Capítulo 4 – No Fim, Acho Que Te Amo
Não importava o que eu dissesse, ele não queria ouvir. Hugo estava determinado em chamar um "pequeno" grupo de amigos na sexta seguinte e nenhum dos meus argumentos o convenceria do contrário.
- No que você está pensando? – eu estava praticamente gritando com o garoto em seu quarto na manhã de sexta-feira.
- Meus pais vão estar fora até amanhã de tarde e estamos de férias. – respondeu, dando de ombros. – É só uma reunião entre amigos, o pessoal do time de Quadribol... Nada mais.
A notícia se espalharia e isso daria em festa, eu tinha certeza. Percebi que ele agia de forma estranha comigo desde o fim de semana passado e estava fazendo aquilo de novo naquele momento.
- Hugo, o que o Smith te disse no domingo?
O moreno me encarou por alguns segundos, ficando visivelmente nervoso.
- Aquilo não foi nada, ele é um retardado que não fala coisa com coisa. – seu tom de voz me assustava um pouco.
- Você tem estado mais agressivo... – comentei de cabeça baixa.
Ele deu um passo à frente, estendendo sua mão. Ia me pedir desculpas, mas recolheu a mão e se virou para o lado oposto. O que estava acontecendo?
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Ao cair da noite, a paz da casa se foi. Eu ainda não entendia por que ele estava fazendo aquilo. Simplesmente não tinha nada a ver com o Hugo dar uma festa enquanto os pais estavam fora. E ficava ainda mais difícil raciocinar com o som nas alturas!
E onde estava Rose?
- Rose? – procurava por ela no meio de todas as pessoas ali. A casa estava lotada. – Rose? – subi as escadas, a caminho do quarto da minha prima. Ela sempre fora muito sensata e tinha que por um fim nesse absurdo.
Bati na porta. Nenhuma resposta. Me achei no direito de entrar, já que ninguém me respondera.
Droga! Rose e Scorpius estavam lá no maior dos amassos e eu só consegui ficar estática.
A ruiva não demorou a notar minha presença, se exaltando.
- Lily, tá fazendo o quê? – limpou o canto da boca e me mandou um olhar mortífero.
- E-eu só pensei que... Er, eu... Essa festa toda é errada!
Ela riu.
- Ai, Lily... Faça o seguinte: relaxe um pouco e aproveite. – ela passou o braço pelos meus ombros, me conduzindo de volta a saída.
- Mas tio Ron e tia Hermione...
- Eles estão a uns cinquenta quilômetros daqui em uma conferência e nem sonham com nada disso, tá? Eu devia ter trancado essa porcaria... Hehe, tchauzinho.
- Mas...
BAM! Levei a porta na cara.
Certo, eu até que havia merecido devido ao fato de tê-los interrompido "naquele momento". Porém, será que eu era única que era contra aquela bagunça? Eu sempre fora meio antissocial por natureza então não curtia festas nem nada do gênero. Claro que eu não me divertiria.
Fui até o jardim dos fundos, me sentindo meio deslocada. Não adiantava, eu não conseguia me sentir parte daquilo. Sentei na grama, colocando a cabeça entre os joelhos.
Só queria ir pra casa, queria que meus pais voltassem. Não estava feliz naquele momento, mas se eu desaparatasse para qualquer lugar, as coisas ali sairiam de controle.
- Também não estou em clima pra festa. – ouvi uma voz familiar. Era tão bom ouvir aquela voz que eu simplesmente me arremessei sobre o seu dono.
- Albus! – apertei-o com força. – Eu só quero ir pra nossa casa em Godric's Hollow! Hugo tem agido estranho comigo, Rose está constantemente fora e agora essa festa que me sufoca...
- Ei, Lils! Nada de fraquejar... Você não é fraca.
- Mas estou cansada disso.
- Nossos pais voltariam no mesmo segundo se soubessem que você está falando essas coisas.
- Eu sei. – afrouxei os braços, agora apenas com a cabeça encostada em seu ombro.
Meu irmão suspirou longamente.
- Que foi? – questionei. Pelo seu olhar, já sabia a resposta. – Quem é essa garota que perturba tanto os seus pensamentos?
Albus sorriu de lado.
- Ela. – acenou discretamente para a direita. Vi uma garota alta, de cabelos longos e negros conversando com umas amigas. Tinha a pele acetinada, provavelmente descendente de latinos. Muito bonita, na verdade. – O nome dela é Lolita, quer dizer, é apelido. Ela está fazendo estágio comigo no Ministério e eu pensei que rolasse um clima entre a gente, mas... Bom, pelo jeito eu me enganei. Há umas duas semanas eu finalmente a convidei pra sair e levei um belo fora! Só que não consigo deixar isso pra lá. Ela é incrível, só queria ter uma chance...
- Bom, pode ter sido a forma com que você convidou ou talvez você não tenha feito isso de maneira direta... Sabe, Al, o seu ponto forte é o humor mesmo que seja meio cruel de vez em quando. Quem sabe se você der enfoque nisso? Ela não vai resistir a suas piadas sobre trasgos.
- Você sempre diz que essas piadas são terríveis!
- Sim, exatamente. Um cara que esteja desesperado a ponto de contar piadas tão bestas, deve merecer um encontro. Sempre funciona com você, pelo menos.
O moreno riu.
- Você é ainda mais cruel. Mas eu vou lá falar com ela...
- Uhul, vai lá, maninho! – nos levantamos juntos e ele foi até a morena. Não deu nem quinze segundos e ela estava quase morrendo de rir! Pois é, Lily Luna é um gênio.
Resolvi entrar em casa novamente. Ia para meu quarto quando alguém me prensou na parede dum corredor praticamente deserto e pondo um braço de cada lado, o que me impossibilitava de fugir.
- Hugo, o que você está fazendo? – fiquei perplexa.
- Oi, Lily... – ele disse numa voz arrastada e pude sentir seu hálito.
- Você andou bebendo? – não podia acreditar.
Meu primo deu uma risada.
- Talvez. – falou, tentando fazer cara de santo.
- Você está fora de si, desde quando bebe e...?
- Vai dizer que não gosta! – parecia até uma acusação.
- Como é?
Ele chegou ainda mais perto, agora havendo apenas um palmo de distância entre nós. Comecei a ofegar.
- Não prefere... Os maus? – fitava meus lábios à espera da resposta.
- Do que você tá falando?
- Ah, você sabe... Não gosta de caras maus?
- Não. – aquilo pareceu um balde de água fria para ele. – Eu prefiro caras decentes e de preferência com bom senso. Mas me diz qual a relevância dessa pergunta sem nexo?
O moreno se afastou abruptamente, cambaleando e tendo que se apoiar numa mesinha atrás de si. Fiquei preocupada, me inclinando para ajuda-lo, mas ele apenas recuou.
- Esqueça! Eu... er... Preciso consertar uns estragos. – foi embora, me deixando lá plantada.
- Hugo! – o chamei inutilmente. Andei atrás do garoto, mas não o encontrei ao passar pela mesma porta pela qual ele havia passado. – Hugo! Por favor... Hugo...
Eu sentia que havia feito algo errado, que havia perdido um detalhe. As peças do quebra-cabeça estavam ali, mas eu não conseguia encaixá-las. Era tão óbvia razão de eu ter despencado no choro naquele momento, entretanto, eu não sabia qual era ela.
Meu cérebro simplesmente não queria registrar uma informação. E essa informação explicava o porquê daquele comportamento do meu primo e de suas perguntas "sem sentido". Talvez elas tivessem mais lógica do que aparentavam...
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Acordei pela manhã com um pouco de dor de cabeça. Meu quarto estava no maior silêncio possível... Estranhei. E a festa? Certo, é claro que àquela altura já havia terminado, mas como tive que dormir com aquela barulheira era esquisito que tudo estivesse tão quieto.
Após me levantar, fui cautelosamente abrindo a porta e espiando com um olho. Como podia ser? Tudo estava impecável! Talvez, até mais arrumado do que de costume... Apesar dos fatos estarem me deixando cada vez mais curiosa, continuei minha jornada para a cozinha em busca de algo que satisfizesse meu estômago.
Tudo no andar debaixo estava um brilho de limpo. A pia da cozinha estava literalmente reluzindo! Eu poderia jurar que a arrumação sobraria para mim e nunca fiquei tão feliz de estar errada.
Abri a geladeira e peguei o leite. Depois disso, enchi um copo e dei um gole. Ah! Que delícia. Por que não ir até a sala ver um pouco de televisão? Eu havia até pegado o jeito com aquele controle remoto e já conseguia trocar de canal com sucesso, sem confundir com o botão do volume. Ué, eu não tinha uma TV em casa, o que esperavam?
- Ai, meu Deus! – arregalei os olhos ao adentrar lá, me sobressaltando e derrubando um pouco de leite no chão.
Hugo, que até então dormia no sofá, acordou mais assustado ainda, sentando-se.
- Ah, é você, Lily... – disse, aliviado. – Achei que fossem meus pais.
- V-você... Você limpou tudo sozinho? – perguntei, realmente duvidando.
- Eu fui o responsável. Quem mais deveria limpar?
- Bom, eu... Eu só pensei que como você estava meio bêbado e nervoso, a última coisa que faria era organizar as coisas pós-festa.
- É que o peso na consciência triplica de tamanho quando eu bebo demais. – deu de ombros.
- E você já se embebedou antes? – fiquei surpresa.
Ele ficou meio envergonhado.
- Ah, não foi bem assim, eu não sabia que tinha álcool no negócio e... Enfim, não foi uma boa experiência. Devia ter aprendido a lição, mas essa foi uma longa madrugada... – comprimiu as feições numa careta.
Apenas ergui as sobrancelhas, indicando que havia compreendido. O moreno suspirou, com ar de arrependido.
- Me desculpe. – pôs-se de pé, se aproximando. – Eu venho agindo como um completo idiota com você ultimamente.
- É mesmo. – alfinetei, irritada.
- Eu faria qualquer coisa pra te compensar... Qualquer coisa. – alisou meu rosto com uma das mãos. Eu fechei os olhos involuntariamente com seu toque.
- Só me faça um favor. – abri as pálpebras novamente. – Jamais me trate daquela forma de novo.
- Ok. – continuava a acariciar minha face.
A maneira como Hugo me olhava era tão terna e cativante que eu me sentia perder o controle. Foi aí que montei o quebra-cabeça e a tal pergunta me ocorreu:
- Foi o Smith que te disse que eu gosto de caras malvados?
Meu primo não esperava por aquilo, com certeza não.
Agora eu entendia. Ele gostava de mim. Hugo gostava de mim e não como uma amiga ou prima, ele me via de outra maneira. Na noite passada eu estava tão estressada por causa da festa e do nosso desentendimento que não consegui ligar as pistas, mas estava tão na cara...! O garoto nunca faria aquilo sóbrio. E aí que estava o problema, eu precisava confirmar minhas hipóteses.
- Desculpa, acho que não escutei bem... – se afastou um pouco.
Revirei os olhos.
- Por isso que você ficou tão irritadinho? Por que ele insinuou que você tivesse sentimentos por mim?
Hugo não dizia uma palavra sequer, me encarava apenas.
- E como assim você ainda deu ouvidos a ele? Quer dizer, o que ele poderia saber sobre mim? Hugo, você é o meu melhor amigo desde sempre. Se alguém tivesse que traçar o perfil do tipo de caras que eu gosto, não concorda que seria muito mais indicado que aquele infantil? E por Merlin, fala alguma coisa!
- O que você quer que eu diga? – ele estava um tanto aflito.
- Apenas me responda: é verdade ou não?
- Droga! É! Eu estou apaixonado por você, e não consigo evitar! – chegava mais perto, falando num tom mais alto do que o necessário. – Porque é claro que eu não queria isso! A última coisa que eu queria no mundo era me apaixonar pela minha prima, mas agora já estou fodido... Por que você tem que ser tão incrível o tempo todo? Que merda, eu te acho fascinante até quando está dormindo! Se quer saber eu até desejei que você não viesse nas férias pra cá, porque sabia que isso – colocou a mão sobre o coração. – só ia piorar. E realmente, chegou a tal ponto que – ele riu de si, se achando um idiota. – eu estou desesperado, fazendo coisas que não faria em nenhuma outra circunstância! Haveria outro motivo pra escutar o que um estúpido feito o Smith diz? Uma parte de mim só estava esperando que talvez... Que talvez com isso você começasse a sentir o mesmo.
Um turbilhão de emoções me atingiu e tudo que eu pude fazer foi me jogar em seus braços. Ele me abraçou fortemente.
Só então me toquei: eu de fato sentia o mesmo. Mesmo que parecesse muito repentino, era isso. Não me senti mal por ele ter aqueles sentimentos por mim, pelo contrário, um misto de alegria e alívio me possuíram e a única explicação era essa.
- Hugo... – iniciei, sentindo grossas lágrimas se formando, com a cabeça afundada no seu peito. – Você não precisa mudar em nada. – solucei. – Eu amo você.
- Wow! – uma terceira pessoa exclamou de repente e ambos olhamos assustados para o pé da escada.
Scorpius nos encarava sem jeito, rindo nervosamente.
- Foi mal, eu... Er, bem... – como ele poderia se explicar sem dizer: "Ah, eu só estava indo pra casa, após ter passado a noite aqui... A propósito, dormi com a sua irmã." Isso seria estranho. – Não falo nada, se vocês não falarem. – correu para fora antes que a ficha de Hugo caísse e o outro fosse um Malfoy morto.
Tudo bem, aquilo foi horrível. O clima definitivamente sumiu e ficamos naquela situação desconfortável.
Valeu, Scorpius... Valeu mesmo! Esse namoradinho da Rose ainda me pagaria caro.
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N/a: Nhá... Eu acho que o capítulo ficou meio confuso... Me avisem se não entenderem algo, ok? Bom, apesar de tudo, acho que teve momentos bastante importantes da trama. E agora? O que eles farão?
Prévia do 5:
- Por que tem que ser tão complicado? – ele encarava o sol poente.
Me acomodei ao seu lado.
- Não tem que ser. – eu disse. – Ainda não fizemos nada a ponto de estarmos realmente envolvidos.
Hugo começou a me fitar.
- Tem razão. Será que devíamos? – ergueu uma sobrancelha.
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- Porque você é o meu melhor amigo. – dei um sorriso gentil.
- Lily... – o tom de voz dele ficou mais sério.
- O que foi?
- Me desculpa.
Arregalei os olhos, estranhando o pedido.
- Como assim?
- Eu não posso mais assumir esse papel.
Ok, já chega ;P haha
Bjoooooooos!
