Cap. XI – Favores e Vingança

O sol brilhava intensamente, iluminando o dia e revelando cada pedaço da bela paisagem da fazenda. Las Nubens era realmente magnífica; E esse foi o primeiro pensamento de Hermione Granger ao abrir a janela de seu quarto de se deparar com a imensidão verde do campo, estrategicamente decorado com flores coloridas e animais pastando ao longe.

- Este certamente será um dia maravilhoso! – pensou a menina feliz, ignorando o cansaço do seu corpo que pedia por mais horas de sono depois de se manter acordado durante a maior parte da noite.

A noite anterior tinha sido inacreditável por mil motivos, mas quando fechava os olhos, tudo o que a garota conseguia era pensar em um certo rapaz loiro se aproximando devagar e dizendo baixinho em seu ouvido: "- Estou apaixonado por você e não ligo a mínima em dizer isso na frente desses perdedores, mas hoje gostaria de ouvir o que você tem a dizer para mim!".

Se alguém lhe perguntasse o que aconteceu depois ela provavelmente não saberia responder. A verdade, é que para alguém que sempre foi tão reservada como ela, a idéia de se sentar ao piano e cantar uma canção de amor diante de outras pessoas já seria por demais absurda; E se imaginar que ela o fez mantendo seus olhos fixos em um par de olhos azuis e sem deixar nenhuma dúvida de quem era o destinatário de tal mensagem, então ela concluiria que havia perdido qualquer traço de sanidade, de modo que preferia pensar que toda a noite anterior havia sido um sonho.

Foi uma boa tentativa, porém rapidamente descartada com um simples toque. Hermione passou a mão pelo pescoço e foi de encontro a um lindo coração de cristal que parecia ter adquirido uma coloração rosada naquela manhã.

- Oh! Merlim! O que foi que eu fiz? – perguntou a si mesma sentindo uma enorme vergonha tomar conta de seu ser. – Como poderei olhar para ele agora?

Mil pensamentos giravam na cabeça da garota, quando a porta do quarto foi subitamente aberta, fazendo com que a pele da menina se tornasse extremamente pálida pelo susto.

- Nossa! Que cara é essa, Mi? – perguntou Gina preocupada com a expressão da amiga que não se movia.

- Eu acho que ela não está se sentindo bem. – concluiu Luna guiando Hermione de volta para a cama e a fazendo sentar.

- Gina! Luna! Vocês precisam me contar o que aconteceu ontem? – perguntou Hermione assustada.

- Como assim? Você tá dizendo que não se lembra? – perguntou Gina ainda mais preocupada.

- Lembro, quer dizer não! Não de tudo! – falou a castanha um tanto confusa.

- Nos vencemos o jogo e agora temos vassalos ao nosso dispor! – respondeu Gina sorrindo maliciosamente.

- Não, Gi! Ela deve estar querendo saber da parte em que ela ganhou um namorado lindo, loiro e apaixonado! – disse Luna achando graça.

- Tá doida, Luna! Ela pode ter se esquecido de tudo, menos dessa parte, eu garanto! – respondeu Gina fazendo com que Hermione entrasse em transe.

Ela estava sentada ao piano e tentava escolher a canção certa, que dissesse algo que ela queria lhe dizer, mas não era fácil... Pensou em desistir, mas olhou nos olhos dele e entendeu que havia chegado à hora de responder a todas as coisas que ele havia lhe dito naquele dia, respirou fundo e tocou a única canção que seria capaz de falar por ela, a mesma canção que fez com que percebesse que estava apaixonada.

Ele a olhava hipnotizado, cada nota e cada palavra o faziam transbordar de alegria e ele nem mesmo conseguia entender porque sentia algo tão forte. Não se lembrava de quantas vezes garotas histéricas tinham tentado comovê-lo com declarações melosas ou lágrimas, mas ele nunca havia conseguido sentir nada além de pena. Por que com ela tudo era tão diferente? Tão intenso?

Já não havia ninguém ali... O mundo se resumia a ele e a ela. Enquanto ela cantava, ele caminhava em sua direção e acabou por sentar-se ao seu lado no banco do piano. Para ele, ela era um anjo que havia chegado a sua vida para fazê-lo renascer, depois de ter chegado tão próximo ao inferno e não havia como não se comover com seu olhar, seus gestos ou suas palavras. Após a última nota, ela baixou a cabeça envergonhada e ele imediatamente segurou uma de suas mãos e fez com que a menina o encarasse, beijando-lhe em seguida sem nenhum aviso.

Observando toda a cena de camarote, Luna e Gina vibravam de alegria, enquanto seus respectivos namorados olhavam tudo com o mais profundo desgosto, embora soubessem que aquela altura, já não havia o que pudesse ser feito para reverter à situação. Oportunamente, as garotas decidiram que Draco e Hermione precisavam de um pouco de privacidade e saíram de fininho, arrastando Harry e Rony.

Agora tudo estava no mais completo silêncio e na mais perfeita harmonia, até que Hermione se separou de Draco buscando ar. Se encaram novamente por alguns segundos, antes que o rapaz a puxasse para si novamente, mas não para um novo beijo e sim para um abraço. "Como era bom abraçá-la!" – pensava o loiro quando teve seus pensamentos interrompidos...

- Confesse! Você fez tudo de propósito novamente! – falou Hermione com um tom autoritário.

- Não sei do que está falando! – respondeu o loiro se fazendo de desentendido e se aproximando para um novo beijo, que não aconteceu porque a menina desviou rapidamente.

- Você perdeu o jogo e despertou novamente a fúria dos garotos de propósito! – afirmou a castanha enquanto se esquivava.

- Eu não gosto de perder e não perdi nada hoje, pelo contrário eu ganhei o melhor prêmio de todos: ganhei você! – falou Draco, beijando Hermione de forma intensa e possessiva, sem dar nenhuma chance de resposta.

A partir daquele momento as lembranças se reduziam aos beijos e ao perfume capazes de lhe deixar completamente tonta e de todo o trabalho que teve para conseguir entrar em seu quarto, já que nenhum dos dois queria se despedir. O pensamento lhe veio a mente, fazendo com que sorrisse involuntariamente.

- Viu como dessa parte ela se lembra, Luna! – disse Gina jogando um travesseiro na amiga e começando uma bagunça no quarto.

Era possível ouvir os risos de longe. Mas Harry e Rony não tinham motivos para sorrir. Passaram pelo corredor emburrados, ignorando Draco completamente. Teriam um longo dia pela frente...

Lupe havia preparado uma maravilhosa mesa de café da manhã e já estava sentada na companhia de Moody, com quem conversava alegremente, quando um a um os rapazes desceram e começaram a se servir em silêncio e extremamente sérios.

- E então? Estão animados para o dia de hoje? Pensei que poderiam fazer um passeio pela fazenda com Alastor... – falou Lupe com sua simpatia habitual.

- Seria ótimo, Lupe! – respondeu Harry desanimado.

- Mas o que aconteceu? Por que estão com essas caras? – perguntou Moody estranhando a postura dos rapazes.

- Não aconteceu nada, não. – respondeu Rony tentando disfarçar.

- Não digam que se tudo isso es porque non conseguiram derrotar las niñas no juego de prendas! – disse Lupe sorrindo!

- É! Mas só perdemos por causa desse aí! – falou Rony fulminando Draco com o olhar, que tomava seu café sem se importar com os olhares raivosos dos rapazes.

- Espera aí! Como sabe do jogo, Lupe? – perguntou Harry curioso.

- Ora, la chica de cabelos vermelhos me contou tudo cuando me devolveu mi xale, hoy bem cedo! – respondeu a senhora sorridente.

- Eu não acredito! Ela pediu o xale emprestado e você emprestou, fácil assim! – dizia Harry chateado.

- Si, por que não devia hacê-lo? – Lupe agora estava confusa.

- Não se preocupe Lupe! Esses dois bobões só estão assim porque teremos que passar o dia à disposição das meninas... Como se isso pudesse ser uma coisa ruim! – falou Draco desdenhando da angústia dos outros.

- Hahahaha! Como se pudesse ser uma coisa ruim? Você não sabe de nada Malfoy! Fique sabendo que eu não me darei ao trabalho de me vingar de você agora porque depois de hoje não valerá mais a pena! Fique sabendo que você tá com a mais diabólica de todas e antes do fim do dia já vai estar completamente acabado! – disse Rony num tom ameaçador que não agradou ao sonserino.

- É isso aí! Espera para ver o que sua doce princesa vai aprontar com você e depois conta pra gente, valeu? – disse Harry com a segurança de quem já havia sobrevivido para contar a história.

Quase como se adivinhassem, as meninas chegaram à mesa tomadas por uma alegria quase que contagiante. Distribuíam beijos e sorrisos, até para Moody, que por alguns segundos ficou completamente encabulado com o carinho inesperado das alunas.

- Ah! Lupe! Que mesa linda! – elogiou Hermione, recebendo um sorriso em agradecimento.

Sentaram-se de modo que cada uma permanecesse ao lado de seu respectivo vassalo e imediatamente começaram a desfrutar de seu poder.

- Ronald, querido... Creio que esqueci meu prendedor de cabelo em cima da penteadeira do meu quarto, poderia pegar para mim? – pedia Luna com falsa inocência interrompendo Rony no exato momento que este daria a primeira mordida no seu sanduíche de presunto.

- Já começou! – resmungou Rony se levantando da mesa e indo em direção as escadas, fazendo com que todos rissem.

- Nossa, Harry! Essa maçã parece realmente deliciosa... –começou Gina.

- Quer que eu pegue uma maçã pra você? – perguntou Harry tentando se antecipar ao capricho da namorada.

- Não precisa, amor! Ficarei com essa mesmo! – disse a ruiva tomando a fruta da mão do moreno e dando uma mordida.

Hermione permanecia em silêncio, pareceria distraída a qualquer pessoa que lhe observasse, mas Draco sabia que ela estava tramando algo e neste momento a palavra "diabólica" ainda ecoava em sua mente. Mas ao mesmo tempo, não acreditava que sua Hermione fosse chateá-lo justo no primeiro dia de namoro. "Não, ela não faria nada demais... Pediria dois ou três favores e pronto. Não havia porque entrar na pilha dos bobalhões." – pensava Draco quando seus pensamentos foram quebrados pela voz de Hermione.

- Oi, tudo bem com você? Parece distante... – perguntou a garota com a voz doce, fazendo com que Draco relaxasse e realmente acreditasse que não havia motivos para se preocupar.

- Tá tudo ótimo! Quer alguma coisa? Porque hoje estou aqui para servi-la. – disse o rapaz com segurança, tentando agradar a garota.

- Bom já que você perguntou... Eu queria tomar café, pode preparar para mim? – falou naturalmente sem notar a expressão de pânico no rosto do rapaz.

- Preparar? – Draco perguntava numa tentativa de ter escutado errado. "Por que não fica com minha fatia de torta ou me pede para ir buscar algo?" – pensava injuriado com a dificuldade de seu teste.

- Preparar, sim. Será que não é observador senhor Malfoy? – desafiou Hermione.

Draco sabia que não podia falhar ou Potter e Wesley nunca mais o deixariam em paz, depois de ter passado o tempo inteiro dizendo que seria fácil e acusando os dois de medrosos. Além disso, Hermione havia lhe pedido uma coisa que ela mesma já havia feito para ele... Seria frustrante se não conseguisse!

Lembrava-se perfeitamente daquela manhã em Nova Délhi, ainda estavam meio brigados, mas ela preparou seu café: "Acabei de fazer biscoitos... Que tomar seu café da manhã agora? – perguntou gentil, já se dirigindo a cozinha e servindo o café exatamente como ele costumava tomar, junto a um prato com biscoitos. Depois disso, ela voltou ao sofá e começou a ler um pesado livro entre um gole e outro de chá."

"Chá! È isso! Ela está me pedindo chá, porque na verdade, ela nunca toma café. Falou só para tentar me confundir, mas não conseguiu!" – pensava o sonserino enquanto abria um sorriso vitorioso, se vangloriando internamente de sua inteligência.

- E você quer o chá puro ou com torradas esta manhã? – perguntou o loiro estendendo uma xícara de chá fumegante para a garota.

- Só o chá, obrigada! – respondeu Hermione satisfeita em saber que ele realmente prestava atenção nela.

Após o café da manhã, o que se via era uma correria sem fim dos garotos tentando satisfazer os desejos de suas senhoras: massagens nos pés, cafuné, arrumação de armário, gelo para refrescar, frutas entregues na boca... Draco continuava fingindo não se incomodar com os pedidos de Hermione, embora internamente estivesse a ponto de explodir, gritando que não era um elfo doméstico. O dia permaneceu neste mesmo ritmo, até que as meninas decidiram que deveriam aceitar a sugestão de Lupe e acompanhar Moody num passeio pela fazenda, causando um certo alívio nos rapazes que imaginaram que teriam uma folga.

Mas é claro que as garotas não perderiam a oportunidade e explorar ainda mais seus pobres vassalos. Logo de início, Gina fez Harry carregar uma enorme bolsa colorida que nos pensamentos dele devia pesar no mínimo uns 20 quilos.

- Por Merlim, Gina! O que você colocou aqui dentro? – reclamava Harry carregando a bolsa pelo pomar.

- Nada, querido! São só alguns itens de necessidade básica! – respondeu a ruiva sorrindo.

Rony e Luna caminhavam mais a frente, acompanhados por Moody. Luna não tinha a mesma criatividade, ou seria mais correto dizer, a mesma maldade, de Hermione e Gina para pensar em tarefas para Rony... Então seu plano era dar uma canseira no rapaz. A cada cinco segundos, a loirinha esquecia ou perdia algo, que o namorado era obrigado a recuperar e ele já estava ficando realmente furioso, quando ela novamente solicitou "um favor".

- Rony! Eu tô cansada! Será que você poderia pedir a Moody para pararmos um pouco para descansar, na sombra daquela árvore? – pediu a garota.

Ao ouvir Luna pronunciar seu nome, Rony imediatamente sentia um forte impulso de sair correndo antes que a garota pedisse que ele fosse buscar mais alguma coisa. Somente naquela manhã já tinha lhe entregado três prendedores de cabelos, dois pares de brincos, pena, pergaminho e incontáveis copos de água ou suco. Definitivamente não estava disposto a procurar por mais nada e por isso mal pode acreditar quando a namorada pediu que descansassem. Falou com Moody, que mesmo sem gostar da idéia, acabou concordando, tamanha a insistência do rapaz.

Aos poucos o grupo se dirigiu à sombra de uma enorme goiabeira e foram se acomodando. Rony se atirou na grama úmida agradecendo por ganhar alguns minutos de paz. Harry imitou o gesto do amigo satisfeito por se livrar do peso da bolsa de Gina. Hermione e Draco foram os últimos a se aproximar e percebendo que o sonserino observava com algum receio a grama molhada pela chuva da noite anterior, a grifinória não hesitou.

- Eu estou cansada, queria me sentar um pouco... – falou meiga.

- Tudo bem! – respondeu Draco.

- Mas se eu sentar na grama molhada vou sujar meu vestido! Me empresta sua camisa? – falou a moça com uma voz quase infantil!

- Minha camisa? Você quer que eu tire minha camisa para você forrar a grama molhada? Sabe quanto custa uma camisa como essa? – falou indignado, provocando a fúria de Hermione.

- È isso mesmo! Quero a camisa e quero agora! – afirmou a castanha com segurança.

Draco estava furioso; Tentou protestar, mas ele havia prometido e não podia voltar atrás em sua palavra. Arrancou a camisa branca com raiva e a entregou a Hermione, que conforme havia prometido a usou para forrar a grama. Rony e Harry olhavam a cena de longe com um inegável ar de satisfação.

O tempo passou depressa para as meninas que se divertiam com cada detalhe da paisagem e das histórias que Moody contava sobre seus dias de juventude na companhia de seu amigo Richard. Para os meninos aquele havia sido o dia mais longo de suas vidas, sempre tendo que se desdobrar para satisfazer a vontade das princesas.

Retornaram para casa já no fim da tarde. Rony acabado por ter passado o dia inteiro correndo buscando coisas para Luna; Harry por ter carregado a pesada bolsa de Gina, que só depois de muito tempo ele descobriu que continha o almoço do grupo, junto com pratos, talheres e os demais itens de necessidade básica da namorada; E Draco com sua camisa de grife completamente destruída, além de ter sua pele num tom avermelhado após ter sido extremamente castigada pelo sol. Além disso, os três rapazes tinham arranhões por terem colhido rosas, que depois as meninas ofereceram a Lupe.

Lupe aguardava ansiosa o retorno de seus convidados, quando foi surpreendida pelo estado em que os rapazes retornaram. A mulher examinava um a um dos garotos assustando-se com o aspecto deles.

- Dios mio! O que aconteceu com los niños, Alastor! – perguntou preocupada enquanto observava os garotos se dirigirem a seus quartos.

- Não se preocupe, Lupe! Essas pequenas aprendizes de Morgana se excederam só um pouquinho em seus desejos, não foi meninas? – perguntava Moody se divertindo com as garotas que apenas riam.

- Bien, vou mandar servir o jantar dentro de quarenta minutos, então subam e se arrumem! – disse a senhora, sendo prontamente atendida.

Quando ficou sozinha com Moody, Lupe fechou a cara e repreendeu o amigo por ter permitido que a brincadeira chegasse tão longe.

- Non! Non foi engraçado! – ralhou Lupe, fazendo com que Moody parasse de rir. – Pobres niños!

- Não exagere Guadalupe, eles estão ótimos! Eles são jovens e estão se preparando para enfrentar coisas muito piores! Foi só uma brincadeira, um pouco cruel, mas ainda assim só uma brincadeira. – afirmou Moody.

- Posso não ser bruxa, Alastor, mas soy mujer... Y sei que non se deve incitar la crueldade de una mujer nem mesmo por brincadeira. Ellas devem se redimir e pedir perdão, para que aprendam que no hay diversion na humilhação de outro. – respondeu decidida.

- Mas se é esse o problema, lhe garanto que não há motivo para preocupação. Estou certo de que os rapazes saberão colocar as bruxinhas em seus devidos lugares! – disse Moody prevendo o que viria.

Draco tinha acabado de tomar banho e estava jogado na cama de qualquer jeito sentindo o incômodo da pele que ardia, tão exausto que não tinha a menor pretensão de se mover até o dia seguinte, quando ouviu sua porta se abrir num estrondo e Harry e Rony adentrarem seu quarto como quem entrava numa arena de luta.

- Potter! Weasley! O que vocês querem aqui? – perguntou o loiro visivelmente surpreso com a visita inesperada.

- Você sabia que a Luna tem mais de vinte pares de brinco! Vinte! E como eu ia adivinhar que ela queria justo os brincos azuis, hein? – perguntava Rony alterado.

- O que ele tá falando? – perguntou Draco sem entender.

- Ele tá falando de vingança, Malfoy! Aliás eu também quero! E você, vem com a gente? - perguntou Harry surpreendendo o sonserino.

Draco parou alguns minutos, pensando cautelosamente se devia se participar dessa vingança... Podia ser apenas um plano dos dois para o afastarem de Hermione, mas por outro lado não perderia nada em ouvir o que tinham a dizer.

- Então, o que vocês têm em mente? – perguntou o rapaz interessado.

- Certo. A idéia é simples... – Harry explicou todo o plano e acabou convencendo Draco a participar, visto que a ação seria executada conjuntamente e que não haveria riscos.

Enquanto isso do outro lado do corredor, no quarto de Luna, acontecia uma reunião semelhante, mas num clima bem mais divertido.

- Vocês viram a cara do Rony quando eu disse que tinha que ser os brincos azuis? – dizia Luna sorrindo.

- O coitado já tinha te trazido três pares! Mas e o Harry arrastando aquela bolsa pesada, tadinho... Eu fiquei com pena! – dizia Gina.

- Eu também fiquei! - concordava Hermione.

- Espera! A senhora Eu-sou-a-garota-mais-diábolica-do-mundo ficou com pena do Harry? Corta essa! Eu que fiquei com pena do Draco! – rebateu Gina.

- Foi hilária a cara que ele fez quando você pediu a camisa dele, Mi! – disse Luna sorrindo. -Acho que ele deve ter pensado que a camisa dele valia dez vestidos!

- Ah! É verdade! E o bom é que ele nem desconfia que eu não tava ligando a mínima para o vestido! – a menina confessou sorrindo.

- E então, o que faremos para que eles nos perdoem e voltem a nos amar? – perguntou Luna.

- Bom... acho que podemos mimá-los um pouco e retribuir alguns dos favores que recebemos hoje. – começou Hermione.

- Certo! Podíamos começar fazendo um café da manhã especial com tudo o que eles gostam e depois uma dose extra de carinho e mimos deverão resolver tudo. – concluiu Gina.

- Ok! Então que se invertam os papéis! – declarou Luna, antes de descer junto com as amigas para jantar.

O jantar transcorreu na mais perfeita paz, embora os meninos ainda estivessem meio desconfiados da postura das garotas, que já não pediam nada. Após a sobremesa Lupe convidou a todos para se reunirem na sala, mas os garotos recusaram alegando cansaço.

Subiram as escadas em direção a seus quartos, mas nenhum dormia. Estavam esperando que todos se recolhessem e que todas as luzes fossem apagadas, o que não demorou muito a acontecer. Uma vez que o silêncio tomou conta do local, saíram de seus quartos e se encontraram no corredor escuro.

- Tudo bem! Rony você tranca todos os banheiros; Malfoy você enche a tina que fica no pátio interna com água gelada e eu vou pegar a pimenta e trancar a cozinha e depois nos encontramos aqui! – definiu Harry, entregando uma pena para cada um de seus comparsas.

Imediatamente cada um saiu correndo para cumprir sua tarefa. Em poucos minutos, estavam novamente reunidos no corredor escuro, mas desta vez cada um ao lado da porta do quarto de sua respectiva senhora e munidos dos seus instrumentos de vingança. Rony utilizava um enorme barbante para prender as maçanetas das portas e caminhava depressa arrastando o início da peça até mais ou menos a metade das escadas. Era a forma que tinham encontrado para ganhar tempo e não perder o melhor da festa.

Uma vez que tudo havia sido preparado, era chegada a hora da vingança. Draco entrou no quarto de Hermione e a encontrou dormindo profundamente. "Está tão linda e dorme tão tranqüila... Eu não devia fazer isso, mas lembre-se que foi você que provocou!" – pensava como se quisesse se justificar, antes de colocar uma boa quantidade de pimenta mexicana em uma das mãos da garota. Agora precisava ser rápido, tinha que fazê-la passar a mão pela boca antes que acordasse com o cheiro ou com o ardor da pimenta e para isso usou a pena.

Hermione dormia tranqüila, e quase não se mexia, até que sentiu algo lhe incomodar bem próximo a sua boca e instintivamente procurou repelir o que quer que fosse passando a mão pelos lábios. E Draco cuidou para que a cena se repetisse três vezes antes de se retirar de fininho, sabendo que a garota não levaria mais do que alguns segundos para despertar. Saiu do quarto e encontrou Rony e Harry já na metade das escadas segurando o barbante e conseqüentemente prendendo as portas.

Não demorou muito para que começassem a sentir o barbante ser puxado e ouvirem os gritos, contaram de um à três, soltando o barbante bruscamente, fazendo com que as portas se abrissem subitamente e as garotas, cada uma em seu quarto, fossem lançadas ao chão pelo impacto; Em seguida correram para o pátio, onde assistiriam o grande final.

Gina tinha a face quase tão vermelha quanto seus cabelos; Luna começava a se sentir sufocada e lágrimas brotavam dos olhos de Hermione. Todas corriam a casa em busca de água, mas como todos os banheiros estavam trancados, desceram as escadas e correram em direção à cozinha. Forçavam a porta, mas era inútil, também estava trancada. A sensação era horrível, parecia que o corpo estava em pleno processo de combustão... Hermione mal conseguia pensar, quando se lembrou da água estocada em tinas no pátio interno.

- O pátio! Vamos! - foi tudo o que a garota conseguiu dizer, antes de sair correndo em direção ao pátio junto das amigas.

Chegando ao pátio, as meninas encontraram uma enorme tina de água absurdamente gelada e imediatamente mergulharam suas cabeças ao som das risadas dos garotos que agora observavam satisfeitos suas nobres senhoras perderem completamente a pose.

- Eu não acredito que tiveram coragem de fazer isso com a gente! – brigava Luna, tentando recuperar o fôlego.

- Considere-se novamente solteiro, senhor Harry James Potter! – gritou Gina enfurecida.

Mas não adiantava, quanto mais elas brigavam, mais eles riam. Hermione permanecia de joelhos ao lado da tina. Tinha os cabelos e a maior parte de sua camisola encharcada pela água e seus olhos brilhavam de raiva.

- Calma, meninas! Foi só uma brincadeirinha! – dizia Rony tentando acalmar Luna, que se retirava sem querer muita conversa, sendo imediatamente seguida pelo ruivo.

- Gina, amor! Vem cá! – Harry tentava se aproximar. – Você sabe que eu te amo e nunca deixaria você se machucar de verdade! – falou o moreno abraçando a namorada, que no início o repeliu, mas logo cedeu, retribuindo o abraço, deixando que ele lhe levasse dali.

Agora que não havia mais risos, Draco começava a ficar apreensivo com a reação de Hermione; Ela não havia gritado, nem brigado como as outras e isso não era um bom sinal. Devagar, o sonserino se aproximou e tocou o ombro da castanha, que reagiu imediatamente.

- Saia daqui! – falou com raiva.

- É exatamente o que pretendo fazer, desde que você venha comigo! – respondeu o rapaz decidido, enquanto levantava a menina do chão. – Vem, eu vou cuidar de você!

O rapaz cobriu delicadamente o corpo da menina com uma toalha felpuda; Sabia que ela não se virava para ele por que havia molhado sua camisola branca.

- Por que fez isso? – perguntou Hermione um tanto confusa.

- Vocês passaram o dia inteiro nos fazendo de elfos domésticos e mereciam uma lição! – respondeu o loiro abraçando a menina e a levando em direção as escadas.

- Não acredito que se juntou com Harry e Rony pra se vingar de mim! – disse Hermione.

- Só concordei porque vi que não era nada demais! – se justificou enquanto entrava no quarto da menina.

- Nada demais? Minha garganta ainda está queimando! Você devia experimentar aquela pimenta, antes de dizer isso! – respondeu indignada.

- Mas já passou e agora eu já disse que vou cuidar de você! – disse o rapaz colocando a garota na cama e se retirando para retornar em seguida com um copo cheio de pedaços de gelo nas mãos.

Sentou-se devagar na cama e sem dizer uma palavra, colocou um pedaço de gelo na própria boca, passando-a em seguida para a menina, através de um beijo. Agora a pedra de gelo deslizava sobre a pele ainda quente da garota, deixando um rastro molhado, que Draco seguia com beijos. A razão de Hermione a alertava para o perigo da situação, mas seu corpo e seu coração ignoravam. Logo estava completamente perdida entre beijos e carinhos e seria incapaz de responder até qual era seu o próprio nome.

Vou! Entre a redenção e o esplendor de por você viver...

Sim! Quis sair de mim, esquecer quem sou e respirar por ti

E assim transpor as leis mesquinhas dos mortais...

Talvez pela primeira vez na vida, Draco tivesse agido inocentemente. Não havia planejado nada... Sabia que o gelo aliviaria a sensação de ardência causada pela pimenta e por isso decidiu oferecer a Hermione; Não tinha nenhuma pretensão até que seus olhos param na boca da garota, que nunca lhe parecera tão convidativa; Desejava beijá-la e simplesmente lhe veio à idéia.

Agoniza virgem Fênix, o amor! Entre cinzas arco-íris esplendor!

Por viver às juras de satisfazer o ego mortal...

Coisa pequenina, centelha divina renasceu das cinzas onde foi ruína

Pássaro ferido, hoje é paraíso...

Em poucos segundos já não tinha nenhum controle, apenas a beijava, tocava e procurava aproveitar cada sensação que isso lhe trazia. Mas quando o garoto a puxou com mais força, colocando seu corpo sobre o da menina, ela reuniu todas as suas forças e o afastou.

- Não posso! – disse ofegante.

- Eu sei! Me desculpe! – falou sentando-se na cama de costas para Hermione.

- Só prometa que não ficará chateado comigo, tá? – pediu com voz doce, enquanto o abraçava, temendo que ele a deixasse.

- Eu não estou chateado. E nunca ficaria chateado por isso! – disse o rapaz se levantando, fazendo com que o coração de Hermione se enchesse de alegria.

Draco deu um beijo suave na testa na garota e começava a caminhar em direção a porta, quando sentiu Hermione segurar sua mão e dizer: "- Não vá! Fica comigo!" e novamente levá-lo em direção a cama.

Luz da minha vida, pedra de alquimia

Tudo o que eu queria, renascer das cinzas...

"Como recusar um convite como aquele?" – pensava o rapaz voltando a acomodar Hermione em seus braços e cobrindo a ambos com um cobertor. Ainda não acreditava em tudo que tinha acontecido ao longo de um único dia.

- Que coisa! Você me dá a maior canseira, estraga uma de minhas camisas preferidas e depois tenta me matar por insolação... – começou o Draco.

- È, mas você me envenenou com pimenta! – interrompeu Hermione.

- É verdade! Mas que jeito de se começar um namoro, não? – disse o loiro abrindo o sorriso que Hermione tanto amava.

- E nós começamos? – perguntou a menina surpresa, se virando para olhar nos olhos do rapaz.

- Não começamos? – agora Draco estava confuso.

- Não lembro de você ter me dito nada a esse respeito. – respondeu fazendo manha.

- Eu não acredito nisso! Nós passamos os últimos dois dias juntos; Nós nos beijamos; E eu te dei um colar que pertenceu a minha mãe e agora estamos aqui... O que foi que faltou? Será que eu esqueci de alguma coisa? – perguntou o loiro chateado.

- Na verdade esqueceu, sim! Esqueceu de pedir que eu fosse sua namorada! – respondeu Hermione naturalmente.

- Ah, Merlim, como você se prende em detalhes! O que quer? Devo ficar de joelhos e implorar que me aceite? Ou posso simplesmente te beijar e dizer que eu quero que fique comigo pra sempre? – questionava o rapaz fazendo a menina sorrir antes de puxá-la para si e fazê-la olhar em seus olhos.

- Não estou brincando! Quero que você e isso não é uma coisa de momento, pelo contrário, não vai conseguir se livrar de mim mesmo que queira. – falou sério, encarando a garota.

- E quem disse que quero me livrar de você? – disse Hermione, antes de puxar seu namorado para um beijo demorado.

E eu! Quando o frio vem nos aquecer o coração

Quando a noite faz nascer a luz da escuridão

E a dor revela a mais esplêndida emoção... O amor!

------------Notas da Autora-------------

Espero que tenham gostado de mais este capítulo! Me diverti bastante escrevendo. Tenho muitos agradecimentos para fazer desta vez e vou aproveitar a oportunidade para responder algumas perguntas e dar algumas explicações.

Como todos já sabem, as minhas maravilhosas capas são todas criadas pelo Arzobispo, que tem ficado muito feliz com os elegios que temos recebido. Visistem o site e confiram outros tipos de montagens.

Agradecimentos a minhas leitoras e amigas:

Michele: Que bom que se divertiu com a brincadeira dos meninos! Conforme eu havia prometido, o México é diversão total, mas lembre-se que em breve partiremos para outro continente, e para o desfecho dessa odisséia. Não se esqueça me dar sua opnião sobre minhas idéias para a segunda parte da Fênix, ok?

Vicky: Novamente agradeço por sua atenção e seus comentários! Fico feliz em poder contar com você. Estou fazendo de tudo para manter o mesmo ritmo de atualização em atenção a vocês que acompanham minha história. Muito obrigada mesmo!! E por favor, não deixe de me mandar suas sugestões e impressões sobre a história.

Ingrid: Espero que tenha se divertido com mais este capítulo, o próximo virá com uma grande encrenca. Muito obrigada por sua atenção e pelo elogio!

Ana-Chan: Muito obrigada pelos elogios! Fiquei muito feliz com seus comentários! Você está corretíssima: a música Fênix do Jorge Vercilo, é o tema do Draco e inspira o nome da fic (você foi a primeira pessoa que comentou sobre essa associação). Poucas músicas que aparecem na história, mas elas tem grande importância, porque além de compor a cena, acabam explicando muita coisa. Até agora, usei três músicas, uma em português, uma em inglês e outra em espanhol e todas tem mensagens que completam a história. Pelo nome e pelo que li nas suas fics, você gosta de cultura japonesa, então fiquei pensando se você já leu as publicações de Matsuri Hino...Adoro as coisas dela! Muito obrigada pelo seu apoio e não deixe de me dizer o que achou deste capítulo!

Mais uma vez, aproveito para agrader a todos que tem acompanhado a minha história!

E até o próximo capítulo!

Imogen

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