CAPÍTULO 8 - Livre, porém nervosa.
- Qual é o seu sorvete favorito? – me perguntou Edward na noite seguinte.
- Baunilha com cereja! – respondi, enquanto cutucava com meu pé por debaixo do forro gasto e arrebentado da cadeira do cinema.
- O meu é chocolate com pedaços de chocolate – confessou ele solenemente, enterrando a mão no saquinho de pipocas.
- E o seu filme favorito? – indaguei.
- Rebelde sem causa.
- Então é por isso que estamos aqui hoje.
Edward apoiou seus pés no espaldar da cadeira da frente e entulhou com um pouco mais de pipocas a boca.
- E o seu filme favorito, qual é? – perguntou ele.
- E o vento levou.
- Não sei, não, Bella Swan – disse ele, com a expressão do rosto modulando de alegre para terrificada. – Nós não gostamos dos mesmos filmes. Não tenho certeza de que poderemos ser amigos.
- Não?
Então com muita delicadeza me ofereceu um punhado de pipocas. Abri a minha boca e, quando ele as jogou lá dentro, seu dedo mindinho roçou em meu lábio. Um espasmo de calor subiu por dentro de mim, da sola dos pés até o topo da minha cabeça.
Ele deve ter sentido aquilo também, porque se virou no ato, olhou para a frente e criou uma distância prudencial entre nossos corpos. Continuamos com o nosso diálogo, mas mantivemos os olhos fixos na direção da tela branca do cinema, aguardando o início da sessão.
- Acho que não temos o suficiente em comum – continuou ele, com um tom de voz neutro.
- Não temos mesmo – concordei.
Fingi mau-humor, mas por dentro meu coração estava cantando. Podíamos tentar ser amigos por enquanto, por um pouco mais de tempo, mas sabia que ia ser tão difícil para ele quanto já estava sendo para mim. Ele gostava de mim tanto quanto eu gostava dele, já estava certa disso.
- A não ser pelo fato de que, apesar de Rebelde sem causa não ser o filme preferido, gosto bastante dele – acrescentei alegremente.
- Sem dúvida não estaríamos aqui se você não gostasse desse filme – disse ele tranqüilo.
Endireitei-me um pouco no assento. Não me sentia tão tranqüila quanto ele demonstrava estar. O verdadeiro motivo de estarmos naquele cinema, o Keaton Corners Revival Theater, era que ele ficava a quilômetros do mini-shopping de Revere Hills, onde Alice, Jasper e Mike estavam patinado naquela mesma noite. Havia sido por essa razão que eu sugerira que assistíssemos a um clássico naquele cinema. Ainda bem que Edward adorava James Dean.
As luzes se apagaram pouco a pouco e começaram a passar os trailers. Grupos de garotos percorriam os corredores laterais apressadamente em direção às únicas cadeiras livres, nas fileira da frente. Estávamos na do fundo, meu lugar preferido.
- O filme começou.
Nossos dedos se tocaram quando os dois enfiamos a mão no saco de pipocas ao mesmo tempo. Ficamos de mãos dadas pelo menos uns dez minutos, até que Edward se inclinou na minha direção. Sua respiração fez cócegas no meu ouvido quando ele perguntou:
- Ainda somos apenas amigos?
Algo no tom de sua voz me fez virar a cabeça e olhá-lo de frente. Nossos lábios estavam tão próximos...
- Carmen não vai gostar nada disso – sussurrei.
Os olhos de Edward brilhavam como centelhas na escuridão do cinema.
- Ela disse que a prática faz a perfeição... – observou ele.
Depois de vinte minutos de filme nosso beijo estava perto da perfeição.
Já havia visto aquele filme pelo menos umas dez vezes antes daquela noite, talvez até vinte, mas naquele momento soube que nunca mais o veria sem pensar em Edward. O toque suave de seu suéter, a maciez de sua pele na parte de trás de seu pescoço, a sensação de frio e mistério que seu brinco me provocava cada vez que eu o tocava na escuridão.
Ainda estávamos nos beijando quando as luzes se acenderam. Edward foi o primeiro a se afastar, com as maçãs do rosto vermelhas. Alisou meus cabelos com uma das mãos e me manteve apartada, a distância de seu braço esticado.
- Você é belíssima!
- E você é uma fera! – repliquei rindo.
Ele riu também, ao mesmo tempo que se aproximava para me ajudar a vestir o casaco.
Então, quando dei uma olhada ao acaso na direção das primeiras fileiras, recebi o grande choque da minha vida: Alice. Instantaneamente deixei de estar quente para ficar gelada. Ela estava em pé, ainda de frente para a tela, toda garbosa dentro de seu casaco novo de pele falsa, tentando abria caminho dentre a multidão. Aqueles cabelos repicados eram inconfundíveis. Assim como o garoto alto ao lado dela: Mike. Eu não queria ver Jasper, mas tinha certeza de que deveria estar lá também.
- Vamos sair logo daqui. Estou me sentindo sem ar – eu disse e, sem esperar que Edward respondesse, passei por cima do casal ao meu lado e saí correndo para o saguão.
O cinema de Keaton Corners é bem pequeno, e não havia onde se esconder, Nada de cantinhos ou buracos.
- O que há de errado? – perguntou Edward, que viera correndo atrás de mim.
Ele me passou meu cachecol. Eu provavelmente tinha perdido minhas luvas, mas àquela altura não importava. Eu é que não iria voltar para procurá-las.
Olhei por cima dos ombros de Edward. A aglomeração era densa, e as pessoas vinham com lentidão em direção à porta que separava a sala de exibição do saguão.
- Vamos embora rápido!
- Seus pais? – perguntou ele, horrorizado. – É isso, eles estão aqui!
- Meus pais? Não. Eu explico depois. Mas vamos embora, já!
Edward tinha perguntado um dos furgões da oficina do pai naquela noite. A baixa temperatura era uma das razões. A outra, eu tinha certeza, era meu pai.
Quando Edward tomou o rumo do Jonesy's, prontamente fiz ele mudar de rota na direção do McDonald's, sabendo que Alice detesta fast food. O McDonald's mais próximo ficava a nove quilômetros dali e a dezoito do Jonesy's. Nós estaríamos a salvo.
Quinze minutos depois, já estávamos sentados debaixo de brilhantes luzes fluorescentes, com um recorte de cartolina com a cara de Ronald Mcdonald balançando por cima de nossas cabeças. Não era exatamente o meu ideal de um romântico primeiro encontro.
Mas romance não era mesmo o que estava em minha cabeça naquela instante.
Enquanto começava a comer meu hambúrguer, contei a Edward que tinha visto Alice no cinema. Mas ele não pareceu compreender:
- Não entendo. Primeiro o seu pai não quer que você me veja. Agora os seus amigos... – ele alisou os cabelos para trás, parecendo bravo e magoado. – Pensei que tinha ganhando o papel na peça por ter meu talento. Agora estou começando a desconfiar de que o ganhei apenas por ser o tipo adequado: Edward Cullen, o troglodita.
- Pare com isso, Edward, chega! – exclamei, olhando ele. – Você está sendo melodramático. Não é nada disso. Ninguém acha que você é um troglodita.
- Ah, agora me sinto bem melhor – disse ele, sarcástico. – É claro que isso é só um detalhe, considerando que ninguém me conhece... – ele fez uma pausa, e o tom de sua voz mudou de bravo para perplexo: - Nem mesmo você! – finalizou.
- Como pode dizer uma coisa dessas! – gritei.
Não podia mais suportar ficar na frente de Edward vendo aquela mágoa em seus olhos. Levantei-me, sentei-me ao lado dele, peguei sua cabeça com as mãos e beijei-o na boca, bem ali no meio do McDonald's. Alguém atrás de nós murmurou algo. Algum outro deu uma risadinha. Mas não liguei. Simplesmente não dei a mínima.
Quando nos separamos, os lábios de Edward desenharam um suave sorriso.
- A prática faz mesmo a perfeição. – disse ele.
Ele se recostou no assento e me ofereceu um pouco da sua soda.
- Não acho que o que está havendo entre nós seja algo que acontece com freqüência – observou.
- Não sei dizer – repliquei, olhando para baixo, na direção da mesa. – Nunca aconteceu algo parecido comigo. Com Mike foi diferente.
- Mike estava lá no cinema também, não era só Alice... – deduziu ele.
Confirmei balançando a cabeça, ao mesmo tempo que me perguntava se valeria a pena perder todos os meus melhores e mais antigos amigos por causa de um romance.
- Nunca senti nada parecido por ninguém – admitiu Edward.
Ele levantou meu queixo com seu dedo indicador.
Bastava ele me tocar para eu virar geléia. Então era isso o amor? Era por isso que tinha esperado toda a minha vida?
Alguma coisa dentro de mim gritou: "Sim!"
Então percebi que Edward estava tentando me dizer algo. Esforcei-me em me concentrar em sua voz, e não em seus lábios.
- Nunca me senti assim com outras garotas com quem sai – continuou, enquanto tirava os cabelos da frente dos olhos. – Só que não gosto muito dessa história de ficar me escondendo e mentindo.
- Não estivemos nos escondendo e mentindo... muito – retruquei.
Edward deu uma risada curta.
- Bella, só saímos de verdade uma vez. Hoje. Você não quer que eu me encontre com seus amigos. E a sua família não quer que você se encontre comigo. Gosto demais de você para ficar nesse jogo de mentir e esconder tudo. Não vou encarar essa situação;
- Você está fazendo tempestade em copo d'água.
- Bom, então o que é que nós vamos fazer a respeito disso tudo?
Meu coração congelou.
- Fazer?
- Você ainda não entendeu, Bella? Não quero embaraçar você na frente da sua família e dos seus amigos. Portanto, se é assim que você se sente, é melhor nos separarmos agora... antes que seja tarde de mais. Gosto demais de você para... – Sua voz se quebrou, ele apoiou a testa nas mãos e finalmente murmurou para a mesa: - Para me envolver ainda mais e depois ter de romper.
- Romper?
Edward levantou a vista e balançou a cabeça.
- Não olhe para mim com essa cara. Por favor – implorou, tocando em meus lábios com seu dedo.
Recuei o corpo e concordei lentamente com a cabeça.
- Você está certo! Não gosto de esconder as coisas das pessoas. É muito complicado. Vou conversar com Mike. Mas, Edward, você não pode me dar um pouco de tempo? Não posso simplesmente despejar isso em cima dele. Tentei ontem à noite, mas não tinha a mínima idéia de como fazer. Ele é um velho amigo e com certeza vai ficar machucado. Mas prometo a você que vou fazer isso. Tenho de ser honesta com todos nós.
Edward abriu seu maravilhoso sorriso. Eu sorri de volta.
E comemoramos minha decisão com um beijo.
- E quanto aos seus pais? – ele murmurou.
- Ah... isso...
- Um passo de cada vez – disse ele, numa voz plena de compreensão. – Talvez eles acabem entendendo.
Eu não conseguia imaginar que isso acontecesse.
Mas então Edward me pegou em seus braços, e todos os pensamentos me abandonaram.
N/A:Agora sim os dois se entenderam
Pra quem apostou que a historia de só amigos não ia durar, parabéns, vocês acertaram ^^
Gente, mil perdões , mas eu não pude postar antes
Pra vocês terem uma idéia, estou escrevendo no teclado virtual!
Acreditem ,é um saco :/
Pra quem não sabe, postei uma nova adaptação que se chama "O Amor Pode Esperar"
Não esqueça de passar lá e me deixar uma review do que achou dela ok?
Agora, cliquem neste botãozinho aí embaixo e mostrem o que achou deste capitulo *-*
Bjcas,
Days3.
