Capítulo IV
Harry e Lucius haviam acabado de entrar no quarto. O rapaz fitou o próprio quarto. A janela, cortinas, poltrona, armário e por último seu olhar foi até a cama. Tantas lembranças. Tinha sido naquele cômodo que tudo começou entre ele e Severus. Havia sido naquele aposento onde ele começou a amar o Slytherin. Como esses malditos Comensais da Morte tiveram a audácia de invadir nosso lar?, pensava furioso. Eles vão se arrepender do dia que resolveram nos atacar!
A repentina fúria de Harry fez a lâmpada do abajur estourar. Malfoy fingiu não notar, apenas fechou a porta. O Gryffindor continuava flutuando e amarrado, mas estava bastante determinado. Ele se virou para seu suposto algoz e mandou:
"Solte-me logo daqui. Rápido!"
Lucius realizou alguns feitiços na porta antes de falar com Potter. Lançou um feitiço para impermeabilizar o quarto, impedindo que os sons saíssem e um segundo para selar a porta.
"O que o faz pensar que vou te soltar?"
"Sei que ainda é fiel a Severus. E depois, posso te oferecer o que quiser em troca, caso eu e Severus escapemos vivo. O que deseja? Uma ordem de Merlin, Primeira Classe?"
Os olhos de Malfoy brilharam com a proposta.
"Quero minha casa de volta. Todos os meus bens. Todo o meu ouro. O ouro que me foi confiscado pelo Ministério."
"Combinado. Eu consigo o que você quiser. Agora me solte."
Lucius não gostava do tom autoritário de Potter. Mas ele tinha ido a casa de Snape justamente para isso: tentar evitar que Harry e Severus fossem mortos pelos outros Comensais da Morte.
"Enquanto está preso quero combinar alguns detalhes com você..."
"Escute!", falou desesperado. Potter não queria perder tempo conversando. O tempo era precioso demais. O que estariam fazendo com Severus enquanto eles conversavam? "Eu sou o Salvador do Mundo Mágico! Se quiser um cargo no Ministério, eu te consigo. Talvez não possa ser Ministro, mas posso conseguir um cargo bom. Um chefe de Seção..."
"Não é sobre isso, Potter! Eu não quero trabalhar no Ministério. Quero falar sobre o que você vai fazer quando eu te soltar."
"Que pergunta estúpida! Eu vou matar qualquer um que tenha tocado em Severus."
Lucius sorriu de malícia.
"Então creio que terá de me matar também." O garoto ficou raivoso com a declaração do Slytherin, mas Malfoy continuou falando: "Não posso permitir que faça isso. Seria suicídio. Você é só um e tem ao menos quatro Comensais lá. Por você ter fugido, não será poupado, eles te matarão na hora."
"Eu me garanto."
"Não, garoto insolente! Você não se garante. Vou te falar o que vamos fazer. Te levarei até minha nova casa e de lá contataremos alguns amigos seus para que possam te ajudar."
"Nada disso! Eu não tenho tempo a perder! Não vou deixar aquele maldito violentar Severus."
Lucius sorriu para Harry quase como se sentisse pena dele.
"Você sabe que Severus foi Comensal da Morte durante muitos anos, não sabe? Ele está bem acostumado com a dor, Potter. E depois, o estupro é prática comum entre nós."
"Eu não quero saber! Não quero que toquem nele!", berrou.
"Acontece Potter, que se você for lá sozinho será morto. E Severus me matará por permitir que isso aconteça."
"Não quero saber, Malfoy!", tornou a berrar. Harry se agitava que nem louco nas correntes.
"Use a cabeça, garoto. Severus aguenta mais alguns minutos. A vida dele não corre risco imediato. Não reparou que Rodolphus está obcecado por ele? Ele só irá matá-lo depois de brincar muito com ele. Por isso, o melhor a fazer é aparatarmos em minha casa, depois você vai até seus amigos Weasley pedir ajuda. Eles são muitos e com certeza vão querer ajudá-lo."
"Não!"
"Acha que pode duelar contra quatro Comensais da Morte ao mesmo tempo? Sozinho?"
"Vou tentar. Já disse que não quero que toquem em Severus. E estou perdendo tempo discutindo com você. Basta você me soltar. Estou vendo minha varinha ali na mesinha de cabeceira."
O Slytherin ignorou o garoto.
"Vai ser pelo jeito difícil, Potter?"
"O quê?", questionou irritado, depois viu a varinha de Lucius mirar seu rosto. Em seguida, tudo ficou escuro de novo.
OoOoOoOoO
Harry estava recobrando a consciência aos poucos. Ouvia uma voz arrastada perguntando:
"Draco ainda não voltou?"
"Não, Lucius. Só quero ver se ele foi atacado por aqueles Weasley. Eu não te perdoarei!", disse uma voz feminina.
"Draco está bem, Narcissa. Os Weasley são pacíficos demais para atacar alguém. Quero que você fique de olho no garoto. A varinha dele está aqui, mas não dê para ele agora. Devolva somente quando Draco chegar com reforços. Eu vou sair e volto em uns instantes."
"Você não vai voltar para a casa de Severus, vai?", perguntou aflita.
"É óbvio que não. Vou ver se encontro Shacklebolt. Ele poderá chamar uns aurores para prender os Comensais da Morte foragidos."
"Ele acreditará em você, Lucius?"
"Provavelmente não. Mas vou tentar trazê-lo até aqui ou usar o nome de Potter e Severus. Se o garoto falar com ele, conseguirá convencê-lo."
"Boa sorte, querido."
Potter ouviu o barulho de alguém desaparatando. Assustado, ele abriu os olhos e viu que estava na sala de uma casa. A sala não era muito grande, mas tinha moveis de aparência cara. O chão era de mármore negro e as paredes eram forradas por papel de parede verde esmeralda. Havia algumas serpentes prateadas decorando o ambiente, indício de que a casa pertencia a algum Slytherin. Harry se encontrava deitado em um sofá confortável de couro negro. Ele tentou se mexer e conseguiu. Estava livre daquelas malditas correntes. O rapaz se sentou e fez menção de se levantar, quando uma voz o censurou:
"Fique no sofá, garoto!"
O Gryffindor viu a mãe de Draco próxima da janela. Observou que a bruxa segurava duas varinhas, sendo que uma delas era a dele.
"Me dê minha varinha", pediu e teve que forçar sua voz a sair educada. A vontade de Potter era desaparatar dali o mais rápido possível.
"Não, não posso entregá-la até que tenha alguém para voltar com você para a casa de Severus."
Harry pulou no sofá, perdendo o controle.
"Senhora... A senhora não está entendendo. Severus está lá sendo torturado enquanto eu estou aqui!", gritou.
Então ouviram-se vários estalos de pessoas aparatando na casa. Potter viu Rony, Hermione, Ginny, George, a senhora e o senhor Weasley, Charles e Fleur e até, para espanto dele, Percy Weasley. O último a aparatar foi Draco.
O Gryffindor olhou para todos os seus amigos pasmo. A sala agora parecia pequena demais para a grande quantidade de gente ali presente.
"Harry!", Hermione correu na sua direção. "Você está bem? Malfoy nos disse que você foi atacado. E o professor Snape também..."
"Harry, como você está, querido?", perguntou a senhora Weasley.
"Nós viemos ajudar.", disse George.
O garoto estava meio aturdido.
"Eu estou bem. Mas eu preciso sair daqui... Eu tenho que voltar... Eles estão com Severus... E...", ele se dirigiu a senhora Malfoy, que estava afastada das pessoas que tinham aparatado ali. "Devolva minha varinha, por favor. Eu preciso dela."
Narcissa jogou a varinha para ele. Harry a pegou, sentindo-se aliviado. Ele ia embora dali o quanto antes. Mas antes que pudesse aparatar, Draco apareceu do nada e segurou seu braço.
"Meu pai disse que você não pode voltar lá sozinho."
Potter já ia responder alguma coisa mal educada, mandando Malfoy e o pai dele para um lugar nada agradável quando a sala se encheu de perguntas.
"Quem te atacou, Harry?"
"Onde você estava quando foi atacado?"
"Quantos Comensais da Morte eram?"
"Para onde você vai, Harry?"
"Quietos!", gritou Draco, que ainda segurava o braço de Harry. "Explique para eles rapidamente o que aconteceu e depois todos nós iremos te ajudar a resgatar Severus."
Potter puxou o braço do aperto de Malfoy. Não gostou nada de ouvir o ex-colega chamando seu namorado pelo primeiro nome e gostou menos ainda quando o loiro disse 'todos nós iremos te ajudar', como se Draco também se incluísse no resgate. Harry, então, se virou em direção aos amigos e explicou brevemente o que aconteceu. Disse que estava na casa de Severus quando foram atacados por alguns Comensais da Morte. Falou também onde era o endereço da casa de Snape para que pudessem aparatar lá.
"Sugiro que aparatemos fora da casa e depois entramos todos juntos e pegamos os Comensais de surpresa. Eles estão todos na sala da casa, Potter?", perguntou Draco.
"Provavelmente. Mas talvez tenham chegado mais Comensais. Rodolphus disse que esperava por Greyback..."
"Opa! Tomara que ele esteja lá", disse Charles com uma expressão feroz.
"Você concorda com o plano, Harry? É melhor aparatarmos fora da casa?", questionou Rony. O ruivo olhava feio para Malfoy.
"É... O plano de Draco é bom. Eles não ouvirão o som de aparatação, então surpreendermos os Comensais da Morte."
Na verdade, o plano de Malfoy era perfeito. Todos aparatariam do lado de fora, enquanto Potter aparataria dentro da casa. O Gryffindor queria lutar contra Rodolphus pessoalmente.
"Certo. Todos lembram o endereço da casa?", indagou o senhor Weasley.
Vários murmúrios de concordância.
"Então quando eu contar três todos desaparatamos. Um, dois, três..."
OoOoOoOoO
"Enfim a sós...", disse sorridente. Rodolphus parecia tão contente e animado como uma criança que acabara de ganhar o presente que mais desejava.
Logo após Harry ter sido levado por Malfoy, Severus foi trazido até seu próprio escritório por Lestrange. O cômodo tinha paredes brancas e era apinhado de estantes com livros. Próxima a janela fechada com cortinas brancas, havia um sofá, e em frente a ele um rack com uma televisão. Tinha também uma escrivaninha atulhada com pergaminhos, penas e até folhas e canetas. Rodolphus estava tão concentrado em Severus que nem reparou que o cômodo tinha alguns objetos muggles.
"Vejamos... As correntes não são mais necessárias...", falou e com um aceno de varinha as correntes desapareceram, mas Snape continuava preso. Ele se sentia amarrado por correntes invisíveis.
"E... Roupas também não são mais necessárias..."
Com outro aceno de varinha, Severus estava totalmente nu.
Os olhos de Lestrange cintilaram. Ele andou em torno de Snape, como se o avaliasse. Muito satisfeito com o que tinha visto, o Comensal da Morte agora sorria ainda mais.
"Sabe, Severus, como eu fui a mente por de trás do ataque a sua casa, eu tinha o direito de ficar com Potter primeiro. Mas, sinceramente, aquele garotinho não me apetece em nada. Ele é Gryffindor, honrado, heroizinho... É asqueroso aos meus olhos. Mas já você...", disse e agora estava em frente a Snape. Seus rostos tão próximos que podiam sentir a respiração um do outro. Severus desviou o rosto, mas Rodolphus segurou seu queixo, forçando a olhá-lo. "Ainda que seja mestiço, você é um legítimo Slytherin. Aprecia as artes das trevas, é poderoso... Hum... Como isso me excita..."
Lestrange abraçou Snape, passando as mãos pelas costas dele. Em seguida, mordeu o ombro do ex-professor. Enojado, Severus olhava para a parede, repleta com prateleiras contendo seus livros. Os dentes de Rodolphus cravavam fundo na pele pálida. Ele lambeu o pescoço de Snape e disse:
"Você é muito mais suculento do que Potter. O que viu naquele garoto, afinal?"
Severus continuava fitando a parede. Sentia-se mais enojado a cada segundo. Em pensar que no seu quarto... O quarto que compartilhava com Harry, o rapaz podia estar nesse mesmo instante sendo torturado e violentado por Lucius. Ele recomeçou a tremer de ódio.
Lestrange parou de lambê-lo. Olhando para Severus indagou:
"Por que está tremendo? Está pensando no garotinho? Deixa ele para lá... Eu estou aqui. Te desejando tanto que não consigo nem expressar..."
"Por que não me mata logo de uma vez? Prefiro ser morto do que tocado por você."
"Prefere ser morto?", repetiu Rodolphus. Ele parecia ofendidíssimo e furioso. "Farei você retirar o que disse, Severus. Irei te torturar tanto que você implorará para transar comigo."
"É mais fácil eu implorar para transar com um grindylow."
Lestrange sorria de forma homicida. Transfigurou uma caneta que estava em cima da mesa em uma adaga de prata. Ele convocou a arma e ela veio voou até sua mão.
"Primeiro, Severus, eu vou te mostrar quem é o seu novo dono", disse, e com a faca na mão começou a fazer cortes no peito de Snape. Cortes em forma de letra. Desenhou primeiro a letra 'R' na vertical, entre os mamilos do ex-professor.
Snape parecia mais aliviado. Era melhor ser fatiado do que continuar sentindo aqueles lábios asquerosos em seu corpo. Por outro lado, doía. Uma dor forte, incômoda e persistente. Parecia que a adaga estava sendo cravada até seus órgãos internos. Ele quase sorriu com a ideia. Caso Rodolphus se empolgasse e atingisse seu coração ele morreria.
Lestrange continuava escrevendo verticalmente na pele de Snape. Do lado da letra 'R' ele escreveu a letra 'O', depois a 'D', 'O', 'L', 'P', 'H', 'U' e por último um 'S'. A letra 'S' foi gravada bem próxima da virilha do ex-professor. Severus não gritou em nenhum momento, apenas emitiu uns tímidos grunhidos de dor.
Rodolphus fez uma pausa para olhar sua obra de arte. Todos os cortes sangravam muito, mas a letra 'R', a primeira, parecia estar começando a cicatrizar. Observou, então, o rosto do outro Comensal, contraído de dor. Algumas lágrimas escapavam de seus olhos. Lestrange passou a mão pela bochecha de Snape, secando uma lágrima. Severus afastou o rosto de seu toque.
Rindo com prazer sádico, Lestrange disse:
"Já escrevi metade. Falta escrever o sobrenome."
Rodolphus levantou a adaga e voltou a desenhar letras pelo corpo de Snape. Escreve a letra 'L' também verticalmente embaixo da letra 'R'. Ambas estavam entre os mamilos de Severus. Continuou escrevendo. Desenhou 'E', 'S', 'T', 'R', 'A', 'N', 'G' e por último um 'E', que ficou também bem próximo a virilha do ex-professor.
A visão de Severus parecia escurecer a cada novo corte que era feito em seu corpo. Ele sabia que estava quase desmaiando. Ele só não saberia dizer se era por causa da dor ou pela falta de sangue. Mas isso era um bom sinal. Significava que logo ele estaria do outro lado. A ideia não o animava muito. James Potter e Lily Evans com certeza iriam tirar satisfações com ele sobre Harry. E quando souberem o que aconteceu com o filho por causa de mim, provavelmente vão tentar me matar, mesmo eu já estando morto, refletia Snape.
Rodolphus, enfim, acabara de escrever.
"Está pronto", disse e conjurou um espelho em frente a Severus com um aceno de varinha. Lestrange contornou o corpo de Snape e parou atrás dele. Observava o rosto de Snape pelo reflexo.
"Veja, Severus. Leia o que está escrito em seu corpo. Veja quem é seu novo dono."
Snape fez força para conseguir olhar seu próprio reflexo. Sua visão insistia em escurecer. Mesmo com dificuldade para enxergar, ele nunca tinha se visto tão pálido, tinha a exata cor de uma folha de papel. Então fitou seu corpo e teve vontade de vomitar. Ele estava banhado de sangue. Haviam muitas feridas em formas de letras que ele não conseguiu identificar, todas escorrendo sangue. O sangue percorria todo seu corpo, chagando até aos pés. Severus desconfia do que Lestrange havia escrito nele, mas não queria perder a chance de ofender seu carrasco.
"Você é muito imbecil, Rodolphus. Como você quer que eu leia, se a imagem do espelho é invertida?"
Lestrange ficou sem fala alguns segundos. Como sua atenção estava toda direcionada ao rosto de Snape, ele nem se deu ao trabalho de olhar para o tronco dele. Observando o espelho ele reparou que a imagem especular estava realmente invertida.
"Eu posso resolver isso", disse e lançou um feitiço no espelho. Primeiro ele ficou branco, em seguida, a imagem voltou a aparecer. Mas o reflexo não estava mais invertido. "Agora você pode ler, Severus."
Snape fitou novamente seu reflexo. Em seu peito e abdômen, apesar do muito sangue que saia dos cortes, podia-se ler um nome escrito na vertical:
RODOLPHUS
LESTRANGE
Rodolphus sorriu de forma diabólica.
"Agora... Eu posso começar a te torturar com a Cruciatus ou você pode pedir para transar comigo. O que prefere?"
"Eu prefiro mil Cruciatus do que ter que partilhar uma cama com você!"
Lestrange rosnou.
"Ah, é? Então não vamos partilhar uma cama. Vamos fazer aqui mesmo", disse feroz. Em seguida, abriu o zíper da calça e colocou sua ereção para fora. Lambeu o pescoço até a orelha de Snape, depois o penetrou bruscamente.
Rodolphus soltou um murmúrio de puro prazer. Laçou a barriga de Severus com os braços e iniciou uma série de investidas violentas contra o corpo do Comensal.
"É uma pena ter que matá-lo. Mas vou aproveitar muito você até lá", prometeu entre fortes estocadas.
A visão de Severus escureceu. Ele fechou os olhos e sua respiração nunca esteve tão pesada. Quantas torturas diferentes uma pessoa era capaz de suportar em uma única madrugada? Snape tinha sofrido torturas físicas e emocionais. Ele foi azarado pela Cruciatus, retalhado por uma adaga e agora estava sendo violentá-lo. O que mais viria a seguir? Ele teria que assistir Greyback devorar literalmente Harry? Por que as pessoas eram tão cruéis? Por que simplesmente não o matavam? Não, matar não é castigo suficiente. Qual a graça de apenas matar uma pessoa? O traidor tem que ser torturado a exaustão, como ensinou o magnífico Lord das Trevas.
A porta foi aberta com violência e Severus estremeceu. Será que ele teria mesmo que ver Harry ser violentado por outro Comensal? Ele abriu os olhos para identificar quem era, mas estava difícil. Sua visão insistia em escurecer e ainda havia um espelho em frente a porta.
Snape ouviu o som de vidro se espatifando, com certeza alguém acabara de quebrar o espelho de Lestrange. Em seguida ouviu uma exclamação de susto próxima a seu ouvido, depois sentiu as mãos do seu torturador soltarem seu corpo. Sentiu também a ereção sair de dentro dele.
"Pare ou...", ameaçou Rodolphus, mas ele parecia assustado.
O ex-professor ouviu um familiar riso desdenhoso, depois um baque, como se um corpo acabasse de ter caído.
"Severus...", chamou uma voz quente. Era a voz que o Slytherin mais gostava de ouvir.
Snape sentiu as amarras que prendiam seu corpo cederem e seu corpo teria caído no chão, se alguém não o tivesse amparado. A pessoa misteriosa se sentou no chão, com Severus aninhado entre seus braços. Ele forçou os olhos a enxergar seu possível salvador. Focou no rosto da pessoa que o segurava firmemente. Conseguiu ver um lampejo de verde. Ele reconheceria aquele tom de verde em qualquer lugar. Era ou Lily ou Harry. Mas Severus sabia que estava vivo, pois sentia demais todas as dores em seu corpo. E já que ele não estava morto, só podia ser...
"Harry..."
Potter sorriu para ele.
"Desculpe ter demorado tanto para chegar...", lastimou e em seguida beijou os lábios de Snape.
Severus se contraiu com o beijo. Tinha ciência que estava empapuçado com seu próprio sangue e ainda havia a saliva de Rodolphus em seu corpo. Ele se sentia sujo, imundo. Não podia permitir que Harry tocasse nele. Ele não podia deixar que Potter ficasse impregnado com sua imundice. Mas ele sabia que não tinha força suficiente para se afastar.
"Como conseguiu escapar? Lucius fez alguma coisa com você?"
"Malfoy me ajudou", disse.
O Slytherin percebeu que o garoto estava tocando em seu tórax. Ele ouviu o Gryffindor ganir de dor baixinho, ao mesmo tempo sentia que ele estava passando um dedo por um de seus cortes abertos.
"Eu vou dar um jeito nisso..."
Snape sentiu alguns feitiços serem lançados em seu corpo. Piscou os olhos algumas vezes e notou que agora sua visão estava bem melhor. Ele conseguia ver com perfeição o rosto de Potter. A nova armação dos óculos, os olhos excepcionalmente verdes, o nariz perfeito e a boca rosada, que se movia velozmente enquanto ele continuava a murmurar feitiços.
"Pensei que não te veria de novo", confessou o Slytherin.
Harry terminou de lançar o último feitiço. Depois convocou uma capa do armário do quarto deles e cobriu o corpo de Severus da cintura para baixo com o pano negro.
"Sempre tive certeza que tudo daria certo", falou e continuou tocando no abdômen de Snape. Agora, ele examinava as feridas já fechadas. Mas ainda havia sangue e as cicatrizes estavam em relevo. Harry não gostou nem um pouco do fato delas terem formas de letras. E detestou as cicatrizes por formarem um nome.
"Como podia ter certeza?", perguntou. Severus sentia como se estivesse sob ação de um feitiço analgésico poderoso. Todas as dores tinham desaparecido. Ele segurou a mão de Potter que ainda tocava seu corpo e afastou-a. O Slytherin notou que a mão do amante estava vermelha por conta do seu sangue.
"Se você tivesse vivido a minha vida, saberia que eu já passei por situações piores. Além do mais, seria muito injusto. Logo quando eu começo a te amar, nós dois morremos?"
Snape ficou momentaneamente sem fala com a declaração do garoto.
Então apareceram duas pessoas na porta do escritório.
"Potter, seu idiota! Você não seguiu o plano!", rugiu Draco. Mas a raiva na voz do rapaz diminui quando ele avistou seu professor preferido ensanguentado.
"Deixa ele em paz, Malfoy. Harry, está tudo bem aqui?", indagou George.
O ex-professor segurou mais firmemente a capa preta sob seu corpo, tentado proteger sua nudez.
"Sai fora, Malfoy!", ordenou Harry. Seus olhos verdes faiscando de ciúmes. Ele estava irritado demais com a intimidade que existia entre os Malfoy e Snape.
Draco apertou os olhos em direção a Potter, então seus olhos caíram novamente em Severus, que evitava encarar seus dois ex-alunos. O garoto não queria ver o professor naquele estado. O Slytherin ergueu o queixo e desapareceu sem nada dizer.
"Está tudo bem, George", respondeu Harry.
"Nós acabamos com eles lá embaixo. Shackebolt apareceu com alguns aurores. Estão levando-os para Azkaban. Só falta esse daí. Posso deixar que subam aqui?"
Potter olhou para Snape.
"Espere um minuto, Weasley, depois peça-os que subam", respondeu Severus.
"Certo, professor", disse e fechou a porta do escritório.
O Slytherin se levantou com a capa enrolada na cintura.
"Como conseguiu reforços, Harry? E de onde surgiu Draco, Weasley e o ministro?"
"Foram os Malfoy que foram atrás de reforços..."
Severus assentiu. Então agora, ele estava em dívida com Lucius. Ele deu alguns passos, parando perto do corpo Comensal da Morte que o havia torturado. Observava Lestrange com o mais puro asco.
Harry acompanhou o olhar do mais velho. Viu que Snape estava fitando Rodolphus. Potter se levantou e deu a sua varinha para o Slytherin. Sabia que Severus era vingativo e com certeza estava pensando em se vingar do seu algoz.
"Quer torturá-lo? Vá em frente."
"Não hoje", disse e devolveu a varinha para Harry.
Severus não queria se vingar? Isso era muito estranho, refletia Potter.
"Severus, o que aconteceu hoje..."
Snape se virou para o amante. Sua feição extremamente cansada e séria.
"Depois falaremos sobre isso, Potter. Agora eu preciso tomar um banho."
OoOoOoOoO
Severus ficou na banheira durante um bom tempo, talvez até mais de uma hora. Já tinha esfregado seu corpo repetidas vezes. Desejava poder ser capaz de arrancar a pele e colocar uma nova. Olhava para seu peito e sentia uma onda de ódio se propagar por dentro dele. Aquele maldito!, pensava furioso. Ao menos, não aconteceu nada com Harry.
"A única boa notícia...", disse para si mesmo. Depois afundou a cabeça na banheira, fazendo a água extravasar da banheira.
Potter abriu a porta do banheiro. Trazia em uma das mãos um roupão felpudo preto.
"Severus? Não está tentando se matar, está?", perguntou sorrindo, mas sua voz estava preocupada.
Snape emergiu a cabeça da água. Fitou Harry e a mera visão do jovem amante fazia seu corpo relaxar involuntariamente. O rapaz estava vivo, perfeito, imaculado.
"Todos já foram embora...", informou Potter. O garoto ainda vestia somente a calça do pijama e caminhava até a banheira. Em seu tronco havia um pouco de sangue seco.
O Slytherin continuava fitando o Gryffindor. Peraí! Ele não estava perfeito. O maldito corte feito pela azaração de Rodolphus continuava lá.
Harry notou o olhar do amante sob seu machucado. Ele passou a mão pela cicatriz e disse com pouco caso:
"Doeu bastante na hora, mas agora não dói..."
"Eu vou consertar isso. Vou preparar uma poção e não ficará nenhuma cicatriz..."
"Eu gosto das minhas cicatrizes", retrucou sorrindo enquanto passava a mão na testa.
"Você não vai ficar com essa cicatriz", afirmou em tom quase agressivo.
Potter preferiu mudar de assunto:
"Vamos para cama, Severus. Você já ficou tempo demais dentro dessa banheira."
"Vá na frente. Você tem que dormir, ainda tem aula hoje."
"O chefe da seção dos aurores esteve aqui para levar os Comensais. Ele me liberou das aulas", explicou. Ele fez uma pausa e depois acrescentou: "E, depois, eu quero ficar com você..."
Snape saiu da banheira em silêncio. A água estava levemente tingida de vermelho por conta do sangue do Slytherin. Ele pegou o roupão das mãos de Potter e o vestiu. Severus estava seguindo em direção a porta quando Harry segurou sua mão.
O ex-professor parou de andar, mas estava de costas para o Gryffindor. Segurava fracamente a mão do amante, como se estivesse esgotado.
"Os acontecimentos de hoje serviram para reafirmar o amor que eu sinto por você. Severus, eu te amo!", confessou. Era meio ridículo assumir, mas era muito mais fácil se declarar para Snape não tendo que encarar os olhos negros. Era por isso que Harry preferia se declarar usando a língua das cobras. Por Severus não entendê-la, era mais fácil dizer.
Snape apertou mais firmemente a mão do ex-aluno. O Slytherin sentiu um arrepio descer por sua espinha e eriçar todos os seus pelos. Ele se virou e puxou o rapaz para perto dele. Passou a mão suavemente pelo rosto de Potter.
"Eu também te amo, Harry. Te amo desde que era meu aluno."
O Gryffindor agarrou o roupão de Snape e trouxe o Comensal da Morte para que ficasse a poucos centímetros de seu rosto. Depois, beijou com sofreguidão o amante.
Severus não correspondeu no início, estava bastante contraído com a aproximação de Potter. Mas, por fim, acabou relaxando e cedendo. Sentia as mãos de Harry contornado seu corpo, como se não o conhecesse e quisesse desesperadamente explorá-lo. Quando o beijo se aprofundou mais e as mãos de Potter tentaram abrir seu roupão, Snape finalizou o beijo.
"Não..."
Harry parecia meio constrangido quando falou:
"Desculpe... Sei que sofreu coisas horríveis hoje. Eu me descontrolei... Desculpe. Acho que vou tomar banho também."
O Slytherin beijou suavemente a cabeça do rapaz.
"Não precisa se desculpar. Vou estar no quarto te esperando", disse e caminhou para fora do aposento.
"Eu te amo, Severus..."
Snape achou que fosse ficar alguns dias sem conseguir sorrir, mas aquela frase dita pelo O Eleito era mágica. Ele sentia os músculos da boca se erguerem involuntariamente. Somente Harry Potter conseguia fazê-lo sorrir com uma única frase. Severus se virou em direção ao garoto e pediu:
"Diz de novo."
O Gryffindor também sorriu e declarou:
"Eu te amo. Eu te amo muito..."
"Se ocorreu alguma coisa positiva com esse ataque, foi essa. Agora você consegue dizer isso para mim sem usar a língua das cobras."
Harry corou.
"Você sabia que eu me declarava usando a língua das cobras?"
"Fiquei curioso com determinado silvo que você fazia quase todos os dias. A curiosidade foi grande e eu tive que pesquisar o significado daquilo."
Potter ficou sem falar nada, continuava ruborizado
Snape ainda sorria para o amante.
"Estarei no quarto te esperando", falou e saiu do aposento fechando a porta.
Continua... : )
OoOoOoOoO
Comentários da autora: Primeiramente, muito obrigada pelos reviews. Muito obrigada mesmo! É sempre bom ler críticas e saber o que vocês estão achando da fanfic. Mais uma vez: obrigada! : D
Então... Em pleno 9 de janeiro, aniverário do Snape, e eu faço-o sofrer desse jeito nesse capítulo. Ai, ai... Acho que sou sou muito má... : /
Enfim, prometo que o próximo capítulo será mais agradável para nosso amado Severus.
OoOoOoOoO
Reviews? Reviews? Reviews?
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Não sabe o que escrever? Quer uma sugestão? Me manda um smile (: D). Sério. Adoro smiles e vocês me deixariam muito feliz se me mandassem um review. Me mandem? Por favor? ; )
