Capítulo III

Como Severus é vingativo!, refletia Harry deitado no sofá da sala. O Gryffindor, por fim, aceitou que teria que dormir ali. Tentara a todo custo convencer o amante para deixá-lo ficar no quarto com ele, mas o Slytherin estava irredutível. Deu um travesseiro e um cobertor ao rapaz e disse-lhe boa noite, em seguida fechou a porta na cara do ex-aluno.

Potter se remexeu no sofá. Era tão mole e desconfortável. E pensar que enquanto ele estava deitado em um sofá, Severus estava lá em cima em uma grande e macia cama.

"Cretino!", resmungou.

Harry girou o corpo, se virando em direção a lareira. O clima estava chuvoso e friozinho, mas o Gryffindor não estava sentindo frio. Ainda sentia o corpo quente ao pensar que estava sendo punido pelo amante por causa da reportagem. Ao menos, Potter estava aliviado, já que Severus não sentia vergonha da relação deles. Harry vestia apenas a calça preta do pijama de algodão. Tinha retirado a camisa, pois ficou suado enquanto tentava dissuadir Snape a reconsiderar o castigo.

O rapaz ficou observando as chamas dançarem na lareira durante longos minutos. Enfim, estava começando a sentir sono. Seus olhos estavam fechados quando ele ouviu um barulho familiar. Harry afofou mais o travesseiro, mas continuou de olhos fechados. Devia ser a lenha da lareira estalando. Então ouviu mais duas vezes o mesmo ruído.

Potter abriu os olhos, esquecendo por hora o sono que sentia. Esse barulho... Parecia o som de alguém aparatando. O garoto sentiu o corpo esfriar. Tinha gente aparatando na casa? E ele estava desarmado? E sozinho na sala? Ele paralisou, pois agora estava ouvindo claramente passos pela sala.

Qualquer pessoa que aparatasse na casa de outro bruxo em plena madrugada não tinha boa intenção. Harry precisava fugir dali. Mas caso se movesse chamaria a atenção e seria atacado. Todavia, pior ia ser se ele ficasse parado esperando o inimigo se aproximar. Ele rolou do sofá para o chão com um baque suave, em seguida, engatinhando, tentou atravessar a sala e chegar até as escadas.

"Ele está aqui", disse uma voz masculina grave.

Depois, Potter sentiu um feitiço atingi-lo nas costas. Seu corpo ficou imóvel, ele não conseguia se mexer. O rosto grudado no chão. Logo em seguida, Harry ouviu passos se aproximarem dele. O homem o virou, deixando-o deitado de costas, em seguida deu-lhe um sorriso macabro e retirou o capuz característico de Comensal da Morte que antes tampava seu rosto. O homem tinha cabelos e olhos negros, era alto e encorpado. Com horror, Potter notou que os olhos dele se pareciam demasiadamente com os de Snape, quando o Slytherin era apenas seu professor. Eram olhos frios e malévolos. O homem tinha barba e pele amorenada. Usava vestes e capa negra. Harry conhecia aquele bruxo. Era Rodolphus Lestrange, um dos Comensais fugitivos.

Ao reconhecer o Comensal da Morte, o Gryffindor sabia que ia morrer, mas ao menos iria alertar Severus. Caso Snape se salvasse, isso já era um grande consolo para Harry. Por isso ele berrou:

"FUJA DA CASA!"

Rodolphus se sobressaltou com o grito, depois tornou a apontar a varinha para Harry e desferiu uma segunda azaração.

O garoto tentou berrar mais algumas instruções, mas não conseguia. Sua voz simplesmente não saía.

O Comensal da Morte tornou a sorriu. Lançou mais um feitiço no rapaz, agora Potter estava de pé. O homem passou o braço pelo pescoço do Gryffindor, enquanto apoiava o corpo do garoto no seu para que não caísse para frente.

"Agora vamos esperar Severus aparecer, Potter."

OoOoOoOoO

Severus não dormia no quarto, nem ao menos estava na cama. Ele estava sentado na poltrona e pensava sobre um possível ataque a ele e Harry. Snape já esperava alguma represália desde que Potter havia revelado a todos o conteúdo das memórias dele. Afinal, ele foi o traidor do Lord das Trevas e os seguidores mais fervorosos do Lord com certeza iriam querer se vingar dele. Mas o tempo passou e nada aconteceu. Os Comensais da Morte provavelmente tinham problemas mais urgentes, como se esconder, do que ficar atrás do traidor.

O Slytherin se preocupava mais com a segurança de Harry do que com a dele. Se alguma coisa acontecesse ao Gryffindor por sua causa, Severus seria capaz de se matar por conta do remorso.

Snape não lançou feitiços protetores sob a casa, porque o próprio Potter havia lançado azarações efetivas para confundir quem se aproximasse. O feitiço tinha funcionado perfeitamente bem, pois nenhuma coruja tinha voltado a incomodá-los ao longo do dia. Nenhuma coruja. Coruja? Severus se pôs de pé, levemente em pânico. Como ele pôde ser tão tolo? A azaração de Potter só funcionava com animais, já que Lucius conseguiu chegar a casa. E se Malfoy era capaz, isso quer dizer que outros também eram.

Snape ia começar a lançar feitiços de proteção na casa quando ouviu Harry gritar.

Levemente em desesperado, o Slytherin correu para fora do quarto segurando firmemente a varinha. Ao terminar de descer as escadas e chegar a sala, Severus encontrou três Comensais da Morte. Avery, Rodolphus e Rabastan Lestrange. Rodolphus mantinha Harry preso junto a ele, como se usasse o garoto como um escudo. O bruxo sorriu para Snape e apontou a varinha para a cabeça de Potter.

Impassível e aparentando uma tranquilidade que não sentia, Snape indagou:

"O que está acontecendo aqui? Não creio que seja educado fazer visitas a essa hora da madrugada."

"Guarde sua ironia para você, sua escória!", rosnou Rabastan.

Por outro lado, seu irmão bastante calmo ordenou com sua voz grave:

"Largue a varinha, Severus ou vamos machucar o garoto."

Sem olhar para Harry, Snape retrucou:

"Eu não me importo. Na verdade torço para que Potter sofra muito. Se quiserem tenho algumas poções que causam uma dor intensa..."

"Não minta para nós, Severus. Lemos o jornal, sabemos que você está com Potter."

"Foi a maior mentira que aquela psicótica publicou. Não é verdade..."

"Severus, largue a varinha. Agora. Esse é meu último aviso", ameaçou Rodolphus impaciente.

"Eu não tenho nada com esse garoto. Ser quer matá-lo, vá em frente", disse com a voz soando horrivelmente fria.

Harry sabia que o ex-professor estava mentindo, mas ouvi-lo falar aquilo com aquela voz gélida doía. Doía demais. Ele virou o rosto, evitando encarar o amante.

"É mesmo? Então, não se importará que eu faça isso", disse Rodolphus e lançou um feitiço em Potter.

Um corte longo e profundo apareceu na barriga do garoto. Harry mordeu os lábios para não berrar de dor. Parecia que a ferida estava em chamas. Ele continuou evitando olhar para Severus para não demonstrar como aquilo estava doendo.

Snape ficou olhando o sangue de Potter pingar no assoalho. Percebia também o esforço do garoto para demonstrar que não estava doendo. Ainda assim, Severus continuou impassível. Ele não moveu um músculo sequer do rosto.

"Não precisa ser assim. O garoto não precisa se machucar. Você só precisa largar a varinha", disse Rodolphus.

"Potter pode morrer de hemorragia na minha frente. Eu não ligo. Agora, se vocês só querem matar Potter, por que continuam em minha casa? Matem-no em outro lugar. Não quero sangue gotejando em minha sala."

Rodolphus sorriu. Sabia que Severus estava mentindo. Por isso resolveu atingi-lo por outro lado.

"Veja, Severus. Eu quero que você veja o que vou fazer", disse e em seguida acendeu as luzes da casa com um aceno de varinha. Depois aproximou o rosto do de Harry, que estava contorcido de dor, e lambeu languidamente a bochecha do rapaz.

A vida inteira sendo um homem controlado, disciplinado. Um legítimo espião. E tudo isso não adiantou nada. Não teve autocontrole que conseguiu segurar Snape de fazer o que pretendia. Severus tinha ciência de que era uma ação precipitada e que pagaria caro por fazê-la, mas ele não conseguiu se refrear. O ciúmes queimou dentro dele. Ele mirou bem Rodolphus e lançou um feitiço certeiro nele. A azaração atingiu o alvo, que caiu inconsciente. Harry ficou momentanemente livre e Snape mandou:

"Saia!"

Mas no segundo seguinte os dois Comensais restantes azararam Severus, que também caiu.

Potter não pensava em sair. Primeiro porque não conseguia. A dor em seu peito era tanta, que ele estava aturdido. E segundo, ele jamais deixaria Snape para trás. Avery sorriu para Harry e apontou a varinha para ele, em seguida a visão do Gryffindor escureceu.

OoOoOoOoO

Severus acordou, desejando profundamente que tudo aquilo fosse um pesadelo. Mas nem precisou abriu os olhos para saber que não era um sonho, era tudo real. Ele sentia correntes em volta de seu corpo, prendendo seus braços junto a barriga e suas pernas presas uma a outra. Sabia também que estava flutuando no ar, visto que seus pés não pisavam no chão. Ele abriu os olhos e esperou pelo pior. Talvez já tivessem matado Harry.

"Decidiu acordar, Severus? Bem vindo de volta!", saudou Rodolphus.

Ignorando o Comensal que estava na sua frente, Snape olhou para o local onde estava. Se surpreendeu ao ver que não tinha saído de onde recebera a azaração que o nocauteou. Continuavam em sua casa, em sua sala. Haviam agora mais dois Comensais da Morte, além dos outros três. Identificou Dolohov, mas o segundo Severus não conseguiu reconhecer. Este estava afastado dos demais, com o capuz em cima da cabeça. Mas nenhum dos Comensais olhava para Severus. Estavam todos observando Potter com olhos cobiçosos. Exceto Rodolphus que estava bem próximo a Snape.

Severus virou o rosto para ver seu amante. Harry também estava envolvido por diversas correntes de aço e suspenso no ar. A ferida em seu peito ainda estava aberta e gotejava sangue. O Gryffindor parecia estar dormindo, tamanha sua tranquilidade.

"Ele não está morto, se quer saber", disse Rodolphus que acompanhou o olhar de Severus.

"Não? Mas vai morrer muito em breve se não fecharem aquele maldito corte."

"Tem razão", disse Rodolphus e lançou um feitiço não verbal em Harry. Instantaneamente a ferida cicatrizou. "Não podemos deixar que Potter morra agora. Temos muito que fazer com ele."

Os demais Comensais da Morte sorriam de forma lasciva.

Snape fechou os punhos. Ele tremia de ódio. Conhecia bem aqueles sorrisos. Por culpa dele, Harry seria violentado diversas vezes e por fim, quando se cansassem do corpo do garoto ele seria morto.

Avery estava parado em frente a Potter e com uma expressão faminta no rosto.

"Diga-me, Severus. Compensou trair o Lord das Trevas, não foi? Ter Potter...", ele parou de falar e passou a língua pelos lábios. "Potter parece ser delicioso..", disse e passou a mão pelo abdômen do rapaz adormecido.

O ex-professor tremia tanto que parecia que estava tendo uma convulsão.

"Tire sua mão dele!", sibilou.

Todos riram.

"Ele tem razão", falou Rodolphus. "Afinal, temos dois convidados aqui. Temos que dividir nossa atenção", disse sugestivo, fitando Severus de forma libidinosa.

Snape reparou que os outros Comensais não pareciam dividir a mesma opinião de Rodolphus. Todos estavam muito mais interessados no Gryffindor do que nele. Ele inspirou profundamente, tentando se acalmar. Olhou para Rodolphus, que parecia ser o líder e disse:

"Vamos negociar. O que quer para me deixar ir? Sei que vocês só desejam Potter."

Rodolphus riu com malícia, depois indagou:

"E o que te faz pensar que eu não quero você, Severus?"

"Sou um traidor. Se querem alguma coisa comigo é a minha morte. Como ainda não me mataram suponho que ainda desejam alguma coisa de mim. O que quer, Rodolphus? Quer que eu te ensine a voar sem vassoura? Ensinamento esse que o Lord das Trevas só passou para mim?", questionou Severus, forçando um sorriso de escárnio; não sentia vontade nenhuma de sorrir.

Rabastan avançou em direção a ele. A varinha erguida e pronta para enfeitiçar Severus.

"Acha mesmo que nos contentaremos em somente te matar? Esqueceu o que é ser Comensal da Morte, Snape? Você vai sofrer antes de morrer. Sofrer muito. Cogito a hipótese de te deixar vivo para quando o Lord das Trevas se reerguer ele mesmo poder te torturar..."

Dessa vez Severus deu um verdadeiro sorriso debochado.

"O Lord das Trevas está morto, imbecil! Ele não vai se reerguer. Só sendo muito estúpido para acreditar em tamanha idiotice...", disse maldoso para Rabastan.

"Crucio!", murmurou Rabastan.

A dor envolveu Snape, mas por incrível que pareça ele estava satisfeito com isso. Ele merecia mesmo sofrer por provocar aquilo a Harry. Severus não gritou, apenas respirou com dificuldade enquanto esteve sob o feitiço.

"Já chega", falou Rodolphus. Imediatamente o feitiço parou.

"Ele nem ao menos gritou, irmão."

O corpo e a alma de Snape doíam. Ele não saberia dizer qual doía mais. Ainda assim ele esboçou um sorriso debochoso para o seu torturador.

"Acho que um elfo doméstico proporcionaria uma Cruciatus mais forte que a sua."

Rabastan avançou novamente em direção a Severus, mas Rodolphus o deteve.

"Eu disse já chega. Além do que, existem outras formas de fazê-lo gritar."

Rabastan parecia contrariado, ele queria realmente torturar Severus mais um pouco. Mas o irmão era o líder e ele não o desafiaria.

Sorrindo de malícia, Rodolphus foi até Harry. Passou a mão pelos cabelos do garoto, depois acariciou o rosto do Gryffindor. Fez tudo isso sem retirar os olhos de Snape.

"Potter é muito suculento... Dá vontade de morder... Alguém sabe sobre Greyback? Acho que ele adoraria dar umas mordidas em Potter..."

"Vocês deviam começar a rezar. Se eu conseguir sair daqui, os Longbottom vão parecer normais perto dos danos cerebrais que causarei em vocês!"

"Está nos ameaçando, seu mestiço imundo? CRUCIO!", berrou Rabastan.

De novo, a dor envolveu Severus. E novamente ele a recebeu como se fosse bem vinda. É claro que a dor física era muito forte, mas nada se comparava a dor emocional que Snape sentia. Por isso, a dor em sua carne era um alívio, pois o fazia esquecer. Momentaneamente ele esquecia que Harry seria torturado, violentado e morto por sua causa.

"Basta", novamente a voz grave de Rodolphus encerrou o feitiço.

Severus estava suando e tremendo. Sua boca sangrava, pois no esforço de não gritar, ele mordera os próprios lábios.

Sorrindo de um jeito predatório, Rodolphus se aproximou de Snape. Tocou seu braço esquerdo, no exato local onde antes tinha a Marca Negra.

"Você não honrou a Marca, Severus. Por conta de sua traição, o Lord das Trevas desapareceu. Mas você foi muito corajoso. Enganar o Lord... Todavia, agora você deve arcar com as consequências. Ninguém trai o Lord das Trevas e permanece vivo. Lembra-se o aconteceu com Regulus?"

Snape não estava ouvindo nada que o outro dizia. Seus olhos eram todos de Potter e dos malditos que estavam rodeando ele. Tocando nele... O sangue de Severus estava fervendo de cólera.

"Foi uma poção de amor modificada que você fez, Snape?", indagou Avery. "Ainda tem dela em casa, não é? Me diga onde está, quero sentir como é ser desejado por Harry Potter."

"A única poção que darei a você será um veneno."

Harry abriu os olhos ao ouvir a voz de Severus. Se espantou quando notou que estava amarrado por correntes e sentindo seu corpo ser acariciado por mãos que não eram de Snape. Olhou e identificou dois Comensais da Morte. Avery e Dolohov estavam parados ao seu lado e tocando-o de forma obscena. Potter sentiu o estômago contrair de ânsia.

"Pensei ter dito para pararem de tocar nele!", rosnou Snape.

Os Comensais da Morte riram como se achassem graça Severus dar ordens.

Rodolphus limpou com um dedo o sangue que escorria dos lábios de Snape.

"Você não está em condição de impor alguma coisa, Severus. É como se o alimento servido na mesa falasse que não quer ser comido."

"Vá para o inferno, Rodolphus!"

"Vamos matá-lo agora, Rodolphus", sugeriu Avery.

"Não!", berrou Potter.

"Ele não tem utilidade nenhuma para nós. Vamos nos livrar dele", disse Rabastan sorrindo diabolicamente e apontando a varinha para Severus.

"NÃO!", urrou novamente Harry.

Os Comensais da Morte ignoravam o Gryffindor.

Snape ficou impassível, mas com um ar de alívio. Parecia até que desejava a morte. Só assim, ele não veria o que aconteceria com Harry.

Rodolphus já ia protestar, falando que Severus tinha utilidade para ele. Mas outra pessoa foi mais rápida e interveio.

O único Comensal da Morte que ainda usava capuz se aproximou. Em seguida retirou o capuz e Severus pode identificá-lo. Era Lucius. Ele disse:

"Não façam isso."

"Não fazer o que, Lucius? Acha que ele continuará vivo?", perguntou Rabastan.

"Achei que íamos torturá-lo antes de matá-lo", disse Malfoy soando indiferente.

"Você não foi inocentado, Lucius?", indagou Rodolphus desconfiado.

"Sim."

"Por que está aqui, então?", quis saber Rodolphus.

"Porque fiquei sabendo da reunião."

"Você não é amigo íntimo de Severus?", rosnou Rabastan.

"Éramos", falou com a feição impassível.

"Por que está aqui? Veio ver seu amigo ser torturado?", indagou Rabastan ironicamente.

"Ex-amigo. Não mantenho relações com traidores", corrigiu. "E não estou aqui por Severus. Estou aqui porque quero Potter."

"É mesmo?", questionou Rodolphus.

"Quero brincar com Potter um pouco."

"Entre na fila, Lucius. Todos querem um pouquinho de Potter", disse Avery.

Severus ficou ainda mais pálido. Malfoy queria Potter? Snape tentou desesperadamente se desvencilhar das correntes em seu corpo, mas elas não cediam de jeito nenhum. O Slytherin não tinha esperança nenhuma que os dois saíssem vivos dali, mas queria fervorosamente que ao menos Harry sobrevivesse. Mas não via como isso poderia acontecer.

Malfoy deu um de seus sorrisos mais arrogantes. Tirou uma sacola de pano debaixo da capa e a jogou no chão. Ao bater no assoalho, as moedas de ouro tintilaram.

"Eu não sou o tipo de homem que espera, Avery. Quero ser o primeiro a ter Potter."

"Seus bens não haviam sido confiscados?", indagou Rabastan enquanto olhava a enorme quantidade de galeões dentro do saco.

"Teoricamente", respondeu sorrindo de forma presunçosa.

"Pois bem. Já que você insiste tanto, Lucius, pode levar o garoto. Você tem uma hora. Aproveite!", disse Rodolphus.

Ouviu-se murmúrios de discordância por parte dos outros Comensais da Morte. Eles não gostaram muito de Malfoy ser o primeiro. Mas nenhum parecia ter coragem suficiente de discordar de Rodolphus.

Harry viu o loiro caminhando em sua direção. Ele sorria de um jeito zombeteiro e pretensioso, um sorriso igual ao do filho. Potter virou o rosto em direção a Severus. Foi a primeira vez na vida que ele viu o ex-professor com uma feição perturbada. Snape aparentava estar receoso, apavorado até.

Os olhos verdes se encontraram com os negros e Severus falou:

"Não espero que me perdoe por isso, Harry, mas..." A voz de Snape parecia embargada.

"Não precisa pedir perdão, Severus. Não me arrependo das escolhas que me levaram até você. Não me arrependo de nada que aconteça por eu ter escolhido ficar com você."

"Comovente, Potter. Comovente demais. Acho que é a primeira vez que vejo Severus emotivo."

"Por que não fica comigo, então Lucius? Para relembrar os velhos tempos...", sugeriu Snape.

"Acho que não, meu caro. No passado já fiquei demais com você. Potter é a novidade. Quero ter a mesma sensação que você teve ao penetrá-lo."

Severus apertou os olhos e tentou avançar em direção a Malfoy, mas as correntes impossibilitavam que ele se movesse muito.

Lucius olhou para Snape e ergueu uma sobrancelha.

"Não vai cuspir em mim, vai? Se fizer isso terei que te torturar."

"Ele não vai fazer nada! Não pagou para ficar comigo? Deixe-o em paz", disse Harry.

"Gryffindors... Sempre altruístas."

"Leve logo o garoto, Lucius. Tem muita gente aguardando para ficar com Potter. Enquanto espero você terminar, quero desfrutar da companhia de Severus", falou Rodolphus. Os olhos negros cintilaram ao olhar Snape.

"Sempre soube que você era viado, Rodolphus. Era por isso que Bellatrix era tão amargurada. Você não dava para ela o que ela queria."

Snape pensou que Rodolphus fosse azará-lo ou até agredi-lo, mas o bruxo se limitou a sorrir.

"Tive uma ideia. Acho que Severus vai adorar ver como Lucius violenta o Salvador do Mundo Mágico. Depois Potter vai assistir enquanto eu violento o nobre traidor."

"Eu tenho uma ideia melhor. Acho que você preferiria que eu te violentasse, Rodolphus", rosnou Severus.

Rodolphus continuou sorrindo para Snape, mas ergueu a varinha, apontando-a na direção do peito do ex-professor.

"Não! Nada disso. Eu não quero plateia", disse a voz arrastada.

"Está de novo impondo, Lucius?", questionou Rodolphus. Ele baixou a varinha que mantinha apontada para Severus.

"Quer quanto para eu ficar a sós com o garoto?", retrucou Malfoy.

"O que tem a esconder?", questionou Rabastan.

"Nada. Assim como não tenho nada a compartilhar."

"Leve logo Potter. Terá apenas trinta minutos, já que não quer plateia", disse Rodolphus.

Lucius lançou um feitiço no garoto e o corpo do Gryffindor começou a se mover em direção a varinha de Malfoy, como se o corpo dele fosse atraído pela varinha. Harry continuava amarrado e flutuando no ar enquanto era deslocado até Lucius.

"Tem um quarto com cama na primeira porta depois das escadas", instruiu Rodolphus.

"Eu sei", disse Malfoy, que subia as escadas com Potter flutuando logo atrás dele. "Eu já frequentei muito esse quarto em outras épocas...", acrescentou com malícia.

Harry cerrou os punhos. De novo, Malfoy insinuava que no passado teve algo com Snape. Ele balançou a cabeça, como se quisesse tirar isso dos seus pensamentos. Tinha assuntos mais importantes para resolver no momento. Potter virou o rosto na direção de Severus.

Snape não olhava para ele. Fitava o chão parecendo estar ao mesmo tempo enfurecido e desesperado.

"Ei... Olhe para mim...", pediu Potter.

Severus continuava fitando o chão. Estava inconsolável. A sensação de impotência era imensuravelmente torturante. Ter que ver alguém infligir dor a única pessoa que ele amava era a pior tortura de todas. Ele estava se odiando. Agora apenas não desejava morrer, como ansiava pela morte. Queria morrer o mais rápido possível.

"Severus...", chamou o garoto enquanto era conduzido por Malfoy até o segundo andar. "Olhe para mim..."

"Sugiro que olhe para Potter, Severus. Pode ser sua última chance", falou Rodolphus.

Snape fitou Harry. O garoto sorria para ele.

"Já estive em situações piores e sobrevivi. Vai dar tudo certo."

Os Comensais da Morte gargalharam.

"Isso mesmo, Potter. Mantenha a fé. Todos desejamos que você sobreviva a uma transa com Lucius, pois se Lucius se empolgar e matar você será o fim da festa", zombou Rabastan.

Continua... : )

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