Capítulo 7 – Complicações Fazem Parte

Na sexta daquela semana, acordei um tanto desanimada. Afinal, as aulas começariam em praticamente duas semanas! Eu não podia reclamar, minhas férias estavam sendo realmente boas, principalmente agora que eu e Hugo estávamos juntos. Aw, caramba! E eu ainda não conseguia acreditar que aquilo estava acontecendo comigo... Era tudo tão incrível e, ouso dizer, perfeito. Ele era perfeito. Quer dizer, é claro que tinha seus defeitos, quem não tem? Mas não havia nada significativo que conseguisse impedir nossa felicidade.

Até aquele momento.

Além disso, meus pais voltariam no dia seguinte, sábado. Estava contente por isso, mas ao mesmo tempo não queria deixar minha moradia temporária...

- Bom dia, Lily. – os quatro Weasley sentados à mesa me saudaram.

- Bom dia. – respondi, ocupando o lugar ao lado de tia Hermione.

- Chegou uma carta pra você, Lilian... – tio Ron comentou, pegando um pão e o cortando em dois pedaços.

Coloquei café e três colheres de açúcar na minha xícara.

- Mesmo? De quem?

- De um tal de Greg.

Do Greg? Gelei.

Ao ouvir o nome do garoto, Hugo entortou o garfo que segurava e eu arregalei os olhos para ele.

- Gregory Brand, você que dizer? – desviei o olhar imediatamente, temendo transparecer alguma coisa.

- E você conhece outro Greg, prima? – Rose perguntou. – Hum... O que será que ele está querendo? Talvez um encontro... – por que ela tinha que falar naquele tom malicioso?

Ah, ótimo! Agora meus tios estavam me encarando com um sorrisinho igual ao da ruiva, me constrangendo até o último fio de cabelo.

- Está lá na mesinha da sala, querida. – minha tia pareceu se empolgar com ideia de eu tendo um encontro.

- Ok, mas não é importante. Depois eu vejo essa carta. – dei de ombros, voltando minha atenção para o café.

Quando todos pararam de me encarar, ergui meus olhos para Hugo. Ele estava de cenho franzido, evitando me olhar.

Ciúmes? Provavelmente, mas sem fundamento algum. Ok, Greg era meu ex-namorado na verdade, então era normal que meu primo ficasse enciumado. Mas havíamos terminado há praticamente um ano... Não havia razão pra se preocupar.

Mais tarde, não resisti a minha curiosidade e fui ler a tal carta:

"Querida Lily,

Não acredito que não trocamos cartas pelo mês de Julho inteiro! Estive pensando bastante em você e em como foi nosso último verão. Nos divertimos muito juntos, lembra? Deixando de lado o que aconteceu, que tal um hidromel no Caldeirão Furado um dia desses? Por minha conta, é claro. Pelos velhos tempos?

Espero ansioso pela sua resposta...

Com amor,

Greg."

Com amor? Ri comigo mesma ao terminar de ler. Que presunção a dele... Me trocou por uma quartanista metida e fresca para depois querer reatar? Até parece.

Mandei uma bela carta em resposta – enfatizando a parte do "prefiro beijar os pés de um trasgo" – tentando deixar clara a minha decisão. Bom, ele havia merecido.

Algumas horas se passaram e eu me aprontei para sair. Estava com uma vontade de comer uma torta de maçã e como não havia nenhuma maçã em casa, Hugo sugeriu que fôssemos ao vilarejo bruxo comprar algumas para ele fazer. Apesar das gentilezas, ele ficou estranho comigo pouco antes de sairmos.

Segurei sua mão na porta da casa e o moreno soltou, assustado.

- Que foi, Hugo? É só pra aparatar. – ergui uma sobrancelha.

- Ah...

Hugo, ao invés de pegá-la novamente, apenas apoiou a mão no meu ombro e desaparatou. Assim que chegamos à pequena venda de aspecto rústico, ele se afastou e foi procurar pelas maçãs.

O que estava havendo? Por que estava sendo tão frio de repente?

Me aproximei dele para fazer essas perguntas tocando desajeitadamente sua mão, mas antes que eu pudesse proferir qualquer palavra, alguém se dirigiu a nós.

- Ora, se não são os primos Weasley e Potter... – era Logan Smith, o insuportável. Ao menos estava sem seus amiguinhos nojentos. – E então, Weasley? Já usou minhas dicas? Pelo jeito, elas funcionam mesmo. – devia ter reparado na posição da minha mão.

- Smith, realmente não estou com humor pra isso. – Hugo disse, revirando os olhos e se distanciando tanto de mim quanto do outro garoto.

Entrei em desespero, seguindo-o.

- Hugo, o que houve? – perguntei e ele desviou de mim de novo. – Hugo! – não aguentei e gritei com ele, que se virou assustado. – M-me desculpa, é que você está agindo tão estranho comigo.

O garoto ficara um tanto hesitante, mas acabou por falar:

- Então, você vai sair com o Brand? - questionou com aspereza.

Fiquei confusa.

- O quê? O Greg, meu ex? Não, Hugo, donde tirou essa ideia?

- Oh, o priminho Weasley está com ciúmes... – Smith esteve nos ouvindo às escondidas e eu arrepiei. Ficara tão óbvio! Meu desespero e a reação do Hugo... Calma, ainda não era motivo para me descabelar. Ele podia ter interpretado da forma como quisesse, não significava nada.

- Cala boca e cuida da sua vida, Smith. – Hugo começou a me puxar para a saída de forma possessiva e firme até demais.

- Calma, tá me machucando! – exclamei, sentindo seu aperto exagerado. Quando ele pareceu decidido a não me soltar, puxei meu braço, me separando do garoto. – Pirou? Nossa, o que deu em você?

O nada bem vindo do Logan ainda nos importunava, vindo logo atrás.

- É assim que você trata uma garota, Weasley?

- Cara, o que você ainda está fazendo aqui? – Hugo estava perdendo a paciência.

- Compras, o que mais eu faria numa venda?

- Então, não se meta.

- Mas ele está certo!

Os dois se voltaram para mim. Ofegante, olhava de um para o outro, com receio de prosseguir. Porém, minha revolta no momento foi maior.

- Não me trate como se eu fosse um objeto da sua propriedade!

- Quê? – Hugo pensou ter ouvido mal.

- Você me escutou. – cruzei os braços.

Ele deu uma leve risada.

- V-você não é minha propriedade. – olhou de esguela para Smith, tentando disfarçar.

- Então, comece a me tratar da forma adequada! Você fica fazendo acusações sem sentido e ainda me arrasta por aí... Se estiver de mau humor, não desconte em mim, ok? – eu sentia as lágrimas vindo.

O silêncio não durou muito.

- Eu li a carta do Brand. – foi a última coisa que disse antes de sair pela porta do estabelecimento.

Corri em seu encalço, entretanto, ele desaparatou antes que eu pudesse dizer alguma coisa. Prevendo que iria para casa, aparatei por lá. Cheguei a tempo de vê-lo subindo as escadas.

- Você entrou no meu quarto e mexeu nas minhas coisas? – fiquei indignada.

Hugo atingiu o topo da escadaria e apenas me lançou um olhar antes de adentrar no próprio quarto.

- Não pense que eu terminei! – subi rapidamente. A porta estava trancada. – Ô querido, eu sou uma bruxa, você esqueceu? – retirei a varinha do bolso e apontei para a fechadura. Um clique de destrave foi ouvido.

Entrei, o encontrando em pé de costas para mim.

- E então? O que tem a dizer em sua defesa?

- Aqui não é sua casa, logo, aquele quarto não é seu. – respondeu e eu revirei os olhos.

- Aff, Hugo, não banque o infantil agora! – puxei-o pelo ombro, forçando-o a me encarar. Eu já estava com o rosto encharcado. – Você mexeu nas minhas coisas?

- Sim, eu mexi! Tudo bem, se é isso que você quer ouvir... Eu fiquei com ciúmes!

- Isso é compreensível, mas você sabe que eu não iria sair com ele. Primeiro, porque eu já estou namorando alguém e segundo, porque ele me deixou por aquelazinha! Acha mesmo que eu iria querer algo com aquele traste mesmo se estivesse solteira?

- Eu vi o convite que ele te fez!

- E eu recusei! Caramba, você ainda não entendeu? Ah, já sei. Você não confia em mim, é isso! Francamente, eu esperava mais de você...

Hugo passou a mão pelo cabelo e depois pela nuca, numa tentativa de alinhar seus pensamentos.

- Eu confio em você, mas fiquei preocupado...

- Preocupado que eu te traísse com um idiota qualquer do passado?

- Ponha-se no meu lugar e vai entender!

- Você revirou meus objetos pessoais, nada justifica isso.

- E você que concordou com o Smith e disse aquelas coisas, me deixando com cara de idiota pra ele! Com certeza, já está desconfiando de alguma coisa...

- Mas você foi um estúpido, esperava o quê? Você tinha... – um soluço interrompeu minha frase. – Você tinha me dito que nunca mais me trataria mal como fez há algumas semanas. Pelo jeito, eu é que não posso confiar em você. Quem me garante que isso não vai se repetir?

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Já era de noite e lá estava eu, deitada na cama do meu quarto, chorando por alguém que nunca pensei que me faria sofrer. E quando digo meu quarto, me refiro aquele na minha casa em Godric's Hollow mesmo. Sim, eu voltei para lá.

Então, ouvi alguém batendo na porta e a entreabrindo. Era o James.

- Lily? – ele estranhou. – Quando é que você voltou?

Afundei a cabeça ainda mais no travesseiro para esconder o rosto. Inutilmente, é claro, pois era nítido que estava chorando.

Não respondi, porque se abrisse a boca pra falar o choro ia aumentar.

- Lily? – insistiu. Meu irmão se sentou na beira da cama e eu encolhi as pernas quando o senti acariciando meu tornozelo. – Não vou sair até você me dizer o que aconteceu. Se foi um garoto, é só me dizer o nome que eu arrebento a cara do desgraçado!

- Apenas... – minha voz estava fraca e trêmula. – Me deixe.

Não precisei repetir. Ele entendeu o recado e se foi, frustrado.

Flashback

- O que está havendo aqui? – Rose apareceu, assustada.

Eu e Hugo nos encaramos por mais alguns segundos, ambos transbordando irritação pelos poros. Foi quando eu disse:

- Estou indo embora daqui!

- O QUÊ?

Fui marchando para o meu quarto temporário e coloquei a minha mochila sobre a cama. Rose veio logo em seguida, tentando me impedir de colocar minhas roupas e objetos dentro da mala.

- Nossa, mas por que isso tão de repente? Seja lá o que Hugo te disse, não ligue pra aquele besta e fique!

- Não é tão fácil assim, prima. – falei, ressentida.

Olhei em volta, à procura de algum pertence esquecido. Senti um aperto ao ver o urso de pelúcia que ganhara de Hugo numa prateleira. Posto o último par de sapatos na bagagem, fechei o zíper da mala. Suspirei, com as lágrimas escorrendo livremente pelo meu rosto.

- Lily, pense melhor... – Rose, que estava muito confusa, queria que eu mudasse de ideia.

Mas eu era impulsiva. E sendo assim, eu agiria da maneira mais precipitada possível.

- Me desculpe, eu... – limpei a face com a manga da blusa, mesmo sabendo que logo estaria úmida de novo. – Eu preciso ir.

Peguei a mochila.

- Mas meus pais chegarão e vão se preocupar com você! – lembrou-me.

- Bom, apenas diga que eu não aguentava mais ficar longe de casa.

Fim do Flashback

Isso é tão típico de uma adolescente. Ir embora sem dar reais satisfações... Porque naquele momento, pouco me importavam as consequências.

Simplesmente não acreditava no que havia acontecido. Hugo fora tão grosso e desconfiado de mim, não parecia ele... E sequer tentara me impedir de ir. Eu estava muito decepcionada.

Lá pelas dez da noite, James reapareceu com um prato de comida. Eu rejeitei, alegando não estar com fome.

- Mas como isso é possível? Você está chorando há umas cinco horas seguidas nesse quarto! Bom, se você quiser vai estar aqui. – pôs sobre a minha escrivaninha. – E, Lily... Tem alguém aqui querendo falar com você.

Não esperando por aquilo, ajeitei os cabelos de qualquer jeito e antes que pudesse secar o rosto, a pessoa adentrou e James saiu.

- Tia Hermione? – arregalei os olhos e me sentei na cama.

- Oi... – ela se acomodou ao meu lado. – Não vim aqui pra brigar com você ou passar algum sermão, relaxe.

Não conseguia nem olhar para minha tia, pois estava muito envergonhada pelo que havia feito a ela e ao meu tio.

- Só quero saber se o que Hugo te disse te ofendeu tanto a ponto de você não querer mais voltar para nossa casa. Digo, vocês sempre se deram tão bem e por causa de uma discussãozinha tomou uma decisão tão... Exagerada? Estou aqui apenas para pedir que, por favor, reconsidere. Não fazia parte dos seus planos ficar por lá até o fim das férias? – ela tocou meu ombro delicadamente.

- Bem... – comecei, me esforçando para parar de chorar. – Meus pais chegam amanhã. Eu sinto falta deles. Talvez seja melhor assim, porque poderei aproveitar o resto das férias com eles.

Aquilo não a convenceu, é claro. Por mais saudades que eu sentisse dos meus pais, seus dias de folga terminavam no domingo, então, de nada adiantaria eu ficar em casa se eles não estivessem por lá.

Tia Hermione deu um sorriso gentil e segurou minha mão.

- Entendo. – fingiu aceitar minha desculpa. – Mas se você resolver que quer voltar, não hesite! As portas sempre estarão abertas pra você, ok?

- Me desculpe, tia. – adquiri a coragem de olhá-la.

- Está tudo bem, querida. – se inclinou para me abraçar. – E eu tenho certeza de que você e o Hugo irão se entender logo. – piscou com um olho. – Até mais, Lily.

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N/a: Capítulo melodramático? Sim. Mas poxa, tudo tava indo muito perfeitamente pra eles, não é? E olha, eu nunca vi nenhum relacionamento que fosse perfeito então... Pois é! Chegou a vez deles :x Não me espanquem, por favor '-' Enfim, não sei dizer se eles se ajeitarão no próximo, ou no seguinte... O fato é: as férias da Lily estão no fim. Será que eles vão se resolver até lá? Tudo bem, eu não sei fazer finais tristes, mas não custa deixar um suspense no ar... Bom, eu vou dar um spoiler totalmente "meio" óbvio agora: a fic acaba no dia 1º de Setembro (do universo da fic, é claro). E coincidência ou não, acho que acaba no capítulo 9, assim como minha outra fic "One Of The Boys". Sei lá, achei tão estranho isso... Mas não tenho certeza ainda, porém, é bem provável. Adorei seus reviews *-* Sério, me dá o maior orgulho de ter a única longfic em português do casal do site pelas coisas que vocês me dizem.

Bjoooooooos!