Cap. XII – Crime e Castigo

"Você é o presente que nunca pedi; um pedaço de céu que não mereci; Todos os meus desejos se cumpriram em você e por isso não quero te perder..."

Há muito tempo Draco Malfoy não tinha uma noite de sono tão tranqüila como aquela. Já não havia o medo ou a agonia dos constantes pesadelos com Lúcio ou Voldemort; Pelo contrário, somente uma sensação de conforto e bem-estar tomava conta de seu corpo, além do perfume único de Hermione. Depois de tantas confusões, estavam cansados e o sono não demorou a chegar, fazendo com que depois de uma breve conversa, acabassem dormindo abraçados.

Toma-me em teus braços! Sou parte de ti! Você é meu sol... Luz, calor e vida, para mim...

Os primeiros raios de sol entravam pela janela, anunciando para Draco que era hora de sair dali, caso não quisesse se meter em grandes apuros. Despediu-se de Hermione com um leve beijo, procurando não acordá-la e saiu do quarto de fininho, sem fazer nenhum barulho. Era incrível como sua vida tinha mudado tanto em tão pouco tempo... Jamais poderia imaginar que se interessaria pela sabe-tudo e que ficaria tão feliz com o simples fato de tê-la por perto durante uma noite. Fechava a porta cuidadosamente, quando viu Harry sair do quarto da frente, repetindo o mesmo gesto com igual cuidado.

- Malfoy! O que você faz no quarto de Hermione? Não me diga que... – falava Harry contrariado.

- Cala boca, Potter! Quer acordar a casa toda! Fica na sua que não te devo satisfações! – falou Draco retomando sua arrogância habitual, embora tentasse falar baixo.

Harry sentiu-se queimar de raiva e preparava-se para responder Draco à altura, quando viu a porta do quarto ao lado se abrir e Rony sair com uma cara suspeita, tentando desamarrotar sua camisa.

- Harry! Malfoy! O que vocês estão fazendo aqui? – perguntou Rony meio encabulado e ao mesmo tempo, respirando aliviado por não ter encontrado Lupe ou Moody.

- Esse filhote de comensal tava no quarto da Mione! – respondeu Harry zangado e visivelmente enciumado.

- O quê? Como assim? Você passou a noite no quarto da Mione? – perguntou Rony com a face vermelha, encurralando Draco contra uma parede.

- E o que você tem com isso, Wesley? Pare de se preocupar com Hermione e vá se preocupar com sua irmã, porque eu posso garantir que ainda não aconteceu nada entre mim e Hermione, mas duvido que o Potter possa dizer o mesmo em relação à Weasley! – disse o sonserino, empurrando Rony e iniciando uma verdadeira guerra.

Rony não sabia se primeiro batia em Malfoy ou matava Harry, optando por atacar os dois. Harry por sua vez, não tinha nenhuma dúvida e partiu furioso para cima de Draco. E em meio a um festival se socos e ponta pés, Hermione que havia acordado com a confusão, entrava no meio da briga tentando acalmar os ânimos. Em poucos segundos, Luna e Gina se uniam a amiga numa tentativa inútil de controlar os garotos.

- Parem ahora! Que pensam que estan haciendo? - Lupe gritava nervosa com as mãos na cabeça, enquanto caminhava depressa pelo corredor ainda com roupas de dormir.

Moody, que dormia no quarto localizado na outra extremidade do corredor, acordou sobressaltado com os gritos. Saiu do quarto de varinha em punho imaginando estarem sofrendo um ataque de comensais, para encontrar no final do corredor seus protegidos completamente descontrolados tentando matar uns aos outros, enquanto as meninas em pânico tentavam apartá-los.

- Mas o que é isso? Parem imediatamente! – berrou Moody, chamando a atenção de todos.

Em poucos segundos, estavam todos sentados no sofá da sala em silêncio, sob os olhares inquisidores de Moody e Lupe que andavam de um lado para o outro, ainda tentando assimilar as cenas que tinham assistido há poucos minutos.

- Muito bem! Alguém pode me explicar o que aconteceu? – começou Moody com a autoridade de quem já havia presidido diversos interrogatórios.

- Os meninos se desentenderam, professor... – começou Hermione.

- E porque se desentenderam? – perguntou Moody, se aproximando da garota e forçando-a a continuar.

- Ciúmes, eu acho... – falou baixando a cabeça.

- Então estavam tentando se matar por ciúmes! Eu não tenho tempo para infantilidades! De que adianta que a Ordem proteja vocês dos comensais se basta dar as costas para que tentem matar uns aos outros! – falou Moody perdendo a paciência.

- Calma, Alastor! Non é assim que vamos resolver la question! Temos que saber lo que se passou! Podem dizer-me lo que causou esse ciúme? – perguntou Lupe tentando entender o que realmente havia acontecido.

- Tudo começou por causa desse daí! – disse Harry apontando para Draco. – Eu o vi saindo do quarto de Hermione ao amanhecer!

- Madre de Dios! Passaram la noche juntos? – gritou Lupe entrando em pânico.

Hermione não acreditava no que estava acontecendo. Sentia-se envergonhada e não por mais que tentasse, não conseguia encontrar em sua mente uma maneira de explicar a Lupe e a seus amigos que não havia acontecido nada entre ela e Draco. Com a fama que o sonserino tinha em Hogwarts, ninguém jamais acreditaria na palavra dela. Sentia um desespero crescer dentro de si, quando ouviu Draco questionar Harry:

- Hei! È fácil acusar, né Potter? Mas porque não conta para eles onde você estava exatamente quando me viu? – defendeu-se Draco.

- Cometeu uma falta realmente grave senhor Malfoy e terei que tomar providências! Mas agora, me responda o que fazia acordado tão cedo e onde estava quando viu o senhor Malfoy, senhor Potter? – perguntou Moody encarando Harry.

- Estava saindo do quarto da Gina... – respondeu o moreno sem ter como mentir, fazendo com que Lupe desse um novo grito de espanto.

- E é por isso que eu vou matar ele! – berrou Rony se precipitando para cima de Harry e sendo prontamente impedido por Moody.

- Ninguém aqui vai matar ninguém! Como puderam proceder deste modo? Estoy profundamente decepcionada com los dos! – disse a mexicana, fazendo com que Draco e Harry se sentissem mal. - Mas ahora me expliquem mas una cosa, onde estava Ronald y como ele entrou na briga? – quis saber Lupe.

- E-eu os vi quando estava saindo do quarto de Luna! – declarou Rony ficando completamente vermelho.

- Tu sabias disso, Alastor? – questionou Lupe.

- Eu não! Garanto que jamais fui informado desta situação! – defendia-se o professor, enquanto ouvia um verdadeiro sermão Lupe em espanhol.

Enquanto Lupe brigava com Moody, acusando o amigo de ter se preocupado tanto com os tais comensais que não foi capaz de enxergar o que se passava de baixo de seu próprio nariz, outra discussão se iniciava.

- Como pode falar do Potter, se estava com a Lovegood, cabeça de fósforo? – Draco provocava Rony se divertindo com a situação e imediatamente recebendo um olhar de censura da namorada.

- É isso aí! Malfoy tem razão! Pare de besteira Ronald, porque eu sei que você tem estado com Luna há muito mais tempo do que eu e Harry! – falou Gina iniciando uma nova discussão.

- Não é verdade! E mesmo que fosse, são casos diferentes! – tentou se defender Rony.

- É claro que Gina está falando a verdade, fui eu mesma que contei para ela! E agora você vai me explicar porque com ela o caso é diferente! – defendeu Luna irada.

- V-você contou? – perguntava Rony incrédulo, enquanto as duas extremamente sérias apenas confirmavam com a cabeça.

- Hei, espere um pouco! Falando em contar... Como é que você fica com o Malfoy e não nos conta? Isso foi traição, dona Hermione! – falou Gina virando-se para a amiga.

- Eu concordo! Sempre te contamos tudo e você como retribui? – apoiou Luna.

- Não! Não aconteceu nada, eu juro! – disse Hermione ficando totalmente sem graça e tentando se defender.

- Basta! Estão todos de castigo! Subam ahora para sus quartos! – berrou Lupe, pondo um fim a discussão.

Passaram o dia isolados em seus quartos, sem sair sequer para realizar as refeições, que foram servidas por Lupe nos respectivos dormitórios. Não conseguiam imaginar o que aconteceria, nunca pensaram ver Moody tão furioso.

Moody e Lupe passaram várias horas tentando decidir qual seria a solução mais adequada para o problema. Inicialmente pensaram em comunicar o ocorrido a Ordem e aos responsáveis, mas depois decidiram que poderia não ser uma boa idéia trazer mais um problema, no meio da guerra. Mas por outro lado, não podiam permitir que as coisas continuassem daquela maneira... Era hora de redefinir as regras da casa; A partir dali, todos teriam que andar na linha.

A nova rotina da casa não agradou muito a princípio, mas ninguém ousava reclamar. O Moody tranqüilo e relaxado dos primeiros dias havia desaparecido por completo, dando lugar a um verdadeiro general que tudo via e tudo sabia. Lupe continuava simpática e gentil e sempre que possível, tentava coibir os exageros do amigo.

Nos dias que se seguiram, Luna, Gina e Hermione, empenhavam-se ao máximo para fazer com que os garotos fizessem as pazes, mas eles eram teimosos e insistiam em ignorar uns aos outros. Seria uma situação engraçada, se não fosse trágica na verdade... Em breve, aqueles garotos enfrentariam Voldemort e seus comensais em um campo de batalha e se não trabalhassem juntos, anulariam qualquer chance de vitória. E consciente disso, Hermione, decidiu que era hora de recorrer à outra forma de abordagem.

- Professor, será que posso falar com o senhor um instante? – pediu a garota, parada na porta do quarto de Moody.

- Claro que sim! Entre, senhorita Granger! – respondeu Moody fechando o livro que tinha nas mãos e fazendo um gesto para que a menina se aproximasse.

- É sobre os meninos... Eles continuam insistindo em não se falar e eu já não sei o que fazer! E pensei que o senhor talvez pudesse ajudar... – disse a menina meio hesitante.

- Eu? – perguntou o velho auror um tanto surpreso. – Quer que eu ordene que voltem a se falar?

- Não, na verdade, queria que conversasse com eles. O senhor já viu uma guerra antes, tem consciência das dificuldades que vamos enfrentar, dos riscos que vamos correr e pode convencê-los a se unirem novamente em nome desse objetivo comum. – começou Hermione despertando a atenção de Moody.

- Como sempre a senhorita parece pensar em tudo... – respondeu o auror um tanto intrigado com o pedido.

- Eu não sei o que está por vir, mas sei que temos que permanecer unidos daqui pra frente. – disse séria.

- Mais um raciocínio correto... Não vou lhe dar garantias, mas me comprometo a tentar! Já são adultos e precisam crescer! – disse Moody, fazendo com que Hermione se retirasse satisfeita.

Naquela noite, logo que terminou o jantar, Moody convocou os rapazes para uma reunião no fundo do casarão. Era estritamente proibido deixar a casa durante a noite e por isso, todos estranharam de início, mas seguiram o professor. Enquanto saiam pela porta, as meninas olhavam umas para as outras com olhares cúmplices e esperançosos.

Circulando a casa, os garotos se depararam com uma fogueira, um litro contendo um líquido transparente e algumas mantas; Não sabiam o que iria acontecer, mas todos perceberam que tudo havia sido preparado cuidadosamente para aquele momento.

- Vamos, sentem-se! – pediu Moody, enquanto ele mesmo se acomodava sobre uma manta. – Eu e meu velho amigo Richard passamos várias noites conversando em torno de fogueiras como essa... O fogo pode ser um bom amigo, capaz de escutar as mágoas e os lamentos de um homem e depois extingui-los junto com suas últimas chamas que se desfazem após algumas horas de reflexão... – filosofou.

- Não entendo o que isso quer dizer! – disse Harry desconfiado fitando o professor.

- Quer dizer, senhor Potter, que chegou a hora de vocês colocarem nessa fogueira todas as suas diferenças e começarem a olhar para o que estar por vir! – respondeu tranquilamente o professor, abrindo a garrafa e se servindo de uma pequena dose de tequila.

- Se nos trouxe aqui para tentar fazer com que eu volte a falar com estes aí, acho melhor me retirar! – falou Rony contrariado, já se levantando.

- Sente-se aí, senhor Weasley! – ordenou Moody, fazendo com que Rony não tivesse escolha. – Vocês não são mais crianças, então comecem a agir como homens! São amigos e em pouco tempo estarão enfrentado a morte lado a lado e quero saber se vão suportar fazer isso sem confiar uns nos outros! – começou o auror, fazendo com que todos refletissem.

- Acha mesmo que podemos derrotar Voldemort? – perguntou Draco sério.

- Acho que temos uma chance e que podemos vencer se soubermos aproveitá-la – respondeu o professor com segurança, enquanto servia uma dose de tequila para cada um dos jovens. – Vocês não imaginam como é doloroso presenciar o sofrimento e a agonia dos nossos próprios amigos... Algumas vezes, a morte não é o pior e vocês precisam estar preparados!

- Como assim, a morte não é o pior? – perguntou Rony confuso.

- Ele está se referindo aos métodos de tortura como os que são utilizados pelos comensais. A dor se torna tamanha que você implora pela morte, mas eles não te matam, preferem continuar até que seu corpo não resista mais. – respondeu Draco, virando rapidamente a dose de tequila, enquanto sentia seu coração se encher de ódio e de dor pela lembrança do que fizeram a seu pai.

- Eles continuam atacando lá fora e nós não fazemos nada! – disse Harry amargo, repedindo o gesto de Draco e sentindo a bebida queimar sua garganta.

- Você terá sua hora, Harry! Mas ainda precisa aprender algumas coisas, antes de enfrentar Voldemort. – disse Moody.

- Eu só queria poder voltar para casa, sem medos, sem ameaças... Como seria bom estar com toda a minha família reunida de novo e poder jogar mais uma partida de quadribol! – dizia Rony se engasgando com a tequila.

- E com quem poderia jogar essa partida, senhor Weasley? – provocou Moody.

- Ora, temos o time oficial: Fred, Jorge, Gina, Harry e eu. – respondeu de imediato, fazendo com que Harry sorrisse.

- A família não é feita apenas pelo sangue! Também vale a pena lutar pelos verdadeiros e bons amigos... – dizia Moody, servindo uma nova rodada de tequila e fazendo todos pensar.

Draco se sentiu mal com aquelas palavras, sabia que não tinha nenhum amigo que lutasse por ele, ou por quem lutar e embora isso nunca tivesse lhe feito falta, naquele momento pensava que Harry e Rony de certa forma tinham tido alguma sorte.

- Bom, era isso o que eu tinha pra dizer para vocês! Conversem o quanto quiserem, mas não fiquem acordados até o dia amanhecer! – comunicou Moody se retirando, sob os olhares incrédulos dos rapazes.

- Ele foi mesmo embora? – perguntou Rony.

- Óbvio que sim, Wesley! – disse Draco sem paciência virando mais uma dose de tequila.

- Hei, vai devagar com essa coisa, Malfoy! É muito forte! – repreendeu Harry.

- Queria que fosse mais forte e que me fizesse esquecer que meu pai tá morto e que eu e minha mãe estamos sendo caçados por um psicopata e seu bando! – respondeu Draco seco.

- Não por isso, porque esse mesmo psicopata quer a minha cabeça mais do que qualquer outra coisa! – revidou Harry bebendo mais.

- Parem com isso, porque estamos todos no mesmo barco! Toda a minha família já foi jurada de morte por colaborarem com Dumbledore e com a Ordem de Fênix! – disse Rony tomando a garrafa das mãos de Harry e bebendo mais um gole.

Não sabiam bem porque, mais permaneciam em volta da fogueira e enquanto viam as chamas começar a perder sua intensidade, falavam livremente de Voldemort, da guerra, de suas famílias e de seus medos. "É só por causa da tequila!" – justificava Draco olhando para a garrafa já vazia.

O dia já estava quase amanhecendo, quando resolveram entrar em casa. Caminhavam cambaleantes, sendo obrigados a se apoiarem uns nos outros para chegarem à porta da casa. Entram discutindo, sobre quem havia perdoado quem primeiro, quando foram surpreendidos por quatro mulheres visivelmente emburradas que os aguardavam na sala.

- Mas o que significa isso! – gritou Hermione sem acreditar no estado do trio.

- Oi, Mione! – dizia Rony com cara de bobo sorrindo para a amiga. – Você não queria que a gente fizesse as pazes, pois agora somos todos amigos novamente!

- Não, não.... Eu não disse oficialmente que sou amigo desses grifinórios bobões! – disse Draco com os olhos avermelhados se jogando no sofá.

- Ah! Cala a boca, Malfoy! – dizia Harry tropeçando no tapete e sendo amparado por Gina.

-Credo, Rony o que vocês estavam tomando? – perguntou Luna incomodada com o cheiro forte de álcool, enquanto ajudava Rony a chegar ao sofá.

- Tequila! – responderam os três ao mesmo tempo, erguendo o braço como se fizessem um brinde e caindo na gargalhada logo em seguida.

- Alastor!!!!!! – berrava Lupe, subindo em direção ao quarto de Moody.

- Xii! Parece que o Moody tá encrencado! – disse Draco rindo ainda mais.

- É, ele tá encrencado sim! Mas não tanto quanto você! – falou Hermione puxando Draco pelo braço e o levando até o chuveiro mais próximo.

- O que você está fazendo? – reclamava Draco sentindo a água gelada cair sobre seu corpo. – Quem disse que você pode me tratar assim?

- Na verdade, caso não se lembre, foi você mesmo! Então fique quietinho aí, enquanto vou buscar uma toalha! – respondeu a menina sem paciência.

Horas depois todos se reuniam na mesa para tomar café da manhã; Os rapazes ainda sofrendo os efeitos do porre de tequila, permaneciam em silêncio e desejavam apenas poder retornar para suas camas, enquanto as garotas os olhavam com profundo desgosto.

- Estão vendo isso, niños? Estão se sentindo bien? Espero que ahora pensem duas vezes antes de beber tequila, hã! – falava Lupe zangada, fazendo com que sua voz ecoasse na cabeça dos garotos. – Subam e tentem dormir un poco, porque yo e las chicas vamos salir!

- Sair... Não podem sair! – dizia Harry ainda tonto.

- Podemos sim e já estamos de saída! – disse Gina, dando um beijo rápido na bochecha do namorado e se colocando se pé, assim como Lupe e as outras garotas.

- Para onde vão? E quem vai ficar com a gente? – perguntou Rony emburrado.

- Vamos hacer compras na ciudad y estoy certa que vocês irão sobreviver! – decretou Lupe se retirando. – Ninãs, vamos!

Hermione estava prestes a dar o primeiro passo em direção a porta, quando sentiu uma mão fria segurar seu braço; Virou-se lentamente e encontrou um par de olhos acinzentados lhe encarando. Não era difícil saber o que se passava na cabeça de Draco, que assim como os outros garotos, não havia gostado nada da idéia de ver a namorada sair sozinha.

- Não se preocupe, é só um programa de garotas e logo estarei de volta! – garantiu Hermione dando um beijo no rapaz e em seguida correndo para alcançar Luna e Gina que a esperavam na porta.

Quando a porta se fechou, Harry foi tomado por uma sensação ruim... Era a primeira vez em muito tempo que via Gina deixá-lo e por alguns segundos o ar pareceu lhe faltar. Draco se jogou no sofá e permaneceu em silêncio, assim como Harry, sentia uma angústia inexplicável... Mas dentre os três, Rony foi o único que conseguiu expor sua aflição.

- Porque elas saíram com Lupe? E se acontecer alguma coisa? Não quero ficar aqui sozinho! – desabafou o ruivo.

- E por acaso você está sozinho? Não tá vendo a gente aqui, não? – respondeu Draco instintivamente.

- Lupe não é bruxa e as meninas estão sem varinha... Devíamos ir atrás delas, por garantia! – disse Harry, atraindo a atenção de Draco e Rony.

- E então? O que estamos esperando? – perguntou Rony e levantando e indo em direção a porta, que para sua surpresa estava trancada.

- Eu não acredito! Eles não podem fazer isso com a gente! – falava Draco indignado.

- Não podem mesmo! Vamos subir e falar com Moody! – falou Harry se encaminhando as escadas, seguido pelos outros garotos.

Entraram no quarto do professor, mas o dormitório estava vazio e tudo o que encontraram foi um bilhete com os dizeres: "Fui á Londres e retorno assim que possível.". Definitivamente não podiam fazer nada além de esperar.

Em Londres a situação se agravava. As ofensivas de Voldemort e seus servos eram cada vez mais constantes e era necessário se preparar para a batalha. O tempo no México estava chegando ao final e ainda precisavam que um último esconderijo fosse escolhido, antes que o grupo retornasse definitivamente para Londres.

Lupin ainda não havia obtido êxito em seu plano para capturar Bellatrix, mas apesar de todas as dificuldades, não pensava em desistir. A boa notícia era que a ordem já havia localizado todas as horcruxes, embora ainda não tivessem certeza dos métodos corretos para destruí-las. De qualquer modo, todos concordavam que se aproximava a hora da batalha e por isso, Minerva e Tonks foram encarregadas de preparar um programa de treinamento para Harry e seus amigos.

De volta à fazenda, Moody decidiu não anunciar seu retorno e permanecer em seu quarto por mais algum tempo, planejando algumas coisas e aguardando até que todos estivessem reunidos para que ele pudesse repassar as notícias.

Na sala, três garotos jogados sobre os sofás e poltronas, permaneciam completamente entediados, e reclamavam de absolutamente tudo, até que finalmente viram um grupo de garotas extremamente sorridentes passarem pela porta carregando inúmeros pacotes.

Ao ver Hermione tão sorridente, como que acabava de passar a melhor tarde de sua vida, Draco sentiu a pele queimar de raiva; Seus olhos pareciam mais cinzas do que nunca e capazes de congelar o próprio sol, enquanto a encarava. "Por que era tão insuportável a idéia de que ela podia se divertir longe dele?" – pensava enquanto a via se aproximar.

- Depois de uma tarde inteira sem me ver, é assim que me recebe? – perguntou Hermione com voz suave, mas não obteve resposta.

Quase como se pudesse adivinhar os pensamentos de Draco, a garota se aproximou ainda mais, abraçando o namorado com carinho, como se o aquecesse; Depois de alguns segundos, quando o sentiu começar a relaxar e falou baixinho em seu ouvido: "- Não podia recusar o convite de Lupe e por isso aceitei sair com ela e com as garotas, mas detestei cada minuto longe de você!"- fazendo com que um sorriso involuntário se formasse na face do namorado.

- Vamos ninas! Ainda temos mucho trabajo pela frente! – convocou Lupe animada.

- Espera aí! Pra onde vocês vão agora! – perguntou Rony chateado com a idéia de ficar novamente sem a presença da namorada.

- Calma, Ronald! Tenha paciência, porque temos uma festa para arrumar! – respondeu Gina contente.

Em pouco tempo a casa estava pronta para uma legítima festa mexicana com tudo que tinham direito! Pela primeira vez, podiam ver alguns dos empregados de Lupe, que agora se revezavam entre a preparação das comidas e a decoração. A música era alegre e contagiante, tudo estava perfeito, mas como sempre faltava alguma coisa... Nenhuma das garotas havia descido para a festa e os rapazes novamente estavam impacientes.

Lupe apenas achava graça da situação. Ela já havia se apegado aquela turma e seria difícil vê-los partir. Durante toda a sua vida, havia visto as pessoas que gostava irem embora de uma maneira ou de outra, mas nem por isso era uma pessoa amargurada. Se os garotos tinham que partir, que fossem, mas não sem uma festa de despedida! E pensando assim, Lupe organizou tudo com a ajuda das garotas, enquanto seu amigo Alastor participava de uma reunião em Londres.

- Pronto! Aí estan ellas! Mira Alastor, que guapas! – dizia a senhora abraçando cada uma das meninas que desciam as escadas, vestidas com verdadeiras moças de Hemosillo.

Draco estava encantado com Hermione, que junto com as amigas cumprimentava Lupe carinhosamente. Ela estava linda, mas ao mesmo tempo estava diferente... Não usava as cores claras, como de costume, tendo optado por um vestido longo vermelho que lhe marcava somente na cintura e possuindo um decote em "V", realçado pelo coração de cristal; Tinha os cabelos soltos, adornado por uma rosa de tom semelhante ao vestido e seus olhos pareciam brilhar mais do que nunca.

- Fecha a boca, Malfoy! – disse Harry curtindo com a cara do sonserino, antes seguir ao encontro de Gina.

Draco não gostou da gracinha de Harry, mas pelo menos serviu para que ele acordasse de uma vez... "O que estava fazendo ali parado?" – pensava enquanto se apressava em chegar a sua dama.

- Você está linda! – falou o loiro beijando a mão de sua namorada, que sorriu em retribuição ao elogio.

A noite estava perfeita, havia flores coloridas por toda parte, comidas deliciosas e uma música contagiante; A alegria tomava conta de todos, mas de longe Lupe era a mais animada. Em pouco tempo, já tinha contado várias histórias, apresentado diversos salgadinhos e dançado com todos os garotos; E ao final da festa, como presente de despedida, lhes oferecia uma canção; Prontamente, os três casais foram para o salão e aproveitaram cada nota da melodia romântica que Lupe cantava.

"Lo que quiero ahora es perder-me em ti y ser envolta em todo lo que eres tu...

Te dejei tan sola, mi senti, senti... Non quiero de nuevo estar así, así

Toma-me em tus braços, soy parte de ti, soy parte de ti...

Eres mi sol, luz, calor y vida para mi...

Eres tu mi sol la estrella que a mi vida sustentou eres tu mi sol!"

A música era tão bonita e já dizia tanto que as palavras podiam ser dispensadas. Hermione apenas encostou a cabeça no ombro de Draco e o sentiu abraçá-la mais forte, enquanto ouviam cada palavra da canção. Ao final se separam e aplaudiram Lupe, que os agradecia com uma reverência.

Neste exato momento, Moody, que assistia tudo do alto da escada, decidiu que era hora de se juntar ao grupo e comunicar as decisões que provavelmente mudariam suas vidas.

- Moody! – disse Harry chamando a atenção de todos para a chegada do professor!

- Bem meninos, precisamos conversar! – disse o velho auror com uma expressão pesada demais.

Imediatamente todos se acomodaram em volta da mesa, prontos para escutar as notícias de Londres. Para Moody não era fácil se despedir novamente de Lupe e mandar novamente aquele grupo de jovens com que ele já se sentia apegado, para o outro lado do mundo. Mas faria o que tinha que ser feito.

- Quero que fique claro que tudo que eu direi a partir de agora são decisões minuciosamente estudadas pela Ordem de Fênix e visam apenas sua segurança e bem- estar; Por isso, peço que não me interrompam até que eu tenha chegado ao final. – começou Moody.

- Ao amanhecer vocês partirão para um novo esconderijo... Desta vez será o último e somente pelo tempo necessário para que vocês iniciem o treinamento... – dizia Moody, quando Harry o interrompeu.

- Treinamento? – falou o rapaz confuso, enquanto Moody fazia um gesto e continuava a explicar.

- O plano para atrair e capturar Bellatrix Lestrange infelizmente não prosperou, de modo que além de Voldemort, também precisamos ficar atentos a ela. Mas por outro lado, tivemos êxito na localização das horcruxes, mas antes de sairmos em missão para destruí-las e destruir o próprio Voldemort, vocês deverão ser treinados com feitiços avançados e técnicas de guerra. Minerva e Tonks estão cuidando de tudo e eu mesmo já me propus a ajudar nessa tarefa, mas até que tudo esteja pronto em Londres, vocês permanecerão escondidos. – declarou Moody.

- Sabe para onde vamos? – perguntou Hermione.

- Tudo o que sei, senhorita Granger, é que a partir de amanhã vocês estarão sob os cuidados de Severo Snape. – respondeu o auror criando um pânico coletivo.

"Snape???"

----------- Notas da Autora ----------

Bom, que Merlim nos ajude! Não será nada fácil encarar Snape como guardião... Espero que tenham gostado desta festa mexicana, acho que não haveria outra forma para nos despedirmos de Lupe.

Quero agradecer mais uma vez ao Arzobispo, por sua paciência e por sua criatividade para as capas da Fênix. Sei que sou suspeita, mas adoro todas as minhas capas e acho que não poderiam ser mais perfeitas.

Agradecimentos novamente para todos que tem acompanhado essa aventura, em especial, para: Michele

Até o próximo capítulo!

Imogen