Capítulo VII
Severus estava deitado no assoalho do laboratório, desfrutando os últimos segundos do seu estado de semi-adormecimento. Sentia uma mão um tanto possessiva em seu peito, a mão de seu amante. Ele precisava acordar, pois sabia que já tinha amanhecido. Sentia os raios solares aquecendo seu rosto e corpo há algum tempo. Ele abriu os olhos e viu que o dia estava ensolarado e o Sol brilhava explendidamente, isso queria dizer que já tinha passado das sete. Fazia muito tempo que Snape não perdia a hora desse jeito, mas seu corpo estava cansado por causa da noite e madrugada agitada. Ele precisava acordar Harry, o garoto tinha que ir para a aula.
Potter também dormia no chão, relutando em acordar. Ele sentiu o chão esquentar, o que significava que já amanhecera, mas ele não queria despertar. Estava tão bom ficar descansando. Na verdade, seu corpo implorava por descanso, por conta do quanto trabalhou na madrugada.
"Harry... Você precisava levantar...", falou Snape, já de pé e recolhendo as roupas jogadas pelo assoalho.
O rapaz virou o corpo, se afastando daquela voz que na madrugada tinha-lhe sussurrado coisas gostosas e agora estava-o mandando parar de dormir.
"Já passou das sete, Potter. Se você não de levantar, vai se atrasar."
O garoto praguejou e despertou, abrindo os olhos. Severus estava parado em frente a ele, entregando-lhe os óculos. O garoto sorriu ao observar o amante despido.
"Você fica bonito assim. Sob a luz do Sol", brincou Harry, se sentando ao mesmo tempo que colocava os óculos.
Snape sorriu enviesado, depois puxou Potter do chão, erguendo o rapaz. Agarrou-lhe em um abraço firme e sussurrou contra a pele de seu pescoço.
"E você, Harry Potter, fica bonito sob qualquer luz."
Ignorando o arrepio que perpassava seu corpo, Harry apenas riu e mordeu o ombro nu do amante.
"Não me importo de faltar a aula hoje", disse com a voz mais que sugestiva.
Severus desgrudou-se de Potter.
"Mas eu sim. É melhor você ir tomar um banho rápido", mandou e seguiu para fora do cômodo.
O rapaz bocejou, parcialmente irritado com a atitude de Snape. O amante não admitia que Harry faltasse as aulas. Talvez seja uma mania de professor, refletiu Potter. Então depois de se espreguiçar, ele constatou que havia uma região de seu corpo que estava bem dolorida. Resignado, ele seguiu para o banheiro.
OoOoOoOoO
Depois de ter escovado os dentes e tomado banho, Potter foi para o quarto. Percebeu que Severus também havia tomado banho, pois seus cabelos negros estavam úmidos. Constatou também que o amante estava vestindo roupas formais bruxas. O que era estranho, pois Severus tinha o costume de usar roupas muggles quando estava em casa.
"Você vai sair?", indagou Harry.
"Vou", respondeu sem se virar para o outro.
"Vai para onde?"
Snape demorou alguns segundos antes de responder.
"Preciso ver uma pessoa."
"Quem?"
Severus consultou o relógio no pulso.
"É melhor você desaparatar logo. Já está atrasado."
Potter apertou os olhos, desconfiado.
"Não vai ver Skeeter, vai? Se você fizer algo contra ela, eu vou ficar muito chateado. Fui eu que pedi para..."
"Harry, você já me falou isso diversas vezes. Eu adoraria me vingar, mas já que você não quer, eu não farei nada de mal a ela."
O Gryffindor lançou um olhar descrente para o amante.
"Te dou a minha palavra", prometeu solene.
"Certo", falou. Mas o garoto estava curioso. Quem Severus precisava ver? Algum dos Malfoy? Devia ser, já que tinha toda essa historia insuportável de casamento de Draco. Deixando isso de lado, Harry se vestiu depressa.
Já totalmente vestido, ele se aproximou de Snape.
"Já vou."
"Compre alguma coisa para comer antes de ir para o Ministério. Seu corpo precisa de comida. Você se esforçou demais ontem", disse sorrindo debochado.
Com um sorriso idêntico ao Slytherin, Potter comentou:
"Então você precisa comer mais do que eu. Foi você quem se exercitou mais. Aliás, você me deixou doído", reclamou passando a mão pela bunda.
Severus riu com malícia e beijou rapidamente Potter nos lábios.
"Eu vou te deixar sem dor quando voltar. Mas até lá, cuidado ao se sentar", zombou.
Harry franziu para o amante.
"Irei cobrar sua promessa quando eu retornar. Esteja pronto para mim quando eu chegar", desafiou e logo depois desaparatou.
Snape esperou uns vinte minutos após a saída de Potter. Depois desse tempo, ele desaparatou também.
OoOoOoOoO
Severus estava furioso! Alguns minutos andando pelo Átrio do Ministério fez sua paciência acabar e agora ele estava louco de raiva. O que esses malditos tanto olhavam?, ele se pergunta colérico. Enquanto o ex-professor caminhava até os elevadores, todos os bruxos e bruxas que passavam por ali o observavam. Alguns até paravam para olhá-lo. E tinha os comentários, audíveis e detestáveis.
"Será que ele fez mesmo uma poção do amor modificada?"
"É provável. Ele não foi professor de Poções durante muitos anos?"
"Ele era Comensal da Morte! Talvez tenha lançado um horrível feitiço das trevas em Potter."
"Como Harry Potter pode estar se relacionando com ele? Potter pode ter quem quiser. Por que escolher justamente ele? Talvez ele realmente mantenha o garoto ligado a ele por meio de magia."
O último comentário, vindo de um bruxo que também aguardava o elevador, fez Severus perder o controle. Ele pegou a varinha e ia azarar o imbecil quando viu Longbottom correndo em sua direção. O Comensal guardou a varinha discretamente. Neville com certeza contaria para Potter se Snape enfeitiçasse alguém.
O elevador chegou e os bruxos entraram. Neville correu até o elevador e se posicionou perto de Snape, depois o cumprimentou sorridente:
"Olá professor!"
Os bruxos dentro do elevador pararam de cochichar e sussurrar e ficaram encarando os dois com curiosidade.
"Como está, Longbottom?", perguntou ignorando os demais. Na verdade, Severus estava espantado por Neville não tremer em sua presença. A guerra mudou Longbottom, refletiu. Transformou crianças em adultos.
"Ah, tudo maravilhoso! Mas o treinamento para aurores é realmente puxado. Você deve saber disso, já que Har...", ele parou de falar, constrangido.
"Já que Harry vive comigo?"
"Er... Sim. Desculpe, não quis ser indiscreto."
"Não é mais segredo para ninguém minha relação com Potter, graças a Skeeter."
Neville franziu a testa.
"Ela é realmente péssima. Não acredito em uma palavra do que ela escreve. Eu só sei sobre vocês porque Harry me contou."
Snape assentiu com a cabeça, indiferente. O elevador parou no andar que Severus iria descer.
"Até breve, Longbottom!"
"Tchau!"
O Comensal da Morte saiu do elevador e seguiu até a sala do ministro da magia, onde tinha uma reunião marcada.
OoOoOoOoO
Severus estava na ante-sala, onde a recepcionista lhe informara que o ministro ainda não havia chegado. Ansioso, ele andou até a janela enfeitiçada e aguardou. Menos de cinco minutos depois a porta da ante-sala se abriu e entrou Harry.
"Por que não me disse que ia vir para cá? A pessoa que precisa ver é KingsleyShackelebolt?"
"O ministro é uma das pessoas que eu quero ver."
Snape olhava para a recepcionista, que não tirou os olhos dois. Parecia estar vendo uma novela e muito ansiosa para o próximo acontecimento. Ele lançou um olhar gélido para ela, mas ela fingiu não notar. Severus estava tão farto de todo mundo fitando-o que ele não notou seu amante se aproximar. Só reparou em Potter quando o rosto do garoto estava bem próximo do seu. Quase involuntariamente ele recuou.
Ver o Slytherin se afastar fez arder o sentimento de rejeição dentro de Harry. Ele ainda detestou sentir que em seus olhos nascerem lágrimas. Potter tratou de firmemente contê-las. Desviando o olhar de Snape, ele perguntou em voz bem baixa para somente o outro ouvir:
"Você continua tendo vergonha de mim, não é?"
Severus estava tão acostumado em ler as emoções do Gryffindor, que identificou com facilidade a dor e a tristeza do jovem amante. Ele sabia que ter se afastado deu a falsa impressão de que Snape estava-o rejeitando. Mas ele trataria de se redimir. O ex-professor esqueceu-se de que não estavam sozinhos e puxou o garoto para perto e em seguida beijou-lhe com carinho.
Harry não acreditava no que o amante estava fazendo. Severus, o impassível, o discreto, o insensível, estava demonstrando sentimentos em público? É o fim do mundo, pensou rindo. Mas tão rápido como começou o beijo, ele terminou. Potter ouviu a porta da ante-sala da recepção ser aberta, concomitantemente, Snape desgrudou dele. O Gryffindor virou a cabeça em direção a porta para ver quem era. Mas não era Kingsley. Era uma senhora de uns cinquenta anos, pele branca com cabelos e olhos negros. Ela usava um vestido azul marinho.
"Potter?", ela perguntou surpresa. Então consultou rapidamente o relógio e perguntou: "Você não devia estar na aula do professor Crafts?"
"Eu estava, mas Neville me disse que viu Severus e... Ah, desculpe-me. Não apresentei vocês. Severus, essa é a professora Hécate Claisen, minha professora e chefe da seção de aurores. Professora Claisen, esse é Severus Snape."
"Eu obviamente sei quem é Severus Snape", disse a mulher que tinha se aproximado dos dois. Ela ergueu a mão para cumprimentar o Slytherin.
Snape apertou os olhos e ignorou a mão da mulher. Ainda estava muito mau humorado com os olhares nada discretos que recebeu essa manhã e não gostou nada de ouvir a bruxa falando que 'obviamente conhecia ele'.
"Se a senhora estiver se referindo aquela publicação escrita por aquela repórter esquizofrênica..."
"Severus...", pediu Potter.
A mulher limitou-se a sorrir de forma paciente e abaixou a mão.
"Certamente não me refiro a isso, mas sim ao fato de você ter sido membro da Ordem da Fênix e Comensal da Morte."
Severus continuava com uma feição de poucos amigos. Virou-se então para o rapaz.
"Por que você não volta para sua aula, Harry? Não quero ser o responsável pelo seu baixo rendimento", sugeriu com um sorriso de deboche obsceno.
"Baixo rendimento?", repetiu, mas sorria da provocação do amante.
"Posso assegurar-lhe que Potter não apresenta baixo rendimento. É um dos melhores alunos de sua turma. E, obviamente, é o melhor aluno de Defesa Contra as Artes das Trevas."
Snape ainda sorria, mas agora tinha se virado para a bruxa. Prevendo que Severus não diria nada agradável a sua professora, Harry interveio,tentando distrair o amante.
"Você vai ficar muito tempo aqui? Quer me esperar para voltarmos juntos para casa?"
Ignorando Potter, Severus falou:
"Harry derrotou o Lord das Trevas, mas isso não significa que ele seja realmente bom em combater as Artes das Trevas. Fui professor dele nessa disciplina em Hogwarts e posso lhe assegurar que Potter não era um aluno excepcional. Muito pelo contrario, teve grande dificuldade em realizar algo simples como um feitiço não verbal."
Potter não se importou com as duras palavras de Severus, já estava mais que acostumado com isso.
Claisen olhou de certo modo encantada para Snape, como se achasse fascinante o fato do Comensal da Morte mesmo se relacionando com Harry conseguisse criticá-lo de forma tão sincera.
"Eu afirmo que o seu ex-aluno melhorou muito, ele evoluiu bastante. Eu sou professora dele."
"Que disciplina a senhora leciona?"
"Poções Avançada I, II e III."
Severus sorriu enviesado.
"Poções? E como é o desempenho de Harry na sua matéria?"
"Potter poderia se esforçar em minha matéria, mas nunca tirou uma nota abaixo da média."
"É mesmo?", perguntou como se realmente estivesse muito interessado nesse assunto. "Então eu não sabia como estimulá-lo nessa disciplina. Durante cinco anos, ele quase reprovou nessa matéria. Só não reprovou porque Albus interferiu e eu tive que acatar suas ordens..."
"Já chega, Severus! Está exagerando!", exclamou irritado.
"Não vou demorar muito aqui, nos encontramos em casa", disse como se quisesse despachar Harry. Depois beijou rapidamente o garoto nos lábios.
"Certo", falou e saiu da pequena recepção deixando os dois a sós. A última coisa que desejava era ouvir seus professores discutindo seu intelecto.
"Não tive intenção de ofendê-lo quando disse que sabia quem o senhor era. Sua fama como Comensal da Morte realmente é conhecida. Acredito que não existam muitas pessoas que tenham enganado Você-Sabe-Quem e sobreviveram."
Snape não retrucou nada.
"E você fez parte dos dois lados da guerra. Com certeza entende bem a mente de um bruxo das trevas."
Severus sorriu com muito desdém.
"Eu fui um bruxo das trevas, Clainsen."
"Isso é ótimo. É exatamente o que eu procuro. Eu quero um novo professor para Defesa Contra as Artes das Trevas Avançada IV, V e VI. Acho que é mais produtivo contratar alguém que tenha tido experiência direta com as trevas."
"Está me oferecendo um emprego?", perguntou surpreso.
"Certamente estou, e adoraria que aceitasse. Mas caso não queria dar aulas para Potter eu posso entender."
Severus observou a feição da mulher longamente. Ela estava mesmo falando sério? Um emprego de professor? Professor de Defesa Contra as Artes das Trevas para aurores? A bruxa permaneceu encarando-o firmemente. Ela desejava uma resposta.
"Eu posso pensar antes de te dar uma resposta?"
"É claro. Entre em contato comigo quando decidir."
A porta da ante-sala se abriu pela terceira vez. Dessa vez era o ministro. Kingsley olhou para os dois bruxos. Sua feição ficou nervosa quando seus olhos se encontraram com os de Snape.
"Bom dia!", cumprimentou com sua voz retumbante.
"Bom dia, ministro!", saudaram as duas bruxas.
"Estou te esperando há alguns minutos, Shacklebolt", falou o Comensal com azedume.
"Ah, Severus, eu pensei que você não viria. Pensei que mudaria de ideia."
"Receio que não, Shacklebolt."
Kingsley assentiu com a cabeça.
"Hécate, vou atender Severus primeiro, depois conversamos, está bem?"
"Claro, ministro."
"Vamos, Severus", chamou Kingsley e os dois entraram no escritório dele.
OoOoOoOoO
Shacklebolt e Snape se acomodaram em macias poltronas de couro marrom. O escritório tinha uma grande janela atrás da cadeira e escrivaninha. Haviam muitos quadros dispostos pelo cômodo. Muitos bruxos e bruxas importantes, incluindo Albus. Mas felizmente para o Comensal da Morte, Dumbledore não estava em seu quadro. Kingsley parecia ainda mais nervoso por estar a sós com Severus.
"Aceita um chá? Café? Posso pedir para Sue providenciar..."
"Você se lembra do conteúdo da minha carta?", cortou-o Snape.
"Sim, sim..."
"Então sabe que eu não vim até aqui para tomar café ou chá."
Kingsley olhou-o firmemente.
"Você realmente precisa fazer isso?"
"Eu farei isso com ou sem sua ajuda, como deixei bem claro na carta que te encaminhei. O problema, é que sem a sua ajuda talvez hajam vítimas e eu seja preso. Harry Potter não gostará nada se eu for preso", falou Severus. O bruxo usou propositalmente o nome do amante, porque sabia que todo o mundo mágico se sentia grato e em dívida o garoto.
"Harry sabe do seu desejo?"
"É evidente que não. Prefiro que continue assim."
"Hum...", fez o ministro pensativo. Ele deu uma rápida olhadela para o quadro de Albus. Franziu a testa ao ver que ele não estava lá.
Severus estava ficando farto da demora e do silêncio.
"Isso é muito simples. É sim ou não?"
"Você irá matar alguém, Severus?"
"Não."
"Você está me dando a sua palavra que não irá matar ninguém?"
"Estou, Shacklebolt. Se eu matar, pode me mandar direto para uma cela da Azkaban."
"Você usará apenas Cruciatus?"
"Exato."
"Mas sem danos permanentes?"
Snape demorou alguns segundos antes de responder.
"É. Sem danos irreversíveis, ainda que eles mereçam por tudo que fizeram. Não somente a mim e Harry. O que aqueles miseráveis fizeram com os Longbottom merecia pena de morte."
"Severus, por favor! Não estamos aqui para discutir sobre a legislação vigente no mundo bruxo. Eu só providenciarei que isso aconteça, caso você me dê sua palavra. Vou perguntar de novo, você deixará danos permanentes em alguma de suas futuras vítimas?"
"Não."
Kingsley analisou-o longamente.
"É simples. Você confia em mim ou não?"
Shacklebolt se levantou.
"É evidente que confio em você. Caso não confiasse não permitiria o que você irá fazer. Vamos. Iremos até Azkaban usando Flu", falou e caminhou até a lareira.
OoOoOoOoO
Vingança. Doce e sublime vingança. Poucas coisas satisfaziam e regozijavam Snape como se vingar. Severus desejava ir atrás de Skeeter também, mas Potter defendia a bruxa. Dizia que ela não era culpada. Pois bem, Snape não levantaria a varinha contra ela, mas certamente iria saciar seu desejo cruel de outra forma mais tarde.
O Slytherin agora estava em frente a cela de Rodolphus Lestrange em Azkaban. Shacklebolt veio com ele até a prisão e autorizara o que Severus pretendia fazer, em parte graças ao fato dele ser o namorado de Harry Potter. O ministro, ao seu lado, tagarelava mais instruções.
"Severus, você não pode matá-lo, entendeu? O que estamos fazendo é ilegal, fere os direitos bruxos. Mas como conheço você e Harry, eu resolvi abrir uma exceção e deixar que tenha sua vingança. Mas quero que fique claro que não estou te dando um álibi para matar. Severus, você está me ouvindo?"
Snape olhou para Kingsley.
"Estou te ouvindo e entendendo perfeitamente. Eu não posso matar Rodolphus."
"Mas você vai?"
"É óbvio que não, Shackelebolt. Eu te disso isso no Ministério. Eu só vou fazê-lo gritar um pouco."
"Confio em você, Severus. Sei que é integro, mas é Slytherin..."
"E justamente por ser Slytherin, eu não sou estúpido, Shackelebolt. Se eu matar esse desgraçado, eu serei preso. E a vida desse infeliz não vale a minha liberdade."
"De quanto tempo vai precisar?"
"O mínimo possível. Agora, você pode abrir essa cela?"
"Abram", disse Kingsley ao guarda.
Antes de entrar, Snape observou bem o ministro.
"Vou querer visitar Rabastan e Dolohov também."
"Estou de acordo."
Severus sorriu enviesado e entrou na cela escura. A primeira coisa que fez ao entrar foi providenciar algumas luzes para o local escuro. Depois despiu a capa e a camisa que usava.
Rodolphus se assustou com a iluminação repentina. Então notou que não estava mais sozinho na cela. Seu sorriso se tornou alucinado e luxurioso ao ver quem era seu visitante.
"Sabia que você não ia aguentar ficar muito tempo sem me ver, Severus. O moleque não é capaz de te satisfazer como eu, não é?"
Snape agora usava só a calça. Sua camisa e capa estavam jogadas aos seus pés, no chão.
"Tenho que concordar, Rodolphus. Harry jamais vai me satisfazer como você irá hoje."
Lestrange estava tão alucinado que fez pouco caso da varinha apontada para sua cabeça ou ainda para a ausência de cicatrizes no abdômen de Severus.
"Veio ficar de quatro para mim. Já tirou até a camisa, agora tire a calça e empine bem essa bunda para mim. Talvez se você implorar, eu seja bonzinho e não te rasgue todo por dentro."
Severus passou a mão languidamente pelo próprio tórax, chamando atenção ao fato da sua pele estar íntegra e sem marcas. Depois sorriu como se fosse Voldemort e ergueu a varinha para o outro Comensal da Morte, iniciando a seção de tortura.
"Crucio!"
Letrange primeiramente berrou descontrolado, depois passou a implorar, pedindo perdão. Os gritos agonizantes de Rodolphus perturbavam Snape. Era horrível torturar alguém por um longo tempo, ainda que a pessoa merecesse. Severus então se lembrava do que havia acontecido com ele, nas coisas que Lestrange fizera. Esses pensamentos o motivavam a continuar a tortura.
Então chegou um momento em que Rodolphus parou de berrar. Se passaram quantos minutos mesmo?, refletiu Snape. Ele não saberia dizer. Na realidade, o homem nem mais se movia, a não ser pelos tremores espasmódicos. Severus então parou o feitiço. Se aproximou de Lestrange e virou-o para olhar seu rosto. As pupilas de Rodolphus não se mexiam, estavam fixas. Ele poderia se passar por morto, se sua respiração não fizesse um barulho asmático a cada inspiração.
Snape saiu da cela, dividido entre o prazer e o remorso. Ao sair encontrou Shacklebolt preocupado.
"É melhor levá-lo para o hospital. Acho que ele está em coma."
Kingsley olhou feio para Severus, depois deu algumas ordens para os guardas e eles removeram Rodolphus da cela.
"Eu quero ver Rabastan Lestrange agora."
OoOoOoOoO
A porta da cela onde Severus estava torturando Rabastan foi aberta. Inesperadamente, na opinião de Snape. Ainda mantendo Lestrange sob a Cruciatus, ele falou para o visitante desconhecido:
"Eu ainda não terminei aqui. Volte daqui há uns minutos."
"Que droga é essa que você está fazendo?", perguntou aos berros uma voz furiosa e muito familiar.
Snape se virou em direção a porta e viu Potter no batente.
"Você está perdendo o juízo? Pois eu acho que sim. O que esse homem te fez, Severus? Ele não tocou em você!", gritou.
"Você ficou muito tempo inconsciente, Harry. Não sabe de tudo que aconteceu na casa."
"Então me conte. Mas primeiro, pare de enfeitiçar Rabastan!", mandou ainda com a voz alta.
"Por que eu faria isso?"
"Você está agindo igual a eles! Como se fosse um maldito Comensal da Morte! É isso que você ainda é? Eu estou transando com um seguidor de Voldemort?", o rapaz berrava as perguntas.
Severus encerrou o feitiço. Não porque queria parar de torturar Rabastan, mas porque queria olhar diretamente para Potter quando voltasse a falar.
"Você conhecia meu passado, garoto. Sabia das minhas preferências. Mas acho que me enganei. Você não sabe nada da minha personalidade."
Harry rosnou e avançou em direção a Snape.
"Eu pensei que você não fosse igual a eles. Entendo perfeitamente que queira se vingar de Rodolphus, mas o que está fazendo com Rabastan? Ele não te fez nada! Ou está torturando ele 'por ele simplesmente existir'?", questionou com a voz trêmula da raiva.
Severus ficou um pouco impressionado como Potter parecia com Lily.
"Eles invadiram nossa casa, Harry. Ameaçaram te violentar e matar."
"Você tortura pessoas só porque te fazem ameaças?"
"Se lembra que eles tocaram em você?", perguntou, mas sua voz já soava derrotada, porém não arrependida.
"Então, eu deveria querer torturá-los, não você. E você disse que não era meu protetor na primeira vez que transamos. Se lembra disso?"
"Eles poderiam ter te matado...", retrucou pelo simples costume de retrucar. A batalha já havia sido ganha por Harry Potter.
"Felizmente nós não morremos. Agora venha. Vamos sair desse lugar horrível."
Snape saiu da cela sem olhar para o prisioneiro que estava deitado no chão gemendo de dor. Potter o seguiu.
O ministro parecia muitíssimo aliviado ao ver Severus abandonar a cela. O Slytherin olhou para ele como quem observa um traidor. Foi um golpe muito baixo chamar Harry.
"Vocês levaram Rodolphus para o hospital?"
"Ele está em coma, Severus", respondeu Potter. "Por isso Kingsleyme chamou."
"Eu tinha autorização do ministro para me diver..."
"Juro que se você falar divertir eu vou te esmurrar."
"Vamos para a casa", desconversou. De fato, agora ele não sentia muito prazer. A vingança é sentimento dúbio. O prazer dura apenas o tempo que se perde planejando, depois quando coloca-se o plano em ação, fica uma sensação estranha. Quase um vazio, um amargo. Mas... Snape estava satisfeito.
OoOoOoOoO
Severus e Harry estavam na sala. Snape estava sentado em frente a lareira segurando um xícara de café fumegante, enquanto Potter lia um grosso livro. Correção, o rapaz fingia que lia. Sua concentração estava toda no amante. Desde que voltaram da prisão, eles não trocaram muitas palavras. O Comensal estava mais calado do que de costume.
Harry queria iniciar uma conversa mas não sabia como. Ele tinha ciência que tinha exagerado enquanto estavam Azkaban. Ele havia berrado com Snape, chamado-o de maldito Comensal da Morte. É claro que em parte Severus também tinha culpa. Que ideia a ele! Será que ele acha que é uma espécie de justiceiro agora? Ele tinha que fazer justiça com as próprias mãos?, Potter se perguntava irritado.
O Slytherin evitou falar enquanto voltavam para a casa. Ele julgava que Harry estivesse horrorizado por tê-lo visto torturando uma pessoa. Uma pessoa que merecia, acrescentou mentalmente. Mas era tortura! E tortura era sinônimo de Comensal da Morte e arte das trevas. Snape sabia que devia falar alguma coisa, mas não conseguia. Ele não saberia como se justificar. Ou se precisava fazer isso.
"Eu não devia ter ido até Azkaban", a voz de Harry tirou Severus de seus devaneios. "É como você disse. Eu sabia como você era. Eu sei que é da sua natureza ser vingativo. E eu não quero que mude. Eu aceitei me relacionar com um homem vingativo. Lamento ter ido até lá para impedi-lo."
Snape olhou firmemente para Potter.
"Não, Harry. Foi... Bom você ter ido lá. Eu acabei me descontrolando. Você foi como a minha consciência. Sou grato por ter me impedido. Rabastan não me fez nada. Eu apenas quis me vingar pelo prazer de se vingar."
"Mas você não é como eles. Você não é mais um Comensal da Morte... Ou é?"
Severus demorou alguns segundo para responder.
"Essa resposta irá ameaçar o futuro do nosso relacionamento?"
"Provavelmente não, já que eu estou..."
"Está o quê?"
"Você sabe, Severus. Estou inexplicavelmente apaixonado por você."
Snape sorriu. Aquelas palavras aqueciam seu coração. Ele então se levantou, depositou a xícara em cima da mesinha de centro e caminhou até Harry.
"Você aprendeu Legilimência, não?"
"Eu não vou entrar na sua mente, Severus. Não quero invadir sua privacidade desse jeito. Isso seria muita falta de respeito. Apenas me diga. Você gostava de ser Comensal da Morte? Sentia prazer em torturar e matar?"
O ex-professor riu.
"Torturar e matar?", ele pausou, pois sentia vontade de rir de novo. Como Potter não estava achando graça nenhuma, ele voltou a falar mais sério. "Nos períodos em que o Lord das Trevas esteve no poder, na maior parte do tempo eu fui seu espião. Apenas espião. Ele nunca me mandou matar ou torturar. Eu não era esse tipo de Comensal da Morte sanguinário. Eu só matei uma pessoa, Harry, e só o fiz porque estava em dívida com ele. Mas já as mortes que causei indiretamente. Estou ciente de ao menos duas", terminou sério. Com o rosto carregado de remorso.
"Então você só espionava Dumbledore para ele?"
"Exato. Sem mortes ou torturas."
"O que você sentiu ao torturar os Lestrange hoje?"
"Pensei que seria mais prazeroso", respondeu sincero. "Me sinto satisfeito, mas ao mesmo tempo... Um pouco miserável e covarde. Levantei minha varinha para alguém desarmado. Isso é meio repugnante."
Harry sorriu e puxou Severus pela blusa, fazendo senta-se em cima dele.
"Eu sabia que você não era igual a eles. Eu sabia!"
"Como você podia saber?", perguntou enquanto beijava a orelha de Potter.
"Eu vejo sua alma, Severus. Vejo maldade, rancor, vingança e um pouco de sadismo."
"E o que mais Harry Potter vê?"
Potter sorriu de forma extremamente arrogante.
"Eu vejo perfeitamente bem que sua alma me pertence."
Snape sorriu enviesado.
"Você discorda?", desafiou Harry.
"Não. Eu concordo perfeitamente com você. Sempre."
"Você só diz isso só porque quer transar comigo."
"É verdade. Eu quero transar com você, mas há outra coisa..."
"O quê?"
"Eu te amo..."
Ambos sorriam. As carícias logo começaram e foram ficando mais intensas. Rapidamente, as roupas estavam ao chão e eles iniciaram mais uma noite de atividades prazerosas.
Continua... : )
OoOoOoOoO
Comentários da autora: Caso ainda exista um ser vivo disposto a ler essa fic, eu agradeço a paciência e aguardo o review. E vou achar normal receber um review com ofensas a mim e a minha família por conta da demora.
Por outro lado, caso eu não receba nenhum, vou entender perfeitamente que desistiram da fic.
Um último recado, aos que se aventurarem a continuar lendo. Lemon de verdade no próximo capítulo. E não pretendo alongar mais essa fic. O próximo capítulo é o final. A não ser que eu tenha alguma ideia para escrever mais ( x D). Mas a principio, eu estou meia fraca de idéias, por isso a demora.
Enfim... Obrigada por lerem! x )
Reviews? Reviews? Reviews?
Por favor? Por favor? Por favor?
Não sabe o que escrever? Quer uma sugestão? Me manda um smile (: D). Sério. Adoro smiles e vocês me deixariam muito feliz se me mandassem um review. Me mandem? Por favor? ; )
