Olá povo! Olha quem está aqui de novo... EU! Bem, sei que faz séculos que não atualizo isso aqui e não estou cumprindo com meu cronograma, mas é que realmente a minha vida é uma fic e deveria chamar-se desventuras em série. Mas isso não cabe aqui. Mas juro que me esforço muito para atualizar as fics, para os leitores de PP tem uma noticia que pode ser boa ou pode ser ruim, isso depende de vcs, mas o caso é que PP está chegando ao fim. Este é o penúltimo capítulo. Ele esta pequenito, mas é por que quis deixar as emoções mais fortes para o último. E ai gente, façam suas apostas!


Paixões Proibidas

.

Por Danii Malfoy

.

Cap. 14 - Realidade

.

"Realidade é o pesadelo do mundo dos sonhos "

(Esaú Wendler)

- Não quer que eu ajude-a? – ele segurou suas mãos entre as dele sorrindo gentil para ela.

- Não se faz necessário Blaise – retorceu as feições no que Blaise identificou como a tentativa de um sorriso – Espere uns minutos e já desço com a minha bagagem.

- Mas... – Sentiu uma mão em seu ombro pressionando-o e olhou para trás vendo Fordingbride encará-lo intensamente.

Sentiu-se desarmar e afrouxou o aperto sobre as mãos da mulher a sua frente. Gina sentiu como uma deixa para si e deu um passo atrás e suas mãos caíram das mãos de Blaise.

- Já volto.

E virou-se entrando no hotel onde estava hospedada. Rumou para o elevador. Andava de cabeça baixa sem olhar para os lados.

Não queria encarar ninguém, sobretudo não queria partilhar sua dor. Ninguém podia fazer nada a respeito, era apenas sua...

E de Draco. Oh, Draco,como deveria estar?

Ao lembrar-se do rosto do loiro contorcido de dor, culpa e confusão sentiu lágrimas chegarem a seus olhos, fungou. Não queria chorar novamente.

Abriu a porta do quarto e entrou indo direto ao armário. Começou a pegar suas roupas emboladas na prateleira e jogar na mala que estava ao lado do mesmo.

Voltou-se para o armário e viu o vestido azul que usara na festa de Blaise pendurado em um cabide. Era tão lindo... Lembrou-se de tudo que vivera aquela noite. A dor, os desentendimentos, a reconciliação, o amor... Ah, sua primeira noite de amor com Draco.

Sentiu o estômago embrulhar ao acessar tais lembranças. Náuseas apoderavam-se de si. Uma dor forte atingia-lhe por completo, parecia sufocar-se nela. Abraçou o vestido desesperada.

Aquela dor era esmagadora. Era a dor da impotência. Do destino que não podia mudar, das circunstancias que deveria mudar, do amor que não podia viver, mas tão pouco esquecer...

Iria viver com aquela paixão proibida dentro de si, assim como sua mãe viveu. Com as boas lembranças do que foi, mas com a culpa do que não poderia ter sido.

A única diferença é que viveria sozinha. Sabia que aquele vazio em si não seria preenchido por nada. E nem mesmo queria que fosse. Ter um companheiro significa dividir o que se é e receber a metade do outro em sua alma.

Mas Virginia Molly Weasley agora era só dor. Não queria dividi-la e sinceramente ninguém entenderia.

Afastou o vestido de si e olhou-o detalhadamente. Era lindo, mas não precisava de uma lembrança física de tudo que já estava embrenhado em seu emocional. Deixou o vestido sobre a cama e terminou de guardar seus pertences.

Já a porta do quarto olhou uma ultima vez para o vestido sobre a cama. Lembrou-se de quando ela mesma estivera deitada ali com aquele vestido sob o luar e os olhos desejosos de um lindo cavaleiro britânico. Suspirou resignada e fechou a porta antes que as lembranças trouxessem novas lágrimas aos seus olhos.

Rumou para o saguão do hotel onde iria fechar sua conta.

- o –

- O que é isto? – Blaise segurava uma pasta de papelão que retirara do banco do carona.

Mostrou-a a Fordingbride que lustrava o caput do carro.

- Chegou hoje pela manhã. Documentos de sua investigação sobre a moça Weasley – respondeu o velho mordomo sem nem mesmo olhar para Blaise.

Este suspirou cansado. A hostilidade de Fordingbride para com sua pessoa era quase palpável.

Abriu a pasta e folheou a papelada distraidamente. Apoioi-se no carro de costas para o mordomo. Não vendo assim o olhar depreciativo do velho para o traseiro que ele acabara de apoiar sobre a lataria polida. Talvez fosse perfeccionista demais como Blaise dizia, mas esta era sua função.

- Acha que minhas investigações são responsáveis por isso, não? – A pergunta era retórica já que a voz de Blaise ardia em culpa.

- Prefiro não opinar... – respondeu seco – Senhor. – Acrescentou depreciado, quase esquecendo de seu polido padrão inglês.

Pelo lado do motorista abriu a porta e guardou o pano em um compartimento na porta.

A verdade era que preferia não opinar mesmo. Blaise estava certo em achar que ele o culpava, mas não pelo que acontecia. Seu patrão era um tolo por achar que influiria tanto assim na vida de um casal apaixonado. Mas pelo que ele poderia ter evitado. Não sabia ao certo o motivo de tamanha reviravolta, mas Blaise poderia tê-la evitado.

E se não sabia até agora o motivo de tudo aquilo é porque estava atraso e pouco preciso.

Antes que Blaise ou Fordingbride falasse qualquer outra coisa viram Virginia sair do hotel. Blaise caminhou em sua direção para ajudá-la com a bagagem e ele rumou ao porta malas.

- o –

Observou a cobra feita em aço contorcido, cravado no portão da propriedade de sua família antes que este fosse aberto dando passagem ao seu carro.

Olhou para o envelope sobre o painel do carro. Enquanto este percorria a pequena estrada de cascalho que levava a entrada principal da Grande Malfoy Hall.

Sua vontade era de rasgar aquele envelope como se assim aniquilasse o que ele imaginava estar escrito. Passou as mãos pelos cabelos loiros platinado nervoso.

Mas que droga! Como tudo saíra de seu controle de tal forma? Sentia-se incapaz como nunca antes em sua vida.

Sempre manipulara as circunstancias, convertera resultados. Dominara tudo a sua volta. Mas pela primeira vez, e quando mais precisava, nado podia ser feito.

Poderia ser piegas, mas Draco Malfoy jamais se sentia derrotado.

Já perdera em sua vida evidentemente. Mas perca significa algo que você pode recuperar. Uma batalha perdida sempre o dera mais ganas de vitoria.

Mas ser derrotado é cair sem poder levantar. Receber o golpe de misericórdia. É não saber o que fazer ou se quer ter o que fazer.

Estacionou o carro ao pé da escadaria de pedra da residência. Ficou um tempo com as mãos no volante e olhando pelo vidro.

Bateu no volante e grunhiu em desespero.

O gosto da derrota era amargo. Apoiou a cabeça no volante e permitiu-se chorar como nunca antes na vida fizera.

Estava ruindo e nada podia fazer e nem queria. Não tinha forças para isso. Não tinha motivo. A vida lhe tirara este, de modo tão definitivo que nem a morte poderia ter sido mais acertiva.

Virginia fora embora e levou consigo sua felicidade e todo amor que poderia ter. Levantou o rosto e olhou novamente para a carta.

Controlou novamente o ímpeto de rasgá-la. Muita coisa foi sacrificada para que aquela carta fosse entregue, não poderia simplesmente destruí-la.

Pegou-a como se nela estivesse todo o peso de sua culpa. Toda a dor de seu coração e a amargura de sua alma.

Saiu do carro e viu seu pai aparecer no topo da escada. Seu olhar resignado e complacente indicava-o que ele sabia de tudo.

E Draco não sabia o quanto doía a Lucio ver o filho naquele estado. Os olhos vermelhos e o rosto molhado indicavam o choro, as mãos trêmulas e a postura caída lhe indicavam o quanto o filho estava mal.

Era incontrolável o sentimento de pena por aquela cena, seu único filho estava aos frangalhos e de algum modo sentia-se responsável por isso.

Draco fechou a porta do carro. E a passos lentos e dolorosos caminhou em direção ao pai. Sem quebrar o contato visual em nenhum momento, parecia suplicar a Lucio uma solução. Uma que ele não podia dar, nem todo o dinheiro do mundo ou amor que sentisse pelo filho poderia colocar um sorriso vitorioso e superior novamente em seu rosto. Aquilo doía em sua mais profunda existência.

O olhar de Draco era como o da criança que ele fora um dia. Manhoso e voluntarioso Draco sempre olhava-o daquele jeito quando não tinha o que queria.

Mas se antes Draco olhava-o pedindo e isso o fazia sentir-se o melhor pai do mundo já que sempre esteve ao seu alcance fazer as vontades do filho agora este olhar o torturava. Antes ele nunca vira aquela derrota nos olhos de seu primogênito. A certeza de que a guerra estava acabada. Que por mais que pedisse, sabia que seu pai não poderia atendê-lo.

Em qualquer outra circunstancia o faria feliz descobrir que Molly o amara e não o enganara como pensou. Sentir-se-ia realizado houvesse descoberto antes que Draco era fruto de seu amor com Molly. Mas agora parecia que seu filho nasceu condenado àquela infelicidade.

Nunca fora supersticioso, acreditar no destino era coisa de tolo. Mas se não foi o destino, o que o trouxe aquela situação de culpa?

Seu orgulho talvez. Se houvesse procurado Molly antes e esclarecido tudo, nada disso estaria acontecendo agora. A vida trouxe o alivio ao seu tormento. Mas levou consigo a felicidade de seu bem maior. Era o preço a se pagar.

Sentiu a incapacidade envenenar sua alma e leva de si a vida mais uma vez.

Colocou o braço no ombro do filho e puxou-o para um abraço como nunca antes lembrava-se de o ter dado.

- Por que...? – sentiu a voz carregada e rouca de Draco perguntar abafada em seu ombro.

Um nó formou-se na garganta dele, não sabia o que responder ao filho, se quer tinha o que responder.

Sentiu-o mexer-se em seus braços e aquilo indicava que o filho estava chorando. Passou as mãos pelos cabelos do filho afagando-os. Ficaram assim por um tempo. Até que Draco tomou a iniciativa de afastar-se e entrar na residência, sendo seguido pelo outro.

- o –

- Gina querida, tem certeza de que não quer conversar? – a ruiva que até então estava com o olhar perdido na paisagem que desenrolava-se pela estrada olhou para Blaise – Digo, vocês pareciam tão bem... e caramba! Deve ter sido muito forte – ele gesticulava nervoso.

Encarou-o por um tempo tentando processar o que ele disse. Sua mente parecia anestesiada, tudo que ouvia parecia chegar a seus ouvidos e ser processado em câmera lenta. Um sorriso involuntário surgiu em seus lábios ao finalmente entender o que Blaise estava tentando dizer.

Sentiu pena de Blaise por uns segundos, ele estava ali tão solicito em lhe ajudar e vendo toda a história se desenrolar, mas sem entender o que estava acontecendo por trás dos bastidores. Estava dançando uma musica que não sabia a melodia. Ele merecia saber e ela precisava desabafar.

Ela segurou as mãos de Blaise, fazendo com que ele se acalmasse e a encarasse.

- Você sabe que minha mãe e Lord Malfoy tiveram um caso? – sua voz estava áspera e rouca, quase não saíra.

Blaise apenas assentiu com a cabeça.

- Isso foi durante a guerra quando ela achou que meu pai morreu, no entanto ele sobreviveu – ele assentiu novamente, já sabia da história até este ponto, mas não queria interrompê-la – Quando minha mãe descobriu isso correu para ajudá-lo e não teve tempo de explicar nada ao Lord Malfoy- ele assentiu novamente, seus olhos azuis faiscaram de curiosidade, queria entender onde as histórias se encontravam – e por uma série de desventuras que não vale a pena citar eles nunca conversaram quanto a isso. No entanto, meses depois minha mãe descobriu que estava grávida e contou a Narcisa – não pode evitar cuspir aquele nome – esta aproveitando que Lúcio estava fora do país em batalhas disse-lhe que ela havia gerado seu herdeiro.

- E esse seria Draco? – Blaise concluiu o obvio.

- Sim – respondeu em um fio de voz.

Blaise abriu e fechou a boca várias vezes tentando pensar no que dizer, mas na da saia. Por fim ao ver lágrimas formarem-se no rosto de Gina novamente, puxou-a para o seu ombro aconchegando-a em seus braços.

- Não sei o que dizer... – sua boca estava seca e parecia que as palavras encontravam dificuldade de chegar até ela – Agradeço por ter me contado tudo. Não deve ter sido fácil. – limitou-se a acariciar os cabelos ruivos da jovem que chorava em seu ombro.

Ela queria dizer que era um alivio poder desabafar com alguém. E por mais frustrante que fosse dizer que nada poderia ser feito ou se quer falado. Mas não conseguia, só conseguia chorar...

E chorar...

E chorar...

Blaise continuou a afagar seus cabelos, sentindo os soluços pararem e gradativamente sua respiração acalmar-se. Quando a sentiu ressonar levemente olhou pra baixo vendo-a dormindo em seu ombro.

O rosto estava inchado e marcado pelas lágrimas. A pele antes pálida estava rosada e os lábios de um vermelho tão intenso quanto de seus cabelos. Apesar da tranqüilidade com que dormia, era visível seu sofrimento.

Apoiou-a sua cabeça no banco confortavelmente. Remexeu-se nervoso no carro. Toda aquela situação era surreal demais. Passou as mãos pelos cabelos e depois pelo rosto.

Olhou-a novamente dormindo e imaginou como estaria seu amigo. Por que tinha de acontecer com eles? Tudo estava caminhando tão bem.

Viu a pasta com a papelada de sua investigação. Pegou-a e começou a remexer nos papéis. Estava tenso, precisava ocupar a mente com algo. Lia os papéis por cima apenas para tentar focar sua mente que estava perdida em varias linhas de pensamento.

Até que uma palavra chave chamou sua atenção. Leu e releu aquele trecho novamente.

Sentiu sua face se contrair e as rugas sua testa acentuar-se. Arregalou os olhos não acreditando no que lia.

Olhou para a ruiva que continuava a dormir alheia a sua confusão e novamente para o papel. Arqueou as sobrancelhas medindo a probabilidade de aquilo ser real.

Ficou alguns segundos em choque até que sentiu os lábios repuxarem-se em um sorriso involuntário.

- Fordingbride... – chamou o mordomo que o olhou pelo retrovisor central. Inclinou a cabeça levemente e encarou-o com intensidade. O mordomo concordou com a cabeça e rapidamente ligou a seta, olhou pelo retrovisor esquerdo a jovem que dormia no banco traseiro e a estrada atrás de si.

Começou a cantarolar uma de suas sinfonias mais queridas.

xXx

Gente, estou meio com pressa, mas prometo que respondo as reviews no próximo capítulo, que será nosso último. T.T