Capítulo II

Severus estava na cozinha de sua casa sentado na cadeira próximo a mesa. Sozinho ele tomava seu café da manhã, que era apenas uma grande xícara de café bem quente. Sem açúcar e sem adoçantes artificiais. Café amargo, como ele gostava.

Como era domingo, Harry não tinha aula, por isso o rapaz acordava mais tarde. Snape não gostava de mudar sua rotina, por conta disso todo domingo ele tomava café da manhã sozinho, já que Potter não aceitava em hipótese alguma levantar mais cedo no final de semana.

Quando sua xícara de café estava pela metade e já não tão quente, o Slytherin resolveu olhar os jornais, que até então ele não tinha observado com atenção. Ele comprava dois jornais, um mágico e um muggle. Só comprava o muggle porque tinha pego esse costume de Dumbledore, já que esses jornais eram excepecionalmente chatos. Ele leu rapidamente a manchete principal do jornal muggle. Algo sobre um time de futebol tricolor (grená, verde e branco) ter conseguido o tricampeonato. Futebol: mortalmente tedioso. Ele leria isso depois. Depois passou sua atenção para O Profeta Diário. Ao identificar os dois indivíduos que ocupavam a primeira página com fotos gigantescas ele sentiu seu coração parar. A primeira foto mostrava ele próprio ainda jovem, com vinte e poucos anos em sua audiência após a queda de Voldemort, onde ele teve que afirmar que era Comensal da Morte, mas também era o espião de Dumbledore. O jovem Severus estava todo vestido de negro e amarrado a cadeira, sua feição nada amigável, parecia estar fuzilando com os olhos quem tirava a foto dele. A segunda era uma foto de Harry logo após ele ter vencido Voldemort. Potter estava com ar cansado, mas definitivamente parecia heróico, com suas vestes rasgadas, com fuligem no rosto e olhar distante. As duas fotografias lado a lado faziam um contraste perfeito. Snape parecia um sujeito vil e malvado, enquanto o Gryffindor parecia o típico heroizinho de filmes.

O ódio explodiu dentro dele quando seu coração voltou a bater descontroladamente. Uma ira insana se propagava por todo seu corpo. Há muitos anos ele não sentia tamanha fúria. A manchete em letras garrafais dizia acima das fotos:

O Legado do Lord das Trevas – O que Ele não conseguiu, Severus Snape conseguirá: a morte de Harry Potter

Uma reportagem de Rita Skeeter

Nas páginas 14-16

Severus folheou o jornal desesperadamente e começou a ler a reportagem, onde se podia ler:

Como todos bem sabem Você-Sabe-Quem morreu pelas mãos do nosso querido herói Harry Potter, mas infelizmente sua morte não foi suficiente para terminar a onda de trevas na vida do Salvador do Mundo Mágico.

Há alguns anos, ainda na primeira ascensão e queda de Você-Sabe-Quem, Severus Snape, um Comensal da Morte confesso foi poupado de Azkaban por intermédio de Albus Dumbledore. Após cerca de dezesseis, esse mesmo bruxo assassinou a sangue frio e covardemente Dumbledore em Hogwarts. É claro que Albus não era flor que se cheire, como relatei em meu livro entitulado 'A vida e as mentiras de Albus Dumbledore', mas isso não ameniza a covardia de Snape. Ele matou o homem que o livrou da prisão! A questão aqui não é a sanidade – ou falta dela – de Albus Dumbledore, mas sim a personalidade de Snape. Ele é claramente um serial killer em potencial.

Cabe ressaltar que mesmo tendo se declarado culpado pela morte de Dumbledore, Severus não foi preso. Harry Potter negociou pessoalmente para que Snape fosse solto, dando diversos testemunhos a favor do Comensal da Morte. A repórter imagina que tenha sido a partir daí que surgiu o interesse maligno de Severus por Potter.

Em seus dezoito anos em Hogwarts, Snape foi professor de Poções por dezesseis anos. Eu imagino que dezesseis anos é tempo mais que suficiente para um bruxo razoavelmente inteligente desenvolver uma poção do amor modificada forte o suficiente para prender até o mais bravo e heróico mago.

A repórter não vê outra justificativa, senão uma poção do amor poderosíssima para explicar porque Harry Potter está morando e mantendo uma relação amorosa com Snape. Sim, vocês leram direito. Harry Potter está morando com Severus Snape em sua casa e eles mantêm uma relação mais que íntima, se é que me entendem.

A poção do amor que mantém a ligação entre os dois, ao meu ver, é o fato menos relevante. O que mais me apavora é pensar quais são as verdadeiras intenções de Snape para manter Harry Potter ao seu lado. É sabido do Ministério que os Comensais da Morte foragidos – uma vergonha para o Ministério, em especial para a seção de aurores, que não conseguiu capturar todos na Batalha em Hogwarts – não acreditam que Aquele-Que-Não-Deve-Ser-Nomeado realmente morreu. Eles pensam que o Lord das Trevas irá reaparecer se Potter morrer. É provável que esse também seja o pensamento de Snape. Ele está somente aguardando a hora mais oportuna para acabar com a vida de Potter.

Espero que os planos malignos de Snape e seus amigos Comensais da Morte não se realizem e que o ineficiente departamento de aurores consiga prender os Comensais da Morte que estão a solta.

Mas, principalmente, eu faço votos para que Harry Potter não termine como Dumbledore.

Após ler a reportagem Snape, tomado por uma fúria insana, jogou a xícara de café na parede, depois rasgou o jornal em vários pedaços.

Harry entrou na cozinha um segundo depois e teve que fazer força para não rir da cena. Uma das paredes da cozinha estava manchada de café, no chão havia pedaçinhos de louça branca. E tinha Snape, que olhava para o jornal picado em cima da mesa como se ele tivesse o ofendido mortalmente.

"Bom dia! Está tudo bem, Severus?"

"Eu vou matá-la", ele sibilou com os olhos fixos no jornal.

"O quê?"

"Eu vou torturá-la por uma semana e depois vou matá-la", sibilou novamente. Os olhos vidrados em cima dos pedaçinhos de papel. O Slytherin parecia um psicopata.

"Do que está falando?", perguntou. Potter fingia não perceber como Snape estava alterado, enquanto se sentava na cadeira ao lado do amante.

O Slytherin pareceu sair do transe de ódio que estava e olhou para Harry. Sua feição permanecia dura.

"Ainda não leu o jornal hoje?"

"Não. Esse papel picado é o jornal?"

"Não leia O Profeta Diário."

"Por que?"

"Simplesmente acho melhor você não ler."

Harry olhou para os pedaços, apenas para confirmar que Rita Skeeter já havia entrado em ação. Em um dos fragmentos dava para ver perfeitamente um pedaço da foto de Severus e em outro fragmento um pedaço de uma cicatriz muito familiar em forma de raio.

"Ah... Saiu alguma coisa sobre nós?"

Severus olhou para o jornal. As fotos estavam lá, mas assim que viram a feição apavorante de Snape elas se esconderam como se pudessem prever o próximo movimento do Slytherin. Ele pegou a varinha e com um aceno o jornal desapareceu.

"Como descobriram?"

Potter desconversou:

"Isso faz diferença? Acho que devemos dar uma entrevista para um bom jornalista explicando..."

"Eu não vou dar entrevista nenhuma! A minha vida só diz respeito a mim."

"E a mim, também."

"Foi um erro, Potter. Eu devia ter ficado calado. Eu não devia ter me declarado para você..."

"Do que está falando? Está arrependido da nossa relação por causa de uma reportagem idiota?"

"Reportagem idiota? Aquela miserável insinuou que só você só está comigo porque estou te dando uma poção do amor. E eu só estou com você porque pretendo matá-lo."

Harry sorriu.

"Mas você me mata de prazer...", falou e tocou o braço do ex-professor.

Severus não permitiu o toque, se levantando da cadeira.

"Isso não é uma piada..." Ele parou de falar porque várias corujas bicavam a janela fechada da cozinha. Ele deu um sorriso sádico e ergueu a varinha em direção a janela. "Vou matá-las."

"Não!" Potter se levantou e correu até o Slytherin, depois tirou a varinha da mão dele. "Você não está em seu juízo perfeito, Severus! Matar corujas?"

"Devolva a minha varinha, garoto", ordenou.

"Estou me lixando para essas corujas, Severus. Ou para esse jornal. Ou ainda para a opinião dos outros sobre nós. Fui eu que pedi para Malfoy ir falar com Skeeter. Eu queria tornar pública a nossa relação."

Snape avançou em direção ao garoto. Com medo da feição homicida de Severus, Harry recuou.

"Você? Você mandou publicar isso?", questionou enquanto acuava Potter em direção a geladeira.

"Severus... Tente entender...", implorou o rapaz.

"Gosta tanto assim de ser o centro das atenções? Como fazia um tempo que não aparecia no jornal achou que publicar sobre o seu namoro aumentaria a sua popularidade?"

"Severus, você está totalmente sem noção do que fala. Olhe o que está me dizendo! Acha que fiz isso porque queria ficar mais famoso? Não seja ridículo! Eu não preciso disso! Só fiz isso porque queria que você assumisse nosso relacionamento publicamente. Tem vergonha de namorar comigo, é isso?"

Snape não ouviu nada que Harry falou. O Slytherin se virou de costas e mandou:

"Dá o fora daqui, moleque."

"O quê? Está me expulsando?"

"Saia da minha casa, Potter."

"Não... Por favor, Severus, não faça isso..."

"Saia andando ou te arrastarei para fora daqui."

"Severus, se eu sair dessa casa eu não mais voltarei."

Eu não mais voltarei, a frase girou na cabeça do ex-professor. Snape se virou para Potter. Estava furioso com Harry, com o jornal, com as corujas, com a exposição de sua vida particular, mas nada disso ficaria melhor se Potter fosse embora. Ele tomou a própria varinha da mão do garoto, que estava paralisado, e caminhou para fora da cozinha sem falar mais nada.

Harry foi atrás dele e o abraçou por trás.

"Severus..."

Sem ao menos se virar, Snape retirou os braços do garoto que estavam sob seu abdômen.

"Preciso ficar sozinho, Potter."

"Está muito chateado comigo?"

"Não consigo nem mensurar minha irritação."

"Quer que eu vá embora?"

"Não", falou e voltou a andar. "Dê um jeito nessas corujas, celebridade. Está acostumado com cartinhas de admiradores desde que era bebê."

Harry acompanhou com o olhar Snape sair da cozinha. O Gryffindor ficou sozinho no cômodo. Ouvia o pio enlouquecido de dezenas de corujas batendo na janela. Potter suspirou de tristeza, não imaginava que Severus fosse reagir tão mal.

OoOoOoOoO

Após uma hora sozinho, Severus desceu as escadas até a sala. Harry estava lá sentado no sofá em frente a lareira acessa assistindo o fogo consumir várias cartas. O garoto não se virou na direção de Snape, permaneceu fitando as chamas vermelhas e laranjas dançando.

"Desculpe-me, Severus. Não achei que você fosse reagir desse jeito", disse sem encarar o amante.

"Eu vou matar aquela mulher."

Potter virou a cabeça na direção dele.

"Não, você não vai. Você não é assassino."

"Eu matei Dumbledore."

"Ele já estava condenado por causa do anel de Riddle. E ele te obrigou a matá-lo."

"Isso não me faz menos assassino."

"Faz sim."

Snape caminhou e se sentou no sofá ao lado do garoto. Fitou rapidamente o rosto do amante. Os cabelos continuavam despenteados, os olhos muito verdes, o nariz simétrico, a boca bem rosada. Mas faltava alguma coisa no rosto de Potter.

"O que aconteceu com o seu óculos?"

Harry voltou a encarar as chamas enquanto respondia:

"Ele derreteu..."

"Derreteu?"

"Em uma das cartas tinha um vapor ácido. Derreteu a armação."

Severus ficou lívido de raiva. Puxou o queixo do garoto em sua direção e olhou mais minuciosamente o Gryffindor. Havia uma pequena queimadura no queixo e outra na ponta do nariz. Desceu o olhar e constatou mais queimaduras no pescoço do garoto, ombros e braços. Mas nada se comparava as mãos de Harry. As mãos de Potter estavam repletas de queimaduras.

"Está tudo bem", disse o garoto apressadamente olhando a feição enfurecida do amante.

"Não está nada bem."

"Está sim", confirmou teimoso.

"Olha só para você! Por que não me falou que tinha se machucado? Por que eu não previ isso? Fui eu te mandei cuidar das cartas...", falou e se levantou. Ele estava agitado. Começou a andar pela sala.

"Não foi nada demais."

"Eu devia ter imaginado que algo assim fosse acontecer."

"Não foi nada demais, Severus", repetiu.

Mas Snape já não estava mais na sala. Ele correu até as escadas e subiu até o segundo andar.

"Severus?", chamou o Gryffindor. Potter olhou ao redor e viu que estava novamente sozinho.

Depois de alguns minutos, o Slytherin voltou para o cômodo. Ele vestia uma capa negra por cima das vestes. Em uma mão estava a varinha e na outra um frasco contendo algo parecido com uma pomada transparente.

"Aonde você vai?", indagou Harry desconfiado. A capa negra de Snape parecia muito a capa que os Comensais da Morte costumavam usar.

Severus não respondeu. Parou em frente a Potter, depois guardou a varinha no bolso. Em seguida abriu o frasco e pegou um pouco do creme com os dedos. Começou então a passar a pomada nas queimaduras que Harry tinha nas mãos.

"O que é isso?", indagou o rapaz.

Snape continuava mudo. O Gryffindor percebeu que a pomada estava diminuindo as queimaduras. Elas retraíam até desaparecer. Quando as feridas das mãos sumiram, Severus aplicou o creme no pescoço e queixo.

"Aonde você vai?", repetiu.

Severus fingia que não estava ouvindo. Terminou de passar o creme nos braços e ombros do rapaz e se afastou alguns passos.

"Por que não está falando comigo, droga?"

Snape o fuzilou com os olhos.

"E o que quer que eu te diga? Quer que eu expresse o meu desejo quase incontrolável de torturá-lo ou quer que te fale sobre os meus planos de vingança contra Skeeter? Porque, acredite em minhas palavras, Potter, aquela mulher terá cem vezes mais queimaduras do que você."

"Ela não teve culpa nenhuma. Eu sou o único responsável. Fui eu quem pediu para publicar a historia. Fui eu que escolhi justamente essa repórter."

"E por que, diabos, você escolheu essa maldita para escrever?"

"Porque eu sabia que todos os jornais iriam publicar sobre nosso relacionamento. Se nós conseguíssemos sobreviver ao pior, então, aguentaríamos todas as outras reportagens..."

"Você não tinha esse direito, Potter. Você não tinha o direito de me expor desse jeito."

Harry estava começando a ficar irritado. Severus voltou a chamá-lo de Potter.

"Pensei que você não fosse covarde, Snape, mas pelo visto me enganei. Você tem medo da exposição, não é? Se você tem tanto medo assim, então você não devia mesmo ter proposto um relacionamento justamente para mim. A minha vida sempre será assunto de reportagens!"

"Cuidado com as palavras, Potter...", sussurrou de um jeito perigoso.

"Cuidado por quê? Você é covarde mesmo! Tem medo das pessoas, não é? Ou seria vergonha? Tem vergonha de estar transando com um rapaz que tem idade para ser seu filho, Snape?"

"Eu não tenho medo e nem vergonha", sibilou.

"Então prove! Escolha um repórter de sua preferência e esclareça as coisas. Prove que não tem vergonha de mim..." A voz de Harry começou valente, mas no fim estava frágil.

Fragilidade que não passou desapercebida por Severus.

"Por que eu teria vergonha de você? Você é, afinal, o salvador do mundo mágico. O bruxo que derrotou o Lord das Trevas. É um homem extraordinário."

"Então por que você está dando esses ataques? Por que ficou tão irritado por eu revelar nossa relação?"

Snape sentiu a insegurança do amante. Vê-lo assim diminuiu exponencialmente a raiva do Slytherin.

"Sempre fui um homem discreto, Potter. Eu nunca tive manchetes em jornais comentando minha vida. Mas... Eu tenho que começar a me acostumar com a falta de privacidade a partir de agora, afinal, eu namoro uma celebridade", Severus caminhou até o rapaz. Parou em frente a ele, e olhando-o firmemente nos olhos voltou a falar:

"A raiva que eu sentia com a exposição de nossas vidas não foi nada se comparada ao ódio que senti ao te ver machucado. Machucado por minha causa."

"A culpa não foi sua...", afirmou e colocou a mão em cima da de Snape.

Severus levou a mão do rapaz aos lábios. Beijou o peito da mão e respondeu:

"A culpa é minha sim, afinal, como disse a fantástica repórter, eu sou Comensal da Morte, assassino, possível serial killer..."

"Você é um herói!"

Snape sorriu debochado.

"Herói? Que tipo de herói dá detenções para o 'moçinho'? Que tipo de herói mata velhinhos sem varinha?"

"Você é só um herói diferente, mas isso não te torna menos he..."

Severus levou um dedo a boca de Harry, fazendo-o calar.

"Eu não preciso ser herói. Você já é heróico por nós dois."

Potter afastou o dedo do Slytherin para poder voltar a falar.

"Ainda está bravo?"

"Estou, mas eu entendo. Afinal, você é só um moleque de dezoito anos namorando um homem de trinta e oito. É normal que fique inseguro."

Harry sorriu maliciosamente. Iria aproveitar que a voz do Slytherin não estava mais nenhum pouco irritada. Se levantou do sofá e aproximou o rosto do mais velho, depois beijou o nariz dele. Permaneceu com os lábios sob o nariz do amante.

Severus o fitava impassível. Ainda assim, levou a mão até a virilha do Gryffindor. Lá começou a acariciar o membro do rapaz.

Potter soltou um murmúrio de prazer.

Toc toc toc.

Os dois se entreolharam. Harry parecia aflito, por outro lado Severus deu um sorriso cruel.

"Tomara que seja a Skeeter, vai me poupar o tempo de caçá-la", falou. Depois se afastou do rapaz e foi até a porta.

Toc toc toc – mais batidas insistentes na porta.

"Não atenda, Severus", pediu. Ao mesmo tempo tirava a camisa de dentro da calça para esconder o recém adquirido volume em sua virilha.

"Você não me chamou de covarde? Então vou te provar quem é covarde", disse e abriu a porta.

Até Snape se surpreendeu com o visitante. Imponente e ameaçador estava Lucius Malfoy emoldurado pelo batente da porta. Primeiro o loiro olhou para Severus, depois olhou para dentro da casa. Seu olhar se deteve em Potter. Em seus lábios se formou um sorriso de desdém.

"Eu precisava ver isso com meus próprios olhos."

Rapidamente Harry sacou a varinha do bolso da calça, apontado-a para Malfoy.

"O que veio fazer na nossa casa?", perguntou o Gryffindor

"Nossa casa? Então isso está mesmo muito sério, não Severus?", indagou com deboche. Em seguida entrou na casa sem esperar convite.

Snape fechou a porta, em seguida, apenas por precaução colocou a mão em cima do bolso onde guardava a varinha.

A varinha do Gryffindor continuava apontada para o coração de Malfoy. Sem se intimidar, o loiro caminhou até parar em frente ao intrépido garoto. Quando estavam frente a frente Lucius abriu um sorriso debochoso para ele.

"Não tenho mais varinha, Potter. Você é um honrado Gryffindor, não é? Não atacaria alguém incapaz de se defender, atacaria?"

Severus não gostou nada da proximidade entre Lucius e Harry. De novo, somente por precaução, ele aparatou entre os dois.

O sorriso de escárnio de Malfoy aumentou ao ver o Comensal em frente a ele, bloqueando seu contato com o Gryffindor.

"Está tentando proteger Potter de mim, Severus? Isso é tão comovente! Mas devo dizer que não combina com o seu estilo. Você não costumava ser do tipo..."

"Por que você não se senta, Lucius?", sugeriu interrompendo Malfoy.

Harry sentia um clima de velhos amigos entre os dois. Por mais desagradável que fosse Severus talvez ele tivesse um ou outro amigo. Mas... Era um Malfoy! Potter não queria se sentir inferiorizado por causa de um Malfoy! Contornou Severus que estava em frente a ele, uma clara tentativa de protegê-lo e voltou a ficar frente a frente a Lucius. Com a varinha firmemente segura na mão, Potter perguntou:

"O que aconteceu com a sua varinha?"

"Confiscada. Assim como todos os meus bens materiais. Penas alternativas para Comensais da Morte não tão perigosos. Cortesia do novo ministro da magia", explicou com pouco caso.

Eles estão me ignorando?, refletia Severus, totalmente excluído.

"Deveria ser grato por não ter ido parar em Azkaban, Malfoy."

"E eu sou grato", disse e olhava atentamente para o garoto. "Assim como também sou grato a Severus. Sem o depoimento dele eu teria ido para Azkaban."

Enfim eles resolveram me colocar na conversa, pensou Snape com ironia.

Harry olhou confuso de um para o outro.

"Severus não te contou? Ele prestou depoimento na minha audiência. Shackebolt levou muito isso em consideração. Afinal, Severus se mostrou o grande traidor do Lord das Trevas."

Potter fitou Snape levemente ressentido.

Severus lançou um olhar para o amante do tipo 'te explico isso depois'.

Com um sorriso sádico Malfoy voltou a falar.

"Acredito que ele também não tenha te falado sobre a época em que éramos adolescentes em Hogwarts. Aconteceram coisas interessantíssimas naquela masmorra..."

Ok, agora meu velho amigo está passando dos limites, pensou Severus.

"Lucius...", falou em tom de advertência.

Malfoy se virou para o Slytherin.

"Sabe, Severus, eu devia ter traído o Lord das Trevas. Assim não só ficaria livre de Azkaban como também ganharia Potter de brinde."

Harry rosnou, a varinha ainda apontada para o loiro.

Snape se manteve impassível enquanto perguntava:

"O que veio fazer aqui?"

"Queria ver. Draco me contou, mas confesso que não acreditei. Eu queria ver com meus próprios olhos a insanidade que está cometendo. Aliás, eu vim para conversar com você sobre isso, Severus", explicou e depois olhou para o garoto. "Em particular, se possível."

O Slytherin preferia deixar Potter o mais longe possível de Lucius. Mas então se lembrou de como o rapaz tinha ficado com ciúmes de Draco. Se Harry é capaz de sentir ciúmes de um ex-aluno meu, ele certamente morrerá de ciúmes de Lucius, refletia Snape. É melhor que ele esteja presente para ver e ter certeza que não há nada entre nós.

"Harry fica, se quiser."

Potter deu um sorriso arrogante para Malfoy.

"Por que não nos sentamos?", sugeriu Snape.

"Estou bem assim, Severus. Será uma conversa bem rápida. Ainda que tenha traído o Lord das Trevas e seus princípios... Eu admito que estou em dívida com você. Ajudou meu filho quando eu não podia. Sou grato a você por isso. E é essa gratidão que me motiva a vim alertá-lo. Você sabe que alguns de nossos amigos estão foragidos. Estão loucos e cheios de ódio. Querem vingança, naturalmente. E advinha só quem será o alvo da vingança? O homem que não apenas traiu o Lord das Trevas como está morando com o assassino dele. Pode imaginar aonde eles vão vir para ter a merecida vingança?"

"Está nos ameaçando, Malfoy?", indagou Potter.

"Se alguém vier atrás de mim é bom que ao menos eu estou com o bruxo que derrotou o Lord das Trevas. Acho, então, que Harry não terá grandes dificuldades em me proteger de alguns Comensais", falou Snape com sarcasmo.

Severus havia acabado de fazer um elogio para Potter? Um elogio em público? E era orgulho mesclado a sarcasmo que estava na voz de Snape? Harry abriu ainda mais o sorriso.

Lucius balançou a cabeça, um pouco incrédulo.

"Já vi que perdi meu tempo vindo aqui. Bela morreu, Severus, mas o marido dela continua vivo e é um dos fugitivos. Se eu fosse apostar em alguém que virá atrás de vocês, com certeza seria Rodolphus."

"Se era só isso, Lucius...", falou impaciente. Snape queria o mais rapidamente encerrar aquela conversa. E principalmente aquela visita.

"Já vou, Severus. E boa sorte!", disse e desaparatou.

Potter fitou o amante que parecia aliviado e pensativo. Ainda que tivesse adorado ouvir o Snape falando dele com orgulho, haviam algumas coisas que precisavam ser esclarecidas.

"O que exatamente aconteceu entre você e ele em Hogwarts?"

Snape demorou alguns segundos para responder.

"Nada demais. Ele só falou aquilo para te provocar."

"Não aconteceu nada entre ele e você?"

"Nada que valha a pena recordar..."

"E o depoimento no julgamento?"

"Isso é verdade."

"E por que não me contou?"

"Porque não era importante."

"Você devia ter me falado..."

"Está com ciúmes?", indagou debochado. "Primeiro tem ciúmes de Draco e agora de Lucius? Acha mesmo que eu sinto atração por Slytherins?"

"Não sei. Você sente?"

Novamente Snape identificou aquele timbre de insegurança na voz do rapaz. Sorrindo enviesado, ele respondeu:

"Não, eu não sinto. Eu só me atraio por Gryffindors..."

"Gryffindors? Mais de um?"

Ainda sorrindo Severus retrucou:

"Não, Harry. Apenas um Gryffindor. Meu aluno mais insolente e arrogante, com uma cicatriz na testa..."

A voz do ex-professor estava tão sensual que Potter sentia sua ereção reagir e as bochechas ficarem quentes.

Severus, agora em frente a Harry, segurou o queixo de Potter, depois o beijou. O Gryffindor resistiu um pouco no começo. Ainda não estava totalmente convencido de que não havia nada entre os dois Slytherins, mas acabou cedendo. Snape beijava tão bem.

Sem desgrudar os lábios dos de Harry, o Slytherin levou a mão até a ereção do rapaz e a acariciou com vigor. Rapidamente a ereção de Harry estava dura.

Potter desfez o beijo, pois tinha ficado sem fôlego. Colocou a testa no ombro direito do amante. Estava aproveitando a incrível habilidade que Severus tinha de excitá-lo.

"Harry?", chamou.

O Gryffindor abriu os olhos.

"Sim, Severus?"

"Está bom?", perguntou sem deixar de tocá-lo.

"Está fantástico..."

Assim que o garoto respondeu Snape cessou os movimentos.

"Por que você parou?", perguntou com leve indignação.

Severus se afastou lentamente.

"Esse é o começo do seu castigo. Achou mesmo que iria me expor desse jeito e ficar impune?"

"Mas você me ama!"

"Sim, Harry. Eu te amo mais do que qualquer pessoa no mundo, mas isso não significa que eu vá ser conivente com suas estupidezes."

Potter olhava incrédulo para o amante.

"Você realmente vai me deixar assim?", indagou e gesticulou para a própria virilha.

"Sim, eu vou. E você vai dormir na sala hoje."

"O quê?"

"Se não está satisfeito pode ir embora."

"Eu não vou embora nem que você me expulse!"

"Ótimo. Espero que você tenha uma boa noite de sono no sofá."

"Você ainda vai sair?"

"Não hoje. Lucius tem razão. Talvez venham atrás de mim. Não posso deixá-lo sozinho aqui."

"Mas você está me deixando sozinho na sala!"

"Mas não está sozinho na casa."

Severus sorria sadicamente vendo a feição irritada do amante.

"Ia me esquecendo...", disse e aparatou em frente ao garoto.

Potter sorriu achando que o Slytherin iria voltar a tocá-lo. Mas Snape não fez isso. Apenas pegou a varinha do rapaz e desaparatou do outro lado da casa.

"E o que significa isso agora?", questionou ainda mais indignado.

"Nada de transfiguraçãoes. Quero que você durma no sofá."

"Isso é tão ridículo..."

"Preciso repetir que se você não está satisfeito, pode sair?"

"E me deixará voltar depois?"

"É evidente que não."

"Então eu não vou sair porra nenhuma!"

"Ótimo. Tenha uma boa noite, Harry. Você tem que acordar cedo amanhã para sua aula", falou com deboche. Depois desaparatou deixando Potter sozinho pela terceira vez naquela sala.

Continua... : )

OoOoOoOoO

Comentários da autora: Sinceras desculpas pela demora em publicar. Aconteceu de novembro ser um mês bem complicado para mim.

Enfim... Capítulo está aí. Espero que gostem. = )

Sobre o time grená, branco e verde... Bem, foi uma homenagem que eu não resisti de fazer para o meu time. Espero que todos saibam que se trata do meu glorioso Fluminense - que ganhou o tricampeonato hoje.

OoOoOoOoO

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