* Capítulo dedicado à Lara
VI - Tratamento de Choque
Todos estavam reunidos para o café da manhã e seguindo a tradição dos últimos dez dias, Hermione era última a descer com seus pergaminhos. Mas aquele estava destinado a ser um dia diferente...
Enquanto todos se acomodavam ao redor da mesa, Gina cochichava com Luna em um canto da sala. As duas, juntamente com Tonks, haviam se tornado cúmplices num plano para deixar Hermione a sós com Draco, pois embora nenhuma delas soubesse ao certo o que tinha acontecido, todas perceberam que a mudança de Hermione se deu depois da discussão com Malfoy e acreditavam que somente colocando os dois frente a frente conseguiriam resolver a situação.
Durante a refeição, Luna com seu jeitinho manso começou a insistir que Tonks precisava de um dia de folga, sendo plenamente apoiada por Gina.
- Tonks tem se esforçado muito para cuidar da nossa segurança e dessa casa; Além disso, nos deu a oportunidade de conhecermos esse lugar incrível... É mais do que justo que tenha um dia de folga! – dizia Luna, obtendo a imediata concordância dos outros.
- Eu concordo! Acho que hoje, Tonks deve passar o dia na praia sem se preocupar com nada, nem mesmo com as tarefas de casa, não acha Mione? – instigava Gina.
- Claro! As meninas têm toda razão... Podemos perfeitamente nos revezar nas tarefas da casa... – começou Hermione, sem perceber as reais intenções daquilo tudo.
- Ótimo! Então já que todos concordam, eu declaro este como o dia de folga da Tonks e peço que ela se prepare para passar um dia maravilhoso na praia – falou Luna divertindo-se.
- Poxa, gente! Valeu mesmo! Eu não sei o que dizer... A verdade é que eu tava mesmo louca para pegar um pouco de sol! – disse Tonks animada. – Vou me preparar, mas preciso que se dividam em duplas que se revezem não apenas nas tarefas domésticas, mas na vigilância da casa, ok?
- Não tem problema! – falou Harry sorrindo, enquanto a auror se retirava.
- Ok! Vamos dividir as tarefas. Cada dupla ficará responsável por um turno. Eu e Harry ficaremos com o turno da noite e faremos o jantar. – decretou Gina.
- Rony e eu podemos ficar com o turno da tarde e fazer a limpeza da casa, por que eu não sei mesmo cozinhar. – disse Luna.
Para Hermione, sobrou o turno da manhã, além de ter que preparar o almoço. Mas perder a manhã de sol e não aproveitar o dia na praia não era um problema para ela, ficar sozinha em casa com Draco Malfoy sim.
- Mione, você vai ficar bem? – perguntou Rony preocupado com a ausência de manifestação da amiga, que permanecia imóvel.
- Eu estou ótima, Rony! Podem ir tranqüilos, farei o almoço e depois vou continuar pesquisando... – respondeu com uma falsa segurança, enquanto via os amigos se retirarem junto com Tonks.
Respirou fundo e começou a recolher a louça do café em silêncio, sentindo-se realmente incomodada com a situação. Draco, por sua vez, seguindo os gestos da castanha, recolhia os pratos e copos, os depositando na pia.
- Olha, acho que você pode ir para a praia com os outros, posso perfeitamente cuidar de tudo sozinha – falou Hermione um pouco autoritária.
- Eu não costumo fugir das minhas obrigações – respondeu sério.
- Você não estaria fugindo de nenhuma obrigação. Estaria colaborando, já que está claro que não entende nada de cozinha. Você nunca ouviu dizer que muito ajuda quem não atrapalha? – disse a menina sem paciência.
- Estamos hostis hoje, não? Tudo isso é pra não ter que ficar sozinha comigo? – provocou.
- Você não sabe do que está falando, então não diga bobagens! – ordenou zangada.
- È talvez eu não saiba mesmo... Tudo que sei é que primeiro, você gruda em mim e tenta me agradar não sei porque, depois vem com um discurso bem ensaiado de que somos amigos e temos um objetivo em comum, para logo em seguida me dar as costas novamente... Se chateou porque não conseguiu levar o seu plano de boa samaritana a diante, foi? – falou enquanto se aproximava da garota.
- Quer saber? Chateei-me sim! Tentei te ajudar, quis ser sua amiga, mas você sim, me deu as costas... – revidou.
- Do que está falando? Quando eu te dei as costas? – quis saber, mas sem perder a pose de superior.
- Você me deu as costas quando zombou de mim naquele jantar, quando foi incapaz de se desculpar, aliás foi incapaz de dirigir a palavra a mim, pelo simples fato de que eu parei de me dirigir a você! Um Malfoy não se daria ao trabalho de iniciar uma conversa com uma sangue-ruim, não é mesmo?
- Você é louca! – falou revoltado.
- Louca? Tudo bem, não ligo para os gentis adjetivos que usa para se referir a mim... Mas diga olhando para mim, que estou mentido! E que não é verdade que preferiu passar dez dias sozinho e sem conversar com ninguém, do que dar dois passos e bater na minha porta!
Silêncio.
- Foi o que pensei. Agora faça um favor para nós dois e saia daqui... – falou com tristeza.
O que ela fez? Como aquelas palavras poderiam causar tamanho desconforto nele? Sentia-se um idiota... Quantas vezes se viu parado diante da porta do quarto dela, mas nunca bateu, nunca chamou o nome dela e agora se perguntava porque...Durante aqueles dias sentiu-se péssimo, tinha vontade de conversar com alguém, lembrava-se como era bom tê-la por perto, mas não tinha feito nada para trazê-la de volta e agora ela estava ali, diante dele, dizendo que teria bastado uma palavra.
Permaneceu parado. Sua mãe havia lhe pedido que tentasse aproveitar a oportunidade que estava recebendo, que se esforçasse para se adaptar e que fosse grato aquelas pessoas que não os conheciam, mas que ainda assim, ofereciam abrigo e ele fez exatamente o contrário; Tinha fechado a única porta que realmente tinha se aberto para ele, mas agora se via decidido a reverter a situação. Dane-se o orgulho, a quero de volta e vou ter!- pensou.
Hermione estava de costas para ele com a cabeça baixa e as mãos apoiadas no balcão, respirando pesadamente como se tivesse acabado de fazer um grande esforço. Na verdade, sentia um misto de tristeza e alívio por finalmente conseguir falar tudo que esteve preso na sua garganta durante tempo. Esperava que depois daquilo, Draco a deixasse sozinha e seguisse seu caminho longe dela, mas para sua surpresa percebeu que ele novamente se aproximava dela.
Sentiu o cheiro inconfundível do perfume e em seguida mãos geladas tocarem seus braços e percebeu que seu coração disparou quando ouviu a voz dele dizer baixinho no seu ouvido:
- Me desculpe... Eu não quis...
-Sim, você quis. Mas não se preocupe, é passado! Estamos em guerra e é bobagem perder tempo com esse tipo de coisa! – respondeu ainda magoada.
- Então é assim? Você desistiu mesmo? Não te interessa mais ser minha amiga? – perguntou enquanto virava a menina para si.
Ela podia ver pela primeira vez nos olhos dele que ele se importava e que estava arrependido de não ter permitido que ela se aproximasse, mas ainda assim, não se sentia disposta a começar tudo novamente e deu a única resposta que lhe passou pela cabeça:
- Vamos fazer uma coisa: se algum dia em sua vida você precisar, vai poder contar com meu auxílio, está bem? – falou se desvencilhando do rapaz.
Percebendo que a garota continuava tentando se afastar, Draco decidiu que não permitiria; Não sabia por que mais a única coisa que se fez clara para ele nos últimos dias é que precisava dela para passar por aquele momento tão complicado.
- Não, não está bem! Eu não fiquei sem falar com você por me achar superior como você diz... Eu não ligo mais se você não tem sangue puro e quero que seja minha amiga, como me prometeu que seria!È disso que eu tô precisando – falou deixando a menina sem reação.
Agora ele tinha conseguido pegá-la numa armadilha criada com suas próprias palavras. Não podia se negar, ou desmentiria tudo o que tinha acabado de dizer. Não tinha escolha, teria que recomeçar novamente e o único fato positivo, é que desta vez ele se mostrava disposto a deixá-la se aproximar.
- Seremos amigos? – ela questionou.
- Sim, seremos a partir de agora e quero o mesmo tratamento que você dispensa a qualquer outra pessoa desta casa, incluindo o cicatriz e o pobretão! – aproveitou-se.
- Hum... creio que isso não será possível, Malfoy. – agora Hermione deixava o tom de mágoa e começava a tirar proveito da situação.
- È Draco! E por que não seria possível, posso saber? – ele quis saber intrigado.
- Sabe, Harry e Rony não tem segredos comigo, eu os conheço de verdade, sei quais são suas qualidades e seus defeitos, conheço seus desejos e seus medos... somos como irmãos! Nos gostamos e nos aceitamos como somos, entende?
- Acha que não pode me aceitar? – disse franzindo a testa.
- A pergunta é: você acha que poderia me aceitar? Está realmente disposto a dividir seus segredos dessa maneira? – provocou.
A pergunta de Hermione novamente o havia atingindo como um tapa. Como alguém como ele poderia permitir que outra pessoa o visse seus defeitos, suas fraquezas... Se ela soubesse tudo que ele já fez de errado, provavelmente o expulsaria dali e o odiaria para sempre. Mas se ele recusasse, perderia sua última chance. Concluiu que era melhor arriscar.
- Já aceitei. – falou decidido. – E acho que para começar, vou lavar esses pratos para que a senhorita não estrague suas belas mãos.
- Eu não me preocupo em estragar minhas mãos com sabão, mas agradeço a gentileza, Malfoy...
- Draco! – ele corrigiu.
- Tudo bem, como quiser, Draco. Mas para começar, por que não me fala sobre você... Se somos amigos, tenho que saber sobre você, certo? – num tom amigável, Hermione havia acabado de declarar guerra e Draco havia percebido.
- Hum! Vamos ver... Draco Lúcio Malfoy, 17 anos, filho único, casa sonserina, matéria preferida poções, signo escorpião, esporte preferido quadribol, comida preferida italiana, adoro boa música, boa comida, boas roupas e observar estrelas, detesto gente burra. Está bom assim – perguntou.
- Não – disse Hermione se aproximando mais do que precisava de Draco e pegando um recipiente grande de vidro – Quero que me conte algo que eu ainda não sei. – tornou a provocar o sonserino.
- Como por exemplo? – disse, escondendo o desconforto.
- Por exemplo, por que não quis falar da carta da sua mãe, se tinha ficado tão feliz em recebê-la... – tentou sem muita esperança, mas para seu espanto, Draco desapareceu alguns segundos para retornar em seguida com a tal carta nas mãos.
Ele sabia que ela o estava testando e não iria falhar.
- Tome, veja você mesma – falou estendendo o envelope para a garota, que o tendo em suas mãos, devolveu ao dono esperando que ele mesmo o abrisse.
- Tudo bem... Pode ler. – disse entregando a ela a própria carta.
Filho querido,
Escrevo-lhe para que saiba que estou bem protegida e não se preocupe comigo. Assim como você, fui acolhida por pessoas de bom coração, que foram capazes de relevar todos os erros que cometi e que induzi você a cometer. Perdão, filho!
Espero que procure compreender que, embora não seja um caminho fácil, recebemos uma oportunidade única de refazer nossas vidas longe de toda aquela sede de poder que nos cegou um dia. Para Lúcio é infelizmente já é tarde demais; Mas você, Draco, pode ter um futuro e viver como um homem bom e digno. E nada me faria mais feliz do que isso!
Severo disse que não poderei enviar cartas por um longo período para sua própria segurança, então quero que saiba que eu o amo mais que tudo nesse mundo e que vou lutar com todas as minhas forças para que você possa construir uma nova vida e ser novamente feliz.
Com todo o amor, da sua mãe
Narcisa
Hermione terminou de ler a carta com o coração apertado, agora sim, conseguia entender o motivo de Draco ter ficado tão feliz e aliviado com aquela carta.
- Sua mãe parece ser uma boa pessoa. E pelo que diz aqui, ela também está sob a proteção da Ordem, o que significa que vocês logo poderão se encontrar. – falou Hermione com voz doce.
- Você não imagina o quanto eu estava preocupado com ela! Minha mãe é a única pessoa que se importava comigo de verdade e eu não saberia o que fazer se eles a machucassem – confessou.
- Ninguém vai fazer mal a sua mãe. Cada vez mais nos aproximamos das horcruxes e do fim de Voldemort, eu mesma tenho várias indicações do paradeiro de algumas das relíquias. Em breve toda essa ameaça vai passar e vamos continuar com nossas vidas – respondeu a garota, tentando animar o novo amigo.
- Espero que tenha razão – ele falou sério.
- Mas eu sempre tenho razão – falou empinando o nariz e fazendo pose de superior, conseguindo arrancar um sorriso de Draco – Agora vem comigo, você já preparou uma lasanha? Pois vai fazer uma agora. – disse arrastando o garoto para o fogão.
- Vou te fazer um favor e te transformar em um homem prendado – falou a menina se divertindo.
- E para que eu iria querer ser um homem prendado? – perguntou.
- Ora, para saber se virar em uma situação de necessidade... Além disso, homens que sabem cozinhar fazem sucesso com as garotas, sabia? – disse rindo e entregando um avental para o rapaz.
- Mais sucesso do que eu já tenho, creio que isso seria impossível, minha querida. – respondeu convencido, pegando avental.
Draco era terrivelmente desajeitado com as panelas, mas era habilidoso com facas – picar tomate e queijo em pequenos cubinhos foi até divertido, mas as cebolas foram um capítulo à parte.
- Você vai chorar um bocado se não mergulhar as cebolas na água antes de cortá-las. – avisou Hermione.
- Eu não choro nunca – falou partindo as cebolas.
- Com cebola, eu garanto que você chora... – disse Hermione segurando o riso, ao perceber que os olhos cinzas começavam a ficar avermelhados. – Mas vou fingir que não tô vendo seus olhos vermelhos e deixar que você mantenha sua pose de machão, ok?
- Eu não estou chorando. – respondeu zangado.
- Claro que não. – falou a menina de costas para Draco, que a essa altura tinha lágrimas escorrendo pelo rosto, mas não se dava por vencido.
Hermione havia cozinhado uma enorme panela de macarrão e agora preparava o molho enquanto conversava sobre os mais variados assuntos com Draco. Ele havia se mostrado inteligente, culto e até engraçado... "Ele não lembra em nada o garoto metido de Hogwarts, definitivamente não é a mesma pessoa" – pensava.
- Ok! Acho que tá pronto... – disse Hermione orgulhosa de si mesma.
- Que cheiro bom! – elogiou enquanto enchia uma colher para experimentar o molho.
- Nem pense em fazer isso! – repreendeu a castanha tomando a colher da mão do garoto. – Você não vai provar agora!– falou autoritária.
- Ah! Deixa de ser chata! Qual é o problema? – reclamou.
- Você precisa exercitar a virtude da paciência senhor Malfoy! – respondeu, enquanto alternava camadas de macarrão, queijo e molho num recipiente, montando um lindo prato.
Draco observava cada movimento de Hermione pensando o quanto era habilidosa e delicada. Não se lembrava da última vez que tinha passado horas tão agradáveis. Nunca imaginou que cozinhar podia ser divertido, e certamente não era, mas ela fazia com que parecesse divertido e isso o encantava.
Antes de colocar o prato no forno, Hermione pegou uma colher limpa e encheu com o que havia restado do molho; Se aproximou de Draco como se ele fosse uma criança, e levou a colher até a boca do garoto.
- Hum... O que está fazendo? – perguntou com a boca cheia.
- Tô matando a sua vontade, oras! – falou achando graça da cara de surpresa do rapaz. – E aí? Tá bom, mesmo?
-T-tá – gaguejou.
- Ótimo! Vou tomar um banho e volto a tempo de tirar a lasanha do forno – falou já se retirando.
Ela saiu pela porta, deixando para trás um rapaz completamente atônito e com o coração descompassado. Ele nunca havia sentido nada parecido na vida, mas também nunca tinha tido uma amiga – tentava justificar, embora algo lhe dissesse que o que sentia nada tinha a ver com sentimentos de amigo. Não adiantava tentar se enganar, ele a queria.
Após algum tempo Hermione, estava sentada em uma das almofadas da sala, lendo um pesado livro, quando viu os amigos entrarem animados pela porta.
- Oi, Mi! Tudo bem por aqui? – perguntou Tonks um pouco preocupada.
- Está tudo na mais perfeita ordem, Tonks! O almoço está quase pronto! – respondeu séria, sob o atento olhar de Harry que parecia verificar se a amiga não tinha ferimentos e hematomas pelo corpo.
- Que bom! Tô morrendo de fome! – falou Rony.
- E o Malfoy? – perguntou Harry estressado.
- Acho que deve estar tomando banho – respondeu tranqüila.
Observando a indecifrável expressão de Hermione, Gina puxou Luna para um canto e constatou que o plano havia falhado.
- Ela continua séria... Acho que não funcionou! – lamentou a ruiva.
- Pois eu tenho certeza que funcionou melhor do que a gente queria! – disse Luna suspirando.
- Como assim? Não entendi? – estranhou Gina.
- Olha só para ela. Tá mais bonita, olhos brilhando, se arrumou mais.... Não percebeu? – perguntou a loirinha como se fosse óbvio.
- È claro! Luna, você é um gênio! – respondeu a ruiva animada.
A verdade é que Luna, com sua sensibilidade, havia percebido uma coisa que nem a própria Hermione havia notado: a felicidade que sentiu durante o tempo que passou com Draco se refletiu nas suas feições e em suas escolhas. Havia escolhido seu vestido preferido, usava brincos delicados em tons de azul que combinavam perfeitamente com a estampa da roupa, segurava seu livro preferido "Hogwarts: Uma História", estava mais bonita e sem sinais de preocupações ou cansaço.
Gina e Luna pediram que os garotos subissem e se arrumassem primeiro com a desculpa de ajudar Hermione com o almoço e correram em direção à amiga exigindo saber todos os detalhes do que tinha se passado naquela manhã. As duas haviam imaginado mil possibilidades, que variavam desde tentativa de homicídio até um amasso quente, e já não se agüentavam de curiosidade para saber o que realmente havia acontecido entre Draco e Hermione.
-Vamos! Conte tudo agora! – falou Gina se jogando nas almofadas ao lado da amiga.
- Tudo o quê, Virginia?- Hermione se fez de desentendida.
- Ele te beijou? – perguntou Luna sem nenhuma cerimônia.
- Quem me beijaria, Luna? O que deu em vocês? – repreendeu a castanha.
- Não adianta, Mione! Você não vai conseguir se safar! Beijou ou não beijou? Pode começar a contar, senão a gente sobe e pergunta pro Malfoy. – ameaçou a Gina, quando foi interrompida pelo próprio que descia as escadas.
- Me perguntar o que, Weasley? – quis saber o sonserino, intrigado com a cena.
Silêncio.
- O que foi? Ficaram mudas? Já entendi, tô atrapalhando, pode deixar... – continuou o loiro fazendo menção de se retirar.
- Não, pode ficar! Aliás, a Gina quer mesmo te perguntar uma coisa. – falou Hermione séria.
- Não pense que eu não teria coragem, Mi – ameaçou a ruiva.
- Pois vá em frente! – rebateu a castanha.
- Alguém quer me explicar o que está acontecendo aqui? – perguntou Draco que a essa altura já não entendia nada.
O clima era tenso; Gina e Hermione se encaravam sérias sem piscar. Draco estava ficando nervoso, parecia que elas iam se pegar a qualquer momento, até que Luna começou a rir, seguida por Hermione e Gina.
- O que é tão engraçado? – perguntou Harry que se aproximava do grupo.
- Também queria saber, Potter! – falou Draco chateado.
- Já chega! Se arrumem depressa porque eu já vou servir o almoço e as senhoritas não vão querer comer lasanha fria! – disse Hermione ainda sorrindo.
- Sim, senhora! – brincou Gina, correndo em direção as escadas junto com Luna.
O almoço foi realmente um sucesso. Além de todos terem adorado a comida, o clima estava alegre, todos conversavam e riam o tempo todo. Mas quando terminaram, uma nuvem pareceu tentar encobrir o sol que tinha voltado a brilhar com força máxima.
- Hei, Mi, onde você vai? – perguntou Rony ao ver a amiga subir as escadas.
- Vou continuar minha pesquisa. – falou naturalmente, seguindo em direção ao seu quarto.
- Não senhora, hoje você vai sair com a gente! Vamos até o laguinho, vai ser ótimo! – pediu Tonks.
- Desculpa, Tonks, mas não tive tempo de ler nada pela manhã e tenho muito trabalho. – falou decidida, entrando no quarto.
- Eu não acredito! – dizia Gina chateada.
- Deixa que eu resolvo isso! – falou Draco indo entrando sem bater no quarto de Hermione e fechando a porta, sob o olhar incrédulo do resto do grupo.
Hermione estava deitada na cama, rodeada por livros, quando viu Draco entrar no seu quarto e fechar a porta. Ele tinha uma expressão decida no rosto, que denunciava que não sairia dali antes de conseguir o que desejava.
- Não é educado entrar no quarto de uma dama sem pedir permissão... – começou Hermione.
- Quero que se arrume e venha a praia comigo – falou o loiro num tom sério, fazendo com que a garota largasse o livro e o olhasse surpresa.
- Sabe, por um momento pensei que você estava tentando me dar uma ordem... – alfinetou.
- Não é uma ordem, Hermione, é um pedido; Será que você poderia baixar as armas só por alguns minutos? – falou enquanto se sentava na cama ao lado da menina.
- Tenho muita coisa para estudar, não posso. – tentou se manter firme, mas tremeu quando viu o rapaz se aproximar mais, segurar a sua mão e pedir de uma maneira completamente irrecusável:
- Venha comigo, só hoje... Eu prometo que vai valer à pena. – falou com a voz rouca.
Como olhar dentro daqueles olhos e dizer não? Ela não sabia por que mais não conseguia negar... Fechou os olhos para em seguida abri-los novamente e dizer derrotada:
- Está bem! – e receber o sorriso mais lindo do mundo em agradecimento.
Draco desceu as escadas sozinho, atraindo a atenção de todos que estavam na sala e aguardavam por Hermione.
- Tá vendo! Eu disse que não tinha nada a ver o Malfoy ir falar com a Mione! Ela nunca daria ouvidos a ele – falou Rony nervoso.
- Que mal tinha nele tentar, Rony? – repreendia Gina.
Todos falavam ao mesmo tempo, mas Luna entendeu que o silêncio de Draco queria dizer algo e sorriu para o rapaz que devolveu o sorriso, confirmando a suspeita da garota. Em alguns minutos Hermione descia as escadas com roupas de praia, surpreendendo a quase todos.
A menina caminhava pela areia conversando com Tonks, que contava da época que vinha passar o verão naquela praia, sem perceber o olhar possessivo de um certo sonserino. Usava o mesmo biquíni verde do primeiro dia, dessa vez, coberto apenas por uma mini-saia branca; Os cabelos soltos balançavam ao sabor do vento e seu sorriso parecia iluminar tudo. "Como pude não notá-la antes?" – Draco se perguntava.
Harry e Gina seguiam de mãos dadas, um pouco mais afastados do restante do grupo; Ambos estavam agradecidos por terem ganho uma tarde longe da vigilância de Rony. Durante os dias que se passaram, o casalzinho estava sempre tentando encontrar formas de ficar sozinho, mas na maioria das vezes, não haviam tido êxito. Mas o plano para reaproximar Hermione de Draco tinha criado a chance ideal também para eles.
O trecho de pedras não trazia boas recordações para Hermione, que parecia reunir coragem para iniciar a travessia, quando Draco tomou sua mão dizendo: "Eu não vou deixar que você se machuque hoje" e em seguida a conduziu até as dunas.
Tonks estava radiante em poder rever aquele lugar que lhe trazia tantas recordações felizes; Chamou Gina e Hermione, fazendo questão de mostrar as meninas todos os segredos do lugar, enquanto Draco e Harry pareciam ter sua primeira conversa verdadeiramente amigável, que Hermione observava de longe.
Após algumas horas divertidas a beira das águas da piscina natural, Tonks decidiu retornar para casa de praia, lembrando que havia combinado um encontro com um dos membros da Ordem para se informar dos últimos acontecimentos e que retornaria a tempo do jantar.
Hermione como sempre, se ofereceu para acompanhar a amiga que recusou educadamente, alegando conhecer o caminho melhor do que ninguém. E dando-se por vencida, a castanha decidiu dar um último mergulho e aproveitar mais um pouco.
Era a deixa que Draco estava esperando, agora poderia tê-la só para si, já que Harry e Gina estavam completamente entretidos no píer e não poderiam ver o que se passava daquele lado da pequena lagoa. Sem pensar duas vezes mergulhou indo de encontro a Hermione.
Eu!
Prisioneiro
meu, descobri no brêu uma constelação...
Céus! Conheci os céus
pelos olhos seus, véu de contemplação...
- Hei, você me assustou! – repreendeu a menina ao vê-lo surgir ao seu lado.
- Não foi minha intenção – se desculpou.
Deus!
Condenado eu fui a forjar o amor no
aço do rancor
E a transpor as leis mesquinhas dos mortais...
Vou!
Entre a redenção e o esplendor de por você viver...
Sim! Quis
sair de mim, esquecer quem sou e respirar por ti
E assim transpor
as leis mesquinhas dos mortais...
Hermione não respondeu, apenas sorriu. O que o incentivou a puxá-la pela cintura, trazendo a garota para junto de seu corpo. Olhavam-se nos olhos, corações disparados e novamente estavam tão próximos que as bocas poderiam se encontrar a qualquer momento... Mas algo dizia a Draco que ainda não era o momento e decidido a não dar novos motivos para que ela se afastasse dele, o sonserino abriu um grande sorriso e mergulhou, levando a garota consigo para o fundo do lago. Porém, quando voltaram à superfície, ela estava quase sem ar e o abraçava sem forças para continuar a nadar.
- Hermione, você está bem? – perguntou visivelmente preocupado, e não obtendo resposta começou a ficar nervoso. – Hermione fala comigo!
Nesse momento a menina tossiu um pouco e respirou pesadamente, encostando a cabeça no ombro do rapaz, enquanto se recuperava lentamente.
- Não sei o que houve, o ar me faltou! – falou com dificuldade.
- Me desculpe, foi uma brincadeira idiota! Não devia ter feito! –repreendeu-se.
-Eu estou bem, não precisa se preocupar! Eu só preciso descansar; Vou para casa! – disse enquanto se soltava do abraço e saia da água sem olhar para trás, deixando Draco desconcertado.
- Hei, eu vou com você! – disse alcançando a garota.
Agoniza
virgem Fênix, o
amor!
Entre cinzas arco-íris esplendor! Por viver às juras de
satisfazer o ego mortal...
Após se despedirem de Harry e Gina, Draco e Hermione começaram a percorrer em silêncio o caminho de volta. Ambos perdiam-se em pensamentos sobre o que tinha se passado. Draco sentia-se culpado, acreditando que tinha machucado a garota; Hermione, por sua vez, não conseguia entender o que estava sentindo, era uma enorme decepção... O mundo parecia ter parado no momento em que ele a abraçou e a trouxe para perto de si, mas se desmanchou por completo quando ela percebeu que ele hesitava e tinha desistido do que pretendia. "Por que ele não me beijou?"
Coisa
pequenina,
centelha divina renasceu das cinzas onde foi ruína
Pássaro
ferido, hoje é paraíso...
A verdade é que depois dos últimos seis anos que tinha vivido em Hogwarts, Hermione via a resposta para essa pergunta de forma óbvia, bastava lembrar a forma como ele sempre se referiu a ela: "Sangue-Ruim". Era difícil, mas precisava admitir, ele precisava de alguém para conversar e que pudesse ajudá-lo a conviver bem com o resto do grupo, e somente para isso ela servia. Não podia esperar afeto ou qualquer outro sentimento da parte dele.
- Hermione... – disse o rapaz se colocando a frente da menina e levantando delicadamente seu rosto para que pudesse olhá-la nos olhos. – Isso não é verdade! Sei que te dei motivos para pensar assim, mas quero que saiba eu não sou mais a mesma pessoa. Eu estou arrependido de verdade e preciso que você acredite em mim...
- Eu não acredito que você invadiu minha mente! Você não tinha esse direito! Amigos não se comportam assim, sabia? – se descontrolou a garota ao perceber o que havia acontecido.
- Não fique assim...Você parou de falar comigo e eu estava preocupado, quando percebi, já estava lendo seus pensamentos....Me desculpe! – falou sincero.
- Não desculpo! Isso foi traição! – esbravejou e em seguida correu para longe do garoto, que prontamente a seguiu e a alcançou, fazendo com que caíssem sentados na areia molhada pelo mar.
- Tudo bem, admito que não devia ter feito, mas pensando bem não me arrependo... – falou decidido, deixando a menina ainda mais nervosa. – Não me arrependo, por que assim posso de provar que está enganada! Você ficou do meu lado no pior momento da minha vida, se preocupou comigo quando só tinha motivos para me odiar e ainda me deu esperanças... E embora eu não tenha dito antes, quero te dizer agora que senti sua falta e odiei não ter você por perto nos últimos dias... – falou abraçando a menina.
Luz
da minha vida, pedra
de alquimia
Tudo o que eu queria, renascer das cinzas...
Hermione não sabia o que pensar; Sentia o coração bater mais forte e mais fraco ao mesmo tempo. Aquilo não podia ser real, devia ser mais um de seus sonhos... Sentiu uma lágrima escapar e correr pelo seu rosto.
- Diga alguma coisa, por favor... – pediu o rapaz com a voz doce, enquanto segurava sua mão.
- Também senti sua falta! – foi tudo o que conseguiu dizer.
Novamente ela via o sorriso mais lindo do mundo aparecer na face de Draco, antes que ele se aproximasse e tocasse seus lábios de uma forma doce e delicada, rapidamente se afastando e a olhando novamente nos olhos, antes de voltar beijá-la, mas desta vez, sem nenhuma gentileza.
E
eu! Quando o frio vem nos
aquecer o coração
Quando a noite faz nascer a luz da escuridão
E
a dor revela a mais esplêndida emoção... O amor!
Ele a segurava firme pela cintura, mantendo a garota junto ao seu corpo e a beijava de forma intensa, como desejava fazer a vários dias. Nunca havia se sentido daquela maneira... Sentia-se completo e pela primeira vez em sua vida, tudo fazia sentido. As ondas começavam a bater em suas penas, mas não se importava; Estava no céu e nada o tiraria dali.
Quando
o frio vem nos aquecer o coração
Quando a noite faz nascer a luz
da escuridão
E a dor revela a mais esplêndida emoção... O
amor!
........N/A......
Agradecimentos especialíssimos para Lara e Márcia, que com suas palavras, elogios e críticas me incentivam a continuar. Beijos, meninas!
