Capítulo 5 – Amigos? Sem Chance!

- Então? – uma pergunta simples e ao mesmo tempo tão difícil...

Estávamos andando pelos vastos campos ao redor da casa. Uma brisa suave batia em nossos rostos, enquanto o sol sumia no horizonte.

O dia havia sido muito estranho. Claro! Eu acabara de descobrir sentimentos em mim que não fazia a menor ideia da existência e ainda por cima era correspondida! O fim dessa frase pode ter soado meio negativo, mas isso porque não era algo completamente bom. Amar e ser amado de volta é tudo que se pode desejar, porém, amar um primo dessa forma não é considerado... Errado?

- Não sei. – respondi.

Diminuímos o já lento ritmo em que caminhávamos.

Como agir? Eu não sabia se segurava sua mão e temia estar parecendo indiferente.

Suspirou e sentou-se na grama.

- Por que tem que ser tão complicado? – ele encarava o sol poente.

Me acomodei ao seu lado.

- Não tem que ser. – eu disse. – Ainda não fizemos nada a ponto de estarmos realmente envolvidos.

Hugo começou a me fitar.

- Tem razão. Será que devíamos? – ergueu uma sobrancelha.

Sorri de lado, tentando não me iludir.

- Você sabe a resposta e sabe as consequências.

- Sei... Talvez seja melhor recuar enquanto temos tempo. – o moreno sugeriu, dando de ombros.

Apesar de estar um pouco surpresa com a tão rápida desistência, concordei, balançando a cabeça. Afinal, era o melhor a ser feito.

- Sim, as coisas podem voltar a ser como antes. Tudo era ótimo, não era? – me esforcei para parecer empolgada.

Como eu mentia descaradamente! As coisas não podiam voltar a ser como eram, não depois do que havia acontecido. Por que eu dizia isso se, para ele, eu era transparente? Hugo sabia o que eu sentia, bastava olhar para mim.

- Seja qual for a decisão final, nunca vou te tratar diferente... Porque você é o meu melhor amigo. – dei um sorriso gentil.

- Lily... – o tom de voz dele ficou mais sério.

- O que foi?

- Me desculpa.

Arregalei os olhos, estranhando o pedido.

- Como assim?

- Eu não posso mais assumir esse papel.

Hugo segurou meus braços e aproximou-se com avidez. Prendi minha respiração por uma fração de segundo com o susto.

Assim como na noite anterior, eu podia sentir seu hálito quente. Porém, ele nunca estivera tão perto: um centímetro era tudo que nos separava.

- Lily Luna, eu estou prestes a te beijar, mas só vou fazer isso se concordar. Lembrando que basta um toque dos nossos lábios para deixarmos de ser só dois amigos.

Quem cala consente. E querem saber? Eu não emiti um som sequer.

Hugo selou meus lábios com os seus num movimento delicado e cauteloso. Fechei os olhos por instinto e ele afrouxou o aperto dos meus braços. Eu sentia a maciez e o calor. Eu sentia as famosas borboletas no estômago. O que eu sentia era amor.

Se eu já achava que o abraço do garoto era curativo, seu beijo então era praticamente anestesiante. Me desliguei de todo o resto.

Nos afastamos e olhamos nos olhos um do outro.

- Agora é tarde demais. – avisou.

Minha resposta veio com um segundo beijo, desta vez aprofundado.

Não estava certo, mas quem ali realmente ligava?

Passamos no mínimo uma hora ali trocando beijos e carinhos. Eu amava como seus braços fortes me envolviam, como seu cheiro me embriagava.

Por fim, nos encontramos na seguinte posição: Hugo brincava de enrolar meus cabelos, comigo deitada no seu colo. Agora era a lua minguante que enfeitava o céu. A noite estava bastante estrelada, tornando aquele momento mais que sublime.

- Devíamos voltar. – aconselhei, lembrando que os outros poderiam notar nossa ausência. Havíamos prometido voltar na hora do jantar.

- Ainda não! Sabe-se lá quando teremos outra oportunidade como esta.

Me endireitei, ficando sentada.

- Hugo... – tentei parecer o mais séria possível.

- Tudo bem, tudo bem! – deu-se por vencido.

- Ótimo, vamos? – levantei e estendi minha mão para o garoto.

Ele aceitou minha ajuda, mas ao invés de ficar de pé, me puxou de volta para o chão unindo nossas bocas. O moreno fora tão ágil que eu mal pude contestar ou impedi-lo.

Assim que recobrei o controle da situação, tive que rir.

- Você é mesmo obediente, hein Weasley!

- Ruiva irônica.

E finalmente, ele fez o que eu pedi e seguimos para a casa.

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Aquela sensação era nova para mim. Hum, o amor... Quem diria que você me alcançaria? Tinha de admitir que eu não esperava que meu primeiro amor fosse justamente meu primo, o que não era exatamente uma vantagem. Nos encrencaríamos pra caramba se alguém da família descobrisse! Bom, não era como se tivéssemos planos de contar a alguém. O único que tinha uma suspeita não totalmente confirmada – eu esperava – era Scorpius. O menor dos nossos deslizes em público poderia fazê-lo ter a certeza, mas ele não contaria. Ao menos, fora isso que ele prometera...

Durante a semana, a pior parte tinha sido disfarçar. Não sei explicar, acho que os hormônios estavam falando mais alto! Hugo só precisava passar ao meu lado para eu captar o aroma da sua colônia e quando acontecia, eu sentia uma imensa vontade de agarrá-lo. Mas tinha que me segurar, pois um passo em falso que eu desse faria meus pais voltarem para me buscar.

A verdade é que não nos sobrava muito tempo sozinhos como no início das férias. Albus e Scorpius faziam visitas mais frequentes e em breve James, meu outro irmão mais velho, voltaria da viagem com os amigos. Isso significava que eu estaria livre para ir pro meu lar a partir do domingo seguinte. Entretanto, eu não conseguiria ir embora naquele momento. Quantas chances de estar com meu primo eu perderia por essa decisão? Preferia nem considerar aquilo como alternativa. Mesmo porque tio Ron e tia Hermione haviam insistido tanto para que eu ficasse até o fim de Agosto, que dizer "não" estava fora de cogitação. Óbvio que eu aproveitaria a minha chance, não é?

Por um milagre, no domingo em que James voltaria ninguém estaria em casa além de nós. Meus tios ficariam umas horinhas fora comprando os suprimentos do mês, enquanto a prima Rose encontraria com umas amigas no Beco Diagonal.

Perfeito… Ou não.

- Ah, que nada! Ursula Mason é só uma corvinal ridícula metida a inteligente. – não conseguia falar da ex dele sem ofender. Desculpem, mas era uma tarefa impossível, especialmente porque ele queria só me provocar.

Estávamos deitados no sofá, abraçados definitivamente parecendo um casal de namorados.

- Que baixaria, Lils… - ele balançava a cabeça negativamente de forma tão dramática que era óbvio que estava apenas tirando uma comigo.

- Você quem começou com esse assunto incômodo.

- Ficou com ciúmes, foi?

Olhei para o moreno aborrecida, depois desviei o olhar.

- Não… - meu tom era pouco convincente.

- Admita...

- Já disse que não.

Hugo sobrepôs seu corpo ao meu. Revirei os olhos.

- O que você vai fazer? Me esmagar até eu confessar? – o encarei, realmente intrigada.

- Não, eu tenho outros métodos de persuasão…

Então, ele começou a depositar beijos no meu pescoço. Mesmo que a sensação fosse boa, eu só conseguia rir. Tudo bem, eu gargalhava tanto que o som se assemelhava a um guincho de porco. Que graciosa, não?

- Para! Aí faz cócegas!

- Só quando você disser… - falou.

- Ok, ok! Talvez eu tenha ficado meio enciumada, agora pode parar com isso e sair de cima de mim?

O garoto ergueu seu rosto com um sorriso malicioso.

- Bom, eu até paro, mas sair de cima de você eu não saio.

- Por mim, ótimo. Eu não estou nem um pouquinho incomodada...

- Assim a gente se entende melhor.

Revirei os olhos novamente.

- Ai, será que você pode me beijar logo?

O puxei pela gola da camisa, fazendo meu desejo ser atendido.

- Lily, casa comigo? – pediu assim que seus lábios deixaram os meus.

- Caramba, não está apressando as coisas? – brinquei. – Mal podemos nos considerar namorados direito!

- É, mas que se dane! Vamos nos casar agora. – ele se levantou num pulo.

O encarei, curiosa e confusa.

- Hã... Agora?

- É, isso mesmo. – foi até um o hall e voltou com um arranjo de flores que antes estava num vaso. – Olha, pega aí, vai precisar.

Comecei a rir dele.

- Hugo, você tá legal?

- Não espera que nos casemos sentados, espera? Não vai mesmo ficar de pé?

- Ok, você quem manda. – o obedeci, ficando voltada para ele. – Certo, o que falta agora...? Ah, precisamos de uma testemunha ou algo assim. – lembrei.

O moreno deu um tapa na própria testa.

- Como eu pude me esquecer desse detalhe... Já volto. – e subiu a escadaria.

O que estaria aprontando? Ai, ai, só ele mesmo para ficar inventando uma coisa daquelas. Hugo às vezes era imprevisível.

Então, o vi voltando com uma bola de pelos no braço. Oh não, não mesmo...

- O Bichento Terceiro? – ri, incrédula.

- Não, hoje ele será nossa testemunha. – disse Hugo colocando o gato em cima da TV.

- Legal, o único convidado do meu casamento tem uma cauda.

Meu primo me posicionou novamente a sua frente, realmente focado no objetivo.

- Como era mesmo? Ah sim... Lilian Luna Potter, aceita se casar comigo, Hugo Arthur Weasley, e permanecer ao meu lado na alegria e na tristeza, na saúde e na doença, na riqueza e na pobreza, até que a morte nos separe?

- Tem certeza de que é assim? Acho que você perdeu o juízo...

- São os meus votos, então eu posso improvisar se quiser. E aí, aceita?

Dei um largo sorriso, tentando entrar no jogo e claro que falhando.

- Sim, aceito. E você, Hugo, aceita casar comigo, sua prima boba Lily que não sabe brincar de faz-de-conta?

- É, você é bem ruim nisso, mas eu aceito sim.

- Com a benção do Bichento Terceiro, somos oficialmente casados. Uhul! – agitei os braços no ar, espalhando folhas do "buquê" para todos os lados. – Foi mal, eu vou limpar depois. E você não vai beijar a noiva?

- Agora mesmo!

Hugo me deu um breve beijo e antes de nos separarmos, comecei a gargalhar.

- Você é tão besta.

TOC. TOC.

No distanciamos imediatamente.

- Ferrou. O que a gente vai fazer? – me desesperei.

- Calma, eu vou por as flores no lugar e você liga a televisão, e senta no sofá.

Acenei positivamente com a cabeça e ele foi atender a porta.

Eu estava suando frio e olhando em volta, em busca de sinais do que estávamos fazendo anteriormente e limpei o chão com um feitiço. Peso na consciência maldito...

- Jay? – ouvi Hugo dizer.

Droga! Não podia crer, era o meu irmão? Ajeitei o cabelo de qualquer jeito, liguei a televisão e no momento seguinte ele havia adentrado na sala com suas malas.

- James! – o recebi com um abraço. – Que saudades, maninho! Como foi de viagem?

- Lily, minha trasguinha. – estragou meu cabelo recém-arrumado. O encarei, zangada. – Foi ótimo e eu sei que sentia saudades disso também. – piscou, marotamente.

Me ajeitei novamente, voltando para o sofá.

- Estão sozinhos? – estranhou.

- É, meus pais foram comprar uns negócios e já devem estar voltando. – Hugo respondeu rapidamente.

- Isso, então estávamos assistindo... – apontei para a TV e arregalei os olhos, ao notar que o programa que passava era inapropriado para menores de... Noventa anos. Tenso. – Por Merlin! Essas propagandas de bebida são terríveis! – agarrei o controle remoto e desliguei o aparelho. – Tá com fome? Aposto que sim, tem bolo de chocolate! Por sinal, é uma delícia. Você gosta né? Ótimo, vou pegar um pedaço pra você.

Fui apressadamente para cozinha antes que James me visse corando.

Mas que vergonha. QUE VERGONHA. Tudo bem, o momento já havia passado, mas eu jurava que se descobrisse quem havia deixado naquele canal eu o estuporava.

Retornei, sorrindo sem graça com a fatia de doce.

- Aqui está, Jay. – dei o prato para ele, que já estava todo à vontade no sofá.

Meteu um pedaço do tamanho do punho inteiro na boca. O fitei enojada. Eww!

- É, eu não sentia falta disso. – comentei, fazendo uma bela careta e sentando ao lado de James.

Hugo apenas ria da minha expressão na poltrona ao lado.

- E então, Lily... – James falava, terminando de mastigar. – Você vai pra casa comigo ou não?

- Não! – eu e Hugo declaramos em uníssono. Ficou estranho.

- Er... – meu irmão nos olhava, levemente desconfiado.

- Nossos tios realmente querem que eu fique e estou me divertindo, logo, eu até que prefiro. – esclareci cada vez mais constrangida.

- Ah... – James deixou o prato sobre a mesa de centro. – Não se ofenda, mas até acho melhor você ficar. Acredito que você entenda, um cara precisa de um tempo sozinho às vezes...

- Eu sei que você quer chamar garotas pra lá. – ergui uma sobrancelha, indicando que era tudo muito óbvio.

- Touché! – exclamou, rindo. – Sabe, quase um mês de abstinência é demais pra mim.

Hugo riu também.

- É, a gente sabe. – se inclinou um pouco pra dar dois tapinhas no ombro esquerdo do outro.

Meu irmão riu mais um pouco, porém, depois franziu a testa.

- Bom, vocês me deixaram curioso. Além de ficar vendo pornô, o que fazem por aqui de interessante?

Arregalei os olhos, tendo certeza de que minha face havia atingido o auge do seu rubor.

- Você sabe que não estávamos! – eu estava quase que batendo nele.

- Não sei de nada, quando eu cheguei tava naquele programa...

- V-você tá insinuando alguma coisa? – berrei, nervosamente.

Sua desconfiança devia ter triplicado. Por que eu não conseguia controlar meus nervos? Será que eu estava deixando muito na cara?

- Relaxa aí, trasguinha... Foi só uma piada. – me fitava com os olhos semicerrados.

- Está se sentindo bem? – Hugo perguntou, de forma casual. Droga, ele tinha que ser tão bom ator, enquanto eu me descabelava com os pequenos detalhes?

Me encolhi no canto do sofá, tentando me aquietar.

- Sim, sim... – e não abri mais a boca.

Passados uns quarenta minutos, meus tios chegaram. Lá para as sete horas, Rose também já estava em casa e todos jantamos uma lasanha que tio Ron preparara junto a tia Hermione. Eu havia passado pela entrada cozinha enquanto cozinhavam e apesar de serem completamente desprovidos de talento culinário, pelo menos estavam se divertindo.

- Ron! O molho é pra por na comida, não pra respingar por todo o azulejo!

- Calma, Hermione... Nem tem tanto assim no seu cabelo...

- No meu o quê? – guinchou.

Mesmo com os ocasionais gritinhos da minha tia, era muito fofo o jeito como tio Ron a calava com um beijo, me lembrando da "técnica infalível" de Scorpius. Pelo jeito esse truque era bastante usado nas mulheres da família...

Depois da refeição, James anunciou que iria embora. Acompanhei-o até a porta.

- Então é isso. Se cuida, Lily. – beijou minha bochecha e acomodou as alças da mala no ombro.

- Tchau. – sorri, já fechando a porta.

- Ah, só mais uma coisa! – me impediu, pondo o pé na fresta e eu me sobressaltei.

Ele deu um sorriso de lado como se tivesse notado algo.

- Não se esqueça, eu estarei de olho em você...

- Tchau! – eu repeti, revirando os olhos e ele finalmente desaparatou.

Mais alguns segundos ali e ele teria percebido que minhas mãos estavam trêmulas por causa do nervosismo. Definitivamente eu tinha que trabalhar nisso...

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N/a: Enfim juntos! *-* Ok, agora é oficial: eles são um casal! Acho que poderia tê-los juntado de uma maneira melhor, mas esse foi o resultado final. Nossa, estou super feliz com a resposta que a fic anda tendo, obrigada a todas que deixaram reviews! Não fazem ideia do baita incentivo que eles são...

Quem quer prévia do 6? Vocês merecem *-*

- Lily...

- O quê?

- Casais normais... Saem em encontros, certo?

- Acho que sim. – estranhei, colocando a última xícara na mesa. – Alguma razão especial pra estar perguntando?

O moreno olhou para os lados furtivamente e dado o sinal verde, se aproximou de mim.

- Pensei de a gente ir ver um filme amanhã.

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- Acho que vou ter que me trocar...

- Imagine só, Lily! – Rose se aproximou, rindo. – Não há problema algum em ir assim, só que talvez pensem que vocês são um casal. – deu de ombros.

- É... – concordamos juntos.

-x-x-x-

- Normalmente, a tagarelice da Rose não me incomoda, é até engraçada, mas desta vez ela se superou! – eu disse com os nervos à flor da pele.

- Eu sei, estou quase cometendo suicídio... Temos que dispensá-la de alguma maneira.

- Sem que fiquem óbvias nossas intenções? Eu duvido que consigamos.

Bom, é só por hoje!

Bjoooooos! :*