primeira vez você sorriu com vontade! – ela não conteve sorrir após tal comentário.

- Voltei a viver com você! – ela deu um leve beijo nos lábios do loiro deitado sob si.

- Temos tantas coisas pra viver – ele a abraçou fazendo com que chegasse mais perto.

Inverteram as posições. A ruiva sorria bobamente. O cordão de Lúcio caiu próximo a seus olhos e ela brincava com ele enquanto falava.

- Eu não o amo apenas. Você me faz sentir segura.

Aquela declaração aqueceu todo o seu corpo e fez seu coração palpitar descompassado.

- Sempre confiarei em você Lúcio.

- Fim Flash Back –

E até hoje ele podia sentir as mesmas sensações. Suspirou cansado, talvez ele precisasse de um pouco mais de respostas pra entender o que, de verdade, aconteceu.

- Blaise? – ele chamou e surpreendeu-se ao olhar em volta e não ver o moreno.

Sorriu, ele tinha essa forma irreverente. Aparece e some quando menos se espera... "O sombra" como Draco costumava chamar.

Serviu-se de mais Uísque e recostou-se no sofá tentando relaxar e assimilar as últimas informações daquele dia que mal começara ainda.

- o –

- Como vou saber por que ele mudou de idéia? – Draco falava enquanto tentava abotoar a camisa de algodão branco que vestia.

- Acho que ele enlouqueceu! – a ruiva sorria mal acreditando ainda no telefonema que Draco recebera da secretaria particular de seu pai.

- Ou talvez tenha estado louco por todos esses anos e só agora recobrou o juízo. Ela disse que ele nos felicitou pelo casamento!

O que fora bastante surpreendente, por que afinal o telefone tocara quando Draco contava a ela o que aconteceu de manha.

- Então é melhor irmos logo antes que ele mude de idéia, certo?

- Tem razão. – conduziu-a para a garagem. – Vou pegá-lo no escritório e certificar-se que é o meu pai.

Ela sorriu com o comentário dele. Mas logo estavam no carro rumo as empresas Malfoy.

Draco dirigiu o mais rápido que pode. A ansiedade era crescente a cada metro de asfalto. Ainda sim, por volta de uma hora depois que ele chegou ao centro de Londres.

Draco deixou-a em seu apartamento e foi para as empresas de seu pai conversar com ele a sós.

Gina subiu as escadas de entrada do prédio saltitante. Não prestou atenção quando um carro estacionou frente ao prédio onde estivera o carro de Draco.

Uma mulher alta de postura elegante saltou a tempo de ver a ruiva entrando no prédio. Um sorriso de escárnio surgiu em seus lábios.

- Me espere aqui, não irei demorar. – falou seca ao seu motorista particular que assentiu em concordância.

Olhou para os lados discretamente sem retirar os óculos escuros e começou a subir os degraus de entrada com seu escarpam preto fazendo barulhos ocos no mármore.

Gina estava enérgica, optou por subir de escadas os quatro andares que levavam até o apartamento do loiro. Diferentemente da mulher que vinha atrás de si. Ao ouvir os paços de Gina pela escada revirou os olhos.

- Tão sem classe quanto a mãe – comentou para si enquanto abriu a porta do elevador entrando e apertando o botão do quarto andar.

A ruiva chegou ao andar com as faces coradas e quentes. Estava sorrindo e andou até o apartamento aos pulinhos. Parou de súbito quando viu uma senhora parada frente a porta do apartamento que ela deveria entrar.

Ela franziu as sobrancelhas, de certo que conhecia aquela mulher. Mas não conseguia lembrar bem de onde...

A mulher sorriu satisfeita ao ver que conseguira tão fácil prender a atenção da jovem. Retirou o chapéu deixando que seus cabelos pretos caíssem sobre o ombro em uma nuvem negra. Retirou os óculos mostrando olhos igualmente escuros. Seu olhar parou sobre a ruiva analisando-a de cima a baixo.

Gina sentiu um frio na espinha com aquele olhar tão inquisidor sobre si.

- Seus cabelos são iguais ao de sua mãe...

- Conheceu minha mãe? – Sorriu tentando parecer simpática.

Seus lábios crisparam ameaçando... um sorriso talvez?

- Isso é tão... Desagradável. – O sorriso da ruiva morreu e ela pareceu satisfeita.

A jovem estranhou o comentário e com um estalo em sua mente lembrou-se da onde já havia visto aquela senhora... A alguns dias atrás quando fora as empresas Malfoy em uma tentativa desesperada de entregar a carta a Lorde Malfoy... Ela só poderia ser Lady Malfoy, mãe de Draco.

- Desculpe – Gina ignorou a onda de calor que começava a ferver seu sangue – O que disse?

- Não vai me convidar para entrar? – indicou a porta do apartamento.

- Não creio que precise de convite para entrar na casa de seu filho Lady Malfoy.

Ela quase fez uma cara de surpresa.

- Astuta. – limitou-se a sorrir – E sensata.

Gina pegou a chave abriu a porta do apartamento entrando e deixando aberta para que ela também entrasse.

- Não creio que precise de mensuras e frivolidades, afinal deve conhecer este apartamento melhor que eu. – a ruiva olhou envolta, era a primeira vez que ia ali.

- Certamente – ela avaliou o ambiente como se quisesse achar algum defeito. – Impecável – comentou mais para si – Como quase tudo que meu filho adquire.

A ruiva preferiu ignorar a indireta que soou a última frase.

- Creio que não foi pra avaliar o apartamento que veio até aqui.

Narcisa a encarou de súbito. Com certeza tinha a língua mais afiada que a mãe. Não eram tão parecidas afinal...

- Sua mãe foi à atriz que morou comigo durante a guerra. – empregou um tom pejorativo a palavra.

Espanou com as mãos o sofá atrás de si e sentou-se cruzando as pernas e encostou o chapéu e os óculos ao seu lado.

- Ao que eu saiba o dom da minha mãe era o canto e não artes cênicas.

- Vejo que sabe de muita coisa... mas não o bastante. Que pena! – ela balançou as mãos demonstrando o quanto aquele assunto a aborrecia – Sua mãe errou ao mandá-la atrás da família Malfoy. – ela observou Gina sentar-se na poltrona a sua frente e procurou ignorar a falta de elegância ao fazê-lo – Todo contato entre nós cessou a muitos anos.

- Agora que Draco e eu vamos nos casar... – ela sorriu mal conseguindo esconder a felicidade que o assunto lhe trazia.

A boca de Narcisa abriu em surpresa... A ruiva encarou isso como um ponto a seu favor.

- O que sua mãe contou-lhe? – ela parecia... Preocupada?

- Nada. Sobre nada. – algo na fala e expressão de Narcisa fez o estomago de Gina gelar e seu sorriso morrer.

- Como uma velha amiga dela, aceite meu conselho... – ela aproximou-se mais da ponta do sofá como que tentando transmitir este sentimento de amizade. – Volte para a América.

- Lady Malfoy – aquilo lhe pareceu uma afronta – O que é isso? – sua voz estava esganiçada.

Ela ignorou o tom alarmado da ruiva.

- Volte para a América sem falar com Draco ou dar explicações...

- Sem chance! – riu descrente, mal acreditando na proposta que a mulher a sua frente fazia - Não vou magoá-lo!

- Acredite em mim, não tem chances de se casar com ele – balançava a cabeça negativamente – A razão pode aborrecê-la – recostou-se no sofá novamente, mas sem desviar o contato visual. Desafiava a ruiva a discordar.

Gina arqueou a sobrancelha como se duvidasse que houvesse um bom motivo.

- Prefiro arriscar.

- Muito bem – estalou os lábios em contrariedade – Eu a pouparia, mas...

Fez uma leve pausa fazendo Gina engolir a seco. Toda aquela ansiedade a estava corroendo.

- Sabe que, enquanto seu pai estava ferido na França ela cometeu adultério com meu marido.

A ruiva sentiu o golpe venenoso contido em cada palavra.

- Não foi assim! – retrucou irritada.

- Quando Arthur voltou queimado – ignorou a fala da outra – precisava de tratamento. Sua mãe deixou Londres para ficar com ele. Ouso dizer que lamentou a infidelidade naquela época. – sorriu seca – Tarde demais! – fechou a expressão novamente. – Meses depois levei um paciente ao mesmo hospital...

- Flash Back –

Narcisa andava empurrando uma cadeira de rodas frente ao hospital. Apesar da aparência cansada sua elegância e a farda impecável chamavam a atenção de todos os enfermos envolta.

Ela deixou cuidadosamente a cadeira de rodas apoiada a um canto do saguão de entrada e andou pelos corredores a procura de informações.

- Narcisa! – ouviu uma voz chamar-lhe e olhou com pouca paciência.

- Molly – engoliu a seco ao ver a ruiva vir em sua direção – Então Arthur está aqui? – reparou nas formas arredondadas da ruiva a sua frente.

- E o Lúcio? – a ansiedade era crescente dentro de si – Tem notícias dele?

- Está bem. Como vai a recuperação do seu marido?

- Querem salvar a visão dele – abaixou um pouco o rosto triste – Só posso ficar com ele! Não há muito o que fazer...

- Quando ele a vir... Como vai explicar isso? – indicou com os olhos a barriga da ruiva.

Molly olhou por reflexo. Ela bem sabia o quanto sua barriga crescia mais e mais.

- Arthur me ama! – acariciou o barriga incerta.

- Tanto assim? – arqueou a sobrancelha direita.

A ruiva abaixou ainda mais a cabeça. Até que um brilho dourado foi captado por seu olhar. Segurou a mão da mulher a sua frente e a levantou, contemplando uma aliança em seu dedo anelar.

- Claro que você não sabe – inflou o peito orgulhosa, mal cabendo em si – Lúcio e eu nos casamos antes dele ir para o Oriente.

Narcisa deliciou-se ao ver a ruiva arregalar os olhos. Disfarçou o sorriso que queria sair de seus lábios ao ver a cara de espanto da outra.

- Fim Flash Back –

- Minha família tinha um chalé na Escócia. – a ruiva levantou não agüentando encarar Narcisa foi até a varanda. É como se sentisse a dor de sua mãe – Isolado, longe de tudo. O bebê nasceu lá e foi registrado como meu.

- Tomou o bebê dela? – virou irritada.

- Minha cara, ela entregou o menino de bom grado.

- Não! Não importa o quanto fosse vergonhoso e difícil...

- Mas com o marido prestes a se tornar inválido... – ela cortou o discurso moralista que viria de Gina.

- Não! Minha mãe não faria isso! – começou a andar incomodada.

Narcisa levantou pegando suas coisas ao seu lado.

- Não só pode como fez. Acha que conseguiria tomar-lhe um filho a força se não fosse de seu agrado. – Ela chorou, implorou, pediu que eu...

- A deixasse com ele! – gritou.

- A ajudasse – completou calmamente.

- Ela não pode ter feito sim! Ela não faria isso! – suas orelhas estavam vermelhas e seu rosto começava a queimar.

- Ela queria o melhor para a criança, afinal, também era filho do Lúcio. Era conveniente para ambos os lados.

- Lorde Malfoy sabe?

- Claro que não! – falou como se fosse óbvio. – Quando ele voltou para casa não havia por que contar. Mal podia esperar para segurar o herdeiro que prometi nas cartas.

- Você deveria ter contado a verdade a ele! Não podia ter feito isso!

- Minha cara, creio que você está se prendendo a detalhes a muito esquecidos. Está perdendo o ponto principal da questão.

A ruiva a encarou, estranhando seu comentário.

- O que quer dizer com isso. – remexeu nervosa em seus cabelos ruivos.

- Pensei que fosse mais esperta. – riu em escárnio – O fruto da infidelidade de Molly é seu irmão, seu ex-futuro marido, Draco.

xXx

Mais um capitulo aii fresquinho pra vocês! ^^' Acho que vou parar de postar, sabe? Alguém quer saber o que acontece depois? Acho que não né... Posso para por aqui ou demorar mais um ano pra postar! Alguém discorda? hehehe

Respondendo as reviews:

Drik Phelton: Que bom que não desistiu! Por que eu quase desisti... "/ Mas sabia que tinha gente esperando o desfecho da história e não era justo deixar a revelia. Ficou curiosa com o dez? E agora com o onze? A reação do Lúcio até que não foi tão ruim... Se tava com o coração a mil, agora ta como então? kkkk Quando eu vi o filme, nesse momento eu quase morri! Espero que tenha gostado desse capítulo. ;*

Denni Brandon Malfoy: O Blaise é mara mesmo! =D É cara de pau e incoveniente de uma forma incrivelmente charmosa! *.* Sou apaixonada pelo Blaise dessa fic. Explicações? bem, tão aii. =D Se eles são irmãos? Ixii! Tbm tah aii! "/ Tem a carta sim! ;x Espera? Quanto tempo vc quer esperar pelo capítulo 12? kkkkk ;*

Agradeço também aos que leram e não comentaram! ^^' Espero que tenham gostado desse capítulo também e continuem acompanhando a fic.

kissus!