Capítulo com lemon.

Capítulo VIII

Diferente da noite anterior, nessa noite Severus e Harry optaram por não dormir no chão. Eles transfiguraram o sofá da sala em uma cama grande e macia. Mas a cama bem poderia ser pequena, pois os dois faziam questão de ficar bem próximos, em parte por causa do frio. Mesmo com a lareira acessa, a casa estava gelada, em especial a sala de estar.

Eles estavam nus e deitados de lado frente a frente, cobertos por um grosso edredom. Potter estava sem óculos, olhando diretamente para os olhos negros de Snape. Ele sorria de satisfação e prazer pela transa que acontecera.

Severus também encarava o amante, parecendo hipnotizado pelos olhos verdes de Harry. Mas diferente do outro, o sorriso dele era mais contido. Snape parecia pensativo, refletindo sobre a melhor maneira de iniciar um diálogo sobre um assunto, que ele considerava ser, delicado. Após suspirar, ele resolveu começar a falar.

"Há algo que não te contei. Sobre sua professora."

Harry já previa algo do tipo. Severus não era a pessoa mais simpática do mundo, devia ter sido desagradável e irônico com a mulher. Por isso, olhou para o amante com um olhar acusatório, do tipo 'o que foi que você fez?'. Mas não disse nada, esperou Snape prosseguir.

"Ela me ofereceu um emprego."

Primeiro a surpresa perpassou pelo rosto de Potter, depois ele sorriu.

"Emprego?"

"Ela disse que estava em busca de um novo professor..."

Harry não se conteve e interrompeu Snape, havia um sorriso muito debochado em seu rosto.

"Isso quer dizer que você vai voltar a ser meu professor? Devo logo ir te avisando que no Ministério você não poderá tirar pontos de Gryffindor e me dar detenções, o que talvez torne o seu trabalho menos prazeroso."

"Eu ainda não aceitei o emprego", retrucou, sério.

"Por que não?"

"Quero sua opinião sobre o assunto. Você ficaria incomodado se eu fosse seu professor?"

"Depende... De qual matéria estamos falando?", perguntou Potter, se lembrando do quinto ano em Hogwarts, nas aulas de Poções. Severus frequentemente quebrava as amostras de suas poções ou esvaziava seu caldeirão por ele ter cometido um pequeno erro. Por outro lado, as aulas de Defesa Contra as Artes das Trevas eram relativamente melhores. Na época, Harry o detestava e não daria o braço a torcer, pois apesar de Snape não ter muita didática, ele era bom professor em DCAT porque conhecia muito do assunto. Hermione até dizia que Severus parecia o rapaz quando o professor falava sobre as artes das trevas.

"Defesa Contra as Artes das Trevas", respondeu com visível satisfação.

Harry sorriu aliviado e igualmente satisfeito.

"Severus, se voltar a lecionar te trás prazer, então eu também fico feliz. Você sempre gostou mais dessa disciplina."

"Eu não estou te perguntando sobre o meu prazer. Estou falando sobre você. O que você pensa, o que sente. Não será estranho ser amante de um de seus professores?"

O Gryffindor ficou alguns segundos pensando antes de responder.

"Nada estranho. Vou ficar feliz por te ver voltar a trabalhar. E depois, eu já estou terminando meu treinamento. Mas agora que você mencionou... Será que eu vou ganhar umas notas a mais pelos trabalhos extras que eu faço em casa?", indagou com malícia. Ao mesmo encurtava ainda mais a distância entre eles, parando com rosto a poucos centímetros do nariz do amante.

Severus abriu um sorriso sádico, depois beijou o nariz de Harry. Quando falou, sussurrou as palavras na orelha esquerda do rapaz:

"Ao contrário, Potter. Eu terei que ser mais rígido com você para que os demais alunos não pensem que estou te favorecendo porque dormimos juntos."

Harry abaixou a cabeça e beijou o peito de Severus.

"Você favorecia seus alunos Slytherins. Você favorecia o Malfoy!", falou, forçando sua voz a sair com tom acusatório.

"Dessa vez não darei aulas em Hogwarts. Os aurores não divididos por casas. Eu serei obrigado a ser imparcial."

Potter mordiscou um mamilo de Snape.

"Você resolve ser imparcial agora, quando eu poderia ser beneficiado? Isso não é nada justo, professor!", protestou.

Snape fez uma careta ao ouvir a última palavra. Depois, se virou na cama, se afastando, como se tivesse perdido o clímax.

"Professor não, Harry. Por Merlin! Não me chame assim em nossa casa. Muito menos quando estamos na cama."

Potter também se virou na cama, voltando a ficar bem próximo do amante.

"Certo, não chamo mais", disse. Depois enfiou o rosto no pescoço de Snape e ronronou: "Severus..."

Snape sorriu enviesado e puxou o rosto de Potter, em seguida beijou-o na boca.

Harry aproveitou e deitou em cima do peito de Severus, sem deixar de beijá-lo.

Snape passou os braços pelas costas de Potter, acariciando-o. Jamais pensou que o rapaz fosse aceitar tão rapidamente seu novo emprego. Talvez eles devessem conversar mais na cama, assim era mais fácil manipular Harry.

Manipular?, Severus não gostou muito dessa palavra. Ele precisava confirmar que Potter realmente estava de acordo com seu futuro emprego. O Comensal da Morte finalizou o beijo e olhou seriamente para o rosto do rapaz.

"Você então aceita meu novo emprego?", indagou Snape.

"É claro, Severus. Eu desejo te ver feliz. Você tem vontade de voltar a ser professor?"

"Sempre quis ser professor de Artes das Trevas, e é ótimo não ter que ensinar crianças debilóides e desinteressadas."

"Artes das Trevas?", questionou Harry, sorrindo.

"Eu quis dizer Defesa, Defesa Contra as Artes das Trevas."

Potter passou a mão pelo braço esquerdo de Snape, onde antes havia a Marca Negra. Severus observava o rapaz.

"Arrependido por estar se relacionando com um Comensal da Morte?", perguntou, mesmo tendo medo da resposta.

"Muito pelo contrário. Cada dia fico mais apaixonado por você", ele disse a última frase na língua das cobras.

"Voltou a silvar para mim?"

"Depois eu traduzo para você, mas primeiro me esquente..."

Snape sorriu e voltou a envolver Harry com os braços, em seguida beijou-o.

OoOoOoOoO

Alguns dias depois, Severus terminava de arrumar o smoking cinza escuro, quase preto, em frente ao espelho no quarto. Na cama e parecendo bastante desinteressado, Harry de pijamas observava o amante ajeitar a lapela do paletó do smoking.

Snape olhava Potter pelo reflexo do espelho. O rapaz estava deitado e parecia nada disposto a acompanhá-lo até o casamento de Draco. O Slytherin resolveu, então, provocá-lo.

"É melhor você começar a se vestir."

Harry colocou os braços atrás da cabeça, uma atitude relaxada e indisposta.

"Eu não sou bem vindo lá, Severus. Você sabe disso."

"Draco mandou um convite para você", ponderou.

"Só depois que nossa relação foi revelada."

Snape assentiu com a cabeça, como se concordasse com Harry.

"Se não quer ir, não vá", disse Severus e, tratou para que sua voz ficasse apenas levemente debochada enquanto dizia as palavras seguintes. "Sinceramente, fico até feliz com isso. Significa que você superou o irracional ciúme que sentia dos Malfoy."

Uma imagem veio imediatamente a cabeça de Potter. Severus, uma delícia dentro daquele smoking cinzento, entre Draco e Lucius. Os três rindo e bebendo. O pensamento foi suficiente para que ele se levantasse da cama em um pulo.

Snape observava a reação do Gryffindor, um leve sorriso de escárnio brotou em seus lábios finos.

"O que aconteceu? Mudou de idéia?"

"Eu vou com você. Estou pronto em dez minutos", disse mal humorado.

Severus sorriu vitorioso enquanto assistia Harry correr até o armário e começar a buscar uma roupa adequada para a situação.

OoOoOoOoO

Potter vestiu um terno preto risca de giz com colete preto também risca de giz, camisa branca e uma antiga gravata vermelha e dourada.

O olhar de Snape se deteve alguns segundos na gravata do amante. Tirando esse pequeno detalhe, Harry estava lindíssimo. O garoto ficava muito bem de preto.

"Acha conveniente usar uma gravata com essas cores? Você se lembra onde está indo?"

"É só uma gravata, Severus."

"Você está indo para um lugar que vai estar repleto de Slytherins."

"Vou ficar seguro. Estou levando a minha varinha", brincou.

"Potter..."

"Vai tirar pontos de Gryffindor, professor Snape?"

"Eu deveria, mas você está bonito demais."

Harry riu.

"Vamos, é melhor aparatarmos logo. Se você chegar atrasado, Malfoy irá me culpar."

Snape segurou a mão de Potter e juntos aparataram na Mansão Malfoy.

OoOoOoOoO

A cerimônia de casamento havia acabado, foi bonita e tradicional. Draco e Astoria estavam casados. Os noivos estavam bastante bonitos. Draco assim como Severus, também usava um smoking cinza escuro. A noiva vestia um vestido prateado tomara que caia e um longo véu prata. Estava de cabelos soltos e seus cachos castanhos e volumosos desciam até os ombros. Harry tinha a vaga impressão de que conhecia Astoria de algum lugar. Snape lhe confirmou suas suspeitas, ao falar que a garota fora aluna dele e que ela, Potter e Draco haviam estudado juntos em Hogwarts.

Agora os convidados estavam na recepção, no belo e decorado jardim da mansão Malfoy. Já era noite e o céu era um breu sem fim, e como a lua era nova, não fornecia iluminação alguma. Mas todo o jardim estava iluminado por incontáveis esferas de vidro. As esferas foram enfeitiças e parecia haver dentro delas pequenas estrelas que forneciam luz e certo calor. Havia também várias mesinhas que acomodavam quatro pessoas, todas com toalhas prateadas com detalhes florais bordados em verde escuro. Os muitos garçons não deixavam faltar comida ou bebida para os convidados. Muitos casais rodopiam alegremente na pista de dança.

Potter e Snape estavam sentados em uma mesa sozinhos, já que Harry preferiu não se sentar a uma mesa contendo toda a família Malfoy.

"Ainda não se acostumou com a fama, celebridade?", alfinetou Potter. Ele estava observando como Severus fazia questão de encarar feio qualquer um que passasse muito tempo olhando-os.

Snape lançou um olhar carrancudo para o amante.

"Já faz algum tempo que saiu a reportagem. Eu não entendo por que continuam me encarando."

"Você é o namorado de Harry Potter, por isso, sempre irão te encarar, fazer comentários, apontar, tirar fotos. É melhor ir se acostumando."

Severus resmungou algo inteligível.

Potter fitou a mesa dos Malfoy. Queria provocar um pouco Draco pela aparência de sua esposa. Harry achou Astoria Greengrass, ou melhor, Astoria Malfoy muito parecida com certa Gryffindor que também estudou com eles. Mas, para tristeza de Harry, ele encontrou apenas Lucius na mesa. Potter notou que o loiro observava-o. Uma ideia exibicionista lhe surgiu.

"Ei, Severus, não quer dar um motivo para eles ficarem te olhando?"

"O quê?", perguntou e se virou em direção ao rapaz. Assim que se virou, seus lábios foram capturados pelos de Potter. Eles ficaram se beijando menos de dois segundo, pois ambos interromperam o beijo ao ouvir o barulho de cristal caindo no chão.

Draco acabou deixando a taça de champagne escorregar de sua mão. Ele observou, atônito, seu ex-professor e Potter se beijando. Uma coisa era saber que eles tinham um caso, outra, muito pior era ver. Não parecia real.

Snape ficou levemente ruborizado, pois o beijo havia atraído ainda mais atenção para eles, apesar de algumas pessoas estarem olhando Draco. Mas pouco se importou com a plateia. Recordava-se da última vez que Harry o beijou em público, lembrou-se como o rapaz havia reagido. Potter pensou que Severus tivesse vergonha dele. Ora, Harry irá tirar isso da cabeça agora!, pensou Snape. O homem segurou o rosto de Potter e tornou a beijá-lo, dessa vez mais intensa e profundamente.

Harry não acreditava. Severus realmente estava demonstrando seu amor publicamente? Com os Malfoy e um bando de Slytherins presentes? Ah, eu amo demais esse Comensal da Morte!, pensou alegre. Snape só soltou seu rosto após um longo e gostoso beijo. Antes de se afastar, Severus ainda murmurou para ele:

"Agora você não precisa ter dúvida alguma. Eu exponho em qualquer lugar que amo você."

Potter sorriu satisfeito e beijou o nariz de Snape.

"Eu também te amo, Severus."

Snape se afastou, voltando a sentar-se ereto na cadeira. Parecia estar com uma expressão muito convencida enquanto retornava a encarar os bruxos e bruxas que observavam os dois.

Harry olhou em volta, procurando por Draco. Antes de ser beijado por Severus ele viu o loiro deixar cair uma taça. Malfoy era mais um dos bruxos que olhavam para eles. O sorriso de Potter ficou malicioso ao constatar que estivera sendo observado por ele. Draco estava levemente vermelho e com a boca aberta de surpresa. Quando os olhares deles se encontraram, Malfoy tentou, sem êxito, parecer indiferente. Ainda sorrindo, Harry acenou com a mão para que o loiro se aproximasse.

Num primeiro momento, Draco pensou em ignorar Potter. Mas iria parecer que ele estava fugindo daquele maldito cabeça rachada, como se tivesse medo dele. Por isso, Malfoy ajeitou o lenço no bolso de seu smoking e caminhou até a mesa onde estavam Harry e Severus.

"Você está se sentindo bem, Malfoy? Está com o rosto um pouco vermelho!", provocou Potter ao ver o colega de pé próximo da mesa.

O olhar de Draco se deteve alguns segundos na gravata de Harry depois, ele fez uma careta como se a visão daquilo não lhe agradasse e sentou-se na cadeira mais próxima de Snape. Olhando para o bruxo mais velho, comentou com a voz arrastada e debochada:

"Lamento muito que tenha que aguentar essa pessoaem sua vida. Tenho certeza que você merece alguém melhor, Severus. Depois de ter que suportar Potter seis anos em Hogwarts, agora tem que conviver com ele novamente... Deve ser tão desagradável."

"Draco, não seja infantil."

Harry fechou as mãos em punho, não ia perder a chance de retrucar.

"Eu ainda não tive chance de parabenizá-lo pelo seu casamento. Gostei bastante da sua esposa, Malfoy. Mas ela me é estranhamente familiar. O jeito que ela arrumou os cabelos... Esse tom castanho escuro e volumoso. Onde será que eu já vi isso?", provocou.

A essa altura, Snape ficava irritado com a atitude dos dois. Draco e Harry se comportavam como crianças de onze anos trocando provocações.

"Harry, por favor, pare...", pediu.

Draco rosnou, fechando a cara. O que o Cicatriz estava insinuando?, pensou. Odiou-se imensamente por ter vindo até a mesa de Potter. Devia ter ignorado o salvador gay do mundo mágico.

"Diga-me, Malfoy, ela também é nascida muggle, igual a Hermione?", continuou provocando Harry.

Draco queria retribuir a provocação, gostaria de dizer algo maldoso sobre Potter ser gay, ou ainda estar se relacionando com o ex-professor. Mas tudo que dissesse poderia ofender Severus também, por isso ele se limitou a falar:

"É incrível como as pessoas mudam, não é Potter? Se antes você detestava Slytherins... Bem, agora você...", o loiro deixou a frase no ar, mas sorria de forma obscenamente maldosa.

"Já chega, garotos!", interveio Snape.

"O que você quer dizer, Malfoy?"

"Nada demais, algo que todo o mundo mágico sabe", disse Draco, ainda sorrindo. Ele parecia bastante satisfeito por ter atingido Potter.

Severus entendeu que os garotos queriam trocar ofensas a sós, por isso se levantou.

"Se vão continuar agindo feito crianças, eu vou me retirar. Mas... Se levantarem a varinha um para o outro, eu vou interferir. E garanto que não será nada agradável para nenhum dos dois. E sim, Draco, mesmo sendo seu casamento", acrescentou ao ver o olhar horrorizado de Malfoy perante a ameaça implícita de Snape.

Assim que Severus se afastou, Harry voltou a falar.

"Ilumine-me com seus vastos conhecimentos a respeito da minha vida. O que exatamente todo mundo sabe?"

"Todos sabem que Severus está te comendo", disse com maldade, como se fosse uma ofensa.

O Gryffindor sorriu relaxado.

"Geralmente é isso que ocorre com duas pessoas que estão em um relacionamento amoroso. Elas transam. Seu pai ainda não te explicou isso? O que você vai fazer na lua-de-mel?", indagou debochado.

"É. Geralmente é assim com um homem e uma mulher. Apenas o homem é ativo, mas quando são dois homens, ocorre um revezamento. Mas não é esse o seu caso, Potter. Severus com certeza não deixa você ficar por cima. O que te faz ser a mulherzinha dele."

Harry pareceu ficar abalado por apenas três segundos, depois se recompôs e riu com desdém.

"É verdade, Malfoy. Severus me fode como ninguém, e eu adoro."

Draco ficou escarlate de vergonha com a declaração. Não esperava por uma confissão tão obscena.

Potter riu com o rubor que causou no colega e se levantou da cadeira. Já não sentia mais vontade de provocar o loiro. Olhou em volta para encontrar Severus. Infelizmente, localizou Snape já próximo de Lucius. Estava se afastando de Draco e indo até o amante quando alguns desconhecidos vieram falar com ele, cumprimentá-lo por seus feitos. Enquanto tentava rapidamente se livrar dos desconhecidos, Harry não conseguia esconder seu desconforto. As palavras do colega haviam o afetado mais que do Draco pudesse imaginar. Pois havia um bom tempo em que apenas ele ficava por baixo.

OoOoOoOoO

"Não se sente inseguro com relação a ele?", perguntou Lucius a Severus indicando Harry o queixo. O garoto não falava mais com Draco, agora estava repleto de outros jovens homens.

Snape olhou para Potter, que parecia estar pouco a vontade conversando com os desconhecidos.

"Insegurança nenhuma."

Malfoy pareceu não se convencer com as palavras do amigo.

"Severus... Convenha comigo. Potter tem metade da sua idade, é famoso, rico, grande herói do mundo bruxo. O garoto provavelmente é mais amado que Dumbledore. Ele praticamente poderia ter quem quisesse, mas..."

"Mas ele me escolheu. Entende isso, Lucius? Ele me escolheu."

"Ainda assim. Ele deve ser bastante assediado por homens e mulheres. Isso não te preocupa?"

"Lucius, por favor, eu não quero me gabar de meu desempenho sexual para você", brincou.

Malfoy sorriu com desdém.

"Eu conheço seu desempenho sexual, velho amigo. Mas voltando a Potter... Se eu fosse você, sentiria insegurança."

"Repito. Não há razão para ter insegurança, pois foi ele que me escolheu."

"Não sente insegurança nem com relação os Weasley? Você sabe que ele é bem próximo daquela família, inclusive namorou a menina do Arthur."

"Eu sei perfeitamente bem disso, Lucius. Pois fui professor de todos os filhos de Arthur, inclusive Ginerva Weasley."

"E você também deve saber que ele passou várias férias na... Na casa dos Weasley."

"Aonde você quer chegar, Lucius?", perguntou Snape, claramente perdendo a paciência.

"Acredita mesmo que ele teve um caso com a menina? Se ele é realmente bissexual, talvez tenha iniciado sua vida sexual com algum dos Weasley. Aquela relação que ele tinha com o caçula Weasley não era normal. Draco me disse que eles viviam juntos em Hogwarts."

Severus sorriu despreocupado, pois fora ele que iniciou a vida sexual de Potter.

"Não tenho insegurança nenhuma com relação a esse assunto também. Harry poderia ter escolhido ficar com Ginerva ou até com Ronald Weasley, mas não fez nada disso. Ele escolheu a mim. Eu sou O Eleito."

"Você é O Eleito?", perguntou Potter, se aproximando dos dois bruxos. Harry passou um braço pela cintura do amante, abraçando-o.

Snape beijou a testa do Gryffindor.

"Eu sou o seu Eleito, pois você me escolheu."

"Eu escolhi? Pensei que estivesse sob o efeito de uma mirabolante poção de amor feita por um Comensal da Morte", zombou.

Malfoy sorriu debochado.

"Eu não duvidaria. Severus seria bem capaz de fazer isso."

Snape segurou o queixo de Harry.

"Como se eu precisasse de uma poção para fazer você me desejar."

"Não precisa", falou e beijou rapidamente o namorado. Depois se virou para o loiro e perguntou: "Onde tem um banheiro?"

O loiro primeiro ficou surpreso com a pergunta, depois abriu um sorriso de malícia.

"Dentro da mansão, Potter. Severus é perfeitamente capaz de te indicar onde você poderá encontrar um."

OoOoOoOoO

"O banheiro fica no final do corredor", explicou Snape. Os dois já estavam dentro da Mansão dos Malfoy, em um corredor bem iluminado e com paredes com papel de parede dourado.

"Como você sabe?", questionou e sua voz tinha traços de ciúmes.

"O Lord das Trevas usou a casa de Lucius para suas reuniões durante um tempo."

O rapaz lançou um olhar descrente para o amante, como se ele tivesse contando uma mentira. O que fez Snape sorrir enviesado.

"Mas eu já frequentava esse lugar antes das reuniões. Você sabe que conheço Lucius há muito tempo. Mesmo antes de você nascer, eu já era amigo dele."

Potter não comentou, parecia estar chateado com sua pouca idade.

Snape observava o amante, viu sua feição ficar triste. Ele, então, olhou para os lados e constatou que os dois estavam sozinhos no corredor. Depois, empurrou Harry em direção a parede.

"Não tem razão para você sentir ciúmes de nada, garoto. Você é a única pessoa que me importa nesse mundo. Ou melhor, o meu mundo é você."

Harry olhava para Severus enquanto ele falava. Havia tanta veracidade nas palavras do outro bruxo que Potter realmente sentia que era o mundo de Snape.

Severus colocou as mãos na parede, entre a cabeça de Potter, encurralando-o entre a parede e seu corpo. Depois, aproximou o rosto lentamente dos lábios de Harry.

Mas Potter era muito afoito. Ele não esperou Snape vencer a distância entre eles, o próprio Harry foi até o encontro da boca de Severus. O rapaz envolveu Snape com seus braços, dando-lhe um abraço bem apertado. Ao mesmo tempo beijava Severus de um jeito diferente, quase agressivo.

Snape estava surpreso pela atitude de Harry. Os braços possessivos e o beijo dominador não combinavam com Potter. Talvez ele só esteja irritado por estar aqui, pensou Severus. O bruxo continuou beijando Harry, ao mesmo tempo colocou as mãos da cabeça de Potter, acariciando sua nuca e cabelos.

Harry estava contente. Parecia que ele estava no comando da situação. Se eles continuassem assim, hoje ele não seria o passivo. Potter ouviu alguns passos ao longe. Ao que parece, Severus também ouviu, pois encerrou o beijo, mas não se afastou.

Snape olhou firmemente para Harry.

"Podemos ir para a casa ou continuar aqui, o que prefere?"

"É óbvio que quero continuar aqui. Acha que vou perder a chance de transar na casa dos Malfoy?"

Severus sorriu com a resposta, ele já esperava por isso.

"Então melhor sairmos do corredor", falou e conduziu Potter até a porta no final do corredor.

Assim que entraram no banheiro, Snape puxou Harry até ele, envolvendo-o em um abraço. Ao mesmo tempo, começou a distribuir beijos pelo pescoço do rapaz. O Comensal da Morte fechou a porta com o pé, sem soltar o garoto. Depois, ainda com os braços enlaçados em Potter, conduziu-o até a pia de mármore dourado. Em seguida, depositou Harry em cima da pia. Snape levou a boca até a gravata do rapaz e desfez o nó com os dentes. Com habilidade e rapidez extrema, Severus tirou o paletó do amante. Agora ele desabotoava rapidamente a camisa do garoto.

Droga!, pensou Potter dividido entre o prazer e a frustração. Severus está fazendo de novo! Ele está me envolvendo, dominando... Assim eu não conseguirei ser firme. Se ele continuar agindo desse jeito, eu vou acabar por baixo, de novo.

Após despir completamente o rapaz da cintura para cima, Snape voltou a beijá-lo na boca. Harry correspondeu ao beijo com entusiasmo. Era difícil não se excitar com Severus beijando-o daquele jeito. Ele então se lembrou de Malfoy, e o que ele dissera. Mulherzinha. Com certo esforço, Potter tentou ignorar momentaneamente o beijo apaixonado que recebia. Ele precisava pensar em como poderia reverter a situação. Harry entreabriu os olhos e viu algo interessante. Um lampejo dourado no fundo do banheiro. Abriu então inteiramente os olhos e observou assombrado uma banheira dourada do tamanho de uma pequena piscina. Ele interrompeu o beijou, mas Snape ainda mantinha os lábios em seu corpo, mordiscando sua orelha.

"Aquilo é realmente feito de ouro?", indagou Harry. O rapaz observava melhor o cômodo onde estava. Era bem iluminado e com teto alto. Toda porcelana era dourada, como a banheira. As torneiras e até a maçaneta da porta também eram douradas. O assoalho era de mármore dourado e as paredes eram forradas com o mesmo mármore. Era um lindo banheiro, digno do rei Midas.

Severus olhou para trás e viu a banheira dourada.

"Provavelmente. Lucius adora essas coisas ostentativas."

Aproveitando a distração de Snape, Harry pulou da pia e caminhou até a banheira de ouro. Fingindo estar maravilhado, ele tocou na borda da banheira.

"De onde eles tiram tanto dinheiro?"

"Heranças, talvez. Realmente não me importo."

Potter tinha se sentado na borda da banheira. Snape cruzou os braços ao notar o falso fascínio de Harry por esse tipo de coisa material.

"Se desejava ter uma banheira de ouro em sua casa, não deveria se relacionar com um professor", falou amargo.

Harry riu.

"Nós não precisamos ter uma banheira dourada para desfrutarmos dela. Vem cá...", chamou lânguido.

Severus ponderou. Não se sentia nada confortável em usar algo que não lhe pertencia. Ainda mais usar do modo luxurioso que os dois pretendiam.

Percebendo que Snape não ia se mexer, Harry resolveu incitá-lo. Com os olhos firmes em Snape, ele se levantou. Depois, começou a tirar o restante de suas roupas. Abriu lentamente o botão e o zíper, então, abaixou igualmente devagar a calça. Retirou o sapato e as meias.

"O que está pretendendo?", questionou Severus, com o olhar fixo no corpo de Potter.

Como resposta, Harry apenas sorriu libidinosamente. Em seguida, tirou a cueca, exibindo sua ereção. Potter, então, fechou os olhos e mordeu os lábios. Usando suas próprias mãos, explorou seu corpo. Acariciou fortemente com as mãos a pele de seu peito, deixando-a avermelhada. Logo após, beliscou os próprios mamilos, depois desceu as mãos até seu abdômen firme. Ele fez menção que iria levar as mãos até o próprio membro, mas subiu as mãos voltando a afagar seu peito. Passou, então, a acariciar seu pescoço, depois levou um dedo médio até os lábios e o introduziu na boca, emitindo um sonoro gemido.

Snape não se controlou. Sua ereção estava pronta e latejando por conta da pequena exibição de Potter. Ele praticamente correu em direção ao amante, e sussurrou com os lábios colados no ouvido de Harry:

"Não prefere que eu te acaricie?"

Potter sorriu soberbo. Sua maior arma contra Severus era seu corpo, Snape faria de tudo por ele. O Comensal da Morte nem esperou Harry responder, pois já começara a beijar e morder o rapaz no pescoço. Potter segurou a cabeça de Severus e a colocou em seu peito, indicando onde queria ser beijado e mordido. Parecia, enfim, que Harry estava no comando da situação.

Snape lambeu, mordiscou e beijou o pedaço de pele que Potter lhe oferecia. Ele distribuiu beijos pelo peito do garoto e, em seguida, mordiscou e sugou os mamilos de Harry até deixá-los rijos.

"Hum...", fez Potter satisfeito.

Severus ergueu a cabeça para observar o amante. Harry ficava ainda mais bonito excitado. As bochechas afogueadas, os olhos verdes brilhantes por trás das lentes grossas. Ele era perfeito.

"Tire a roupa para mim, Severus", ronronou.

Snape não era dado a exibições, muito menos a performances, como a que Potter fizera segundo atrás.

Vendo a hesitação do amante, Harry mandou com a voz firme:

"Tira agora!"

"Quer que eu faça mais alguma coisa, milord?"

"Quero que você faça muitas coisas, mas primeiro precisa tirar suas roupas."

Com um sorriso debochado e malicioso, Severus assentiu. Tirou o paletó após abrir o único botão, depois desfez o nó da gravata. Começou então a abrir os botões do colete e da camisa branca. Sem parar de abrir botões, ele olhou para Harry. Notou que o rapaz o observava com expectativa.

"Eu preferiria que você fosse mais rápido", reclamou Potter.

"Como milord desejar...", falou e se livrou da camisa e colete ao mesmo tempo. Depois tirou os sapatos e os chutou longe. Abriu o zíper e desceu a calça rapidamente. Por último retirou a cueca, libertando sua ereção totalmente intumescida.

Harry sentia sua boca salivar com a visão do amante nu. Severus era muito gostoso! Sua pele era uniforme e branca como a de um anêmico, havia pelos negros e finos distribuídos por todo o corpo. Snape não era magro, era definido. Os músculos do peito e abdômen eram discretos e torneados, assim como os dos braços e pernas. O Comensal da Morte sorria para Potter do jeito que o rapaz mais gostava, um sorriso meio debochado, devasso e arrogante. Os cabelos negros e oleosos caiam até os ombros do ex-professor e pareciam incrivelmente macios. Os olhos negros eram hipnotizantes para Harry, assim como a boca com os lábios finos rosados. E ainda havia o nariz e o pênis de Severus... Seus dois pedaços favoritos no corpo do amante. Adorava o nariz grande e torto de Snape, achava-o tremendamente sexy. E o mesmo se aplicava a ereção de Severus, era magnifica, ainda mais inchada e rosada do jeito que estava. Adorava sentir aquele membro dentro de si, mas não hoje.

Potter fez um sinal com a mão, convidando Snape a se aproximar. Severus foi até ele. Harry levou as mãos até o peito do amante, acariciando o local onde antes havia horríveis cicatrizes. Depois arranhou a pele, deixando-a avermelhada. Ele ergueu a cabeça para ver se Snape iria protestar.

"O que foi, garoto?"

"Houve um tempo que você não deixava que eu te tocasse aqui", falou com as mãos no peito de Snape.

"É mesmo? Não me lembro disso", disse sorrindo. Depois se aproximou mais de Potter e roçou a coxa em sua ereção.

"Hum...", fez Harry. Ele arranhou mais uma vez o peito de Severus e se afastou. Em seguida, sentou-se na borda da banheira e abriu as pernas, de um jeito sugestivo.

Snape entendeu o recado. Mas antes de ir até o garoto, pegou sua varinha e a de Harry nas vestes jogadas no chão. Ele nunca mais ficaria desprotegido. A pior sensação no dia do ataque não foi a dor causada pela adaga em seu peito, e sim a sensação de impotência. Ele odiou não ser capaz de defender ele próprio e Potter.

"Ajoelha", pediu Harry ao encarar o Comensal da Morte próximo a ele.

Severus ajoelhou entre as pernas de Potter. Observou a ereção do amante, depois esticou a língua e lambeu a glande, como se quisesse prová-lo.

"Hum...", fez Harry, fechando os olhos.

Snape sorriu enviesado e contornou com a língua algumas vezes a glande de Potter. O rapaz soltou outro gemido satisfeito, Severus então umedeceu os lábios com a própria saliva e engoliu o membro de Harry.

Potter apertou ainda mais os olhos e colocou as mãos na cabeça de Snape, forçando a boca dele a engoli-lo por inteiro.

Severus relaxou mais sua garganta e conseguiu receber boa parte da extensão da ereção de seu amante. Passou, então, a mover a cabeça e os lábios, descendo e subindo, lentamente. Ao mesmo tempo levava uma das mãos até os testículos de Harry, acariciando-os.

"Aah...", gemeu de prazer. Snape fazia aquilo tão bem. Era tão gostoso ter Severus assim, de joelhos, uma posição submissa. Potter sentiu uma poderosa sensação de poder e quase ejaculou. "Severus, melhor parar. Eu estou quase lá..."

Snape nem ouviu o que Harry disse. Desejava levar Potter ao orgasmo e era o que faria. Ele segurou mais firmemente as coxas do rapaz e aumentou consideravelmente a velocidade de suas descidas e subidas na ereção do amante.

"Ah, Merlin! Severus... Eu...", balbuciava. O prazer que a boca de Snape proporcionava era tão grande que ele não conseguia falar com perfeição.

Então pouco tempo depois, Severus sentiu sua boca e garganta encherem-se de sêmen. Ele engoliu o líquido e tirou sua boca da ereção de Harry. Depois deu mais uma lambida no órgão do rapaz. Sua própria ereção pulsava loucamente. Ele ficou ainda mais excitado por ter levado Potter ao orgasmo. Snape se ergueu do chão, segurando ambas as varinhas.

Harry ainda estava em êxtase, sentindo seu corpo relaxado. Ele abriu os olhos e viu Severus em pé, com uma expressão faminta no rosto. Snape agarrou-o pelos ombros e o fez levantar-se, depois o beijou com intensidade. Sentiu Severus esfregar seu membro duro em suas coxas e em seu próprio membro. Aquele atrito gostoso fazia uma nova ereção despertar nele.

Snape finalizou o beijo, mordendo os lábios de Potter.

"Nós já brincamos muito aqui, Harry. Mas agora eu quero continuar na nossa casa", disse e ainda segurando o ombro de Potter, aparataram no quarto de sua casa.

Harry olhou para o amante emburrado. O Comensal da Morte acendia as luzes com auxílio da varinha.

"Eu preferia ter ficado lá."

"Porque é um garoto bobo. Queria se vingar transando na casa dos Malfoy", falou e empurrou Potter na direção da cama.

"E você não queria?", retrucou, deitado de costas na cama.

"Gosto mais de transar na minha casa, na minha cama e com o meu salvador do mundo mágico", disse e deitou-se em cima de Harry.

Potter sorriu, depois olhou em volta e ficou feliz por estar em casa. Todo aquele dourado estava lhe ofuscando a vista. Ele gostava bem mais de seu quarto claro e sem ouro.

"Gosto quando você me chama assim. Meu."

Severus mordiscava a orelha de Harry.

"Não gosto dessas palavras possessivas. É palavreado de gente ciumenta, e esse não é o meu caso."

"Ah, não?", perguntou. Sentia agora Snape enfiando o nariz em seu pescoço e absorvendo seu cheiro. Ao mesmo tempo, ele friccionava a ereção dele na de Potter.

"Eu não preciso ficar falando que você é meu, pois você já sabe disso", sussurrou contra a pele do pescoço de Harry, fazendo-o arrepiar-se todo.

"Ah, eu sei. Eu sou seu..."

Snape sorriu com a declaração, depois enfiou um joelho entre as pernas do garoto, separando-as. Em seguida, com a varinha convocou um tubo de lubrificante. Estava desesperado para aliviar-se com o corpo de Potter, mas pacientemente despejou o gel transparente em seus dedos. Depois enfiou o dedo médio lubrificado em Harry.

Potter olhou para Severus enquanto sentia aquele dedo hábil movendo-se dentro dele.

"Severus...", chamou.

"O que?"

Harry não respondeu, pois agora eram dois dedos entrando e saindo de dentro dele. Dedos que lhe tocavam em um ponto sensível.

"Hum...", gemeu deleitado.

Snape mordeu o pescoço do rapaz.

"Eu adoro ouvir isso."

"Severus, eu quero ficar por cima..."

Snape parou com as carícias, tirou os dedos de dentro do amante e fitou Harry.

"Hoje?", perguntou.

"Agora... Se você estiver pronto, digo, se você aceitar", respondeu. Sentia-se meio cretino por estar sugerindo penetrar Severus, mesmo ele tendo sido violentado.

Snape lambeu o pescoço de Potter.

"Eu estou sempre pronto para você, garoto", falou. Segurando o rapaz, Severus fez ambos rolarem na cama, invertendo as posições. Agora o Comensal da Morte estava em baixo e Harry em cima.

"Eu não vou te machucar", prometeu Potter.

Snape sorriu enviesado.

"Não propositalmente. Você é afoito, Harry. Eu te conheço."

"Não serei hoje", falou solene.

"Pare com isso, Potter! Não fique falando comigo como se estivesse com pena de mim."

Os olhos de Harry brilharam de travessura.

"Sem pena e remorso, entendi. Então, você podia começar mudando de posição."

Severus adorou ver aqueles olhos brilhando, mas não entendeu aonde Potter queria chegar.

"Mudar de posição?"

"Eu quero você de quatro..."

Snape riu, depois provocou:

"E deseja mais alguma coisa? Um chicote, uma venda, velas?"

Harry corou com as sugestões. Eram bem interessantes. Interessantes demais, talvez para uma futura oportunidade. Por hoje ele ficaria satisfeito só com Severus.

"Cala a boca e faz o que eu mandei", mandou Potter saindo de cima do amante e se sentando na cama.

Snape ainda tinha uma expressão debochada enquanto se erguia no colchão. Ele sorriu ainda mais ao constatar a vermelhidão no rosto do rapaz. Severus se posicionou de quatro no colchão. As palmas das mãos e os joelhos sustentavam seu peso. O Comensal da Morte detestava ficar nessa posição, se sentia exposto, desprotegido. E Harry sabia disso.

"Isso te excita, não é Potter? Você gosta de me ver assim."

O rapaz abriu um largo sorriso.

"Assim como, Severus? Submisso e sob meu controle? Se for assim, eu adoro...", disse e deslizou a mão pela coluna de Snape.

"Quem diria? Harry Potter gosta de bancar a dominatrix..."

"Errado, Snape. Eu gosto de dominar você, somente você", falou, enquanto acariciava a bunda do amante.

Severus estava excitado, seu membro inchado já gotejava líquido seminal.

"Harry, vamos logo partir para a ação?"

"Ah, sim, vamos...", concordou. Mas ao invés de se posicionar atrás de Snape, ele se deitou de costas, embaixo do amante. Seu rosto estava em frente a ereção do Severus, totalmente intumescida e rosada. Potter sentiu sua boca salivar com a visão.

"O que está fazen...?", Snape se interrompeu. Sentiu uma língua úmida e quente lambendo seu membro. Não acreditando que fosse possível ficar mais excitado, sentiu sua ereção aumentar. Não acreditava em como Harry Potter era tão imprevisível.

Harry lambeu as gotinhas que saiam da glande do amante. Depois, passou a língua por todo o membro de Severus. Ele desceu mais a língua e lambeu os testículos de Snape.

"Ah... Harry!", Severus gemeu.

Potter já se sentia um vitorioso. Quem mais no planeta era capaz de fazer Snape gemer? Gemer um nome ainda por cima? O rapaz passou a língua mais vezes pelos testículos do amante. Sentia o corpo de Severus vibrar de excitação. Fazer Snape gemer lhe dava uma onda forte de prazer.

"Uh... Mais, Potter...", pediu e sua voz de seda ficava mais gostosa de ser ouvir por estar misturada a gemidos.

Harry subiu sua língua até a ponta da ereção de Severus, depois introduziu apenas a glande na boca. Ficou rodopiando com a língua a pele em sua boca. Sua mão direita foi até a base do membro e Potter começou a masturbá-lo.

Snape estava com os olhos fechados e mordia os próprios lábios. A performance do amante estava fantástica. Involuntariamente, ele moveu o quadril para frente. Queria mais daquela boca em sua ereção, mas a mão do garoto cumpria bem o trabalho. Desse jeito não demoraria muito para Severus chegar ao clímax.

Potter foi engolindo devagar o membro de Severus, parou ao sentir a glande em sua garganta. Começou, então, a mover desesperadamente os lábios em um intenso movimento de vai-e-vem. Sua boca entrava e saia rapidamente, mas com todo o cuidado. Snape tinha razão, Harry era realmente afoito. E estava ainda mais afoito no momento, com sua ereção ficando maior a cada novo gemido de Severus.

"Ah... Ah...", Snape não continha os gemidos. Sabia que Harry gostava de ouvi-los e o garoto fazia por merecer. Os movimentos com os lábios estavam fantásticos, enlouquecedores. Tanto é, que pouco tempo depois, Severus chegou ao orgasmo.

"Hum... Har-ry..."

Snape apenas não desabou no colchão, porque sabia que Potter estava embaixo dele. Mas sentia o corpo mole e pesado por conta do orgasmo.

Potter sentiu o líquido quente preencher sua boca. Engoliu e lambeu os lábios, como se gostasse no gosto salgado de Severus. Em seguida, saiu de baixo do amante e pediu:

"Deita, mas de costas."

Snape caiu no colchão de bruços. Olhou para Harry e o rapaz riu para ele. Severus emanava prazer, com seu rosto corado e olhos brilhantes.

Potter, com um sorriso, disse:

"Você está lindo."

Severus sorriu de forma arrogante e virou-se na cama, deitando de costas. Depois separou as pernas e flexionou-as, segurando os joelhos com as mãos. Novamente se sentiu exposto, mas não ligava. Queria satisfazer seu amante de novo.

Harry se posicionou entre as pernas de Snape. O Comensal da Morte observava um desesperado Potter apertar o tubo de lubrificante em na mão.

"Está com pressa?", provocou.

Potter não respondeu. Estava mais concentrado no que fazia. Queria muito estar dentro de Severus, o mais rápido possível. Ele rapidamente lambuzou os dedos. Mas antes de penetrar Snape, ele rodeou com o dedo o orifício do amante.

Severus sorriu. Gryffindors! Como são criaturas altruístas e... Bobas.

"Mais depressa, Potter."

Harry olhou aflito para o amante. O suor pontilhava sua testa e o óculos estava na ponta do nariz.

"E o que sugere que eu faça?"

"Me come logo de uma vez."

Harry ignorou Snape. Rodeou o dedo mais duas vezes e depois o introduziu no amante.

"Ah...", gemeu Severus, fechando os olhos.

Potter olhou para o amante, um pouco irritado. Snape estava provocando-o. Severus quase não gemia e hoje não estava economizando os gemidos. Parecia até que ele estava incitando Harry a se descontrolar e acabar penetrando-o sem preparação. Pacientemente, o rapaz introduziu mais um dedo lubrificado em seu amante.

Snape abriu os olhos e encarou Potter. Seus olhos negros praticamente luziam de luxúria.

"Harry, eu quero agora."

Potter não conseguiu negar. Ele também queria. Queria muito. Com as mãos trêmulas por conta da ansiedade, ele espremeu uma boa quantidade de gel transparente na mão, depois transferiu o gel para sua ereção. Olhando para o rosto do amante, ele começou a penetrá-lo.

Os dois fecharam os olhos e gemeram ao mesmo tempo.

"Ah..."

Harry inclinou o corpo em direção a Severus, suas mãos no colchão sustentavam seu corpo. Seu rosto agora estava próximo do peito do amante. Com esse movimento, seu membro acabou preenchendo completamente o corpo do outro. Aproveitando que estava bem próximo do ouvido de Snape, ele sussurrou:

"Nossa, Severus! Você é muito gostoso. Uma delícia."

Snape riu com o comentário.

"Acredito que os mesmos adjetivos se aplicam a você."

"Eu me apaixono mais por você a cada dia", disse na língua das cobras.

"Espero que isso signifique vou começar a me mover agora."

"É isso que deseja?"

"É!", disse ondulando o corpo em direção ao rapaz.

Harry sorriu e saiu devagar do corpo do amante, depois voltou a preenchê-lo.

"Muito gostoso...", murmurou. "Já disse isso?"

"Já", respondeu Severus, sorrindo.

Potter continuou se movendo de forma cadenciada e lenta.

"Está doendo?"

"Estou sentindo muita coisa, mas dor não é uma das minhas sensações. E, Potter?"

"Sim?"

"Vou gostar mais se você colocar mais vontade dessas investidas."

"Eu farei isso", afirmou e começou uma série de estocadas mais fortes e fundas. Preocupou-se que acabasse machucando Severus, mas os gemidos que Snape emitia não eram de dor. E se sentisse dor certamente não estaria com uma nova ereção. Ele sentiu o amante acompanhar seus movimentos, indo de encontro a sua virilha. Viu também Severus pegar o gel lubrificante e lambuzar a própria ereção e em seguida começar a se masturbar no mesmo ritmo que Harry se movia.

Potter intensificou tanto seus movimentos que seus óculos acabaram caindo de seu rosto com os repetidos movimentos de vai-e-vem. Ele não se importou, e continuou estocando, cada vez mais rápido. Severus fazia questão de gemer cada vez que Harry se enterrava dentro de seu corpo. O rapaz adorava ouvir aquilo, sem contar que aumentava ainda mais sua excitação. Potter já conseguia sentir o orgasmo se aproximando, ele estava arrepiado e seus braços tremiam. Ele estocou mais duas e três vezes e chegou ao clímax, ao mesmo tempo ouviu Snape gemer mais alto.

"Severus...", ganiu, já sem forças, até para se sustentar. Harry desabou em cima do abdômen do amante e ao sentir um líquido quente na virilha de Snape, percebeu que o outro também tinha chegado ao orgasmo.

O rosto de Potter estava no peito de Severus. Ele fechou os olhos, beijou a região e disse:

"Já disse que você é muito gostoso?"

A expressão de Snape ficava muito orgulhosa ao ouvir aquilo. Ele tateava na cama a varinha e os óculos de Harry.

"É isso que você anda silvando para mim?"

Potter saiu de dentro de Severus e se acomodou melhor no peito do amante, se preparando para dormir ali.

"Não."

Snape entregou o óculos para Harry, depois já com a varinha em mãos murmurou um feitiço para limpar ambos do sêmen.

"Então o que você silva para mim?"

Potter segurou os óculos, mas não os colocou. Estava sonolento, não precisava dos óculos.

"Eu digo que cada dia me apaixono mais por você. Isso é possível?"

Severus beijou os cabelos do amante e passou os braços pelas suas costas.

"Acredito que sim. Pois compartilhamos essa sensação. Também sinto isso."

"Então diz..."

"Eu te amo mais a cada dia, Harry."

Potter riu e ergueu o rosto, depois beijou rapidamente Snape. Em seguida, voltou a posição original, com a cabeça no peito do amante.

Severus ficou em silêncio durante um tempo. Sentia-se inseguro, mas precisava perguntar algo para Harry. Preferiu então começar o assunto mais leve.

"Sempre que quiser ficar no controle, basta me avisar. Eu confio em você e posso perfeitamente ser seu submisso, se isso te excitar."

"As vezes me excita. Mas acho que gosto mais de quando você fica no controle."

"Faço o que preferir e como preferir."

Potter sorriu.

"É por isso que eu te amo."

Observando a janela, Severus perguntou:

"O que pensa de Draco?"

"Depois de uma noite maravilhosa de sexo, você vem me falar de um assunto broxante?", resmungou Harry.

"Responda."

"Ora! Ele é um completo imbecil, Severus."

"Não me referi a isso. Quero saber sua opinião sobre Draco ter escolhido casar-se com tão pouca idade."

Casar-se? De repente, Potter não sentia mais sono. Ele saiu de cima de Snape e sentou-se ao seu lado na cama. Depois, colocou o óculos para poder enxergar melhor o amante.

"Você quer saber minha opinião sobre casamento?", perguntou o rapaz, sorrindo.

De repente, Harry viu algo muito curioso. Era a primeira vez na vida que via Severus Snape sem jeito. Potter riu.

"Está pensando em se casar comigo?"

"E com quem mais eu poderia desejar me casar, garoto?", retrucou de forma ríspida, como se fosse um adolescente. Severus disfarçava o fato de estar sem jeito com grosseria.

Harry tinha um sorriso de orelha a orelha no rosto.

"Bem... Vou responder sua pergunta. Eu me casaria jovem se encontrasse a pessoa certa. A pessoa por quem me apaixono todos os dias."

Snape já havia se recuperado, estava impassível agora.

"E já encontrou alguém assim?", questionou com deboche.

"Já, mas estou em dúvida. Ele é Slytherin, sabe? E foi Comensal da Morte. Tenho medo de ser rejeitado."

"Eu estou sendo ridículo falando de casamento com você, não estou?"

"Óbvio que não!"

Snape assentiu e levantou-se da cama. Ele caminhou em direção ao armário.

"Aonde você vai? Nós estávamos falando sobre casamento."

"Prefiro continuar essa conversa usando roupas", disse enquanto abria as portas do armário. Ele vestiu um roupão azul marinho e jogou outro na direção de Harry.

Potter estava mais confortável nu, por isso ignorou o roupão.

"Vista-se, Harry", mandou Snape. Ele continuava vasculhando o armário a procura de algo.

Potter pegou o roupão e vestiu-o, depois ficou olhando Severus.

"O que está procurando?"

Snape se virou, o rosto parecia meio tenso. Segurava algo retangular e vermelho em sua mão.

"Levante-se, por favor", pediu.

Harry se levantou sem entender.

"Está acontecendo alguma coisa?", perguntou enquanto caminhava até parar em frente a Severus.

Snape abriu a mão e nela continha uma caixinha de veludo vermelho.

Potter sorriu, um pouco nervoso e emocionado.

"Abra", falou Severus.

Harry fez o que Snape pediu. Abriu a caixinha e nela tinha duas alianças, uma prateada e outra dourada. Potter olhou para o amante, cheio de expectativa.

"Harry Potter, você deseja casar-se comigo?"

Potter sorria.

"Sim, sim, sim!"

Severus fechou os olhos, emocionado. Pegou a aliança prateada e a colocou no dedo anelar de Harry da mão direita. Depois colocou a dourada na palma da mão de Potter.

"A minha é prateada e a sua é dourada? Isso está certo?"

"Está. Um pedaço de mim, Slytherin, em você. E um pedaço seu, Gryffindor, em mim."

Harry olhou para a sua mão direita novamente. Por uns segundos ficou apenas olhando sua aliança prata. Depois fitou Severus e colocou a aliança dourada no dedo dele.

"É oficial, então? Estamos noivos?"

"Sim...", disse e puxou Harry para abraçá-lo e beijá-lo. "Obrigado, Potter. Obrigado por essa felicidade."

Potter sorria e abraçava firmemente o seu noivo.

"Obrigado você, Severus. Sabe que meus dias com você são maravilhosos."

Snape tentou se soltar de Harry, mas o rapaz continuou abraçando-o.

"Eu posso pegar uma bebida para a gente comemorar ou você não pretende me soltar?"

Potter riu, mas não soltou Severus.

"Sabe, Severus, acho que seria mais romântico se estivéssemos vestidos."

"Você acha? Eu penso que você fica mais bonito assim como está. Agora, por favor, solte-me, eu quero brindar com você."

Harry afrouxou o aperto e Snape se afastou um pouco. Os dois tinham sorrisos alegres no rosto. Enquanto o Comensal da Morte se dirigia para a porta, Potter se lembrou de um detalhe.

"Nossas roupas ficaram lá na mansão dos Malfoy."

"É verdade", concordou Severus.

"E você não vai buscá-las?"

"Deixe-as lá. É parte da sua vingança, Harry. As roupas são provas de que transamos por lá."

Potter riu satisfeito, depois falou mais sério:

"Não pretendo mudar meu nome, Severus."

"Nem eu desejo isso. Provavelmente me matariam se você passasse a se chamar Harry Snape."

Harry riu de novo. Estava muito difícil não sorrir, por conta da grande felicidade que sentia. Snape ficou fitando Potter alguns segundos, apenas admirando o salvador do mundo mágico.

"Severus, podemos nos casar depois de eu me formar auror?"

"Caso com você quando quiser."

"Eu prefiro estar formado, assim me sentirei mais seguro em ser seu marido."

Os olhos de Snape brilharam ao ouvir a palavra marido. Ele sorriu novamente, dessa vez sem deboche ou ironia. Simplesmente um sorriso de alegria.

"Vou buscar a bebida. Já volto."

OoOoOoOoO

Uma semana depois, Potter abriu a porta de casa. O rapaz voltava de mais um dia de treinamento no Ministério. Ele ia anunciar sua chegada quando a voz morreu em sua garganta. Ele teria entrado na casa errada? A sala de estar estava completamente diferente. Os móveis haviam desaparecido, dando lugar a várias cadeiras de plásticos e uma mesa em frente a elas, onde Snape estava sentado e segurava um microfone. Nas cadeiras havia dezenas de repórteres, a julgar pelas câmeras fotográficas e gravadores. Foram tantos flashes de fotos em sua direção que Harry sentiu os olhos queimarem. O que estava acontecendo? Snape estava dando uma coletiva de impressa?, pensou assustado.

"Acredito que vocês conheçam Harry Potter", falou a voz de seda de Snape. Ele se levantou e foi até onde o rapaz estava. Quando estavam frente a frente, Potter perguntou:

"O que está havendo? O que é isso...?"

Mas as perguntas ficaram sem resposta, pois antes mesmo do garoto terminar de falar, Severus capturou seus lábios em um beijo digno de novela.

Harry não entendia nada. Mesmo com os olhos fechados, ele sentiu que agora havia muitos mais flashes de câmera voltados para eles.

Severus terminou de beijá-lo e se virou para os repórteres.

"Todos conseguiram pegar uma boa foto? Não quero favorecer ninguém. Desejo que todos tenham uma boa foto para publicarem."

Severus sendo imparcial?, refletia Harry. Só pode ser uma piada.

Snape não esperou uma resposta dos repórteres, se voltou novamente para Harry e o abraçou e em seguida tornou a beijá-lo.

Enquanto Potter estava sendo beijado, sentiu ao mesmo tempo uma mão ousada em cima da sua bunda. Harry começava a compreender. Severus devia estar se vingando, para variar. Mas Potter não ficou zangado, afinal, era exatamente isso que ele queria. Que Snape assumisse a relação deles. E era o que o professor estava fazendo. Devia estar assumindo para o mundo todo, a julgar pelo grande número de jornalistas.

Severus finalizou o beijo. Sorrindo, girou o corpo de Harry para ficar em frente aos repórteres. Mais uma onde de flashes.

"Obrigado por terem vindo a nossa pequena coletiva. Agora que Harry chegou, eu posso fazer o anúncio."

Potter sentiu todo o sangue de seu corpo gelar. Anúncio? Que anúncio? Snape ia terminar com ele em publico? Não, isso não é possível! Ele acabou de me beijar!, pensava alucinado. A adrenalina era tanta que ele se esqueceu que algumas noites atrás ele havia aceitado se casar com Severus.

"Meu casamento com Harry Potter será assim que ele se formar auror."

Mais uma onda de flashes seguidas de várias perguntas.

"Onde será o casamento?"

"Quem são os padrinhos?"

"Pretendem mudar seus sobrenomes?"

Severus segurou a mão de Harry e sorriu. A confiança e a lealdade podia ser sentida quando eles trocaram olhares. Juntos eles caminharam até a mesa em frente aos jornalistas.

"Nós responderemos todas as perguntas que tiverem."

OoOoOoOoO

Como Snape respondia a maioria das perguntas, Potter teve bastante tempo para notar os repórteres. Na verdade, ele procurava por uma jornalista em particular. Mas ele não encontrou Rita Skeeter em lugar algum. A bruxa não estava ali. Como isso era possível?, pensou. Depois de muitas perguntas, Harry olhou para Severus e sussurrou, para não ser ouvido pelos demais:

"Por que Skeeter não está aqui? Você não queria notificar todo mundo?"

Snape abriu um de seus sorrisos de escárnio e não comentou nada. Ele se levantou e começou a falar.

"Agradeço a presença de todos. Obrigado por terem vindo. E... Gostaria de relembrá-los o favor que pedi. Eu e Harry temos uma grande desavença com Rita Skeeter. Então, como presente de casamento, eu pediria que vocês não comentassem nada com Skeeter sobre nossas declarações. Harry deseja que ela descubra a notícia como os demais leitores, lendo nos seus jornais."

Os repórteres assentiram concordando. Aos poucos foram se levantando. Severus permanecia de pé e voltou a falar.

"Devo reafirmar que Harry Potter realmente odeia Rita Skeeter e se amanhã ele ler uma notícia sobre seu casamento escrita por essa mulher", Snape fez uma pausa dramática. "Bem, Harry é um bruxo magnifico e me confessou que irá caçar pessoalmente a pessoa que informou Skeeter. Ele ainda pedirá diretamente ao ministro que mande esse sujeito para Azkaban. E convenhamos, senhores e senhoras, quem terá coragem de negar um pedido de Harry Potter?", outra pausa e um sorriso sádico. "Por isso, aconselhe-os a não partilharem nossas respostas ou terão sérios problemas com o salvador do mundo mágico", ameaçou, com seu característico tom letal. Depois olhou para Harry. Parecia esperar que o rapaz concordasse com ele.

Potter sentia vontade de rir, mas entendera o que o amante estava fazendo. Severus estava se vingando de Rita Skeeter sem levantar a varinha para a bruxa, como prometera a Harry. Existia maior vingança a um repórter do que privar-lhe da informação? Snape era um homem muito cruel, pensou o rapaz.

Harry, então, se levantou com o rosto sério e olhou para os bruxos e bruxas que pareciam ter paralisado com a ameaça de Severus. Ele segurou a mão do amante e disse:

"Meu noivo, Severus, já explicou tudo para vocês. Se amanhã eu ler alguma matéria, por menor que seja, de Rita Skeeter comentando meu casamento, eu irei direto ao Kingsley. E o informante infelizmente acabará numa cela em Azkaban. Como todos sabem, Severus foi Comensal da Morte e terá prazer em torturar repetidamente o informante."

Snape concordou.

"Lembro-lhes ainda que tenho seus nomes. Mas se mantiverem suas boas fechadas, não há motivo para se preocupar. Novamente, agradeço a visita e podem se retirar."

Houve grande movimentação, como se os bruxos e bruxas quisessem sair dali o mais rápido possível. Não saberiam dizer qual dos dois noivos era o mais ameaçador. Tanto Harry como Snape, pareciam aterrorizantes ao ameaçá-los.

Assim que o último bruxo saiu da casa, deixando os dois a sós, Potter riu.

"Por Merlin, Severus! Não é possível que você seja tão vingativo assim!"

"Está surpreso com isso? Estou surpreso com você, Harry Potter. Eu ainda não acreditei no que você disse. Estava fabuloso fazendo ameaças. Parecia até um bruxo das trevas."

Potter sorriu.

"É a convivência com você que me corrompe. Mas eu gosto. Pode me corromper a vontade, Severus."

Snape beijou a testa de Harry e sorriu.

"Acho que Skeeter irá publicar algo assim, que eu corrompi você, que o transformei em um bruxo das trevas."

Poter pareceu refletir sobre algo além.

"Então é isso? Tudo isso é culpa da Rita Skeeter?"

"Tudo isso o quê?"

Harry assentiu, mesmo sem Severus ter afirmado nada.

"Agora eu compreendo. Você tinha tudo planejado, não é, Severus? Você quis casar comigo, para depois fazer o anúncio para os jornalistas e não chamar a Skeeter. Você me pediu em casamento porque queria se vingar da Skeeter!"

Snape simulou estar ofendido.

"O que você diz não tem nenhum cabimento. Eu te amo, por isso quis me casar com você."

"Mas por que fez essa coletiva?"

"Porque você já expôs nossa vida particular, então, pensei que eu poderia fazer o mesmo."

"Você está me enrolando! Assume logo, você só deu essa coletiva de impressa para se vingar da Rita Skeeter."

"Está delirando, Potter", falou, sorrindo com malícia. "Mas devo declarar que sua inteligência me impressiona."

"A minha inteligência te impressiona? Eu é que fico impressionado com seus planos arquitetados para o mal."

"Não estou fazendo mal a ninguém, garoto. E mantive minha palavra. Não levantei minha varinha para ela."

"Meu gênio maligno", disse Harry, puxando Severus para perto dele. "Meu amado e maligno futuro marido."

Snape envolveu Potter em um abraço e depois o beijou.

OoOoOoOoO

Pouco tempo depois, Severus começou a lecionar na seção de aurores do Ministério. Surpreendentemente, Snape estava diferente. Ele continuava debochado e sarcástico com os alunos, mas agora ele era imparcial. Trata todos os estudantes igualmente, se bem que ele um tanto mais duro com Potter. Pois sempre achava que a resposta do rapaz estava incompleta ou poderia ser melhorada. Harry não se importava com a implicância de Severus, já estava acostumado a ela desde que tinha onze anos de idade. Mas quando ele achava que o amante exagerava, Potter agora podia dar detenções para o professor carrasco em casa, na cama.

Qualquer um que conheceu Severus antes da queda de Voldemort percebia que o ex-Comensal da Morte estava mudado. E não era apenas com relação a aparência, já que Snape abolira o preto totalmente de sua vida. A mudança que Harry viu acontecer aos poucos incitou a curiosidade do rapaz.

"Por que não usa mais vestes negras, Severus?"

"É porque não estou mais de luto, Harry."

Além dessa mudança nas roupas, havia outra não tão visível, mas sutilmente sentida. Havia em volta de Snape uma película invisível. Algo que ele não teve durante toda a vida, até Harry Potter aceitar ir morar com ele. Agora qualquer um que convivesse com Severus podia sentir que ele era um homem amado.

Fim?

OoOoOoOoO

Comentários da autora: Depois de 27 páginas no Word, a fanfic chega ao fim. Ainda bem! Confesso que fiquei com muito medo de não conseguir terminar essa fic. Esse primeiro semestre foi muito complicado para mim, era impossível achar tempo para escrever. Mas no final, deu certo.

Há! Hoje é madrugada do dia 15, provavelmente vocês só irão ler essa fic daqui há uma semana. Quando já tiverem assistido ao último filme.

Queria comentar o fim da fic... Enquanto eu escrevia os primeiros capítulos, eu estava lendo HP 7. E como boa amante do Snape, eu li e reli o capítulo 33 umas dez vezes. E algo lá me deixou particularmente ofendida. Quando a Rowling descreve o James Potter, ela diz que tinha um ar de quem fora muito amado na vida, até adorado. E ela dizia que isso faltava ao Severus. Desde então eu já sabia como seria o fim dessa fic. Snape terminaria muito amado. = ]

Gostaria de falar sobre casamentos... Tenho total aversão a eles. Então é impossível para mim descrever um casamento em uma fic, por isso, não descrevi o casamento do Draco. Outra coisa... O pedido de casamento. Pensei seriamente em tirar esse pedaço da fic, mas aí, não teria como justificar o título da fanfic. Então, teve que ficar, pois afinal, foi por causa da Rita Skeeter que Snape pediu Harry em casamento.

Enfim... Agradeço a paciência e os reviews solidários que recebi no capítulo 7. Muito obrigada, gente! Vocês são muito gentis.

Também gostaria de agradecer os erros nessa fic que vocês gentilmente não comentaram. Quando a horcrux do Harry é eliminada, ele perde a capacidade de falar com as cobras. Mas eu acho isso tão charmoso que acabei ignorando e mantive esse dom com ele. E o outro assunto é o café. Bem, é óbvio que eu não tomo café. Se eu apreciasse café não teria tratado dele tão levianamente como tratei. Eu acho que café combina com Snape, por isso fiz dele um apaixonado por esse grão. Mas um verdadeiro apreciador de café não gosta de café do tipo "instantâneo", só adicionar água e mexer. Eu pretendo mudar isso nessa fic. Irei trocar o instantâneo por uma máquina de café automática.

Enfim... Obrigada novamente e desculpa a demora para publicar. Espero revê-las em outra fic! : )

Reviews? Reviews? Reviews?

Por favor? Por favor? Por favor?

Não sabe o que escrever? Quer uma sugestão? Me manda um smile (: D). Sério. Adoro smiles e vocês me deixariam muito feliz se me mandassem um review. Me mandem? Por favor? ; )